Por aquela porta
Sob o semblante taciturno
Minerva esconde a serpente
E segura o feixe do esquecimento
O relógio na parede
Martela o ponteiro
As cadeiras vazias
Escrevem amarga poesia
As nuvens do ócio
Encolerizam nos ventiladores
E beijam os sabugos
dos degraus da escadaria
As cercas do conhecimento
O cunho aristocrático dos livros
Os computadores impessoais
Tomam meu livre saber
Toda a memória do esquecimento
Meu amigo destino
Meu sentido clandestino
Papel vermelho
Amargo pentelho
Referências,
Exposições
meras distrações
As luzes do positivismo
ofuscam o meu caminho
E sem as ilhas de livros
Não poderia apagar o sentido
Por aquela porta
não se pode falar
beber ou fumar
Minerva é sensual
e bastante matriarcal
Conhecimento
é cimento da solidão
Aquela porta de vidro
Aquela saída
está para mim fechada
Acabei de sorrir,
e em mim já estava arrependido
com tamanha velocidade
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