segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Desabafo de um escritor (texto do blogueiro)

          Um dia serei feliz, viverei ao lado de um extenso carvalho, numa datcha no alto de uma colina, lá criarei meus filhos, duas crianças pequenas e ativas; Lá viverei com a minha mulher e meus filhos.
          Uma linda mulher, de olhos glaucos, cabelo negro esvoaçante e de delicada pele. Com ela terei meus filhos, querida e doce, poda ela a extensa relva de flores pensando no amor ao qual ela espera passar a vir em seu semblante.
            Ali terei um cachorro, um beagle travesso, que corre atrás do meu baio russo, ao qual ensinarei montaria ao meu filho, Nikolai, enquanto observo minha esposa a brincar com minha doce filha, Sarina.
            Caminha ela atrás da pequena criança que tenta balbuciar extensas risadas enquanto observa a cavalgadura desengonçada de seu irmão no cavalo castanho sobre a estreita linha de pisos ladrilhados.
            De túnica cor de creme, chapéu marrom e jeans riscado, observo cair a pétula da rosa que desaba do cabelo cacheado daquela que contém a paixão em seu afeto e ternura...
           Deus, que bela vida será essa! À tarde caminharei com meu filho ao córrego, onde lá ensinarei como pescar e como devolver os peixes na água; mostrarei a ele o que é uma garça vermelha, um mico-leão e um lobo-guará, que tanto ladrilha, e que tanto caminha em sólido espírito de intensa opulência.
         Ao tornar à casa, escuto de longe o tocar do piano, que minha doce esposa leciona nossa querida filha, tão como ensinou ao que agora volta exausto ao meu lado. Quem diria, essa bela donzela ainda seria uma das mais lindas pianistas que eu já tive notícia.
        À noite, ensinarei latim, grego, russo, mostrar-lhe-eis Geografia, História, Filosofia, serei mais que um simples educador, serei um pai...
        Quando soprar os intensos ventos vindos do Leste, sequer me nervoso ficarei, quando aquelas duas crianças, apavoradas com os intensos relâmpagos, que o supro Odin, lançar sobre aquela terra sobre a qual arei.
         Contar-lhes-ei histórias de gigantes reis, que governaram as estensas pradarias tão longíquas que apenas na memória permaneciam... Contar-lhes-ei sobre os bravos feitos do notável Aleksander Nevky, as insanidades com que Ivan, o Terrível coordenava a sua Oprichinikha, as batalhas de Pedro, o Grande...
        Contar-lhes-ei os feitos de Vladimir Iliych, as histórias que rondam sobre os Romanov e Rasputin, o misterioso monge que da Sibéria veio, contar-lhes-ei como tão longíquas e tão de árvores ornadas são as densas florestas da Rússia Oriental...
        Quando dormirem, sequer me precipitarei a torná-los do leito do qual levantaram em numeroso pavor, afinal de contas, não mais querei eu dormir, movendo-me para a confortável da sala de onde o fogo da lareira conforta o ar gélido da madrugada.
         À cozinha vou-me, com intenso cuidado de não acordar aqueles que descansam no mais profundo sono de Orfeu, e ali elaboro o mais doce e delicioso chocolate quente de que se tem notícia, que surge às narinas com um angelical sabor, do qual de tão penetrante exalar levanta ela, a doce donzela.
— Querido, já é tarde. O que faz aí em pé?
— Estou sem sono.
— Mas amanhã será um dia importante, lembre-se que é o lançamento de seu livro.

Verdade! O lançamento era amanhã, a mais extensa coluna de escritores e intelectuais estaria ali, em torno do meu pequeno séquito de amigos, dos quais não me desgrudo, que de tão extenso valor me trazem às longínquas recordações do passado.

                — Vou para a cama daqui a pouco.
                — Querido...
                Agarrou-me ela pela cintura e com um intenso afago acariciou o lóbulo da minha orelha esquerda com a boca...
                — Querida, aqui não, as crianças podem acordar...
                — Não vão não...

                Ali de intenso amor nos consumimos, boa vida era aquela, da qual delicada lembrança trazia a mim... Como eu consegui tudo aquilo?

                Tinha uma das mais sólidas carreiras de artista, premiado com louros dourados que a César tão bem decoraram; tinha uma linda e amável esposa, da qual estava tão bem apaixonado, e tinha dois dos melhores filhos que um homem podia desejar...

                O badalar escandaloso do despertador trouxe-me à realidade... 6: 22.

                Era um sonho! Apenas um sonho! Maldição! Doce vida, professor serei, e nada terei... Quanta tristeza! Não desejo dinheiro joias, ou grandes fortunas apenas isso e nada mais, mas nada disso me trazes, maldição!



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Poesia romântica 12

Sob a límpida luz do luar
Reluz o tristonho semblante
Do qual tento não esquecer

Era ela, a bela a cantar
O cântigo gorjeante
O qual agora quero tecer

Estupenda e formosa
Aquela ninfa chorosa
Tornava à vida tristonha
Naquela noite medonha

Sem voz e cansada
Perdida na rima
Suplicava na calçada
Um olhar logo de cima

Logo a dor passada
Pensa ela na obra prima
Que deixara enlaçada
Ao pé da meia lima

Cântigo choroso
Ao vento chuvoso
Ecoa sem vir
Como a voz do vizir

Esqueça agora o meu cismar
De tanto tento cantar
Pois já não mais sei rimar.

Diferenças entre Ditadura e Democracia



          O que difere uma Democracia de uma Ditadura?

O que difere o buldogue inglês do montanhês cheio de varíola? Além da ideologia, da língua e do país.

         Essa questão parece ser fácil, mas não é... O que é uma Ditadura?

          Ditadura é um sistema de governo em que o cidadão não pode votar em seu governante sequer para se representar?

          Mas se for assim? Então o sistema britânico de governo cai em desgraça quanto a isso... Afinal, há na Inglaterra alguém que eleja o Primeiro-Ministro que não seja o Parlamento? Não é voto direto.
Na Inglaterra é o Parlamento que tem força para escolher o Primeiro-Ministro


         "Mas é que o sistema é diferente, os cidadãos podem escolher os seus deputados para representá-los", mas se isso for mostra de Democracia, então a União Soviética era uma Democracia! (Muitos pensam que não haviam eleições na União Soviética, isso é um erro comum, os cidadãos, filiados ao Partido, ou não, muitas vezes, decidiam quais candidatos a representantes no sistema legislativo eram mais viáveis a si, é claro que os candidatos tinham que ser filiados ao Partido Comunista. Desses representantes, surgia uma eleição dentre os delegados e a partir dela se escolhia quem comandaria o Alto Escalão Soviético)

          Percebem o quanto que tenho dificuldade para explicar o que é Democracia de Ditadura...

          "Ditadura é um Estado repressivo que visa reduzir os direitos dos homens através da força, da tortura", se for assim, os Estados Unidos na Era Bush eram uma Ditadura (sabemos, que não era).
Será?

         "Ditadura é um governo que se baseia num período maior que um mandato e que não tem perspectivas de passar o poder à oposição". Se for assim, a era FDR nos Estados Unidos seria encarada como Ditadura (afinal, Roosevelt foi eleito em quatro mandatos consecultivos).

FDR discursando em cartum ("Eles perguntaram por isso... e eles terão isso!")

        "O estabelecimento de uma ditadura  se dá via um golpe de estado enquanto a democracia se baseia em eleições gerais", essa concepção é mais falha, pois devemos recordar que Hitler, mesmo tendo tentado dar o Golpe de Estado no Pusch de Munique por volta dos anos de 1920, ele só ascendeu o seu poder na Alemanha através das linhas democráticas que se estabeleceram na República de Weimar.

Logo da campanha de Adolfinho, que viado!


         "A ditadura se baseia na repressão à liberdade de expressão". Não é o que vemos hoje ocorrer nas numerosas repúblicas da Europa agora? Uma extensa repressão, com o uso de forças policiais e das Forças Militares para conterem os manifestantes enraivecidos, não é isso que se viu na Ocupação de Wall Street?

          "Democracias são sistemas que possuem legislações trabalhistas e que possuem proibições ao Trabalho Escravo". Ditaduras socialista também têm isso, e se formos sermos bem literais, se considerarmos essa ótica, a Grécia Antiga não era uma Democracia, assim como os Estados Unidos antes de Lincoln.

         "Democracias visam respeitar o bem do indivíduo por si só". Onde? As democracias não são assim. Essa é a concepção semi-simplista e totalmente ingênua, o bem do indivíduo é sempre levado em consideração por último diante ao bem coletivo. Eu posso não querer me alistar nas Forças Armadas, ou mesmo a votar, mas quanto a isso não sou respeitado, pois sou obrigado pelo Estado a fazer isso.

         Percebem como é difícil...

         "Ditaduras matam, democracias julgam", nem sempre, democracias também matam sumariamente indivíduos para se manterem no poder.

          "Ditaduras são excludentes, democracias são amplas", uma palavra: Apartheid.

           Eu queria realmente pensar como Abraham Lincoln:  
Democracy: government of the people, by the people, for the people
("A democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo")

           Mas não é assim, a democracia é governo dos dominadores sobre os dominados, é um logo que tenta esconder as imperfeições da sociedade burguesa que tanto propaga que todos os homens são iguais, mas pouco faz quanto a isso.


         Mas vejo mais como Saint-John Perse:


"A democracia, mais do que qualquer outro regime, exige o exercício da autoridade".
(La Démocratie, plus qu’aucun autre régime, exige l’exercice de l’autorité)

           Autoridade essa que demanda poder, poder esse que por vezes é dado por violência... Agora, o que é Democracia?


            Um tipo-ideal, uma abstração que pouco se fez para conclui-la. A real democracia só virá quando os homens passarem a ter os mesmos direitos e deveres, terem as mesmas condições de ensino, saúde e trabalhistas, terem total direito ao voto e o total respeito às suas crenças, filosofias e seus direitos.


          É por isso que acredito numa democracia socialista, ao contrário do modelo falho da social-democracia, a qual não deva se embasar primariamente na força e repressão, mas na tentantiva da maior compreensão dos indivíduos entre si nessa sociedade a qual vivemos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Oscar Wilde

 Lições de filosofia a partir de Oscar Wilde
A ambição é o último recurso do fracassado.
Oscar Wilde

O ambicioso já o fracassado por natureza que nada mais faz do que tentar contornar o seu fracasso para se tornar um vencedor, para tanto o ambicioso deseja as coisas mais inimagináveis possíveis, e como não tem nada a perder, já que é um fracassado, recorre de todos os meios para suplantar sua posição


A vida é muito importante para ser levada a sério.
Oscar Wilde
A seriedade em demasia é apenas a prova da não vivência do indivíduo  como ser humano, a vida deve ser levada de modo passional, emocional, e feliz, deve-se esquecer por vezes de regras, de lógica e de seriedade para suplantar a robotização à qual enfrentamos.


O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação.
Oscar Wilde

O descontentamento é o meio pelo qual grandes acontecimentos ocorrem, desde invenções, revoluções, ou mesmo de mudanças de pensamentos... Marx diz que a luta de classes é a força motriz da História, mas na verdade o descontentamento em si é a força motriz da História.

O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, prefere ambos.
Oscar Wilde
O pessimista não é só a pessoa que acha que tudo dará errado, mas por vezes reza para as coisas darem errado para depois se gabar que estava certo; O pessimismo por si é um tanto danoso, pois ele penetra na pessoa como um impressão de que tudo de ruim recaí sobre si e sobre os outros.

Para o pessimista, não existe mal "pior" ou mal "melhor" e ele se sente incapaz de reconhecê-los que acaba preferindo ambos.

Chegamos ao 1000

Isso mesmo, o blog enfim chegou à visualização 1000!

Isso de certo foi uma imensa felicidade para mim descobrir isso, significando assim a  ascensão com que o meu blog presencia (embora seja tímida é crescente), isso me deixa feliz...

Eu sou grato, a você, caro leitor, que tanto foi paciente com minhas ironias, meus textos longos e minhas indagações.

Sei que muitos sequer sabem quem eu sou ou o que faço... Eu sou blogueiro, eu não tenho vida social!

È interessante rever hoje minha postagem 1 e encontrar  a despreocupação com que começava a redigir esse blog, a questão é: Sabiam vocês por que o blog se chama assim?

Além do bem e do mal era o título de um livro de Friedrich Nietzsche que eu estava começando a ler, um dos que mais me influenciaram...

Por quê troikamental?

O que é uma troika? Do russo, тройка, era o termo utilizado para a diligência regida por três cavalos, mas que o contexto político acabou incorporando o termo, como um governo de três, um triuniviato...


Mas é...


E daí que não é um nem outro, mas a ressignificação dos termos: O termo troikamental remete à diligência, a liderança mental que surge no homem a partir que ele se distancia da dicotomia Bem e Mal e se torna um indíviduo acima disso. Como Nietzsche diz, um Übermensch.


(Na verdade eu achei que troikamental rimava com Além do Bem e do Mal)


PS: Eu disse certa vez que se um dia chegasse a visualização 1000 eu me casaria com a Katy Perry... Vocês sabem que eu estava mentindo...

10 indícios de que Deus existe:

1) Perdi meu passe estudantil
2) Perdi dois onibus
3) Peguei dois onibus lotados
4) Levei esporro de professor.
5) Tive prova surpresa
6) Não joguei meu joguinho
7) Meu Ipod deu bug.
8) Peguei um tsunami/ chuva de verão
9) Minha mochila arrebentou no meio da rua
10) Quase fui atropelado

Quem mais poderia ter fudido tanto a minha vida em apenas um dia?
PS: Isso porque eu não inclui duas horas de engarrafamento, uma briga e ainda ter perdido minhas chaves

domingo, 23 de outubro de 2011

Um anjo (Texto do Blogueiro)


Durante o meu sono da madrugada, faz muito tempo que não sonho, mas esse sonho foi particularmente interessante...
Era um lindo dia quente em Brasília, um daqueles em que os raios de sol gritam o seu calor para serem percebidos... Fazia uma desconfortante temperatura, a qual tenho medo de lembrar.
Eis que eu estava, um jovem, um rapaz, que nem barba direito havia nascido, com olhar cansado, rosto pálido, nariz peculiar, magricelo por natureza, caminhava com intensa pressa sob aquele piso de mármore escurecido...
Ao meu lado estava um linda donzela, ela era linda, se desconsiderarmos a melância que portava ao invés da barriga, era tinha lindos cabelos encaracolados escurecidos, olhos negros e um pálido semblante assustado...
Era um dia importante para ela, afinal tinha sido selecionada para ser fiscal do Ministério da Educação, e logo estava sendo convocada para participar de um exame, a questão... ela estava grávida.
Eu sei que eles não costumam convocar gestantes para esse tipo de serviço,  mas naquela situação isso ocorrera.
— Vamos, Alan... Vamos, senão chegaremos atrasados...
— Você acha prudente fazer isso, afinal você está grávida...
— Eu tenho que fazer, afinal eu já recebi o dinheiro e depois, eu não posso mais recusar...
— Certo, então vamos...
Dentre aquela pequena rodoviária corremos em ligeira pressa, mas em velocidade condizente ao estado de gestante de minha amiga.
— Ah! Meu Deus! Ah! Meu Deus! A bolsa rompeu... A bolsa rompeu...
Vejam só, naquele imundo e escuro chão de rodoviária aquela poça de líquido um tanto incolor surgir como assombro no chão... As pessoas ficaram perplexas...
— Nós temos que ir ao hospital...
— Mas como? Se formos de ônibus vai demorar uma hora...
Surge duas belíssimas donzelas, daquelas que aparecem nas semanas de moda mundo à fora. Pareciam saídas daquelas lindas histórias que paramos para ouvir sobre as lindas donzelas nórdicas que aparecem ao valente cavaleiro, as valquírias.
Eram as duas lindas... Tinham olhos azuis, a pele branca, um pouco pálida, nariz arrebitado e ambas tinham cabelos de luxuriante loiro natural... Elas eram gêmeas...
A Primeira se mostrou indiferente, mas segunda... Ela se solidarizou com o sofrimento de minha amiga... E a amparou no braço, fora muito amigável.
— Anita, nós temos que ir — Disse a primeira.
— Vamos levá-la para o Hospital...
— Mas temos que ir, o Doutor não costuma esperar...
— Levaremo-na primeiro e depois pensaremos na minha consulta.
— Anita...
— Vamos, venham comigo...
Que bela criatura era a Anita, linda e gentil, tinha um doce sotaque sulista, ao qual não pude me conter; Ela tinha um corpo escultural, seios proeminentes, porte de modelo, era quase o modelo dos estereótipos das lindas donzelas que habitam  as terras gélidas da Escandinávia.
Ousei perguntar:
— Anita, posso chamá-la de Anita, certo? Posso fazer uma pergunta? — Ela acenou positivamente com a cabeça — Eu não vejo um motivo para ver uma pessoa como você que parece... bem, sadia, ir ao médico... Se me permite, por que a senhorita estava indo ao médico
— É uma longa história, mas deixe-me resumi-la: Eu tenho botulismo...
— Botulismo?
— Sim, botulismo, aquela coisa que dá nas latas... Desde criança eu tenho isso, quase morri, contudo, um tratamento, novo na época, me fez sobreviver à doença... Esse tratamento hoje impede que eu morra, eu tenho que tomar uma pílula a cada duas horas para sobreviver.
Surge um tema angelical, uma música linda por sinal, mas só com um refrão: “I do not believe”.
— E se não tomar?
— Meu corpo começa a se deteriorar em razão do botulismo, eu tenho a respiração interrompida e acabo morrendo... É triste, mas é isso... Eu tenho que ir ao médico duas vezes por mês para ver se está tudo bem, já que o remédio tem efeitos colaterais...
— Que efeitos?
—O remédio me deixa com ansiedade, eu sou obrigada a usar fraldas, afinal não tenho mais controle urinário (eu fiquei pasmado), e meu corpo começou a crescer e se formar de modo muito rápido e muito artificial. O corpo que vê, pode parecer bonito, mas é resultado do remédio que aumento a minha taxa de hormônio do crescimento.
O  tema angelical trouxe uma monotonia, o único refrão parecia ser cantado por uma voz angelical, em tom calmo e ameno, algo como Alanis Morissete cantando em tom meloso: “I do not believe”.
— Chegamos! Vou levá-la ao hospital... Você é o marido dela?
— Amigo.
— Terá que vir você também para preencher a papelada.
— Sim.
Eu observei com toda a atenção aquela formosa criatura auxiliando aquela gestante parturiente, nunca vi uma pessoa tão disposta a fazer tanto bem ao próximo, aquilo me comoveu... Era lindo, parecia um anjo dentre os falhos, parecia reluzir a sua aura em torno daquele lindo semblante delicado, por que ela tinha que sofrer?
De fato fomos levados ao Hospital, eu fiquei preenchendo a papelada,  mas Anita, ela ficou ali, esperando tudo ocorrer bem... Ela ficou naquele silencioso corredor cantando uma modinha, enquanto observava o esposo daquela parturiente aparecer nervoso na sala de recepção. Ela o acalmou...
Eu me senti atraído por aquela moça, não só pela sua beleza, mas por seu espírito que era delicado e límpido, não me importava que estivesse doente, ela era para mim a única coisa que importava... Mas quem disse que eu teria coragem de me declarar, ali, naquele local de dor e sofrimento que era uma sala de Hospital?
— O bebê nasceu... — Pronunciou a enfermeira.
— Acho que chegou a minha hora, devo ir.
— Não quer ao menos conhecer o bebê...
— Não eu tenho realmente ir.
— Eu não sei como agradecê-la.
— Seja bom com as pessoas e estará me agradecendo...
— Farei isso. Passar bem, Anita.
— Passar bem.
E fora essa a última vez que vi uma moça tão singela, tão delicada, tão doce passar por mim e sequer tive coragem de me declarar... Ela era um anjo, eu sou um imperfeito...
Chove forte na Capital, uma chuva tão sólida que as nuvens do céu tão turvas estavam e a cidade como um todo era consumida por uma aura de trevas ou algo próximo a uma escuridão assustadora.
Eis que eu, apressado do meu jeito, agora era famoso escritor que me pronunciaria dentre os passantes, eu já era famoso... Caminhava com uma andar marcado, envolto no meu sobretudo negro, com a lapela levantada e o meu chapéu fedora negro... vinha acompanhado de um velho amigo, a quem não mais recordo o nome.
— Serpov, eu não entendo a sua insistência de passar por esse local! Ele tão sujo, tão feio...
— Meu caro, Pedro (lembrei o nome), foi aqui que encontrei um anjo... Esse local tem um  significado emocional para mim.
Caminhado com cautela, sobre o vento que batia nas costas dos infelizes que ali passavam, eis que me encontro com uma das maravilhas criadas por Deus, Anita...
Ela estava diferente, seus cabelos não eram mais tão loiros como antigamente, mas a sua aura continuava tão linda quanto sempre fora... Assim como eu, ela envelhecera um pouco, mas linda ela continuava.
— Serpov... Serpov, quem é ela?
— Um anjo, Pedro. Um anjo — Retirei o meu chapéu em sinal de reverência e me aproximei de Anita — Como vai, Anita?
— Como vai, Serpov? Agora que virou famoso esquece-se de mim.
— De nenhuma maneira, Anita, esquecer-me-ei de ti. O que fazes aqui? Vai ao  médico, posso dar-lhe carona.
— Não, não vou ao médico, meu caro Serpov.
— Pois então...
— Eu não sei, eu queria só passear... Como vai você? Você vai bem? E o seu livro?
— Vai tudo indo bem para mim, o livro virou um Best seller logo na primeira semana. Mas eu estou mais querendo saber sobre você. Como vem passado?
— Eu estou bem,  sabe, agora não mais preciso ir no médico... Ele disse que estou curada.
— Sério! Isso é maravilhoso!
— Eu sei...
— Você quer tomar um café? Por minha conta...
— Já que insiste...
Subimos uma escadaria até chegarmos a um pavimento que dava para uma avenida, no outro lado da avenida encontramos uma cafeteria...
“I do not believe...” Toca o refrão ao final...
— Um anjo, ela é um anjo...

sábado, 22 de outubro de 2011

O sepulcro vermelho

           Descansa hoje sob o esquife rubro na ladrilhada Praça a águia das montanhas. Hoje, deitado em eterno sono imerso, Vladimir Ilych descansa no semi-angelical descanso que lhe fora imposto.
            Quem diria "o personagem mais influente do século XX" agora estaria ali, naquele esquife deitado, sendo observado de longe pelos russos de ushanka e capote, enquanto os guardas monitoram o líder... Faz frio em Moscou, mas mesmo assim, aquela câmara semi-frigorifera continua ali coordenando o corpo do falecido revolucionário.
Lenin hoje descansa solitário no Mausoléu

             Lênin merecia mais do que um simples papel de peça de museu; Ele fora uma mentalidade inovadora, um homem que mudou o mundo para sempre... Mas não era isso que o Kremlin desejara tempos atrás. Eles queriam que o povo o cultuasse como um deus.
Não, não o glorifiquem como um santo

            Chega a ser ironico, um marxista, ateu por convicção, ser louvado como um deus por velhinhas desdentadas que nada mais sabem fazer senão pertubar a Presidência com cartas apelando pelo retorno da União Soviética, visitar o túmulo de Stálin, trocando a cada dia as flores de sua lápide, e tencionando furar o esquema da guarda, para poderem beijar a testa do descansante revolucionário...
          
            A União Soviética não mais existia... A Rússia agora estava mudada; a burguesia voltara, a Mafia hoje marcha na Praça Vermelha, onde ontem marchava as tropas do Exército Vermelho festejando a vitória da Grande Guerra Patriótica...

             O fascimo hoje surge dentre o espírito do povo que um dia fora um dos mais receptivos do Mundo... Maldito capitalismo! Destronara o sonho de Lênin...

              Se apenas tivesse sido o capitalismo! A culpa foi dos estúpidos governantes que deturparam o sonho, desde Stálin a Chernenko, todos deturparam o que era a visão de pátria do Socialismo de Lênin... Eles tomaram para si a burocracia, trouxeram a corrupção de volta... Agora o povo paga por isso.

             Lênin, quem diria, Lênin! Seria agora rebaixado a uma múmia simplória tão menos importante que uma múmia egípcia do tempo de Tutâncamon; Um dia você fora um gigante, um profeta das palavras do marxismo-leninismo, o pai da Revolução...
Pobre, Vladimir Ilyich

          Não mais, hoje, descansa ele em seu Mausoléu sem sequer esbolçar reação, mas um dia ele acordará, e quando ele acordar, a Rússia, e o mundo se envergonharão de tudo que fizeram...
       
          Certo, talvez ele não acorde... Mas suas ideias emergiram dentre as mentes pensantes, a sua voz ecoará pelas fileiras de trabalhadores, contaminarão o coração dos jovens e penetrarão na alma dos justos, Lenin viveu, Lenin vive, Lenin viverá enquanto pensarmos nele.
"Lenin viveu, Lenin vive, Lenin sempre viverá" (Maiakovsky)

         Hoje profanam o seu nome, hoje se esquecem do que um dia ele já foi: A voz da Esperança...

         Chamam-no de assassino, mas se esquecem que o verdadeiro assassinato hoje está sendo escondido nas desérticas terras da Somália... Eles não pensam mais em justiça, pensam agora em dinheiro, fortuna.

        Falam que ele era contra a família, sabendo inescrupulosamente que a família vem se destroçando com a burguesia... Falam que ele contra a religião, mas eles mesmos perseguem as outras crenças em prol de uma deturpação das ideias de outro líder, humilde por nascimento, a quem chamam de Cristo.

       Lênin não era perfeito, Lenin não era um Deus, Lenin era um homem... Tinha sentimentos, pensava, sorria, se entristecia. E como homem não merecia ser rebaixado ao papel de múmia em um sarcófago na Pirâmide de pedra vermelha que hoje lhe chamam de Mausoléu.
Файл:Lenins Mausoleum.jpg


      Lênin merece ser lembrado, merece ser respeitado, e se erros cometeu, deve ser perdoado... Ele tentou fazer o melhor para tornar o Mundo um lugar melhor.


Os mosqueteiros de Troisville

     Eu confesso que tive uma certa surpresa ao ver alguns trechos do novo filme Os Três Mosqueteiros. Eu esperava encontrar um valente e ousado D'Artagnan e os três heróicos mosqueteiros do Rei, Athos, Porthos e Aramis em posturas de capa e espada, mas não foi isso que encontrei...

    Talvez possam me julgar ultrapassado, mas eu ainda sou acostumado com a ideia de D'Artagnan ter saído da longíqua província da Gasconha com o seu cavalo amarelo, em direção a Paris, para se tornar um Mosqueteiro do Rei, e se subordinar ao senhor de Troisville (Treville), amigo de seu pai.
Essa é a Gasconha para os leigos.

 Foi exatamente o que eu vi, mas não foi no modelo que Alexandre Dumas enumerou em Os Três Mosqueteiros (talvez seja esse o motivo do meu estranhamento, eu li na íntegra o livro).

O que eu vi foi um D'Artagnan semi-atrapalhado que pouco heroísmo ostentava que rapidamente é derrotado pelo Duque de Rochefort.

Não era esse D'Artagnan que eu imaginava...

Pelo menos eles acertaram na escolha da Milla Jovovich como a Condessa de Winter, a Milady, ficou um papel bem sensual que combinou bem com ela.

Não vi tanta força no senhor de Troiville, o rei Luis XIII foi retratado como bobo e a Ana da Áustria por pouco não foi retratada como... Melhor ficar calado.

Eu esperava um pouco mais... O filme tá mais uma comédia trágico-cômica do que um filme de aventura, acho que essa foi a intenção...
Que decepção!
O Cardeu Richelieu era para ser um pessoa totalmente ardilosa, um pouco maligna, que sempre queria pegar no pé do Dartagnan, HAHA, até parece que foi assim...

Minha esperança talvez sejam os efeitos especiais em 3D do Cerco de La Rochelle ou a morte do Duque de Buckingham, por que nisso eu digo, os efeitos são insuperáveis, mas são só efeitos...

É a mesma história do filme Jumper, mal tem um enredo apresentável, mas é cheio de efeitos especiais... Bem, não é bem o caso, Os Três Mosqueteiros pelo menos tem enredo.
Outro filme decepcionante.

Eu estou criticando, mas não é que eu tenha achado o filme ruim, filme ruim é Transformers, eu só achei que ele podia ser um pouco mais desenvolvido.

Sem comentários

O diretor não é ruim, mas também não é um inovador, sei lá, como Eisenstein, Orson Welles, e dificilmente chegará ao nível Spielberg de apresentação e carisma.

Em resumo, Os Três Mosqueteiros é aquele filme tipo B que você vê nas matinês de sábado quando não tem nada para fazer ou aquele tipo de filme que você compra ingressos para assistir outro filme mais adulto em outra sala, ou mesmo é aquele filme que você passa 90% dando os amassos na sua namorada sem sequer prestar atenção...
Nota: Cintilantes B flamejantes...

Era para ser um filme fodástico, virou filme mediano...

Nunca vai chegar a ser um Indiana Jones da vida.
Indiana Jones 3: Last Crusade Wallpapers
Era para ser tipo B, virou tipo AB ou A
É claro que é um filme divertido, nas cenas, como passatempo, mas filme construtivo é pouco provável. Parece que essa está sendo a tendência dos filmes atuais, dar muito efeito especial, dar quase nenhum nexo do enredo, e não ter uma única mensagem importante... O cinema hoje, de 2005 para cá, está muito artificial e comercial.

Eu coloquei de 2005 para cá, pois a gente tem que levar em consideração que nós tivemos nessa década Circulo de Fogo (Enemy at Gates), O senhor dos Anéis, Xmen: Origens, Wolverinne (o único que achei decente da saga Xmen) e outros; Mas em si, o cinema de Hollywood vem perdendo muito espaço na minha visão, tem ficado muito vazio.

Hoje os filmes americanos priorizam muito efeitos especiais, sangue (filmes com morte são legais, mas quando têm contexto, como Operação Valquíria (Die Walkyrie)) e sexo (parece que estamos vendo pornografia ao vivo e não bem filme de família)... Quando não tem isso é filme infantil...

Não é a toa que os videogames estão crescendo tanto... Eles têm a distribuição visual tão boa ou melhor que a dos filmes, a atuação é excelente, o enredo é bem desenvolvido e possuem até a narração de atores de Hollywood (como Gary Oldman em Call of Duty: World at War e Call of Duty: Black Ops).

É, acredite, quem faz a narração de Reznov no Call of Duty é o Gary Oldman!


É claro que não são todos os filmes... A série Batman é ainda insuperável, sem dúvida os melhores filmes do Homem Morcego são os de agora... (Senão colocarem o Robin no último, a série vai ser perfeita; O Robin deixa o Batman gay...).

O que falo dos filmes made in America não vale por exemplo aos filmes feitos na Europa (que continuam com uma qualidade altíssima), no Brasil ( O Tropa de Elite parece o filme Swat melhorado), ou na Rússia (A Mosfilm, por mais que não acreditem, vêm com uns filmes de peso, como Leningrado).


Quanto ao filme dos Três Mosqueteiros, reforço:

Eu esperava mais... Em todo caso a gente assiste para ver a Milla Jovovich atuando.

Não era bem atuando que eu queria ver a Milla... Peraí esse cartaz está em russo?

A névoa distante

Sob a intensa névoa
Que paira no alto da colina
Canta a diva donzela
Dona do meu amor

Procura ela ouvir
O cantar do rouxinol
Enquanto colhe
Na linda macieira

A águia cinzenta voa
Ao sol, vem a bolina
Que leva a macela
Da que ouve o clamor

Pensa ela no porvir
Olha para o farol
Enquanto se encolhe
Na névoa grosseira

Canta, minha querida
Ecoa ao sol sem demora
Para alcançar-me na fronteira


Faça com que me lembre da garota
Pela qual ecoa a fogueira
Que surge à aurora

PARA MIM MESMO ERGUI...



Para mim mesmo ergui, não com as mãos, moimento:
a estrada livre que o meu povo há-de trilhar.
Alexandre não tem coluna erguida ao vento
que erga a cabeça mais que o meu pilar.

Não morrerei de todo - pois que no meu canto,
sem corpo corruptível, soarei altivo.
E o meu renome imenso durará enquanto
houver na terra um poeta sobrevivo.

Da minha fama o ruído a Rússia há-de varrer,
que aos povos todos dela irá iluminando,
o eslavo, o balta, o tungu me hão-de conhecer,
como o kalmuk a estepe cavalgando.

Serei amado, e as gentes lembrarão mil anos
na glória do meu verso o fogo que acendi:
como cantei ser livre em tempo de tiranos
e para os humilhados honra só pedi.

ó Musa, nunca escutes mais que a um deus, tua arte,
impávida aos insultos, ao louvor mais fria.
Sem recompensas, canta, mas saibas calar-te
sempre que um asno cruze pela tua via.

(Aleksandr Puchkin)
P(tradução: Jorge de Sena)

Aço incandescente II

         Esperanças e medos          "Todas as vezes que penso na grandeza desses dias, penso em Maiakovsky:                 'C...