quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A chuva bate nas telhas

A chuva bate nas telhas,        ;       ;       ;         ;        ;          ;         ;        ;
a chuva bate bem devagar                ;         ;        ;         ;          ;        ;
as gotas batem sobre meu coração        ;         ;        ;          ;         ;        ;
A pele se arrepia; A lembrança pontua       ;        ;         ;          ;        ;
A chuva bate bem  no vidro da minha janela    ;        ;          ;         ;        ;
E tal como bate,                               toca o  meu   rosto      ;         ;        ;
Fazendo-me                                      lembrar da chuva   ;        ;        ;
Que prendeu                                     Dois namorados         ;         ;        ;
Um ao outro                                     Outro ao primeiro  ;         ;        ;
E como chovia naquele dia — Chovia   muito por sinal        ;         ;        ;
E impulsivamente a moça disse: "Vamos ficar na chuva"  ;         ;        ;
E ela logo tremeu  diante a   tempestade  que  se  abria        ;        ;        ;
Tempestade essa que se abria;  Tudo  estava  cinzento   ;         ;        ;
E de repente  o rapaz a puxou para a chuva e correram       ;        ;        ;
Correram muito bem na chuva, brincaram como nunca   ;         ;       ;
Como duas crianças; E ela corria dele, e ele corria atrás     ;         ;       ;
Sorriam; Corriam; Brincavam; Se olhavam; Se amavam ;         ;       ;
Todo dia que chove eu lembro do dia   que  os dois se       ;         ;      ;
Abraçaram e se beijavam em meio   da   chuva  gelada  ;        ;        ;
E quando lembro desse dia,  penso que não foi comigo      ;         ;      ;
Mas foi e tenho muita, imensa de   vontade  de  chorar  ;        ;         ;

Adeus, meu amor

Não sei se posso                                            vida nos
                     dizer                                     a            traz
                        com                              que               nos
                         toda                         ras                    faz
                           certeza                 tu                         ser
                                 que           ven                           cada
                                        as  des                                vez
                                                                                  mais
                                                                                    for
                                                                                  tes
                     ADEUS, MEU AMOR                      mas
                                                                            tudo
                                                                        que
                                                                    sei
                                                                  é
                                                               que
                                                        era
                                                   feliz
                                               com
                                        você
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Passeio de outubro

Passeio de outubro, sua velha recordação
Lembre-se outras vezes não ter esquecido .
Eles plantaram rosas em seu caminho
E colocaram filetes de mel.

Passeio de outubro, uma breve recordação
Seus desejos duros como o aço
Seus beijos mais doces que um abraço


E naqueles ipês , debaixo das sombras,
Dormia um bom menino que realmente queria.
Que existissem violinos rimado suas canções,
E beber cada vez mais o néctar dos seus lábios.

Lembro-me de uma noite muito pálido , disse :
Eu não sei o que está no meu peito ,
Mas naquela noite eu tinha
Uma longa felicidade, quase ilusão .

Passeio de outubro, sua velha recordação
Lembre-se outras vezes não ter esquecido .
Eles plantaram rosas em seu caminho
E colocaram filetes de mel.

Seus bojos dourados que beijavam meu corpo ,
Suas luzes coloridas  a que joguei minha ansiedade
E assim que seu sorriso passou por mim e eu queria perguntar
Como é possível viver sem te amar?

Eu vi a mesma árvore onde a gente namorou
Onde hoje um pequeno pardalzinho hoje medita
Penso em seus doces lábios molhados
E disse : eu testemunhei, aqui um amor nasceu .


Mala verba

Quem você é, você não pode se salvar
Em sua fúria de um passado
de ternura, casa e café ...

Você mudou sua vida
Consagrando com uma simples oração
o horror bárbaro de problemas
tocando muitas ideias e nublando toda a honra.

Derrotado hoje por seu feitiço
perturbando o seu dever
Sua fé hoje se esgota
Quando pensa no mal que trouxe
Ao tornar-se intragável às pessoas


Você que hoje chora
Por ter roubado o pão e dois filhos
Ter destroçado vidas
E todo o luxo que te dão.

Aprenda uma vez
que ele não conseguia reagir
Eu não consigo entender,
perdido na tempestade
a desgraça que você não hesitou


Determinado a limpar o seu tiro
sua sombra já é obsessão maldita
Em busca daquela noite
a fala solta traição ...

Eu não sei se  mereço essa censura feroz,
Mas eu lembro que a sua mentira
Não  absolve de ter levado os dois filhos
E uma saca de pão, apenas pelo desejo de confusão

Seja quem for tal alma desgarrada
Lembre do choro da mãe
que você trouxe
ao levar os dois filhos

Um poeta bon-vivant

Aos domingos eu me levanto
morrendo de sono
às três da tarde


Às vezes até me esqueço
de suar para corridas.
Não penso em sair de casa
Tenho medo de chegar muito cedo .

São três da tarde
E eu tenho que começar a abrir o portão
E vai começar o futebol


O telefone toca
Metralha minha cabeça como uma  guitarra
Alguém me convida para uma piscina e um cabaré
Eu anoto na palma da mão.
E vou dormir de novo


E eu tenho que fazer!
Má sorte ,
Tenho o que fazer!

A noite de sábado
Meus críticos compraram
Um pouco de vinho
E perguntaram porque eu escrevia

A cabeça doía e eu dizia
Que dada a previsão ,
De faltar-me a tinta e o papel
Que escrever era  dá-lhes a cabeça .
Um pouco mais do que sofrasia


Quando alguém me dá uma tirada dessas
Penso que são três da tarde
Que logo vai ter jogo do Corinthians
E que estou com sono

Mas nada me para
O verso me aninhou no início ,
e não só isso que me abriu
Por inteiro



Mas quando eu tenho o palco,
isso é com pouca frequência
sem tanto galarde e ciência
Acordo tarde e vou dormir outra vez
Até que sem querer vou escrever
Batatas para colher trigo


Pois hoje é domingo
E domingo não é dia pra descansar

Caminhada empírica

Caminhozinho que o tempo levou
Eles nos viram juntos passar um dia
Eu vim uma última vez
para dizer-lhe minhas desgraças.

Caminhozinho, então você estava
Recheado de cores e juncos em floração
Uma sombra em breve te consumirá
Uma sombra como eu.

Desde que fui
Eu vivo em tristeza
Meu amigo
Eu vou outra vez

Desde que fui
Eu nunca mais
Vou seguir seus passos
Me perdi de vez

Todas as tardes
Corria feliz por seus ladrilhos
Comemorando o meu amor
Não torna mais acontecer

O seu chão chora meu desespero
Caminho aberto nas árvores
A mão do tempo apagou os rastros
A chuva deixou apagar as velhas pegadas


Desde que fui
Eu vivo em tristeza
Meu amigo
Eu vou outra vez

Desde que fui
Eu nunca mais
Vou seguir seus passos
Me perdi de vez

O seu chão chora meu desespero
Caminho aberto nas árvores
A mão do tempo apagou os rastros
A chuva deixou apagar as velhas pegadas

O passado se enterra
As árvores crescem
E o caminhozinho no meio desse parque
Desaparece de vez

Desde que fui
Eu vivo em tristeza
Meu amigo
Eu vou outra vez

Desde que fui
Eu nunca mais
Vou seguir seus passos
Me perdi de vez

Refluxo filosófico

É tautológico
É tarmatúrgico
As vezes
Meio ilógico

Pensar que a pena
Seca com pouca tinta
E areia do tempo
Estraga o papel vazio

É um pífano que se parte
Sem ser tocado
Pois o cutelo de bambu
Era mais mole que angu

A sebastiana vontade
De escrever bem de tarde
Um pouco de escrita
e versos sem companhia
Morre sem brilhos ou ilusões

Vão-se as inspirações
Ficam-se os dedos
Que de tão calejados
Não martelam o teclado

À maneira taciturna
A caneta me fita sem me olhar
Pois olhos ela realmente não tem
E palavras não tem também

Perdeu-se a palavra
Perdeu-se o verso
Perdeu-se o prosa
E a pouca harmônia

Não sei que faço
Não sei o que escrevo
Pois nada mais descrevo
Tudo que tenho é mais
Um refluxo filosófico

domingo, 8 de dezembro de 2013

Nunca confie no próprio sorriso

      Nunca confie no seu próprio sorriso, pois felicidade não é um estado natural do ser humano. A dor e melancolia acompanham nossa existência na seguinte medida que saímos da barriga de nossa mãe e somos enjaulados dentro de uma encubadora ou um berço. Artificialmente pensam que nossos pais tratam a criança como um todo, sendo que na realidade a criança é apenas uma parcela do todo, é um objeto da vida dos pais.

     Eles o mimam para externar os seus desejos psicológicos de sua própria vontade, eles criam a criança como um boneco que chora, suja a frauda e brinca. Mas nada disso é verdade, não é um ser humano que eles desejam criar, mas um robozinho; Exatamente isso, a criança é criada para seguir comandos, como não correr, não gritar, não ser feliz; E se for fazer todos os seus desejos ela é punida, seja pela cinta corretora do pai seja por um deus que ela é forçada a acreditar;

     Não existe meio termo aos filhos, os filhos são um objeto. São oprimidos pelos próprios pais, eles que criam boa parte dos traumas da infância de uma criança. Eles que controlam a vida dos filhos por pelo menos catorze anos quando a criança começa a contestar os pais e vira adolescente, e tenta controlar os filhos pelo resto das suas vidas; Pois o poder de mandar é bom, de ser obedecido também. Por isso os pais normalmente não ouvem, não sentem o que os filhos sentem. Eles sempre estão numa hierarquia maior, pensam que os filhos têm o dever de obedecer, afinal de contas os pais trabalham para sustentá-los, entretanto, os próprios pais pensam nos filhos como uma pensão para a posteridade, de crianças que trabalharão para sustentá-los.

      Não há mentalidade mais conservadora do que a de ser um pai ou uma mãe. Freud tinha razão ao estabelecer que as mães possuem um complexo de Jocasta em relação aos filhos, elas não os desprende do seu "amor maternal" que nada mais se traduz de um amor de um dono para com seu bichinho, a ligação emocional pode existir, mas a mãe realmente não tem amor por seu filho, ela ama o fato de ter um filho e comandar a vida de uma criança e seu desenvolvimento, tanto que quando ela perde o controle, ela é a primeira a punir o filho.

     O perdão de uma mãe ao filho não é legítimo, pois é um meio de manter o status quo da situação de submissão da criança aos pais. Isso é horrível do ponto de vista humano, mas é ancorado pelo ponto de vista legal, afinal de contas a lei não vê a criança como um ser humano completo.

      Não é felicidade que os pais buscam trazer aos filhos, eles buscam a própria felicidade nos filhos, é uma coisa diferente, é quase tautológica. A procura da própria felicidade por uma parte, um bem seu, é quase um fetichismo na concepção marxista da criança. A criança, repito, é vista como um objeto e não um ser vivo completo. Tanto que se ignora que a criança possa ter voz, mesmo que se ache engraçado ensinar a criança a falar e ler o ABC, a criança pode ter pés e aprender a caminhar, mas não pode andar fora do domínio dos pais.

     O seu sorriso  infantil não é um sorriso de graça, é um sorriso de uma droga, um ópio paternal e maternal de que sua felicidade só é possível se você obedecer cegamente os seus pais. 

      Quando crescemos isso também acontece, quando começamos a ter uma vida plena, primeiramente com um estudo (submissão ao professor e ao sistema de ensino) e um emprego (nesse caso ao mercado de trabalho), começamos a ter um carro, uma casa e uma parceira (ou parceiro). Pois bem o fruto da sua felicidade está na aquisição de bens (carro e uma casa) e de uma companhia, no caso uma parceira. Mas a sua felicidade só é possível diante a sua submissão ao mercado de trabalho, ao  conjunto de leis e normas e a todo um estamento hierárquico. Caso você descumprir isso, você estará desempregado, seus bens, a casa e o carro, serão confiscados, sua companheira pode desistir de você e você pode até ser preso se descumprir sua submissão às leis.

      De verdade, sua felicidade não é de graça, é um produto que você compra ao se submeter ao sistema, porque é natural ao ser humano não ser feliz. É isso mesmo, pode parecer absurdo, mas desde que somos retirados da placenta de nossas mães somos criados para sermos isolados dos outros, no caso, das outras famílias, de pessoas de outras classes, etc. Assim, o isolamento cria um ambiente psicológico de submissão, e uma submissão embora produza uma felicidade artificial, produz um profundo grau de tristeza.

      A anomalia de toda uma vida é o sorriso, pois tamanhos são os sofrimentos para que um único sorriso seja praticado. Somos ceifados de nossa liberdade quando somos obrigados a ir à escola, apanhamos, ou somos repreendidos pelos professores. Somos ceifados de nossa felicidade quando nossos pais impõe certos limites, nos castigam e impõe regras que não compreendemos. Somos ceifados de nossos desejos quando a moral da sociedade impede que possamos namorar como gostaríamos de fazer, que o nosso patrão começa a roubar-nos o tempo que usaríamos para  nossos desejos e assim vai.

     A vida é uma profunda tristeza, é um triunfo ao mesmo tempo uma tragédia. Por isso um sorriso é uma traição ao próprio caráter do indivíduo, de ser infeliz. Acredito que a profunda felicidade não existe, pois a felicidade não é algo natural do ser humano, a sua tristeza e  sua submissão moldada pelo sistema acabam por produzir uma necessidade psicológica por momentos de prazer que são confundidos por felicidade, mas não representam a real felicidade que seria a vida humana sem a profunda regulamentação da vida.

Aço incandescente II

         Esperanças e medos          "Todas as vezes que penso na grandeza desses dias, penso em Maiakovsky:                 'C...