Autoajuda para escritores

        Os possíveis redatores e escritores do nosso futuro, aqueles que se empenham em redigir algo que possa ensinar alguém, divertir, entreter, ou pelos menos desejam ficar nas páginas da História por meio  de um livro, sabem que ao redigir um livro não basta apenas ter a ideia, mas tem que por em prática... É a isso que esse tópico se dedica, um guia de autoajuda (é, se escreve agora assim) para os futuros escritores e redatores de textos.





         Certa vez me dei ao trabalho de ler um divertido texto a cerca do que um poeta devia fazer, digamos, para se tornar poeta... Foi com um manual assim que comecei a me arriscar na poesia (tristonhamente, mas me arrisquei).




        Folheando os verbetes, pude encontrar a primeira inspiração para um poema respeitável, para tanto, se você deseja ser um poeta não será só essa postagem que irá te ajudar, afinal, poeta é uma classe diferente de escritor, é igual a marceneiro perto de carpinteiro. Para aprender poesia, visite esse link.


       Certa vez redigi o Manual de Todo Historiador, uma crítica na verdade ao papel que a sociedade dá a esse ofício acadêmico, em todo caso a discussão ficou tão interessante, que vale a pena ler se quiser entrar no âmbito acadêmico.


        Pois bem, vamos ao Livreto de Autoajuda para escritores:
Autoajuda para escritores



       Primeiro, o que faz um escritor? O simples ato de escrever?





        Se for isso, aqueles que redigem os interessantes aforismos nas placas de caminhão, serão então escritores? Obviamente que não? (Na verdade são bacharéis em filosofia).



        Um jornalista necessariamente é um escritor? Não, não necessariamente, um jornalista é um indíviduo que tem a função de informar sobre os acontecimentos (de modo cortês ou não), um jornalista é um formador de opinião, mas um jornalista, mesmo o de gazeta, só se torna escritor quando esquece a batina de informador e passa a escrever um livro.

       Sim, um escritor tem que escrever um livro... Mas só um livro? Um blogueiro não pode ser encarado como escritor? Óbvio que sim, um blog, embora não pareça, é um livro virtual aberto para todo mundo ver, um artigo da Wikipédia também, não a toa que ela é a Enciclopédia Livre!

       Historiador necessariamente é um devorador de livros, senão não é Historiador, mas o auge da carreira de um historiador é logicamente escrever um livro, vencer a Academia, e publicar algo seu para todo mundo ler e dar críticas. Mas um historiador tem que saber escrever.

      Uma vez eu li um livro chamado o Glorioso Acidente, de Clemente Nobrega, acho que esse era o nome do autor, quando adolescente, à primeira vista, achei interessante um engenheiro dedicar-se à escrever um livro sobre filosofia, evolucionismo e teoria dos jogos, mas quando eu li pela primeira vez, eu não entendi nada. Quando eu li pela segunda vez, eu só entendi que ele falou do Indiana Jones e o Santo Graal e os interesses do individuo na sociedade ante a moral. Na terceira, eu desisti e doei o livro.

       Eu sempre achei que fosse uma questão de idade, afinal de contas eu comprei o livro, por impulso, quando tinha 14 anos, tentei ler com essa idade, não consegui, li com 16, não consegui de novo, e aos 17 eu doei. Isso porque eu tinha conhecimentos de filosofia até avançados, podia-se ver claramente conceitos nietzschilianos no livro, mas a redação, a redação deixou a desejar, e o desenvolvimento das ideias também.

        Chegamos assim, à primeira lição:

    1) Aprenda a escrever de forma concisa e tente ser o ter o melhor desenvolvimento que puder. A redação de um livro não só deve seguir regras gramaticais rigorosas, como nada de escrever "mais" com ideia de "mas",  "ante ontem", "desde de" e outros erros gritantes, além disso, você tem que se dedicar a uma ideia central firmente clara, para focar o leitor (se o leitor se sentir perdido, como eu, ele vai abandonar o livro), e produzir uma narração gostosa e agradável aos olhos. Faça pausa de vez em quando para situar o leitor, e fazê-lo descansar.

Faça uma pausa também!

       Mas como aprender a escrever?

Existem várias formas de se aprender a escrever, mas as mais ortodoxas e comprovadamente eficazes são:

      1) Esqueça que você tem uma TV! Isso é sério, um televisor faz com que você tenha contato com uma parte vulgar da cultura que nada lhe interessa a não ser divulgar pornografia, violência e reality shows.

       2) Leia e se contextualize com o presente com os jornais! Todos os Jornais! Desde o Pravda, da Rússia, até o The Economist, da Inglaterra,  desde O Globo até o Mídia Independente. Você tem que saber sobre o que acontece no Mundo e formar uma posição concisa sobre os acontecimentos que giram no Planeta.
Desde o Pravda














Ao The Economist












    3) Tenha certeza que o seu sistema de ensino foi bom o suficiente para você ao menos escrever algo de maneira respeitável. Reveja suas provas de redação, observe os seus erros, suas notas, e tente trabalhar com o vestibular (isso mesmo, você deve fazer pelo menos uma prova de vestibular por ano! Para ter base de como sua redação está)

       4) Se comprovado que o seu ensino foi porco quanto à redação (normalmente comum no sistema público de ensino e nas escolas particulares de quinta), não entre num cursinho de pré-vestibular. Cursinho não ensina nada, só revisa conteúdos, e afinal, a jornada de cursinho é tão apressada que até redação fica difícil de fazer.

        Se eu tive um ensino de Redação ruim, o que fazer?

     Procure um professor especializado em Redação e um curso obviamente só para Redação (existe isso sim), procure fazer o máximo de si ( o padrão não costuma ser muito alto, também), trabalhe incansavelmente para dirigir as melhores redações que você tem notícia.








     Desejo melhorar a minha redação, possuo um ensino razoável ou bom de redação, o que tenho que fazer?

      Leia livros! Isso mesmo leia livros! Leia livros não por obrigação, não por exigência, mas por paixão, por vício! Se pessoas podem se viciar em vodka, porque você não com livros? Leia algo que lhe interesse, desde quadrinhos/mangás, a livros de contos, romances e livros históricos. Nunca deixe de ler, e sempre estabeleça um Plano de Metas para sua leitura. O aconselhável é um livro por mês ou mais.
Curta, vicie-se nos livros! Esse é o único vício saudável!


      Esqueça que existe Twitter e Facebook, você não vai aprender nada além de escrever 250 caracteres.

     Leia os jornais, contextualize-se com o mundo, e comece a pesquisar sobre Filosofia, História e Conhecimentos Gerais. Todo o livro tem embutida uma filosofia, até mesmo o Superman (Nâo acredita, procure Übermensch na Wikipédia e Friedrich Nietzsche), os conhecimentos gerais sobre Geografia, Física, Química lhe darão base téorica para desenvolver suas narrações, explicações, ou mesmo o cenário onde se desenvolve o acontecido, e quanto à História, a História, além de fornecer de um rico material de ideias e contextos, gera também comparações e mesmo conceitos filosóficos para o seu livro, além de um reforço rico para a sua narração.
"Ao infinito e além" (do bem e do mal)


        Levante-se para o Mundo, comece a estudar Artes, Ciências, Conhecimentos, tudo que lhe possa interessar e que o Mundo possa te oferecer. Pelas artes, aprenderá ao ver o mundo de outras formas, saberá a diferença de Azul da Prússia de Azul Marinho, de Amarelo Ocre de Amarelo de Napóles, verá como as formas se dissociam uma das outras para depois formarem um conjunto, aprenda História da Arte, sobre formas artísticas e movimentos artísticos, mesmo por formalismo, apenas pelo prazer de aprender.

Preciso dizer alguma coisa, se você não reconhecer isso, você é um analfabeto artístico completo!

        TEMA

      Eu escrevi isso em caixa alta porque é a figura central disso tudo. O que diabos você ia escrever? Achou mesmo que Deus ia descer na Terra com o seu coro de Arcanjos para ditar-lhe o que ia escrever, igual à Moisés?

      O Tema é tão importante que sem ele, nenhum livro pode existir. Primeiro, o mais difícil, encontre uma fonte inspiratória para isso: Sua imaginação, a vida cotidiana, a História (essa é a melhor de todas), a Filosofia (Ficção Científica nasceu disso), ou mesmo, a mais peculiar, Política (aquela que você se dedica tanto em criticar, e não faz porra nenhuma pra mundar).

A História é assim, uma dama enrugada que tem muito pra ensinar






      O Tema tem que ser algo que você conheça, tem que ser o seu irmão, a sua mãe, a sua amante, o seu best-friend, você tem que dedicar todo o seu conhecimento em torno da figura do Tema para que ele se desenvolva e perdure como fixo.






       O Tema, normalmente, tem que ser fixo e central, podendo ou não haver temas secundários em torno ao principal, para situar o leitor. Alguns conseguem desenvolver um texto sem temas fixos e centrais, mas com uma boa narração e encadeamento, isso normalmente é bastante complicado e trabalhoso, e merece no minímo um profundo conhecimento acadêmico sobre vários temas e sua narração, para um amador, não é bom se envolver agora com isso.

       Pesquise bastante sobre o tema,  esteja aberto a sempre a aprender, a fazer alterações, a ver novas visões e interpretações sobre os assuntos que rondam o tema. E esteja preparado para fazer alterações assim que possível, rasgar folhas, ou fazer tudo de novo, quem disse que ser escritor é fácil?


Escrever

      Seja rigoroso com a forma no texto, mesmo os deslexados, procure sempre seguir as normas gramaticais que rondam o texto, procure ler textos de outras pessoas para aprender modos de escrita e narração, e sim, esteja preparado para fazer plágio de vez em quando.

"Bons artistas copiam, grandes artistas roubam" ( Picasso)


          Mas seja educado, e não faça uma cópia porca do trabalho de outra pessoa, e tente maquiar na medida do possível para parecer algo seu.

         Esteja preparado com erros inevitáveis de português ou mesmo acentuação (o português é com certeza a língua com mais acentos no Mundo, certo será dizer que é mais preferível escrever em inglês, que não tem muitos acentos. Viram, nesse trecho têm ao todo oito acentos!), porque isso é inevitável na hora de escrever.

        Escreva em algo que sempre lhe esteja à mão, uma caderneta, um caderno pequenino, ou se tiver mais dinheiro, um Livro-de-Ouro (Se for Hightech use o seu Ipad, Tablet ou Netbook), use uma caneta boa e confiável ( eu sempre uso nanquim, porque não tem grandes problemas com tinta falha), que sempre deverá consigo no bolso. Isso mesmo, no bolso da calça... Se a caneta explodir, você aprenderá como são as verdadeiras calças de um escritor.


Isso também é um livro
      Sempre faça isso, e se escreve em um caderninho, logo após terminar tudo, comece a redigir no Computador tudo que você escreveu, assim possibilita que você faça ajustes, interpretações, ou mesmo diminui erros, na hora da reescrita, se tiver já no seu Ipad, Tablet, e trecos afins, você terá que fazer umas três revisões para ter certeza (nunca se deve confiar no corretor do computador).


       Dedique-se inteiramente ao seu livro, e nunca, nunca se importe com o número de páginas! Tolstoi passou um livro inteiro escrevendo só sobre as Guerra Napoleônicas, isso, visto que foram trezentas páginas para descrever a Batalha de Borodino, e quase 1400 para escrever Guerra e Paz, e tudo isso ao cargo de um ano, para ele rasgar tudo e fazer tudo de novo.
Napolão ficou tão cheio da batalha de Borodino que decidiu voltar para França


       O livro é seu, ninguém deve dar palpites se você não pedir! Não faça alarde, não diga a sua família que você está fazendo um livro, eles vão fazer inevitavelmente chacota e normalmente vão te desencorajar (principalmente se for adolescente). Se precisar compartilhar isso, diga a um amigo, um de verdade, ele vai aceitar isso e ainda pode te ajudar.

Esteja preparado para fazer isso várias vezes!

      Embora eu sempre tenha tido relutância a grupos do Bolinha, um círculo literário sempre é interessante, tanto para ter noção se os outros gostam do que escreve, e para ter dicas ou aulas de como desenvolver melhor os seus textos.





Momento Final: Publicar



É um momento felicissímo da sua vida ver o seu trabalho numa dessa estantes

       Esse é o major momentis (junção de major: do inglês e momentis: do latim), esse sem dúvida é momento que você, com os calos na mão, e tendo lindo uma seiscentas vezes as palavras, decide se você publica ou não.

       Esse é o momento especial, esteja pronto para proteger o seu documento, e decidir se sua visão ele é bom o suficiente para ser publicado. Após a isso, se achar que sim, prepare para mandar uma impressão na gráfica de um exemplar, e enviá-lo para uma editora (Tristonhamente, no Brasil é assim, eles não aceitam por e-mail), ou mandar por e-mail ao seu editor.

     É claro, esteja ciente de que terá que tomar gastos para que veja o seu livro publicado, eu mesmo, julgaria que para por um livro no mercado, o autor deva desenrolar um valor entre R$ 1500,00 a R$ 3,000,00.

      Fique preparado para editora poder não gostar do seu trabalho e te mandar de volta o seu exemplar, mas nesse caso, fique novamente preparado para mandar à outra. Não existe só uma no mundo!

       Se der tudo errado, e  ninguém quiser publicar o seu livro, você tem a opção de publicar você mesmo o seu livro, mas não espere ter a mesma publicidade que teria com um a editora.
  
      A editora é claro vai te dar uma percentagem sobre o livro (ela nunca vai te dar 50%, 70%, isso é fantasia, no máximo 30% e chorando), e tomará o direito por um tempo de publicar o seu livro por um determinado tempo, mas o direito autoral é seu!

     O livro não é só investimento econômico ( se fosse, ele seria um dos menos rentáveis), mas um investimento pessoal que lhe dá auto-estima para o seu ego.


Notas adicionais.

  1. Depois disso tudo, você tem certeza que quer começar o seu livro? Se sim, ponha-se ao trabalho, levante-se, compre um caderno, procure uma caneta e ponha-se a escrever.
  2.  Se você cair num daqueles concurso do tipo Sesi e Senac de Literatura, e eles lhe ofertarem um prêmio em troca de seus direitos autorais, nunca aceite, o texto é seu e tem que continuar sendo seu!
  3. Esteja preparado para ficar horas a fio trabalhando, nunca aceite nada menor que "bom", e continue trabalhando mais. Tranque-se num cômodo fechado para não ser atrapalhado, se for o caso, mas sempre esteja preparado para sair à rua para ter inspiração.
  4. Escritor geralmente é uma pessoa isolada, tanto que é muito mais comum um escritor se mantiver calado, respondendo somente a perguntas e cumprimentos, do que sendo o carinha ultrassociável do mundo. A escrita é uma atividade solitária.
  5. Nunca desista, mesmo quando tudo conspira contra você, afinal és escritor, e quem sempre tem vocação, não precisa de oração.
  6. O seu texto é como um carvão. Uma pedra que passa por muito tempo isolada, mas sob determinadas condições de temperatura e pressão, vai se moldando até virar num vigoroso diamante. Todo o esforço vale a pena.
  7. Escrever é um reforço cultural, você aprende muito se divertindo. Afinal, foi assim que aprendi tudo que sei de alemão, francês e russo.
  8. Erudito não o faz ser melhor que todo mundo, você é uma pessoa normal, mas sabe mais sobre determinados assuntos do que outras.
  9. Eu não enfatizei sobre livros de filosofia porque esse não foi o meu foco, mas eu serei bem direto, você pode usar abstrações e preciosismos para suas ideias, mas seja conciso em suas ideias e tenha boa narração. Marx é conciso, usa boas abstrações, tem bons exemplos, mas a sua narração, sejamos sinceros no Manifesto Comunista, deixou um pouco a desejar, mesmo sendo uma obra muito importante no pensamento filosófico, político e histórico moderno.
  10. Preciosismo é legal, mas vou ser sincero, faça-se entender também. Não adianta ser um Luís de Camões se ninguém entender nada e nem se interessar pelo tema.
  11. A escrita deve ser uma relação de paridade entre o preciosismo ocasional e a direta narração concisa, nunca se perca de vista.
  12. Se dedica-se a romances, tente ler tipos de romance que identifiquem com o seu pensamento; Se for de capa e espada, leia os Três Mosqueteiros, se for romântico, leia algo mais ao fetio de Romeu e Julieta, se for Literatura Fantástica, Toltkin pra dar e vender, se for Guerra, leia tudo sobre História, e literatura Histórica, se for policial, leia Sherlock Holmes, se for de mistério, Agatha Christie, aventura, Robinson Crusoé, e todos os livros de Julio Verne, se for ficção científica, de novo Julio Verne.
  13. Se dedica-se a contos, leia Tchekhov e ponto.
  14. Se for crônicas, o mercado tem um número interessante de crônicas de autores nacionais, destacando-se Luís Fernando Verissimo.
  15. Leia de vez em quando autores nacionais, para não viajar muito no mundo, mas quando estiver sem saco para ler um Machado de Assis (que eu particularmente não gosto), procure ler estrangeiros, nem que sejam sábios do Alto Himalaia, ou mesmo escritores do alto Tajiquistão.
  16. Nunca se despreze por não gostar de um clássico, ninguém tem obrigação de ler Shakespeare por pressão social, ou mesmo Machado de Assis.
  17. O popular também pode ser tema de sua narração, mas se for usar linguagem popular, use preferencialmente nas conversas dos personagens.
  18. Não destaquei personagens pelo simples fato de quem desenvolve personagens é você! Mas conselho, procure fazer personagens que cativem o leitor à leitura, e se precisar, estude algumas teorias da psicologia ou psicanálise.
  19. Agora é com você, é o que posso dizer, agora se vire! Não achou mesmo que eu ia escrever um livro por você! Ou você esqueceu que isso é uma autoajuda?
A Folha está na sua frente, comece a escrever!

Aço incandescente II

         Esperanças e medos          "Todas as vezes que penso na grandeza desses dias, penso em Maiakovsky:                 'C...