terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um gigante de aço

Aos doutores em História da Segunda Guerra Mundial (Doutores ou fanáticos mais afoitos) lanço tal questão:


Qual foi o melhor tanque da Segunda Guerra Mundial?

"Panzer...." Algum apressadinho.
"Calma, pensa antes de falar..." Falei


        Isso mesmo, o T-34!

       Milhares de historiadores militares, chucrutes inveterados e "experts" em Segunda Guerra. Só porque zeraram o Call of Duty, jogaram Battlefield, se acham os sabichões da Segunda Guerra... Se vocês são tão espertos, me digam todas as causas para a assinatura do Pacto de Não-Agressão, e todos os motivos para Hitler invadir a União Soviética há poucos meses perto do Inverno Russo.

       Quero ver se são tão espertos agora...

        Agora, depois dessa alfinetada na testa, deixe-me explicar o porquê de eu ter eleito o T-34 como o melhor tanque da Guerra, houveram tanques mais poderosos, como o Panzer Maus, o IS-2, mas eu vou explicar o porquê de ter eleito o T-34.
Ficheiro:T-34-85 góra RB.jpg
O T-34 guardado em um pátio da reserva russa

           O T-34 primeiramente era um tanque de desing inovador, ao contrário do Panzer, que era todo quadradão, o T-34 tinha um formato mais arredondado que permitia-lhe se desvencilhar do impacto de algumas armas anti-tanque como a Panzerschek.
Um Panzer é todo quadradão, isso torna fácil de ser perfurado


          O T-34 foi originalmente pensado para ser um tanque para uma tripulação pequena, de no  máximo quatro camaradas dentro do carro de combate, enquanto o Panzer exigia de cinco a seis; isso pode parecer pequeno, mas se formos considerar que cada homem é valiosissímo a um Exército bem treinado como o alemão, ao quão não podia sequer chegar perto em números ao soviético, percebemos que isso era importante, afinal, mesmo a diferença sendo por exemplo de cinco homens, há cada quatro tanques você pode designar uma outra tripulação a um quinto tanque.


        O T-34 tinha um motor valente de 500 cavalos de força, ao passo que o Panzer quase não chegava aos trezentos, e utilizava um inovador sistema a diesel de 12 cilindros.

        O tanque tinha ainda uma autonomia boa, podia chegar a 305 km sem precisar reabastecer, o que era muito, se formos considerar a época, o peso do bicho, e as distâncias a percorrer... Corria muito bem em solo irregular e lamacento, chegando até mesmo a valentes 55 km/h, enquanto o Panzer atolava.

        Foi um dos primeiros tanques a ultrapassar a barreira de canhão, chegando a ter um canhão principal de 85 milimetros, enquanto o do Panzer IV era de 73 mm.

File:Char T-34.jpg
Isso não é pouco!
      Tinha um motor relativamente silencioso (barulhento pra caramba) para os tanques da época e suportava o frio com facilidade, ao contrário dos Panzers que precisavam de todo um processo para se tornarem aptos ao Inverno.


        Era um tanque fácil de se produzir, tanto que por exemplo a variante T-34/85 foi lançada em meados de 1943, era o top de linha na época,  e até o final da guerra foram produzidos quase 10 mil tanques!

       O T-34 foi lançado em 1940, em 1941, a União Soviética contava com aproximadamente mil desses gigantes de lata novinhos, e mais cinco mil outros tanques, contra os três mil tanques de Hitler, a falha dos primeiro anos pós-Barbarrossa foi extremamente tática.

        O T-34 possui particularidades em seu chassi, totalmente cheio de placas desniveladas de metal, essas placas eram usadas para os soldados de infantaria se segurassem na carroceria; Os tanques também serviam como veículos de transporte de tropas, afinal, a União Soviética tinha realmente uma carência preocupante de caminhões e veículos de transporte de infantaria... Era mais barato e mais fácil levar a infantaria na carroceria. Isso poupava os soldados de marchas forçadas, agilizava as operações, e rapidamente os soldados podiam deixar o tanque, afinal um T-34 não era muito alto, dava para simplesmente saltar.
Eles ainda foram bonzinhos nessa foto ao colocar só três soldados na carroceria , normalmente iam de 10 a 15 soldados expremidos nessa coisa


        Um tanque fácil de se produzir (chegaram ao recorde de produzir um em 2000 horas! na Alemanha isso seria impossível), barato, tanto que foram avaliados os custos de produção da época, e provavelmente um T-34 custava algo próximo a 300 a 400 mil doláres, enquanto um tanque M-1 Abrams hoje custa fácil três milhões e meio de doláres e potente, além de veloz.

         Mesmo com tudo isso, o T-34 possuía falhas.

         O tanque poderia ter um design inovador (vemos o desenvolvimento por volta de 1937), mas tinha uma questão, a torre do tanque não comportava nada mais que dois soldados, até que enfim esse problema acabou resolvido, era um problema bobo, mas dificultava na hora de entrar.
Isso podia ser problemático no meio de um conflito de tanques

            Ao contrário do Sherman (o inútil M4 americano) que não fazia outra coisa além de pegar fogo quando atingido, o T-34 dificilmente pegava fogo, a questão era se você podia morrer asfixiado com a fumaça que podia surgir com qualquer fogo na parte exterior, seria difícil sair.

           Os últimos problemas, não são nem culpa do design, mas sim da própria indústria soviética:

  1. Por vezes os tanques acabavam sendo perfurados por coisas bestas, unicamente porque a qualidade do aço empregado era de péssima qualidade, afinal de contas, a indústria soviética em si não tinha um processo de produção de aço muito eficiente;
  2. A suspensão Christie, a suspensão fora importada por uma empresa soviética nos Estados Unidos, que comprou alguns desenvolvimentos do designer e construtor de carros Walter Christie, geralmente eram bons negócios, mas essa suspensão não... A suspensão era delicada e por vezes estragava, às vezes por simplesmente não aguentar as trinta toneladas do bicho de metal, isso era muito comum no front Oriental,  os tanques serem abandonados por problemas na suspensão, ou mesmo as esteiras romperem.
  3. Às vezes as coisas iam tão na pressa, que por vezes tanques saiam com peças faltando, com carburador inoperante, com a torre com defeito, e era comum os tanques, principalmente em 1941-42, anos mais difíceis de guerra, os tanques saírem sem sequer tomarem uma pintura para indicar se eram soviéticos.
       
        Em todo caso, o T-34 foi um marco, um marco da União Soviética, militar, no sistema de produção e na cultura, foi um marco na Segunda Guerra e  um marco para os tanques a seguir, que vieram a copiar ideias do T-34.

        O T-34 era tão foda, mais tão foda, que os alemães copiaram todo o seu desenho e o usaram na construção do Panzer Panther, que mesmo assim o T-34 se revelou melhor que o Panther, chegando a competir inclusive com os fortíssimos Tigers.

        Não à toa que mesmo tendo terminado a guerra, a URSS continuou a produzir esses tanques, disponibilizando para um bando de países do Pacto de Varsóvia ou não... Os T-34 acabaram sendo usados também na Guerra da Coréia, por volta de 1950, no Vietnã, nas Guerras de Descolonização Africanas, e na Guerra da Iugoslávia, de 1992... não a toa, o Exército Russo manteve em linha esses tanques até 1975 (isso quer dizer trinta anos depois do fim da guerra) e mantém até hoje na reserva nos seus arsenais expalhados Russia  afora...

Táticas aplicadas de consciência coletiva...

Protesto
 
Verdades que rondam os protestos mais numerosos de massa:
Visão de direita ultra-ortodoxa:
"Desqualificamos o movimento, não vemos legalidade em tal marcha, afinal são um bando de maconheiros atrapalhando o trânsito... Chamem a cavalaria!"
 Visão liberal:
"Você até pode fazer seu protesto, mas não atrapalhe todo mundo... Contra o quê reinvidica? Não importa, a mídia está do nosso lado"
 Visão socialista:
"Trabalhadores do Mundo, uni-vos!"
Visão trotskysta:
"Vamos ficar de mal com o pessoal que ao proletariado faz mal"
Visão stalinista/maoísta:
"Fuzilem todos! São Inimigos do Povo! Béria, mande-os para o Gulag. Traidores!"
   
Visão da maioria da massa:
"Que divertido! Olhem só, que passeio divertido... Aquele cara lá na frente parece legal, bora seguir ele? "

Visão do Líder:
"Porra, por que esse pessoal está me seguindo... Não sabem que isso me assusta?"

domingo, 4 de dezembro de 2011

O acordar de um sonho

Levanto-me hoje com dificuldade
Sem saber estou com saudade
Enquanto canto pela cidade

Busco hoje na verdade
Um pouco de felicidade

Sem sequer cantar
Sem saber rimar
Corro para o mar
Em direção ao amar

Estou a clamar
Estou a chamar
Nesse triste cantar

Louvar a bela
A doce e delicada
Senhora dona do meu coração

Estou sem reação
Já perdi a emoção
Que me traz comoção
Pois ela ainda mora no meu coração

Que tristonha diverção!
Cantar a sofridão
Sem sequer ter razão

Choro desesperado

Ao sentir nas narinas
O vento úmido da chuva
Lembro das lágrimas
Que derramei por ti

E pensar que um dia
Não só um dia, eu a amei
 E sem rimas agora fiquei

Agora a triste amargura
Sem sorte e sem ternura
Que até hoje perdura
Torna minha alma mais dura

Que falta de postura!
Cantar uma ode, à sofredura
A que hoje não mais censura

Eis a tristonha ditadura
Eis a falta de lamúria
A qual não mais esqueceria

Quem diria que um amor teria
Quem diria que um amor perderia
Não, não mais sofreria
Se ao seu amor não fizesse cantaria

Sabei, minha querida
Ouvi, minha linda
Bela, de olhos negros
Cabelos escuros

Sofro hoje de falta de ternura
Sofro hoje de trida
A doença de da tristonha cantaria

Soube hoje, alma pura
Amada e cantada
Que a lágrima cai
Mas o coração vibra

Prêmio à solidão

Descansante nasce o dia
Ao acordar logo sofria
Levanta-te infeliz
Pois a tanto a ti feris

Levanta-te, acordai agora
Ao sono não mais emergi
Estais só meu rapaz

Olhai ao espelho do banheiro
Diga-me o que vês.
Um infeliz, uma criatura amargurada

Sim, és tu, meu caro
Sabeis o porquê do frio alheio?

A amargura se refez.
Sua alma está pendurada
Sabeis por quê?

Pois que assim a fez
Assim desejou sua agonia
E hoje se consome em melancolia
É por saber que acorda um novo dia

Meu caro rapaz... Meu caro logaz
Acordai de uma vez, e percebei,
Percebei que o que concebei
Não foi nada menos que sua amargura

Esconde-se hoje em laboria, em glória
Acorda e sequer levanta, pensa e canta
Pois agora levanta-te e chora
Pois sem demora o tempo o levará

Estais só, meu amigo.
Aquela que você desjou não o amou
E ao seu coração amargurou

O medo agora perdurou
Sem sequer saber, você nunca amou
Sabei agora o quanto a dor durou
Afinal, você nunca chorou

Chorai agora, meu amigo!
Agora que percebei a tristeza
A doença da aspereza
Que lhe consumiu.

Logo após chorar, ergua os olhos
Pois é um novo dia, as nuvens se afastam
A cotovia lança-se ao voo
Enquanto o rouxinol gorjeia

Chega de amor por meia
Chega dessa dor que permeia
Levanta-te, à ela trovará
A doce cântiga de amar!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Memória

(Carlos Drummond de Andrade)


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Questões

 

         A Humanidade sempre esteve rodeada de questões que influíam de modo direto ou indireto a humanidade... Como, seguir ou não um carinha de barba grande que se dizia filho de Deus e que andava sobre as águas...

         Ou mesmo se revoltar ou não quando Julio César foi assassinado pelo Senado.


        Ou mesmo, mais recente, entrar ou não em guerra com a Alemanha no Tratado de Munique de 1938...


       A Humanidade sempre se deparou com questões, desde a mais simples do tipo: Vou por ali ou por aqui; Até a mais complicada: De onde eu vim, para onde vou?

       Isso porque o ser humano não é um robô, ele não segue a lógica inteiramente, e se seguisse, não responderia boa parte das questões... O ser humano é impresível porque ele segue suas emoções e instintos.

      Em todo caso, pensemos hoje em uma questão do passado.

     Seu líder está doente, não vemos perspectivas de substituição dele, afinal para nós ele é insubstituível, o que fazemos?

      Temos que pensar em alguém para substituí-lo.

       Temos quatro candidatos... Mas dois com poder e apoio para ascenderem ao poder, os dois se odeiam.

        Um é camarada que tem forte apelo popular, possui uma boa oratória e é respeitado no Exército, contudo é arrogante, egocêntrico, só aceita fazer as coisas do seu jeito, humilha os seus companheiros, e uma dada altura traiu o seu líder, para entrar no partido rival. Esse é o candidato A.

        O outro era um cara que tem medo de massas, não possui boa oratória, não é conhecido pelas massas, a não ser por seus feitos de trabalho e na Guerra, é obscuro, contudo por muito tempo financiou o Partido com roubos, assaltos, sequestros e extorções, mas até agora manteve-se fiel ao líder do Partido. Esse é o candidato B.

          O líder morreu... Quem escolhemos A ou B?

          Decidiu-se esolher o B.

          O candidato A era Trotsky, o candidato B era Stálin.

          Viram como são imprevíseis as coisas, é a lei da Imprevisibilidade....


          Pois bem hoje a questão mudou, se no passado fora essa, no presente...



            Eu fico pensando agora, quais serão as questões do futuro?


Mars Hubble.jpg
MARTE
Jupiter.jpg
JUPITER
        




                       OU                                                    


  

Bravamente, nós lutaremos

Ouvi, trabalhador, que a guerra começou,
Saia do seu trabalho, prepare-se para marchar.

Vamos bravamente à batalha pelo poder soviético
E todos nós até o último homem devemos morrer lutando por isso.


As granadas estouram, as metralhadoras estão badalando,
Mas as companhias vermelhas não tem medo delas.


Vamos bravamente à batalha pelo poder soviético
E todos nós até o último homem devemos morrer lutando para isso.


Agora as linhas de brancos surgem,
Iremos lutar contra eles até a morte.


Vamos bravamente à batalha pelo poder soviético
E todos nós até o último homem devemos morrer lutando para isso.


Deixe
viver para sempre a memória dos heróis tombados ,
Glória eterna àqueles que ainda vivem!


Vamos bravamente à batalha pelo poder soviético
E todos nós até o último homem devemos morrer lutando para isso.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Eisenstein, o esquecido.

Aí Eisenstein com o seu irmão gêmeo pousando na foto


Faz quase dois anos que procuro incessantemente por alguns filmes clássicos de renome internacional. Faz dois anos que tenho fracassado em meu avanço.

Minha coleção de filmes sempre parece estar incompleta, tenho boxes do Chaplin, do Indiana Jones, do Poderoso Chefão, até Cidadão Kane eu tenho, mas ainda parece estar incompleto. 


        
         Hoje eu lembrei por que de minha coleção parecer incompleta, eu estava lembrando de um cineasta que poderia ser  comparado a Felinni, Bergmann, Spielberg, talvez até mais importante, o seu nome era Sergei Eisenstein.

            
        Eisenstein é um dos maiores representantes do cinema mundial, e mesmo assim consegue ser esquecido. Serguei Eisenstein nasceu em Riga, Rússia, no ano de 1898, passa os primeiros anos de sua vida entre o autoritarismo do pai e a abertura cultural da mãe, a qual objetivava dar-lhe uma cultura mais ampla. Era um jovem talentoso, logo com a enclosão da Revolução de Outubro ingressou na Guarda Vermelha de Trotsky, mesmo sendo um engenheiro de carreira na época.

        Foi na época da Revolução que Eisenstein aprendeu japonês que lhe iria influênciar no seu trabalho junto com o clamor revolucionário e logo começou a trabalhar no cinema.

        Talvez o cinema russo seja tão esquecido hoje, por quase ninguém compreender o que é falado (eu só fui aprender cirilico depois de quase quatro meses tentando e meu russo ainda é rudimentar), mas talvez seja um dos mais notáveis de todo o cinema europeu.

        Eisenstein era um entusiasma revolucionário que era visivelmente politicamente engajado em seus trabalhos, o seu primeiro grande sucesso foi um filme chamado a Greve, na década de vinte, e logo conseguiu visão em seu país, a recém União Soviética (esse blog tá mais vermelho do que imparcial, mas afinal existe mídia que não seja engajada?). 

        A URSS era uma nação em formação ainda, havia recentemente saído de uma Guerra Civil, seu líder, Lenin estava doente (embora Lênin nunca tenha sido o total governante in facto da URSS, já que ela formaria quando já estava próximo da morte), mas a URSS inspirava a juventude e como produto dessa inspiração, promoveu um programa de alfabetização modelo que fez em menos de vinte anos a taxa de analfabetismo virtualmente desaparecer, e um programa de incentivo cultural ao teatro, à musica, à literatura (embora fosse em parte censurada) e ao cinema.

        Eisenstein recebeu apoio estatal na produção de seus filmes, principalmente no Encouraçado Potemkin de 1925, que foi planejado para servir como comemoração da Revolução de 1905; Eisenstein viajou por toda a URSS a fim de que pudesse compilar material para um filme da Revolução de 1905, até que em um dia, ele estava andando por Odessa e lhe contaram a história do Levante do Potemkin e da história da escadaria de Odessa.

A cena do carrinho do bebê até hoje é plagiada

         Daí, Eisenstein já tivera uma ideia, ele faria um filme sobre o levante de marinheiros (Os marinheiros ajudaram os bolcheviques a tomarem Petrogrado em 1917, ao torpedearem a cidade com o Encouraçado Aurora, seria uma boa homenagem).
      

Outra cena do Potemkin, nessa cena, Eisenstein usou a Proporção Aúrea na cena, para enfatizar sua importância

      
        O Encouraçado virou o seu melhor filme, embora seja rudimentar hoje, ele era extremamente avançado para época, tanto que até hoje a cena da Escadaria de Odessa, é plagiada, até mesmo nos Intocáveis de Brian de Palma.

        Eisenstein ficou famoso na União Soviética, e em um encontro de Cinema que se realizou nos EUA, o Encouraçado Potemkin foi mostrado para as platéias americanas com legendas em inglês, e se tornou um sucesso.

          Graças ao sucesso extraordinário do “O Encouraçado Potemkin”, foi chamado pela MGM e embarcou para os Estados Unidos. Só que seus projetos não decolavam, apesar de ter amigos poderosos como Chaplin e Flaherty.

Eisenstein começou a trabalhar em outros filmes, como Alexander Nevsky, de 1938, que mostra a saga do herói russo, Aleksandr Nevsky, que teve importância crucial no período medieval russo, que combateu-se com cinco exércitos diferentes em cinco anos, para proteger o povo russo da dominação de outros povos, como os suecos, tartáros e teutônicos... Com a trilha sonora compilada pelo famoso músico Sergei Prokofiev, esse filme foi um sucesso, mas perigoso, pois falava mal demais dos alemães, num contexto próximo à assinatura do Pacto de Não Agressão.
Aleksandr Nevsky

Em todo caso, a Grande Guerra Patriótica enclodiu em 1941, e por volta de 1942, Eisenstein rodou um dos seus  maiores sucessos, Ivan o Terrível, parte 1, que acabou virando de certa forma de base para o estudo de Ivan, o Terrível. Foi um sucesso, mostrando a atmosfera de conspiração em torno do czar, da religiosidade e da força e devassidão de Ivan. O filme foi aprovado pessoalmente por Stálin (Stálin via Ivan, o Terrível, como o seu patrono, ele estudava muito Ivan, o Terrível, e suas ações foram em muito semelhantes as de Ivan, tanto que nos arquivos do Kremlin consta que alguns livros sobre Ivan , o Terrivel, tinham marcações de "professor", escritas de caneta crayon na caligrafia de Stálin).

        
Ivan, o Terrível

Contudo, quando a guerra já estava no fim, Eisenstein lançou a parte 2, e eis que Stálin odiou o filme, por ter mostrado "cenas demasiadas de beijos e Ivan como fraco", e Eisenstein começou a cair em desgraça, o filme foi cortado pela censura...

Eisenstein teve um ataque cardíaco em 1948, aos 50 anos, e não pode sequer fazer a parte 3 de Ivan, o Terrível,  em todo caso, ele deu força ao cinema russo, e trouxe-lhe grau de importância, se a Mosfilm  hoje faz sucesso é graças a Eisenstein.



Eisenstein não só elevou o cinema russo a outro patamar, mas também elevou o cinema mundial a outro patamar.



Eisenstein teve constantes atritos com o regime de Stalin, devido à sua visão do comunismo e à sua defesa da liberdade de expressão artística e da independência dos artistas em relação ao Realismo Socialista, em todo caso, ele era o cineasta preferido de Stálin, quando o cineasta voltou para seu país,  a imprensa não o perdoara por seu afastamento e pelo seu curto idílio capitalista. 



           Quando sua carreira parecia perdida, entretanto, recebeu a ordem de Stálin para filmar Alexander Nevsky, e Eisenstein voltou à tona, mesmo com a censura de Ivan, o Terrível parte 2, a relação de amor e ódio entre Eisenstein e Stálin se seguiu amistosa até a morte do primeiro em 1948.

O julgamento do blogueiro

O senador em pessoa






"Senhor blogueiro, o senhor admite suas ligações com atividades socialistas?" Senador McCarthy.







"Depende, o que o senhor vê como socialismo?" Digo em contrapartida.

"Socialismo: Corrente que possui a opinião de que o capitalismo concentra injustamente a riqueza e o poder nas mãos de um pequeno segmento da sociedade que controla o capital e deriva a sua riqueza através da exploração, criando uma sociedade desigual, que não oferece oportunidades iguais para todos a fim de maximizar suas potencialidade" Senador McCarthy.

"O senhor concorda com isso?" Pergunto.

"Isso não está em questão... Quem faz as perguntas sou eu?"

"O senhor concorda com isso ou não, que 'o capitalismo concentra injustamente a riqueza'?"

"Já disse que isso não está em questão"

"Porque teme me responder essa simples questão? Afinal de contas... Você é um agente de Moscou? Recebe a folha de pagamento de Stálin?"

"Não, não claro que não..." Macarthy em resposta enérgica, mas logo depois afrouxa a gravata.

"Então, senhores senadores, não vejo razão para que o senador Macarthy não responda tamanha questão."

Os senadores começaram a pressionar o senador McCarthy para uma resposta.

"Pois bem, eu não concordo com isso"

"Por quê?"

 "Por que o capitalismo é justo, onde mais podemos haver liberdade de expressão, de ir e vir, de mercado..."

"Eu perguntei por que você acha que ele é justo quanto a distribuição de riquezas, não sobre liberdades"

"Eu... eu..."

"Bem vejo, que o caro senador perdeu suas palavras, deixe-me refrescá-lo a cabeça: Joãozinho trabalhava feliz da vida na sua fazenda na Inglaterra, a vida não era fácil, mas ele conseguia sustentar seus quinze filhos, criando gado, até que um dia veio um nobre e tomou suas terras, me diga, senador, isso é justo?"

"Não"

"Joãozinho não tinha muito o que fazer quanto a isso, o nobre tinha o governo nas mãos, então Joãozinho, sua mulher e seus filhos foram para a cidade... Foram todos trabalhar numa manufatura. Joãozinho e sua família trabalhavam 15 horas por dia para ganhar equivalente a um punhado de pão. Me diga, isso é justo?"

"Não"

"Joãozinho tinha que pagar o aluguel de sua casa, um cubículo de 3x3, que dividia com quinze pessoas, por um preço de 30 libras por semana, um lugar sem luz, por onde o vento entrava pelas frestas da parede. Quando não conseguia pagar, ele tinha um dos seus bens penhorado, hoje fora o pente de sua filha, o senhor acha isso justo?"

"Não"

"Enquanto isso, o dono da manufatura, investia as riquezas que ele conseguia em prostituição, pirataria, e ações ilegais... Um dia Joãozinho morreu, pegou tuberculose em casa, e eis o que acontece, a fábrica demite as mulheres, e acaba fechando, o que Maria, esposa de Joaozinho faz? Ela vai para a prostituição, a mesma prostituição que o dono da fábrica financiava... O senhor acha isso justo?"

"Não"

"Então, me responda, o capitalismo é justo?"

"Não"

"Então você é socialista! Vejam, um agente de Moscou"

McCarthy foi levado para fora da sessão por três gorilas do FBI...

Moral da História: Até os capitalistas não acham o capitalismo justo, mas criam meios repressivos para que o povo não se levante contra a ordem, e quando acabam percebendo que não é justo, acabam sendo presos pelos próprios meios, o Capitalismo é assim, esquizofrênico.

(Isso foi uma fábula da vida cotidiana americana, o senador McCarthy não foi preso, ele só entrou para o ostracismo)

Angola

        Aos que não sabem, Angola é um país lusofono (fala-se português) na  África Ocidental, que por muito tempo foi colônia portuguesa.

       O povo angolano, para ser sincero, antes da colonização portuguesa, era dividido em tribos, mas antropologos ocidentais acabaram fazendo classificações étnicas meramente didáticas a fim de mostrar que: Ao norte de Angola, vivenciava um reino poderoso e de importância regional, na parte central viviam estados tribais, e ao Sul uma parte mais pobre.

      Eu francamente sei pouco sobre Angola, mas sei pelo menos que os angolanos são dos povos mais receptivos do Mundo.

      Em resumo, eu decidi fazer um resumo do que sei da conjectura atual angolana.

     Angola foi colonizada pelos portugueses por volta do século XVI, para extração de minérios, Angola era extremamente rica nisso, principalmente, se não me engano, diamantes, para o mercado de escravos (Nota: O mercado de escravos é anterior à ocupação portuguesa, mas se acirrou com ela), e por vezes para desterro de elementos indesejáveis na Corte portuguesa.

      Angola em si, já teve muitos levantes durante o período colonial, fundamentados por questões étnicas, mas a marca que os portugueses deixaram na história angolana foi muito forte, tanto que há poucas bases documentais quanto a isso.

      Por volta do início do século XX, Angola viu-se como uma das mais produtivas colônias de Portugal, mas a administração portuguesa era embasada no seguinte:

     A colônia produzia, mas os impostos retirados da colônia, a partir dos empreendimentos privados em Angola, seriam primeiramente repassados para a administração da colônia para depois irem para Portugal, isso (perdoem-me se for franco demais) não gerava todas as receitas a Portugal, afinal, a administração pública de um território de Angola não é fácil, e ainda temos que considerar a corrupção que é, até hoje, inerente às sociedades constituídas pelo Império Português, principalmente porque a raiz da corrupção veio de Portugal, que por sua vez veio de Roma.

     Angola, em termos numéricos possui uma das maiores quantidades de cidadãos lusofonos da África, e se tornou muito importante para Portugal.

     Em meados da década de 20, ascende Salazar depois de um golpe deslanchado pelo General Camorra, que instituiu o Estado Novo (não é por coincidência que o Brasil também teve o seu), e a situação das colônias acabou piorando, afinal o governo central começou a reprimir levantes nas colônias duramente,  promovendo algo próximo a genocídio, na verdade, o Estado português em si promoveu genocídios.

     Portugal sobreviveu à Segunda Guerra (em verdade ficou com medo demais em participar) há duras penas, pois já não havia muito espaço para Ditaduras Fascistas. Entretanto, uma das razões para Salazar não ter caído, com auxílio americano, é que se tropas invadissem Portugal  e retirassem Salazar do poder, teriam que reinstabelecer outro governo, e as colônias logicamente tentariam se libertar do jugo português, então conflitos ocorreriam, afinal a KGB estava também de olho na África.

      A Guerra Fria e a situação das colônias impediu isso. Contudo com a morte de Salazar e a ascensão de Marcelo Caetano, o governo português começou a perder força, e os levantes nacionais começaram a ser apoiados tanto pela CIA como pela KGB, o colonialismo estava prestes a implodir, tanto que a repressão à Angola se tornou quase impossível para Portugal, e os angolanos começaram a se mobilizar em exércitos, e os colonos portugueses voltavam para Portugal.

      Em 1974 ocorre a Revolução dos Cravos que poem fim à Ordem Ditatorial do Estado Novo Português... Depois de quase 50 anos! E aproveitando-se da Revolução, às colônias exerceram pressões para sua libertação, tanto que 1975 Portugal liberta suas colônias na África, não sem ter promovido anteriormente um banho de sangue.

     O problema foi a instabilidade política que veio a seguir... Portugal saiu, mas os exércitos militares de angolanos ficaram, e apoiados tanto pela KGB como pela CIA, os angolanos se levantaram em uma Guerra Cívil, uma guerra tão dura que só foi acabar na década de 90 (talvez com a implosão do Bloco Soviético), em todo o caso os capitalistas venceram.

      Angola, por mais que digam, eu não a vejo como socialista, até porque se você anda por Luanda, você encontra palacetes em fino marmore, de muros altos e câmeras, enquanto, ao lado se vê uma favela, a disparidade social que já é gritante no Brasil, lá é rotina.

       Em todo caso, Angola, mesmo sendo assolada pela corrupção, infinitamente maior que no Brasil, pelo desemprego, pela fome, pela Aids, pela falta de saneamento, por falta de segurança, por falta de sistema publico de saúde e educacional, é um dos países que mais crescem na África.

      Isso porque... Porque Angola tem uma das maiores jazidas de minérios do Mundo... Porque descobriu-se na década de 80 que Angola tinha uma das maiores jazidas de petróleo do Mundo (talvez isso acabou justificando a vitória dos capitalistas em Angola por apoio da CIA).

       Mas é isso, Angola pode ser rica, mas não é um estado feliz na concepção ante ao povo, sim o povo angolano é feliz, é receptivo, é trabalhador, e ama futebol, se duvidar, mais que a gente. A questão é que o governo sequer dá o minímo para sua população.

       Certa vez fui ver uma conferência do embaixador angolano e do ministro da Cultura de Angola. O povo angolano parece ainda vivenciar com marcas duras o período da Guerra Civil, tanto que o próprio ministro, viveu por muito tempo em Lisboa, servindo de assistente de professor, trabalhando incessantemente, até um dia se afirmar um escritor proeminente e voltar para Angola. Hoje ele é um dos maiores escritores angolanos.

      Isso é o que sei do povo angolano, um povo tão sofrido, e tão esquecido, que sequer os brasileiros se lembram de que também são nossos irmãos.

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...