sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Meditação soturna

         Sinto o vento úmido entrar nas minhas narinas, bem devagar, sem muita pressa, a corrente de ar gelada bate nos ombros e gela a minha espinha, mesmo estando de jaqueta eu sinto um notável desconforto com tudo aquilo.

          Estou parado, imóvel, olhando para frente, sempre para frente, mas meus olhos estão desfocados, não olham para o futuro, mas também não olham para o passado.  Estão abertos, somente abertos.

           Sentado nesse banquinho de madeira, isolado dos demais, vejo as pessoas passarem, mas não sinto nenhuma vontade de conversar com elas, na verdade nem quero mesmo vê-las. Prefiro ficar assim, desse jeito. Tenho vontade de ficar calado.

            Na verdade, eu não tenho, mas acredito que seria melhor se eu ficasse. Não falar tudo aquilo que vem a minha, cabeça, ou fitá-la de um jeito apaixonado como eu fazia. Não, é melhor não pensar nisso, não pensar em nós, se bem que o pronome "nós" nunca existiu.

          O dia segue nublado, eu prefiro que fique assim, o céu exprime tudo o que eu sinto, de alguma forma, tudo é tão nebuloso, tão turvo que tenho medo de que irrompa dos meus olhos qualquer pranto no meu rosto. Não quero alimentar a terra com as minhas lágrimas salgadas, assim como não quero alimentar o ar com minhas palavras amargas.

        Queria ouvi-la falar mais uma vez, sinceramente, que você conversasse comigo, mas temo que não seja possível. Não vejo tal vontade de sua parte. Estou meio depressivo esses dias, não tenho mais resposta, estou bastante desiludido depois de ter tanto tentado e acabando por falhar. Acho que você talvez me ame, mas eu sou tão complicado que você nutra esse sentimento confuso que ando sentindo.

        Você não sabe o quanto é triste ficar aqui, nesse banquinho calado vendo as pessoas passarem, olhando  para alguns cartazes num mural de festas que provavelmente eu nunca iria, passadas há muitas semanas. Olho para a frente, mas não olho para o futuro. Eu me levanto, mas os meus pés não andam para frente, ando solitário dando as costas para você.

        O que ando fazendo eu realmente não sei, e duvido que você entenda tudo o que eu disse. Eu realmente  sou complicado, sou essa estátua enigmática de um cavaleiro que sente tudo calado, sem demonstrar nos olhos ou nos lábios. Não sei o que fazer.

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