sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Uma janela




          Não sabem o que dizem os sábios quando falam que livros são a janela do conhecimento...

           Não sabem que por essa janela aberta, escancarada, entram uma infinidade de coisas boas e ruins... Desde a poluição do dia, até o raiar de sol que esquenta a manhã fria.

           Foi por esta janela que entrou um pequeno passarinho, um pardalzinho, marrom de bico escurecido, trazia consigo uma folha verde meio enrugada que caiu de seu bico enquanto saltava voo no meu quarto.

          A pequena criatura curiosa subiu diante a mesa, posta ao lado de uma parede, num canto, abaixo de um quadro qualquer e admirava consigo a papelada bagunçada pelas ideias de outro dia... Descansando ali, perto daquela ave, estava um copo de chá gelado, de hortelã importada, o qual o pardalzinho não fez cerimônia em bebericar.

          Acho que ele gostou, pois bebeu mais que devia e quando se satisfez da bebida, continuou a vagar curioso pela mesa... Distraída a ave tropeçou num punhado de tinta nanquim, que desabou pela mesa de madeira escura e sujou por completo a cerâmica fria branca do piso.

         A ave assustada saltou um voo preguiçoso e foi cair na minha estante de livros, se entrelaçando entre o Gogol e o Tchekhov, brincando com o Machado e viajando no Verne, lutando com o Dumas e inalando a poesia de Pushkin.

        Quando cheguei, essa ave literária, tão sábia quanto uma coruja, lançou-se ao voo de liberdade, deixando no Paulo Coelho uma surpresa inimaginável. Quem diria que aquela ave tinha um gosto refinado por livros, e por chá também?

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