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domingo, 9 de novembro de 2014

"Tudo que é sólido se desmancha pelo ar"

         Nove de novembro, 1989. Após dois dias de intensas manifestações na Alemanha Oriental, o governo socialista da República Democrática Alemã caiu por terra com uma profecia proferida pelo antigo filósofo alemão e  patriarca do socialismo, Karl Marx: "Tudo que é sólido se desmancha pelo ar".


         Marx certamente não sabia que pouco mais de cem anos depois de sua morte esse seria o prenúncio do epitáfio da ditadura do proletariado no regime de socialismo real. De fato, creio que Marx tenha se tomado de intenso arrependimento nos dias mais funesto da DDR. Talvez suas teorias sobre o desenvolvimento do socialismo e da revolução proletária estivessem certas ao destacar que apenas num país ocidental o socialismo poderia ter seu mais pleno desenvolvimento como regime político.

        O problema que a Alemanha Oriental não era um país ocidental nem completamente desenvolvido. Os portões de Brandemburgo escondiam uma Alemanha dividida depois da selvageria da Segunda Guerra Mundial, de fato, os alemães pagaram muito caro por terem se seduzido e aderido (em maior ou menor grau) ao nacional-socialismo de Adolf Hitler e do NSDAP. A Guerra num mundo traumatizado pelo antigo conflito mundial, bem como o rastro do genocídio nos Bálcãs, na União Soviética e nos campos de extermínio na Polônia levaram a um revanchismo e uma onda moralizante intensa nos Julgamentos de Nuremberg.

  
        Para os países ocidentais, vide França e Inglaterra, era completamente inaceitável que um "país civilizado" pudesse fazer uma matança tão indiscriminada sem que a própria moral da sociedade levasse ao questionamento do regime. Mas a hipocrisia com que os ingleses e franceses viam o problema era notável: O massacre da Guerra dos Boêres, pelos ingleses, e a Guerra da Argélia, pelos franceses, são indícios que a violência não era uma novidade para as potências coloniais. A ideia inicial que fomentou a violência do conflito no Leste Europeu foi sem dúvida uma tentativa imperialista da Alemanha, que já era experimentada por outros países muitos anos antes.


        A obsessão foi paga de forma muito cara. A Alemanha novamente ficou com a reputação de vilã (no Tratado de Versalhes ela já tinha sido encarada dessa), sua economia foi arrasada, sua população civil foi posta a inúmeras provações (embora não comparáveis às provações dos poloneses, russos ou judeus) e o seu país foi desmembrado em quatro.

       Sim, a Alemanha foi desmembrada em quatro para que não ressurgisse novamente um "nacionalismo alemão". De fato, essa concepção de divisão dos estados alemães nasceu na política do Cardeu Richelieu de criar um poder imperial francês na Europa em decorrência da fragilidade política dos estados alemães. Mas como tudo na História, os anos certamente são um bom motivo para mudança das coisas. O poder hegemonico não poderia ser alcançado nem pela Inglaterra, nem pela França. E sim pela União Soviética.


       A pátria do socialismo não estava mais só, houveram levantes espontâneos em prol do socialismo em alguns países da Europa, como a Tchecoslováquia, Iugoslávia e Bulgária. Em outros locais, o regime de economia planificada foi realmente imposto, como a Polônia, Romênia, Hungria e Alemanha. O Exército Vermelho, e o próprio Uncle Joe, eram bem populares no Ocidente. A ideologia marxista, dificilmente, teve um grau de tamanha expansão quanto depois da Segunda Guerra.


        A formação de estados socialistas associados à União Soviética é notável. O baluarte do socialismo era conduzido pelo braço forte do Grande Timoneiro, "o grande camarada Stálin, o gênio, herdeiro de Marx, Engels e o insuperável Lênin". Foi o momento em que o país que por vinte e dois anos viveu no mais completo isolamento teve a oportunidade de se mostrar como uma potência. E mais do que isso, um farol de sonhos para a juventude.

         As desconfianças entre os Aliados cresceram. O gabinete conservador de Winston Churchill retomou uma postura francamente anti-russa que já existia bem antes da Primeira Guerra Mundial, e o próprio primeiro ministro passou a ter desconfiança dos reais interesses de Stálin, em especial na Polônia. Lembrando que o Reino Unido entrou no conflito para garantir a soberania do regime polonês (e manter o status quo do Cordon Sanitaire ).

        Os americanos na administração Roosevelt sempre se notabilizaram por uma certa simpatia pelo regime soviético, e isso marca por exemplo o reconhecimento da União Soviética pelos Estados Unidos (tardio) apenas em 1933, com a vinda do diplomata Maksim Litvinov para mostrar suas credenciais ao presidente Roosevelt.

          Contudo, a falta de capacidade diplomática de Harry Truman em lidar com os soviéticos trouxe um objeto de mal estar, que levou até mesmo a trocas de farpas entre o presidente norte-americano e o representante soviético Viatcheslav Molotov. Alguns acreditam que as atitudes de Truman levaram a um enrijecimento do trato entre a diplomacia soviética e americana, o que propiciou o início da Guerra Fria.


           Berlim foi conquistada. Tomada pelo 3° Exército de Choque do 1°Front Bielorruso, o 150° regimento desse Exército ergueu a bandeira soviética no alto do Reichstag, onde anos antes,Adolf Hitler tinha forjado um incêndio, servindo de estopim para o golpe que daria no governo de Weimar.

              Inicialmente era possível a população transitar (ainda com o controle dos guardas armados do NKVD em alguns pontos de saída), posteriormente, à medida que as relações entre aliados pioravam, a repressão começou a se formar. Os alemães orientais passaram a ser prisioneiros em seu próprio país, a Alemanha Oriental passou a ser uma espécie de campo de concentração a céu aberto. 

               A pobreza dos primeiros anos foi notável. Logo mostrou-se inviável dividir a Alemanha em quatro, e os setores de controle inglês, francês e americano vieram posteriormente formar a República Federal Alemã, com sede em Bonn. Berlim Ocidental virou um enclave capitalista no meio do mar comunista. Em 1948, o mundo assistiu o Bloqueio de Berlim, o acesso à cidade foi limitado por tropas soviéticas. Limitando a ajuda humanitária americana à população de Berlim ocidental.
            A crise diplomática foi resolvida apenas um ano depois quando as duas superpotências, URSS e os EUA, sentaram-se para discutir a situação. A questão que a recuperação da Europa ocidental tenha se recuperado bem mais rápido que o bloco soviético (embora a reconstrução soviética tenha sido notável, com taxas de crescimento anual beirando a 20% em alguns setores), só é explicável pelo Plano Marshall.

            O Plano Marshall nasceu como uma tentativa de contenção do comunismo pela a Europa, e não como uma obra de filantropia estadunidense. A injenção de milhões de dólares a fundo perdido era algo impossível a uma economia fragilizada como a União Soviética. Com a melhora substancial do padrão de vida do alemão ocidental, não foi muito difícil compreender porque milhares de berlinenses orientais fugiam da DDR,com sua pobreza e repressão exacerbadas;

            1953 é um ano de mudanças. Stalin morre, a União Soviética é agora uma superpotência que possui não só a bomba atômica, e sim a bomba de hidrogênio. O mundo assistiu o conflito da China com olhos arregalados, e a derrota de Chiang Kai-shek levou o país mais populoso do mundo ao bloco socialista. A Guerra da Coreia ainda não tinha terminado quando Stálin bateu pela a última vez as suas botas de couro no chão.


         A crise de sucessão soviética e  a corrida presidencial após os dois mandatos pífios de Truman levaram a uma trégua parcial das hostilidades dos dois países.  A ascensão de Kruschiov e a denúncia do estalinismo deram esperanças de melhorias nas relações com os países ocidentais. Isso realmente não ocorreu.

            A União Soviética se tornou a ponta do pensamento científico, lançou um satélite no Espaço, o Sputnik. Enviou o primeiro ser vivo para fora da terra, cadelinha Laika. E estourou a maior bomba atômica já lançada na terra, a Tsar Bomba. Em 14 de abril de 1961, Yuri Gagarin conheceu o espaço de perto pela primeira vez. E seria o primeiro cosmonauta a realizar o sonho de Julio Verne.


            O Vietnã estava há quase quinze anos em conflito, a Europa Ocidental estava praticamente reconstruída. E a Europa Oriental caminhava a passos largos em seu crescimento, o padrão de vida soviética chegou ao seu ápice na época de Kruschiov, e o próprio governante soviético falava em dar ao cidadão soviético um padrão de vida similar ao cidadão americano, com todas as seguridades sociais que só eram possíveis num estado francamente socialista.


            Contudo os cidadãos alemães não se sentiam incluídos na “grande família soviética”, o socialismo sempre teve uma penetração modesta na Alemanha, a sua maior ascensão foi no período confuso de conflitos entre os camisas pardas e os comunistas nas ruas. A socialdemocracia de Kautsky sempre foi mais influente entre os segmentos médios alemães.
            O status de vilã da guerra nunca escapou aos alemães, eles viviam num padrão de vida inferior aos seus conterrâneos ocidentais, não partilhavam das mesmas liberdades e para piorar eram observados de forma brutal pelo seu próprio país. A tendência de governos altamente repressivos na Alemanha é uma marca de Bismarck até Honecker.


            A evasão de cidadãos para a Alemanha Ocidental era cada vez maior. Na madrugada do dia 13 de agosto de 1961, a esperança de um mundo melhor desapareceu. O Homem tinha chegado ao Espaço, mas não tinha conseguido sair de sua própria capacidade para a estupidez. Os berlinenses tiveram uma surpresa ao encontrar a sua cidade cortada por guardas armados, arame farpado e juntas de tijolos de concreto e argamassa. Nascia o muro de Berlim, e com ele a Cortina de Ferro física.

            Konrad Adeunaer tentou acalmar a população da Alemanha Ocidental, mas isso foi um tanto inútil. Willy Brandt, na época prefeito de Berlim, reclamou o quanto pode com as autoridades da Stasi e da DDR. Entretanto nada pode ser feito e a declaração de  Walter Ulbricht, líder da Alemanha Oriental passou a ser uma franca mentira:

Vou interpretar a sua pergunta da maneira que na Alemanha Ocidental existem pessoas que desejam que nós mobilizemos os trabalhadores da capital da RDA para construir um muro. Eu não sei nada sobre tais planos, sei que os trabalhadores na capital estão ocupados principalmente com a construção de apartamentos e que suas capacidades são inteiramente utilizadas. Ninguém tem a intenção de construir um muro!


                 O socialismo nasceu como uma ideologia universal, que deveria em tese, ser mostrada para o mundo inteiro para ser uma proposta viável frente ao capitalismo. Essa era a proposta inicial de Karl Marx ao escrever o Manifesto Comunista e recitar a canônica frase: “Trabalhadores do mundo, uni-vos. Pois nada tendes a perder senão os seus próprios grilhões”.

                O que foi o Muro de Berlim senão o sufocamento do ideário socialista? A Alemanha se desentendeu consigo mesma e agora dois povos tinham identidades diferentes. Não digo que viver na Alemanha Oriental fosse uma merda, não era, o padrão de vida de um cidadão alemão oriental era bem melhor que o padrão de vida de um cidadão brasileiro hoje.

              A Alemanha Oriental tinha uma jornada de trabalho de cinco horas, o sistema educacional e de saúde era público e funcionava. Qualquer cidadão da Alemanha Oriental poderia tirar férias, ter licença maternidade e paternidade. A despeito dos comícios, paradas militares estafantes e discursos vazios a vida do cidadão alemão era comum e bastante banal.

              O maior problema era que tinha mais agentes da Stasi, polícia secreta da Alemanha Ocidental, do que cidadãos economicamente ativos. O controle de informações era absurdo e as piadas dessa época são notáveis:

           “Vocês já se perguntaram por que na Alemanha Oriental os policiais sempre andam em três? O primeiro escreve, o outro lê. E o terceiro serve para prender os dois “intelectuais”.”


             De Trabants à comida enlatada. Viver na DDR não era o maior sacrifício na Terra. Mas onde existem Mercedes e apartamentos com calefação, sempre haverá cobiça. A grama do vizinho sempre é mais verde.

              A múmia política de Honecker beijava a outra múmia do Brejnev. A política do Partido Comunista Alemão não representava o grosso da população, no fim a decadência e estagnação corroeram a “sociedade perfeita”, e a Utopia de Thomas Morus se tornou o Admirável Mundo Novo de Huxley.

             Na parada de comemoração da Revolução de Outubro, em 7 de novembro de 1989, milhares de jovens e adolescentes saíram as ruas em busca de liberdade e transparência. Muitos nem sequer acreditavam no fim da Alemanha Oriental. As reformas de Gorbachiov começaram a ter efeito no bloco soviético. A polícia alemã ensaiou uma repressão, que sob os olhos dos ocidentais eram uma nova onda de barbarismo; Todos lembravam o discurso de Ronald Regan: “Mister Gorbachiov, tear down this wall”

            Não foi Gorbachiov que derrubou o Muro, foi a profecia de Marx: “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”. O regime sólido da Alemanha Oriental era representado pela pequena imagem de um muro acinzentado de concreto, laminado com uma capa de cimento, água, areia e pedra. Um monte guardas armados com AKs-47, rotweillers e brigadas de tanques. Tudo caiu, como deve cair. Nada é sólido o suficiente para ser imortal.


            A queda do Muro acabou com a União Soviética? Não. A União Soviética acabou porque não conseguia mais vender um sonho para a sua população há um bom tempo, o cidadão soviético vivia a partir da inércia desde a chegada do poder de Brejnev. A crise de abastecimento, a estagnação, a Guerra do Afeganistão, Chernobyl. Corrupção. Gorbachiov. Golpe. Tudo isso levou a demolição do regime criado por Lênin há 97 anos atrás.


         O socialismo morreu? Não. Só se dinamizou. Também se dividiu, do trotskismo ao maoismo. Da socialdemocracia com coloração um tanto liberal até o “socialismo bolivariano”. Marx ainda é lido, não como papa, mas como teórico. E isso é bom.

            Pessoas esquecidas vem sendo resgatadas, felizmente. Nunca se leu tanto Gramsci na esquerda, como agora. Bukharin saiu do seu esquecimento na década de 30, mas ainda não foi completamente recuperado. A socialdemocracia teve maiores avanços, incrivelmente (para quem nunca deu nada, Kautsky incrivelmente conseguiu superar até Lenin). Hoje o debate entre o marxismo é a retomada do debate do século passado, o marxismo deve ou não seguir uma via democrática? Até hoje não há consenso.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O chão

            O chão é o plano perpendicular aos nossos pés e a nossas cabeças; às vezes é tão duro como um diamante, um oponente sagaz às nossas quedas quando somos crianças e implacável gigante de terra que sustenta alicerces das nossas casas, das árvores e da vida.

             O ar é livre e solto, ameaçador e sedutor. O homem ama à liberdade dos pássaros desde os desenhos primitivos do Renascimento Italiano quando Da Vinci desenvolvia uma arte ao estudar o movimento dos pássaros ou Santos Dumont se arriscava à sombra da Torre Eiffel à decolar em seu primeiro voo à eternidade. O tempo ainda nublado é um grande desafio à essas cotovias de metal que cortam os ares a despeito de meras adversidades.

                 Um fio de esperança percorre nossos corações quando num deleito de juventude olhamos para o céu querendo construir um futuro melhor, um idealismo jovem e acurado. Eduardo Campos era uma cotovia, um rouxinol do campo. Calmo e tranquilo, tinha uma fala mansa e uma evidente simpatia, socialista bem intencionado, pai de família e trabalhador incansável, não quis se manter pela imagem de seu avô. Pelo contrário quis tecer um ninho de esperança como é próprio das cotovias após uma atmosfera de desilusões e esquecimento.

                 O futuro prometia ser novo, repaginado e melhor. Os abutres de hoje se somam para se utilizar do cadáver de nossos sonhos sob a égide da perda de um sonhador. Antes o atacavam ou manchavam sua memória relatando falsas amizades políticas;

                A serpente incendiou o seu voo ao tecer um vil veneno fazendo com que a cotovia decaísse de maneira decrescente de  seu voo pela pátria que jurara entender e ouvir. Os falcões midiáticos o atacavam, riam de sua franca iniciativa e hoje matutam como gralhas falantes sobre o seu legado para a história. Os bandidos de terno e colarinho branco assaltam sua memória e a cotovia desaparece sob o nicho de aves de rapina de fraque.

                   Pai, marido, jovem, político. Pragmático e sonhador; amado por muitos, preterido por outros. Virou pessoa non grata de alguns por optar por um caminho diferente da ortodoxia, e num soneto político digno de uma valsa teceu passos importantes para o desenvolvimento do exercício democrático brasileiro. Desvencilhado do caudilhismo dos rincões do Brasil, tentou conter alianças intrapartidárias que descaracterizariam a cerne partidária, mas teve que ceder às tentações quando o grupo de Marina Silva não veio a formular um partido. Negociou nesse caso, mas de maneira concreta e pragmática.

                   Campos olhava a economia com olhar crítico, não era preso à cegueira do Ministério da Fazenda carregado de pensamento cepalino ou a inocência de neoliberais em impor a desregulamentação do mercado. Tentou fugir dos políticos carcomidos do circuito de São Paulo, que tentavam usar o seu nome para obter uma falsa popularidade. Campos nunca foi amigo desses políticos demagogos que hoje enaltecem seu nome.

                   Cotovia incansável que semeou esperança em alguns corações desiludidos por fugir da função dialética da política nacional e optar por uma terceira via, que tecia inconscientemente as bases para uma nova democracia.

                     Não é só porque ele fosse meu candidato e eu fosse apoiador de suas reformas no campo da economia e das reformas sociais, mas também posso dizer que sua humanidade é algo que não deve ser toda desconsiderada.

                  Sua morte provavelmente será esquecida pelo cotidiano banal e comum das pessoas que desistem facilmente de política  e a tornam filha ingrata da economia e dos acontecimentos cotidianos; Mas uma coisa é certa, Campos não será esquecido por uma legião de apoiadores e por mim mesmo, ainda que seja jovem e um tanto idealista.

                     A cotovia desce o seu último voo e inflamada pelo calor do fogo transforma-se em uma pomba branca que impele aos mais jovens ao espírito da esperança; O espírito de Campos continuará em quem realmente está disposto a tornar novo o que já estava carcomido, e quem estava disposto a retirar múmias políticas da nossa democracia em construção.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A importância do Stakhanovismo

Stakhanov em foto

          Aleksei Stakhanov, herói do Trabalho Socialista e um "socialista-modelo" da década de 1930 na União Soviética. Um trabalhador por excelência, era isso que a propaganda soviética destacava a figura de Stakhanov. Stakhanov é conhecido pelos estudiosos de União Soviética e stalinismo sobretudo pelo feito arrebatador de conseguir extrair sozinho nada menos que 102 toneladas de carvão guza em meras cinco horas e quarenta e cinco minutos de serviço, superando em catorze vezes a cota estimada para si.


          Aleksei Stakhanov provavelmente pode nunca ter chegado a esse número estrondoso (é um número que é quase humanamente impossível), mas é provável que tenha batido muito a sua cota de trabalho. E por quê? Não, Stakhanov inicialmente não era um só um entusiasta comunista, mas sim um homem simples que vivia com as roupas sujas de terra  e simplesmente queria algo a mais do que ter o suficiente, ele desejava conseguir um salário maior para sobreviver melhor; Talvez por isso que tenha ultrapassado a cota de trabalho estipulada por sua mineradora em Donbass.
Aleksei Stakhanov em um momento laboral
          Stakhanov é lembrado pelo feito absurdo propagado pelo Pravda e Izvestia que assombrou até mesmo os técnicos de planejamento da União Soviética, nem o mais otimista dos planejadores econômicos imaginaria que um trabalhador poderia sozinho conseguir extrair 102 toneladas de carvão guza (como eu disse, é provável que o número seja uma invenção propagandística,  mas toda a lenda tem um fundo de verdade, e não escolheriam a esmo alguém para glorificar). Stakhanov era um homem dos Planos Quinquenais.

           Os Planos Quinquenais estavam em vigor de fato em 1929 na União Soviética depois das disputas internas dentro do Partido Comunista da União Soviética, entre os planejadores da União Soviética, o grupo de "direita", formado por Bukharin e Rykov que desejava a manutenção de uma economia mista (e mais autossustentável) na forma da NEP que não garantia um desenvolvimento industrial extraordinário mas também não resultaria em graves sacrifícios ao trabalhador (como um salário que em tese teria o seu poder aquisitivo reduzido, devido aos problemas inflacionários de uma economia que está em crescimento imediato sem observar a capacidade de consumo da população) e um grupo formado por defensores do estalinismo, que sustentavam que era necessário o rápido desenvolvimento tecnológico e industrial soviético não só por questões ideológicas (por a União Soviética ser o bastião do socialismo no mundo) como também a constante ameaça de uma guerra mundial entre o capitalismo e o socialismo (que se encaixava muito bem na lógica do próprio Stalin).

          A derrota de Bukharin pôs fim à NEP e resultou consequentemente na sua submissão e retratação à Stálin (Bukharin desde 1924 até 29 foi com certeza o personagem mais importante e respeitado da União Soviética depois da morte de Lenin, nem mesmo Stalin desfrutava tanta popularidade quanto o "teórico do Partido"), a economia do campo ficou submissa aos interesses do governo central levando à Coletivização do campo, a eliminação dos kulaks, deportações e crises agrárias (agravadas pela seca de 1932-33 causada pela La Niña).

        A economia soviética vivia graves desafios e de fato, a despeito da brutalidade dos eventos que ocorreram relacionados ao plano de desenvolvimento stalinista, a União Soviética foi o único país da Europa a crescer durante a Crise de 29. Em dez anos a economia soviética cresceria 33 %, em número reais aproximados com relação à indústria pesada.

          Stakhanov é um dos propagadores desse espírito. Embora o stalinismo tenha coexistido com o terror, o terror meramente por si mesmo não levaria ninguém de livre espontânea vontade a trabalhar da forma como os soviéticos passaram a trabalhar. O Arquipélago Gulag é um elemento importante da economia soviética no seguinte sentido que representava algo em torno de 10 a 15 % do esforço laboral em alguns setores estratégicos da economia soviética, contudo, o trabalho nos campos além de ser degradante no sentido humano (pois se tratava sim de um serviço que beirava ao trabalho escravo em locais inóspitos e com altas cargas de trabalho) era contraproducente no sentido econômico do termo, pois além de não se autossustentar, levava à morte dos trabalhadores.

          Os canais do Mar Branco, do Moskva-Volga e de outras hidrovias soviéticas (que eram mais importantes certas épocas do que o trem para o transporte da produção alimentícia e industrial soviética do que as ferrovias, que nem sempre chegavam a certas regiões da Rússia) foram construídas à base do trabalho compulsório. Mas o Metrô de Moscou, a coisa mais emblemática dessa década, não. Foi construído com trabalho voluntário.

              E Magnitogorsk também não foi construída com base no Arquipelago Gulag (embora tenha tido trabalho de alguns prisioneiros em suas plantas industriais). Magnitogorsk é a coisa mais impressionante desse período, uma cidade construída a partir do nada, no meio da taiga siberiana, em questão de poucos anos representava o grosso da indústria siderúrgica soviética. 

Magnitogorsk, a cidade industrial que surgiu no meio do nada
           Stakhanov era o modelo de como um homem soviético deveria agir, trabalhar e pensar. Afinal de contas, antes de mais nada o entusiasmo da juventude que fez esses feitos insuperáveis. Esses anos, mais do que outros, o cidadão soviético se sentia importante ao ponto de acreditar estar revolucionando o Mundo com o seu trabalho, o seu exemplo para os trabalhadores do mundo que a pátria dos trabalhadores era uma alternativa viável à crise que se prolongava há anos no Mundo Atlântico.

           Stakhanov, a locomotiva, o trator da fazenda coletiva. Esses anos eram de movimento, a Rússia crescia a ritmo chinês e não parava de crescer, se fortificando através da construção de tijolos em seus pés de barro  até que se tornou um gigante industrial, um colosso soviético.
                 Foto de uma associação de trabalhadores felicitando a "Teoria de Marx, Engels, Lenin e Stalin"


           O stalinismo era tomado pela corrupção ideológica de seus magnatas, da paranoia egocêntrica do próprio Stalin, das batidas policiais noturnas, os interrogamentos, o império da delação e torturas aos prisioneiros políticos (que desafiavam a linha ideológica stalinista). Isso surgiu num contexto em que o próprio Stalin acreditava que para a União Soviética qualquer dissidência, qualquer discussão contrária poderia desvirtuar o foco num problema central, um país forte que pudesse enfrentar não só todos os inimigos externos (seja os fascistas europeus, seja as democracias liberais que interviram anteriormente na Rússia). O império do coturno de cano alto e do cachimbo entre os bigodes surgiu inicialmente de uma inquietação justificada da liderança bolchevique e cada vez que os anos passavam o quadro ficava cada vez mais autoritário.

          O trabalho de Stakhanov e daí sua importância é mostrar um espírito imaginativo ao  trabalhador soviético da época, mostrar que a introdução de métodos de eficiência laboral, taylorismo e aumento de produtividade não só poderiam ser bons para a indústria, mas também para o trabalhador comum (e isso a propaganda soviética enfatizava). Quem trabalhava mais, ganhava mais. Tinha mais benefícios e era reconhecido, nisso nasceu o desejo pelo trabalho.
                                            Propaganda soviética sobre Stakhanovismo

         Mais gente sujava as mãos de graxa e óleo, conduzia tratores e trens, costurava roupas ou plantava vibraquins em motores. Stakhanov sem querer incentivou uma geração inteira ao vício saudável pelo trabalho, o trabalho por uma sociedade melhor e uma vida melhor, talvez nem ele imaginasse o impacto que ele teve ao extrair quantidades maiores de carvão em sua pequena mina no nordeste da Ucrânia.

        A União Soviética só se tornou o colosso (e a Rússia sua herdeira num BRIC) graças ao entusiasmo dos anos 30 (que o Brasil só foi conhecer por exemplo no final dos anos 50 até 1970). O legado do Stakhanovismo é mostrar ao trabalhador que o ganho de produtividade, uma maior eficiência do trabalho empregado produz inerentemente mais produtos e resulta num aumento salarial consequente, isso numa economia socialista; numa economia capitalista tradicional prevalece a mais-valia.

         Alguns analisam a União Soviética como um capitalismo de Estado; Não é de fato errado no plano externo, mas no plano interno, a União Soviética não pode ser encarada como capitalismo de Estado (talvez só no período da NEP e olhe lá), mas sim como uma economia planificada (que apesar dos defeitos e das falhas sobretudo com relação à política agrária chegava a ter uma eficiência às vezes superior ao afamado e famigerado Reich nazista, que apesar de tudo, se destacava por ter um caos administrativo). A União Soviética foi a primeira economia planificada da História, a primeira economia de guerra que se sustentou por oitenta e quatro anos e que ainda assim se manteve razoavelmente bem durante um século complicado como o século XX.

           Quando olhamos hoje o noticiário e vemos com surpresa a China promulgando o seu novo Plano quinquenal, temos a tirada irônica inconsciente, "novo Plano Quinquenal. Que paradoxo! Não há nada mais obsoleto do que isso". Mas um Plano Quinquenal é algo novo porque surgiu só na Revolução Francesa essa ideia de controlar tudo a partir de um Estado (nem o "absolutismo" acreditava poder ter controle total da economia, na verdade, isso nunca existiu até 1929). O experimentalismo soviético dos Planos Quinquenais sem querer acabou servindo de modelo para muitas coisas hoje: O New Deal, que nasceu de uma interpretação da heterodoxia capitalista sobre a Carta dil Lavore do Mussolini, uma "profilaxia contra crises econômicas" e de uma planificação econômica moderada a partir da intervenção parcial do Estado, copiando trejeitos da economia soviética. A CEPAL com o seu modelo econômico de desenvolvimento pseudokeynesiano, e obviamente, a China.

           Uma economia de mercado é tecnicamente menos complicada que uma planificação, por isso chega a ser impressionante como a União Soviética tenha resistido por tanto tempo. 
Os desafios no campo e na cidade

          Voltando a Stakhanov, o exemplo individual sobre o coletivo mostra que a despeito da impessoalidade de um estado totalitário (em certos aspectos a União Soviética tinha um elemento autoritário em sua essência) era possível obter reconhecimento pessoal através de sua diligência laboral, e num método de competição assemelhado ao capitalista (embora não fosse bem por lucro, mas sim por fama e prestígio) os trabalhadores soviéticos passaram a trabalhar mais na esperança de serem lembrados nos confins da Sibéria, na imundície das minas de carvão da Ucrânia, nas fábricas de Leningrado ou mesmo nos campos de trigo do Volga. Stalin se aproveitou disso para se mostrar como o "grande timoneiro" que conduziria a União Soviética para o caminho do "verdadeiro comunismo" e surgiu o seu culto à personalidade, bem como incrivelmente, sua popularidade a partir dos esforços dos trabalhadores.


Outra propaganda soviética sobre a vida de Stakhanov

             Stakhanov ficou famoso a ponto de ir aos Estados Unidos dar entrevistas à revista Time e fazer conferências sobre o seu feito laboral. Posteriormente se tornou estudante da Academia Industrial de Moscou, se tornou diretor de uma fábrica e ficou subordinado ao Comissariado de Indústria Pesada. Em 1974, depois de receber vários louros e recompensas do governo Brejnev, retirou-se do serviço aos 68 anos de idade, vindo a falecer quatro anos depois, em decorrência de acidente vascular cerebral ocasionado pelo seu grave problema com o alcoolismo (conta-se que ele apresentava um quadro de esclerose múltipla com perdas de memória parciais e delirium tremoris, próprios do alcoolismo).

              Stakhanov foi duramente criticado, sobretudo por trotskistas, por ter alicerçado ideologicamente o estalinismo com sua  propensão laboral ao trabalho absurda e ser um "burro de carga que segurava nas costas a falência moral do stalinismo" por em outras palavras "desistir de sua própria humanidade em torno de uma ilusão propagandística". O stakhanovismo foi encarado no socialismo ocidental como um desvio surgido dentre os vários desvios stalinistas, e os stakhanovistas como indivíduos alienados ao próprio trabalho que esqueciam o ideal marxista ao se preocuparem inteiramente ao serviço e a bater metas. A questão é que a crítica é falha num ponto, a alienação é existente se a ideia de bater metas existe numa fábrica industrial capitalista, onde o lucro vai para o empregador, mas numa realidade econômica socialista de fato, o ganho de produtividade também é obtido ao próprio trabalhador, já que há um ganho no seu próprio salário.

            Além disso, Marx era enfático ao destacar que o socialismo só seria vitorioso caso se mostrasse mais eficiente que o capitalismo no meio de arrecadar riquezas; Hoje sabemos que o socialismo real não foi vitorioso porque se tornou ineficiente na sua hipertrofia hierárquica partidária e na oligarquia da nomenklatura que se aproveitou dos esforços laborais da população, mas o stakhanovismo surgiu também (até no plano propagandístico) para tentar construir um modelo econômico mais eficiente que o capitalismo, e no campo da indústria pesada, por dez anos isso foi completamente correto.

          Mas a crítica também tem certo fundamento no seguinte aspecto: a perda de qualidade dos produtos. Com o aumentado absurdo da quantidade do trabalho empregado, os números passaram a ser mais importantes que a qualidade. Assim o produto soviético passou a ter uma qualidade inferior ao produto ocidental, isso é um dos motivos posteriores que levaram a derrocada da URSS, a falta de qualidade dos bens consumo soviéticos, coo roupas, eletrodomésticos e carros. Isso é produto do Stakhanovismo.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sobre os protestos de 7/09

        É pernicioso acreditar que um movimento tão caro tenha mudado  tanto; As marchas hoje tomaram um caminho tão diverso que diferentemente de Julho, estão voltadas mais para um apelo cívico do que um senso de reformas ou mesmo uma Revolução. Em Julho parecia inevitável o fato que o governo iria cair, embora o povo ainda não tivesse pautas definidas. Povo? Desculpem, a classe média, ou melhor, voltemos aos conceitos marxistas que nesse caso devem ser empregados: a pequena-burguesia.

       Sim, realmente não foi o povo na sua definição mais proletária de conotação, mas sim um povo que se caracterizava por conceitos nacionais. Como brasileiros, pessoas que beijavam a bandeira dos Bragança modificada,  que gritava a plenos pulmões o hino nacional e marchava inutilmente no espelho d'água no Congresso Nacional. Esses indíviduos acreditam ser os grandes revolucionários que postam no Facebook imagens de si por cima do domo do Congresso projetado por Niemeyer sem compreender que nada disso trouxe tantas transformações quanto se deveria;

       É verdade que a pequena-burguesia está se vendo cada vez menos representada, embora esteja crescendo em  número, ela não se vê representada pelas medidas assistencialistas do governo, tampouco representada pelos grandes grupos detentores do capital, embora ela possua inveja de milionários como Eike Batista e Abílio Diniz. Essa classe de pessoas é a mesa que viaja sazonalmente aos Estados Unidos fazer compras, possuí uma calça da Levi Strauss (sem sequer pensar que Lévi Strauss também é o nome de um grande antropólogo estruturalista) e óculos Warfare Rayban.

      Não os estou julgando, seria hipocrisia, em julho era eu que gritava lado a lado com eles contra o governo, embora não tenha ouvido um único trecho da Internacional no meio daquela massa que gritava o Hino Nacional. É engraçado, porque num protesto dessa natureza é o sistema inteiro que deve ser criticado, desde os seus mais perniciosos pecados, como a repressão dura policial, até o seu caráter simbólico: A bandeira e o Hino Nacional, mas o que vimos ali não foi algo diferente de uma partida de futebol, onde todo mundo está zangado por causa do modo como o juiz o conduz, com as faltas mal empregadas e os cartões injustos, enquanto o outro time está se valendo de carrinhos e outras coisas, enquanto a gente canta o Hino Nacional com a mão no peito. É algo estranho.

       Marx diria nesse momento que é a pequeno-burguesia percebe o acirramento das contradições internas do sistema e o seu processo de proletarização, mas Marx equivoca-se, a pequeno-burguesia não possui tal consciência e pelo contrário, as contradições internas estão sendo aplanadas pelo neopopulismo petista. A pequeno-burguesia na realidade está crescendo, mas os velhos grupos pequeno-burgueses apercebem-se  que não possuem o mesmo poder político e de compra como antes, de modo que não se veem representados por nenhum partido político, assim vão para as ruas.

      Contudo vão às ruas sem um projeto. É verdade, boa parte constitui uma juventude pós-Muro de Berlim que não possui a profundidade de uma leitura socialista que poderia ser interessante nessas horas; De fato o apartidarismo é tão crescente que qualquer grupo político que deseje se manifestar é profundamente rechaçado, de fato, no período de ascensão do fascismo, qualquer movimento que carregasse um estandarte de um partido político era para ser rechaçado à força.

      Sim, o movimento de agora realmente tem características meio fascistas, como a valorização da Nação antes de tudo, combate sistemático da corrupção (como se alguém fosse a favor dela) e o antipartidarismo. Não possui uma ideologia própria, mas possui um antiesquerdismo exacerbado pela parte de alguns. O problema que a pequeno-burguesia é facilmente manipulada e alienável, pois ela própria, segundo Marx, não possui uma consciência de classe e possuí aversão à classe trabalhadora. O caráter alienatório com o qual a pequena-burguesia possui cria distorções tão absurdas como o culto à personalidade de uma personalidade notoriamente anarquista (V de vingança) com ideias nacionalista e beirando ao autoritarismo.

      Em verdade, o fascismo caracteriza-se por uma tentativa de romper com a ordem democrática fragilizada e impor uma nova ordem de massas, onde as contradições sociais virtualmente desapareceriam, contudo era um movimento de massas; Um movimento de massas em favor da pequeno-burguesia, esse é o grande xis da questão. Até onde nos guiará esse levante da classe média sem um princípio norteador, qual seria o rumo dessa manifestação toda. 


     Logicamente não serão novas ditaduras, a época para ditaduras já passou, mas pode ser um estado de viés um pouco mais autoritário e centralista, e isso ameaça as liberdades individuais do homem e do individuo, sem levar em consideração que atrapalha o projeto de construção de uma sociedade sem classes sociais. Os movimentos de setembro agora apagam o fogo revolucionário de Julho,  retira o papel revolucionário do movimento e tomam um caráter cada vez mais diversificado. Resta saber se a continuidade representará uma mudança no movimento ou ele se extinguirá de uma vez por todas como fogo que se esgota após um vendaval.

       A Revolução é a única solução que se apresenta hoje, entretanto como todos nós sabemos, Revolução pressupõe sangue o que nenhum dos manifestantes está disposto a desperdiçar, de maneira que não há grandes projeções para tal movimento no futuro próximo. A Revolução é o meio pelo qual as massas são ouvidas, ou como Karl Marx dizia, é o festival dos descamisados, dos que não têm nada.

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