segunda-feira, 14 de julho de 2014

Saída

Por aquela porta
Sob o semblante taciturno
Minerva esconde a serpente
E segura o feixe do esquecimento

O relógio na parede
Martela o ponteiro
As cadeiras vazias
Escrevem amarga poesia

As nuvens do ócio
Encolerizam nos ventiladores
E beijam os sabugos
dos degraus da escadaria

As cercas do conhecimento
O cunho aristocrático dos livros
Os computadores impessoais
Tomam meu livre saber
Toda a memória do esquecimento

Meu amigo destino
Meu sentido clandestino
Papel vermelho
Amargo pentelho

Referências,
Exposições
meras distrações

As luzes do positivismo
ofuscam o meu caminho
E sem as ilhas de livros
Não poderia apagar o sentido

Por aquela porta
não se pode falar
beber ou fumar

Minerva é sensual
e bastante matriarcal
Conhecimento
é cimento da solidão

Aquela porta de vidro
Aquela saída
está para mim fechada

Acabei de sorrir,
e em mim já estava arrependido
com tamanha velocidade

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