segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Revolução de Outubro

 

7 de novembro de 1941
 
        Faz frio em Moscou, um daqueles tipos de frio dos quais tememos até mesmo sair de casa... Estavam batendo -20° C na Grande Moscou, imagino o quanto fazia agora nos Urais... Deus do Céu!
Você não sabe o que é frio até conhecer Moscou no Inverno!
         Mas lá, sobre o grosso nevoeiro que surge dos ventos dos Urais, marcho a passo de ganso na Praça Vermelha enquanto o Vojd nos olha atento aos nossos movimentos do alto do palanque montado de improviso próximo a uma Estação de Metrô de Moscou.
Stálin e o General Zhukov
        Eram tempos difíceis, a guerra chegara aos portões da Capital... A Luftwaffe cortava a capital com o tenaz bombardeiro que dilapidava a velha e sólida Moscou... Moscou que por sinal não parecia tão resistente assim... O Kremlin foi bombardeado, a Catedral de São Basílio por um acaso do Destino também não veio à baixo... O povo em si dormia no metrô, onde os furtos e assaltos eram frequentes.
         Até mesmo o corpo de Lênin teve que ser levado para a Sibéria para que não corresse o risco de ser profanado pelos nazistas...
"Pobre Lênin... Lenin deixou-lhes um legado e eles fuderam com tudo"
         O Estado Maior se refugiara numa estação do Metrô isolada das demais por tapulmes de compensado sobrepostos no vão principal de uma plataforma, enquanto Stálin... Stálin em um bunker escondido, tão bem escondido, que ninguém sequer imagina até hoje onde fica, comandava as tropas do Exército Vermelho, ordenando ao pobre General Zhukov...
        Estávamos no meio da guerra, os nazistas estavam a trinta quilômetros da capital, mas mesmo assim marchamos sobre aquele frio de cortar os joelhos pela Praça Vermelha em direção ao front de batalha , era o aniversário da Revolução! Eram dias difíceis, mas vencemos. A Batalha de Moscou!
A Parada Militar no 24° aniversário da Revolução
       A Praça estava tomada pela tensão da guerra, os moscovitas sempre alertas, olhavam ao Céu, enquanto o camarada Stálin observava com extrema cautela a parada de modo que ficasse tudo impecável para a propaganda...
         Por que tudo aquilo? Afinal para quê nos arriscarmos a tanto numa infrutífera parada no meio da mais sangrenta dentre as Batalhas até agora... Não tínhamos armas, quão menos reforços, nossas forças desmoronavam enquanto vulneráveis, nós, marchávamos sob o nublado dia 7 de novembro...
 
"Camaradas, homens do Exército Vermelho e da Marinha Vermelha, os comandantes e instrutores políticos, homens e mulheres trabalhadores nas fábricas, homens e mulheres das fazendas coletivas , trabalhadores de atividades intelectuais, irmãos e irmãs que estão na retaguarda do nosso inimigo que temporariamente caíramsob o jugo dos bandidos alemães, e os nossos valentes homens e mulheres guerrilheiros que estão destruindo a retarguarda dos invasores alemães!

Em nome do governo soviético e do nosso Partido Bolchevique estou saudar-vos e felicitá-los pelo o vigésimo quarto aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro.
Camaradas, é em circunstâncias extenuantes que estamos comemorando o dia do vigésimo quarto aniversário da Revolução de Outubro. O ataque traiçoeiro dos bandidos alemães e da guerra que tem sido forçada sobre nós criou uma ameaça ao nosso país. Temos perdido temporariamente um número de regiões, o inimigo tem aparecido nas portas de Leningrado e Moscou. O inimigo contava que após o primeiro golpe  o nosso exército seria disperso, e nosso país seria forçado a ficar de joelhos. Mas o inimigo gravemente calculou mal. Apesar dos reverses temporários, o nosso Exército e da Marinha estão heroicamente a repelir os ataques do inimigo ao longo de toda a frente e infligindo pesadas perdas em cima dele, enquanto o nosso país, todo o nosso país se organizou-se em ordem em um campo de luta , juntamente com o nosso Exército e nossa Marinha, para abranger a derrota dos invasores alemães.
Houve momentos em que nosso país estava em uma posição ainda mais difícil. Lembre-se do ano  1918 , quando se comemorou o primeiro aniversário da Revolução de Outubro. Três quartos de nosso país estavam naquele momento nas mãos dos intervencionistas estrangeiros. A Ucrânia, do Cáucaso, Ásia Central, nos Urais, na Sibéria e no Extremo Oriente foram temporariamente perdidas por nós. Nós não tínhamos aliados, não tínhamos  O Exército Vermelho -tínhamos apenas começado a criá-lo, havia uma escassez de alimentos, de armamentos, de roupas para o Exército. Quatorze estados estavam pressionando contra o nosso país. Mas nós não desanimamo-nos, nós não desanimamos. O fogo da guerra  forjou o Exército Vermelho e converteu nosso país em um acampamento militar. O espírito do grande Lênin nós animou ao mesmo tempo para a guerra contra os intervencionistas. E o que aconteceu? Nós repelimos os intervencionistas, e recuperamos todo o território nosso perdido, e alcançamos a vitória.
A posição de hoje de nosso país é muito melhor do que 23 anos atrás. Nosso país está agora muitas vezes mais rico do que era 23 anos atrás, quanto materiais da indústriais, alimentos e vestimentas.  Agora temos aliados, que junto conosco  mantêm uma frente unida contra os invasores alemães. Nós agora desfrutamos da simpatia e apoio de todas as nações da Europa que caíram sob o jugo da tirania de Hitler. Agora temos um Exército e uma Marinha esplêndidos , que defendem com suas vidas a liberdade e  a independência de nosso país. Nós experimentamos nenhuma falta grave de qualquer alimento, ou armamentos ou de roupa do exército. Nosso país inteiro, todos os povos do nosso país, devem apoiar o nosso Exército e nossa Marinha, ajudando-os a destruir as hordas de invasores fascistas alemães. Nossas reservas de mão-de-são inesgotáveis. O espírito do grande Lênin e sua bandeira vitoriosa animar-nos-á agora nesta guerra patriótica, assim como eles fizeram 23 anos atrás.
Pode haver qualquer dúvida de que podemos, e somos obrigados a, derrotar os invasores alemães?
O inimigo não é tão forte como alguns intelectuais um pouco assustados imaginam. O diabo não é tão terrível quanto o pintam. Quem pode negar que o nosso Exército Vermelho tem mais de uma vez põe as tropas alemãs a entrar em pânico alardeado vôo? Se julgarmos, não por as afirmações arrogantes dos propagandistas alemães, mas pela posição actual da Alemanha, não será difícil compreender que os invasores fascistas estão enfrentando um desastre. Fome e empobrecimento reinam na Alemanha dia a dia, em quatro meses de guerra a Alemanha perdeu quatro milhões e meio de homens, a Alemanha está sangrando, suas reservas de homens estão se exaurindo, o espírito de indignação está se espalhando não só entre os povos da Europa, que caíram sob o jugo dos invasores alemães, mas também entre o próprio povo alemão, que não vê um fim para a guerra. Os invasores alemães estão forçando seus esforços passado. Não há dúvida de que a Alemanha não pode sustentar tal estirpe por muito tempo. Mais alguns meses, outro semestre, talvez mais um ano, e a Alemanha hitlerista  deve estourar sob a pressão de seus crimes.
Camaradas, homens do Exército Vermelho e da Marinha Vermelha, os comandantes e instrutores políticos, homens e mulheres guerrilheiros, o mundo inteiro está olhando para você como a força capaz de destruir as hordas de saqueadores alemães. Os povos escravizados da Europa que caíram sob o jugo dos invasores alemães olham para você como seus libertadores. A grande missão libertadora caiu sobre vocês. Sejam dignso desta missão! A guerra que estamos travando é uma guerra de libertação, uma guerra justa. Deixe as imagens viril dos nossos grandes ancestrais - Alexander Nevsky, Dimitry Donskoy, Kuzma Minin, Dimitry Pozharsky, Alexander Suvorov e Mikhail Kutuzov, inspirá-los nesta guerra! Façam com que  a bandeira vitoriosa do grande Lênin seja sua estrela-guia!
Para a completa destruição dos invasores alemães!
Morte aos invasores alemães!
Viva a nossa Pátria gloriosa, sua liberdade e sua independência!
Sob a bandeira de Lênin, em frente à vitória!"
   Agora me lembro...
        Há exatos noventa e quatro anos, lá estava eu, sob o comando do camarada Antonov Oesenko tomando de assalto o Palácio de Inverno de Petrogrado. Um palácio estremeamente belo, no centro da então capital, em estilo Neoclássico, remontava o tempo de Pedro, o Grande, patrono da cidade... Ali fora a sede de Governo de Kerensky durante o período menchevique... Aquela estrutura podre caiu quando invadimos de asssalto, de rifles e mosquetes em mãso, aquele símbolo mor do ostracismo institucionalizado... A autocracia Romanov...
"A autocracia caiu quando nós, sob o pesado fogo que emanava do Palácio, sob comando do camarada Oesenko tomamos o Palacio."
       Lá por perto escutava o encouraçado Aurora rufando os seus canhões em prol da causa revolucionária, enquanto Vladimir Ilyich ecoava sua voz aguda e estridente com extrema força aos milhares de trabalhadores, logo depois de se reunir com o Comitê Revolucionário e com o Politburo. Era a Revolução de Outubro
"Como eram felizes aqueles dias!"
        Aqueles eram dias felizes, as atendentes de bonde chamando a todos, com um largo sorriso no semblante, de camarada, enquanto conduziam alegremente os civis para os mais distantes recantos da cidade... 
"Era isso que passavámos!"
         Quem disse que com a Revolução o comércio fechara? Os restaurantes grã-finos da Avenida Nevsky continuavam abertos para o programa dos desocupados nobres e burgueses que de cartola caminhavam nos teatros para verem com suas amantes uma Comèdie Française qualquer enquanto nossos filhos passavam fome...
         —  Camaradas, eu sou muito grato a vocês por terem deposto o Czar... Mas vocês deporam o Czar para manterem a guerra?
          
— Não!
               

             — Vocês deporam o Czar para que os seus filhos continuassem a passar fome?
           — Não!
               — O povo precisa de paz. Agora! O povo precisa de Terra! Agora!O povo precisa de pão! Agora! Aceleremos a Revolução apenas começada... A Revolução do Proletários.

               Eram dias simples aqueles, dias aos quais dedicavamos a nossa vida para a construção de uma sociedade melhor. Uma sociedade justa e feliz... Eram os anos da Revolução! Ao me lembrar-me disso, marchei com mais força do que imaginam, e com o largo passo de ganso percorri a PraçaVermelha toda em menos de dez minutos, com o rifle na mão, rumo à derrota dos infâmes fascistas... Subi a rua Gorky e em seguida me vi defronte à guerra... Foi o dia mais feliz da minha vida! Levei doze tiros, perdi dois dedos, mas pelo menos consegui lutar dignamente por nossa pátria...
"Sim, eu lutei em cima desses tanques"
             Até que hoje, aos cento e dez anos, já cego de um olho e trêmulo das mãos, esquecendo-me repentinamente de quem sou, do que acabei de fazer...
              Hoje eu sinto tristeza, por estar aqui defronte a você dando essa entrevista, quando presencio os jovens, crianças praticamente dinamitando estátuas de Lênin e profanando a memória da Guerra ao desenharem suásticas no Metrô... 
"Isso é uma atrocidade à memória russa!"
            Quando vim para cá, presenciei um skinhead batendo numa velhinha por causa de uma bolsa na estação Plouschad Revoluschii (Praça da Revolução), isso me amargura, pois sei o quanto mal acabamos fazendo dez anos atrás quando encerramos de uma só vez a URSS, e colocamos o Yeltsin no poder... É triste, muito triste...
(Agradecimentos especiais ao senhor Gorkin, que acabou morrendo, de ataque cardíaco após essa entrevista, sequer pôde comemorar o 94° aniversário da Revolução)
 (Os eventos da Parada Militar da Batalha de Moscou completam hoje também 70 anos)

domingo, 6 de novembro de 2011

Rede mundial

       É uma lástima que em plena aurora do século XXI eu ainda encontre dificuldades para acessar a internet... Considerando que eu pago para acessar a internet...

       Isso mesmo, eu estou pagando para não usar a minha internet, isso por que estou tendo uma mostra de como é podre o serviço de telefonia e telecomunicações no Brasil... É tudo porquê? Por que assinamos uma companhia que se quer se mostra ao respeito de tentar esclarecer isso...

        Vou explicar em minúncias, pois acho que melhor posso ser compreendido... Há dois dias, dois dias exatamente, venho tentando acessar a internet da minha casa, vocês sabem, para acessar o Facebook, ler o jornal, checar os e-mails, fazer downloads; coisas assim... Quem disse que consigo?
       
        O meu computador unicamente consegue acessar o Google e os sites do Google (foi assim que eu consegui acessar o blog), mas quando é para facebook ou para os jornais, nem a pau, diz que o servidor está ocupado ou sequer está conectado...

         À primeira vez até acreditei, mas depois, passadas duas horas, era demais... O que havia acontecido? Eu não sei, só sei que foi assim.

          Desliguei e religuei o modem umas cinco vezes e nada... Refiz as conexões dos cabos, resultado nulo, verifiquei a fiação para ver se por caso um rato estava roendo o cabo (isso não é impossível), nada!

          Refiz as configurações do meu computador, também não adiantou. Desinstalei meu navegador e reinstalei, quem disse que funcionou? Isso dizia uma coisa... Não era eu, era a operadora!

          Aos que moram no Brasil, compreendem muito bem o qual é sofrível esperar nos Call Centers o atendimento dos telefonistas, que por um acaso do destino parecem querer deixar você cada vez mais irritado... Eu tive uma mostra disso quando fui ligar para a operadora, a tão mal afamada OI, que me dá nojo só de pronunciar o seu nome...

           Foi um acaso do destino: Na época nós tinhamos a opção de três empresas para telefonia e internet, a empresa A, a B e a Brasil Telecom; A empresa A oferecia um mega pacotão de TV, Telefone e Internet, mas o seu serviço era duvidoso; a empresa B oferecia sem dúvida a melhor Internet no Brasil inteiro, tinha velocidades respeitáveis, de 5 a 100 mega, não era cara, mas houve uma certa relutância de meu pai quanto a mudar de operadora de telefone. A Brasil Telecom, ela não tinha um serviço bom, era bem mais cara que a empresa B e só oferecia 1 mega de velocidade de internet (até uma tartaruga parece um foguete perto disso), contudo não precisava mudar de operadora de telefone...

          Tudo bem, não era uma maravilha, mas estava dando para o gasto, o download chegava a 270 Kbps ou mesmo em baixa 100 Kbps, até que... A Brasil Telecom foi vendida!

           MERDA!


            Foi aí que tudo piorou... Uma companhia chamada OI, que tomou o controle de mais de 80% do aparato de telecomunicações fixas (telefone fixo para mim é aquele que ainda tem gancho) do Brasil... Ninguém ali sabia como era seu serviço, todos tinham dúvidas, mas quem disse que nós mudamos de companhia...
            A OI encareceu ainda mais os seus serviços, e por uma sacanagem do destino reduziu nossa velocidade de Internet; Mesmo sendo nominalmente 1 mega, a velocidade de download não passa dos 40kbps (isso é quase um sétimo da velocidade de pico), tenta demasiadamente nos vender pacotes que dizem ser de "graça", mas na verdade nos cobram no futuro...

            Enfim, eu não sei como ainda estamos nessa... Beleza, fui ligar para a telefonia... Depois de ouvir todo o repertório das Árias de Mozart (acho que nunca mais vou querer ouvir Mozart na minha vida de tamanho trauma) naquelas irritantes musiquinhas semi-infantis, ter passado uma hora na linha até ser enfim atendido...

            "Boa Tarde, senhor... Antes de mais nada devo informar que para sua máxima segurança essa ligação está sendo gravada". Isso soou como se fosse uma chantagem, afinal, se eu falasse qualquer coisa que me viesse à cabeça, podia ser processado...

           Eu expliquei o que ocorria, o fato da internet ficar limitada só ao domínio do Google e nada mais... Sabe o que ele fez? Passou a chamada para outro setor...

           Tudo bem, mas precisava me fazer ficar meia hora ouvindo de novo aquela música irritante! Quando chegou o outro atendente, eis que vem a mim falar sobre o acontecido... Cadê que ele sabia de alguma coisa? Ele nem sabia como resolver o problema e passou a chamada para outro setor...

          No meio da Flauta Mágica, a ligação caiu, e eis que percebo, perdi duas horas da minha vida! E obviamente a ligação foi cobrada...

          Maldição! Não foi resolvida  p* nenhuma! Só fiz perder o meu tempo!

         E é isso... Essa é a mostra da falência com que alguns acreditam que empresas inescrupulosas como essas irão fazer a integração digital no Brasil, eu digo, se for para ser assim, quem raios vai querer usar um computador?

          Eu acuso a OI de ter feito isso, porque se não, se não fosse isso, eu teria que acreditar que o Google está fazendo uma conspiração mundial para que todos apenas acessem os seus domínios, o que não é difícil, mas é  pouco provável de acontecer...

         Se algum de vocês, caros leitores, quiserem expor suas experiências com esses serviços, ou mesmo fazer críticas ao meu posicionamento, eu ficaria muito agradecido que se dispusessem a comentar...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Edgar Hoover: O passado do FBI

       Há um certo desconforto pairando hoje sobre Washington... Por que será?


     Por causa do anúncio do polêmico filme de Clint Eastwood, J. Edgard, que centrará a trama em torno de um personagem: J. Edgar Hoover...


      Quem é Edgar Hoover? Devem me perguntar...
... É esse doidão com a Tommy Gun na mão!

    
      Hoover nada mais, nada menos foi o criador do FBI, a Polícia Secreta dos Estados Unidos, se é que podemos usar esse termo... Com Hoover nós podemos.

       A carreira de Edgar Hoover se resumiu praticamente a isso:

        Empregou-se  rapidamente no Departamento de Justiça dos Estados Unidos, onde sua carreira foi rápida.
           Em 1919 foi indicado para investigar estrangeiros suspeitos de subversão, missão essa que resultou na expulsão do país de um  número ímpar de pessoas. Não a toa, em 1924 foi nomeado chefe do FBI...

          E daí? Daí que Hoover foi responsável além de acabar com boa parte das atividades da Máfia, ações pelas quais sua fama começou a crescer, quando combatia gângsters famosos, como John Dillinger, Pretty Boy e Baby Face.


O poderoso chefao
Don Vito Corleone não gostou nada disso
          Mas Edgar Hoover, mesmo tendo mudado a história do FBI: a antiga e ineficiente organização de 657 (muitas vezes corruptos) agentes, tornou-se uma gigantesca organização policial com mais de 16 000 funcionários, além de modernos métodos de investigação criminal, ele  resultou também  milhares de prisões e abalou a vida de centenas de pessoas...

           O caso mais notório foi com o certeza o caso Lindberg que ocorreu nos anos 30...

            Charles Lindberg foi o aviador mais conhecido de sua época, ele, sozinho, realizou o primeiro voo transatlantico da História, saindo do estado de Nova York em direção a Paris num monomotor, o Spirit of Saint Louis.

Charles Lindberg com o seu Spirit of Saint Louis
         
          Lindberg ficou extremamente famoso nos EUA, angariando extrema popularidade e carisma, se quisesse, poderia até mesmo se candidatar a Senador...

         Contudo, algo marcou profundamente a vida de Lindberg, o seu filho, Charles Lindberg Jr.,  com apenas dois anos de idade, fora raptado e morto em 1932... Imagina quem estava envolvido no caso? Edgar Hoover...


          Isso mesmo, o chefe do FBI é até hoje acusado de ter sido o mandante da morte do bebê Lindberg.

O bebê Lindberg acabou morrendo no dito "Crime do Século"

         Vocês acham que é só isso? Tem mais... E o Marcathismo? O Marcathismo sempre foi apoiado pelo velho diretor do FBI, Edgar Hoover.

           Para quem tem memória fraca e não sabe o que é o Marcathismo, eu explicarei, no ínicio da Guerra Fria se solidificar na administraçao pública o Congresso em associação ao FBI realizou uma espécie de caça às bruxas de modo a tentar desesperadamente retirar qualquer possibilidade de infiltração comunista nos EUA.

           De fato, não vou mentir, existiam mesmo agentes da KGB (nessa época já posso usar esse termo) atuando em vários países do Ocidente, tanto que a Bomba Atômica soviética foi conseguida através de produto de espionagem de agentes soviéticos... Contudo, o Marcathismo foi tão nefasto, mas tão nefasto, que sequer procurava a si indícios plausíveis para levantar acusações contra membros proeminentes ou não da sociedade...

"Senhor blogueiro, o senhor reconhece as suas ligações com o socialismo?" Senador MacCarty.

       Eles atacavam todo mundo, de professores à artistas, inculpando, fazendo com que fossem levados ao público, sendo forçados a fazer muitas vezes acusações falsas para salvarem sua própria pele e tentando reforçar a "ameaça comunista" que beirava os EUA.

          O Marcathismo foi tão letal, mas tão letal que chegou até mesmo a fazer com que Chaplin saísse dos EUA devido a intensa perseguições a si pelo governo norte-americano.
Pô até Chaplin!


          Adivinhem que foi o maior responsável? Edgar Hoover.

          No auge do marcathismo, Hoover propos a prisão de 12 mil americanos por suposta "deslealdade",  como revelaram documentos confidenciais tornados públicos pelo Departamento de Estado americano.

          Hoover enviou sua proposta para o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, no dia 7 de julho de 1950, pouco depois do início da Guerra da Coréia, argumentando que eram necessárias (as prisões) para conter "traição, espionagem e sabotagem". E ainda queria que o presidente suspendesse o direito de habeas corpus, que protege os indivíduos de prisão ilegal.

           O Marcathismo acabou perecendo à sua própria falta de embasamento plausível, e com o tempo, o maior expoente desse movimento repressivo, senador Marcathy, acabou ficando isolado no seio de seu ostracismo, de onde nunca mais saiu...

            Mas e Hoover? Continuou como Chefe do FBI.

         Hoover se tornou uam figura cada vez mais obscura, os registros do FBI indicaram que o então chefe da polícia federal americana acreditava que em um filme envolvendo a atriz Marylin Monroe (em cenas que digamos, quentes de mais) um  homem aparecia, e que esse homem seria o ex-presidente John F. Kennedy, que supostamente tinha um romance com a estrela de Hollywood.

Você acreditaria que na festa de aniversário do Kennedy, na Casa Branca, o maior presente de Kennedy não foi o bolo, mas, enfim... Vocês sabem.

          Hoover chegou a  convocar prostitutas que alegavam ter tido relações com Kennedy para tentar confirmar a identidade do parceiro de Marilyn no filme.

          Eu não preciso dizer o que eu acho do que aconteceu na morte de Kennedy, não é mesmo? Para mim foi o FBI.

            Então... Então que Hoover não só se limitou a isso, e em 1972 ele ordenou, e trocou memorandos com agentes do FBI a cerca de um assunto inusitado... A ligação da Máfia com o financiamento da Indústria pornografica, tanto que o FBI chegou até mesmo a investigar o filme Garganta Profunda, que por incrível que pareça, acabou sendo o codinome do delator que resultaria a Queda do Nixon.


             O engraçado disso tudo é que o FBI e Washington se sentem incomodados com tudo isso? Por que? O filme do Clint Eastwood não parece se distanciar tanto da realidade... Só por que ele também tratará da suposta homossexualidade do Diretor do FBI...


            Isso mesmo, o filme tratará o Edgar Hoover como homossexual... E não deixa de ser um pouco de verdade... Quem em pleno século XX, da década de 1920 até a 1970, passou a vida inteira sem pegar uma única mulher e sequer se casou, naquele contexto, era visto como gay, principalmente quando essa mesma pessoa ainda passava as férias com o seu assistente e digamos... quando morreu, deixou metade da sua fortuna para o seu assistente.

Isso não era segredo para ninguém...
           Até que por fim descobriu-se quem era o verdadeiro parceiro de Hoover, através de documentos secretos esboçados a partir dos arquivos da KGB, encontramos a seguinte fotografia...
       
Olha só! Que  meigo, veja o carinho que os dois têm por si

           
    

Estudo da transformação social na Rússia na Modernidade

(Com ênfase no período de Ivan, o Terrível, e de  Pedro, o Grande)

(Esse foi o meu estudo a cerca da conjectura social que se transformou na Rússia desde Ivan IV a Pedro, o Grande, o período pelo qual compreendo a Modernidade Russa)

                Esse estudo não só limitou-se a uma resenha, como também é uma análise de várias obras sobre o desenvolvimento da sociedade russa no período da Modernidade e mesmo que o poder centralizado na Rússia remonte os tempos de Aleksandr Nevsky, contudo, o poder russo começa a se solidificar na forma da autocracia à altura do século XVI.
                Chega até a ser interessante o fato que a Rússia talvez tenha sido o único estado na Europa a ter em si ainda solidificada a estrutura absolutista até meados do século XX como Perry Anderson enfatiza, quando a Revolução Russa eclode (embora o ensaio revolucionário de 1905 já tenha influído na transformação da estrutura política czarista, sabe-se que não se alterou muito o poder do Czar quanto ao seu poder de autocrata).
                Perry Anderson, em seu livro, As Linhagens do Estado Absolutista, que “a partir de 1450, inicia-se uma nova era de recuperação e expansão econômicas. Ao longo dos cem anos que seguiram, a população multiplicou-se, a agricultura prosperou, o comércio interno e o uso da moeda difundiram-se rapidamente, enquanto o território do Estado moscovita crescia mais  de seis vezes em superfície”[1], chega a ser interessante o modo como Anderson pontua o aparecimento de certas técnicas agrícolas na Rússia e sua rápida adaptação, como no caso da superação do cultivo camponês destrutivo para o sistema de afolhamento trienal, que era até então desconhecido na Rússia.
                O Grão-Princípe de Moscóvia, Vassíli III “era um príncipe de modos brandos, benquisto por seu povo”[2]. Ao contrário de Ivan III que conquistou amplos territórios, tomando inclusive Novgorod[3], Vassili III “não possuía os dotes de um conquistador”[4], travava guerras esporádicas com a Lituânia, anexando as cidades de Pskov, Smolensk e Riazan ao seu reino (talvez tenha sido com essa aparente estabilidade que tenha feito com que a população de Moscóvia tenha crescido de tal maneira e os negociantes tenham começado a prospera como Payne e Romanov demonstram em seu livro, Ivã, o Terrível).
                Vassili III era um homem dependente, segundo observa o Barão Sigmund von Herbestein, embaixador do Imperador Maximiliano em Moscou[5], que descreve que as decisões eram tomadas apenas com a consulta do Conselho dos Boiardos (indivíduos que um dia pertenceriam à nobreza russa) e dependia a e execução de suas decisões através do aval dos funcionários públicos (um vestígio remoto de elementos que constituiriam a Burocracia do fim do Império).
                Herberstein descreve que o governante tinha grande poder, era visto como “o mordomo e camareiro de Deus”, pelos moscovitas.
                A sociedade moscovita era um tanto diferente de suas contemporâneas, considerando que os funcionário tinham poder no serviço público, costumeiramente “recebiam propinas faziam promessas que logo se esqueciam e trabalhavam continuamente para o seu próprio proveito”[6].
                É importante salientar o cenário, com o qual Romanov e Payne desenvolvem sobre a vida cotidiana da sociedade moscovita; Ao largo campo entre o rio Moskva e o Rio Negliania (o que hoje corresponderia à Praça Vermelha) funcionava o centro nervoso da capital: “Era o principal lugar de mercado, com barracas pintadas em filas ordenadas, onde se podia comprar qualquer coisa, de sedas e damascos a estribos e selas de couro, de barris a trenós de madeira [...] Quando as barracas eram retiradas a Praça tornava-se um campo de paradas ou terreno de feira com palhaços e prestigiadores e ursos amestrados (algo semelhante aos desfiles de 9 de maio na Praça Vermelha no período soviético).
                Em dias comuns, “[...]Cães latiam, mulheres gritavam, crianças choravam, vendedores ambulantes berravam o quanto permitiam seus pulmões” e “os furtos se sucediam e a maioria dos homens carregavam punhais nas mangas ou nas botas. Bêbados circulavam alegremente. As bebidas favoritas eram o hidromel e a vodka”.
                Relatam os dois autores, que um viajante, Anthony Jekinson, que esteve em Moscou em 1558, ouviu falar que os homens e mulheres vendiam seus filhos nas tavernas e depois todos os seus bens, para poderem beber, até que no final acabavam se oferecendo como servos. Esse é um vestígio do que hoje se tornou uma epidemia na Rússia, o alcoolismo.“O fardo pesava inteiramente sobre a gente pobre”, descreve o viajante.
                Enquanto os mais humildes, pais dos mujiques do período Imperial padeciam com a vida atroz, ascendia algo próximo a uma classe média, composta na maioria por funcionários públicos.
                Os ricos eram necessariamente muito ricos, como pontuam Payne e Romanov: “Havia nobres que possuíam grande número de cidades e vilas, e viviam em luxo espantoso. Uma classe de ricos comerciantes atacadistas começava a alcançar a preeminência[...] Controlavam os empórios de cereais e os mercados de peles, financiavam frotas pesqueiras no longíquo Norte, negociavam com a Pérsia, os Países Bálticos, a França e a Itália.”
                No Inverno, quando os rios congelavam, “as barracas, antes dispostas na Praça, eram reinstaladas sobre o gelo do Rio Moskva, que se tornava um campo de feira, um mercado de gêneros e todos os artigos[...] Trenós, barris de madeira, potes e panelas, gado, cavalos, aves, pão e toda espécie de alimento, eram vendidos ali sobre o gelo”
                Em 25 de agosto de 1530[7], nasceu um homem que se tornaria um dos mais perversos da História da Rússia. Ivan, Groznii, ou Ivan, o Terrível. O primeiro czar in facto da Rússia.
                O czar começou a esboçar uma política que se tornaria intrínseca à Rússia por séculos, ele garantiu à nobreza guerreira, os pomeshchik, o direito de determinar o nível das rendas a serem coletadas dos camponeses, sendo assim, os camponeses passaram a pagar impostos aos senhores , tornando estes senhores in facto da força de trabalho (servidão)
                Os boiardos nessa época exerciam um poder de conspiração tremendo que logo que ascendeu, em um universo de conspiração e intriga, Ivan IV (Ivan, o Terrível) começou a liquidar alguns boiardos com que ele não simpatizava, ao formar sua guarda pessoal, a Oprichinikha. O primeiro esboço de repressão à população russa.
                Essa repressão, segundo Anderson, “por vezes, as agitações que promovia nas cidades, a dilaceração do sistema fundiário e a superexploração do campesinato foram causas diretas do colapso centrífugo absoluto da sociedade moscovita nos últimos anos do reinado de Ivã IV.
                O grão czar foi acumulando mais e mais poder, os comerciantes acabaram sendo pegos por uma sólida recessão econômica e os pobres acabaram sendo absorvidos pouco a pouco pela servidão, tanto que, os sucessores de Ivan IV, como Godunov, trabalharam para isso só crescer. Godunov, por exemplo, “baixou um decreto em 1592 ou 1593, proibindo toda a mobilidade dos camponeses até determinação em contrário[...] ‘Esse decreto foi o ponto culminante das medidas de servidão do final do século XVI e princípio do século XVII’”[8].
                Os pomeshchik acabaram perdendo a sua força com o passar do tempo, tendo em vista que constituíam a parcela mais baixa da nobreza, e não tendo muita possibilidade de ascenderem socialmente acabaram perdendo sua força diante aos boiardos que continuavam fortes e isso só foi se agudizando até que por fim essa classe acabou desaparecendo.
                Em todo o caso com a ascensão de Pedro,o Grande, tenha firmado em si a estrutura social russa. Pedro I sabia que a Rússia estava atrasada tecnologicamente e tentou fazer ao máximo para retirar essa desvantagem dos ombros da Rússia.
                Uma das medidas tomadas por Pedro I quanto à questão social foi sem dúvida a alteração do sistema de ingresso para a nobreza.
                Como Marc Raeff enfatiza em seu livro, Imperial Russia 1682-1825, The Coming of Age of Modern Russia, a nobreza era uma porção extremamente pequena nessa época (entre 0,5% a 1% do total, dados de Raeff) e não supria as necessidades do Czar. Assim ele estabeleceu que a nobreza não mais seria somente qualificada pelo número de terras, mas por nascimento e serviço (Rod i chin) . Assim, o status  de nobre acabou sendo estendido aos funcionários públicos[9]
                Segundo Raeff, Pedro I compilou e numerou, com o auxílio de seus ministros e assessores, as graduações de nobreza, de boiardos, a quem à corte agora formavam e que cabiam os mais altos postos do aparato estatal e militar.
                Depois vinham outros escalões, como a nobreza de gleba (da qual, em período posterior, o pai de Lênin, Ilya Ulianov, fazia parte[10]) que era a nobreza que era fundamentade pelos funcionários públicos que adquiriam esses cargos por mérito, clientelismo, ou mesmo por tempo de serviço (ex-servos, comerciantes e membros integrantes de nobrezas locais poderiam fazer parte dessa escala), ao contrário dos títulos mais altos, a nobreza de gleba possuía uma dificuldade maior de se tornar hereditária.
                Quanto aos servos, esses continuaram engessados às propriedades rurais dos grandes senhores de terra e Pedro, o Grande nada fez para mudar isso.
                E assim perdura a estrutura social na Rússia, segundo Raeff, sem grandes alterações, até Nicolau I extinguir o enobrecimento automático e hereditário com a abolição da Tábula dos Cargos[11] já no início da Contemporaneidade.
                Embora pareça ter sido mostrado de forma mecânica tal transformação social na Rússia, durante a Modernidade, apercebe-se que as transformações sociais que vieram a trazer uma estrutura de dominação e exploração na Rússia que perdurou até a queda do transcontinental Império dos Romanov em 1917.
                Há quem qualifique que a modernidade na Rússia tenha servido de modelo para o modelo repressivo estabelecido na União Soviética, em certa maneira, mesmo que indiretamente, isso não deixa de ser uma verdade. Afinal de contas, a Oprichinikha de Ivan, o Terrível, em muito se assemelhava ao NKVD de Stálin, e muitas das ações tomadas por Stálin estavam fundamentadas nos exemplos passados de Ivan, o Terrível, a quem segundo relatos de membros próximos ao líder soviético, era como “um professor”[12] de Stálin.
                O relativo atraso da Rússia Moderna em relação ao ocidente, tanto tecnologicamente quanto politicamente, influiu de certa maneira na estrutura social que apenas foi ruir em outubro (novembro) de 1917.
                Nem tomei como estudo a questão das nacionalidades, pois essa questão é de modo demasiado complexa, e creio que não haja como pontuar no que um dia chamo de resenha de várias leituras, em todo o caso, a estrutura social russa é marcada por uma opressão que surge desde Ivan IV, perdura por seus sucessores, chegando a  Pedro, o Grande e ao final do Império em  1917.
                A exploração dos camponeses e alguns problemas sociais atuais à Rússia que também foram pontuados nas leituras em que baseei essa resenha também mostram-se com opiniões minhas sobres os tópicos.
                Tentei desvencilhar-me ao máximo do âmbito político, mas quando se torna impossível tangê-lo, enumero as questões mais importantes para com as transformações sociais que seguiram-se na Rússia Moderna.
               




[1] ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo: 1989. Pág. 328.
[2] PAYNE, Robert e ROMANOV, Nikita. Ivã, o Terrível. Rio de Janeiro: 1975. Pág. 9.
[3] ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo: 1989. Pág. 328.
[4] PAYNE, Robert e ROMANOV, Nikita. Ivã, o Terrível. Rio de Janeiro: 1975. Pág. 12.
[5] Idem ao último.
[6] Idem , pág 13.
[7] Calendário Juliano
[8] ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo: 1989. Pág. 333.
[9] RAEFF, Marc. Imperial Russia 1682-1825, The Coming of Age of Modern Russia. New York: Knopf: 1971. Pág. 103.
[10] WILSON, Edmond. Rumo à Estação Finlândia.
[11] RAEFF, Marc. Imperial Russia 1682-1825, The Coming of Age of Modern Russia. New York: Knopf: 1971. Pág. 105.
[12] MONTEFIORE, Simon Sebag. A Corte do Czar Vermelho.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O encontro de gênios

Para quem pensa que grandes gênios sequer podem se encontrar sem que aja discussões, essas duas fotos demonstram o contrário:
 
Chaplin visita Gandhi no Leste de Londres.

"Quem é Charles Chaplin?"
Mahatma Gandhi, líder espiritual da Índia.


Imagine falar isso para o maior artista da época, o Harrison Ford dos anos 30, ou mesmo para o maior diretor da época, o Spielberg dos anos 30.




http://umapartedomundo.files.wordpress.com/2011/07/chaplin-e-einstein.jpg
Encontro entre Einstein e Chaplin
 Esse encontro ainda é mais peculiar, Albert Einstein e Charles Chaplin, os dois juntos conversando em um mega-coquetel na cidade de Los Angeles em um teatro que leva o nome da cidade, na estréia do mais novo filme de Chaplin, Luzes Da Cidade, em janeiro de 1931.

Imagine o que esses dois conversaram... Com certeza não foi a Teoria da Relatividade e técnicas de Cinema.

Um remédio amargo

Cannes, França, novembro de 2011



     Os mais poderosos líderes das mais poderosas nações do Mundo reuniram-se na paradísica cidade de Cannes, roteiro dos grandes magnatas e cineastas mundiais, para debater um assunto por de mais indigesto...


     Não, não foram os escargot que os líderes comeram no almoço oferecido pelo líder da França, Nikola Sarkozy, ou mesmo as "conversas" à portas fechadas que Ângela Merkel e Sarkozy tiveram nessas últimas semanas, embora uma coisa não esteja realmente separada da outra...
Chanceler alemã, Angela Merkel, ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em outubro
Hum! Sarkozy! Sarkozy! Você não sossega nem mesmo quando a sua mulher, a Carla Bruni tá tendo um filho seu? Esse sorrisinho dos dois não engana ninguém!


       A questão era: A Grécia!

       A Grécia? Isso mesmo, o berço da Democracia da qual se fundamentam todos os países ocidentais, o berço da filosofia, do dito conhecimento ocidental em si, a raiz da civilização dita "ocidental"...

        Isso porque a Grécia acabou sendo abalada por uma grave instabilidade financeira acarrateada pela má administração das receitas públicas que foram "investidas" de maneira irresponsável pelo governo, para não falar propriamente em Corrupção (Isso mesmo! Você pensa que é só no Brasil! Tupininquin tolinho!)

        O endividamento da Grécia e a bancarrota desse diminuto país na parte meridional da Península Balcânica elevaram as taxas de risco da economia europeia e consequentemente diminuíram a força do Euro na Europa (Isso porque sou marxista e entendo bem como é a economia totalmente confusa dos Mercados de Ações).

       Resultado: Bancos europeus haviam emprestado somas gigantescas de dinheiro para que a administração de país se estabilizasse a fim de que a Europa não fosse para a bancarrota (e claro, eles ganhando juros por cima dos empréstimos), contudo, cadê que o governo grego tem como pagar a dívida?


        Isso porque a economia grega é baseada praticamente em:
  1. Turismo, propriamente histórico, como a visita de Atenas, Lesbos (que é o maior ponto de encontro das lésbicas no Mundo), Creta, Esparta (This is Sparta...).
  2. Venda de produtos primários, como azeite (o azeite grego é o melhor do Mundo), pescados, vinho (embora não em grande quantidade);
  3. Mão de obra que se torna imigrante em outros países da Europa (embora os gregos ainda se considerem os mais civilizados do Continente Europeu inteiro).
       O turismo começou a uma crescente decadência em virtude da nebulosidade econômica que paira sobre a Europa, ninguém sabe se ao viajar em final de semana, se manterá o emprego na Segunda Feira, assim chega a ser demasiado perigoso viajar, gastando dinnheiro valioso, sem ter a estabilidade no emprego...
 Resultado: Quem vai viajar à Grecia num tempo desses?

       Com os efeitos da Crise, os cidadãos apercebem-se que é melhor priorizar os produtos nacionais, que são costumeiramente mais baratos, ou mesmo do Leste Europeu que por vezes são até mais baratos, do que comprar produtos como o "Melhor Azeite do Mundo", resultado, os estoques de produtos gregos ficaram cheios, e encanhados nos mercados e depósitos, não à toa que os gregos agora almeijam outros mercados, como o Brasil...

       Mão de obra é uma coisa complicada... Imagine vocês que a Europa ainda é consumida pela xenofobia (Oh! No! Really? Tom de sarcasmo), de modo que os cidadãos dos países mais ricos também andam tendo dificuldades em arranjar trabalho para si, aceitando inclusive empregos antes repudiados, como pintor, pedreiro, lixeiro... Os cidadãos dos países mais pobres debatem-se por empregos com a população local, de modo que na escolha do empregador, geralmente prevalecerá a população local, tendo em vista que um francês tem mais confiança num francês do que, digamos, em um tcheco, ou português... (isso no Brasil, não é uma coisa muito notável).


          Certo, esclarecemos que a Grécia não pode pagar... O que se faz? Quando nós não temos dinheiro, o que fazemos? Calotamos, mesmo não querendo... A Grécia fez isso.

           A preocupação da União Européia não é propriamente com o governo grego ou mesmo com o povo grego, mas sim com os bancos que emprestaram dinheiro aos gregos que numa situação dessas, com um prejuízo desse tamanho e com a fragilidade do Mercado Internacional, acabaram também quebrando, e uma vez quebrando, uma onda de desemprego se arrastará pela Europa maior que a atual, e os bancos, provavelmente utilizaram também das receitas dos correntistas para tapar o buraco das suas contas...

           É jogar merda no ventilador... É por isso que Sarkozy e Merkel estão preocupados.

           Para tanto, o FMI em associação ao G-8 (os mais poderosos economicamente do Mundo) fez uma proposta indecorosa ao governo grego, o FMI e a União Européia emprestarão à Grécia dinheiro para pagar a sua dívida com os bancos e administrativa, a juros mais baixos e prazos maiores, em troca a Grécia tem arcar com algumas penalidades...
     
            Seria meio assim:

              Joãozinho é sócio de José e José tem em caixa duas moedas; uma ele empresta para um terceiro, sob a proposta de receber duas ao invés de uma, então ele empresta dinheiro a Pedrinho.
              Pedrinho não tem dinheiro para pagar José e ameaça não pagar a dívida... José fica com medo de perder tudo, aí pede ajuda a Joãozinho, que nada tinha a ver com a história, mas ameaça acabar com os negócios, ferrando a vida de Joãzinho.
              Joãozinho percebe que não tem muito o que fazer, o que ele faz? Ele usa o dinheiro de outros, que está sob a sua direção, para oferecer um emprestimo a Pedrinho de modo que ele pague a dívida com José,não ferrando assim sua vida, mas fazendo com que Pedrinho deva dinheiro a ele...
              Questão: E se Pedrinho não pagar Joãzinho? O que acontece? Joãozinho pode ir à falência, levando José e ainda tendo se explicar aos outros por ter usado o seu dinheiro para emprestar para alguém.

              Essa é a questão que toma o imaginário da União Européia... Que garantias a Grécia dará de que não dará o calote à União Européia e ao FMI?

               Daí eles formularam um plano do Diabo: Emprestam o dinheiro aos gregos em prestações, para que a Grécia cumpra as dívidas, a juros baixos e prazo estendido, contudo a Grécia têm as seguintes responsabilidades:

  1. Aumentar a idade para aposentadoria dos seus cidadãos a fim de reduzir os gastos da Previdência (Imagine você, trabalhando ao seus trinta e cinco anos de esforço braçal e intelectual, pagando pontualmente um Plano de Previdência por quase uma vida, e de repente, quando você está para se aposentar, você descobre que vai ter que trabalhar de cinco a dez anos a mais, por causa da imposição de um governo extrangeiro, me diga se você não ia ficar puto)
  2. Cortar os investimentos em educação e saúde de modo a reduzir as depesas com pesquisas e pessoal (Isso com certeza não é benéfico em nenhum canto da Galáxia)
  3. Fazer restrições à Bolsa Universitária ( Os jovens terão mais dificuldades de ingressar numa Universidade e consequentemente em arranjar um emprego decente).
  4. Reduzir os salários dos funcionários públicos e gerar demissões (Aí é brincar com fogo e tacar gasolina)
  5. Aumentar os impostos (tanto os cidadãos quanto os burgueses odiarão essa medida).

       Não é à toa que o povo grego foi às ruas protestar contra esse plano mirabolante proposto pelo FMI e a União Européia. E eles estão certos, é um remédio amargo demais para ser tomado, em verdade, está mais para veneno que remédio...

Avante, meus camaradas, não deixem que isso ocorra!



      E o que o Estado pai da Democracia fez? Mandou a polícia e o Exército bater nos manifestantes e reprimir com todas as forças os movimentos sociais resistentes a esse plano estúpido...
E os gregos chamam isso de Democracia!


       Não é a primeira vez que a Grécia entra numa crise dessas, em 1945 a 1947, o país destroçado pela guerra sangrenta mal tinha forças de se levantar, e agora, com os partisans socialistas às portas de Atenas praticamente, quase levando a Grécia a um estado socialista, que seria em muito humilhante aos EUA, afinal, a Grécia era "o berço da 'Democracia'".
        O que os Estados Unidops fizeram? Enviaram o Plano Marshall à Grécia de modo a reduzir a vitória socialista na Grécia, temos que considerar que esse era o contexto da Guerra Fria e a Doutrina Truman estava no auge.

       O que impedem os EUA de fazerem o mesmo? Os EUA estão tão fracos que sequer podem se dar ao luxo de emprestar dinheiro aos outros, principalmente com o alto risco de calote.

       Para ser sincero, os EUA são uma sombra do passado.


        Em todo caso, com a violência com que os protestos acabaram ocorrendo no território grego, não demorou muito para que o Parlamento grego ficasse meio balançado, de forma que o Primeiro-Ministro grego cogitou a possibilidade de Plebiscito Popular.

        O Primeiro-ministro grego disse: "A vontade do povo grego será imposta".
        Obviamente isso desagradou os membros do FMI e da UE que sabem perfeitamente que o povo grego não quer tomar essa punição da qual sequer tomara parte... É um remédio amargo demais!

      Assim o FMI e a UE pressionam a  Grécia, dizendo que não vão repassar dinheiro dos empréstimos e que podem até retirar a Grécia da Zona do Euro e até da União Européia.

      Joãozinho agora obriga Pedrinho a pegar o empréstimo desde que ele tome o óleo de ricino, o qual ele não quer tomar...

      Resultado, o Primeiro-Ministro voltou atrás e disse que não ia ter plebiscito... Isso quer dizer que a vontade do povo não será levada em conta, eles só vão agir por seu  próprio benefício.


       A União Européia não é esse bloco de irmandade que imaginamos, é como qualquer estrutura burguesa que tenta tirar lucro mesmo da desgraça alheia, agora o povo grego terá que tomar o óleo de ricino? Ou ele cuspirá na cara daqueles que em verdade só querem se desfazer desse remédio amargo?

      FORÇA POVO GREGO!

Star Wars - O Lado Negro da Força

"Mulher é morta pelo marido após destruir bonecos do Star Wars

(Retirado do site da Folha Online)


Um homem fanático pelo filme Star Wars matou a mulher depois que ela destruiu a sua coleção de bonecos dos personagens da saga. O crime aconteceu em  Leigh, na grande Manchester, no Reino Unido.
Rickie la Touche, 30, disse que a mulher, Pornpilai Srisroy, 28, estragou seus bonecos de Darth Vader e Luke Skywalker que ele mantinha desde criança. Segundo ele, isso era "parte da campanha dela para transformar minha vida em um inferno".
"Nós discutimos e ela disse que faria da minha vida um inferno. Ela já havia feito isso antes, e eu não poderia suportar de novo", disse ele no tribunal.
Depois da briga, o rapaz não pensou duas vezes e asfixiou a mulher, na cama do casal, com um travesseiro. La Touche foi condenado a 12 anos de prisão.
O casal estava junto desde 2003, e segundo La Touche, a mulher estava ameaçando deixá-lo para retornar à sua terra natal, a Tailândia. As informações são do "Daily Mail".
"Luke, I am your father"


     Eu posso ser sincero? Eu acho que alguém se deixou levar pelo lado Negro da Força... Eu certamente eu ia ficar muito puto se uma infeliz se pusesse a destroçar meus boxes do Indiana Jones e do Poderoso Chefão, ou mesmo tocasse na minha coleção de chapéus e relógios de bolso (eu ainda sou um tanto antiquado para tanto)

      Mas seria para tanto? Sabe quanto custa um boneco original do Han Solo hoje em dia? R$ 1400, 00 (aproximadamente US$ 800,00). R$ 1400,00!

      Quanto custa uma vida?

       Isso não tem preço!
Não tem preço mesmo, Master Card!


       Eu tento me colocar no lugar desse camarada que asfixiou a mulher na Inglaterra... E se eu tivesse uma nave Enterprise Original exposta no centro da minha sala e minha mulher numa crise de raiva fizesse isso?

       Com certeza não saia matando todo mundo com uma raiva imensurável de terem destruído o bonequinho do Senhor Spock ou mesmo a maquete da Enterprise... Mas eu separava na hora e jogava todas as coisas dela pela sacada da varanda da casa...

         O cara exagerou, isso não é motivo para matar ninguém, ele se tornou demasiado obcecado por essa série de filmes (Um dos melhores trabalhos do George Lucas, sem dúvida) que acabou esquecendo-se o quanto vale uma vida!

           Ele sequer devia se importar com a mulher dele... Se duvidar, na calada da noite, a mulher dele devia fazer topless na frente dele, na frente da televisão e ele reclamava de ela estar tampando a cena memorável na qual Luke descobre quem é o seu pai...

           É como Marx pensara anos atrás, essa é uma reificação das coisas e uma coisificação dos homens, na qual as coisas passam a ter mais valor que vidas humanas...

De novo, o velho Karl, não diga que ele não avisou!

         PS: Se eu fosse ele eu teria botado ela no primeiro voo de carga para Bangkok, mas viva... Afinal, se ela queria ir, deixasse, era melhor do que ter feito isso!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O homem do Neva (texto do blogueiro)

Ao vento gélido trazido pelas correntes do Norte, observa de longe, no alto de uma pedra um dos mais versáteis e habilidosos comandantes militares daquelas estepes ao nordeste da Europa...
De cabelos encaracolados  de mais denso castanho que se tem notícia, olhos escuros e atentos, barba numerosa e porte cavalheiresco, Aleksandr Nevsky era o mais valente dos príncipes de Novgorod. O mais esperto comandante talvez daquela época.
Grão Príncipe de Vladimir, Aleksandr Nevsky,  era neto do valoroso príncipe de Vladimir, Vsevolod III, que com extrema astúcia combatera os búlgaros do Volga[1] anos atrás,  ele era conhecido por todos por ser um comandante excepcional  pelo qual todos tinham respeito, afinal todos lembravam da Batalha do Neva[2] que acontecera no ano passado, em que Aleksandr derrotaram tão habilmente os suecos em uma sangrenta batalha campal da qual não se havia notícia.
A República de Novgorod era um estado medieval que se estendeu do Mar Báltico aos Urais que se fundamentava basicamente em Comércio exterior com as cidades da Liga Hanseática, que hoje ocupam um território similar à Alemanha, e a Escandinávia, era uma ponte de ligação entre o Oriente, a rota da Seda propriamente dita, o sul, Mediterrâneo Oriental, principalmente, e o norte da Europa... Um país que nessa época vinha sendo duramente atacado por forças numerosas, como os suecos, os tártaros, os teutônicos germânicos, e outras potências da época...
Pela vontade de Deus, príncipe Aleksandr nasceu da caridade das amadas  e mansas pessoas, o Grão Príncipe Yaroslav e Theodosia. Como foi dito pelo profeta Isaías: "Assim diz o Senhor: Eu nomearei os príncipes porque eles são sagrados e eu dirigi-los." "... Ele era mais alto do que os outros e sua voz chegou o povo como uma trombeta, e seu rosto era como o rosto de José, a quem o faraó egípcio havia colocado ao lado do rei para ser depois dele rei do Egito. Seu poder era uma parte do  poder de Sansão e Deus deu-lhe a sabedoria de Salomão ... Eis o princípe Aleksandr: ele usou a derrota, mas nunca foi derrotado ...”

— Meu Grão Princípe! O que vê?
— Vejo desespero, meu caro Misha, eu vejo desepero, eu os vejo tremer diante de nossos pés...

Nevsky estava no auge dos seus quarenta e um anos e sua tranquilidade não era condizivel com a real situação que havia se consolidado. Em razão das duas bulas papais promulgadas por Gregório IX, em 1233 e 1237, respectivamente, que aclamavam pela “proteção da cristandade na Finlândia dos seus vizinhos belicosos”, os Cavaleiros da Ordem Teutônica fizeram uma aliança com o Rei da Dinamarca Valdemar II e o reino da Suêcia afim de promover uma cruzada contra os “pagões do Leste” e os cristãos ortodoxos; Eram as Cruzadas do Nordeste...
Como resultado das Cruzadas do Nordeste, que em parte eram financiadas pelo espírito expansionista dos Caveleiros Teutônicos iniciou-se aquele evento pelo qual o povo russo se bateria com os invasores vindos do Oeste, os cavaleiros da Ordem Teutônica...
— Percebeis agora o porquê de eu não ter avançado, deixei-os vir até nós...
— Mas, meu Grão Príncipe...
— Entenda, meu rapaz, eles não nos entendem, não entendem como pensamos, sequer nós acham capazes de realizarmos grandes feitos, mas eles se enganam...
— Aleksandr Yaroslavich (Nevsky), acha mesmo sensato fazermos isso?
— Meu caro Boslai, percebo que tens bom coração, mas tens a cabeça pequena, é obvio que acho  sensato, é uma manobra ousada, bem sei disso, mas verás que é bem aplicável...
— Como quiser, meu senhor.
Ao longe, na extensa e gélida planície que formou-se em resultado do congelamento do lago em decorrência do rigoroso inverno que se abatera no ano de 1242, cavalgavam semblantes assustadores, quase que demoníacos, com elmos quadrangulares de ferro que cobriam o rosto do cavaleiro em toda a totalidade, de modo que uma cruz cravada no capacete era o único modo de respirarem e observarem os oponentes... Tinham pesadas couraças das quais provavelmente impediriam que andassem direito, ostentavam escudos brancos de metal, com cruzes vermelhas grafadas  tal como nas capas brancas que vestiam a si e a seus cavalos...
— Teutônicos... — Gritou-se em meio às tropas...
As fileiras dos soldados de Novgorod eram um tanto extensas; aqueles soldados que tão firmemente marchavam e batiam o piquete nos seus escudos encurvados vinham das mais longínquas partes da República, desde os Urais, passando pelo Extremo Norte Polar, do Neva ao Volga, haviam ali membros que sequer sabiam de onde vinham...
Todos usavam um capacete cônico de base circular, que muito se parecia com as cúpulas da Catedral de São Basílio, à qual sequer ainda havia sido construída, couraças envelhecidas e desgastadas, uma proteção metálica parecida com um pano lhes  revestia das orelhas aos ombros para proteger do frio; usavam ainda escudos, piquetes para abater os cavaleiros ou mesmo os cavalos, e, se fossem mais ricos, tinham também espadas...
Nevsky observava junto aos seus generais no alto de uma pedra o avanço constante dos germânicos que agora exalavam no frio congélido do Inverno um grito de guerra incompreensível para aqueles que aguardavam o ataque que viria a seguir...
— Lá! Vistes? Aquele é o chefe deles! — Apontou Nevsky, que por sinal tinha bons olhos para ver no frio.
— Sim, meu senhor...
O comandante dos Cavaleiros da Ordem Teutônica era uma figura ainda mais assustadora, vestia um capacete na forma de uma torre de tabuleiro de xadrez e ostentava uma extensa capa de seda branca com detalhes dourados e uma espada que reluzia de longe, com certeza não estava ali para um desfile de moda.
— Está na hora... Vá lá, meu caro Boslai, tenho total confiança em você, meu jovem.
— Sim, meu Grão Príncipe.
Boslai inclinou-se em sinal de reverência a Nevsky, e depois saiu calmamente de perto do Comandante, até que foi contido por uma linda mulher que estava ali acompanhando os dois...
— Adeus, Natasha...
— Boslai...
Os dois se beijaram ali na frente de todo mundo, resultando em certo constrangimento naqueles soldados que estavam ao lado de Aleksandr Nevsky, mas o próprio Grão Príncipe sequer se importou quanto a isso, ele estava mais preocupado com a batalha...
— Boa sorte, Boslai — Apertou-lhe a mão um comandante da infantaria, Dimitri Yakovlenko...
— Obrigado, vou precisar.
Boslai saltou da pedra e saiu correndo em direção a seu cavalo, que rapidamente montou e saiu em extrema velocidade ao comando das tropas no front...
Nevsky ajeitou o seu capacete de modo que a viseira de comandante ficasse na altura dos olhos e rapidamente observou que o avanço dos oponentes estava um tanto mais acelerado, olhou para seus homens reunidos ao longo daquela pedra e contou rapidamente: Deviam ter mais de quatro mil ali; Era o mesmo número que os alemães tinham... E eles tinham cavaleiros!
— Dimitri, quando os germanos atacarem, espere um tempo, deixe Boslai deixá-los envolvidos com a batalha. E então, todos nós atacaremos juntos, formaremos um bolsão em volta deles... Você me entendeu?
— Да.
Nevsky subiu ao alto da pedra e rapidamente pôs-se a descer cautelosamente em direção aos seus homens, percebendo que suas tropas ainda continuavam imóveis diante ao ataque. Muito bom!
Um ruído metálico surgira de forma barulhenta a fim de quebrar o frio que contaminava os soldados de Novgorod, o batido dos piquetes nos escudos era como numerosos tambores rufando no início de uma gigantesca batalha, a Batalha do Gelo.
Boslai deu um sinal e rapidamente as tropas montaram uma posição de ataque em que os piquetes foram alçados à frente de cada soldado de modo a constituir uma barreira, barreira essa que não conteve os cavaleiros germânicos.
O Lago Peipus, o lago por onde os cavaleiros passaram, estava congelado em razão do frio, mas a manobra de Nevsky em tentar contê-los não foi levada a cabo, afinal de contas ele reteve suas tropas junto à margem do lago, lago esse que hoje separa a oblast (equivalente a estado) que abriga a cidade de  Pskov, na Rússia, da Estônia...
— URA!!!!
As sanguinárias forças oponentes começaram a debater-se com as tenazes forças da infantaria de Boslai, que de piquetes em mão batiam-se contra os cavalos negros e com os cavaleiros assustadores.
— Senhor, perdoe as numerosas faltas que hoje me arrependo, permita, Senhor, que salvemos nossos homens destes que nada mais querem perpetraram a sangria na Sagrada Terra da Rússia. Deus, meu Deus, não nos esqueça, por favor... — Rezou rapidamente Nevsky antes de comandar o seu pelotão de infantes.
A batalha demonstrou-se de forma demasiada um tanto sangrenta, os cavaleiros sequer se importavam com quem estava por ali, apenas estavam interessados em massacrar aqueles que por puro despreparo montados não estavam...
Uma luta entre um cavaleiro e um infante é uma coisa demasiadamente desigual, pois ao mesmo tempo em que o cavalo pode atropelar o soldado o cavaleiro pode golpeá-lo com um golpe fatal...
Ninguém na Europa conseguia abater um cavaleiro teutônico senão estivesse a cavalo, não importava o que fosse, ainda era um tabu um infante derrubar um cavaleiro, um tabu que estava para ser superado.
— Malditos! Aposto que sem os cavalos eles não nos vencem — Exclamou um soldado.
Os soldados começaram a golpear os cavalos com força, de modo que o cavaleiro caísse e fosse levado aos embates, e se o cavaleiro tentasse reagir, era rapidamente golpeado por outro soldado com o piquete... Os teutônicos estavam perdendo.

Levanta-te, povo russo,
Na gloriosa batalha, à  batalha da morte!
Levanta-te, povo livre,
Por nossa terra honesta!
     Honra para os soldados vivos
E Graça eterna aos mortos.
     Pela casa do pai, pela terra russa
     Levanta-te, povo russo!
     Pela nativa Rússia, pela nativa Rússia
     Não virá o inimigo!
     Levanta-te, Levanta-te
     Querida mãe Rússia!

                Boslai e seus homens cercaram os Teutônicos, de modo que eles ficaram acuados com resistência russa, e acabaram dispersando sua formação... Confusos com a batalha, os teutônicos começaram a tentar todas as maneiras de fugir do bolsão formado por Nevsky...
                — Diga a Boslai para dar uma brecha no bolsão, eu quero que eles fujam — Ordenou Nevsky a um soldado.
                Uma brecha pequena surgiu dentre as linhas de Boslai, e rapidamente os cavaleiros e os soldados teutônicos debandaram em extensa retirada, retirada essa que era humilhante aos tidos “civilizados cavaleiros defensores da cristandade”.
                — Aleksandr, tens ideia do mandastes fazer? Podíamos ter acabado com eles...
                — Sim, eu tenho ideia, e sim, nós ainda vamos acabar com eles. Tire seus homens daqui e preste atenção...
                — Nevsky, o que tem em mente? — Gritou Boslai!
                — Isso.
                Boslai ordenou a seus homens a retirada imediata e rapidamente Nevsky utilizou-se de um velho truque de astúcia, ordenou a seus homens, que quebrassem o gelo com flechas...
                — Nevsky...
                O gelo começou a se despedaçar e rapidamente os teutônicos se sentiram acuados e ficaram cercados em volta de um bolsão de gelo quebrado, até que por fim...
                — Quebrem o gelo.
                O gelo começou a se despedaçar e rapidamente os fugitivos acabaram caindo nas gélidas águas do lago Peipus, águas essas que de tão profundas chegavam a quinze metros de profundidade, com o frio, o peso do equipamento e  o desgaste físico, não demorou muito para que morressem de frio ou mesmo afogados...
                Nevsky era um gênio!
                Nevsky aproximou-se de um soldado alemão ferido que havia sido cercado pelos seus homens e  disse:
                — Quem é você?
                — Meu nome é Herbert von Kriber...
                — Muito bem, Herbert von Kriber, hoje é o seu dia de sorte, vou deixá-lo partir... Volte para casa que a guerra acabou para você, e diga para seus chefes e seus homens, que Nevsky e seus homens são bravos e valentes ao ponto de não se prostrarem a qualquer um e que parem de entrar batalhas campais conosco, porque não é de nosso interesse arrastar essa estúpida guerra que vocês começaram por muito mais tempo.
                — Não sou garoto de recados.
                Nevsky desembainhou sua espada e ameaçou perfurar com a lâmina o pescoço do relutante cavaleiro que havia caído...
                — Agora é. Diga a eles que também fizemos prisioneiros... Agora vá, infeliz!
                E assim terminou a beligerante batalha do Gelo, com a vitória de Nevsky no dia 5 de abril de 1242, com um numeroso exército dos mais bravos soldados da República de Novgorod, batendo-se com os capazes cavaleiros da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos e  angariando essa grandiosa vitória na luta contra as forças invasoras vindas do Oeste.

"Quem vir a nós com a espada, pela espada perecerá!"


[1] Os povos búlgaros não são originários da configuração atual da Bulgária, são povos eslavos que inicialmente foram nômades, que percorreram um extenso caminho através da Europa, eles na época eram tidos como “bárbaros e selvagens” e tinham uma sociedade altamente militarizada.
[2] A Batalha do Neva foi um dos maiores feitos de Aleksandr Nevsky, que em 1240, derrotou um numeroso exército de suecos na altura do rio Neva, rio que cruza a atual São Petersburgo, na qual um extenso exército comandado por tropas suecas era auxiliado pelas forças navais norueguesas e finlandesas que queriam tomar a rota comercial que ia da cidade de Ladoga, nos arredores da atual São Petersburgo até a Grécia... Com a vitória, Aleksandr, acabou sendo cunhado pelo apelido de Nevsky que literalmente remente a “homem do Neva”.

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

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