sábado, 13 de julho de 2013

Como deixar de ser feliz em três das (Tratado sobre a infelicidade)

        Victor Hugo dizia que é possível privar o homem de todas as pobrezas, mas não de suas tristezas. Hoje em termos contemporâneos isso parece ser mais verdade do que imaginamos, de maneira que se é possível ser rico, bem sucedido, ter todas as glórias possíveis em uma vida, mas mesmo assim não ter a devida felicidade, enquanto se é possível ser feliz com poucas coisas. Esse estudo é justamente uma tentativa de se compreender a arte de ser triste.


       1. A arte de cometer erros


       Às mentes mais leigas é  conveniente pensar que o exercício da infelicidade é uma coisa fácil, de fato, sem muito esforço prático é possível desfrutar desse subproduto de amargura que acaba se amalgamando à alma após um longo e elaborado exercício de erros demonstrados pelos matizes da culpa, timidez e ostracismo.

       Convém então estudar os erros que nós cometemos para compreender melhor as virtudes de nossa infelicidade e observar os equívocos de outros, tendo em vista que a infelicidade é um fator social.

        Primeiramente, parece ser consenso que para todo o início de qualquer relação inter-pessoal (refiro-me a relacionamentos de cunho amoroso) é preciso que aja uma afinidade, de maneira que qualquer mostra de afeto é valiosa, se não houver nenhuma dessas coisas, eis aí um primeiro erro.

        Não é conveniente se envolver com uma pessoa pela qual não se tem amor ou qualquer estirpe de sentimento sincero, afinal de contas não é a lógica que rege tais assuntos (quão menos um exercício da "ética" darwinista de selecionar a melhor companhia). O Exercício dogmático do amor estrangula a própria essência desse sentimento, tal como um nó de gravata.

        O relacionamento motivado por funções financeiras sequer deve ser mencionado como um relacionamento, pois se tomarmos resquícios de Locke por exemplo, configura-se uma modalidade de contrato social, diferente é claro entre o indivíduo e o Estado, mas uma relação de superioridade de um indivíduo por outro. De maneira que tal interação é danosa e autodestrutiva, pois ambas as partes tenderam ao papel de exploração e desgaste.

       Não existe felicidade sincera em ambos os casos.

       O segundo erro possível de acontecer (e não menos danoso) é o erro de se apaixonar pela pessoa errada. Nesse tópico até eu tenho uma experiência deveras expressiva, de maneira que tal equívoco tende a ser dificilmente identificado, já que imbuídos de licor passionatis, tende-se ao ensaio sobre a cegueira do qual não temos muito controle.

       A única maneira que se revelou verdadeiramente eficaz ao combate dessa mazela é o total realismo nas relações amorosas, o pragmatismo é sempre desvencilhado das paixões, mas é conveniente que se tenha plena consciência de que existem motivos para que a pessoa escolhida possa não ser necessariamente a mais indicada. Se julgando as variáveis  e contabilizando bem as possibilidades de afinidade, ainda pode-se estar errado.

       O terceiro erro mais comum é não saber o que é amor. Amor não é uma simples afinidade química traduzida em termos biológicos, essa explicação cientificista das coisas, como eu disse, não explica a totalidade do que vem ser o amor. Amor sequer é um conceito que pode ser explicado em termos gramáticos, o amor é algo que foi feito para ser sentido, algo que acontece e que você não sabe o que falar. É quando você treme ao falar com a sua amada  (ou amado, pluralidade de ideias sempre), gagueja, quer vê-la todos os dias. "É quando o seu coração bate mais forte e você não se importa".

       Não é porque a pessoa é rica ou pobre, ou porque você acha ela bonita ou não que você se apaixona. É apenas aquilo que você sente que acha que nenhuma pessoa pode sentir, isso é amor.

       Um verdadeiro romântico sabe de todos esses parâmetros e ainda assim comete erros. Mesmo rejeitando para si a vulgaridade, o pensamento cientificista, ele está fadado a ser triste por idealizar demais a pessoa amada.


    2. Exercício da timidez


       Dizem que é terrivelmente sedutora a timidez, em alguns caso sim, mas para um romântico, constitui um dos erros mais carros na vida amorosa.

       Tenho para mim a teoria que todos nós, desde quando nascemos, não tendemos a timidez. Não temos vergonha em nos esgoelar quando sentimos fome, de chorar quando estamos tristes e de falarmos besteiras. O fator da timidez se constrói nos primeiros anos da escola para cá

       O convívio social molda-nos a tomar tais medidas, desde a depressão que sentimos quando alguns de nossos colegas maldosos trazem traumas a nossas vidas, até mesmo à falta de paciência com que alguns dos nossos educadores têm para conosco. Esses são fatores que nos levam a timidez.

       Mais e mais temos medo de estarmos errados, pois no convívio social "estar errado" é uma coisa disforme e suja, tal como o chorume que putrefa sobre o ar livre. Nessa altura adquirimos o medo de falar em público.

      Quando temos medo de falar, perdemos justamente uma das nossas melhores qualidades: a fala. Não obstante, a oratória e a retórica são as melhores artes e conhecimentos que a humanidade pôde construir, de maneira que não precisamos  ter amplo conhecimento se  queremos nos expressar. Podemos estar errados, mas ainda assim poderemos convencer os outros, e não há maior felicidade do que isso.

       O maior saber da Humanidade é a Fala, pois dela conseguimos repassar nossas ideias para outras pessoas. Quando temos problemas com a fala, acabamos por ceifar um leque de possibilidades, no amor, é um veneno nefasto não saber falar. Quando temos medo de falar tudo o que sentimos não nos apercebemos de quão constrangedor é cada minuto de silêncio. É por isso que avalio como danoso o exercício da timidez.



         3. O antro da Mentira

         Sim, escusado será dizer que existem várias definições e concepções de verdade; Mas mentira se construiu como a não-verdade. A não-verdade pode ser útil no início, um fertilizante para o terreno do relacionamento, mas cresce de tal forma que no fim acaba se tornando uma erva-daninha.

         Não digo que devemos ser castos e nunca mentirmos na vida, mas deve-se ter consciência que nenhuma não-verdade é promissora ao longo prazo ao amor, quando a pessoa amada descobre essa sua falha, dificilmente terás a oportunidade de remediá-la.

         O antro da Mentira é o mais nefasto antro da corrupção e por isso avalio-o como catalizador de todas as infelicidades.


         4. Cisterna da culpa

         A culpa é uma dor surda que nos ataca quando menos esperamos, é crônica e recorrente. É quando percebemos que agimos de forma equivocada e que não poderemos de maneira alguma recuperar-nos de nosso próprio erros. É pior nos homens que nas mulheres, acredito, pois dilacera para sempre a vida do indivíduo.

         Sob o aspecto amoroso, a culpa pode vir de dois meios: Pelo que foi feito ou pelo que não foi feito.

        A culpa pelo que foi feito é mais anunciável ao curto prazo; Nós temos vergonha do que dizemos à noite anterior, do que fizemos outro dia e essa vergonha tão implacável tira-nos a cor dos olhos e da alma.

        Pior que isso é lembrar-no-mos do que não não fizemos, seja uma palavra que poderia ter sido dita, um gesto amoroso que poderia ter sido feito, ou uma falta de coragem de ter agido como deveria. Essa culpa não é imediata, mas é crônica; Demora a aparecer, mas quando aparece é tão mais intensa  e tão constante que perturba-nos a cada passo.

       
          ....

          Esses pilares, acredito eu  fundamentam boa parte das infelicidades, afinal a maior parte delas é relacionada ao amor. Não creio ter sido claro em como se pode deixar se infeliz em três dias, mas sigam nessa trilha de erros que certamente se chegará lá.

         A vida proporciona vivências que não devem ser desconsideradas, mas acredito que boa parte dessas infelicidades é tratável se deixarmos de pensar em nosso antro de infelicidade e após dias matutando, sairmos das sombras para mais um dia. Esquecer dos erros que cometemos, tomar coragem para agir da forma que queremos e lembrar-nos de evitar equívocos de interpretação. Assim acredito que a infelicidade passará, ou eu posso estar errado também. (Já aceitei que a vida é uma merda mesmo, mas que não existe coisa melhor que ela não)

Vida das cerejeiras

     No jardim de crisântemos e palavras
     Durante a floração das cerejeiras
     As montanhas de rimas criadas
     Correm o rio das cachoeiras

     Uma jovem moça
     De vestido sedoso e fava de mel
     Desce vigorosa
    Na literatura de cordel

     Favas da vida
     Jovem donzela
     Durante instantes
     Cata flores

      Flores de cerejeira
      Tão roseadas e delicadas
     De aspecto tão açucarado
     Tal como devem ser

      Todo dia caem as folhas
      Lembrando de como
      Rejuvenesce o querubim

      Tenha certeza
      Que na calidade dessa vida
      Crescem as grandes cerejas
      Doces e adocicadas
   
      Cada cerejeira que cresce
      Um novo amor aparece
      Essa é a vida das cerejeiras

Noites

     Noites, terríveis noites
     que são tão frias
     que gelam a alma
   
      Estrelas límpidas e taciturnas
      Olham dengosas as elegias
      Com um pouco de orgulho
      E desprezo

      Cobiça-me com orgulho
      A distante Lua
      Tão calma
      debaixo das odes noturnas

      Sinto o vento que me atravessa
      A canção travessa
      O frio urde meu leito
      Sem grande acalento

      Tudo que passa é o seco e ardente
      Frio, somente frio
      Que eu durma de olhos rasos de lágrimas
      E que você me abrace misericordiosa noite

     

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Notas do dia 3/07

       Dizem que apenas os olhos podem ser lidos e que as flores podem ser sentidas. Novos matizes se desenrolam pela singularidades da própria situação que conto.

       Contam-me que o sabor dos versos não encontrará  o calor dos seus lábios, e o meu amor desaparece nessa chama tímida que se apaga nesse redomoinho de palavras.

        Hoje a pena da minha caneta chora vagarosos prantos de tinta por não sentir  mais o modo descuidado e totalmente desengonçado que você escrevia na ponta do papel. Deve ter achado engraçado o modo como  você escrevia ao contrário de maneira tão incerta  que parecia até um   pouco bonito.    Meu amor é tão frágil quanto essa ponta de irídio que no mais sofrido ilídio do palco principal dessa ciranda finge brincar com você. Por quê?

        Sinta-se acariciada pela delicadeza de minhas palavras  porque elas são mesmo para você.

Olisipo

Cidade do orgulho lusitano
De cuja pela maresia
Adentra no coração mundano
Da mais concreta sofrasia

Ah, o Paço! No caminho
para a Torre de Belem
Digo ao vento do Minho
O grito de Santarém

Saudades do Tejo
Tristezas do fado
Canto do gorjeio
Do destino selado

Nas curvas do meirinho
Nas liras de Camões
E prosas de Fernando Pessoa
São tudo lágrimas de Portugal

No meio desse gole de vinho
De palpitar mil corações
Um belo espírito ressoa
De clamor fraternal

Olisipo

A gentil moça dos lábios de mel

      De cabeça baixa numa posição tão inocente e pueril, ela descansa ao meu lado, não tinha nenhum papo que nos conectasse, nenhuma voz que nos trouxesse contato; mesmo assim sinto algo por essa pequena criatura tão singela aqui do meu lado. Ela está dormindo, será cansaço? Talvez.

      Tão bem aquecida envolta num justo colete verde-musgo, tão bem ornamentado de maneira graciosa com o tom xadrez de sua camisa, que até ouço bater um pequeno coraçãozinho tão rápido e tão vigorosamente nesse frio troglodita que faz hoje. Hoje está tão frio quanto os seus olhos, os mesmos olhos que assustam quando surgem da noite.

      Tão pequena e tão delicada! Nessas horas ela parece tão amável! Singela e meiga também, que me culpo por não poder falar com ela sobre coisas que concernem o coração. Será um medo? Com certeza que sim, tenho medo daqueles olhos verdes frios e do que pode vir a seguir de palavras desengonçadas e desencontradas de uma moça que é bombardeada pelo choque de tal revelação.

       Verdade seja dita, ela continua imóvel do meu lado. De cabeça baixa e olhos pesados, nem parece se importar com as minhas próprias dúvidas; Esses olhos glaucos que irrompiam coragem sobre  Telêmaco não têm o mesmo efeito sobre mim, sempre tenho a impressão que sua beleza conduziria uma legião de homens a se digladiar nessa nova Tróia que se chama Brasília. Assim eu vejo e pensando agora, acho que estou ficando cego.

       Cego de amor? Não sei dizer, afinal, confesso que o papo que tivemos não foi tão estimulante quanto eu esperava e eu continuo tendo medo de você, um medo sedutor que faz bater o meu coração mais rápido. É perigoso, eu sei que é perigoso pensar em você, mas é divertido ainda mais pensar que quando você acordar, terei que esconder tudo isso. Esconderei e ainda negarei ter pensado em você. Quando eu acordar, ficarei com raiva de ter dormido sem querer.

        Queria dizer hoje que eu te amo, mas tenho medo de sentir dor mais uma vez. Dia novo, vida nova. Fecham-se os versos e os amores, acabou o tempo do amor sincero. Você acordou e saiu com outro homem.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Nunca se esqueçam

     Nunca se esqueçam do que vocês fizeram, do modo como foram corajosos e enfrentaram a cavalaria e a tropa de choque; Nunca se esqueçam que foram nós que nos levantamos e gritamos pelo fim dessa podridão, que marchamos lado a lado e sobre todos os olhares gritamos contra a mais dura das repressões. Não se esqueçam jamais.

     Fomos nós, fomos nós que marchamos enquanto rolava a bola e enfrentamos a cavalaria e as bombas de gás lacrimogênio, que gritamos para não haver violência e mesmo assim fomos tratados como bandidos. Estávamos certos, eles nem tanto. Lembrem-se bem de quem mandou a ordem, de quem disse que deveriam nos bater, assim como vocês decoraram os nomes dos fardados que bateram sem escrúpulos nos que tombaram diante a violência.

    Nada disso pode ser esquecido, não podemos esquecer nada disso. Tomamos voz, sentamos o pé onde deveríamos. Hoje você foram vitoriosos, fizeram uma coisa que eu mesmo queria ter feito, subiram a rampa do Congresso declarando a plena voz que nós tínhamos voz e queríamos ser ouvidos. Isso é democracia, nem Avelar, Dilma ou Agnelo podem nos calar agora, somos fortes e vivemos outra vez.

     Somos amigos do mundo, todos nos olham e veem como nos levantamos, só não podemos ser notícia de final de domingo, não são só vinte centavos assim como não é só um estádio: é um conjunto todo. Sinto-me mais feliz agora ao ouvir que a política finalmente voltou aos lábios do povo que a articula com vozes tão diferentes e com pensamentos tão concisos que eu duvido agora que ele tivesse adormecido de verdade.


    Sim, eu estou sendo utópico um pouco. E sou. Acredito agora em vocês que subiram a rampa do Congresso, como tanto queria ter feito, e os invejo um pouco. Estive lado a lado quando andamos até estádio e protestamos, senti a dor que os nossos sentiram quando jogaram o gás lacrimogênio na gente e a cavalaria rompeu com toda a sua fúria, mas hoje eu só lhes peço: Não esqueçam. Não se esqueçam jamais. Em vocês deposito minhas esperanças, e eu também, porque seguimos lado a lado nos nossos protestos até que nossos pés acabem por si. Nunca esqueceremos.

sábado, 15 de junho de 2013

Protesto sobre o expurgo de nossos sonhos

      O que eu vi hoje foi a supra mostra da capacidade com que o ser humano pode esboçar brutalidade aos seus  semelhantes, nunca duvidei de sua capacidade, mas isso se tornou cada vez mais real. De um simples protesto pacífico converteu-se numa luta, numa batalha campal, pior, num massacre obliterado da maior grosseria contra aquilo que sou mais caro, a liberdade de expressão.

     Vi policiais batendo em manifestantes com cassetetes de madeiras, vi com meus próprios olhos jogarem torrentes de gás lacrimogênio contra nós, simples manifestantes, não se importando com o fato de haver crianças ou não. Dispararam contra a cabeça de alguns, enquanto um helicoptero carregava o cenário hostil circundando o terreno com um franco atirador armado contra nós... Nunca vi tamanha selvageria.

    Aquilo era uma guerra, uma guerra desnecessária: Acabaram por agredir nossos direitos, nossos direitos de fala e nunca perdoarei eles por isso. Nunca. Não era necessário, mas fizeram. Estupraram as nossas ideias, prenderam nossos ideias e cuspiram no nosso rosto enquanto nos batiam sem dó. Pedimos por nada menos que paz, nada de violência, e tudo que houve foi violência. A cavalaria atropelou pessoas, prisões e mais prisões... Vadios, simplesmente assim nos chamaram.

   Perverteram nossas ideias, compraram os jornais, disseram que estávamos errados. Simplesmente nos culparam por um crime deles, nos culparam por queremos falar. Nos culparam por sermos críticos e nos culparam por sermos humanos. Se esconderam no alto de suas fardas, foi isso que eu  vi; no alto de suas dragonas, nos ameaçaram com veículos blindados e com armas tão psicológicas que ainda estão na minha memória.

   Isso tudo para servir de interesse a outros... A turistas de uma Copa fadada a fracasso, fadada ao fracasso não porque não tenham terminado os estádios (eles terminaram, há um alto custo), fadada ao fracasso por não valorizar nós, por nos recusar a cidadania. Eles tratam com desprezo seus cidadãos e enchem de mimos aqueles que só vem para cá em uma temporada. Resultou numa vitória no futebol, mas uma derrota para a democracia.

    Estou em choque por ter na minha mente as imagens da selvageria, estou em choque por dizerem que isso é democracia. Por dizerem que temos ampla liberdade de locomoção, mas nos privar logo desse direito. Violam nossos direitos, ordenam que façamos coisas que não queremos, que não votamos (não consultaram a nós quanto ao fato se queríamos a biometria ou não, ou se queríamos a Copa). Violaram os meus direitos.

    Sim, me disseram que nada mais vale agora, que tudo já foi feito e que não adianta remediar o mal já feito. Se não adianta, tudo que sobrará é a morte do paciente, o paciente povo brasileiro. Não confio mais no governo, não confio em Partidos, e a partir de hoje, não confio na Humanidade... Aquilo foi um prenúncio da morte, se não foi do governo foi do nosso povo, o mesmo povo que insultou-nos quando seguíamos em fileiras. O mesmo povo que falou que não servíamos para nada e que estávamos errados.

    Eu desisti de pensar por essa gente, não por elitismo, mas por cansaço. Cansei-me de querer ajudar o futuro das pessoas, e cansei-me de me sentir tão desconfortável com a artificialidade dessa cidade. Agora eu quero me livrar desses entraves e talvez viver tão sobriamente quanto um presidente de uma banda oriental nas águas do Prata.

   Desilusão. Permitam-me dizer que encontrei pessoas boas nessa vida, encontrei pessoas honestas e caridosas. Um repórter que me deu um pouco de vinagre para enfrentar o lacrimogênio, um desconhecido que me ofereceu água quando estava com sede. Uma amizade que acabou nos livrando de graves apuros. E sim, eu vi também beleza nesse movimento, uma certa moça de colete que protestava de maneira tão discreta e elegante.

   Brasília é odiosa, essa cidade me  enoja. Enoja-me mais do que isso é o fato de desconsiderarem a caridade que eu vi em todas essas três horas no mais intenso sol infernal, e nos insultarem por estarmos sendo pacíficos. Pacificidade agora é coisa errônea, não se pode mais lutar por seus direitos. A vanguarda sempre apanha, mas hoje eu vi que toda uma legião de pessoas desconfortáveis com esse tipo de vida foi insultada pelos comentários infelizes dos mais diferentes demagogos. Não há democracia aqui e tudo o que eu vejo é uma ditadura se formando...

    Queria terminar dizendo que tudo vai melhorar, mas não tenho mais tanta certeza. Espero que aqueles que lerem o que eu escrevi saibam que tudo que faço e agi é com as melhores intenções e sempre estive disposto a fazer sacrifícios, assim como acredito que muitos dos que conheci também estavam com as mesmas intenções. 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Conto de uma noite em casa

        Dizem-me que a noite é a mais fria das irmãs, a mais cega das amantes e a mais deliciosa das paixões. Dizem-me que ela esconde nossos erros e apaga nossos pecados; A noite projeta amores passados em suas sombras no dia a dia enquanto se estende um corpo cansado.

      Dizem que na noite se encontram os maus espíritos, mas nada me apavora com a luz dessa cidade. Não tenho medo da noite, somos dois amantes perdidos sem rumo na escuridão tênue da luz das estrelas. Nela procuro ouvir bem atentamente com os meus ouvidos, embora o esquerdo esteja meio fraco, posso ouvir bater o modo como o vento bate na janela. Não sinto medo.

   Não sinto medo dos arrepios da noite que assustariam uma criança pequena, não sinto medo do frio que toma o meu corpo, não sinto medo de enfrentar os perigos sozinho de novo. Meu corpo pálido se projeta na escuridão, sem camisa e sem muitos músculos também, prossegue humilde pelos cômodos da casa enfrentando o frio.

    Deu-me vontade de fazer um chá ou voltar ao aconchego da minha cama, mas lembro-me bem que não  há nada mais quente do que remover memórias do passado. Sento-me junto à janela, tento imaginar alguma coisa, mas não me vem nada. Sento-me de cócoras no chão e deixo o frio da cerâmica tomar-me por completo. A noite se projeta mais uma vez.

   Não tenho medo dela, não sinto nada por ela. Penso em voltar para a minha cama, mas não há nada que possa aquecê-la, nem mesmo um bom livro ou um grande amor para me aninhar durante essa noite; Levanto-me e ando pela casa de novo.

   Visito o quarto dos meus pais, estranhamente vazio a essa hora. Não imagino onde possam estar; Procuro o quarto de minha irmã, tão ermo quanto o primeiro. Passo pela cozinha e não encontro nenhuma comida na geladeira, desço as escadarias e percebo que estou só. A ideia não me apavora, não tenho medo, mas ouço ruídos por trás da porta da frente, uma batida transversal à madeira.

   Abro a porta e não vejo nada. Olho para os lados e entro para casa. Procuro meu pai em seu escritório e percebo que a sua papelada continua meio bagunçada como ele costumava deixar. A casa toma feições meio arrepiantes que eriçam os pelos de minha nuca e uma corrente de ar gela-me a espinha.

    Viro-me para trás e percebo que, percebo que... Não há nada. Estranho. Subo as escadarias, deixando a impressão de lado, mas ouço baterem de novo na porta da sala. Quando volto de novo, penso ter visto uma sombra. Era eu mesmo.

    Abro a porta e escuto.

    Tririrtititi....trititiiti.

     Era uma coruja. Se você estivesse aqui, do meu lado na cama, eu não teria tido medo dessa coruja;

sábado, 8 de junho de 2013

Uma queda (conto)

      Saiu pois de casa, não antes de lustrar a maçaneta com um pouco de álcool em gel que desastrosamente  tinha deixado cair na mão e desapareceu na garoa fina que caía na rua a essa hora da tarde. Achou estranho que algo assim ocorresse no Planalto Central em pleno mês de junho, mas desapareceu em meio às sombras que se projetavam na penumbra das nuvens carregadas do céu.

     Seguia pelas ruas sem olhar para os lados, sempre para o chão, esboçando tamanha humildade que poucas pessoas teriam se admirado que estivesse saído tão combalido de casa. Quase foi atropelado por um desaviso, e doía-lhe até agora os tímpanos o modo como o motorista daquele pequeno hatch azul martelara a buzina.

     Sujou seus sapatos num gramado ensopado e correu para pegar o comboio para outra parte do Cerrado, foi aí que escorregou e...

                                                           ....

      — Eu te amo. Eu sei que você me odeia, mas eu te amo. Quero construir uma vida com você...
      — Se você me ama, pare com essas coisas.
      — Mas eu te amo.
      — Isso é típico de você, isso só mostra o quanto você consegue ser infantil.

      "Isso só mostra o quanto você consegue ser infantil. Infantil. Infantil... infantil. Infantil?"

      "Foi naquela festa, fazia um frio asqueroso naquela noite; acho que tinha bebido um ou dois copos de uma vodka bem vagabunda, talvez mais. Sim, foi naquela noite que tudo começou. Infantil.

      Eu estava só, sem amigos, apenas com colegas que sequer conhecia naquela altura, me sentia só como nunca me senti. Sim, você era bem infantil. Foi quando ela apareceu: Não era a mais bela das moças, tinha um queixo um pouco deformado, mas algo nela me seduziu. Será o cabelo escuro? O modo como falava com pleno domínio de algumas coisas que eu gostava? Ou será simplesmente inocência minha?

     Peguei-me um dia pensando nela, não em mim, não no meu amor mais recente ou na menina que tentava me seduzir. Mas eu pensei nela, justamente nela, por quê? Isso faz tanto tempo, nem parece que estava vivo quando lembro de tudo o que aconteceu.

    Eu cresci, acho que cresci com o passar dos anos, mesmo assim cometemos nossos erros. Esse foi um deles, tinha me apaixonado por quem de mim não gostava. Acontece, não é mesmo? Chorei por ela, senti solidão em suas palavras, solidão. Talvez tenha sido isso, eu me identifico com pessoas solitárias, eu as entendo melhor, não sei porquê.

   Mas não tinha calculado as variáveis, sempre cogitei que a solidão fosse uma característica involuntária, mas a bem da verdade, percebo que tudo isso é volátil. Afinal de contas, a solidão pode ser autoimposta. Não acreditava nisso. Infantil.

   Correto, fui infantil. Devia ter dito isso tête a tête e não ter escrito isso de maneira vulgar numa dessas mídias sociais, me escondi covardemente nas palavras, meu único porto seguro que são as letras. Eu mereci aquele fora por ter sido tão burro, mas o padrão se repetiu mais uma vez.

   Não sei porque estou pensando nela, não sei porque penso nela agora. Nunca ligou para mim, por que haveria de pensar nela? Afinal, por que está tudo tão escuro, não enxergo nada. Eu estava indo... AH!"

                                                                ...

       — Levem-no para o helicóptero, ele teve uma concussão cerebral, vai morrer com certeza se não chegarmos logo.

      — Diabos, um rapaz tão jovem!

     — Basta estar vivo para essas coisa acontecerem, Souza. Vamos, vamos levar a maca para cima.

     As agulhas retroativas corriam de forma circular no céu enquanto o cabelo dos paramédicos tremulava com o redomoinho produzido pelas lâminas do helicóptero, os dois se afastaram e deram um sinal de ok, enquanto o guarda de trânsito tentava organizar o trânsito.

    — Circulando, circulando. Não há nada para ser visto.

    — O que aconteceu? O que aconteceu?

    —  Desculpe, senhora,você tem que ficar calma, os médicos farão tudo o que é necessário — conteve amigavelmente outro guarda.

                                                               ...

    "Mãe, por que eu a vejo aqui do alto?"

    "Sim, minha mãe é aquela ali que está desesperada enquanto o guarda tenta acalmá-la. Ela era bem mais bonita do que hoje, tinha feições de uma bela modelo quando o meu pai a conheceu, mas o tempo sempre foi um filho ingrato.

     Sobre o que discutimos hoje, por falar em filhos? Foi sobre o carro não foi mesmo?"

                                                                       ===

     — Nossa, tô atrasado pra c@&*#%! Preciso da chave do carro.

     — Não, eu preciso levar a sua irmã pro médico. Vou precisar do carro.

     — Mas o carro é meu. Por que não posso usá-lo?

    — Correção, o carro é do seu pai.

    — Mas o meu pai se foi, ele deixou o carro pra mim em testamento.

    Com lágrimas nos olhos, me encarou horrorizada; Eu também ficaria, como eu falei algo assim, não tinha nem duas semanas quando tinha acontecido... Como pude entrar nesse assunto. Ela só teve força para me responder com um tapa numa das bochechas.

     Fiquei sem reação, mas a encarei com o ódio nos olhos, eu estava segurando o frasco de álcool em gel que deixei cair no chão e furioso saí de casa batendo a porta.

     — Me desculpe... — Foi tudo que pude ouvir.

                                                               ===

      "Me desculpe. É como eu já usei essa palavrinha, depois de fazer piadas infelizes, elogios que não devia ter feito. E... Sim, eu também pedi desculpas.

      Pedi desculpas por ter dito que a amava, não sei se as obtive, mas nunca me perdoei por ter agido daquela forma, me fiz parecer tão servil, tão ignóbil... Engraçado, me sinto meio fraco, a cabeça está meio tonta, o que me aconteceu?

      Não sei dizer, mas não me sentia tão fraco desde o enterro de meu pai. Meu pai era um homem honesto e trabalhador, sim, uma figura muito decente, embora quando eu era criança, fosse dado à bebida, esse seria no fim das contas a sua derrocada. 

      Meu pai dizia que eu precisava pensar grande, que eu devia ser um grande juiz e propagar a lei sobre todos. Deus sabe o quanto ele ficou decepcionado quando viu que o filho foi ser historiador. É, eu não o culpo, ter gasto uma fortuna em bons colégios para ver o filho jogar tudo para o ralo e ainda se envolver com política? Meu pai estava certo.

     Ficou um bom tempo sem falar comigo. Seis meses. Lembro até hoje. Desde então nunca mais fomos os mesmos, nunca mais nós nos falamos como pai e filho, o que para alguns é triste, mas eu prefiro não pensar nisso. Quando eu pensei em me matar, meu pai não estava ali, não em sua forma física. Eu vi que ele estava acabado ali.

     Acabou que os anos tinham-no pegado e doente como estava, foi morrendo aos poucos até que o coração não quis mais bater como antes, e pela primeira vez em sua vida ele pode descansar. Sim, eu não era um bom filho e minha mãe estava certa em me bater, mas considerando o quanto o meu pai me bateu quando era criança, sem qualquer motivo, não posso dizer que tudo só foi culpa minha.

     Deixou-nos razoavelmente bem de vida, meu pai, e conseguimos lidar com as nossas vidas conforme a normalidade. Às vezes a minha mãe não dormia à noite de tanto chorar, e deitava-se no chão pensando nos dias que tinha passado com o meu pai. Eu tentava não ouvir isso à noite, mas era mais ensurdecedor que um suspiro no espírito.

     Me sinto mal por não ter chorado no enterro do meu pai, eu realmente me sinto mal hoje; Mas nada vai fazer com que ele volte nesse momento. Sinto falta mesmo é do meu avô, que me ensinou o que eu precisava saber, como caçar e pescar, até como se portar e agir. Meu avô era bem mais amigável que o meu pai... Ele morreu não tem menos de cinco anos num desses canceres que nos destroem aos poucos, quando o vi pela última vez, ele não era nem a sombra do homem forte que eu conheci na minha infância.

...

    — Pressão caindo... Nós estamos perdendo.

   — Não pode ser. Tragam o neurologista, precisamos saber o que é.

   — Pobre guri, na flor da idade — Suspirou a enfermeira — E ele era tão bonitinho. Parece com o meu filho quando era da idade dele.

  — Menos, Maria, eu preciso do eletro... Nós vamos perdê-lo.

  — Diabos, afastem.

...

   O que é essa luz que se projeta na minha frente, serão minhas lembranças? Esse carrinho aqui laranja eu  ganhei quando tinha cinco anos, eu costumava andar muito nele pela rua onde eu morava. As crianças me achavam um bebezão por não querer emprestá-los, mas a minha mãe disse que não me deixaria brincar de novo se me roubassem o carrinho.

    Aquele ali é o rádio do meu pai, eu costumava brincar com o vinil que ele tinha; Não tinha bons discos como os do meu avô, mas dava para brincar legal. Esse é o escritório do meu pai?

    Meu pai sempre deixava a papelada exposta e bagunçada em sua escrivaninha e colocava o rádio para tocar enquanto ia contar a despensa dos produtos pra ver se faltava alguma coisa. Tinha duas mesas ali, uma de minha mãe, onde ficava a máquina de escrever e outra do meu pai, onde ficava o fax.

   Ali me criei em meio ao papel-carbono e as vias de pedido, cresci desde cedo para o comércio. Meu pai também tinha seus segredos, parando pra pensar, foi ali também que descobri (eu era um pré-adolescente à flor da idade) a minha primeira revista de mulher pelada. Luiza Ambiel para a Sexy, era a edição de 1996? Eu lembro que ela estava brincando com uma cobra, foi a primeira vez que eu vi algo do gênero. Devia ter quantos anos? Dez, onze anos?

    Sim, a revista desapareceu, certamente a minha mãe deve ter jogado fora na mudança. Mas essa coisa ficou na minha memória. Assim como eu lembro do dia que cheguei em casa depois de ter levado uma surra do meu colégio, meu pai saiu furioso de casa como nunca antes eu vi. Foi a primeira vez que eu em lembro de ter visto o meu pai me defendendo.

   Rayara? Sim. Também lembro dela. Minha primeira "namorada", se posso chamá-la assim. Eu tinha 7 anos e estava usando um belo terno. Eu era um garotão loiro de covinhas e estava apaixonado por ela sem nem mesmo saber o que era amor. Ainda bem que eu cresci, ela não não era tão bonita para valer a pena ( e me odiava também)

    Me odiava... Será isso um padrão? Eu não sei dizer, mas isso é até um pouco engraçado. Não tinha pensado nisso.

  Mas continuo caminhando nesse caleidoscópio de emoções e recordações. Sinto-me tão fraco o que anda acontecendo?"

...

   — Não, nós não vamos te perder, guri. Aguenta firme.

  Uma carga fez vibrar o corpo inerte enquanto um ensurdecedor ruído  agudo martelava o ouvido de todos na sala, na sala contígua ouvia-se um lamúrio abafado pelo choro. Todos ficaram tensos ao perceber que não havia resposta.

   — Aumente para duzentos! — Gritou o médico para o enfermeiro — Vamos lá, companheiro, resista! Não tem nada a perder ficando aqui.

    Tentou mais uma vez, pareceu inútil.

...

       "Tudo ficou escuro de novo? Onde eu estou?

       — Alan... Onde está você? Sua avó fez o almoço

       "Vovô? Não pode ser. Como posso ter voltado?

       Ei, espere. Eu lembro disso, eu estava brincando de pique esconde quando me escondi dentro dessa caixa d'água vazia. Eu tinha oito anos, eu acho.

      — Anda, meu neto, sai daí de dentro. A sua avó tá te chamando — pela abertura da caixa entrou um pouco de luz, uma mão se estendeu para me puxar para fora.

...
       — Não vá, companheiro, não vá;

       ...

       "Vovô?"

       — Venha, meu neto, o seu pai veio te buscar. A sua mãe anda ocupada com algumas coisa, ela não vai poder vir.

       — Sim, vô. Eu estou indo...

...

      — É inútil, doutor Roberto. O senhor fez tudo o que poderia, ele se foi.

      — Não, eu não fiz tudo o que poderia, esse menino não tem nem vinte anos. Ele podia ser o meu filho!

      — Não adianta, doutor. Pode ser que ele esteja num lugar melhor que esse aqui.

      — Hora da morte... — Disse entre lágrimas o rosto enrugado por de trás da máscara — Dez e cinquenta e cinco. Paciente n° 253 resistiu por apenas sete horas. Vou avisar à mãe do garoto.

...

       "Isso, Alan. Para você dar um nó que não seja frouxo, você tem que pegar a corda desse jeito.

       Certo, vovô.

      Ah, como é bom tê-lo de volta, meu neto.

      Eu digo, a mesma coisa, vô. Eu digo a mesma coisa."
  

Saudade

      Saudade dos dias que me seduzia com grande facilidade
      Saudade dos dias que brigava com minha própria idade
      Saudade de poder me apaixonar por essa maldita cidade
   
       Sinto saudades, muitas saudades
       Desses bravos baluartes
       Que desabam no amor

       Acaba o calor de sua voz
       Acaba o paixão das suas palavras
       E tudo que tenho é a lembrança

       Sinto saudades daqueles tempos
       Tenho uma franca nostalgia
        De poder me apaixonar

        Pena ter tido isso arrancado de mim
        Viver com esse fardo sem querer
         E perceber que nada vale a pena

        Que não posso confiar em quem eu queria
        Que não posso compartilhar minhas ideias
        E que devo ficar sozinho

        Não quero amar novamente,
        Não quero ver tudo se repetir
        Isso torra a minha mente

        Tão somente saudade
        Nesse planalto tropical
        Abaixo do Equador
        É com uma dor
        Que digo saudade

        Já me apaixonei por uma solidão mascarada em grosseria
        Bia
       Já me apaixonei por uma dor camuflada em forma de caracol
       Carol
        Tentei não me apaixonar pelos seus olhos de felina
        Melina

        Contudo, não me apaixono pela pessoa que eu mais conhecia
       Que mais me entenderia
        Não consigo gostar de mim mesmo

        É estranho, mas sinto as vezes saudade
        Saudade de ser eu mesmo
       Tudo é uma representação
       Tudo é um teatro


        Sinto saudade de ser eu mesmo
        Sinto saudade de ouvir meu avô
        Contar as histórias do interior

        Sinto saudades da minha mãe
        Cozinhar mais do que palavras
        E não falar mais do que favas

        De meu pai e de sua felicidade
        Do seu bom humor
        Quando estava em sobriedade
       
        Descobri hoje que tenho
        saudade da minha infância
        e da minha adolescência

       Percebi que tudo passou
       Que nada mais voltará
       O tempo levou

       Agora tudo me resta é saudade

        Saudade, saudade do trem
        Saudade daquela vida
        Simplesmente saudade

        Saudade de poder chorar
        De poder amar
        De gargalhar
        Saudade

        Se me sinto mal por ter saudade
        Pior são os que não podem entender
        essa palavra. Saudade.
        Só nós, lusitanos da América
        Entendemos o que é saudade

        Saudade de nossos pais,
        Saudade de Portugal
        Saudade do mar
        Ah, o mar

       Sim, todos nós temos
       Um pouco de saudade
       Pobres dos ingleses,
       Também dos franceses
       De não sentirem o que sentimos
       Saudade.

       

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...