domingo, 15 de junho de 2014

O cheirinho do café

O cheirinho do café
Com um toque de fragrância
De mel com um pouco de madeira
De livros envelhecidos na estante

Nessa livraria pouco iluminada
Onde os livros vão envelhecendo
Te encontro ciscando um Pablo Neruda
Enquanto eu leio versos do Edgar Poe

Decido-me entre Fustel de Coulanges
ou Ernest Hemingway
Mas você não se decide entre
Clarice Lispector ou Agatha Christie

Mais interessante você fica
Escondida em seu óculos de intelectual
Recolhendo-se numa mesa
Perto da folha musical

Uma distância de oito metros nos separa
Oito metros e meia literatura francesa
Meu café está delicioso
E ainda não cheguei ao meio do Velho e o Mar

Seus olhos escuros desdenham das letras
E com um olhar preguiçoso
Fitam sobre mim um gesto curioso
Um enigma se inicia entre nós

Finjo estar preocupado em ler o livro
E você finge estar preocupada em não me ver
É mais cínico da sua parte do que da minha

Não lembro de onde eu te conheço
Duvido que você se lembre de mim também
Quem é você, afinal?
De cabelos vermelhos e óculos de grau

Nessa mimésis perdida
Recolho-me a cantar
Mais uns dois versos
De o Velho e o Mar

Que quinta-coluna você...
Tentou me ignorar mais um pouco
Até me mandar um bilhetinho pelo o livreiro
"Quer tomar um café comigo?"

E saiu sem se despedir


(Livros, livros, e mais livros. Quanto mais velhos, melhor)

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