segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Notas do caderninho preto

Poesia

Acho que perdi a esperança
De dias mais felizes
Acho que perdi a graça
E o bom humor

Perdi o seu carinho
Que se rompeu
Como corda de violino

Prefiro não pensar nisso
Não por o meu ouvido
E ouvir o meu coração
Bater por você

Dia a dia me sinto
Cada vez mais aflito
E em conflito
Devo amá-la ou esquecê-la?

Não posso esquecê-la
Não posso apagar tudo que passou
Na verdade nem quero

Não consigo pensar na ideia
De passar reto por você
Mas faço ainda assim de vergonha

Vergonha do que eu sinto
Vergonha do meu rosto
e do meu corpo

Naquele dia, naquela tarde
Eu disse que  te amava
Você sorriu
Seu sorriso é uma arte

Te amo em linhas tortas
E não crio falsa expectativas
sobre você. Eu te amo

Queria seguir nossos destinos
Que eles se interligassem
E eu pudesse ver os seus sorrisos

Seus sorrisos que alegram
os meus dias difíceis
E arrancam meus suspiros

Não mais

Ah, querida! Como gosto de você.



Prosa


      Não sei o que acontece comigo, minha querida, não há formula para conter tudo isso: Tristeza e desolação.

       Não sei se você me entende, se você sente. Na verdade espero que não, não quero que sofra, mesmo que sem querer você seja a minha femme fatale, a única criatura que consegue me desarmar sem qualquer remoço de minha envergadura.

        O que posso fazer?

         Os dias passam e eu sofro solitário, meio calado,  sem poder traduzir tudo isso em palavras. Tento me isolar e fico assim, difícil de entender. Não quero que me toquem, que me cumprimentem. Quero viver sozinho nessa ilha de agonia.  Acho que o meu destino é esse.

       Não, você não me entende.  Melhor assim, eu não sou fácil mesmo e você também não, por isso eu vejo graça nisso tudo, porque não somos fáceis de se compreender. Na verdade, eu não quero ser compreendido, não quero que me analisem e digam o que estou pensando e acho que talvez seja isso o que talvez você queria ter me dito também.

         Enfim, às vezes me pergunto se outras pessoas sentem tudo isso o que eu digo e sofram dessa maneira absurda, sem dor, mas ainda assim torturante. A resposta é quase automática: "Sim, as pessoas também sofrem". O ser humano é um ser naturalmente triste.

      Bem, meu pequeno caderninho, obrigado por sua atenção, eu precisava desabafar um pouco. Sei que falo as mesmas coisas e que estou começando a ficar chato, mas meu caro caderninho, você é o meu último companheiro nessa noite escura que ainda me ouve.

     Adeus, meu bom amigo e muito obrigado. Ela nunca lerá isso.

PS: Nem falei dos olhos dela, tão escuros e tão marcantes que entram na alma e me dão segurança, ou do modo que ela fala, de maneira descompromissada e divertida, que me seduziu a cada palavra com seu jeito  simples, mas digno de atenção. É definitivo, acho que não tem cura, meu caro caderninho.

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