sábado, 18 de janeiro de 2014

Uma pequena história de Carnaval

       Num país distante, abstraído do esquecimento dos tempos, da ignorância do saber e do racional desenvolvimento que no fundo só mostra a irracionalidade do próprio ser humano, onde o positivismo já foi voz, onde o marxismo se digladiou com as"forças produtivas de um antigo regime feudal com resquícios de mercantilismo e modelo asiático na América Latina", qualquer exasperação mais exaltada é vista como uma mostra de profunda rigidez política.

       Nesse país distante, o caudilho compra a comida do povo, silencia os inocentes e sorri para as câmeras como "o benevolente pai dos pobres" com sua barba postiça e o seu vozeirão de relâmpago. Saíra da cinzas do deserto mais profundo para trabalhar na cidade e na cidade ganhou o mundo. Não sabia falar, mas sabia ser ouvido. Criou uma legião de seguidores que passou a aterrorizar os velhos patrões industriais.

       No outro polo desse país tinha um professor universitário, um intelectual de classe média que emergiu-se na esquerda para descobrir a razão daquele país ser tão desigual e tão francamente marcado pela fragilidade econômica mesmo possuindo uma grande riqueza natural. Nesses estudos esse intelectual observou que "as forças do grande capital externo entram em acordo com a burguesia nacional que lucra com a dependência do mercado regional em relação ao grande capital internacional".

     Esses dois um dia se encontraram e se tornaram grandes amigos. O primeiro era um grande sindicalista, o segundo um intelectual. Quando o primeiro foi preso por ter pisado demais nos calos do governo, o segundo correu pelas ruas da cidade em seu carro oficial com salvo-conduto e salvou o sindicalista de ser preso e torturado. Não sei se havia uma grande amizade, mas ambos se respeitavam de maneira bastante cordial.

       Os dois foram às ruas panfletar por maior  representatividade em tempos, sob o sol e a chuva, buscando votos um para outro. E posteriormente quando era preciso, o intelectual convidava o sindicalista para dormir em seu apartamento, como mostra de profunda amizade. E assim foi, as esposas de ambos se conheciam e conversavam sobre receitas de bolo e sobre as operações de seus respectivos maridos.

      Um dia os dois tomaram rumos diferentes, o intelectual largou o marxismo, o sindicalista sequer sabia soletrar "luta de classes" direito; De uma hora para o outra os dois se viram em campos opostos, de amigos passaram a ser inimigos mortais, um não podia ver a cara do outro sem se xingarem, o ódio cresceu entre ambos em nome da Política; As eleições chegavam e o baixinho nervoso  gritava e esperneava contra o intelectual um tanto sorridente e leviano. A antiga parceria acabou sem fogueira, bilhete ou violão.

      Opostos entre si os dois envelheceram e os seus sonhos e projetos envelheceram junto consigo, o mundo já era outro bem diferente, mas o intelectual sempre será odiado por ter tomado medidas amargas para salvar a economia fraca de um país  sem perspectiva e o segundo sempre será amado porque em tempos de bonança jogou todo o dinheiro nas ruas com medidas assistenciais, não se preocupando com o que poderia vir no futuro. Nenhum dos dois era mais honrado que o outro na realidade, ambos tinham projetos diferentes, o intelectual e o sindicalista. O intelectual sempre atento com as demandas do exterior, sempre preocupado em como pagar a conta de gás e da luz, enquanto o sindicalista estava mais preocupado em ver como as coisas funcionam, em gastar o que tinha e não tinha para elevar o padrão de vida da população. O primeiro finalizou com a inflação, o segundo trouxe-a de volta. O primeiro sempre foi mais amargo,  o segundo sempre mais sorridente.

      Opostos entre si, não percebiam que faziam parte da mesma moeda. O intelectual e o sindicalista, no fim das contas eram eles que conduziam uma legião de seguidores e um cenário de expectativas diferentes cada um de si. E pensar que os dois eram amigos, nesse país distante, até os amigos se enganam. Nesse mesmo país, um amigo traiu o outro para declarar a República e se tornar presidente. Como é perigoso não ter amigos nesse país!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Física filosófica

      Uma lei da física estabelece que frequência é dada através do inverso do tempo necessário para que o movimento de um corpo volte a se repetir num período de tempo estipulado arbitrariamente: f= 1/T, sendo T correspondente a Período.

     Observando essa lei da física, qual a frequência do seu sorriso? Qual a frequência dos seus choros? Isso ao longo de toda a sua vida. Quando paramos para pensar em termos numéricos quantas vezes choramos e sorrimos vemos quão dialética que pode ser nossa vida, o enfrentamento da tese com antítese, do sorriso com o choro; Cada um oposto ao outro, um ing, outro yang.


     Mas é inegável que a vida é mais do que sucessões repetidas e intercaladas de dois processos cognitivos opostos e igualmente intensos, a felicidade e a tristeza; Mas a que ponto se chega nessa relação matemática? De fato isso é uma questão tautológica, a frequência que rege é uma vida é de aproximadamente 1,35 hertz, isso é algo que a biologia nos diz se você costuma ter o batimento cardíaco de 81bpm. 

    Quando se está triste ou com depressão a frequência cardíaca costuma diminuir, nesse caso a frequência que rege sua vida bate de maneira mais fraca, o tempo passa mais devagar e as suas forças também, quando se está contente a vida passa mais rápido, o coração passa a bater mais forte, mas num patamar aceitável, contudo se sua vida é intensa ao ponto de ser estressante a frequência que rege sua vida é maior e é uma lei da física que diz que quanto maior a frequência, menor o comprimento de onda, nesse caso a sua vida será menor.


    É estranho analisar a sua vida com base a física. Mas o que somos senão uma combinação meio bizarra de carbono com predomínio de água, sustentados por vergalhões de cálcio mineral? É curioso observar que essa combinação é o que dá vida às nossas bobinas de extração de oxigênio que reverte em dióxido de carbono. Mais curioso ainda é que essa estranha combinação de elementos é o que nos dá vida. 

     Assim tal como o sorriso se mistura com o choro, a física se mistura com a química e a biologia e rege nosso corpo, enquanto a história, filosofia e a sociologia regem nossa alma. A vida é uma estranha combinação de elementos que se misturam de diferentes formas diferentes, nos mantendo vivos.

A economia e a vida



         Em 1926 o economista soviético Nikolai D. Krondratiev elaborou um estudo baseado na análise matemática a cerca do desenvolvimento do capitalismo, e conseguiu elaborar estatisticamente a seguinte suposição: O capitalismo age de maneira cíclica através de  movimentos ciclicos de desenvolvimento. A ideia é que o capitalismo funcionaria como uma onda de rádio a qual seria gestada  através do "movimento harmônico simples", onde a base  dos "ciclos longos é o desgaste, a reposição e o incremento do fundo de bens de capital básicos, cuja produção exige investimentos enormes. (…) A reposição e o incremento desse fundo não é um processo contínuo. Realiza-se por saltos". Os saltos seriam tecnológicos.


      Assim ao contrário do que Marx dizia ao afirmar que as crescentes dicotomias entre a burguesia e o proletariado levariam ao acirramento do quadro político que desembocaria na Revolução e na ditadura do proletariado, Krondratiev acabou especulando que o capitalismo possui um caráter de "imortalidade virtual" e que a cada crise financeira, ele se reinventada através dos enormes investimentos na produção e no incremento de capital básicos e quando se realiza isso, a produção e o desenvolvimento do capital realiza um salto exponencial, assim em tese o capitalismo seria um sistema infinito em si mesmo.

      A capacidade inventiva do capitalismo é bastante conhecida e por isso querendo ou não o capitalismo é o sistema mais eficiente na obtenção de riquezas, não em sua distribuição; Mas minha análise não será de cunho econômico;

      Krondratiev dizia que o capitalismo sobrevive através de ciclos de prosperidade econômica intercalados com crise financeiras e depressões ao longo de uma linha de tempo de 50 anos.


        Quanto mais acelerado esse ciclo, mais rapidamente se obtém a Prosperidade, seguida pela recessão e depressão para depois haver a retomada e novamente o apogeu do ciclo econômico. Só que o problema é que a definição de Krondratiev extrapola os limites dos gráficos e passa para a vida real, do cidadão cotidiano. 

        A vida de uma pessoa é baseada também numa onda eletromagnética, o que alguns chamam de Espírito, outros de Ideia, outros simplesmente de Alma. Essa trajetória é baseada a partir de ciclos de prosperidade, desde os primeiros anos até a velhice intercalados com períodos de  recessão e estagnação.


        Quando nascemos o a prosperidade se inicia a partir da depressão que é sair da barriga de nossas mães que é uma atmosfera amistosa, livre de perigos e de ambiente controlado, mas a medida que passam-se os anos iniciamos o momento de desenvolvimento, investimento, quando começamos a aprender a falar, andar e brincar, quando nos abrimos ao mundo. Por volta dos três ou quatro anos inicia-se o período de recessão quando não aprendemos com a mesma velocidade que antes e nossos pais se desvencilham da criança para voltarem ao trabalho, posteriormente assiste-se uma depressão em virtude do isolamento e da separação dos pais no processo direto de desenvolvimento da criança, nessa altura a criança passa a ter que se cuidar, aprende a comer sozinha, a se limpar, a interagir com outras pessoas, etc, mas ainda com dependência dos pais, essa é a depressão que chamo depressão cognitiva, isso se dá com 4 ou cinco anos, novamente o ciclo é retomado quando a criança começa a ir à escola e a interagir com outras crianças, formar um novo período de prosperidade que combina o apogeu das interações sociais com o apogeu do aprendizado num dado momento. Isso se dá nas fases iniciais da educação básica.

      Com o passar do tempo a recessão e a depressão são atingidas de maneira imperceptiva, quando percebemos que atingimos o ápice do desenvolvimento em estágios no sistema escolar básico e começamos a perder o vínculo com alguns dos nossos amigos de infância, nisso chegamos a nossa adolescência. Um novo ciclo se inicia;

      O desenvolvimento que se observa através de um caráter mais pessoal, o adolescente começa a fechar em si mesmo num casulo, se separando de seus pais, mas com uma dependência financeira existente, como forma de criar a sua personalidade. Começa a se relacionar com seus amigos, a ter suas primeiras namoradas, a formar uma consciência ideológica, política ou religiosa e a se identificar com um grupo de pessoas. Esse é o apogeu, ao indivíduo é conduzido à ideia que o apogeu pleno só pode ser conduzido com o final do Ensino Médio, quando entrará para a faculdade ou terá um emprego.


    Aí se engana e inicia-se o período de recessão novamente, no caso do ensino superior, pode haver o caso do adolescente, agora um jovem adulto perder o vínculo imediato com os amigos da escola e ter que se adequar uma nova realidade, como o estudo, formar novos vínculos de amizade, etc. Comete algumas besteiras, como beber demais em festas, externar os seus problemas pessoais em vícios e a sair com várias pessoas ao mesmo tempo. Posteriormente vem a crise de consciência que chega a ser comparada a depressão, isso ocorre muitas vezes no quarto ou quinto semestre quando o jovem adulto se questiona se está fazendo tudo direito e se deve tomar um novo rumo ou não, nisso inicia-se um novo período de apogeu que terminará com a formatura.

    Novamente virá a recessão quando ele perceber que está desempregado, assim com o passar dos meses ele caminhará para um período de dificuldades até conseguir utilizar seus conhecimentos no mercado de trabalho, nesse caso inicia-se o período de desenvolvimento e posteriormente a estabilização financeira leva ao momento de apogeu... Até que percebe que está só na vida, e corre atrás da busca de uma família. E segue o fluxo até o fim da vida

     Então somente esse fluxo contíguo pode explicar a capacidade de estarmos vivos, esse ciclo de Krondratiev é algo que se traduz na vida, com ciclos de profundo crescimento pessoal, com o apogeu máximo, intercalados com período de declínio e de pura decadência, com novos períodos de recuperação. As pessoas costumam esconder a natureza desses ciclos através da religião ou de convicções, mas essa é uma lei inerente do desenvolvimento humano. Mas cada vez mais que avançamos no ciclo, damos saltos por adquirirmos experiência. Experiência que posteriormente se traduz numa pronta resposta às situações da vida, em tese era para nós sermos eternos, mas eis que lembramos que nossos corpos não seguem essa lei da economia.

      A nossa capacidade nata de recuperação é que move a natureza desses ciclos e que faz eu e você, caro leitor, estarmos aqui hoje tendo essa conversa;

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A chuva bate nas telhas

A chuva bate nas telhas,        ;       ;       ;         ;        ;          ;         ;        ;
a chuva bate bem devagar                ;         ;        ;         ;          ;        ;
as gotas batem sobre meu coração        ;         ;        ;          ;         ;        ;
A pele se arrepia; A lembrança pontua       ;        ;         ;          ;        ;
A chuva bate bem  no vidro da minha janela    ;        ;          ;         ;        ;
E tal como bate,                               toca o  meu   rosto      ;         ;        ;
Fazendo-me                                      lembrar da chuva   ;        ;        ;
Que prendeu                                     Dois namorados         ;         ;        ;
Um ao outro                                     Outro ao primeiro  ;         ;        ;
E como chovia naquele dia — Chovia   muito por sinal        ;         ;        ;
E impulsivamente a moça disse: "Vamos ficar na chuva"  ;         ;        ;
E ela logo tremeu  diante a   tempestade  que  se  abria        ;        ;        ;
Tempestade essa que se abria;  Tudo  estava  cinzento   ;         ;        ;
E de repente  o rapaz a puxou para a chuva e correram       ;        ;        ;
Correram muito bem na chuva, brincaram como nunca   ;         ;       ;
Como duas crianças; E ela corria dele, e ele corria atrás     ;         ;       ;
Sorriam; Corriam; Brincavam; Se olhavam; Se amavam ;         ;       ;
Todo dia que chove eu lembro do dia   que  os dois se       ;         ;      ;
Abraçaram e se beijavam em meio   da   chuva  gelada  ;        ;        ;
E quando lembro desse dia,  penso que não foi comigo      ;         ;      ;
Mas foi e tenho muita, imensa de   vontade  de  chorar  ;        ;         ;

Adeus, meu amor

Não sei se posso                                            vida nos
                     dizer                                     a            traz
                        com                              que               nos
                         toda                         ras                    faz
                           certeza                 tu                         ser
                                 que           ven                           cada
                                        as  des                                vez
                                                                                  mais
                                                                                    for
                                                                                  tes
                     ADEUS, MEU AMOR                      mas
                                                                            tudo
                                                                        que
                                                                    sei
                                                                  é
                                                               que
                                                        era
                                                   feliz
                                               com
                                        você
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Passeio de outubro

Passeio de outubro, sua velha recordação
Lembre-se outras vezes não ter esquecido .
Eles plantaram rosas em seu caminho
E colocaram filetes de mel.

Passeio de outubro, uma breve recordação
Seus desejos duros como o aço
Seus beijos mais doces que um abraço


E naqueles ipês , debaixo das sombras,
Dormia um bom menino que realmente queria.
Que existissem violinos rimado suas canções,
E beber cada vez mais o néctar dos seus lábios.

Lembro-me de uma noite muito pálido , disse :
Eu não sei o que está no meu peito ,
Mas naquela noite eu tinha
Uma longa felicidade, quase ilusão .

Passeio de outubro, sua velha recordação
Lembre-se outras vezes não ter esquecido .
Eles plantaram rosas em seu caminho
E colocaram filetes de mel.

Seus bojos dourados que beijavam meu corpo ,
Suas luzes coloridas  a que joguei minha ansiedade
E assim que seu sorriso passou por mim e eu queria perguntar
Como é possível viver sem te amar?

Eu vi a mesma árvore onde a gente namorou
Onde hoje um pequeno pardalzinho hoje medita
Penso em seus doces lábios molhados
E disse : eu testemunhei, aqui um amor nasceu .


Mala verba

Quem você é, você não pode se salvar
Em sua fúria de um passado
de ternura, casa e café ...

Você mudou sua vida
Consagrando com uma simples oração
o horror bárbaro de problemas
tocando muitas ideias e nublando toda a honra.

Derrotado hoje por seu feitiço
perturbando o seu dever
Sua fé hoje se esgota
Quando pensa no mal que trouxe
Ao tornar-se intragável às pessoas


Você que hoje chora
Por ter roubado o pão e dois filhos
Ter destroçado vidas
E todo o luxo que te dão.

Aprenda uma vez
que ele não conseguia reagir
Eu não consigo entender,
perdido na tempestade
a desgraça que você não hesitou


Determinado a limpar o seu tiro
sua sombra já é obsessão maldita
Em busca daquela noite
a fala solta traição ...

Eu não sei se  mereço essa censura feroz,
Mas eu lembro que a sua mentira
Não  absolve de ter levado os dois filhos
E uma saca de pão, apenas pelo desejo de confusão

Seja quem for tal alma desgarrada
Lembre do choro da mãe
que você trouxe
ao levar os dois filhos

Um poeta bon-vivant

Aos domingos eu me levanto
morrendo de sono
às três da tarde


Às vezes até me esqueço
de suar para corridas.
Não penso em sair de casa
Tenho medo de chegar muito cedo .

São três da tarde
E eu tenho que começar a abrir o portão
E vai começar o futebol


O telefone toca
Metralha minha cabeça como uma  guitarra
Alguém me convida para uma piscina e um cabaré
Eu anoto na palma da mão.
E vou dormir de novo


E eu tenho que fazer!
Má sorte ,
Tenho o que fazer!

A noite de sábado
Meus críticos compraram
Um pouco de vinho
E perguntaram porque eu escrevia

A cabeça doía e eu dizia
Que dada a previsão ,
De faltar-me a tinta e o papel
Que escrever era  dá-lhes a cabeça .
Um pouco mais do que sofrasia


Quando alguém me dá uma tirada dessas
Penso que são três da tarde
Que logo vai ter jogo do Corinthians
E que estou com sono

Mas nada me para
O verso me aninhou no início ,
e não só isso que me abriu
Por inteiro



Mas quando eu tenho o palco,
isso é com pouca frequência
sem tanto galarde e ciência
Acordo tarde e vou dormir outra vez
Até que sem querer vou escrever
Batatas para colher trigo


Pois hoje é domingo
E domingo não é dia pra descansar

Caminhada empírica

Caminhozinho que o tempo levou
Eles nos viram juntos passar um dia
Eu vim uma última vez
para dizer-lhe minhas desgraças.

Caminhozinho, então você estava
Recheado de cores e juncos em floração
Uma sombra em breve te consumirá
Uma sombra como eu.

Desde que fui
Eu vivo em tristeza
Meu amigo
Eu vou outra vez

Desde que fui
Eu nunca mais
Vou seguir seus passos
Me perdi de vez

Todas as tardes
Corria feliz por seus ladrilhos
Comemorando o meu amor
Não torna mais acontecer

O seu chão chora meu desespero
Caminho aberto nas árvores
A mão do tempo apagou os rastros
A chuva deixou apagar as velhas pegadas


Desde que fui
Eu vivo em tristeza
Meu amigo
Eu vou outra vez

Desde que fui
Eu nunca mais
Vou seguir seus passos
Me perdi de vez

O seu chão chora meu desespero
Caminho aberto nas árvores
A mão do tempo apagou os rastros
A chuva deixou apagar as velhas pegadas

O passado se enterra
As árvores crescem
E o caminhozinho no meio desse parque
Desaparece de vez

Desde que fui
Eu vivo em tristeza
Meu amigo
Eu vou outra vez

Desde que fui
Eu nunca mais
Vou seguir seus passos
Me perdi de vez

Refluxo filosófico

É tautológico
É tarmatúrgico
As vezes
Meio ilógico

Pensar que a pena
Seca com pouca tinta
E areia do tempo
Estraga o papel vazio

É um pífano que se parte
Sem ser tocado
Pois o cutelo de bambu
Era mais mole que angu

A sebastiana vontade
De escrever bem de tarde
Um pouco de escrita
e versos sem companhia
Morre sem brilhos ou ilusões

Vão-se as inspirações
Ficam-se os dedos
Que de tão calejados
Não martelam o teclado

À maneira taciturna
A caneta me fita sem me olhar
Pois olhos ela realmente não tem
E palavras não tem também

Perdeu-se a palavra
Perdeu-se o verso
Perdeu-se o prosa
E a pouca harmônia

Não sei que faço
Não sei o que escrevo
Pois nada mais descrevo
Tudo que tenho é mais
Um refluxo filosófico

domingo, 8 de dezembro de 2013

Nunca confie no próprio sorriso

      Nunca confie no seu próprio sorriso, pois felicidade não é um estado natural do ser humano. A dor e melancolia acompanham nossa existência na seguinte medida que saímos da barriga de nossa mãe e somos enjaulados dentro de uma encubadora ou um berço. Artificialmente pensam que nossos pais tratam a criança como um todo, sendo que na realidade a criança é apenas uma parcela do todo, é um objeto da vida dos pais.

     Eles o mimam para externar os seus desejos psicológicos de sua própria vontade, eles criam a criança como um boneco que chora, suja a frauda e brinca. Mas nada disso é verdade, não é um ser humano que eles desejam criar, mas um robozinho; Exatamente isso, a criança é criada para seguir comandos, como não correr, não gritar, não ser feliz; E se for fazer todos os seus desejos ela é punida, seja pela cinta corretora do pai seja por um deus que ela é forçada a acreditar;

     Não existe meio termo aos filhos, os filhos são um objeto. São oprimidos pelos próprios pais, eles que criam boa parte dos traumas da infância de uma criança. Eles que controlam a vida dos filhos por pelo menos catorze anos quando a criança começa a contestar os pais e vira adolescente, e tenta controlar os filhos pelo resto das suas vidas; Pois o poder de mandar é bom, de ser obedecido também. Por isso os pais normalmente não ouvem, não sentem o que os filhos sentem. Eles sempre estão numa hierarquia maior, pensam que os filhos têm o dever de obedecer, afinal de contas os pais trabalham para sustentá-los, entretanto, os próprios pais pensam nos filhos como uma pensão para a posteridade, de crianças que trabalharão para sustentá-los.

      Não há mentalidade mais conservadora do que a de ser um pai ou uma mãe. Freud tinha razão ao estabelecer que as mães possuem um complexo de Jocasta em relação aos filhos, elas não os desprende do seu "amor maternal" que nada mais se traduz de um amor de um dono para com seu bichinho, a ligação emocional pode existir, mas a mãe realmente não tem amor por seu filho, ela ama o fato de ter um filho e comandar a vida de uma criança e seu desenvolvimento, tanto que quando ela perde o controle, ela é a primeira a punir o filho.

     O perdão de uma mãe ao filho não é legítimo, pois é um meio de manter o status quo da situação de submissão da criança aos pais. Isso é horrível do ponto de vista humano, mas é ancorado pelo ponto de vista legal, afinal de contas a lei não vê a criança como um ser humano completo.

      Não é felicidade que os pais buscam trazer aos filhos, eles buscam a própria felicidade nos filhos, é uma coisa diferente, é quase tautológica. A procura da própria felicidade por uma parte, um bem seu, é quase um fetichismo na concepção marxista da criança. A criança, repito, é vista como um objeto e não um ser vivo completo. Tanto que se ignora que a criança possa ter voz, mesmo que se ache engraçado ensinar a criança a falar e ler o ABC, a criança pode ter pés e aprender a caminhar, mas não pode andar fora do domínio dos pais.

     O seu sorriso  infantil não é um sorriso de graça, é um sorriso de uma droga, um ópio paternal e maternal de que sua felicidade só é possível se você obedecer cegamente os seus pais. 

      Quando crescemos isso também acontece, quando começamos a ter uma vida plena, primeiramente com um estudo (submissão ao professor e ao sistema de ensino) e um emprego (nesse caso ao mercado de trabalho), começamos a ter um carro, uma casa e uma parceira (ou parceiro). Pois bem o fruto da sua felicidade está na aquisição de bens (carro e uma casa) e de uma companhia, no caso uma parceira. Mas a sua felicidade só é possível diante a sua submissão ao mercado de trabalho, ao  conjunto de leis e normas e a todo um estamento hierárquico. Caso você descumprir isso, você estará desempregado, seus bens, a casa e o carro, serão confiscados, sua companheira pode desistir de você e você pode até ser preso se descumprir sua submissão às leis.

      De verdade, sua felicidade não é de graça, é um produto que você compra ao se submeter ao sistema, porque é natural ao ser humano não ser feliz. É isso mesmo, pode parecer absurdo, mas desde que somos retirados da placenta de nossas mães somos criados para sermos isolados dos outros, no caso, das outras famílias, de pessoas de outras classes, etc. Assim, o isolamento cria um ambiente psicológico de submissão, e uma submissão embora produza uma felicidade artificial, produz um profundo grau de tristeza.

      A anomalia de toda uma vida é o sorriso, pois tamanhos são os sofrimentos para que um único sorriso seja praticado. Somos ceifados de nossa liberdade quando somos obrigados a ir à escola, apanhamos, ou somos repreendidos pelos professores. Somos ceifados de nossa felicidade quando nossos pais impõe certos limites, nos castigam e impõe regras que não compreendemos. Somos ceifados de nossos desejos quando a moral da sociedade impede que possamos namorar como gostaríamos de fazer, que o nosso patrão começa a roubar-nos o tempo que usaríamos para  nossos desejos e assim vai.

     A vida é uma profunda tristeza, é um triunfo ao mesmo tempo uma tragédia. Por isso um sorriso é uma traição ao próprio caráter do indivíduo, de ser infeliz. Acredito que a profunda felicidade não existe, pois a felicidade não é algo natural do ser humano, a sua tristeza e  sua submissão moldada pelo sistema acabam por produzir uma necessidade psicológica por momentos de prazer que são confundidos por felicidade, mas não representam a real felicidade que seria a vida humana sem a profunda regulamentação da vida.

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...