sexta-feira, 26 de abril de 2013

Reflexões sobre dilemas políticos atuais

       A atual postura do congresso em cercear os limites próprios do sistema democrático brasileiro é apenas um passo para uma medida conjectural da própria apropriação do poder ilimitado por alguns grupos partidários.

       Ultimamente os senadores vêm tomando com maior força a ideia de que o poder legislativo poderia revogar as instâncias julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, que até o presente momento é o órgão máximo do sistema judiciário brasileiro.

       Não que eu supervalorize os ministros do STF (na verdade eu tenho reticências com um em especial de sobrenome polaco, a que não deva citá-lo), há algumas arbitrariedades na corte assim como em outros organismos sociais; Entretanto o que alguns senadores de bancadas proeminentes no Senado desejam fazer é desestabilizar o equilíbrio (que já não primava tal como uma balança) entre os três poderes, tomando de maneira despótica o poder judiciário.

        Isso é possível em virtude de que de sete ou oito anos atrás o cenário  político nacional anda presenciando uma pauperização crescente, que se inicia com o escândalo do Mensalão, a posse de Severino Cavalcanti no Senado, o escândalo de Renan Calheiros (que usou sua influência junto a lobistas para pagar a pensão alimentar que devia à sua ex-mulher), posteriormente a posse de José Sarney e agora novamente Renan Calheiros.

        A base governista, para ser sincero, é uma piada, embora já tenha sido uma piada muito maior em tempos passados, e a oposição devia ser intitulada de "os fracassados sem causa", porque é realmente o que todo mundo enxerga quando pensa na oposição.

        O fato é que, por métodos democráticos de persuasão, tentou-se desfazer todo o embrolho da problemática do julgamento do Mensalão, e tendo em vista que muitos políticos (lideranças do PT, partido que está no poder) foram condenados por corrupção, muitos se refugiaram na tutela da jurisdição da Câmara e do Senado, como José Genoíno (cuja história ainda não foi bem explicada na Guerrilha do Araguaia), tal fato foi sacramentado pela declaração do presidente da Câmara Marco Maia sobre esse acontecimento dando parecer favorável à posse dos ditos réus do Mensalão à legislatura (isso não tem nem um ou dois meses e eu tinha profundo respeito pelo Marco Maia).

         Em todo o caso, por revanchismo, tendo em vista que os juízes do STF se mostraram impassíveis frente a meios de persuasão referentes ao seu julgamento e tendo o ministro Barbosa uma excelente atuação na conjectura do andamento dos processos, algumas lideranças da Câmara, frustradas, decidiram que o Supremo Tribunal tinha poder demais e isso explica a atual ação política desses grupos.

         A tentativa de cerceamento das próprias ações do STF e o questionamento de seus julgamentos fere os princípios democráticos que estabelece que nenhum dos três poderes pode interferir em outro sob nenhuma razão; mas o que se observa é justamente o contrário, o Legislativo desde um pouco antes da Crise do Mensalão, vem se submetendo aos desígnios do Poder Executivo (não que isso fira os interesses de alguns grupos que não ficam sem ter algum ganho nessas relações de poder), e agora o Poder Legislativo quer submeter o Poder Judiciário aos seus desígnios. Está tudo errado.

         Medidas assim dão amparo a regimes autoritários, que pelo o que eu saiba, o brasileiro construiu aversão desde os sangrentos tempos ditatoriais. A questão é que a influência de outros regimes latino-americanos na própria conjectura política nacional associada à popularidade dos próprios líderes (a despeito da máquina de Estado) vem abrindo espaço para esse tipo de coisa.

         Contudo, a popularidade do STF é alta demais para que algo assim ocorra, afinal de contas, não foi o povo mesmo que elegeu o ministro Barbosa herói nacional? Que saía no Carnaval com máscaras com o seu rosto? É complicado, mas se a questão se prolongar resultará em mais um desgaste das instituições democráticas que  vem se arrastando por alguns anos e toda vez que paro para pensar, me pergunto: "Isso é democracia? Não será uma oligarquia escancarada ou mesmo um nascimento de outra ditadura", sou tentado a pensar que a última situação não chega a ser verídica, mesmo assim fico espantado com tudo isso.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Résistance aos seus olhos

     Acho covardia o modo como me olhas com seus olhos glaucos cor de espinafre, por meio dos óculos e da fumaça do cigarro. Olha-me com curiosidade ao mesmo tempo que desprezo, cuidando para moderar suas palavras, mas tentando sem querer conquistar esse coração desvalido.

     Acho uma grande covardia na verdade e serei forte para resistir a ela. Sempre fui a favor da Résistance e resistirei a você nessa  hora, não será olhos lívidos que me conquistarão fácil, nem  sua timidez camuflada nas conversas, nada disso me intimida; Apaixono-me mais por ideias e palavras do que por belos pares de olhos  e um sorriso meio discreto.

      Você tenta ser encantadora e eu fujo de você com toda a vivacidade que eu consigo ter, das situações casuais e cotidianas; Não quero me prender a você, garota, tal como prendi a outras antes de você. Não me conquistará com os seus belos óculos e o seu jeito meio desengonçado a que acho sedutor. Não vou cair nos seus braços como um paraquedas filosófico.

      Não quero você e não me seduza com os seus olhos, "sou bravo, sou forte, sou filho do Norte". Bela vida a ti, querida Evita, ( brincadeirinha) mas puxe seus olhares aos outros que tentam se esconder nas  fracas armaduras de palavras e discursos; São discursos vazios e nada como um tracejar de cabelos, como você bem sabe fazer, para arrebatar vários corações.

     Prefiro que outra mão brinque com suas covinhas nas bochechas do que as minhas, sei que você me causará problemas justo numa hora que os problemas se tornam tão sedutores. Puxe mais uma baforada de seu cigarro, entupa seus pulmões de fumaça, mas não me venha com esse olhar tão desinteressado que chega a ser apaixonante. Tire-me desse olhar, cara M., que não consigo completar o seu nome pois o esqueço quando a vejo olhar a minha maneira de portar: Um tanto desengonçada e arrogante, bem como eu gosto de ser.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Porque eu te amava

      Um dia você me perguntou: "Por que você me ama?". Por que você faz tantas perguntas? Não tinha uma resposta no momento, brinquei com o meu cabelo, como toda a vez faço quando me sinto desconfortável (você entende o porquê), e tentei esboçar uma resposta. Na verdade, a gente não sabe porque ama.

      Amar é deixar de ser lógico, é negar sua própria arrogância e o seu amor próprio, é se rastejar pelos cantos. Não há nada de belo em amar, tudo isso é mentira. Não é conveniente responder todas as perguntas, mas também não gosto de deixar dúvidas suspensas no ar.
  
      Nada mais de amar, o amor é o ópio dos apaixonados, o carvão da inconsequência e a opulenta voz do coração. Retira toda a graça de viver, retira-nos o humor com belas histórias, e tudo o que eu pensei era o amor. Tolice, nada mais amargo do que borra de café.

      O estresse é alto demais, traz fios brancos à cabeça e um pesar no peito. O álcool não é o mais santo dos remédios mas cura a maior parte das doenças. Eu estava  doente da cabeça quando decidi me apaixonar; Isso simplifica muito as coisas, anárquico como eu sou, devia saber que não sirvo para viver sob padrões, eu amo ser independente e nada há de mal em ter esse amor.

       Nada mais dessas coisas, uma garrafa de vodka e um bando de jovens senhoras ao meu lado. Nada mais me importa. Nem mesmo as noites frias, das quais sinto falta de companhia, os rigores da vida, nada devo sentir senão o próprio desconforto de viver com tamanha calmaria. Eu tentei te dizer porque eu te amava, mas a verdade é que passado esse dia, hoje eu não sei e se eu souber, me apaixonarei de novo, mas em todo caso, não nego que te amava, assim como como nego hoje que o amor é uma poça de água no meio do deserto.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Suave narrativa

       Você que me olha toda subversiva,  brincando de anarquista nas ruas da vida, caminha tão maldosamente em minha direção e não arrebata não menos do que cinco corações. Poderosa como é, és tão perversa que acaba com todos a que tem direito. Decidida, faz tudo o que deseja e o que não deseja também e isso é engraçado.

       Você que anda de bicicleta com um vestido de bolinhas superapertado, com os cabelos ao vento e óculos quadrados, manipula a todos com sua voz tão doce quanto fragrância de jasmim, sua favorita, pelo que me lembro, mas na correria do dia a dia, esquece-se de passa-la. Não importa, eu gosto de você desse jeito, rebelde e feminina.

         Conversa sobre tudo e nada ao mesmo tempo, é a mais taciturna das sábias e a mais falante das bobas, e você que me olha com esses olhos de sábado chuvoso tenta convencer a todos que você tem voz, que não quer ser deixada de lado e que nada pode mudar o que você quer. Bonita do jeito que é, irá bem longe, mas não se importa muito com isso, afinal é bastante inteligente.

        Inteligência é a mais afrodisíaca das poções, não vi até hoje quem discutisse Bakunin e Teoria da Relatividade tão bem quanto você, e isso faz a todos sorrir, mesmo que mantenha-se tão séria quanto lhe cabe. Erudita, apresenta-se de forma tão despojada, tão depreendida que difícil esquecer alguém como você. Me sinto meio anárquico esses dias, você deve saber o porquê.

Prosa lápis-lazúli

      Com o gosto de damasco na boca e um último beijo nos lábios, lembro-me daquela noite que te vi partir  naquela profusão de pessoas de todas as cores, credos e gêneros. Era uma noite sem muito destino, mas uma noite que certamente me marcou principalmente por você ter pensado em mim.

      Sorrio pensando naquele dia, você que tanto sorria e me imitava como uma menina sapeca tão bem-humorada, mas que não queria se envolver com a vida e nem comigo. Adoro ver as coisas desse modo, é tão mais divertido! Você de cabelos cor de anil que irradia meus dias quando ouço sua voz e me beija com o seu olhar.

      Não quero mais nada além disso, nem prosa, nem lira, nem namoro, nada. Sinto-me bastante feliz dessa forma, diferente, é claro, de tudo o que eu fiz. Cantarolo pelos cantos, mas hoje não é uma canção de amor, é uma canção de alegria, com um maior vigor na fala, sem medo, sem temer. Adoro tudo isso, realmente adoro, é tão despreocupado.

      Toda vez que você mexe os seus cabelos, mexe comigo, de uma forma positiva, é claro. Não entendo porquê e prefiro não entender; quando me esforço a entender tais coisas, tudo que me resta são apenas decepções. Na vida coletamos tantas decepções que devíamos vendê-las a atacado, mas hoje não vendo nada além desta prosa.

     Você que me tirou o fôlego quando beijou meus lábios com o seu olhar, e agora partiu tão despreocupada para algum canto da cidade, bem longe de onde escrevo tais palavras, e deve ser mesmo assim. Não me apaixono tanto quanto antes, mas um burburinho surge quando lembro daquele gosto de damasco que adentra no meu coração. Sou tão romântico quanto um contador de palavras, suave e tolo, e nada mais me abala tanto quanto antes. Licor de damasco e cabelo cor de lápis-lazúli, que bela combinação! 

Pequena borboleta

      Veja como essa pequena borboleta circunscreve bem aos seus olhos tão delicado voo. Veja como ela tão delicada pousa em sua mão e confia em seus dedos, ela é tão bela, tão singela, quanto nenhuma criatura antes conseguiu ser. Não entendo porque passa tudo tão depressa, ontem era um dia normal, hoje já não é mais, vive-se por relógios e horários e ninguém pára um só momento para pensar nas coisas bonitas da vida.

      Talvez por isso esqueçam quão belas são as músicas no rádio, de se virar quando vêm belas moças de cabelo vermelho ou simplesmente de um azul tão sedutor quanto o céu do Planalto Central. As pessoas deixam de se divertir com o modo com  que a chuva cerrilha do céu e gera poças no asfalto.

      As pessoas são tão frívolas, parando para pensar, consomem-se em vias de falsidade enquanto esquecem de que nem tudo é eterno, tudo é passageiro e nada poderá mudar esse momento, tanto melhor, são essas pessoas que perdem o seu tempo no rigor acadêmico, em conversas sem sentido e numa vida pautada pela inveja da qual nem teimo mais participar. A essas pessoas me afasto, assim como de paixões antigas e passistas de Carnaval.Tudo que veio se desmancha como pó no ar e é tão gostoso pensar dessa forma.

        Meu avô dizia que nada pode ser eterno para sempre a não ser a honra e a justiça; Espero que ele esteja certo, não há maior vigor do que viver dessa maneira, e justiça seja feita, pessoas frívolas só tomam nosso tempo. Levanto-me hoje para perseguir essa borboleta, que de tão delicada, rascunha minha lira, não que sinta raiva disso, me diverto quando ela toma a bebericar o meu chá e uma valsa de Chopin toca no gramofone.

        Arte pela arte? Eu não sei dizer, nunca fui fã de tais prosas tão parnasianas, entretanto não quero continuar de onde parei, quero continuar de onde comecei. Assim a vida é transitória tal como uma borboleta que quando o Inverno chega morre congelada de tanto frio. A primavera acabou e o meu amor levou...

sábado, 20 de abril de 2013

Crônicas de sábado a tarde

    Uma caneta marca a página de um pequeno bloco de notas rascunhado de versos e reflexões sob po olhar eufórico de um pequeno relógio de pulso dourado, à direita do quadrilátero onde se desenvolve a madeira de uma pesada mesa.

     À esquerda, um pequeno caderno sem pautas está a par da atual historiografia em questão e discute Braudel e Paul Veyne com o disco do Villa-Lobos logo abaixo de si, sem contar que um texto do Hobsbawn se prolonga próximo ao teclado sob o som do jazz que ecoa do radio e atinge o pequeno tabuleiro de xadrez feito todo de vidro, o qual se prolonga em torno da multidão de livros e papéis que se prolongam em torno da mesa.

      Os óculos estão largados na estante, assim como o Ipod e o celular, os sapatos estão largados em algum canto, enquanto uma bela reprodução de Van Gogh ergue vigorosa na parede. O relógio de areia marca todas as palavras sem muito compasso e termina por dizer o que mais é preciso escrever.

      Passados alguns minutos, as escadas vão circunscrevendo degraus sinuosos, e os pés levam os passos para fora daquela construção, avista o sol se esconder timidamente sob as nuvens e uma bela moça de vermelho correr para não ser apanhada pela chuva. Pensa em sair, mas tudo o que faz é pegar o jornal e voltar para dentro. Tenho medo do mundo e da sociedade, só hoje mesmo, amanhã tenho que enfrentar tudo de novo.

      Muito bem, é hora do chá.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Caminhada filosófica

       Uma abelha zumbe no meu sapato; duas pessoas passam por mim: um cosmonauta e um acrobata. E dizem entre si que a voz da vida emana das conversas pueris.

       Ando mais um pouco e encontro uma bela moça de rosa lendo a xerox dos textos atrasados, ela é tão  bonita e tão serena que intimida até o mais afoito dos galãs com tamanha erudição. Ah! Como adoro erudição, não há nada mais sensual do que orquestrar palavras e ideias de forma tão harmoniosa.

       Esbarrei em minhas palavras com duas garotas que estudam Arquitetura, que apresentavam traços tão bem trabalhados quanto as obras do Niemeyer. Encontro um banco de xadrez defronte o retrato do Silvio Santos, penso em hebraico, até encontrar um amigo que tenta compreender aquela atividade tão incomum: andar pelos cantos anotando tudo num caderninho.

       A abelha continua a me seguir, mas me abandona rápido quando encontra uma lata de lixo. Percebo que sou tão doce que ela volta a me seguir de novo. Paro na frente de um banco e encontro uma garrafa de água desgarrada, certamente algum desavisado teria a esquecido enquanto ficava debatendo questões triviais nos corredores daquele antro de conhecimento.

      Cruzo um belo jardim, um casal conversa entre si, mas em vez de reparar em sua conversa, escuto um pequeno animal se esgueirar nos galhos das plantas decorativas. Será um gato? Não creio que fosse um felino.

       Uma  moça conversa ao telefone a plena voz, acho aquilo meio vulgar e paro para ver o modo como as flores cor de violeta se projetam nos galhos retorcidos de tal maneira que chegam a ser espinhosos, tal como a vida.

        Continuo caminhando nessa reflexão solitária até encontrar um amigo ao pé da escada, desço calado e num sobressalto encontro meus camaradas e assim termina a minha caminhada.

         Entro numa sala e abro a gaveta de uma bela escravinha: encontro duas fichas de pôquer e duas caixas de som se projetavam sob o olhar atento do misterioso Darth Vader rodeado com as crônicas de alguns quadrinhos de uma infância que desapareceu.

          Beleza americana tece um relutante novilho de rosa por seu corpo e Níquel Nausea projeta  um mal estar ao lembrar daquele dia em que comprei um sorvete de chiclete de banana a uma paixão de outro verão passado.

         Ao lembrar disso, fujo para um espaço aberto, o ar estava tão abafado que estava me dando até mesmo asma, sou asmático de ideias. Penso em ir conversar com aquela moça que estava solitária lendo os seus textos no meio da multidão, talvez fosse ela tão solitária quanto eu, talvez ela tivesse namorado.

         Lembro-me que estou tão isolado como nunca estive, mas me sinto bem com isso, por incrível que pareça, pois não há nada que esteja tão acostumado do que fazer essas jornadas sozinho e me sentir isolado como sempre estive.
     

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Àquela moça a quem tanto amei

        Sinto-me culpado hoje e um estúpido inconsequente em ter-lhe negado um beijo de amizade e ignorado seus olhares fraternos que me remetiam a um "Oi" amigável. Sinto-me zangado comigo mesmo por ter virado esse crápula sem  querer.

        Sou um idiota vestido de gênio, que segue pelos cantos com pressa e cabelos desgrenhados enquanto você segue sozinha dentre os demais, devia ser mais do que um simples estranho para você, devia ser menos estranho para o que senti por nós. Não sei o que devo dizer, não posso sentir desculpas se me sentia mal em passar por você e me lembrar dos erros que eu cometi, mas sem querer cometi erros mais crassos; Sou realmente terrível, hoje percebo isso.

      Não queria ter brincado com os nossos sentimentos, com nossas amizades do modo que as palavras brincaram quando saíram da minha boca: Eu sou um idiota, Carol. Saiba bem disso. Um idiota que teima em ser idiota.

       Não mereço clemência aos meus erros, cometi tantos que agora eu sei a razão de sempre terminar assim, desse modo, sozinho no escritório escrevendo em  finas palavras um dos mais difíceis pedidos de desculpas. Será orgulho? Medo? Eu não sei. Realmente eu sou um idiota.

      Sou um idiota por muitas coisas e em muitos níveis diferentes, deixei-me tomar por um sentimento ruim que não desgarra mais das minhas costas e foi por essas semanas reflexo de minhas ações, não sei lhe dizer que sentimento foi esse, mas eu queria ter sido menos cínico do que eu já fui. Estou muito triste e desesperançoso, mas não se preocupe, vai passar. Queria poder dizer-lhe tudo pessoalmente, mas como nos tornamos estranhos um ao outro, acho conveniente deixar tudo de lado.

       Eu sou um idiota, principalmente por continuar sentindo alguma coisa por você. Talvez no fundo eu ainda goste de você e por essa razão tenha sido tão idiota nesses últimos dias... O trem veio e passou, numa pequena estação no caminho de Kalach e não há palavras que mudem o que acho.

     A curva do meirinho, a descida do pelourinho, a granada do vestido de pétalas que enrubesci de xistosas palavras, sinto tudo isso menor frente a essa loucura maso-emocional a que chamo de amor desesperançado. Refiro-me a à prosaica lira da vida guiada pela sua maliciosa dialética , como eu disse, abandonei minhas lembranças e referências líricas à sua beleza, por entender que nada trazem a não ser desconforto a nós dois;

      Peço-lhe que não me tenha como um inimigo, pois assim não a vejo, só andava meio zangado com a vida e zangado comigo mesmo. Sou burro feito uma porta por pensar que você lerá tais palavras, bem como entenderá todos esses motivos fracos que uso para esconder algo irracional que cresceu dentro de mim: Se eu te amo, um daqueles dias eu te odiei, odiei tê-la conhecido e ter me apaixonado, mas depois acabei me odiando por ter odiado uma criatura tão serena quanto você;

       Como disse outrora, não mova sentimentos por tais palavras idiotas e nem compreenda tudo o que eu disse. Sigamos em frente, só queria desabafar e lembrar que virei o crápula a quem tanto abominei. Adeus, minha querida, seja feliz e serena, como sempre foi. Adeus.

sábado, 13 de abril de 2013

A favor do Humanismo aplicado aos hospitais

      A real conjectura dos hospitais é uma nota ignóbil para a questão da própria humanidade, em todo caso, mesmo efetuando gastos com planos de saúde, as mesmas desculpas esfarrapadas pontuam o cenário hospitalar. De tal forma, não é visível a humanidade do atendimento médico e sim sua total confusão em assuntos de âmbito burocrático, na maneira em que, o individuo continua enfermo e sendo tratado como uma reles peça de um sistema qualquer, um consumidor muito mal-tratado, que apenas deseja ter sanadas as suas enfermidades.

       A total incompetência dos organismos responsáveis pela saúde é o que gera a precarização do nosso tempo, que poderia ser aproveitado da melhor forma possível, bem como alastra em nossas veias as mais vis doenças ao longo dos corredores dos hospitais.

      Dessa forma, devo declarar em linhas gerais que a estupidez organizacional do sistema médico não resolve os dilemas sociais presentes e muito pelo contrário, apenas traz mais desconforto aos pacientes e torna todo o tratamento humano uma mercadoria.

     Declaro em linhas gerais também que as Revoluções Médicas que assistimos nos últimos 50 anos fracassam bem aos nossos olhos, nas mãos de burocratas estúpidos e atendentes risonhas e diletantes que só nos dão respostas vazias.

    Inflamo mais minhas palavras quando o descaso com que são tratados os pacientes consome ainda mais o imaginário dos hospitais em virtude do charlatanismo de alguns médicos, além da total falência do sistema público de saúde. Dessa forma estou tentado a pensar, mesmo pagando um plano de saúde incipiente, no sofrimento daqueles que agora mesmo enfrentam situações ainda mais difíceis e degradantes das que reles conveniados possuem ao esperarem o ócio moribundo das salas de espera. A estes, a estes se pode muito bem colocar a supra definição de "pacientes".

     A arrogância e a falta de uma prática humanista no tratamento dos enfermos leva-me a escrever tais linhas e me encaminha a daqui alguns meses escrevinhar os preceitos de um manifesto a favor do humanismo.

     Camaradas e irmãos, de todas as gentes, gêneros e costumes, é ignóbil pensar que tal tirania possa continuar a existir, é preciso fazer uma autocrítica de tal realidade, para que possamos realizar mais do que uma simples Revolução, mas uma total mudança de tal realidade na saúde. Não será por armas que trataremos os doentes e feridos, mas será por nossas palavras e ideias, dessa forma, pensai naqueles que hoje nada tem para que lhes possa sarar. Pensai nesses.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O outro século

Yuri Gagarin
      No dia 12 de abril se comemora o Dia do Cosmonauta pela simples razão que nesse mesmo dia o homem conquistou as fronteiras da Terra e caminhou rumo ao Espaço, Yuri Gagarin em 12 de abril de 1961 na nave Vostok I realizava a prodigiosa façanha de ser o primeiro homem a orbitar a Terra.


     Esse fato, associado com o fato de os soviéticos terem lançado o primeiro satélite no Espaço e o primeiro ser vivo levaram à iniciativa de ambos os lados, soviéticos e americanos, à Corrida Espacial. Depois de finda tal Corrida, os Estados Unidos desperdiçaram a oportunidade de utilizar-se dos esforços de  seu antigo inimigo, e conseguir tornar viável a conquista espacial, hoje tal honraria só é empreendida pelo capital norte-americano, o que é algo muito triste, pois resulta a venda de nossos sonhos a alguns poucos banqueiros e milionários.

      Desde que Julio Verne escreveu Viagem ao Redor da Lua, o imaginário humano rondou em torno do espaço, de tal maneira que o físico russo Tsiolkovsky inspirado em outras leituras, recitou as proféticas palavras: "A terra é o berço da humanidade, mas não se deve viver no berço eternamente".

                                           Trecho do filme de 1902 (Viagem ao redor da Lua)
                                                           inspirado em Jules Verne


        Em seus dois livros:  Sonhos de Terra e céu e Além da Terra. Tsiokovsky elaborou um artigo amigável com extraterrestres para o desenvolvimento humano, à época a astronomia ainda era uma ciência um pouco marginalizada frente à física e a química, e beirava a um pensamento um pouco utópico, mas as equações de Konstantin Tsiolkovsky sobre os foguetes embasaram posteriormente o desenvolvimento do programa espacial soviético, bem como o programa militar do Exército Vermelho na Segunda Guerra, as Katyushas foram inspiradas em suas ideias.

File:Циолковский за работой.jpg
Tsiolokvsky em foto
       A terra se tornou um lugar muito pequeno para  a grandeza da Humanidade, Tsiolkovsky mostrou isso junto com outros pensadores que nortearam o programa espacial de ambos os lados: Von Braun (do lado dos americanos) e Korolev (no lado soviéticos).


       "Os homens são fracos agora, contudo transformam a superfície terrestre. Em milhões de anos o seu poder aumentará até ao limite em que irão mudar a superfície da Terra, os oceanos, a atmosfera e eles próprios. Eles irão controlar o clima e o sistema solar como controlam a Terra. Eles irão viajar para além dos limites do nosso sistema planetário; eles irão alcançar outros Sóis e utilizar a sua energia vibrante ao invés da energia do seu astro moribundo." (Tsiolkovsky in Тхе универсе анд цивилисатион‎ - Página 104, Виталий Иванович Севастьянов, Аркадий Дмитриевич Урсул, Юрий Андреевич Школенко - Прогресс Публишерс, 1981)

       Yuri Gagarin provou que mais do que qualquer coisa, a terra era singela demais, vulnerável demais, para mais guerras e destruição. Era um planeta minúsculo com "seus vales e rios" tecendo o manto azul na frente de sua minúscula janela na orbita da Vostok I.



      Gagarin é um herói, não só por ter conseguido sua façanha, mas por ter se mantido humilde frente a ela, coberto de louros, ainda se percebia a simplicidade do jovem rapaz da aviação soviética que perdeu os irmãos no horror da guerra, e ainda sorria e acenava para pessoas desconhecidas. Gagarin transportava as emoções, as esperanças de toda uma noção humanidade; ele foi usado como veículo de propaganda soviética, mas ele parecia estar além disso: era recebido em Moscou, na Praça Vermelha, na Casa Branca, em Washington, na França, Inglaterra e até no Brasil! O seu discurso não era o mesmo uníssono: "A decadência degenerada do Ocidente não era páreo ao triunfo do socialismo", não, sua mensagem era de paz.
Vostok I
     A morte de Gagarin retirou a força do discurso em prol da defesa da frágil humanidade, mesmo assim seu espírito não morreu, ecoa toda a vez que se pensa em falar sobre o Espaço, toda a vez que um cosmonauta se lança ao Espaço para passar meses na Plataforma Orbital.

     Esse é o espírito que fundamentou em 1983 a execução do documentário НАШ ВЕК, de Artavazd Pelechian, para homenagear o próprio programa espacial de ambos os países, mostrando as dificuldades, as proezas e os fracassos do desenvolvimento tecnológico humano até a chegada ao desenvolvimento do programa espacial de ambos os países, é uma homenagem aos que morreram, bem como uma forma de lembrar aqueles que tanto pensaram no Espaço como o seu lar.

     
       "Nosso Século", é o documentário que tenta nos passar tal espírito. Ele é vibrante ao mesmo tempo em que é triste, ele nos conforta ao mesmo tempo que nos deixa melancólicos. Ele é mais do que um simples documentário, é uma sinfonia aos próprios olhos, na forma como foi elaborado, organizado e pensado. Tal como o programa espacial no início tinha sido imaginado, no imaginário de Jules Verne, Konstantin Tsiolkovsky e na paixão de Korolev em olhar para as estrelas e imaginar outras realidades.


         Extras:

        Primeira Missão de Yuri Gagarin


   Preparação para a Primeira Missão de Gagarin




Áudio de Korolev conversando com Gagarin na primeira missão da Vostok I



                                                         Em homenagem a Yuri Gagarin

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...