A vida é uma criatura totalmente ilógica, é essa criatura que te bate sem motivo num dia e te acaricia no outro.
É esse monstro feio e disforme, cheio de pelos, com dentes agudos e olhar agressivo, que com o passar do tempo você se acostuma, e chama de seu docinho.
A vida tudo lhe cobra e nada lhe dá, mas quando lhe dá, você fica bastante feliz com ela. Você se apaixona, se casa, monta uma família, cria raízes e ri por qualquer besteira.
A vida é essa criatura maligna que depois de te bater, te dá doce... Ah, vidinha maldita!
A vida é esse nexo provisório, onde um dia você se sente triste, no outro sente-se feliz por estar ao lado de outra pessoa. Não faz sentido, seu coração bater mais rápido, se dias atrás ele sequer fazia questão de bater de tanta tristeza.
Ontem chorava por uma, agora ris feito bobo por outra. Qual a lógica disso? Eu não sei, só sei que me sinto assim, me sinto estranho assim, é verdade. Será esse o significado da vida? Eu não sei.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Adeus, camaradas
Adeus camaradas, pois aqui nosso destino nos alcança. É aqui que desço na longa ferrovia da vida.
Foi bem aqui que anos atrás saltei para conhecer o Mundo, e agora é aqui que me desapego de tudo que é impuro.
Eis que na minha jornada vi as mais diferentes pessoas, com os mais diferentes costumes, todas vis e mentirosas, e aprendi desde cedo a confiar em nenhuma delas.
Quantas coisas fizemos, quantas passeatas lutamos, quanto vinho tomamos... Foram bons tempos.
E pensar que não foi tanto tempo assim. Como queria eu ser uma andorinha que se assenta em qualquer canto, depois de uma longa viagem e no dia seguinte levanta voo nessa vida bem cigana que é a de uma andorinha.
Mas não sou, eu não sou uma andorinha, apego-me a terra e a todos que nela vivem... Sim, sim, conheci uma pessoa, que não espero encontrar nessa estação. Uma pessoa que no íntimo pensei ser boa, e no fim se revelou ser, e eu ruim.
Ela sequer deve saber que eu existo, sequer olhou para mim naquele dia... Não a culpo, não olharia para mim mesmo se visse a grande desfeita que havia feito naquele local... E pensar que não foi tanto tempo assim, foi numa estação qualquer da vida, há não um mês atrás.
Hoje me despeço com uma dor no peito, pois saber que agora não os mais verei é tão triste quanto arrancar meio braço lentamente, mas sei que assim é melhor para nós, afinal de contas cada um com o seu caminho. Adeus camaradas.
Não olho mais para trás, não vejo mais as tolices que cometi e os amores que perdi. Não penso mais no passado, o futuro me guiará, como sempre me guiou. Viva vida.
Não penso mais nela, não penso mais naquela que destroçou sem cerimonia o meu coração. Por que pensar nisso? Ela nem se lembra de mim.
Penso que nessa nova estação talvez encontre outra, uma donzela tão linda e tão infeliz quanto eu agora sou... Trarei-lhe flores, consolarei o seu choro... Ficarei abraçado à ela noite e dia, escreverei odes melosas e todas as sortes de harmonias.
Queria que minha vida fosse assim, no fundo, eu queria. Mas eu sei que ela não é assim, não é um poema qualquer cheio de rosas de um poeta fatalista do fim dos séculos, mas eu gostaria que fosse assim.
Lá está ela, de cabelos negros, rosto bem feito, e cabelos recentemente cortados... Bonita, serena, comum. Aquela, vês, a de moletom preto, com os cabelos curtos e sorriso tímido do rosto, que tanto fala aos amigos e que brinca no outono de pular nas folhas secas. Será que dará certo?
Eu não sei, o caminho é pedregoso, cheio de cacos de vidro e não sei se tenho forças para enfrentar meu destino... Será que se eu sair daqui, ela pensará em mim?
Espero que sim... Pelo menos acredito que sim. Adeus camaradas, deem minhas notícias aos nossos companheiros de luta, aqueles do Partido, pois agora rasgo minhas insignias e vou em direção a outra vida. Adeus, camaradas. Adeus.
Foi bem aqui que anos atrás saltei para conhecer o Mundo, e agora é aqui que me desapego de tudo que é impuro.
Eis que na minha jornada vi as mais diferentes pessoas, com os mais diferentes costumes, todas vis e mentirosas, e aprendi desde cedo a confiar em nenhuma delas.
Quantas coisas fizemos, quantas passeatas lutamos, quanto vinho tomamos... Foram bons tempos.
E pensar que não foi tanto tempo assim. Como queria eu ser uma andorinha que se assenta em qualquer canto, depois de uma longa viagem e no dia seguinte levanta voo nessa vida bem cigana que é a de uma andorinha.
Mas não sou, eu não sou uma andorinha, apego-me a terra e a todos que nela vivem... Sim, sim, conheci uma pessoa, que não espero encontrar nessa estação. Uma pessoa que no íntimo pensei ser boa, e no fim se revelou ser, e eu ruim.
Ela sequer deve saber que eu existo, sequer olhou para mim naquele dia... Não a culpo, não olharia para mim mesmo se visse a grande desfeita que havia feito naquele local... E pensar que não foi tanto tempo assim, foi numa estação qualquer da vida, há não um mês atrás.
Hoje me despeço com uma dor no peito, pois saber que agora não os mais verei é tão triste quanto arrancar meio braço lentamente, mas sei que assim é melhor para nós, afinal de contas cada um com o seu caminho. Adeus camaradas.
Não olho mais para trás, não vejo mais as tolices que cometi e os amores que perdi. Não penso mais no passado, o futuro me guiará, como sempre me guiou. Viva vida.
Não penso mais nela, não penso mais naquela que destroçou sem cerimonia o meu coração. Por que pensar nisso? Ela nem se lembra de mim.
Penso que nessa nova estação talvez encontre outra, uma donzela tão linda e tão infeliz quanto eu agora sou... Trarei-lhe flores, consolarei o seu choro... Ficarei abraçado à ela noite e dia, escreverei odes melosas e todas as sortes de harmonias.
Queria que minha vida fosse assim, no fundo, eu queria. Mas eu sei que ela não é assim, não é um poema qualquer cheio de rosas de um poeta fatalista do fim dos séculos, mas eu gostaria que fosse assim.
Lá está ela, de cabelos negros, rosto bem feito, e cabelos recentemente cortados... Bonita, serena, comum. Aquela, vês, a de moletom preto, com os cabelos curtos e sorriso tímido do rosto, que tanto fala aos amigos e que brinca no outono de pular nas folhas secas. Será que dará certo?
Eu não sei, o caminho é pedregoso, cheio de cacos de vidro e não sei se tenho forças para enfrentar meu destino... Será que se eu sair daqui, ela pensará em mim?
Espero que sim... Pelo menos acredito que sim. Adeus camaradas, deem minhas notícias aos nossos companheiros de luta, aqueles do Partido, pois agora rasgo minhas insignias e vou em direção a outra vida. Adeus, camaradas. Adeus.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Maldita escada
Subia ao sótão um jovem rapaz, procurando algumas tábuas, algumas peças de madeira, um pouco de tinta e inspiração para consertar uma mobília qualquer.
Sabia ele que não era fácil descer com tudo aquilo, mas mesmo assim decidiu arriscar, afinal de contas, não queria fazer duas viagens. Atou as peças de madeira com cordas às suas costas, prendeu com fita porções generosas de pregos no peito e levava os baldes de tinta presos aos seus braços pelas argolas.
Quando descia, calmamente, sentia que não estavam muito seguros os baldes de tinta, e sem querer, desastrou-se e quase deixou a tinta branca cair ao chão num desastre irremediável a casa, já que aquela escada na parede, estava suspensa em outra em caracol.
Conseguiu segurar aquilo, mas nervoso, esqueceu bem o perigo que a situação impunha e acelerou cada vez mais a sua descida.
Num dado momento, as tábuas de madeira o fizeram tropeçar em seus próprios pés, e ele não pode fixar os pés nos degraus, ficando suspenso apenas pelos braços...
Não, o garoto não era forte, era peso pena por excelência, mesmo assim agarrou-se à vida com tudo que podia, se caísse ali, cairia com certeza na escada em caracol e iria na melhor da hipóteses sair rolando como uma bola de futebol, seriamente machucado, na pior, ficaria paralítico.
Agarrou-se como pôde no corrimão e estava prestes a fincar os pés no degrau. Foi quando algo desastroso ocorreu: A tinta branca, que tanto lhe causara problemas na descida, estava meio destampada e não custou muito para que a lata se abrisse e sujasse o rosto do rapaz.
Desastrado, o rapaz golfou uma porção absurda de tinta que pintava sua língua e manchava seu paladar... Seus olhos ficaram encobertos pela grossa camada de tinta e ardiam com a reação com o pigmento, foi quando inconscientemente ele passou uma das mãos nos olhos para tentar limpá-los e como a outra não suportou bem o peso, acabou caindo escada abaixo.
No chão, após um estrondo pavoroso que surgira enquanto ele rolava pela escada em caracol de metal, o infeliz soltara um grito de dor absurdo que pudera ser ouvido até pelos vizinhos e caído, ali no chão, olhava para cima sem acreditar na sorte infeliz que lhe fora reservada:
"Maldita escada..."
Estava agora imóvel no chão, rodeado de pregos e taxinhas, numa poça de tinta nas bordas e um punhado de madeira que havia se quebrado na queda... Havia batido as costas no corredor central da escada e não mais sentia as pernas naquele momento, talvez fosse melhor assim.
Agora não seria um móvel que ele teria que consertar, mas uma coluna inteira por causa de uma maldita escada.
Uma cadeira
Era uma singela cadeira, revestida pela sombra do cômodo escuro... Era uma cadeira logo ali no centro, sozinha, desolada, no piso de madeira.
Na escrivaninha havia um bilhete, escrito em letra cursiva às pressas e ilegível, com a caneta-tinteiro repousada no frasco de tinta.
À luz fraca e sinuosa de uma vela, uma única vela apenas, a garrafa de vinho tomava colorações interessantes, já que estava meio vazia.
Afinal, o que pensar sobre tudo aquilo? O rapaz estava sentado junto à cama, no chão, admirando a tremenda estupidez que ia fazer... Via com assombro o nó da corda balançar sob a corrente de ar fria que entrava pela janela, e chorava com isso.
Tinha nas mãos uma faca, cuja lâmina tão prateada era sedutora aos olhos de qualquer um, mas não àquele rapaz de se afogava nas suas próprias lágrimas. Bebera demais? Certamente sim, mas com certeza via-se nele um espírito de tamanha depressão e falta de amor próprio que nenhuma criatura desejaria.
Ele bebera um pouco mais de seu vinho, e admirava o modo como a luz da noite, da lua refletiva, entrava pela janela do seu quarto escuro. Na parede, via um quadro qualquer de um violino sobre a mesa, numa parede tão rebocada e trincada que dava pena de se ver.
No criado mudo, o telefone piscava uma seta vermelha, de várias ligações não atendidas, colorindo assim a capa daquele novo livro de bolso que o fazia dormir todas as noites. Era alguma coisa sobre o sofrimento de um jovem alemão desiludido pelo amor, uma obra qualquer de Goethe, Os Sofrimentos do Jovem Werther.
Então era isso, então era por amor que o rapaz chorava, era por amor que o rapaz estivera tão disposto a acabar com aquela amarga sinfonia que é a vida... Que vergonha! Que franqueza! Que coisa ínfima!
Sentia culpa de si mesmo, olhava para frente decidido que não saltaria naquela cadeira mais uma vez, não se seduziria pelo nó daquela gravata rude de corda que pendia sobre o teto... Não, ele não faria isso! Não dessa vez!
Jogou para longe a faca e com os olhos fixos, observava na parede retalhada do quarto a única vela ali presente se consumir em chamas coloridas.... Passou a noite inteira assim, sob o gole de vinho, acordado, enquanto o fogo desaparecia com o frio e ficou assim até mesmo quanto ficou escuro outra vez, e o sol se despontou no céu.
Uma janela
Não sabem o que dizem os sábios quando falam que livros são a janela do conhecimento...
Não sabem que por essa janela aberta, escancarada, entram uma infinidade de coisas boas e ruins... Desde a poluição do dia, até o raiar de sol que esquenta a manhã fria.
Foi por esta janela que entrou um pequeno passarinho, um pardalzinho, marrom de bico escurecido, trazia consigo uma folha verde meio enrugada que caiu de seu bico enquanto saltava voo no meu quarto.
A pequena criatura curiosa subiu diante a mesa, posta ao lado de uma parede, num canto, abaixo de um quadro qualquer e admirava consigo a papelada bagunçada pelas ideias de outro dia... Descansando ali, perto daquela ave, estava um copo de chá gelado, de hortelã importada, o qual o pardalzinho não fez cerimônia em bebericar.
Acho que ele gostou, pois bebeu mais que devia e quando se satisfez da bebida, continuou a vagar curioso pela mesa... Distraída a ave tropeçou num punhado de tinta nanquim, que desabou pela mesa de madeira escura e sujou por completo a cerâmica fria branca do piso.
A ave assustada saltou um voo preguiçoso e foi cair na minha estante de livros, se entrelaçando entre o Gogol e o Tchekhov, brincando com o Machado e viajando no Verne, lutando com o Dumas e inalando a poesia de Pushkin.
Quando cheguei, essa ave literária, tão sábia quanto uma coruja, lançou-se ao voo de liberdade, deixando no Paulo Coelho uma surpresa inimaginável. Quem diria que aquela ave tinha um gosto refinado por livros, e por chá também?
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Poema chamuscado
Tece chama
Danças sinuosas
Cores harmoniosas
Vidas xistosas
Seu rubro rubor
Colorido de azul
Enche aos olhos
Um piromaníaco de amor
Foste tu que sozinha
Incendiara Roma,
Londres e Cartago
E ainda arranja tempo
Para aquecer-nos no frio,
Iluminar nosso caminho nas trevas
E cozinhar nossa comida.
Temem tanto a sua companhia,
A fumaça, que sequer ela é bem vista
Como se por ventura você fosse,
Destruidora impiedosa.
Chama surda que desatina,
Medo escarlate nos olhos.
Poeta diz que amar é uma chama,
Por isso é tão perigoso o amor.
Queima a alma,
Cega as vistas,
Inala-se de toxinas,
Faz bater o coração mais rápido.
No fim, você caí desacordado
Sem uma sombra de ar no peito
Depois de seus olhos lacrimejarem
E sua lógica se incendiar.
Amar é tal como soltar um incêndio
Você nunca pode controlá-lo
Você se seduz pelas cores
Mas no fim, você sai machucado.
Danças sinuosas
Cores harmoniosas
Vidas xistosas
Seu rubro rubor
Colorido de azul
Enche aos olhos
Um piromaníaco de amor
Foste tu que sozinha
Incendiara Roma,
Londres e Cartago
E ainda arranja tempo
Para aquecer-nos no frio,
Iluminar nosso caminho nas trevas
E cozinhar nossa comida.
Temem tanto a sua companhia,
A fumaça, que sequer ela é bem vista
Como se por ventura você fosse,
Destruidora impiedosa.
Chama surda que desatina,
Medo escarlate nos olhos.
Poeta diz que amar é uma chama,
Por isso é tão perigoso o amor.
Queima a alma,
Cega as vistas,
Inala-se de toxinas,
Faz bater o coração mais rápido.
No fim, você caí desacordado
Sem uma sombra de ar no peito
Depois de seus olhos lacrimejarem
E sua lógica se incendiar.
Amar é tal como soltar um incêndio
Você nunca pode controlá-lo
Você se seduz pelas cores
Mas no fim, você sai machucado.
Azul vermelho
Azul é uma cor bonita
Ao mesmo tempo
Não é verde, nem branco
Azul é azul
É primo do anil
Que colore o céu
Junto com o branco
Das nuvens véu
Azul seduz os olhos
Tinge com sua força
Com amarelo, verde
E com vermelho, lilás
Aliás, e o vermelho
Cor essa escarlate
Que ao mesmo tempo é
Vida e morte
Rosso, em italiano
É quase roxo
Tal como azul em polaco
Não é branco
Qual o sentido
de formar rima de cores?
Sem se lembrar do lilás.
Roxo é uma cor tão fúnebre
que quase chega a ser preto
É cor da berinjela e da beterraba
Que estragam o paladar e humor
Lembro-me de misturar roxo com amarelo
Dava algo perto de marrom
Marrom cor da madeira dura
E do excremento macio.
Que nojo!
Verde é azul com amarelo
Que diriam os duendezinhos irlandeses
Se eu dissesse que eles são filhos do sol
e do mar, ao mesmo tempo?
É triste na aquarela
Saber que branco e preto tem querela
Pois um é feito de todas as cores
E o outro também
Afinal esse é um debate de tintas ou sobre o preconceito?
Ao mesmo tempo
Não é verde, nem branco
Azul é azul
É primo do anil
Que colore o céu
Junto com o branco
Das nuvens véu
Azul seduz os olhos
Tinge com sua força
Com amarelo, verde
E com vermelho, lilás
Aliás, e o vermelho
Cor essa escarlate
Que ao mesmo tempo é
Vida e morte
Rosso, em italiano
É quase roxo
Tal como azul em polaco
Não é branco
Qual o sentido
de formar rima de cores?
Sem se lembrar do lilás.
Roxo é uma cor tão fúnebre
que quase chega a ser preto
É cor da berinjela e da beterraba
Que estragam o paladar e humor
Lembro-me de misturar roxo com amarelo
Dava algo perto de marrom
Marrom cor da madeira dura
E do excremento macio.
Que nojo!
Verde é azul com amarelo
Que diriam os duendezinhos irlandeses
Se eu dissesse que eles são filhos do sol
e do mar, ao mesmo tempo?
É triste na aquarela
Saber que branco e preto tem querela
Pois um é feito de todas as cores
E o outro também
Afinal esse é um debate de tintas ou sobre o preconceito?
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Pergunte a um louco
Certa vez perguntei a um louco qual era a fórmula da vida.
Ele me disse que para ser vivo, precisava ser atento, viver o momento. Não pensar em si mesmo, mas também não pensar nos outros.
Ele me disse também que para ser vivo, não precisa ter deus, afinal ateu vive e cristão morre, sem que o mundo acabe com isso.
Falou pra mim que estranha as pessoas mentindo umas para as outras, afinal de contas, pra que mentir se a verdade está bem ali.
Também disse que não entende o porque de pessoas chorarem por amor, sofrerem por pessoas malvadas que destroçam corações ou simplesmente sequer se importam com os outros.
Perguntou-me qual era a graça de viver num mesmo lugar, todo o tempo, fazer as mesmas coisas todo tempo, de passar horas com raiva num transito para chegar em casa e dormir, sem usufruir de uma TV bacana, ou mesmo um livro legal.
Não soube responder.
Perguntou-me se o papel higiênico era assim tão importante para que as pessoas fizessem tanta merda para conseguir esse papel. Eu logicamente disse que não, então por que o dinheiro é?
Falou-me que andarilho é um homem afortunado, anda livre por aí, assalta as árvores para comer, e conhece muitos lugares sem soltar um tostão qualquer.
Disse-me que na vida, nem tudo se aprende na escola, mas é na rua que se aprende o que é ruim ou bom e que a vida é tão cigana, que não podemos ficar parados por aí.
Azul não é rosa, e amor não é prosa, foi o que ele me disse.
No fim percebi que o louco não era ele, e que sim eu, por acreditar que alguém tão genial podia ter sido louco num dado momento.
Ele me disse que para ser vivo, precisava ser atento, viver o momento. Não pensar em si mesmo, mas também não pensar nos outros.
Ele me disse também que para ser vivo, não precisa ter deus, afinal ateu vive e cristão morre, sem que o mundo acabe com isso.
Falou pra mim que estranha as pessoas mentindo umas para as outras, afinal de contas, pra que mentir se a verdade está bem ali.
Também disse que não entende o porque de pessoas chorarem por amor, sofrerem por pessoas malvadas que destroçam corações ou simplesmente sequer se importam com os outros.
Perguntou-me qual era a graça de viver num mesmo lugar, todo o tempo, fazer as mesmas coisas todo tempo, de passar horas com raiva num transito para chegar em casa e dormir, sem usufruir de uma TV bacana, ou mesmo um livro legal.
Não soube responder.
Perguntou-me se o papel higiênico era assim tão importante para que as pessoas fizessem tanta merda para conseguir esse papel. Eu logicamente disse que não, então por que o dinheiro é?
Falou-me que andarilho é um homem afortunado, anda livre por aí, assalta as árvores para comer, e conhece muitos lugares sem soltar um tostão qualquer.
Disse-me que na vida, nem tudo se aprende na escola, mas é na rua que se aprende o que é ruim ou bom e que a vida é tão cigana, que não podemos ficar parados por aí.
Azul não é rosa, e amor não é prosa, foi o que ele me disse.
No fim percebi que o louco não era ele, e que sim eu, por acreditar que alguém tão genial podia ter sido louco num dado momento.
Não chore
Fecha os olhos
Erga a cabeça
Não chore criança pequena
Não há nada para se chorar
Tem olhos escuros
E uma fúria que irrompe o peito
Sente-se forte, mas no fundo...
No fundo é fraco
Não há porque chorar
Não está ferido
Não agoniza
Apenas tentou se matar
Mais uma vez?
Que feio!
Fugir do mundo desse jeito
Tentou viajar?
Pensa que isso muda tudo?
Que será forte daqui em diante?
Seu fraco! Nada muda se você não se muda
Sente dor? Sente pavor?
Ou é ódio de si que tem?
Quer se matar? Mate esse vilão no seu peito
Não a si mesmo.
Erga a cabeça
Não chore criança pequena
Não há nada para se chorar
Tem olhos escuros
E uma fúria que irrompe o peito
Sente-se forte, mas no fundo...
No fundo é fraco
Não há porque chorar
Não está ferido
Não agoniza
Apenas tentou se matar
Mais uma vez?
Que feio!
Fugir do mundo desse jeito
Tentou viajar?
Pensa que isso muda tudo?
Que será forte daqui em diante?
Seu fraco! Nada muda se você não se muda
Sente dor? Sente pavor?
Ou é ódio de si que tem?
Quer se matar? Mate esse vilão no seu peito
Não a si mesmo.
Monstros da minha infância
"Na minha infância, eu acreditava
em monstros.
Achava que mãos iam brotar de baixo da cama.
As sombras se mexiam.
Eu ouvia passos nos corredores."
O cair da noite me aterrorizava. Quando saía à noite pelo corredor, com medo, meus pais,
tolos, diziam que não havia nada. Eram besteiras da minha imaginação. Monstros
não existem.
É monstros não existem. Mas o que era então, minha simples imaginação?
Se fosse, tenho medo de mim mesmo, por ter criado na minha mente criaturas tão pitorescas, tão malignas, tão terríveis. Como uma criança podia pensar nisso?
Escondia-me debaixo dos lençóis, achava minha cama segura e quando logo clareasse tudo estaria bem e eu estaria a salvo mais uma vez.
Queria dizer que quando cresci, deixei de acreditar em monstros, mas na verdade não, os monstros estão todo dia e em todo lugar, apenas usam máscaras e se fazem de bonzinhos; Eles mentem, roubam, matam se preciso, não tem escrúpulos e ferem-nos na alma com um singelo comentário. Não há nada mais monstruoso do que o ser humano.
Dor surda
Ela saiu levando o meu coração
Ela partiu acabando com a canção
Ela me deixou sem qualquer reação
Não sorri, não chora
Não teme, não sente
Não mais olha, nem escuta
Ficou surdo
Com uma dor surda
Ficou cego
De amor cego
Pensou amar, quis desejar
Tinha que quebrar a cara
Fechar o rosto
E chorar
Não fez isso,
Não chorou, nem sequer pensou
Seguiu em frente, agora dor sente
Vale a pena, meu rapaz?
Vale a pena debater-se por isso?
Vale a pena tentar contestar o dito?
Vale a pena amar o perdido?
Não, não vale, você não havia querido
Não era a você que cabia amar
Não era a você que cabia sofrer
Feche os olhos, expanda a sua mente
Largue a arma, pense consciente
Não vale a pena morrer
Por alguém que nem liga pra você!
Ela partiu acabando com a canção
Ela me deixou sem qualquer reação
Não sorri, não chora
Não teme, não sente
Não mais olha, nem escuta
Ficou surdo
Com uma dor surda
Ficou cego
De amor cego
Pensou amar, quis desejar
Tinha que quebrar a cara
Fechar o rosto
E chorar
Não fez isso,
Não chorou, nem sequer pensou
Seguiu em frente, agora dor sente
Vale a pena, meu rapaz?
Vale a pena debater-se por isso?
Vale a pena tentar contestar o dito?
Vale a pena amar o perdido?
Não, não vale, você não havia querido
Não era a você que cabia amar
Não era a você que cabia sofrer
Feche os olhos, expanda a sua mente
Largue a arma, pense consciente
Não vale a pena morrer
Por alguém que nem liga pra você!
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