A Primeira Guerra do Afeganistão

             Antes do desastre norte-americano em 2003, na caçada ao Bin Laden e aos grupos terroristas, outra grande superpotência foi obrigada a mover suas forças armadas contra o inferno na Terra chamado Afeganistão. A fragilidade com que a União Soviética encara os dilemas das nacionalidades e com a questão do radicalismo islâmico se tornou cada vez mais preocupante, sobretudo na fronteira Sul, no cone entre o Afeganistão, Irã e o próprio Tajikstão





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Localização do Afeganistão em relação à União Soviética e o Irã
                


    Era uma questão de seguridade nacional a manutenção das fronteiras e a evasão de qualquer plataforma política dissociada do socialismo marxista sobre as perenes fronteiras dos desertos da Ásia Central. 
 a política externa da URSS visa assegurar condições internacionais favoráveis ​​para a construção do comunismo na URSS, a salvaguarda dos interesses do Estado da União Soviética, consolidando as posições do socialismo mundial, apoiando a luta dos povos pela libertação nacional e do progresso social, evitando guerras de agressão, atingindo o desarmamento universal e completo, e implementar de forma consistente o princípio da coexistência pacífica entre estados com sistemas sociais diferentes[1]
 De maneira que o militarismo e a propaganda belicista nas instituições soviéticas constituíam pressões diante das  crescentes preocupações de Moscou frente aos assuntos na Ásia Central, onde o domínio russo desde a época do Império, nunca foi absoluto e gerava  desconforto a presença de propostas de separação e de ódio aos comunistas por entidades árabes, como imãs e chefes locais. O Afeganistão embora fosse uma república secular, assistia um processo de deterioração institucional frente o antagonismo crescente entre os comunistas e os leais defensores da ordem "democrática" afegã.
Consolido o termo "democrático" entre aspas por interpretar a Democracia como um conjunto de ideias e valores que é consolidado numa concepção ocidental em um região geográfica específica (a Grécia) e que só viria a se consolidar nas sociedades de mercado sob uma égide e uma moral cristã, depois do Iluminismo e da Revolução Americana e Francesa. É um anacronismo e uma idiossincrasia falar em democracia no mundo árabe, sabendo que todas as bases institucionais e filosóficas desse regime não são aplicáveis ou mesmo exportáveis para outras realidades.
O maior valor democrático é o seu secularismo, e numa sociedade onde política e religião muitas vezes são não apenas conflitantes, mas formam uma almágama e muitas vezes se confundem, o conceito Democracia é uma grande falha.

A monarquia secular de Mohamed Sahir sofria um momento de numerosas dificuldades, o monarca que tinha mantido a neutralidade do país na Segunda Guerra Mundial (auxiliando secretamente os britânicos no conflito), promoveu a modernização do país oriental com a abertura de universidades e abertura aos investimentos estrangeiros, sobretudo franceses e ingleses após a Segunda Guerra. O país deixou de lado muitos dos seus tradicionalismos, permitindo às mulheres participarem da vida pública, dirigirem automóveis e ter empregos fora de casa.
Zahir em foto com seu cachorro

Contudo, as modenizações foram motivo  de discórdia entre os grupos tradicionalistas da sociedade islâmica que não aceitavam o ritmo de mudanças acelerado do novo país. A constituição afegã de 1964 era uma das mais modernas dos países muçulmanos da Ásia Central, promovendo voto universal, uma ampla defesa dos direitos civis e da mulher. 


Quando o monarca foi tratar-se em Roma de uma crise de lumbago, o seu primo Mohamed Daoud, ministro da defesa, descontente com as mudanças do novo país, deu um golpe de estado instaurando a República Afegã em 1973. Era um evento ainda recente na história afegã quando os grupos internos se acirraram. Os soviéticos procuraram manter os seus interesses na região em pé de igualdade com os americanos e tinha realizado numerosos empréstimos ao país durante o período monárquico. 
A república afegã, de fato, não parecia muito interessada (ou em condições) de honrar os compromissos anteriores, era uma república relativamente fraca perto de uma grande superpotência, ser ter nem mesmo uma saída para o mar. O seu processo de estrangulamento e dependência eram inevitáveis. O Afeganistão dependia da União Soviética economicamente e da própria vontade soviética para a manutenção de sua paz.
A despeito disso, os soviéticos eram influentes na sociedade afegã, eram reconhecidos como  um exemplo de grande potência e financiavam diretamente os grupos de esquerda, embrionários, da sociedade afegã. Sobretudo, os soviéticos foram importantes no treinamento militar do Partido Democrático do Povo do Afeganistão (feito no Tajikstão).
A diplomacia de Daoud notabilizava-se pela tentativa de independência do domínio soviético na política e na economia afegãs e criar um ponto de equilíbrio no qual fosse possível ao mesmo tempo negociar com Washington e Moscou. A Constituição de 1977 substituiu a anterior que garantia muitos direitos civis e trabalhistas  que haviam sido consolidados na época da monarquia, criando um completo mal estar entre Brejnev e Daoud. 

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Mohammed Daoud iniciando uma oração com o seu staff alguns anos antes de ser assassinado
De fato, o país passou a ter a interferência direta KGB e de diplomatas russos cada vez mais preocupados com a reaproximação afegã aos americanos nas suas fronteiras mais frágeis. É de se destacar que é bem claro no artigo 29 da mesma constituição que as relações entre a URSS e outros países deveriam seguir expressamente os princípios de igualdade soberana; renúncia mútua do uso ou ameaça de força; inviolabilidade das fronteiras, integridade territorial dos Estados; solução pacífica de controvérsias, não intervenção nos assuntos internos, bem como “o respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais; igualdade de direitos dos povos e o seu direito de decidir seu próprio destino, de cooperação entre os Estados, e cumprimento de boa-fé das obrigações decorrentes dos princípios geralmente reconhecidos e normas de direito internacional, e do internacional tratados assinados pela URSS” [2], Os soviéticos violaram a própria constitucional quando a defesa da geopolítica local e da Mãe-Patria passou a ser um capítulo cada vez mais cotidiano.
Na realidade,  Brejnev não tinha problemas em violar acordos ou mesmo constituições conforme suas necessidades, adepto do pragmatismo geopolítico estalinista, ele representava a linha-dura soviética do Politburo e do Comitê Central. Ele era um dos jovens que deram o golpe em Nikita Kruschiov após a Crise dos Mísseis e retirou o rumo da União Soviética de sua modernização em nome de um projeto militarista e de "bem-estar virtual". A União Soviética era sim uma grande potência espacial e militar, mas tinha alicerces muito fracos economicamente e financeiramente (os planos quinquenais já não rendiam tantos indices de crescimento como antes e a União Soviética estava ficando para trás (ou melhor estagnada nos anos 60).
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"Matriusa, traga aquelas biritas e um meia dúzia de esturjões. Não, só isso. Eu estou de dieta"

Para consolidar seu poder, Brejnev muitas vezes se portava como militar inepto que sempre foi, interviu na Primavera de Praga diante da pressão dos setores militares soviéticos (e pasmem, a pedido do próprio governo tcheco), financiou diretamente o movimento norte-vietnamita na dispendiosa Guerra do Vietnã (tendo uma vitória e uma vantagem sobre os americanos), mas ao mesmo tempo iniciou as conversas dos acordos SALT para a diminuição de ogivas nucleares entre Estados Unidos e União Soviética.
Os soviéticos sabiam que não conseguiriam vencer os americanos numa guerra convencional, a Guerra Fria estava na sua fase mais softpower, ao contrário da Crise dos Misseis, era uma guerra de informação, espionagem e de tecnologia. Domínios geopolíticos, por menor que fossem, valiam cada centavo gasto no tabuleiro internacional. Enquanto os Estados Unidos faziam da América Latina o seu quintal ideológico, os russos  queriam consolidar suas posições no Oriente Médio e na África.



            Em 1978, o Partido Democrático do Povo do Afeganistão iniciou um golpe com apoio financeiro e militar da KGB, com o intermédio do Exército Nacional Afegão, eles iniciaram a Revolução Saur após o assassinato do primeiro-ministro Daoud e de toda a sua família.
            Com a investida de um golpe promovida por algumas lideranças afegãs que adotaram a bandeira marxista-leninista, a União Soviética viu a constituição de um possível “aliado” em suas fronteiras. O Pravda eufórico de 31 de dezembro de 1979 chegou a publicar:
            Afeganistão, um dos mais antigos países da Ásia Central, até recentemente permanecia como um dos mais retrógrados. Parecia que a vida ali havia congelado em padrões medievais e que o povo estava condenado a uma existência miserável. Os senhores feudais controlavam o destino e engendravam represálias contra o povo. Para perpetuar esse estado de coisas, propagava-se o obscurantismo, enredavam-se as massas na servidão e reprimiam-se todas as tentativas de trazer luz à escuridão da anarquia e da lei do arbítrio. Em abril de 1978, o povo afegão disse “não” a esse sistema podre. A classe trabalhadora do país tomou o seu destino em suas próprias mãos[3].

            Embora ele tenha recebido certo apoio do governo soviético quando realizou o golpe ao rei Zahir, observa-se que os governantes na época de Daoud “eram invariavelmente cautelosos com relação aos interesses soviéticos” [4].
            Conta-se que durante a sua última visita a Moscou, em abril de 1977, Daoud foi tratado de forma rude pelo dirigente da União Soviética, Leonid Brejnev, que esboçou “uma longa lista de reclamações sobre a política de Daoud” [5], Daoud num ímpeto de coragem ou de desafio, teria declarado que:
Quero lembrar-lhe que o senhor está se dirigindo ao presidente de um país independente e não a um de seus satélites no Leste Europeu. O Sr. está tentando interferir nos assuntos internos do Afeganistão e isso não vou permitir[6]
            É questionável que Daoud tenha feito isso frente a Brejnev, questionável, mas não impossível, contudo deve-se desconfiar da fonte emitida sobre esses acontecimentos quando observamos que é de certa forma ligada a uma corrente historiográfica norte-americana muito embebida na ótica do mundo bipolarizado, de fato se esconde o ideário de que o Afeganistão no tempo de Daoud era um bastião da democracia e do Mundo Livre, o que não constituía uma verdade.
            É emblemático dizer que “Daoud já havia caído no desagrado não apenas dos esquerdistas, mas também, dos fundamentalistas muçulmanos, estudantes, intelectuais, oficiais do exército e alguns membros das classes média e alta” [7].
            No dia 27 de abril de 1978, a rádio de Cabul anunciou o “fim do governo de Daud e o fim do reinado dos imperialistas” [8]. A dissolução do governo a partir do golpe militar empreendido pelo general Degarwal Abdul Kadir, representou o epitáfio da própria legalidade e legitimidade que poderia existir no Afeganistão.
            Abdul Kadir declarou que: “O último remanescente do imperialismo, do despotismo familiar e da tirania do Mohammed Zal caiu” de modo que o Comitê Revolucionário se basearia “no Islã, na democracia, na proteção da honra do povo e no progresso do país” [9].
            Contudo as medidas do novo governo, em coletivizar as terras agrícolas, a pregação do ateísmo e aparentemente “violação de direitos humanos” suscitaram uma rebelião de diversos grupos existentes na sociedade afegã, sobretudo os fundamentalistas islâmicos contra o governo de Kadir.
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            As razões para a invasão soviética são as mais variadas nesse contexto, primeiramente para garantir que um regime de certa forma aliado à sua linha de pensamento não desabasse frente aos conflitos internos; A inviolabilidade das fronteiras soviéticas estaria ameaçada se um levante muçulmano na região da Ásia Central afetasse as comunidades islâmicas em seu próprio território.
            Em março de 1979, o governo do Afeganistão num ímpeto para tentar conter a revolta “metralhou e bombardeou Herat com jatos e helicópteros, mas foi incapaz de restaurar a ordem antes que centenas, talvez milhares, fossem assassinados” [10], de modo que cidadãos soviéticos foram decapitados e suas cabeças decapitadas circulavam em lanças pela cidade[11].
            Em janeiro de 1978 até meados de fevereiro do outro ano, um movimento crescente entre a população local contra a pobreza, frente aos luxos da própria corte do Xá Mohamed Reza Pahlevi, na Pérsia e em 1979 ascende um governo desvencilhado tanto de Washington como de Moscou[12], mostrando assim a fragilidade e fluidez que se abria na ótica do mundo bipolarizado. É possível que o regime teocrático iraniano tenha dado força ao movimento fundamentalista afegão, de maneira que a União Soviética olhava a região com estrita cautela. Brejnev chegou a declarar que havia:
            uma ameaça concreta de que o Afeganistão perdesse a sua independência e se transformasse numa cabeça de ponte militar imperialista em nossa fronteira sul... Chegou um momento em que já não podíamos deixar de responder à solicitação do governo do amigo Afeganistão. Agir de outra forma teria significado fazer do Afeganistão uma presa do imperialismo e permitir que forças agressivas repetissem naquele país o que haviam feito com êxito, por exemplo, no Chile... Agir de outra forma teria significado observar passivamente o estabelecimento em nossa fronteira sul de uma posição de grave perigo à segurança do estado soviético[13]
                É verdade que no plano prático, não era o imperialismo propriamente dito que ameaçava a estabilidade soviética na região, embora os Estados Unidos tenham sido responsáveis pelo financiamento de alguns grupos fundamentalistas e de resistência à invasão soviética; o elemento mais perigoso que surgia era uma corrente radical islâmica de um profundo anticomunismo e de aversão a qualquer nacionalidade estrangeira que possa vir. Os soviéticos teriam que se “defrontar com quatro vizinhos muçulmanos hostis próximos dos muçulmanos da Ásia Central Soviética e do Cáucaso” [14]: Turquia, Irã, Paquistão e agora, Afeganistão.
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Apocalipse Now a la russe

            Discorda-se que a ação soviética tenha sido defensiva[15], mas sim pretextual, isso é algo que é profundamente discutível: A União Soviética tinha realmente motivos para se preocupar na região e a instabilidade do Afeganistão ameaçava sim sua própria estabilidade na fronteira Sul. É claro também que não é conveniente se esquecer de que o próprio regime soviético também tinha interesses em manter um aliado na região, que havia questões relacionadas a prestígio nos altos escalões soviéticos.
            Uma característica que às vezes é esquecida é o aspecto territorialista da própria visão russa de mundo, primeiramente com a obsessão quase doentia do Império em conseguir um porto de águas quentes, depois, com a Revolução, a obsessão da expansão do socialismo em todos os países do mundo.
            Por fatores econômicos de recursos naturais, o Afeganistão tinha quantidades consideráveis de gás, petróleo, cobre, barita (usada na perfuração de poços de petróleo), bauxita, berilo (esmeralda), minério de ferro, fluorita, carvão e cromo[16]. Contudo é questionável que o governo soviético estivesse à procura de tais recursos, em virtude de haver boa parte desses elementos em grande quantidade em seu próprio território.
             A questão era a geopolítica e conter o buraco que poderia representar um governo neutro tão próximo de suas fronteiras perenes no sul da União Soviética. Os russos depois da Segunda Guerra consolidaram a criação de Estados-satélite na Cortina de Ferro não apenas por idiossincrasia ou para conter as rédeas de vários povos sobre a foice e o martelo. Isso era apenas uma parte do processo, a existência desses regimes (financiados até seus últimos dias pelos recursos soviéticos) eram  a proteção do regime num eventual caso de invasão pela Europa ou mesmo  como forma de ter poder de barganha na diplomacia nas reuniões da ONU. Poder era medido por quantidade de países aliados.

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Zahir em foto no Palácio em Kabul com o seu cachorro
            A Revolução Saur foi uma das sangrentas daquela região, embora os comunistas fossem adeptos das reformas anteriores de Daoud, dando ainda mais direito aos trabalhadores e às mulheres, a política de casamento forçado e arranjado foi abolida, bem como instituiu-se uma idade mínima para casamentos. As reformas podem ter iniciado a retirada do Afeganistão de seus resquícios "feudais", mas  a verdade é que sua política agressiva de chegar ao poder resultou em incontáveis violações aos direitos humanos, sobretudo com a morte de líderes religiosos (muitos foram inclusive decapitados), a violação de templos religiosos (mesquitas foram profanadas) e quaisquer indícios de oposição ou de estruturas semelhantes à burguesia eram punidos de forma bastante violenta.
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"Que calor dos infernos, Pavel. Eu estou suando mais que um porco nesse maldito deserto"

                Os Parcham (facção de comunistas hegemônica do Partido Democrático do Povo do Afeganistão) passaram a dominar a política afegã e foram completamente odiados por sua truculência com as populações do interior, muitas sobre o domínio de chefes religiosos. O resultado foi inevitável, uma guerra civil no Afeganistão.Sob uma interpretação da sharia promovida por vários imãs, iniciou-se um movimento financiado pela CIA e pela Arábia Saudita contra o domínio soviético na região.
             Essas milícias seriam conhecidas como mujahidins. Homens de turbante, barba longa e trajes afegãos segurando AKs-47 e Ak-74 sentados em cima das montanhas bebendo chá e fumando narguilé. Esses personagens da vida afegã tornaram a Guerra do Afeganistão numa dispendiosa guerra num território montanhoso, de imensas dificuldades logísticas, onde os próprios Parcham tinham dificuldade de manter a capital Cabul por muito tempo.

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Diga alô a Osama Bin-Laden, militar filho de um sheik saudita, treinado em West Point e que lutou na Guerra do Afeganistão ao lado dos mujadiins. Lembra-se de 11 de setembro? Pois bem, foram os americanos que o treinaram, acredita nisso?

         Eis que o colosso soviético acabou interferindo no conflito ("a pedido de nossos camaradas afegãos"). Os recursos soviéticos utilizados no conflito foram incomensuráveis, uma guerra de dadas proporções, num território hostil na periferia da União Soviética, passou a ser uma guerra de desgaste que iria resultar numa  crise de desabastecimento na União Soviética tão dramática que iria desembocar em sua derrocada em 1991.
            A fragilidade da administração soviética em manter um planejamento no teatro de operações e na logística da guerra se somaram ao fato de que o governo Carter iniciou um boicote contra os soviéticos que encerrou todo o clima morno que a década de 70 havia assistido a Guerra Fria. A corrida armamentista iria se reiniciar na era Reagan para aumentar a sobrecarga contra os russos e todo o esforço da guerra contra o Afeganistão iria dilapidar toda a reserva financeira do país que se enriqueceu com a Crise do Petróleo.

       Os soviéticos talvez tenham sido os primeiros a perceber o aspecto perigoso do fundamentalismo islâmico e sua eventual expansão nas comunidades muçulmanas da Ásia Central, enquanto os Estados Unidos só foram perceber tal aspecto dez anos depois da desagregação de sua antiga rival, em 2001.
           Os soviéticos amargaram o seu maior desastre militar desde a Guerra de Inverno (em 1940), perderam o seu prestígio e o seu controle nacional. O produto disso foi uma rede de mentiras e de desconfiança que abalou integralmente a confiança que o povo russo tinha por seu regime, a burocracia e a incompetência foram as responsáveis pelo maior desastre nuclear da história, Chernobyl. Quando deram por si, não havia mais União Soviética para cuidar. Foi em 1991 que esse capítulo se encerrou, os soviéticos retiraram as suas tropas em 1989 do Afeganistão, mas a marca foi profunda e até hoje pagamos a semente desse conflito quando pensamos no terrorismo como uma semente dissimulada e crescente até hoje em 2017 (ou trinta e oito anos depois desse conflito). 





[1] Artigo 28, capítulo 5 da Constituição da URSS de 1977.  Disponível em: http://www.departments.bucknell.edu/russian/const/77cons01.html#chap05
[2] Artigo 29, idem, ibidem.
[3] A. Petrov, “K sobytiem v Afghanistane”, Pravda, 31 de dezembro de 1979, p. . Citado em: HAMMOND, Thomas T. Bandeira Vermelha no Afeganistão. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Ed., 1987, pág. 51.
[4] HAMMOND, Thomas T. Bandeira Vermelha no Afeganistão. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Ed., 1987, pág. 43.
[5] Idem, pág. 44.
[6] Ibidem.
[7] Ibidem, pág. 52.
[8] S.A.. Golpe instaura regime pró-Moscou no Afeganistão. Folha de São Paulo, 28 de abril de 1978, pág. 10. Disponível em: http://acervo.folha.com.br/fsp/1978/04/28/2/
[9] Idem.
[10] HAMMOND, Thomas, pág. 77.
[11] Idem.
[12] KENEZ, Peter.História da União Soviética. Lisboa: Edições 70, 2007. pág. 318
[13] Pravda, 13 de janeiro de 1980, p. 1. Citado em Hammond, p. 137.
[14] Ibidem, pág. 139.
[15] Ibidem.
[16] Business Week, 29 de setembro de 1980, p. 62. Citado em HAMMOND, p. 149.
[17] CERTEAU, Michel de.  A escrita da História.— Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982., pág. 66
[18] Idem.

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