domingo, 20 de maio de 2012

Uma declaração fracassada

        Ela pode não ser a mais linda ou a mais amistosa de todas as mulheres, mesmo assim ela toma meus olhares e faz meu coração palpitar mais ligeiro.

       Eu tampouco sou belo, rico, amistoso ou a figura mais inteligente do Mundo, mas quando penso nela me sinto isso...

       Ela não gosta de lirismo, de prosa e marxismo, mesmo assim me faz lembrar do primeiro dia em que a conheci, era uma distante festa no final de algum semestre... Ah como lembro daquele dia, foi o primeiro dia que percebi que tinha algo de especial em você!

       Poderia dizer que me apaixonei por você à primeira vista, mas eu pessoalmente não acredito nessas coisas.

       O tempo passou, e mais tive tempo para me apaixonar por ela, e com o passar dos meses, assisti uma ambiguidade subir diante de mim: quanto mais a amava, mais ela me odiava... Tal ambiguidade é o amor.

       Enfim cheguei no último mês, e a medida que cada dia se passava, mais me via a pensar em você, e quanto mais os dias se passavam, e quanto mais tentava esconder meus sentimentos, mais por você me apaixonava.

        Conto as vezes que me creditava ao papel de um dia lhe contar tudo, contar o quanto te amava, o quanto tecia de amor por você... Mas sempre você se mantinha distante e eu não encontrava mais oportunidades, esbocei até uma declaração a você.

        Não mais... Hoje percebo que mais e mais você me odeia e mais e mais somos estranhos um a outro, e nada é mais triste do que concluir que eu falhei na arte de amar.

         Eu te amo, minha querida, eu realmente te amo, mas espero que a sombra do tempo possa apagar isso.

Tristeza

Ele canta, ela ri
Ele chora, ela sorri
Ele sofre, ela brinca
Ele descobre a trinca:

Ele se apaixona
Ela nem liga
Ela o xinga
Ela o humilha

Ele a ama enquanto
Ela continua a odiar
"Por que amar
se há tanto a se odiar?"

Ele não é feliz
O amor some
Enquanto esse giz
Se consome

A paixão perdura
Ela conduz coação
Nssa triste ditadura
No meu coração

Ela não ama
Ele não é feliz
Nada apaga chama
Do triste infeliz

Pensar na dor
Como doce amor
É masoquismo à vista
Que não há quem resista

Eu a amo, ela me odeia
Eu a chamo, ela xinga
Para que tanto tecer
Se nada há senão sofrer?

Conto rápido de domingo



Era uma noite de domingo...
Uma daquelas noites geladas que são agradáveis após dias abafados.



           Era uma estréia com certeza, uma matinê especial... O mais louro e esperado filme de super-heróis acabava de ser lançado... Era uma feliz noite naquele cinema, as filas todas lotadas de namorados comprando doces para suas amadas, pais comprando pipoca para seus filhos.

          Estava pra ver de longe a fila para comprar os ingressos, mas mesmo assim a animação era visível naqueles que há tanto anseiavam em ver àquele filme.

         "Lamento, senhores, mas devido a um atraso na sessão anterior, a próxima sessão só sairá às 00h45", anunciou rapidamente a atendente do guiché do cinema.

          Estava mais do que claro que nada faria com que as crianças assistissem ao filme, mesmo assim era o filme mais aguardado do mês, e muitos perduraram naquela fila, tal como o rapaz na terceira posição, eis que ele decide:

          " Eu quero ver pra c#&*¨&% esse filme, um pouco mais tarde não será ruim"

          O relógio  bate meia noite e meia, e o rapaz observa um tanto atento a discussão que se segue com o casal logo à frente... A mulher olha o relógio e constata:

           — Amor, acho melhor a gente ir... Eu não posso ficar aqui até tarde no cinema, meu pai não vai acreditar que a gente ficou no cinema às três, quatro da manhã...

             — Não, tudo bem, se quiser eu ligo pra ele e explico tudo — Diz o rapaz já retirando o celular prontamente do bolso.

              O casal era um tipo nada convencional, ela era uma mulher alta, meio magricela, com ares de modelo, ele um rapazoide baixinho, pequeno, meio bombado, parecia um pouco com um peão de obra, embora as roupas caras denunciassem que não fosse.

            — Não, você não entendeu, eu não quero ficar até quinze pra uma pra assistir um filminho dos Vingadores.

             Ninguém na fila, nem mesmo o rapaz acreditou no que havia ouvido, aquele simplesmente era o filme mais aguardado daquele semestre, com uma crítica totalmente positiva, recordes de bilheteria, um filme que o namorado sinceramente aguardava há muito assistir.

              — Porra, você só me fode nessa vida!!! AHHHHH! Não tá vendo que eu quero ver o filme?

              Após essa explosão do rapaz, todos, inclusive a atendente começaram a prestar atenção na discussão e perceberam rapidamente o assombro com que a moça encarou aquele grito explosivo:

             — Grosso! Então fica aí nessa fila, eu vou embora!

              O rapaz nem se dignou a seguir a sua namorada que parecia ter usado o recurso da saída estratégica que os mais sapientes da arte do carisma usam, afinal, ela não saiu nem irritada nem em prantos. O rapaz jactou-se de permanecer na fila, ele queria muito assistir àquele filme.

              Pulsivo e sólido na fila, ele comprou seu ingresso, e quando a sua namorada retornou, com voz fian e fraca argumentou para o namorado olhando para o celular, como se respondesse à uma mensagem.

            — Amor, eu realmente não posso ficar aqui, meu pai não vai entender e tal...
            — Se você quiser eu ligo pra ele. Resolvo isso em dois minutos.
             — Não, pode dar merda e tal. Me leva pra  casa
             — Ok, vamos, eu te levo pra casa.

             Observar-se a derrota total do homem frente à sedução feminina, desmoralizado, sem qualquer possibilidade de assistir o tão esperado filme, ele parte entre ombros, com a cabeça baixa e uma feição tristonha e totalmente desamparada, levando consigo a justa pena daquelles como ele, ansiavam em muito assistir esse filme.

              Eu quando ouvi esse relato do meu amigo, que estava na fila, eu senti pena do pobre rapaz que nada pôde fazer frente a esse poder de persuasão feminino... Depois dizem que os homens são insensíveis!

Aço incandescente II

         Esperanças e medos          "Todas as vezes que penso na grandeza desses dias, penso em Maiakovsky:                 'C...