sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Monologo de uma madrugada

    Eram 5: 34 da manhã e eu me peguei pensando em você. Senti saudades da sua voz, de suas risadas, de suas loucuras.

   Senti uma vontade maluca de conversar com você e imediatamente fui pro Facebook, mas novidade: Você estava dormindo.

    Você estava certa, que tipo de pessoa acorda às 5: 34 da manhã pra pensar em alguém e ainda quer conversar no Facebook? Essa pessoa sou eu.

     Na verdade eu não queria conversar no Facebook, eu queria conversar pessoalmente, nós dois, no meio daqueles bancos naquele prédio principal onde costumamos nos reunir, só nós dois, mas nada igual como um encontro, só uma conversa. Trocar conversa fiada, falar coisas impensáveis, falar  com certa liberdade.

       Foi aí que eu percebi que eu sou um bobo de querer me afastar de você, porque acordar às cinco da manhã pra escrever essas coisas é ferro. Enquanto outros dormem você se levanta pra escrever besteiras.

        Besteiras, quantas besteiras eu disse, algumas não eram besteiras é claro, mas a maioria era, de certa forma eu sinto vergonha das barbaridades que já disse perto de você e com você. Idealmente eu não queria fazer essas coisas, mas no fim, eu fiz.

        São 5: 42 da manhã e ainda quero falar com você, mas eu não me emendo mesmo. Vontade chata de querer acordar os outros no meio da madrugada pra no fim ficar contido e não falar nada, é vergonhoso, bastante vergonhoso.
 
          Quando estou com você, conversando, ouvindo, eu sinto que fico mais calmo, mais tranquilo, qualquer coisa que tenha estragado o meu dia é apagada no momento, mas quando ficamos calados é um silêncio constrangedor que me consome e todo um peso caí diante os meus ombros.

          São 5: 46 da manhã e ainda tenho vontade de escrever mais baboseiras, acordá-la no meio da madrugada. Vou caçar alguma coisa pra fazer, sei lá assistir um filme brega na TV ou ver a inutilidade dos canais religiosos, eu tenho que tentar esquecer essa vontade absurda de querer conversar com você.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

X de nexo

       Sinto-me mal.

       Sinto-me mal por ficar calado, sinto-me mal por passar direto, sinto-me mal quando não a olho de modo  singelo. Estou distante, estou frio, muito frio, me sinto mal com isso.

        Eu reclamo da vida, desejo que um simples mês acabe para que outro mês venha, sem saber que é dor que ronda esse dia... Me sinto mal, me sinto terrível, me sinto triste. Triste por não poder abraçá-la, por não ser um bom amigo, não afagar o seu cabelo e dizer que tudo está bem. Não, não está.

       Eu me sinto egoísta, egoísta por fingir não me importar com isso, por fingir fugir de você, mas no final eu não consigo sequer me afastar de você. Aí, hoje eu vejo o quanto você é forte e eu sou fraco, como você é boa e eu sou ruim e percebo que nada pode haver entre nós;

       Eu estou triste com tudo isso, triste por vê-la sofrer, triste mesmo... Nenhuma palavra pode descrever o que estou sentido agora, tampouco o que deve sentir ao lembrar da perda de alguém tão próximo. Eu não sei como deve ser isso, eu realmente não sei, e ainda não quero saber, por mais egoísta que possa parecer.

       Tudo o que eu sei é que não suporto vê-la sofrer, parte de mim desmorona quando vejo você triste e o pior de tudo é não fazer nada, é não falar nada. Será que isso é altruísmo, será isso o amor verdadeiro? Eu não sei e não me importo em não saber, só sei que eu queria ter mais a te oferecer do que singelas palavras.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Uma tarde numa praia



         Olho para o mar, numa praia qualquer em Santa Catarina; encontro as águas revoltas e o céu cinzento, nublado.
         Encontro um banquinho, um banquinho qualquer, e nesse banquinho de concreto está sentado um velhinho. Estranho, o velhinho está de casaco e boina, nunca imaginaria encontrar alguém vestido assim de frente pro mar.

        Tenho vontade de entrar no mar, mas tenho medo da água me levar, tudo o que faço é pisar com os pés descalços na areia fina da praia. Percebo o velhinho, meio corcunda, me fitar com uma amargura no rosto, certamente devia estar pensando em como eu era jovem ou algo parecido; Eu senti pena quando pensei nisso.

         Nas pedras próximas à praia, um casal se aninhava numa toalha de praia, não faziam nada demais, mas mesmo assim me senti mal com aquilo, me senti tão mal que fui andar pela orla da praia. Florianópolis é a ilha da magia, desde que você não esteja triste.

       Caminhei ao lado das ondas revoltas daquele dia e encontrei um turista argentino correndo sem camisa na praia, eu nem sequer dei bola e continuei a andar pela orla da praia... As águas não eram mais tão verdes quanto costumavam ser, agora tinham uma coloração azul tão escura, tão desprovida de vida, que chegava a dar medo.

         O céu não estava melhor, acinzentado, sombrio, cheio de nuvens carregadas,  não ia demorar para chover... e não demorou. Caiu um temporal digno das narrações de Lusíadas e eu fiquei parado na praia. O casal saiu correndo, tentando se proteger debaixo da toalha de praia, o velhinho também desapareceu. Só fiquei eu e as águas revoltas de Santa Catarina.

         Eu gosto de chuva, sempre gostei de chuva. Lava a alma e libera minha mente, nada melhor do que numa praia isolado de todo mundo. É na chuva que posso sentir me libertar, é que posso ver que alguém ao menos "sente pena de mim", mesmo que figurativamente o mundo chorasse da minha infelicidade.

        Infelicidade? Infelicidade maior devia ter o velho com todos os seus anos de vida, ou o casal quando tinha suas brigas, eu infeliz? Sim, eu sou infeliz.

        Fui para perto do banco, me sentei no concreto úmido pela água da chuva... Comecei a pensar, pensar, refletir. Era aquilo o que eu queria? Viver sozinho para sempre, passar o resto dos meus dias como aquele velho, fitando com tristeza a juventude que se foi e que não se regenera.

        Eu queria ser mais do que isso, eu queria ser feliz, encontrar alguém com que eu pudesse repartir meus sentimentos, abraçar numa tarde como aquela, alguém que sorrisse de minhas besteiras e não se importasse com o que eu dissesse. Ah, essa pessoa não existe.

       Sozinho, nesse pedaço de paraíso ainda conseguia me sentir triste... Me sentia tal como o velho, sentado num banco olhando para a vida sem agir, deixando a chuva passar.

        — Senhor, não é seguro. Queira se abrigar! — Gritou um salvavidas de longe.

        Não, não a vida não era mesmo segura, sempre tinha os seus altos e baixos, e esse era um dos baixos. Mesmo assim quando eu vi os relâmpagos no céu, senti vontade de ir para o hotel, antes que o deus do trovão martelasse contra a terra a sua fúria. Como alguém consegue ser infeliz no paraíso?

Um violino


          Eu sempre tive uma admiração sincera por violinos, uma admiração que eu conservava desde criança... Quando criança eu mesmo queria tocar um violino, tal como nos filmes, numa noite gelada enquanto as pessoas pessoas passavam e me ignoravam, eu não estaria só pedindo esmolas, eu estaria tocando para mim.

          Eu sempre quis ser esse garotinho triste, com as roupas esfarrapadas com a aparência frágil meio adoentada. Eu queria ser o rapazinho sujo de lama, que tremia ao frio, e que tinha só um violino; Um lindo violino, vermelho-acastanhado, uma peça estridente de paixão e tristeza.

         Não, eu nunca fui esse garotinho, nunca tive um violino, nunca saí de casa para tocar uma música sequer, nem poderia, mas a paixão ficou.

         Eu ainda hoje me sinto como esse menino, sozinho e desolado tocando um singelo violino num terminal de ônibus, sendo ignorado por todo mundo. Eu me sinto esse doente garotinho que só tem o violino como amigo, que apanha dos outros garotos malvados e tem que enfrentar o pai alcoólatra todos os dias. Eu me sinto como esse garotinho.

        Toda  a vez que passo por uma loja de instrumentos musicais numa decadente rua da cidade, eu não consigo retirar os olhos dos violinos... Coisas tão lindas, tão graciosas, eu realmente não consigo tirar os olhos, até encontrar o preço. 200 reais por um violino vagabundo! Não pagaria nem metade por isso, sem falar que os meus dedos iriam com certeza calejar.

        Violinos são peças tão bonitas que sequer deveriam ter preço, é o que eu acho.

         Eu não sei, a minha paixão por violinos é tão absurda que até com uma violinista já me envolvi, mas não com o seu violino. Foi aí que entendi que um violino não é só um instrumento musical que ao mesmo tempo pode ser romântico e triste, ele é uma extensão da alma, uma falange do coração. Um violino nunca é só um violino.

        O som do violino é seu eterno companheiro nas noites mais tristes, é o seu parceiro nos dias mais difíceis... Toda a vez que vejo agora um violino penso nisso, num pequeno e delicado pedaço de madeira tão fino que quando tocado pode ser tão romântico e tão triste, é como eu me sinto no dia a dia.

        Um homem com o peso de uma vida tocando tristemente um simples violino, é assim que me sinto hoje. Sequer tive chance de ser aquele menino; Hoje as minhas palavras substituem as melodias tristes e estridentes, hoje minha caneta é o meu arco e a minha voz é o meu violino.

        E minha vida é a tragédia a ser contada...


Sopro da Realidade

Agora que você me conhece
Agora que sabe o que sinto
É hora de dizer adeus

Não que não a ame
Não que não a deseje
Mas porque a realidade chegou

Era difícil me abrir assim
Era difícil dizer tudo aquilo
Difícil mais é saber que nada valeu
Que nada teve efeito

Triste? Triste estou
Mas sou um realista
Não haverá nada entre nós
Nem hoje, nem amanhã

Queria mais do que te oferecer
Um abraço, um beijo na testa
Mas tudo o que eu disse na festa
Não está para se perder

Quero que seja feliz
Eu quero mesmo
Não desejo maldades
Apenas felicidades

Vou sumir por um tempo
Queria até sair da cidade
Mas isso não muda nada
Que só terei você na amizade

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Me perdo

Acho que me perdi

Me perdi no seu sorriso
Me perdi no seu olhar
Me perdi no seu cabelo
Me perdi na sua boca

Me encontrei ao te olhar
Me encontrei ao te chamar
Me encontrei ao te amar

Me sinto bem, me sinto feliz
Como nunca antes me senti,
acho, só acho

Quero me encontrar
Contigo e comigo
Quero vê-la, quero ouvi-la
Quero ser mais que amigo

Tenho coração antigo
Apaixono fácil
Perco comigo

Minha vida não é um paraíso
Você é o paraíso
E sinto isso
Vivo nisso

Dizendo que te amo
Flertando como bobo
Dançando torto

Desajeitado no amor
Sem sentir o seu calor
Tremendo de dor

Fico triste
Isso persiste
Atuam contra o que sinto
E estão vencendo

Te amo, eu te amo
Piegas e meloso
De clamor horroroso
É tudo isso que chamo

Minha querida, minha doce querida
Eu estou em paz quando estou contigo

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pressa

Estou com pressa
Atrasado
Nem falo direito
Atrasado

Queria ter falado
Queria ter dito
Estou com pressa
Muita pressa

Queia ter me afastado
Queria ter sumido
Cedo depressa
Bem depressa

Estou agitado
Vento dormido
Tire-me dessa
Festa

Estou apaixonado
Devia ter bebido
Tire-me dessa
Festa

Estou com pressa
Atrasado
Mau humorado
Revoltado

Eu sou chato
Eu falo e falo
Não calo a boca
Só falo

Digo besteiras,
Me sinto nas nuvens
E tudo o que sei
São virtudes

Uma segunda de novembro

          Queria escrever sobre a leveza dessa pena
          Queria escrever sobre o lírio do campo
           Queria fazer uma longa cena
           Tal como um saltimbanco

           Tudo o que penso,
            tudo o que sinto.
            Não é nada.
            Nada

            Vida devassa
             A vida passa
             E não vivo
             Sem você

              Ditadura da palavra
              Rima bem parva
              Dizer que te amo
              Repetidas vezes

              Você não acredita mais
              Não acredita mais em mim
              Não a culpo, repeti tantas vezes
              Que se cansou de me ouvir falar

              Dizer que amo
              Sequer nos conhecemos
              Sequer nos olhamos
              Vamos nos conhecer?

              Meu nome é um qualquer
              Meu pronome é o que houver
              Romântico tolo e embriagado
              Com o papo sussurrado

              Gosto de ouvi-la falar
              Gosto de vê-la sorrir
              Gosto de sentir
              Que posso amar

               Mas não é verdade é?
               Você não me quer
               Ninguém me quer

               Esse é o mau das coisas
               O mau dolorido da vida
               O mau de amar e
               Não ser correspondido

                Obrigado pela elegância
                Obrigado por  ouvir
                Toda minha extravagância
                 Que lhe fiz sentir

                 Minha vida é assim
                 Uma coisa sem sal
                 Um conto sem fim
                  Um sonho frugal

                  Não sou mais do que antes
                  Não sou hoje, não sou amanhã
                  Nunca serei além disso
                  Essa é a minha carcaça, minha vida

                  Teria sido fácil se tivesse me calado
                  Teria sido rápido se tivesse me fechado
                  Mas não consigo, é algo  comigo
                 

                    Esse é o meu destino:
                   Uma garrafa vazia
                    Um sonho perdido
                    E uma vida fria

                    Que triste melodia!

domingo, 18 de novembro de 2012

O Xadrez da vida




        Minha vida sempre foi como uma partida de Xadrez, em que o meu oponente é o mundo e eu sou só um mísero peão.

        O meu oponente tem todas as peças: Torres, Bispos, Cavalos. E eu ainda só tenho um peão.

       Não sei porque magia o meu peão resiste, luta, passa de casa em casa, mata bispos, cavalos e torres, andando bem lentamente, uma casa por vez, sempre pra frente. Às vezes vai pra diagonal, mas nunca volta para trás, um único peão solitário.

       Quanto mais ele anda, mais difícil fica a partida e mais peças eu consigo. Agora não é mais só um peão, agora tenho uma torre, um cavalo; escudeiros a serem usados numa jogada, perdidos em outra. E assim continua a partida de xadrez.

       Meu inimigo me frustra, me engana, me encurrala, mas eu sempre consigo salvar meu mísero peão.

       Agora que estou prestes de conseguir a minha Rainha, eis que o meu oponente me atrapalha mais uma vez, coloca uma misera peça no meu caminho, na última casa, na H1, e não sei o que fazer... Será que corro? Não é truco para você correr. Será que volto? É xadrez, peão não volta. Será que enfrento? E se for uma torre?

         Sim é uma torre, uma torre de uma muralha intransponível, uma muralha que guarda o meu amor, e foi muito bem defendida. O que devo fazer? Enfrentar? Sim, enfrentar.

        Depois que você enfrenta é tudo ou nada, ou você perde ou você ganha, não há meio termo. Vamos ao ataque.

        Xadrez é um jogo tão simples, tão simplório, que chega a ser difícil, depois que você vence a torre, a torre da Muralha da Timidez, tudo fica mais fácil, tudo fica mais simples. Agora você não tem só um peão, agora você também tem uma rainha, e a rainha muda o jogo.

        No fim você percebe que você não era um mísero peão e sim um rei.

        Pena que a vida não é uma partida de xadrez, está mais para uma pôquer, com os seus altos e baixos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Máquina de escrever



    Foi-se o tempo em que escrever era um evento tedioso, de calejar as mãos e metralhar a cabeça.

    Foi-se o tempo em que escrever era sentir um texto se formar à sua frente, ao martelar das teclas, da tinha se imprimindo e você se sentir mais forte frente aquele monstro de metal.

     Era simples, bastava por o papel, rodar uma manivela e pronto, já dava para escrever. Se você errava, apertava uma tecla e o papel se borrava, ou pior rasgava a folha e fazia de novo, mesmo assim eu gostava da minha máquina de escrever.

      Eu era criança quando a vi pela primeira vez, na mesa de meu pai, no seu pequeno escritório nos fundos de nossa casa. Era uma coisa robusta, imensamente funcional, sem charme, sem design, que fazia barulho quando se teclava e mais  barulho quando se desligava. Servia apenas para contabilidade, registros e pedidos, mesmo assim eu era fascinado naquela coisa.

      Uma vez, numa tarde chuvosa, eu entrei de gaiato no escritório do meu velho e abri a velha Olivetti com as minhas mãos, fiquei tentado, e coloquei o papel naquele mecanismo, tal como eu vi minha mãe fazer. Era simples, tão simples quanto uma criança de  oito anos como eu podia fazer.

      Escrevi minhas primeiras palavras no papel, errei duas vezes e percebi que a tecla de apagar estava estragada. Puxei o papel e fiz de novo.

      Escrevi besteiras, piadas sem graças, coisas meio pueris, mas quando vi minha mãe no escritório ela parecia ter orgulho de mim. Não sei porquê, não sei pra quê, mas ela se sentou ao meu lado e ficou me olhando escrever naquelas teclas.

       Foi assim a tarde toda, até que uma hora meu pai chegara e eu tive que ir embora, mas o meu fascínio por aquela máquina não parou por ali. Já tínhamos um computador na época, um Windows 98 de monitor de tubo e memória de 256 megas, um trambolho sem fim, mas não era fino, nem de perto tão delicado quanto escrever naquela Olivetti 201.

        Meu pai nunca deixava eu brincar naquela máquina, assim como não gostava que eu mexesse em sua vitrola. "São minhas coisas! Você vai estragar tudo, menino desastrado!". Ele tinha razão.

       Meu primeiro computador, um trambolho maior do que o primeiro, retirou por algum tempo a minha vontade daquela velha máquina de escrever, que agora estava empoeirada e guardada na estante da sala por um defeito qualquer.

       Cresci vendo os horrores da internet e também as proezas, mas nada me tirava da cabeça aquela velha máquina de escrever Olivetti.

        Comprei o meu primeiro Notebook, um da Dell  bem bonito, todo preto, que até hoje uso, mesmo com o teclado meio estragado e a touchpad sem funcionar... Comprei meu primeiro smartphone, meu primeiro tablet. Mas nada tirava a magia daquela máquina de escrever.

         Um dia, mexendo nas coisas aqui em casa, eu encontrei uma verdadeira relíquia, um óculos Ray Ban de meu pai com a capa original, e a velha máquina de escrever sem uso, tomando poeira na estante. Fiquei comovido ao encontrar essa relíquia da minha infância, essa criatura cinza que martelava  com o seu estrondo ensurdecedor as tardes da minha infância.

          Liguei a máquina na tomada, coloquei o papel tal como lembrava e martelei a primeira tecla. Surpresa, a máquina escrevera normalmente, sequer estava estragada. Eu a peguei com as duas mãos, subi as escadarias e a coloquei em cima da minha mesa. Passei uma tarde inteira escrevendo um texto qualquer de umas cinco páginas, até eu ver que o refil tinha acabado. Minha Olivetti funciona, e agora é a minha Olivetti, não a de meu pai, é minha agora. Não sabem como eu fico feliz em saber que ela ainda funciona!

           Relíquias da minha infância.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Uma bela tarde em Novembro

          Chovia, chovia fino
         Batia o vento contínuo
         Sentia o badalar do sino
         Triste destino

         Era uma tarde...
         Muito sem graça
         Tudo veio, tudo passa
         Numa rodoviária qualquer

         Uma chama arde
         E não há o que desfaça
         Parece amor, mas é amor
         Isso digo pra quem quiser

         Não queria sair de casa
         Sequer falaria com ninguém
         Tudo o que pensava
         Tudo que sentia era por alguém

        Aquela menina, aquela doce menina
        De cabelos escuros, sorriso engraçado
        Que pulava nas folhas e brincava
        Queria falar com ela, queria conversar com ela


        Estava perdido, não sabia o que iria dizer
        Não sabia o que fazer, sequer sabia se iria
        Ali, naquela Rodoviária, sozinho, sempre sozinho
        Ele sempre foi sozinho, desde criança é verdade

        Encontrou um amigo, bateu papo
       Conversou vivo como sapo
       Não queria falar.
       Não queria se atrasar
       Se atrasou

      Entrou num ônibus,
      ele e os outros
     Conversavam entre si
      Ele taciturno

     Chovia sobre o lago.
     Alguém chorava no lado.
     Era ele mesmo

    Perderam-se no caminho
    Estavam atrasados
    Tudo que tinham era o verbo
    e o vinho

    "Não quero me atrasar
    Não posso me atrasar.
    Ela vai embora, e eu sequer
    irei vê-la"

   Andaram dois quilômetros.
   Se perderam de novo
   Ele sequer lembra como chegou lá
   Naquela festa

   Perdeu-se junto com a rima
   Olhou logo de cima
   Todos os que fitavam
   "Cadê ela?"

   Deram-lhe um pouco de vodka
   Não queria beber, não queria
   "Cadê ela?"
   Ela não veio

   Ela não veio
   Sentiu-se triste.
   Abriu a bebida
   Bebeu ali mesmo

   Ela não veio
   Sentou-se na mesa
   Baixou a cabeça
   Lutou consigo

   Foi jogar dominó
   mas queria mesmo chorar
   "Ela não veio"

    Ganhou algumas
     Perdeu outras
     Mas no fim,
     Ela não veio

      Estava quase para ir
      tava quase pra fugir
      Quando algo lhe fez sorrir

      "Ela veio"
       Correu até ela
       Falou tudo o que queria
       E disse que a amava
                         
       "Ela veio"
        Sorrisos, carinhos
        Batia mais rápido o coração
        Estava consumido de paixão"

        Uma bela tarde de novembro
        Para quem venceu outubro
        E tem aulas em janeiro
        Um belo novembro
             
        "Ela veio"

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Tão distantes, tão próximos

      Nunca nos conhecemos e ainda assim acho que entendo tudo o que ela diz... Quando leio o que ela escreve, sinto meu coração bater mais forte, sinto vê-la chorar, sinto vê-la triste e percebo que não sou só eu que me sinto assim.

       Todas as tarde em que a encontro, vejo-a sorrir, conversar, brincar, mas quando mais penso nela, mais vejo tristeza em mim. É estranho isso, bastante estranho, nunca senti algo assim pelo que me lembre.

      Estudamos na mesma escola e eu nunca a vi, nunca a olhei, sequer sabia que ela existia. Tudo que conseguia pensar naquela época era no raio de vida que tinha a enfrentar, uma vida sem esperanças e repleta de medos, como vivi sem ter conhecido ela?

       Eu não sei, parece que a vida se molda com as marteladas do destino, tal como espada incandescente é moldada pelo martelo de Hefesto.

        Raras são as vezes que me sinto bem com alguém, principalmente nesses tempos, mas quando acontecem, acontecem com ela. Um sorriso, uma brincadeira, uma conversa. É algo mais intelectual do que sexual, mas mesmo assim sinto que é forte.


        Queria ser tão belo quanto ela, tão enérgico como ela, mas sou sombrio e tão taciturno quanto a Batcaverna.

        Poderia dizer que estou amando... De novo?Não basta o que aconteceu no passado? Mas o "amor é quando seu coração bate tão depressa que chega a doer. E você não se importa". Não me importo em estar amando, não dessa vez, não importo de não tê-la do meu lado, nada disso importa, quando sinto essa coisa por ela.

         Não sei se é amor ou pura amizade, mas eu sei que sinto alguma coisa com ela, alguma coisa boa, será magia? Sim, a felicidade que ela transpassa chega a ser mágica. Minha doce feiticeira de sonhos.

        Olho para a sua página, leio suas postagens antigas e vejo quanto você sofreu. Talvez tanto quanto eu, a dor de um amor perdido, a tristeza de ser rejeitado e não ter forças para seguir em frente. Minha querida, eu te entendo, eu realmente te entendo.

         Um lado fatalista meu sempre dirá que nunca dará certo, que nunca seremos felizes, porque eu sou mau e você é boa. Você é linda e eu arrogante. Você sorri, eu choro. Somos como água e vinho, mas dizem  que já fizeram tais milagres.


         Ja lubię ty, moja Jemtchujina. Não sei como, não sei porque, e eu sou um tolo por dizer tais coisas que não deveriam sequer sair do coração.

Aço incandescente II

         Esperanças e medos          "Todas as vezes que penso na grandeza desses dias, penso em Maiakovsky:                 'C...