domingo, 25 de março de 2012

Conto rápido da noite



     Os ossos não eram mais fortes como antes, o corpo já não aguentava tamanho esforço... O cabelo começava a cair, parecia mais fraco do que antes, bem mais fraco. Os olhos, já escurecidos e tristonhos, nem pareciam ser de um homem que tinha a fama de ser forte e trabalhador.

    Tal era meu avô, essa figura encurvada, meio triste que anda pelos cantos sem ter muito mais que fazer, além de andar pelos cantos, divertindo-se com as inocentes brincadeiras de minha irmã.

      Vovô, vovô, gosto tanto de você!

Conto rápido da tarde


      Ao sol das quatro da tarde, caminhava ela, com seus cabelos escuros ao vento e os seus olhos leoninos nos fitando; Tinha pressa ela, ia ter uma aula, e eu eu a amava, queria tê-la comigo, queria beijá-la, queria amá-la. Sequer ela me olhava, sequer conversava. Minha cara sempre cansada, sempre assustada, não a atraia. Será que sou feio? Nem sei dizer. Mas sei dizer que eu a amava, e ela nem me olhava.


        Amor platônico deve ser isso.
        Platão você me paga.

        Tirou-me a aquela bela época, tirou-me a felicidade.
        Afinal, homens também amam.

Conto rápido da manhã


     Descansado, caído ali no chão, tinha dormido a noite inteira e agora abria os olhos sem grande pressa. Seus olhos tremiam diante à luz, sentia na sua língua uma incontrolável sede e na sua cabeça uma insuportável dor. Bebera de mais, mas sua as mãos tremia  como jamais. Batera no cachorro, batera na esposa, batera no filhinho, nem sequer lembrava. Lembrava do seu feio machucado que tinha feito no carro parado.

Perdido, na garagem da casa, cambaleou e disse:
"Nunca mais vou beber"

Esse era o meu pai.

Uma Reflexão de Fidel

       Embora eu não seja castrista, e tenha uma imagem de Fidel Castro como uma figura canastrona que saiu das elites produtoras de Açucar em Cuba, desta vez posso dizer que Fidel fez uma boa reflexão da sociedade atual.


Segue texto na íntegra:


          "ESTA Reflexão poderá ser escrita hoje, amanhã ou qualquer outro dia sem risco de equívoco. Nossa espécie se defronta com problemas novos. Quando expressei há 20 anos, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, que uma espécie estava em perigo de extinção, tinha menos razões do que hoje para advertir sobre um perigo que via talvez à distância de 100 anos. 

          Então uns poucos líderes dos países mais poderosos dirigiam o mundo. Aplaudiram por mera cortesia minhas palavras e continuaram placidamente cavando a sepultura de nossa espécie.

         Parecia que em nosso planeta reinava o senso comum e a ordem. Há tempos que o desenvolvimento econômico apoiado pela tecnologia e a ciência parecia ser o Alfa e o Ômega da sociedade humana.
Agora tudo está muito mais claro. Verdades profundas foram abrindo caminho. Quase 200 Estados, supostamente independentes, constituem a organização política à qual teoricamente corresponde a tarefa de reger os destinos do mundo.

           Cerca de 25 mil armas nucleares em mãos de forças aliadas ou antagônicas dispostas a defender a ordem em mutação, por interesse ou por necessidade, reduzem virtualmente a zero os direitos de bilhões de pessoas.

           Não cometerei a ingenuidade de atribuir à Rússia ou à China a responsabilidade pelo desenvolvimento desse tipo de armas, depois da monstruosa matança de Hiroshima e Nagasaki, ordenada por Truman, após a morte de Roosevelt.


           Tampouco cairia no erro de negar o holocausto que significou a morte de milhões de crianças e adultos, homens e mulheres, principalmente judeus, ciganos, russos e de outras nacionalidades, que foram vítimas do nazismo. Por isso, repugna a política infame dos que negam ao povo palestino seu direito a existir.

           Alguém pensa por acaso que os Estados Unidos serão capazes de atuarem com a independência que o preserve do desastre inevitável que os espera?

           Em poucas semanas os US$ 40 milhões que o presidente Obama prometeu arrecadar para sua campanha eleitoral só servirão para demonstrar que a moeda de seu país está muito desvalorizada e que os Estados Unidos, con sua insólita e crescente dívida pública que se aproxima dos US$ 20 trilhões, vivem do dinheiro que imprimem e não do que produzem. O resto do mundo paga o que eles dilapidam.

          Ninguém crê tampouco que o candidato democrata seja melhor ou pior que seus adversários republicanos: chame-se Mitt Romney ou Rick Santorum. Anos-luz separam os três de personagens tão relevantes como Abraham Lincoln ou Martin Luther King. É realmente inusitado observar uma nação tão poderosa tecnologicamente e um governo ao mesmo tempo tão órfão de ideias e valores morais.


          O Irã não possui armas nucleares. Acusa-se o país de produzir urânio enriquecido que serve como combustível energético ou componente de uso médico. Queira-se ou não, sua posse ou produção não é equivalente à produção de armas nucleares. Dezenas de países utilizam o urânio enriquecido como fonte de energia, mas este não pode ser empregado na confecção de uma arma nuclear sem um processo prévio e complexo de purificação.

          Contudo, Israel, que com a ajuda e a cooperação dos Estados Unidos fabricou o armamento nuclear sem informar nem prestar contas a ninguém, até hoje sem reconhecer a posse destas armas, dispõe de centenas delas. Para impedir o desenvolvimento das pesquisas em países árabes vizinhos, atacou e destruiu os reatores do Iraque e da Síria. E declarou o propósito de atacar e destruir os centros de produção de combustível nuclear do Irã.

          Em torno desse crucial tema tem girado a política internacional nessa complexa e perigosa região do mundo, onde se produz e fornece a maior parte do combustível que move a economia mundial.

          A eliminação seletiva dos cientistas mais eminentes do Irã, por parte de Israel e de seus aliados da Otan, se converteu em uma prática que estimula os ódios e os sentimentos de vingança.

           O governo de Israel declarou abertamente seu propósito de atacar a usina produtora de urânio enriquecido no Irã, e o governo dos Estados Unidos investiu centenas de milhões de dólares na fabricação de uma bomba com esse propósito.

          Em 16 de março de 2012, Michel Chossudovsky e Finian Cunningham publicaram um artigo revelando que "um importante general da Força Aérea dos EUA descreveu a maior bomba convencional - a antibunkers de 13,6 toneladas - como 'grandiosa' para um ataque militar contra o Irã".

"Um comentário tão loquaz sobre um artefato assassino em massa teve lugar na mesma semana na qual o presidente Barack Obama se apresentou para advertir contra a 'fala leviana' sobre uma guerra no Golfo Pérsico."
"...Herbert Carlisle, vice-chefe do Estado Maior para operações da Força Aérea dos EUA. [...] agregou que provavelmente a bomba seria utilizada em qualquer ataque contra o Irã ordenado por Washington."
"O MOP, ao qual também se referem como 'a mãe de todas as bombas', está projetado para perfurar através de 60 metros de concreto antes de detonar sua bomba. Acredita-se que é a maior arma convencional, não nuclear, no arsenal estadunidense."
"O Pentágono planifica um processo de ampla destruição da infraestrutura do Irã e massivas vítimas civis mediante o uso combinado de bombas nucleares táticas e monstruosas bombas convencionais com nuvens em forma de cogumelo, incluídas a MOAB e a maior GBU-57A/B ou Massive Ordenance Penetrator (MOP), que excede a MOAB em capacidade de destruição."
"A MOP é descrita como 'uma poderosa nova bomba que aponta diretamente para as instalações nucleares subterrâneas do Irã e Coreia do Norte. A imensa bomba - maior do que que 11 pessoas colocadas ombro a ombro, ou mais de 6 metros desde a base até a ponta."

           Peço ao leitor que me desculpe por esta complicada linguagem do jargão militar.


           Como se pode verificar, tais cálculos partem do pressuposto de que os combatentes iranianos, que totalizam milhões de homens e mulheres conhecidos por seu fervor religioso e suas tradições de luta, se renderão sem disparar um só tiro.

          Em dias recentes os iranianos viram como os soldados dos Estados Unidos que ocupam o Afeganistão, em apenas três semanas, urinaram sobre os cadáveres de afegãos assassinados, queimaram os livros do Corão e assassinaram mais de 15 cidadãos indefesos.

        Imaginemos as forças dos Estados Unidos lançando monstruosas bombas sobre instituições industriais capazes de penetrar 60 metros de concreto. Jamais semelhante aventura tinha sido concebida.

          Não é preciso uma palavra mais para compreender a gravidade de semelhante política. Por esse caminho nossa espécie será conduzida inexoravelmente para o desastre. Se não aprendemos a compreender, não aprenderemos jamais a sobreviver.

           De minha parte, não abrigo a menor dúvida de que os Estados Unidos estão a ponto de cometer e conduzir o mundo ao maior erro de sua história."
Fidel Castro Ruz

 (Extraido do site do Pravda na íntegra)

sábado, 24 de março de 2012

Dor cantada

Maior clamor nem mais estranho existe
que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando se sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

A dor ainda hoje persiste
Dor clamada, dor cantada
O velho amor ainda resiste
Nessa face já amargurada

Eis uma alma triste:
Nada mais me agrada
Desde que partiste
Você minha amada

Alma acabada
A minha existe
Para ser cantada
A ode triste.

Amor, doce amor

Pergunte a um sábio,
a diferença que há
entre amor e amizade,
Ele dirá a Verdade...

O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor é perecível,
a amizade perdura.

O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
O amor dá paixão,
a amizade compreensão.

O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade é certeira,
Sem se tem certeza,
que torna-se uma grande e querida
companheira.

Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a paixão é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.

Quando amor é antigo,
O tempo não é mais
Um grande inimigo
Pois quando se passa
Mas se sente querido

Cantigo de poeta

Meu canto é forte,
Companheiros, ouvi:
Sou filho das relvas,
Nas relvas cresci;
Guerreiros, descendo
Eu ei de vir.


Do frio pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Na noite renasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de sorte,
Grosseiros, ouvi!

Na noites amei,
Nos dias andei,
Errante companheiro
Sem norte, sem sorte
Amei tal açoite
Donzela da noite
Durmo no pernoite

Vivo sem  sorte,
Companheiros, ouvi:
Sou filho das relvas,
Nas relvas cresci;
Guerreiros, descendo
Eu ei de porvir.



Solidão

Parece que foi ontem:
Parece que foi hoje
Que ela partiu
Levou sua mala
Levou sua gata
Levou o meu coração
Triste não?
Nem se despediu,
Simplesmente partiu
Que dia triste
Solidão existe.

Ela

Ela gostava de três coisas nesse mundo:
Cantar canções melosas, sorrir dos saltimbancos
e contar contos antigos já bem gastos.
Não gostava de me ver chorando,
nem de ficar recitando sua beleza.
E nem de canções homéricas
... e eu a amava.

ENEM ( uma tolicie sem igual)



         Certa vez passava pela rua quando vi desesperados alguns estudantes do ensino médio da Escola pública, eles estavam fazendo uma vaquinha para comprar uma revista para se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (vulgo: ENEM).


        Obviamente eu não percebi o porquê daquela preocupação dos garotos, além porque o ENEM não é tão difícil de se passar assim. Avaliemos as questões de História, questões de ordem prática, das quais posso dissernir algumas palavras:
http://www.replicante.org/wordpress/wp-content/uploads/2010/11/ENEM-Exame-Nacional-do-Ensino-M%C3%A9dio1.jpg
O Enem

        O que o ENEM cobra?

        Cobra que você saiba que quem foi o carinha que saiu do Porto de Lisboa em 1500 e que no meio do caminho se perdeu e acabou caindo na Ilha de Vera Cruz e os positivistas  clamam como descobridor do Brasil.

1) Pablo Neruda
2) Pero Vaz de Caminha
3) Pedro de Alcântara Carlos
4) Pedro Alvares Cabral

           Se você errou essa, pode-se dizer que até no ENEM você reprovou, o que é uma coisa ruim. Ruim, não por ser o ENEM uma coisa ruim, ruim por ser o ENEM uma coisa tão fraca e tão inferior no circulo acadêmico que você pode sofrer bullying com isso. Ninguém, em um mundo ideal, consegue reprovar no ENEM.

           Primeiro, História, História mesmo, o Enem cobra quase nada, é uma prova de conhecimentos gerais, tão fácil quanto aquelas cruzadinhas do Jornal de Domingo, até mesmo porque os textos disposto na prova praticamente te dão a resposta, basta ter boa interpretação.

Uma típica questão do ENEM
           O problema do ENEM é que ele julga por baixo a capacidade dos alunos de aprendizagem, primeiro, porque se eles colocassem uma proa rigorosa padrão Unb, quase setenta porcento das pessoas, ou mais, não iam passar, e isso mostraria tão cadente é o nosso sistema de ensino, segundo, não haveria ninguém, nenhum tolo qualquer que iria entrar na faculdade pública e pagar o emprestimo que o governo dá, com dinheiro público (que notavelmente é desviado), aos alunos para pagarem a universidade particular de quinta qualidade.


          O Brasil precisa formar engenheiros, mas precisa ainda mais enganar seu povo, dizendo que dá oportunidades para todos poderem crescer. Isso é uma ignonímia, se considerarmos que no Ensino Básico deixa-se passar erros graves de redação e da matemática, erros os quais perduram até o âmbito acadêmico.

         Aí não é só problema do governo, que já paga mal para todos os funcionários de ensino, e não investe em novas escoals, é um problema de desvio sistemático de verbas da Educação e um desinteresse crescente dos profissionais da Educação (ninguém mais quer ser professor, até mesmo por questão social).


         A escola pública básica é uma das coisas mais tristonhas que já vimos, pois além de encontrarmos a falta de carteiras para os alunos sentarem, falta de giz por exemplo, professores (honestos ou não) ficam por tempo demasiado de licença.

          Além disso, vivenciamos na educação um gigantesco problema, pois além de não haver empenho do Governo na Educação, também não há empenho dos pais em educar seus filhos... Tanto que não são raros os caso de crianças mal-educadas e mimadas baterem em seus professores e serem suportadas por seus pais irracionais que sempre julgam o professor como culpado.

É assim agora


Íliada não é um pouco demais?
             Acrescenta-se aí o fato de que são poucos os pais ( notadamente os pais com melhor condição financeira ou com verdadeiro empenho para com a vida dos filhos) que incentivam desde as idades terrenas ao contato com os livros, e sim, as crianças estão ficando acostumadas mais cedo a ficarem em frente a TV e ao videogame.

              Tem ainda o problema da grade curricular do ensino, que importamos do ensino francês anterior aos anos 60, em que levamos os jovens a ler clássicos à força, sem terem contato com o vcabulário totalmente ultrapassado, como por exemplo Ilíada e Odisseia, Camões e afins, enquanto livros atuais ou mesmo mais indicados para as idades dos alunos são desconsiderados.




            Esquecem-se os educadores que os nossos pais aprenderam a ler foi com os gibis, por que não usar mangás o mesmo revistinhas em quadrinhos para ensinar as crianças a ler nas séries iniciais?



            Há ainda uma valorização absurda no ensino de materias que envolvam ciências exatas, como a matemática, herança maldita do positivismo, na qual criamos nada mais que robôs que tentam resolver cálculos absurdos sem sequer souberem problematizar problemas políticos, como os sistema parlamentar brasileiro.


           Einstein não era gênio por ter desenvolvido a Teoria da Relatividade ou  ter efetuado os cálculos da velocidade da Luz,  mas era um gênio por não só se prender a isso e ter pelo menos o senso crtítico de sua sociedade.
 

           Poucos aqui sabem que o Superman foi desenvolvido (mesmo que porcamente) nas ideias de Nietzsche, que o Mar Negro tem esse nome porque suas águas tem uma coloração escura, ou mesmo sabem problematizar que não importa se o Brasil foi descoberto em 1500, mas que a identidade Brasileiro só foi surgiu no século XIX com os nacionalismos, e ainda não é tão forte quanto os regionalismos.

          Poucos sabem que para enfretar o governo não há necessidade de advogado, que o sistema político instalado é tão arcaico que remonta à época clientelista da República do Café.

          É de proposito que o ensino é sabotado, não só porque as elites sentem medo de que se o cidadão ao desenvolver um senso crítico se revolte contra elas, abrindo margem para uma Revolução (Chega a ser um milagre que desde a vinda da Família Real, o Brasil tenha assistido apenas golpes militares desencadeados pelas elites, mas nunca revoluções desencadeadas pelas massas). As elites não gostam que os cidadãos comuns possam ter um senso crítico que as contraponha em seus luxos, e muito menos que iniciem uma revolta popular, não à toa manipulam a mídia.




         Chega de bater só na mídia, tá na hora de bater no cidadão comum. Você fica dizendo: "Ah, eu sou manipulado, eu sou manipulado!", mas você é o primeiro ao assisitir o Big Brother, votar em que vai ser o líder, reclamar no Jornal Nacional que o Sarney faz isso, faz aquilo, que o país não presta, mas é o primeiro a subornar um guarda de trânsito para lhe tirar a multa, e sim você fica puto quando o Ricardo Teixeira rouba milhões da CBF, que nem é pública, mas vira as costas quando Valdemar da Costa Neto, um reconhecido corrupto, sai ileso de uma investigação. Você é o hipocrita dessa história! A sociedade brasileira só é o reflexo do que você e outros são!








            Do que falava mesmo? Ah, sim, educação! Já basta o Cristovam bater todo dia na lente do seu teleivisor, dizendo que a resposta é: "EDUCAÇÃO! EDUCAÇÃO! EDUCAÇÃO", porque a palavra em si só serve pra pontuar o dicionário do Aurélio, pois educação, educação mesmo não precisa ser toda hora dita, ela é feita!

Ele fica falando isso a um tempão, mas quando foi Ministro da Educação, pouco fez também


           Levante esse traseiro gordo da poltrona do seu sofá, desligue a novela das 9, e vá ler um livro, ou se não tiver livro, no pior dos casos, leia a Wikipédia. Pois o ensino não acaba quando você tem um diploma, ele só acaba quando você morre de velhicie!



            Voltando ao ENEM, os absurdos que encontramos nas provas mostram sim a carência do ensino educacional brasileiro, uma carência que remonta sim desde a Ditadura (existe a lenda que o ensino no Regime Militar era melhor, mas isso era uma grossa mentira! Meu pai estudou nissso e tem problemas reais para problematizar algumas questões e até mesmo de redação).


             Os governos, tradicionalmente pouco investem em educação,a exceção talvez tenha sido à época do Positivismo, que querendo ou não, na República Velha se instalaram as primeiras escolas, mas essa noção educacional só tinha a ver com a visão positivista de "civilizar" uma nação de iletrados.


              Pois eis que no período Vargas, e principalmente no período republicano paternalista, o Populismo, as elites perceberam que era mais vantajoso ter as massas em constante estado de alienação, do que educá-las para por fim acontecer o mesmo que com a Rússia. Uma Revolução (O Brasil esteve muito perto disso, na Coluna Prestes, mas nessa época Prestes não era comunista, e não teve nenhuma oportunidade de instalar revolução na afamada Intentona Comunista).


            Agora que o Brasil despontou como uma grandeza no mercado internacional, as elites perceberam que precisavam de trabalhadores capacitados para produzir os seus produtos. Isso quer dizer, agora incentivam os empregados a aprenderem, mas numa corda tênue, não deixando que eles possuam senso crítico;




          Em outras palavras, estamos criando robôs técnicos sem nenhum senso crítico.

Eis o seu futuro, camaradas, maquinas sem senso crítico


          O ENEM é uma tentativa fadada ao fracasso de inserir individuos sem um preparo escolar bom (isso em virtude da ingerência do próprio estat) no âmbito acadêmico. Ela plurariza o ensino sim, ela insere membros de outras classes na universidade sim, mas não se preocupa em dar a base para que tais alunos posssam exercer seus estudos de maneira justa na universidade, visto que possuem carências de ensino que remontam aos tempos da educação básica.



           Ser universitário não garante mais emprego em virtude disso, pois o diploma não mais garante que esteja capacitado para o mercado de trabalho, afinal de contas, a função da universidade não é sanar as carências do ensino básico, mas desenvolver estudo de qualidade e pesquisas. Não à toa que as taxas de evasão dos cursos universitários no Brasil são realmente altas.

           A proposta do ENEM ser utilizado como critério de avaliação nas universidades, nada mais é que uma ação política de proposta populista, na qual o governante X vê-se com o carisma elevado dentre os estudantes que passaram por esse sistema, pois estes sentem-se priveligiados por tal política, ou mesmo não percebem o que há por trás dela.

As perolas do ENEM



              O ENEM não que produzir outra coisa senão tecnocratas sem nenhum senso crítico, pois essa é a proposta de ensino atual do Ministério da Educação, pois o populismo não sobrevive sem que as massas se vejam alienadas.


                Por essas razões sou contrário ao uso do ENEM como critério de avaliação nas universidades, mas então o que sou favor?


              Sou a favor de que se largue de lado a preguiça com que nós temos ao tratar a educação e nos empenhemos em ensinar as crianças a terem o primeiro contato com o livro, sou  a favor de pressionarmos o governo a melhor  a base de educação, a Educação Básica e a Educação do Ensino Médio.

O que importa é o Ensino Básico, pois nele está a base de toda a cadeia escolar



           Sou a favor de se reestruturar o sistema de ensino arcaico com qual nós nos deparamos, educadores e alunos, excessivamente burocrático e pouco funcional.

            Sou a favor de que os pais envolvam os seus filhos em uma educação continuada, na qual eles próprios desenvolvam seus valores e não deixem aos encargos dos educadores a tarefa de educar as crianças as regras de convivência social.





            Pais, educadores, alunos, uni-vos nessa cuasa justa e proletária, pois sem ela, não há como fugir de esteio estreito de dominação e injustiça!

Eis deve ser o seu dever, uni-vos pela causa educacional!

O crime da intolerãncia

        Nessa última semana ficamos estarrecidos com o que sew passou nos noticiários como um todo. Os crimes de intolerância estão ficando mais visíveis ultimamente.
      
         Não que não existissem, sejamos claros, existiam, mas agora temos a sensação de que estão crescendo, visto que numa única semana foram presos três acusados por intolerância racial e religiosa, dois em Brasília e um França, das quais, nos ataques em Toulosse essa semana tivemos o mórbido saldo de três mortos (seriam quatro, mas nao considero um só dia que o assassino tenha sido uma pessoa em algum dia).

          No Brasil, mais específico em Brasília, um grupo de neonazistas (talvez seja o termo mais aplicável nesse caso) realizou meses atrás ameaças a um deputado federal, reconhecidamente homossexual, e ameaçou aindao Departamento de Ciências Sociais da Universidade de Brasília, ameaçando entrar com metralhadoras no campus e cometer uma bárbarie similar ao Massacre de Realengo (no Rio de Janeiro).

          Eu tive a infelicidade de ler o blog do infeliz que incitava tais ideia, que atendia pelo nome de Silvio Koerich, um nome notadamente falso, visto que as ideias que ele propagavam já figuravam crime. Além de ameaçar as lésbicas (a quem ele associava ao Departamento de Ciências Sociais da Universidade), os gays, ele possuia realmente uma postura realmente machista, que chega a assustar qualquer ser humano normal.... Incitando a violência contra as mulheres, a quem enquadrava como "imorais", mas ele mesmo era imoral, tendo em vista que ele era a favor da pedofilia.

           Esse infeliz numa postagem incitou uma chacina às lideranças feministas, mas o pior de tudo isso foi que ele publicou uma fotografia de uma mulher, nua, com a cabeça decepada. Eu fiquei realmente chocado com tudo isso.

            Milhares de denúncias partiram à Polícia Federal de todos os cantos, e o mentor desse crime começou a ser investigado, enquanto isso as ameaças ao campo univeristário perduravam... Talvez tenha sido por esse motivo, mesmo numa eleição que julgo ter sido fraudulenta, que foi aceita a entrada da polícia militar no Campus Universitário.

             Dessa vez tivemos a sorte desses infelizes terem sido presos a tempo.


            Nessa quinta-feira,  os dois responsáveis por esssas atitudes  foram presos. A dupla, segundo policiais, teria aconselhado Wellington Oliveira, o assassino de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio, em 2011.

             Outro detalhe importante a sustentar a tese da existência de uma rede terrorista é o fato de que os dois dispunham de 500 mil reais em uma conta bancária.

           Um dos responsáveis por propagar tais ideiasis, estava sendo alvo de investigação pelo Conselho Disciplinar Permanente da UnB, onde cursava Letras, devido ao seu envolvimento em conflitos raciais. O processo ainda está em andamento e tramita de forma sigilosa. Por não ter frequentado mais a universidade durante dois semestres consecutivos, esse infeliz perdeu sua vaga em 2006.

          Agora, o seu companheiro de crime, segundo a Polícia Federal,  tera participado de assassinatos na capital paranaense. A motivação de todos os supostos homicídios, até agora sem autoria, seria a intolerância. Se for comprovada a cumplicidade de Rodrigues nos crimes, ganhará ímpeto a veracidade do plano da dupla de matar alunos a cursar faculdades de Direito, Comunicação e Ciências Sociais da UnB. Os ataques se dariam em uma casa de eventos.

            Isso comprova o que eu digo a tempos, o nazismo está mais forte do que nunca (ainda não mais que em 1938 é claro), a intolerância perdura, e mesmo em sociedades ditas "democráticas" e ditas plurais, sem preconceitos (alguns têm a audácia de dizer que no Brasil não há preconceito!), isso anda acontecendo.

            Não vou enfatizar a temática psicológica que envolve um maníaco como esses, por três motivos:

           1) Não tenho estudo sobre Psicologia para isso;
           2) Não me interesso em perder tempo em estudar uma mente doente como essa;
           3) Essa é mais chocante. Eu sou a favor da pena pérpetua para crimes de intolerância (na verdade sou a favor da pena marcial, mas eu não estou aqui para propagar a defesa da pena de morte).

           Agora na França, parecemos assistir não só o problema dos grupos neonazistas, mas também grupos do fundamentalismo islâmico, visto que nos últimos anos a sociedade francesa, sob Sarkozy, tem vivenciando um sentimento anti-islâmico para contra as populações imigrantes. Não só na França, na Alemanha também, com os turcos, mas na França é mais grave, pois além da França (mesmo sendo um bastião revolucionário), ter membros da sociedade bastante  conservadores, ela assenta uma das maiores populações religiosas na Europa de judeus e islâmicos.

          A França, desde a ascensão do nazismo na Alemanha, talvez antes, se tornou um local para onde as populações judaicas procuraram refúgio de suas perseguições (A Inglaterra foi mais, mas a Frnaça tem um número considerável).

          Além disso, desde a virada do século XIX, a França ocupava colônias territoriais no Norte da África, onde notavelmente as populações são islâmicas, e com os movimentos de Descolonização no meio do Século XX, notavelmente na Argelia, muito membros dessas sociedades acabaram seguindo para a França, continuando a manter suas religiões e hábitos religiosos.

         Não que eu esteja dizendo que só porque o  cara é islâmico ele tem que ser terrorista, não é nada disso. A questão é que na França, tal como em outras sociedades européias, observa-se um sentimento de aversão, por vezes figurando a xenofobia declarada, para com as populações imigrantes, mais ainda em períodos de Crise, como a qual vivenciamos... Os franceses se vem "roubados" de seus empregos, pelos imigrantes, ocupações que antes nem se davam ao trabalho de procurar.

         Isso já é um fator que torna a situação complicada, outro fator é o Governo Sarkozy, mais em específico mesmo, restringir ainda mais a política de imigração francesa, dificultando assim a entrada de mais imigrantes na França, o que reconhecidamente frustra a vida de muitos membros da comunidade islâmica.

         Além disso, mesmo a França não ter se envolvido nas Guerras Americanas do século XXI com força (até porque a França tem um histórico de perder guerras respeitável), ela continua sendo um aliado importante dos Estados Unidos, o que para algumas organizações terroristas é um fator mais do que fundamental para deslanchar um ataque terrorista.

           Agora, conciliando isso à visão de Bauman sobre  a sociedade atual, observamos que não só a perda de empregos está fundamentando algumas ações dos jovens na Europa, mas não só isso, há também o fator de que numa sociedade de consumo como a nossa, por vezes, quando as pessoas são terminantemente recusadas do papel imposto pela sociedade, consumir, elas iniciam ações para se mostrarem na sociedade individualista. Isso também é uma possiblidade, mesmo que remota.

           Em todo caso, em Toulosse observamos por dois ou três dias, a existência de um assassino em série misterioso que propagava terror e sangria no Sul da França, o caso mais marcante talvez tenha sido o ataque à escola judaica, na qual morreram um professor e seus dois filhos. Isso me encheu de revolta, afinal, querendo ou não, são o meu povo.

            Em todo caso, na quinta-feira mesmo, os gerdames, a polícia francesa, montaram um cerco ao apartamento do atirador de Toulosse e iniciaram as negociações...Negociações frustradaas quando o atirador tentou fugir e levou um teco na testa.

          Querendo ou não isso mexeu com a sociedade francesa, e agora os candidatos mais reacionários, contrários aos imigrantes, estão mais em voga. Mas a questão que mesmo tenha acabado, uma coisa não encaixa: as duas primeira vitimas desse atirador não são judias, são muçulmanas. Então, por que esse camarada faria isso com sua gente?

          Talvez seja porque os muçulmanos não sejam esse grupo todo homogêneo e antagônico a nós quanto os Estados Unidos pintam, e Israel também, os muçulmanos têm radicalismos sim, assim, como os cristãos e os judeus (existem terroristas judeus, sabiam?). A intolerância não é restrita a uma religião, mas é geral à todas (exceto às religiões mais orientais, como o Budismo).

          A intolerância é inerente à sociedades com diferenças marcantes, na qual os individuos não se vem iguais aos outros, e se tornam estranhos entre si, pois o individualismo que vivemos gera um egocentrismo no qual o eu (ego) se sente mais poderoso que o todo e assim superior.

          Não vou dizer também que no marxismo não tenha isso, pois na verdade tem sim, mesmo que em menor grau, pois as pessoas, como individuos amorfos e imperfeito não compreendem que não é pela semelhança que somos iguais, mas sim por nossa diferença. Pois a única coisa que temos iguais é por sermos seres humanos, e por sermos humanos somos iguais.

          

A Jihad na mídia brasileira

         Jihad é o termo de origem islâmica que remete a idéia de guerra fundamentada pela religião, uma dita "Guerra Santa". Esse termo pode parecer estranho aos olhos de um liberal total, ou de um pequeno-burguês alienado, mas é o que assistimos ultimamente na mídia televisionada de massas.
A Jihad televisionada








           Devemos fazer uma reflexão sobre o panorama social e político a cerca de um tema que parece ser indiscutível para alguns brasileiros mais ferrenhos: Religião.





            O senso comum, esteriotipizado, sobre o brasileiro diz que: O brasileiro tem que ser uma mistura de Zé Carioca e Neguinho da Beija-Flor, andar como um maladro de chapéu Panamá na Lapa, tocando a viola enquanto vê a mulata passar. Religioso só na Igreja, católico na essência, vai no terreiro de umbanda, porque adora rezar. Não gosta de política, vive na curtição, mas quem a chance, comete corrupção. Eis a imagem que alguns têm do Brasil.

Pelo esteriótipo deviamos ser igual o Zé Carioca


         Esse esteriótipo é cheio de erros, mas a despeito de todos, o mais marcante é, brasileiro não é mais obrigatoriamente católico. O papa pode vir, conta suas bulas em Latim, mas quem que ouvir, não é tanto assim. Agora paro de fazer rima, e vamos para crítica.


           Assistimos desde a década de 1980 um crescente números de pessoas que decidiram abandonar o catolicismo romano a fim de encontrar outra fé... Assim, observa-se um crescente número de fiéis na Igreja Protestante (se podemos chamá-lá assim).

           Isso é em virtude de que por muito tempo a Igreja ficou a margem dos problemas sociais, apoiando inteiramente as bula Papais do Vaticano, mas assistimos na década de 1970 um crescente empenho dos religiosos da Igreja em peitar o poder militar e tentar solucionar os problemas sociais, mais em específico nas nascentes favelas.


           Era a Teologia da Libertação, da qual muitos movimentos, como a Pastoral da Criança acabaram nascendo. O poder ditatorial não via com bons olhos a isso, enquandrando absurdos agora, como "padres comunistas", torturando-os e os prendendo. Os cardeais e clérigos de alto escalão da Igreja, omitiram-se de manifestar-se contra os excessos da Ditadura (Houveram exceções como Dom Helder Câmara), e muitos religiosos tiveram impostos votos de silêncio pela própria Igreja.

A Teologia da Libertação
            Assim, assiste-se um número relevante de clérigos que abandonam a Igreja Católica e começam a fundar suas próprias igrejas (muitas vezes evangélicas) nas favelas.

            Ainda observa-se que alguns indivíduos da sociedade, religiosos ferrenhos, tentando moralizar a sociedade à sua maneira, iniciam movimentos religiosos, fundando Igrejas Evangélicas nos setores periféricos das cidades. Não sei dizer se inicialmente houve algum idealismo nisso, de que eles queriam salvar a todos desse "mundo de pecados",  e levar todos os crentes ao "Paraíso", ou se eles já queriam aproveitar desde o ínicio o potencal econômico junto à fé.

            O que observamos é que pseudo-moralistas comedores de Bíblia começaram a pregar em altares improsados em comunidades pobres, para as massas sem muito consciência coletiva, era expansão da fé.
Uma Igreja numa comunidade carente


            Além disso, observamos no comparativo entre as Igrejas Católica e Protestante, para que os pecados sejam perdoados, no catolicismo, é preciso rezar quantas orações o padre pedir e arrepender-se de seus pecados, em alguns casos, na Igreja Protestante, observamos que basta pagar uma quantia para garantir seu lugar no reino dos Céus.

             No catolicismo, a profissão mais tensa e perigosa com certeza é a de Coroinha, pois afinal de contas é o coroinha que fica mais perto do padre, que por ventura tiver predileções pederastas, acaba abusando de seu assistente clerical. Nota: Nunca seja coroinha!

             Os recentes casos de pedofilia (não tão recentes assm) na Igreja, fundamentaram a evasão de alguns fiéis da Igreja Romana para outras entidades religiosas.

           Além disso, devemos considerar que muitos católicos sequer eram religiosos, diziam-se católicos apenas por convenção social, mas na prática, estavam envolvidos em uma devassidão e comportamentos ditos imorais que associavam a sua própria falta de fé. Assim, num dado momento, decidem-se purificar de alguma maneira, quando a consciência pesa, e decidem-se converter ao protestantismo.


A eterna briga





            Outros só se convertem mesmo porque a família inteira se converteu ou mesmo se convertem para ficarem mais próximos de pessoas com quem queiram ter maior intimidade, ou no pior dos casos, para se despontar como falsos moralistas.


            Entendemos que a prática do Dízimo (que geralmente era dar 10% do seu salário) que alguns pastores dizem "agradar ao Senhor, no Reino dos Céus", reside uma grossa cadeia econômica que não só suporta a Igreja, mas também uma cultura de ícones.

Enquanto pensam em salvação outros pensam...

           Parece estranho, não é mesmo? Afinal de contas, o protestantismo é contra a adoração de ícones em muitas coisas (a começar que não tem santos), mas quando observamos mais a fundo a estrutura em torno do Dízimo entendemos isso. Pensem comigo:

           O Dízimo é um meio de agradar a Deus "ao fazer suportar sua casa aqui na Terra", onde você é coagido a dar dinheiro a D'us por uma questão moral, afinal ele deu a sua vida, construiu o Céu e a Terra, tudo em sete dias, e para lá tal.  Mas a questão é que D'us criou tudo certo? D'us é dono de tudo, certo? Então pra quê ele precisa de dinheiro, se ele tem tudo?

           Encontramos um paradoxo nessa concepção do dízimo, pois se D'us tem tudo, ele perfeitamente pode financiar a sua atividade na terra com as posses sobre todo o Mundo.

          Dirão alguns que o dinheiro não é para financiar a Igreja, mas apenas serve para mostrar a sua devoção a D'us, na qual os homens devem mostrar a sua fé na forma de dinheiro.

           Vemos aí uma forma estranha de sacrifício no cristianismo... Isso mesmo, uma hecatombe a D'us, na qual se dá o seu dinheiro, fruto de seu árduo trabalho, para ostrar a sua fé ao Senhor.

            Os cristão vêm como  atrasado, o sacríficio de pessoas na sociedade Asteca para saciar a fome dos Deuses, viam como atrasado, o sacríficio de animais ao fogo pelos gregos aos seu Panteão de Deuses, e viam-se enojados quando os judeus imolavam seus cordeiros a D'us, mas eles próprios promovem  o seu sacríficio a D'us, ao sacrificarem o seu próprio dinheiro. Vemos o cristianismo como uma religião tão"primitiva", como alguns etnocentricos usam, quanto a religião asteca, helênica, ou judaica.


               Mas então temos um problema. O que é feito com o dinheiro? É jogado numa fornalha para que a fumaça de seu papel-moeda chegue às narinas de D'us, tal como os gregos faziam com os ossos dos animais mortos em sacríficio a seus deuses? Não, o dinheiro é utilizado, mas não só para reformar as Igrejas, mas para pagar funcionários de D'us, que sequer foram empregados por ele pessoalmente, e para adquirir novas filiais mundo afora.

O sacríficio de dinheiro



               O cristianismo hoje é uma religião capitalista, afirmo isso botando minha cara à tapa, onde Igrejas, como as famosas Igrejas Universal do Não sei mais contas, Igreja da Graça de Pelourinho, Igreja Mundial dos Açores e Terras Além Mar, compram terrenos em territórios antes inexplorados por suas correntes, tal como Ucrânia, China, Casaquistão, Turcomenistão, Tajiquistão, Uganda do Sul, Sudão do Norte.




"O que vamos fazer agora, Cerébro?"


           Se eu fosse esquisfrênico com mania de perseguição, eu diria que há uma conspiração Mundial encabeçada por essas Igrejas que tenta dominar o Mundo!




            Pois bem, depois disso tudo, vamos ao que observamos nessa semana na Imprensa.





             A Rede Record de Televisão, de propriedade da Igreja Universal do Reino de Deus, que para fins legais é de Edir Macedo (ele diz que é de Deus, mas Deus não paga Imposto de Renda), publicou em materia especial em seu telejornal de Domingo, "Domingo Espetacular" (Que originalidade!) acusações exibidas na semana passada, baseando-se em documentos e registros em cartório, que o  líder da Igreja Mundial do Poder de Deus (concorrente), Valdemiro Santiago, tinha usado o dinheiro da Igreja para adquirir uma porção de terras no estado do Mato Grosso.
Valdomiro Santiago, pseudo-apostólo profissional

            Isso não foi lá uma atitude autruístra da Rede Record, porque ela vem há tempos, sendo acusada pela Rede Globo de Televisão (uma rede concorrente de alguma importância no cenário nacional) de utilizar  dinheiro dos fiéis para adquirir propriedades em nome dos membros de sua Igreja, incluindo Edir Macedo.




              Isso se arrasta desde 1992, quando Edir Macedo foi preso por falsidade ideológica, e a sua Rede d Televisão e sua Igreja perduram a ser investigadas pela justiça (isso se arrasta há 20 anos!).

Um bispo preso


               A Rede Record sazonalmente pisa no rabo preso da Rede Globo, ao lembrar o seu passado da Ditadura, e das fraudulentas negociações que Roberto Marinho, patriarca dessa rede, já falecido, obteve junto ao Governo Militar para liberar a concessão de sua rede de televisão na década de 60.
Se já era ruim assim, ainda tem como piorar

                Pois enfim, continuemos, a Rede Universal do Reino de Deus vem sendo constantemente balançada por acusações de desvio de dinheiro do Dízimo de seus fiéis para adquirir suas propriedades mundo afora e ostentar suas regalias.

              Assim, obsevamos um número crescente de fiéis abandonando a Igreja Universal em busca de redenção, em outras Igrejas, onde pelo senso comum são mais "morais". Assim, mesmo que devagar, a Universal vem perdendo fiéis, alguns deles indo para a Igreja da Graça de Deus e outros para Igreja Mundial.

            Não estranhem isso, o Brasil tem no mínimo umas cinco mil igrejas protestantes diferentes cada uma da outra.

            Pois enfim, a Rede Record, suportada pela Igreja Universal, iniciou anos atrás uma cruzada contra a Igreja Renascer, ao expor acusações aos membros fundadores da Igreja, que tinham entrado em Miami sem ter declarado o dinheiro e acabaram presos.



Esses dois bispos acabaram presos nos EUA


            Por um mês inteiro, a Record divulgou investigações (verídicas ou não, eu não sei o conteúdo dos documentos) nas quais acusavam os bispos da Igreja Renacer de desviarem o dinheiro de sua Igreja para fins próprios, corrupção.

             Com os incessantes ataques, a Igreja Renascer se viu-se desmoralizada, e a Igreja Universal despontou como a moralmente justa e tal.

 


              Eis que a Rede Globo lembrou o passado da Rede Record, e em 2011, se bem me lembro, no mesmo dia, no mesmo horário, os telejornais da Globo   (Jornal Nacional) e da Record (Jornal da Record) trocaram farpas por meia hora a fio, enojando a todos os telespectadores no horário nobre.

              Isso ainda não está resolvido, tanto que a Globo e a Record se odeiam até hoje.

              Pois então, a Record enfim teve a possibilidade de bater numa Igreja menor que a Igreja Universal, a Igreja Mundial do Poder de Deus, na qual lançou na semana passada acusações ferrenhas contra o dito apóstolo Valdemiro Santiago, o qual teria comprado duas fazendas no Mato Grosso com dinheiro vivo e desviado da igreja.

                                                             A denúncia contra Valdomiro

               Eis que Santiago nega as acusações. Em sua primeira entrevista desde o início das ataques pela Record/Universal, ele afirmava  que as fazendas não são suas, mas da igreja, contudo as fazendas apresentam o seu nome na escritura.

Não to falando nada

             Além disso, Santiago, anteriormente havia alegado que outro cara, talvez um homônimo, teria comprado aquelas terras e que a Rede Record estaria manipulando tudo, mas quando se revelou numa fotografia que o religioso estava na cerimônia de compra da fazenda, fazendo um churrasco para comemorar a compra, a situação alterou-se.






          Santiago desafiou a Record e Edir Macedo a abrirem suas contas a uma auditoria externa e independente. "Eu abro minhas contas, quero que sejam investigadas. Quero ver se ele (Macedo) faz o mesmo. Quero ver ele (sic) provar com que dinheiro comprou a emissora dele", declara, em entrevista exclusiva.




            Procurada, a Record informou, por meio de sua direção de Comunicação, que "a emissora e seu principal acionista, Edir Macedo, já foram vítimas de várias acusações levianas como estas que acabaram arquivadas no Supremo Tribunal Federal


         "A igreja (Mundial) comprou a fazenda. É legal isso. A fazenda é da igreja e tem documento para provar", afirmou Santiago. "Mas, se eu quisesse comprar fazenda, eu teria recursos. Você está vendo que eu tenho recursos (aponta para a parede com vários discos de ouro, platina e diamante; na parede, somam cerca de 5 milhões de cópias que ele vendeu como cantor).

          Eu fico me perguntando, quem compraria um CD desse cara, mas tudo bem, há gente que escuta Restart e Justin Bieber ao vivo.

           Pois agora, depois dessas trocas de acusações, lanço a minha:




           Je Accuse

            Je accuse as massas por se deixarem enganar por alguns ditos religiosos que nada mais fazem do que incentivarem a doação de enormes quantias à suas Igrejas enquanto observa-se profundas acusações contra si.
              Je accuse a justiça por não se apoiar em investigar tais denúncias de modo transparente, de modo que permite que tais investigações possam ser efetuadas em segredo de justiça, por trás dos panos dos verdadeiros interessados, a sociedade.

              Je acusse a Receita Federal e o Estado não se empenharem em tomar parte numa política fiscal na qual sejam cobrados impostos de tais associações como qualquer entidade com fins comerciais, tal como transparece na realidade.

              Je acusse a sociedade brasileira por se calar diante de tal ignonímia e suportar que tais acusações saiam impunes com o passar do tempo.

               O ponto máximo do Je acusse é o mais polêmico, eu acredito que ambas as instituições religiosas possuam corrupção dentro de suas associações, tal como a Igreja Católica, pois mesmo não tendo provas não basta ser muito inteligente para ver que as propriedades adquiridas por membros dessas sociedades clericais sejam incompatíveis com as rendas declaradas e imaginadas por membros religiosos.

          Cabe a vocês decidir o que devem fazer, mas eu sei o que eu sou, não me deixo iludir por tais pseudo-messias que aparentam bons moços, mas que na verdade usurpam o nome de uma religião.
          Se Deus existesse, ele não deixaria que tais pronassem seu nome tão gratuitamente por dinheiro.

domingo, 18 de março de 2012

O livro de bolso (conto do blogueiro)



         Era tarde, uma daquelas tardes preguiçosas de verão em que as pessoas não têm muito que fazer... O sol iluminava com seu esplendor o alto do céu límpido, sem nuvens, sem fumaça, azul como deve ser.
        Domingo bonito aquele, com crianças brincando de amarelinha nas calçadas, os moleques jogando bola nos campinhos e as menininhas brincando de pega-pega, os velhos se divertiam no xadrez, truco ou algo parecido.

         Até mesmo a natureza parecia uma coisa feliz, pulsante, exalando nos bosques da praça um odor tão límpido, tão digno que até mesmo as flores não estavam acostumadas a produzir,  as macieiras, as mangueiras, todas davam xistosos frutos que os pequeninos sapecas corriam para subir em seus galhos para pegar o que comer.
          Aquilo nem parecia Brasília, com pessoas correndo rigorosamente sob o sol das duas da tarde, sob o frescor do domingo de vinte graus Celsius que era confortável com uma umidade daquelas, havia muito tempo que não se via isso em Brasília.

         Caminhando sozinho, sem ter muito que fazer, um violinista, daqueles que encontramos nas estações de trem tocando seus violinos estridentes por alguns trocados,  tocava uma música feliz naquele dia, uma de Dvorak, seu favorito. Todos ali acompanhavam com os olhos os passos daquele rapaz que andava de camisa branca e calça sarja,  um daqueles tipo comuns que se divertem com um pouco de música no ouvido.
        
          O rapaz, um jovem de vinte e poucos anos, já tinha uma barba proeminente, bem aparada, que ia da ponta de seus cabelos até o queixo, formando uma feição de poeta ou revolucionário; Seu cabelo castanho, desgrenhado já denunciava que fosse poeta, mas os seus olhos, meio tristes, e seu espectro calado já tinham revelado que fosse escritor. Na verdade era os três, músico, poeta e escritor. Um daqueles tipos solitários que se diverte ao trabalhar sozinho.
            Não que ele não gostasse de gente, mas na verdade a gente não gostava dele, afinal era poético demais para todo mundo e estranho demais às mulheres, que não gostavam muito de tipos fechados.

           Continuava a tocar sua sinfonia enquanto via calejar suas mãos, mas sequer se importava, a música era o que importava... Num dado momento, as pessoas se acostumaram àquela figura triste e não lançaram mais olhares a sua música. As crianças continuaram a correr, gritar e a brincar, os velhos retomaram a jogatina, os pais retomaram o seu churrasco de domingo e as mães começaram a fofocar.

        Num dado momento o músico afastou-se de todo mundo, sentou-se num banco e estranhou quando as pessoas o encararam quando ele parou de cantar... Sozinho, solitário, o músico calou seu violino, cansou a sua mão  e baixou sua cabeça, enquanto as crianças corriam ali.

         O músico não era uma pessoa má, feia ou pitoresca, mas era uma pessoa originalmente solitária, triste, melancólica e tentava esconder com indiferença os seus sentimentos... Sabia em prática ler e falar vários idiomas, viajara meio globo com um só centavo, e era uma pessoa respeitada no âmbito acadêmico, mas era triste, bem triste.

           Os passarinhos substituíram a canção estridente do violino e começaram a cantar a sua sinfonia natural enquanto o músico guardava seu violino numa capa.

            — Que dia estafante! — Disse enfadonhamente uma jovem moça que corria com seu cachorrinho Cocker Spaniel e cansadamente assentou-se no banco, ao lado do violinista.
            
             O jovem ficou calado, não tinha o que dizer sobre aquilo, mas queria dizer uma coisa, além que porque  queria conversar com alguém, mas não podia, não conseguia.

            A moça era bonita, uma daquelas raridades que encontramos nas tardes de Domingo, de cabelos longos, muito negros e cacheados, seios não muito fartos;  parecia ser carinhosa, tinha um jeito de moleca, embora fosse formosa,  era um tipo sapeca, sem prosa, sem melodia, ela cantava com a garganta uma sinfonia, uma canção de amor com muito fervor.

         Os olhos verde-esmeralda, do tipo de uma cigana ou de um lince, aparentavam delicadeza naquela jovem moça de pele esbranquiçada que tentava com dificuldade esconder-se do sol com uma sombrinha, aquela sombrinha de ipê-dourado.
           Trazia consigo um pequeno livro de bolso, um daqueles que encontramos nas rodoviárias, ou naqueles cestos giratórios de livraria em ponta de estoque... Era um pequeno livrinho de brochura acinzentado, com “Tchekhov” escrito em letras garrafais.
            O cachorrinho, o Cocker Spaniel era um tipo meio vagabundo, que se entrelaçava nas pernas da dona e latia aos que corriam na pista... Era pequenino para um cachorro de sua raça, tinha uma cabeça meio arredondada, orelhas grandes moles e caídas junto aos olhos, o cachorrinho ofegante, de tanto andar, mostrava sua língua ao relento abanando-a com preguiça, enquanto seus olhos arredondados, cor de amêndoa, olhavam o músico com curiosidade.

          O violinista fitou o cachorrinho com atenção, não só porque tinha medo de cachorros que ia desde a infância, mas parecia se comover com a simpatia daquele pequeno ser... Pois então o jovem tomou coragem e disse à dona:
         — Qual o nome dele? Do seu cachorrinho?
         A dona estranhou a primeira vez que o violinista pôs-se a falar, mas gostou da voz meio melosa, de narrador de radionovela antiga, e sorridente disse:
          — Volódia, o nome dele é Volódia.
          — Um nome russo, Volódia, é um belo nome, é o diminutivo de Vladimir.
          — É mesmo? Eu não sabia, um amigo meu me disse esse nome e eu gostei. Você gosta de cães?
          — Oh, sim, claro, eu tenho um beagle, chama-se Nikita — Mentiu.
          — Que interessante! Muito interessante, senhor...
          — Alexandre, Alexandre Dovstoi, mas pode me chamar de Alexandre.
          — Dovstoi? É estrangeiro?
          — Não, meu avô era russo, de Smolensk, veio pra cá depois da Segunda Guerra, fugido.
            A moça começou a fitá-lo melhor, percebeu mesmo que o rapaz, apesar de ser magro, diferentemente da sua ideia de eslavo, que devia ser uma coisa musculosa, não era feio, era uma figura simpática, que não fosse pelo nariz, totalmente caucasiano, ninguém apontaria que fosse russo em alguma coisa. Ela verdadeiramente gostou dele.
            — Eu pude notar que você gosta de tocar violino, você é músico?
            — Não, eu só sou amador mesmo, sempre quis ser violinista, mas nunca me foi permitido, eu sou escritor, um daqueles que calejam a mão junto ao teclado.
            — Escritor? Que interessante! E escreve o quê?
            — Poemas, contos, romances, até peças agora. Tudo que der eu escrevo, senhorita.
            — Para quê tanto formalismo? Pode me chamar de Lana, Lana Montenegro.
            — Muito prazer, Lana.
          Os dois continuaram a conversar naquela confortável tarde de domingo, um dia visivelmente mais confortável onde os amantes agora se conheciam, os velhos brigavam no truco e as crianças gritavam nas cantigas.
             — Eu notei que você estava lendo um livro, posso ver?
             — É um livro que eu comprei quando estava na rodoviária, um daqueles pocket books não muito caros, só pra passar o dia.
            A moça entregou-lhe às suas mãos o livro... Alexandre fitou a capa com atenção e logo concluiu:
            “A Dama do Cachorrinho, de Tchekhov, se eu fosse desconfiado, eu diria que isso não é uma mera coincidência”, pensou consigo.
               — A Dama do Cachorrinho, de Tchekhov, é um dos meus favoritos.
               — Você já leu?
               — Claro que sim, Tchekhov é um dos meus favoritos, se você gostou desse, você vai gostar de outro conto dele: “Por trás do barraco”.
                 E assim, Alexandre conheceu sua dama do cachorrinho, e os dois, com o pequeno Cocker Spaniel puseram-se a andar naquela tarde de domingo, onde as árvores tremulam, os sol irradia, as crianças brincam e os velhos roubam nos jogos. Era uma linda tarde de domingo.
               Naquele mesmo dia, o violinista comprou seu beagle e tratou de chamá-lo de Nikita, aquele tinha sido um bom domingo, e agora o músico só pensava em Lana.
                Assim termina a tarde, com os dois caminhando lado à lado, na rua, ao céu laranja, com o sol enfraquecendo sua luz, enquanto desciam por uma colina em direção ao parque abraçados como namorados.  Eis uma história de livro de bolso.

sábado, 17 de março de 2012

O que não é Idade Média (crítica a um amigo)




       Certa vez um amigo meu, um erudito com feições religiosas declarou:
"A Idade Média é um período de superação dos valores clássicos. A sociedade antropocêntrica, politeísta e com bases urbanas é subistituída (erro dele) por um mundo teocêntrico, monoteísta e com estrutura fortemente agrária. As imagens abaixos são documentos históricos que comprovam essa realidade. O feudalismo é o sistema em que encaixa-se com essas novas propriedades e que foi fomentado (outro erro dele) pelos ataques bárbaros, que forçaram o abandono das cidades e o êxodo ao campo e assim sua devida proteção (Castelo-nobres), seu devido sustento material (servos) e sua identidade na fé (Igreja)."

             


       Isso é uma discussão téorica, mas pode ser relevante para superar o senso comum de  algumas pessoas que se interessem ou não por História.


      Primeiramente, a expressão: "A Idade Média é um período de superação dos valores clássicos" é problemática, afinal de contas não é isso que observamos se enxergamos com atenção o período, a Idade Média representa em si uma transformação da sociedade romana (carregada de helenismo) em uma sociedade mista com elementos ditos "bárbaros" germânicos (isso na Europa Ocidental, obviamente), na qual alguns conceitos clássicos perduraram, tanto na Filosofia como as ideias de Platão que passaram invitavelmente para Santo Agostinho, como por valores, no qual a sociedade feudal ficou embasada na Família, tal como na sociedade romana.


       Sim, a família, a linhagem é um  elemento importante que configura o medievo, mas ela remonta desde o período Imperial, na qual o conjunto de valores (que recebeu algumas modificações, mas perduraram muitos valores e conceitos clássicos) realizava a liga social nessa sociedade. O que assistiu na Idade Média não foi uma mudança radical da sociedade e de seus valores, mas um adequamento para serem associados aos preceitos religiosos vigorantes na época. A Idade Média representou em larga medida, embora com exceções, uma continuação da sociedade romana, tomando para si também elementos "bárbaros".

"A sociedade antropocêntrica, politeísta e com bases urbanas é subistituída (erro dele) por um mundo teocêntrico, monoteísta e com estrutura fortemente agrária" 


        Primeiramente, eu não vejo problema em ver a sociedade dita clássica como politeísta, mas tenho problema em ver a Medieval exclusivamente como monoteísta, pois querendo ou não, houveram em todos os cantos da Europa, principalmente na Europa Central, Oriental e mesmo na Escandinávia, cultos a vários deuses conciliando com uma religião monoteísta como o cristianismo (na Rússia isso era palpável do século VIII ao X, onde elementos ditos "pagãos" conviviam com elementos cristãos). 


        Quanto a visão filosófica teocêntrica no período do Medievo, eu não vejo grandes problemas, nem mesmo quanto a visão antropocêntrica na sociedade dita clássica, vejo problema nesse conceito, pois ele não engloba por exemplo Constantinopla, que diferentemente de outras feições religiosas, tinha ainda em efervecencia ideias helênicas, como a valorização também do homem, no mesmo período.


         Vejo ainda problema em se acreditar que a sociedade por exemplo romana, era basicamente urbana, não é esse o caso, Roma também era uma sociedade agrária que dependia em larga medida da produção agrícola do trigo africano, do azeite e do vinho. As ideias quanto a produção agrária, servidão, coisas afins, surgiram na parte final do Império, não foi basicamente uma mudança tão significativa assim, até mesmo porque se observarmos atentamente, por volta do século III assiste-se já um movimento migratório dos cidadãos para fora das cidades. 


       Houve sim uma mudança, acabou-se com o poder das pólis e agora assiste-se uma sociedade baseada nas terras, mas isso não é exclusivo da Idade Média.
      

 
       "O feudalismo é o sistema em que encaixa-se com essas novas propriedades e que foi formentado pelos ataques bárbaros, que forçaram o abandono das cidades e o êxodo ao campo e assim sua devida proteção (Castelo-nobres), seu devido sustento material (servos) e sua identidade na fé (Igreja).", não há grandes problemas quanto a essa frase, a não ser o fato de que isso não seja exclusivamente por causa dos ataques bárbaros... Houve também uma pressão por parte dos escravos, e mais ainda pela religião e pelos povos germânicos no Império para que a escravidão fosse deixada de lado, além do fato de que escravos estavam ficando cada vez mais escassos e caros, generalizar que o feudalismo foi formentado exclusivamente pelos ataques bárbaros é muito forte.

        Eu pessoalmente acredito que a Idade Média, antes de mais nada, uma abstração dos historiadores da Escola Francesa em separar a História por Eras, deve ser encarada como o período de adequação da antiga sociedade romana (já em decadência), com elementos bárbaros combinando em seu poder agora não mais só um rei, mas a Religião, representada pela a Igreja (seja católica ou ortodoxa), e pela nobreza e pelo Governo (não podemos usar a palavra rei, porque surgiram Repúblicas Cristãs nessa época, como a de Veneza e a de Novgorod).

        Isso não se aplica à interpretação de meu amigo, mas a outros historiadores e pseudohistoriadores... Onde ocorre a Idade Média?

        Excusado será dizer que deve ser na Europa? Mas e o Oriente Médio? Ele não assistiu a si uma Idade Média, embora tenha sido um pouco menos acentuada?

       Pois então, alguns dirão então que a Idade Média engloba toda a Humanidade. Mas aí estão errados, os indíos brasileiros não passaram por isso, e para contrastar mais ainda, no Oriente, a China vivenciava o auge de sua civilização.

       Agora outra pergunta: Quando começa a Idade Média?

       Costumeiramente pela escola francesa, foi em 476 quando Roma caiu... Mas pera aí, pois então agora, a Rússia, que não tem muito a ver com Roma não teve uma Idade Média? Primeiramente porque não havia in facto povos que tenham estabelecido reinos na Rússia dentre os eslavos nessa época, segundo, porque essa abstração descarta por exemplo que reinos já formados, como por exemplo dos saxões, suevos e afins, formem a Idade Média.

      Segundo, Idade Média significa uma descentralização política? Se for esse o caso, então o nascimento de Rus', estado embrião do que um dia viraria  a Rússia não enquadraria nisso, quão menos o Império Khazar, e Carlos Magno?

      Não, não é isso, mas o inverso também não é verdade, também se assiste na Idade Média a fragilidade de alguns estados ante ao poder dos chefes locais, tal como na França, ou mesmo Inglaterra.

      Idade Média acaba quando se forma as primeiras nações unificadas? Se for o caso, Portugal deixou de ser medieval em 1184 quando se formou como nação com Henrique de Borgonha, e Afonso Henriques.


      Idade Média é o fim das relações comerciais? Mas e a Rota da Seda que nesse período estava em plena atividade, o enriquecimento de Bizâncio e a capacidade comercial das Repúblicas Italianas e da Dalmácia. 


      Idade Média é Cruzadas? Ora, então países como a Escandinávia e da Europa Central não vivenciaram isso, além do mais, é esquecido que na verdade houveram dois locais para as Cruzadas: 
  •       No Oriente Médio, obviamente, na luta contra os Muçulmanos por Jerusalém. 
  •       No Nordeste da Europa, nas estepes da Rússia, quando os Teutônicos desejaram acabar com a fé ortodoxa na Rússia e ainda expandir os seus territórios. 
  •       Ainda teve a Reconquista, embora não seja muito bem vista como Cruzadas.
       Idade Média é o período anterior ao nascimento da burguesia? Mas o comércio e os comerciantes são de antes desse período e permaneceram por toda a sua duração.


       Idade Média é servidão? Se for assim, ela só vai acabar em algumas partes do mundo, como na França, com a Revolução Francesa, e na Rússia só no século XIX!


       Quando acaba a Idade Média?
       Responda: Sob que critério?
  
       Se for pelo tradicional, da escola francesa tradicional, com a Queda de Constantinopla.
       

        Se for pela formação dos Estados Nacionais, então no século XII, com Portugal.
  
       Se for com a mudança do pensamento exclusivamente religioso, então no século XIII com as primeiras propostas do Renascimento Italiano.

       Se for pelo fim da Servidão, então século XIX com a Rússia.

       Se for pelo fim da concorrência dos poderes entre a Igreja, Nobres e o Rei, isso só irá acabar na Modernidade (Quem leu os Três Mosqueteiros sabe do que estou falando).



       Se for o fim do poder da Igreja, da família ante ao Estado, então a Idade Média não acabou.

       Se for pelo fim do isolamento das populações locais, então a Idade Média acabou no século XIII quando os Mongóis começaram a invadir a Europa.

       Viu como é complicado generalizar Idade Média para tudo que é canto! Idade Média até pode ser usada como pârametro para cada local, mas não para o conjunto, e a pessoa deve estar certa de que pârametro define o que é Medieval.

       Vejamos o Caso da Rússia:

        1) Se for por início de centralização política: a Rússia assiste uma centralização política no século VIII que acabou desagregando com rixas internas, que dividiu todos os territórios do que seria a Rússia Ocidental, em pequenos principados, o que facilitou a invasão mongol no século XIII, mas assistiu um processo de unificação com Ivan, o Terrível, no século XVI, que se concretizou de forma mais harmônica com os Romanov, por volta de 1600 e alguma coisa.

        2) Se for separação de nobres, Igreja e Estado, isso nunca sequer ocorreu senão quando a enclodiu as duas Revoluções Russas.

        3) Se for pelo fim da competição de poderes entre o Estado, Igreja e Nobreza, isso tentou ser adquirido por Ivan, o Terrível, que terrrivelmente falhou, mas que começou a ser mostrado de forma mais palpável, quando Pedro, o Grande, começou a negociar com esses setores, na virada do século XVII.

         4) Se foi o fim da servidão, então isso acaba no século XIX com o decreto de Alexandre II que revoga a servidão na Rússia.

         5) Se é o aparecimento da Burguesia, os Strogonov, uma  das famílias boiardas mais influentes da Rússia, ensaiaram o comércio no tempo de Ivan, o Terrível.

         6) Se é uma burguesia verdadeiramente ascendente, isso surge no final do século XIX.



           Viram como é preciso ter parâmetros específicos! Não à toa que os Historiadores russos hoje se debatem tentado lutar tanto contra a escola soviética sobre Idade Média, como também a escola francesa, do tempo czarista, que acredita que na Rússia teve uma Idade Média como no Ocidente.  Alguns até consideram que na Rússia não houve Idade Média, mas outra coisa (como também a Rússia não vivenciou o período da Antiguidade).

          Aplicar os conceitos franceses das Eras (Antiga, Medieval, Moderna, Contemporânea), é complicado por causa disso, porque eles não são aplicáveis a outras partes do Mundo se não a Europa (até na Europa apresenta problemas), e os conceitos que definem o que é Idade Média não são universais nas mesmas épocas nos mais diferentes locais do Mundo.

          Idade Média no final é só um tipo-ideal que usamos há bastante tempo para resumir um período totalmente eurocêntrico da História e da Historiografia , que no final das contas causa mais problemas do que soluções.

Aço incandescente II

         Esperanças e medos          "Todas as vezes que penso na grandeza desses dias, penso em Maiakovsky:                 'C...