quinta-feira, 10 de abril de 2014

O vento passa

O vento passa
A rajada de chuva
Circunscreve no chão
De cimento trincado
Uma velha ranhura
Muito facelada

Tenho coragem
Tenho vontade
De fazer nada

Quero largar
tudo e nada
quero estagnar
Quero caminhar

Barreiras do verso
Não sei o que quero
Senão tenho objetivos
Quero deixar de lado

Beber calado
Andar meio largado
Só quero nada
Quero tudo

Do vaso chinês
A caneta de prata
As folhas do bambu
Numa tela de Taiping

Quero ter alguns cigarros
Cuja palha seca amarela
Sirva de bela aquarela

Quero esquecer o passado
Junto com o futuro desgraçado

O papel amassado
o espírito arruinado
São obras do vento e do tempo
Que tiram as folhas dos laranjais

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Assobio '18

A sombra escura paira sobre a cabeça O sabor terroso invade o paladar E sinistramente desce agridoce O medo corrompe meus olhos A frustr...