sábado, 17 de março de 2012

Na rua (conto do blogueiro)

      Caminha pela calçada, suja e pueril, a jovem criancinha inocente no fim da noite daquele triste dia... As ruas desertas, as pessoas que passam apressam-se em chegar em casa, quando se esquecem de olhar para aquela pequena criatura.

       Era tudo triste, todos passavam com pressa naquele dia, e Juliana não tivera o que comer naquele dia, na verdade tivera, mas as crianças maiores logo trataram de roubar.

      Juliana não conhecia seus pais, sequer sabia quem são, afinal de contas não era prudente uma criança ficar com pais viciados... Desde pequeninha aquela pequena criatura de olhos remelentos, cabelos encaracolados negros, que lhe davam o apelido de "Bombril", e feições chorosas, vivia em abrigos... Volta e meia escapava, fugia para bem longe, nos arredores da cidade, onde, a menina se lembrava de seu velho avô, o caseiro de um linda fazenda.

       O velho Joaquim Sintra, português de nome, pobre de sobrenome, tinha um sotaque engraçado, falava com a língua e fedia a cigarro. O velhinho andava encurvado, cantando ao ensolarado um rito decorado:


Lisboa já tem sol, mas cheira a lua,  
Quando nasce a madrugada sorrateira 
E o primeiro elétrico da rua 
Faz coro c'oa chinela da Ribeira. 

Se chove, cheira a terra prometida, 
Procissões têm cheiro a rosmaninho.  
Na tasca da viela mais escondida, 
Cheira a iscas (com elas) e a vinho

Lisboa cheira aos cafés do Rossio, 
E o fado cheira sempre a solidão, 
Cheira a castanha assada, se está frio, 
Cheira a fruta madura, quando é Verão. 
Nos lábios tem o cheiro dum sorriso, 
Manjerico tem o cheiro de cantigas, 
E os rapazes perdem o juízo 
Quando lhes dá o cheiro a raparigas. 

            Seu avô sabia perfeitamente cantar o fado, o qual decorara desde criança, quando ainda morava com sua família em Viana do Castelo.

          O velho sabia como ninguém que não ia durar muito e planejava agora mandar sua netinha para sua querida terra para viver com suas tias... Trabalhava, trabalhava, capinava, arava, cuidava da fazenda ao Senador, que de quem nada sabia e de quem muito ouvira.

          O velho Joaquim sabia que o Senador não prestava, afinal de contas, não é um senador que pode comprar cem alqueires no meio do nada por bel prazer, mas o velho sabia que com isso não devia mexer.

          — Escute, minha netinha um dia você irá para Lisboa viver na vila onde seu avô nasceu, perto de Sintra, saberá minha pequenina como viver ao Tejo, crescer à sombra do mar e festejar no entardecer, pois lá é Portugal, lá é nossa gente. Escreva minha netinha quando um dia chegar lá, enquanto o seu velho avô fica cá.

             Tudo teria dado certo se não fosse o sádico destino conspirando outra vez, Joaquim caiu doente na fazenda, dizia-se ser dengue, ou algo assim, uma daquelas doenças de trópicos ditas “inevitáveis”. Era a segunda vez que Joaquim ficava acamado por causa daquele maldito mosquito a quem chamava, oportunamente, de “ferrolho”.

           Joaquim suava, regava-se em vômitos e náuseas, um português não era feito para aquilo, embora Joaquim amasse as vastas terras de Minas Gerais, ele amaldiçoava o dia em que deixaram os mosquitos proliferarem.

         A pequena Juliana ortodoxamente ficava todos os dias ao lado do seu avô doente e enfraquecido, aquela pequena criatura de cinco aninhos, de olhos arregalados e  feições inocentes observava seu avô afundar-se mais e mais na cama.

        No leito, quase morrendo, Joaquim ouviu o padre lhe benzer:

          “Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo, você renuncia a todos os seus pecados, Joaquim Sintra?”
            — Sim, eu renuncio.
            O senador, a primeira vez em que Juliana via aquele senhor, aparecera de relance naquela cabana de capataz, sem demonstrar a mínima emoção. O senador era uma pessoa fria, calculista, que não se importava com os outros, tinha uma reconhecível barba à la Stálin, meio grisalha agora, cabelos penteados para trás, presos por brilhantina, e olhos reconhecidamente de raposa... E pensar que foi jornalista, agora era um articulador do País e dono de metade de um Estado da Federação.

             — Joaquim, você descuidou da fazenda? Como pôde fazer isso? Agora a fazenda é foco de mosquito da dengue, e tudo por quê? Porque você descuidou das suas obrigações!

              Isso, em pensar, que o próprio senador era conhecido por desviar verbas da saúde para seus “fins próprios partidários” e que era um tenaz aproveitador do próprio governo em Brasília.
             — Desculpe, senhor senador, isso não vai voltar a acontecer.
             — Claro que não vai voltar a acontecer porque você está despedido! Pegue as suas coisas e saia imediatamente.
            — Mas senhor Ney, eu fiz tudo que o senhor mandou, eu tenho cumprido rigorosamente durante todos esses anos todas as suas ordens sem reclamar. Senhor, eu não posso sair nesse estado, eu ainda tenho uma netinha para cuidar.
               O senhor Ney olhou a pequena criancinha que o olhava assustada e com pavor, e indiferente disse: “Isso não é problema meu! Cuide-se! Eu tenho mais que fazer!”


                E o senador saiu da cabana do caseiro... O padre, ainda muito novo, entretia-se a recitar alguns versos inúteis em Latim enquanto lançava um vapor sobre o corpo fragilizado do português.
            — Obrigado, caro frei, sou feliz de partir assim, ungido. Eu gostaria que o senhor fizesse um último favor a mim.
            — Qual, meu caro?
            — Que levasse à minha filha uma carta, dizendo que estou enviando Juliana para Lisboa agora mesmo.
             — Mas e sua neta?
             — O senhor poderia levá-la ao aeroporto? Eis aqui a cartinha para a viagem, as tias dela sabem de tudo em Portugal.
              — Sim, senhor, eu farei isso.
              Mas o padre não o fez, o religioso ao invés de fazer o que agora o finado ancião pedira, tomara para si o dinheiro da passagem (na verdade disse que ia para a Igreja e para o senhor, mas gastou tudo em cachaça), não enviou nenhuma carta à mãe da menina e de quebra, ainda no caminho, tentou molestar a menina, que conseguiu fugir com muito assombro do padre pedófilo.

            Agora, com oito anos, com muito medo de tudo e de todos, a menininha vivia naquela cidadezinha sem muito com que se viver, fugia volta e meia dos “canas”, policiais corruptos que sempre se davam ao trabalho de bater nela por diversão; Aqueles dias estavam sendo difíceis, agora que não haviam muito mais comida para se comer.

            Eis que uma senhora tinha aparecido para ajudá-la, ela sempre ajudava na medida do possível, dando água, comida, roupa... Era uma velhinha muito amigável, que se solidarizara pela pequena garotinha branca de olhos azuis e cabelos encaracolados, mas agora, até mesmo a velhinha estava tendo problemas financeiros.

           Choviam caminhoneiros na estrada que se diziam “interessados em ajudar”, mas todas as crianças de rua sabem que não devem se meter com esses brutamontes de boleia tão prestativos assim e Juliana fazia de tudo para escapar deles.

           Juliana estava magra, bem abaixo do peso, quando muito podia comer alguma coisa, devorava com rapidez, mas a fome sempre voltava mais forte. Fazia dois dias que não comia, e a pouca gordura que tinha na barriga desaparecera com o frio da noite anterior.

            — Hey, menininha, o que faz aí na rua? Não tem medo do escuro? — Ouve-se uma voz feminina em meio à desértica rua.
            Uma jovem moça, de vinte anos julgo eu, de rosto apresentável, olhos esverdeados, cabelo rubro como o vinho do Douro, e sotaque da velha São Paulo, aparecera diante a luz fraca de um poste. Juliana tinha problemas para ler, mas conseguira com muita dificuldade decifrar as palavras na camiseta da moça:

              “ONG Rua Nunca Mais”

           — Pequenininha, o que faz aqui sozinha na rua? Não tem medo de que possam lhe fazer mal?
           — Quem é a senhora? O que quer?
           — Eu só quero conversar — A jovem moça aproximou-se calmamente da pequenina com um objeto circular na mão envolto numa sacola, a pequena criatura continuava sem entender o que se passava.
           A jovem, um daqueles tipos angelicais e bondosos que não encontramos todos os dias, sentou-se do lado da criancinha e percebendo que estava sendo fitada por uma curiosidade quase irracional, começou a dizer:
            — Meu nome é Diana, sou da ONG Rua Nunca Mais, uma instituição que se propõem a retirar as crianças das ruas e dar-lhes um pouco de segurança e conforto.
            — É cana?
            — Não, eu não sou cana. Por quê?
            — Eu não gosto de canas, eles batem muito forte na gente, nas pessoas que não têm nada, ontem mesmo deixaram um menino chorando na rua de baixo.
            — Que coisa horrível!
            — Eles batem só por bater.
            — Isso é revoltante! Eles não podem bater nas crianças assim!
           A menininha olhou com afeto aquela jovem senhorita, toda limpa, bem cuidada, ela queria ser como ela, talvez não hoje, mas um dia queria ser como ela, falar palavras bonitas, aprender a ler e escrever.
              — Você comeu hoje?
              — Não, hoje não deu, mas a gente se vira como pode.
          A moça percebendo que a menina estava realmente pálida e fraca retirou da sacola plástica um marmita e um garfo de plástico e entregou à menininha:
          — Tome! É pra você.
          — Pra mim? Obrigado, moça.
          Juliana abriu com força a tampa do isopor que isolava a marmita, e em seguida revelou o seu conteúdo: arroz, feijão, um pouco de bife, batatas fritas e salada. Não era muito, mas dava para sobreviver.
        — Devagar, pequeninha, devagar.
          Juliana devorou com pressa desmesurada o prato de comida, a moça sorria satisfeita com tudo aquilo.
         — Do que você está rindo, moça?
         — De você, pequeninha. O tanto que você come, parece que não come há dias!
         — Eu estou com muita fome.
         — Qual é o seu nome, menininha?
         — Juliana.
         — Juliana, você tem família?
         — Eu tinha, meu pai e minha mãe, eu não sei deles, meu avô dizia que os dois eram imrestáveis, imprestáveis, algo assim. Eu vivia com meu vozinho Quim, mas ele morreu.
         — Que triste! Aí você caiu na rua?
         — Foi, meu vozinho disse pra um homem, um padre, para me levar para minhas tias, mas o homem me quis fazer mal aí fugi.
         Diana compreendeu a situação, era por isso que não gostava de padres.
        — Juliana, você tem onde dormir?
        — Você está na minha caminha.
        A jovem olhou aquela parte na marquise de um edifício, naquela rua afastada junto a  um beco, era um lugar perigoso e inóspito para uma criança, além do fato, de que a caminha era nada mais que o concreto da calçada revestido por um caixa de papelão quebrada.
          — Me diga, Juliana, você gostaria de dormir num lugar com comida, luz, água e crianças para brincar?
          — Crianças?
          — Sim, e toda a comida que puder comer.
         — Comida?
         — Isso mesmo, você gostaria?
         — Sim, sim.
        — Como eu disse, eu trabalho numa instituição para crianças e...
        Juliana começou a prestar maior atenção nas palavras da moça, num dado momento a pequeninha pegou o seu cobertor surrado, sua latinha de pedras e começou a seguir a jovem senhora pelas ruas gélidas da cidade; Juliana ganhou o dia.

O crime do sensacionalismo

       Nas últimas semanas, no Brasil, assistiu-se apreensivamente o resultado de um único julgamento: O de Lindemberg Alves.

       Lindemberg, nada a ver com o às da aviação pseudonazista americano, Charles Lindbergh e seu Spirit of Saint Louis (a não ser o fato de que ambos, de maneiras diferentes, figuravam a trama de crimes de comoção nacional), efetuou um cárcere privado em 2008, que durou por quase cinco dias, mantendo como reféns a sua ex-namorada, Eloá, e a amiga dela, Nayara.

Ficheiro:Caso Eloá.jpg
Eloá Cristina durante o Sequestro
       Lindemberg aparentemente não aceitou o fim de seu namoro, e decidiu sacar uma arma contra a sua ex-namorada e intimidá-la com o seu espírito ciumento... Era o ínicio do sequestro mais longo que já se viu em toda a televisão.

     Sim, isso mesmo, o evento foi todo televisionado, em todos os canais! 24 horas por dia! Os cinco dias daquela estafante semana.

      Com a mídia filmando tudo que se passava no edíficio, a polícia via-se prisioneira de um plano de ação que não pudesse dar muito na cara, afinal de contas, o sequestrador estava vendo tudo pela rede nacional.

      O pior nem foi isso, afinal a mídia fez o seu papel de informar. O pior foi a televisão ter dado audiência para um criminoso, isso mesmo, Lindemberg falou em rede nacional tudo o que pensava...

       Lindemberg entrou em rede nacional, patrocinado por uma pseudojornalista de quinta categoria como a Sônia Abrão e começou a falar feito um louco que ia matar a todos no apartamento, mas eis o que a Sônia Abrão faz? Ela toma para si o papel de negociadora da situação, isso mesmo tomou para si o papel de mediadora.


                                    Trecho da Sônia Abrão falando com o sequestrador em Rede Nacional


         A Sônia Abrão com certeza atrapalhou em muito o papel da polícia quanto a negociação, afinal isso cabe ao negociador e não ao jornalista. A polícia já não estava conseguindo negociar com o infeliz e vem um reporter, que não proeficiência em tais assuntos, e tenta se dar de negociador... Ah, é querer fuder tudo.



        Se fosse só a Sônia Abrão, mas os pastores da Record também tem culpa no cartório, pois televisionaram para dar audiência uma entrevista que eles conseguiram com Lindemberg Alves... Lindemberg teve o que tanto queria, o seu momento de fama, pela primeira vez em toda a sua vida, aquele metalúrgico obscurecido, excluído da sociedade, teve seu momento de fama quando entrou em rede nacional.

        Lindemberg Alves se tornou a pessoa mais famosa do país em uma única semana, todo mundo falava dele e como iria acabar. Pois então, eis que o Lindemberg achou-se poderoso e dono da situação, dando agora ordens, como um patrão, aos policiais e a mídia, atirando contra os populares para intimidar, para se sentir mais poderoso.

Era todo dia esse edificio passando na TV

        O Magnum punctum foi com certeza quando uma das reféns, Nayara, foi libertada, e furando o cerco policial, retornou ao cativeiro para se encontrar com a amiga. Também televisionado pela televisão, choveram indagações, reclamações sobre o fato disso ter acontecido, todas por parte de comentaristas de Televisão, como Percival de Souza, dizendo que a polícia foi omissa e que estava arriscando demais... Mas cadê que eles tinham feito algo melhor, eles só ficaram atrapalhando o trabalho já ruim da polícia.




        A polícia já estava cansada de tudo aquilo, chegara ao quinto dia sem grandes progressos, e todos convenhamos, teríamos ficado revoltados com tudo aquilo (se eu pudesse, teria invadido o apartamento com uns trinta homens da Mossad ou da KGB no terceiro dia, só de raiva para a Mídia parar de bater na tecla: "Lindemberg está sequestrando, Nayara isso, Eloá aquilo..."), pois eis que a polícia chegou ao seu limite e decidiu invadir.
Lindemberg preso

        O batalhão de choque da Polícia Paulista, a Rotam, preparou seus homens com escudos e decidiu invadir o apartamento subindo as escadas externas do edíficio, enquanto um policial especial, iria com uma escada para uma janela estreita do banheiro, onde se pensava em retirar as réfens. Ao ouvir um disparo, a polícia invadiu.


        Lindemberg disparou sua arma, presumo eu, porque viu tudo pela televisão, e sabia que tinha chegado ao fim.


        
Tudo foi muito criticado, a abordagem da polícia, por ter usado uma escada de parede, aquelas que usamos pra pintar parede, para acessar o apartamento, subir as escadarias externas do edíficio com um número
Equipamentos de última tecnologia!
considerável de soldados. Mas o que a mídia não entende é que não parecia mesmo haver outro jeito.
 
       Poder-se-ia usar rapel, mas como a janela do banheiro, a única aparentemente acessável sem que o sequestrador a visse, era no vitrô e estreita, o que atrapalhava a entrada dificultosa que seria enfrentar o vitrô. A outra oportunidade era usar os snipers, mas além da janela pequena que atrapalhava tudo, ainda tinha o risco da mídia criticasse se algo errado acontecesse, ou mesmo o pessoal dos direitos humanos iria apelar que o assassinato teria sido ilegal e iriam processar a polícia.

Isso também não é Call of Duty!
       Qual seria a solução para a mídia? Construir um elevador?



       Culpa-se muito a polícia por tudo, mas sejamos sinceros, a polícia deixou muito a desejar, esperou demais, contudo e a mídia? Vai sair impune? Foi a mídia que atrapalhou em boa parte o serviço já ruim da polícia.


        Mas isso se esqueceu quando se tratou no julgamento, os jornais e noticiários tentaram de toda maneira esconder sua culpa para debaixo do tapete, quando enfim esqueceram depois de todos esses anos o acontecido, e agora, perto ao julgamento, tentaram mostrar todo o julgamento com todas as alegações, tanto da defesa quanto da acusação, mas sempre culpando Lindemberg Alves.

O criminoso nessa foto
        O engraçado que na época esse infeliz era tratado como coitadinho, um sequestrador desequilibrado sem muitas oportunidades na vida que num momento de loucura foi movido a isso, a mídia tem uma atração para fazer reportagens de "falsos coitadinhos", mas quando a opinião pública não aceitou, os telejornais tomaram uma posição firme de que Lindemberg era um assassino, um criminoso e que devia ser punido exemplarmente, talvez porque a mídia mesmo se sentisse culpada por sua ação. 
 

       Sim, essa espetacularização de um crime foi criminosa, vejam por exemplo o caso da Sonia Abrão, ela conversou ao vivo com Lindemberg Alves e Eloá por telefone, bloqueando a linha que era utilizada para contato com o negociador.


Tá feliz porque vendeu a sua Tekpix
           Não  a toa que o ex-integrante do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e sociólogo Rodrigo Pimentel  (o mesmo cara que ajudou o criador da série Tropa de Elite) criticou duramente a cobertura da mídia brasileira argumentando que as emissoras de TV citadas - RedeTV!, Rede Record e Rede Globo - foram "irresponsáveis e criminosas" e declarou que o "Ministério Público de São Paulo deveria, inclusive, chamar à responsabilidade, essas emissoras de TV".


         Não só isso, a mídia, mesmo depois de Lindemberg ter ferido Nayara no rosto, e matado Eloá com três tiros, continuou a retratá-lo quase como "coitadinho" na época, um vídeo feito por um policial e divulgado com exclusividade por um renomado jornalista no Jornal da Record, mostra Lindemberg prestando depoimento completamente nu, com as mãos algemadas para trás e o rosto visivelmente inchado, o que poderia indicar que foi espancado.

        A Corregedoria da Polícia Civil abriu inquérito para investigar quem foi o policial responsável pelo vazamento das imagens. De acordo com a Folha de S. Paulo (jornal impresso), as imagens teriam sido negociadas por 50 mil reais com quatro policiais, o que inevitavelmente ligaria a rede Record de Televisão a um esquema de corrupção. Obviamente, a Record negou, afirmando que o vídeo é fruto de sua "equipe arrojada de jornalistas".

         Pois bem, a mesma mídia que antes passou a mão na cabeça de um assassino agora, para se proteger, o culpa e quer uma punição exemplar. Por que não fez isso antes?

         Lindemberg teve uma defesa assustadoramente eficiente, na qual a advogada foi retratada como um verdadeiro Anti-cristo pela mídia, mas acabou sendo condenado com a pena máxima por seus crimes (justiça seja feita) a 98 anos e 10 meses, muito embora um réu no Brasil não possa ficar  mais de 30 anos na prisão.

Essa moça quase foi apedrejada em praça pública


       Mas e a polícia? Até hoje está sob investigação, sobre suas ações visivelmente falhas, e a familia das vitímas agora deseja uma indenização milionária do Estado.

       Pois e a mídia? Essa, essa seguiu impune.


       Bem, eu só não conto as piadinhas do Twitter, porque não quero ser processado pela Sonia Abrão, mas vocês agora sabem o que eu penso sobre ela e toda a mídia como um todo.

domingo, 11 de março de 2012

O Maior Erro Humano

"Now I am become Death, the destroyer of worlds"

       Foi com essa citação da escritura hindu, o Bhagavad-Gita, que Robert Oppenheimer descreveu a si mesmo após os testes nucleares em Los Alamos, no Novo México, inaugurando assim a Era Nuclear... Um colega, ao lado de Oppenheimer disse:
File:JROppenheimer-LosAlamos.jpg
Oppenheimer
"We are sons of bitch!" ("Nós somos filhos da puta")

      Não foi uma frase bem emblemática como a de Oppenheimer, mas descreve bem o que eles foram, uns "filhos da puta", não que eu não goste do Oppenheimer, eu gosto do lado pacifista dele depois disso, mas o que não gosto foi o que ele fez, uma Bomba Nuclear.


      Visto que o teste da Bomba Trinity, em Los Alamos trouxe graves efeitos sobre aquela região, e perigos, tal como, o efeito imediato foi transformar a areia do Deserto, com o calor, em vidro! Isso mesmo, vidro! O segundo, foi deixar aquela região contaminada por centenas de anos, além do risco de incendiar a nossa atmosfera (Esse é um risco real que passamos a cada bomba atômica detonada).

       Truman, que estava em viagem, para encontrar-se com Stálin na Conferência de Potsdam foi informado por mensagem cifrada, que o "Bebê tinha nascido, e tudo correra bem" (um eufemismo gigantesco).

       Truman, era o mesmo ser político que caíra por acidente no cargo de Presidente dos Estados Unidos, Harry Truman era um político menor do Kansas que se empenhava apenas em crescer no aparato político americano. Ele não era um político habilidoso, tampouco assemelhava-se ao seu antecessor, Franklin Roosevelt, em carisma e esperteza, um político bronco demais para ser presidente.

Ficheiro:Harry-truman.jpg
Truman, seu idiota




     Mas Truman assumiu os Estados Unidos num momento delicado, logo após a morte do maior estadista americano do século XX inteiro, e talvez de todos os tempos, Franklin Roosevelt... Roosevelt, que desde o início viu o nazismo como uma ameaça (Principalmente diante do que os nazistas faziam com os deficientes físicos na Alemanha, que era de conhecimento do presidente. Franklin Roosevelt tinha uma atrofia nas pernas graças ao Polio, e tinha que andar com a ajuda do Serviço Secreto), morreu justamente quando a guerra já estava praticamente ganha.




       Eis que o seu vice, Truman, que entrara na sua chapa por mero jogo político e não por questão afetiva, assumiu o cargo de Presidente dos Estados Unidos; Para piorar, Truman foi o mesmo carinha que há quatro anos atrás, em 1941, foi contrário a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra e que argumentava da seguinte maneira:

            Deixar os soviéticos e os nazistas se matando na Europa feito doidos, se por uma hora, os nazistas estivessem mal, os americanos deviam dar ajuda, se os soviéticos estivessem mal, os americanos também deviam dar ajuda. Isso quer dizer, literalmente, "deixa os dois se matando e nós colhemos os frutos." Não à toa que Truman era uma persona non grata desde o início em Moscou.
File:Trinity explosion (color).jpg
Los Alamos

          Os Estados Unidos, e os Aliados em geral, se envolveram bem tardiamente numa ação mais efetiva na Guerra da Europa, por volta de 1943, na Sicília ( A União Soviética estava em luta escarniçada desde Agosto de 1941, fazendo de tudo, sacrificando o seu sangue, a sua indústria, a todo custo para vencer a guerra). Os soviéticos esperavam uma ação efetiva desde 1942, quando Churchill e Roosevelt prometeram invadir a Normandia no mesmo ano, mas foram postergando, postergando, e só quando, o Exército Vermelho já tinha atravessado todo o seu território e chegado na Polônia, o Dia D foi lançado. Isso pareceu safadeza.


          Ao final da guerra, Stálin ficou com o mais numeroso Exército do Mundo, com os melhores blindados (Os T-34, IS-2, IS-3 e afins), artilharias (Katyushas), que eram em muito superiores aos aparatos militares ocidentais (Excetuando-se caminhões, rifles, jipes e aviões, que eram realmente muito inferiores aos ocidentais), ficou ainda com Metade da Europa sob o seu controle e o status de vencedor da guerra (e em verdade, foi a União Soviética que acabou com a Alemanha), contablizando um saldo de 22 milhões de mortos.
File:Победа.jpg
O Desfile da Vitória, em Moscou, 1945

        Os Aliados estavam realmente se fudendo no Japão, apanhando poucas e boas, contra os suicidas ataques Banzai!!! (Dá medo até de pronunciar essa palavra), e com os kamikazes.

         Stálin havia prometido a Roosevelt que iria entrar em guerra contra o Japão logo após três meses do fim da Guerra da Europa (e realmente fez, ele deslocou mais de 1 milhão e meio de homens, Sibéria adentro, para iniciar uma ataque contra o Japão, na Coreia e possivelmente na China), e é nesse mesmo tempo que a Bomba foi testada.

Ficheiro:Manchuria 1945-A.PNG
Estava tudo planejado para uma invasão soviética contra a ocupação japonesa
        Os Aliados sabiam que Stálin estava mais poderoso do que nunca, sabiam que ele venceria os japoneses, e sabiam que nem de longe, os americanos iam conseguir alguma coisa no Japão... Foi assim que Truman decidiu o que estava para decidir.

       Truman alegou que isso era para acabar com as pesadas baixas americanas (ainda assim, não comparáveis às soviéticas), mas na verdade, Truman além de querer usar o poder militar das bombas para intimidar Stálin, ele queria conter o avanço, que seria inevitável num prolongamento de guerra, de Stálin no Oriente.

       Primeiro foi Hiroshima, depois Nagazaki. Um imperador se rendeu ao General MacArthur (o imperador tinha provalvemente um metro e sessenta e o MacArthur passa de um metro e oitenta de altura,  nessa diferença já dá pra ver o quanto que os americanos queriam humilhar), num cruzador americano, USS Missouri, para mostrar a força Naval americana. O Imperador perdeu seu status de Deus, mas não foi levado a julgamento. Isso mesmo, o cara que ordenou o afundamento de Pearl Harbor e que assistiu pesados crimes de guerra em Naquim e Xangai, não foi punido. Os Estados Unidos já não faziam mais tanta questão, e além disso, queriam os japoneses do seu lado agora na Sociedade Pós-Guerra.

Ficheiro:Shigemitsu-signs-surrender.jpg
A Rendição do Japão


        Mas Stálin cumpriu sua promessa, entrou em guerra, depois de três meses do fim dela na Europa, e tomou as Ilhas Kurilas, e retomou as Sakhalinas, criando um estado de guerra entre a Rússia e Japão que até hoje é indefinido (Na verdade, o Japão não decretou armísticio a URSS, mas isso não que dizer que a Rússia vá invadir o Japão, afinal de contas, o Japão é protegido pelos Estados Unidos, e seria um rolo diplomático bastante complicado fazer algo assim).

        Stálin achou desnecessária a explosão das bombas no Japão, não por ser humanista, porque de fato não era, mas ele preferiria que tivessem jogado a Bomba na Alemanha, quando a Guerra estava realmente feia para o seu lado, ao invés de jogar contra um oponente que sequer conseguia suportar por mais tempo uma economia de guerra, como o Japão. (As fábricas de armas japonesas estavam um caco, dado ao maciço ataque aéreo americano. Tanto que quando faltava munição nos imprestáveis rifles Akira, os soldados japoneses faziam o ataque suicida a baionetas, o Banzai, para não se entregarem).


Ficheiro:Julius and Ethel Rosenberg NYWTS.jpg
Casal Rosenberg
       O golpe de Truman foi para assustar a URSS, mas tanto ele, quanto os soviéticos sabiam que os Estados Unidos tinham jogado todas as suas cartas fora, e demoraria algum tempo para construírem de novo suas bombas nucleares... Tempo esse que foi aproveitado pela União Soviética para desenvolver sua própria bomba atômica.


       Desenvolver não foi bem a palavra, os soviéticos literalmente roubaram as informações do Projeto Manhatan através de espionagem interna (os serviços soviéticos de inteligência eram assustadoramente eficientes, tanto que a KGB era bastante superior à CIA quanto a obter informações), obtendo ajuda do Casal Rosenberg,  que voluntariamente forneceu dados sigilosos à União Soviética, e por essa razão foram executados pelos Estados Unidos, por Alta Traição, no auge do Marcathismo.

      Além disso, Stálin aproveitou-se da extensa linha produtiva dos Gulags (campos de prisioneiros soviéticos) para a elaboração das peças necessárias para as ogivas nucleares, e encarregou o seu chefe da Polícia Secreta, Lavrenti Béria, no desenvolvimento da Bomba Nuclear. Tudo isso narrado na Corte do Czar Vermelho, de Simon Montefiore.
Béria, pagou os seus crimes ao ser executado


      Beria, como era do seu estilo, ameaçava os cientistas, mantinha-os prisioneiros junto ao seu trabalho e exigia resultados efetivos. O program nuclear soviético teve grandes mentes envolvidas, como o físico Andrei Sakharov.

       O programa atômico soviético, logicamente não seguia quaisquer regras de segurança, os prisioneiros tinham contato direto com as peças nucleares, e muito acabaram sendo expostos à radiação, além disso, houve um agravante: O Acidente Nuclear de Chelyabinsk.








         Chelyabinsk-40, localizada na oblast (região administrativa) de Chelyabinsk, era uma das centrais da rede Gulag que forneciam enriquecimento de urânio necessário para a produção das bombas nucleares,  na época eram ignorados os efeitos da radiação (na verdade, eles não sabiam o que aconteceu com Marie Curie), e os equipamentos para dosagem de radiação não eram precisos, não havia roupas protetórias e muito menos máscaras. "Ninguém conhecia o grau de radiação a que estavam sendo submetidos os trabalhadores e engenheiros".

        Tanto que em 1951, os trabalhadores, em média eram expostos a 113 ber (equivalente biologico a Röntgen, medida de radiação) por anos, 30 vezes a mais que o permitido.

        Todos forma afetados, desde prisioneiros, trabalhadores civis e a propria direção do projeto.

         O reator nuclear de Chelyabinsk foi ligado, logo houveram os primeiros acidentes e imprevistos, e doses de radiação escaparam das chaminés afetando a população local, as pessoas só foram evacuadas alguns anos depois, em 1955.
Ficheiro:Chelyabinsk Alexander Nevsky Church (The Organ Hall) from the south.jpg
A cidade de Chelyabinsk, Igreja Nevsky
        Entre 1948 a 1953, quando foi usado tal reator, a população acabou não sendo informada, e em razão disso, continuou a usar normalmente a água contaminada para a sua vida cotidiana -- para o gado, para o plantio, para beber.

       Acredita-se que esse desastre atomico tenha deixado um número maior de mortos e sequelas do que Chernobyl, contudo foi mantido no mais sigiloso segredo até a queda do Comunismo, quando os detalhes foram revelados em 1995.

        Mas o pior não foi nem isso, quando ligaram novamente o reator, carregado com 150 toneladas de urânio, no dia 8 de junho de 1948, houve uma falha técnica, e os tubos de alumínio, essenciais no processo de fissão acabaram sendo corroídos, e um problema surgiu... Sem isso, tudo podia ir pros ares! Vazou-se um pouco de plutônio e decidiu-se desligar o reator. Stálin foi informado.

       Havia agora duas soluções, optar em fazer uma solução segura, descarregando os blocos de urânio pelos canais técnicos de emergência para fazer uma substituição dos tubos de alumínio,os blocos de urânio seriam enviados para um piscinão de água fria, onde o plutônio poderia ser isolado,  mas isso poderia significar um risco, com um movimento abrupto poderia se danificar as placas de alumínio, além de que, os técnicos não sabia o quando de plutônio podia ser isolado. Pelo plano, os tubos receberiam uma mistura anticorrosiva de uma fábrica de aviões e seriam reinseridos no projeto. Isso tomaria muito tempo.


     A outra solução era retirar os tubos radioativos manualmente, com extremo cuidado e armazená-los protegida por grafite (que isola a radiação), até o produto anticorrosivo chegasse e fosse utilizado nos blocos de alumínio. Era com certeza a solução mais perigosa e mais rápida.

      Imaginem qual foi escolhida? A segunda, é claro, e com isso, milhares de pessoas acabaram sendo expostas gratuitamente à radiação e um dos maiores desastres radioativos acabaram sendo encobertos pelas páginas da História.

       Em 1949, a URSS detonou a sua primeir bomba nuclear, e pouco tempo depois, detonou a Primeira Bomba de Hidrogênio do Mundo, ficando à frente dos Estados Unidos.

       Mas e o sacríficio? Ninguém lembrou.  Os desastres do programa nuclear soviético são contado em minúcias pelos irmãos Medvedev em seu livro: Um Stálin Desconhecido, tal como a História de um diretor soviético que morreu em decorrência da radiação por ter entrado antes do tempo em um local (na explosão de uma bomba atômica), ou mesmo a quase morte do próprio Lavrenti Béria (que iria com certeza vingar suas vítimas) quando conseguiram evitar que ele entrasse em um reator nuclear com radiação ainda operando.

        Os americanos realizaram testes no Atol de Bikini para verificar a eficácia de seus dispositivos nucleares, explodindo ao todo 23 bombas nucleares e de hidrogênio no atol. Isso mesmo, 23! Eu sinceramente não queria ser um morador de Bikini.

          Os habitantes micronésios, que eram cerca de 200 antes de os Estados Unidos os realocarem antes dos teste nucleares, consumiam peixe, frutos do mar, bananas e cocos, não levavam uma vida cheia de confortos como a nossa, mas mesmo assim deviam gostar de sua terra.

         E de repente jogam 23 bombas na sua ilha! É pra deixar qualquer um irritado. Com essas 23 explosões, houve-se a abertura de 23 possibilidades de termos a nossa atmosfera incinerada (Tal como fazemos com o ar quando colocamos um fósforo num copo fechado).

File:Operation Crossroads Baker Edit.jpg
Uma das Explosões em Bikini

         Em 1968 os Estados Unidos declararam Bikini uma terra habitável e começaram a trazer os bikinianos de volta para casa no começo dos anos 70. Em 1978, no entanto, os habitantes foram removidos novamente quando o estrôncio 90 em seus corpos atingiu níveis perigosos. Eles processaram os Estados Unidos e foram indenizados em 100 milhões de dólares . A operação de limpeza retiraria uma cobertura de 16 polegadas do solo da ilha principal de Bikini, gerando um milhão de pés cúbicos de solo radioativo que não poderia ser descartado, a um custo que excede muito a indenização.

             Em 1997 um grupo especial de cientistas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica) o determinou que seria seguro caminhar em qualquer lugar das ilhas. Embora a radioatividade residual em ilhas do Atol de Biquíni ainda fosse mais alta que em outros atóis das ilhas Marshall, os níveis medidos não eram perigosos à saúde. Mas até hoje não pode-se comer nada dali, o consumo de produtos do local, como frutas, poderia acrescentar ao corpo radioatividade suficiente para matar uma pessoa. O consumo ocasional de cocos ou bananas da Ilha de Biquíni não seriam nenhum motivo de preocupação.

            Por causa destes riscos alimentares, a AIEA recomendou não repovoar a ilha de Bikini. E assim vem se seguindo, perdeu-se um território aproveitável por causa das bombas nucleares, só um único maluco que ainda vive nessa ilha, isolado, tem a coragem de permanecer lá.


           Em 1961, chegamos ao período de maior risco de incineramento de nossa atmosfera, quando em 30 de outubro,  depois da Volta ao Mundo de Gagárin na Vostok 1, a União Soviética, tentando mostrar a sua força, detonou a maior bomba nuclear já produzida... A Tsar Bomba!

          A Tsar Bomba, tinha realmente nascido para ser a rainha das bombas, com 27 toneladas, esse trambuco foi desenvolvido para ser uma bomba de 100 Megatons, (Equivalente a explosão de 100 000 000 toneladas de TNT), mas de novo os riscos eram realmente muito altos, tanto no repasse da radiação, quanto no risco total de incinerar nossa atmosfera. Então decidiu-se fazer uma bomba de 57 Megatons.

         A Tsar Bomba era tão poderosa que o seu sistema (Explosão à Fissão Nuclear para desencadear um processo de Fusão) era equivalente a 3800 vezes mais poderoso que o sistema de detonamento da Little Boy (de Hiroshima).

         O artefato nuclear foi carregado com dificuldade por um bombardeiro pesado Tupolev-97, que mal conseguia levantar voo de tão pesado, até a ilha de Novaya Zembla, no Extremo norte da Rússia... Uma ilha que sinceramente não queria morar.

        Havia o risco de que o avião não conseguisse escapar da explosão da bomba e ser incinerado com a reação do Cogumelo Nuclear, mas felizmente o avião lançou a bomba a uma altura segura (com o uso de um paráquedas, para não detonar antes do tempo) e zarpou rapidamente para fora da ilha.

         A explosão foi tamanha, que formou uma cratera de rocha sólida, na ilha Novaya Zembla, que é visível no Google Earth, isso considerando que a bomba explodiu a 4000 metros do solo, não sobrou pedra sobre pedra em Novaya Zembla.

          A explosão foi tão forte, que alguns dizem tê-la visto na Finlândia, e que ela teria causado o estilhaçamento de janelas.

          A Tsar Bomba em vídeo.

         Tome cuidado para a radiação não passar pela tela do seu computador!



      Um operador de câmera registrou:
"As nuvens a uma grande distância abaixo e acima do avião foram iluminados pelo clarão da bola de fogo e por um instante tornaram-se transparentes. A propagação da luz incandescente sobre o mar era algo impressionante. Nesse momento nosso avião emergiu do meio de uma camada de nuvens e pudemos observar uma gigantesca esfera de fogo brilhante e alaranjada rolando em direção ao céu."
"A esfera era tão poderosa e tão arrogante como Júpiter."
"Lenta e silenciosamente rastejou para cima..."
"E fundindo-se a camadas mais grossas de nuvens, continuou a subir e a crescer. Parecia sugar toda a terra nele. O espetáculo foi fantástico, irreal, sobrenatural."'
Um outro observador, mais distante, descreveu o que testemunhou da seguinte forma:

"Um gigantesco clarão sobre o horizonte, e após um longo período de tempo ouvi um sopro distante e pesado, como se a terra tivesse sido morta."
Uma outra testemunha relata:

"A neve derreteu, as bordas e os lados das rochas ficaram brilhantes como se tivessem sido lapidadas, não há um traço desigual sequer..."

             Esse foi com certeza a maior ousadia e estupidez feita pela humanidade. Kruschov, que estava já no cargo de Premié da União Soviética já tinha dado um sinal de ameaça aos Estados Unidos, de quem se mechesse com a União Soviética, ia acabar mal. O ano de 1961 acabou com um homem orbitando a Terra, a construção de um Muro em Berlim e a Explosão da Maior Bomba Nuclear de Todos os Tempos.


         Não à toa que em 1963, estivemos perto do Holocausto Nuclear. Ainda dou graças a Deus, de Kruschov ter dado as caras e ter sentado com Kennedy para resolver suas pendências (Foi Kruschov que salvou o Mundo do Holocausto Nuclear, se ele não tivesse se sentado com Kennedy, os Estados Unidos já estavam preparados para iniciar a guerra contra a União Soviética).


        É por isso que não gosto de bombas nucleares, usinas nucleares e tudo que tem afim. A Energia Nuclear traz enormes problemas, como Chernobyl e Fukushima (principalmente Chernobyl. Fukushima foi resultado da estupidez do governo japonês, por não ter aprendido com Hiroshima e Nagasaki os perigos da energia nuclear).

       Dirão que sem a radiação, não teríamos sistemas de comunicações sem fio, como Wireless, telefones móveis, fornos de microondas e dispositivos para o tratamento de câncer. Tudo isso é verdade, mas o maior erro do homem não foi ter descoberto a radiação, mas sim ter descoberto um jeito de usá-la como arma.




        
       

sexta-feira, 9 de março de 2012

Autoajuda para escritores

         
        Os possíveis redatores e escritores do nosso futuro, aqueles que se empenham em redigir algo que possa ensinar alguém, divertir, entreter, ou pelos menos desejam ficar nas páginas da História por meio de via de um livro, sabem que ao redigir um livro não basta apenas ter a ideia, mas tem que por em prática... É a isso que esse tópico se dedica, um guia de autoajuda (é, se escreve agora assim) para os futuros escritores e redatores de textos.





         Certa vez me dei ao trabalho de ler um divertido texto a cerca do que um poeta devia fazer, digamos, para se tornar poeta... Foi com um manual assim que comecei a me arriscar na poesia (tristonhamente, mas me arrisquei).




        Folheando os verbetes, pude encontrar a primeira inspiração para um poema respeitável, para tanto, se você deseja ser um poeta não será só essa postagem que irá te ajudar, afinal, poeta é uma classe diferente de escritor, é igual a marceneiro perto de carpinteiro. Para aprender poesia, visite esse link.


       Certa vez redigi o Manual de Todo Historiador, uma crítica na verdade ao papel que a sociedade dá a esse ofício acadêmico, em todo caso a discussão ficou tão interessante, que vale a pena ler se quiser entrar no âmbito acadêmico.


        Pois bem, vamos ao Livreto de Autoajuda para escritores:
Autoajuda para escritores



       Primeiro, o que faz um escritor? O simples ato de escrever?





        Se for isso, aqueles que redigem os interessantes aforismos nas placas de caminhão, serão então escritores? Obviamente que não? (Na verdade são bacharéis em filosofia).



        Um jornalista necessariamente é um escritor? Não, não necessariamente, um jornalista é um indíviduo que tem a função de informar sobre os acontecimentos (de modo cortês ou não), um jornalista é um formador de opinião, mas um jornalista, mesmo o de gazeta, só se torna escritor quando esquece a batina de informador e passa a escrever um livro.

       Sim, um escritor tem que escrever um livro... Mas só um livro? Um blogueiro não pode ser encarado como escritor? Óbvio que sim, um blog, embora não pareça, é um livro virtual aberto para todo mundo ver, um artigo da Wikipédia também, não a toa que ela é a Enciclopédia Livre!

       Historiador necessariamente é um devorador de livros, senão não é Historiador, mas o auge da carreira de um historiador é logicamente escrever um livro, vencer a Academia, e publicar algo seu para todo mundo ler e dar críticas. Mas um historiador tem que saber escrever.

      Uma vez eu li um livro chamado o Glorioso Acidente, de Clemente Nobrega, acho que esse era o nome do autor, quando adolescente, à primeira vista, achei interessante um engenheiro dedicar-se à escrever um livro sobre filosofia, evolucionismo e teoria dos jogos, mas quando eu li pela primeira vez, eu não entendi nada. Quando eu li pela segunda vez, eu só entendi que ele falou do Indiana Jones e o Santo Graal e os interesses do individuo na sociedade ante a moral. Na terceira, eu desisti e doei o livro.

       Eu sempre achei que fosse uma questão de idade, afinal de contas eu comprei o livro, por impulso, quando tinha 14 anos, tentei ler com essa idade, não consegui, li com 16, não consegui de novo, e aos 17 eu doei. Isso porque eu tinha conhecimentos de filosofia até avançados, podia-se ver claramente conceitos nietzschilianos no livro, mas a redação, a redação deixou a desejar, e o desenvolvimento das ideias também.

        Chegamos assim, à primeira lição:

    1) Aprenda a escrever de forma concisa e tente ser o ter o melhor desenvolvimento que puder. A redação de um livro não só deve seguir regras gramaticais rigorosas, como nada de escrever "mais" com ideia de "mas",  "ante ontem", "desde de" e outros erros gritantes, além disso, você tem que se dedicar a uma ideia central firmente clara, para focar o leitor (se o leitor se sentir perdido, como eu, ele vai abandonar o livro), e produzir uma narração gostosa e agradável aos olhos. Faça pausa de vez em quando para situar o leitor, e fazê-lo descansar.

Faça uma pausa também!

       Mas como aprender a escrever?

Existem várias formas de se aprender a escrever, mas as mais ortodoxas e comprovadamente eficazes são:

      1) Esqueça que você tem uma TV! Isso é sério, um televisor faz com que você tenha contato com uma parte vulgar da cultura que nada lhe interessa a não ser divulgar pornografia, violência e reality shows.

       2) Leia e se contextualize com o presente com os jornais! Todos os Jornais! Desde o Pravda, da Rússia, até o The Economist, da Inglaterra,  desde O Globo até o Mídia Independente. Você tem que saber sobre o que acontece no Mundo e formar uma posição concisa sobre os acontecimentos que giram no Planeta.
Desde o Pravda














Ao The Economist

 










    3) Tenha certeza que o seu sistema de ensino foi bom o suficiente para você ao menos escrever algo de maneira respeitável. Reveja suas provas de redação, observe os seus erros, suas notas, e tente trabalhar com o vestibular (isso mesmo, você deve fazer pelo menos uma prova de vestibular por ano! Para ter base de como sua redação está)

       4) Se comprovado que o seu ensino foi porco quanto à redação (normalmente comum no sistema público de ensino e nas escolas particulares de quinta), não entre num cursinho de pré-vestibular. Cursinho não ensina nada, só revisa conteúdos, e afinal, a jornada de cursinho é tão apressada que até redação fica difícil de fazer.

        Se eu tive um ensino de Redação ruim, o que fazer?

     Procure um professor especializado em Redação e um curso obviamente só para Redação (existe isso sim), procure fazer o máximo de si ( o padrão não costuma ser muito alto, também), trabalhe incansavelmente para dirigir as melhores redações que você tem notícia.

Não seja igual ao pessoal do ENEM, não faça aforismos absurdos!

     Desejo melhorar a minha redação, possuo um ensino razoável ou bom de redação, o que tenho que fazer?

      Leia livros! Isso mesmo leia livros! Leia livros não por obrigação, não por exigência, mas por paixão, por vício! Se pessoas podem se viciar em vodka, porque você não com livros? Leia algo que lhe interesse, desde quadrinhos/mangás, a livros de contos, romances e livros históricos. Nunca deixe de ler, e sempre estabeleça um Plano de Metas para sua leitura. O aconselhável é um livro por mês ou mais.
Curta, vicie-se nos livros! Esse é o único vício saudável!


      Esqueça que existe Twitter e Facebook, você não vai aprender nada além de escrever 250 caracteres.

     Leia os jornais, contextualize-se com o mundo, e comece a pesquisar sobre Filosofia, História e Conhecimentos Gerais. Todo o livro tem embutida uma filosofia, até mesmo o Superman (Nâo acredita, procure Übermensch na Wikipédia e Friedrich Nietzsche), os conhecimentos gerais sobre Geografia, Física, Química lhe daram base téorica para desenvolver suas narrações, explicações, ou mesmo o cenário onde se desenvolve o acontecido, e quanto à História, a História, além de fornecer de um rico material de ideias e contextos, gera também comparações e mesmo conceitos filosóficos para o seu livro, além de um reforço rico para a sua narração.
"Ao infinito e além" (do bem e do mal)


        Levante-se para o Mundo, comece a estudar Artes, Ciências, Conhecimentos, tudo que lhe possa interessar e que o Mundo possa te oferecer. Pelas artes, aprenderá ao ver o mundo de outras formas, saberá a diferença de Azul da Prússia de Azul Marinho, de Amarelo Ocre de Amarelo de Napóles, verá como as formas se dissociam uma das outras para depois formarem um conjunto, aprenda História da Arte, sobre formas artísticas e movimentos artísticos, mesmo por formalismo, apenas pelo prazer de aprender.

Preciso dizer alguma coisa, se você não reconhecer isso, você é um analfabeto artístico completo!

        TEMA

      Eu escrevi isso em caixa d'água porque é a figura central disso tudo. O que diabos você ia escrever? Achou mesmo que Deus ia descer na Terra com o seu coro de Arcanjos para ditar-lhe o que ia escrever, igual à Moisés?

      O Tema é tão importante que sem ele, nenhum livro pode existir. Primeiro, o mais difícil, encontre uma fonte inspiratória para isso: Sua imaginação, a vida cotidiana, a História (essa é a melhor de todas), a Filosofia (Ficção Científica nasceu disso), ou mesmo, a mais peculiar, Política (aquela que você se dedica tanto em criticar, e não faz porra nenhuma pra mundar).

A História é assim, uma dama enrugada que tem muito pra ensinar






      O Tema tem que ser algo que você conheça, tem que ser o seu irmão, a sua mãe, a sua amante, o seu best-friend, você tem que dedicar todo o seu conhecimento em torno da figura do Tema para que ele se desenvolva e perdure como fixo.






       O Tema, normalmente, tem que ser fixo e central, podendo ou não haver temas secundários em torno ao principal, para situar o leitor. Alguns conseguem desenvolver um texto sem temas fixos e centrais, mas com uma boa narração e encadeamento, isso normalmente é bastante complicado e trabalhoso, e merece no minímo um profundo conhecimento acadêmico sobre vários temas e sua narração, para um amador, não é bom se envolver agora com isso.

       Pesquise bastante sobre o tema,  esteja aberto a sempre a aprender, a fazer alterações, a ver novas visões e interpretações sobre os assuntos que rondam o tema. E esteja preparado para fazer alterações assim que possível, rasgar folhas, ou fazer tudo de novo, quem disse que ser escritor é fácil?


Escrever

      Seja rigoroso com a forma no texto, mesmo os deslexados, procure sempre seguir as normas gramaticais que rondam o texto, procure ler textos de outras pessoas para aprender modos de escrita e narração, e sim, esteja preparado para fazer plágio de vez em quando.

"Bons artistas copiam, grandes artistas roubam" ( Picasso)


          Mas seja educado, e não faça uma cópia porca do trabalho de outra pessoa, e tente maquiar na medida do possível para parecer algo seu.

         Esteja preparado com erros inevitáveis de português ou mesmo acentuação (o português é com certeza a língua com mais acentos no Mundo, certo será dizer que é mais preferível escrever em inglês, que não tem muitos acentos. Viram, nesse trecho têm ao todo oito acentos!), porque isso é inevitável na hora de escrever.

        Escreva em algo que sempre lhe esteja à mão, uma caderneta, um caderno pequenino, ou se tiver mais dinheiro, um Livro-de-Ouro (Se for Hightech use o seu Ipad, Tablet ou Netbook), use uma caneta boa e confiável ( eu sempre uso nanquim, porque não tem grandes problemas com tinta falha), que sempre deverá consigo no bolso. Isso mesmo, no bolso da calça... Se a caneta explodir, você aprenderá como são as verdadeiras calças de um escritor.


Isso também é um livro
      Sempre faça isso, e se escreve em um caderninho, logo após terminar tudo, comece a redigir no Computador tudo que você escreveu, assim possibilita que você faça ajustes, interpretações, ou mesmo diminui erros, na hora da reescrita, se tiver já no seu Ipad, Tablet, e trecos afins, você terá que fazer umas três revisões para ter certeza (nunca se deve confiar no corretor do computador).


       Dedique-se inteiramente ao seu livro, e nunca, nunca se importe com o número de páginas! Tolstoi passou um livro inteiro escrevendo só sobre as Guerra Napoleônicas, isso, visto que foram trezentas páginas para descrever a Batalha de Borodino, e quase 1400 para escrever Guerra e Paz, e tudo isso ao cargo de um ano, para ele rasgar tudo e fazer tudo de novo.
Napolão ficou tão cheio da batalha de Borodino que decidiu voltar para França


       O livro é seu, ninguém deve dar palpites se você não pedir! Não faça alarde, não diga a sua família que você está fazendo um livro, eles vão fazer inevitavelmente chacota e normalmente vão te desencorajar (principalmente se for adolescente). Se precisar compartilhar isso, diga a um amigo, um de verdade, ele vai aceitar isso e ainda pode te ajudar.

Esteja preparado para fazer isso várias vezes!

      Embora eu sempre tenha tido relutância a grupos do Bolinha, um círculo literário sempre é interessante, tanto para ter noção se os outros gostam do que escreve, e para ter dicas ou aulas de como desenvolver melhor os seus textos.





Momento Final: Publicar



É um momento felicissímo da sua vida ver o seu trabalho numa dessa estantes

       Esse é o major momentis (junção de major: do inglês e momentis: do latim), esse sem dúvida é momento que você, com os calos na mão, e tendo lindo uma seiscentas vezes as palavras, decide se você publica ou não.

       Esse é o momento especial, esteja pronto para proteger o seu documento, e decidir se sua visão ele é bom o suficiente para ser publicado. Após a isso, se achar que sim, prepare para mandar uma impressão na gráfica de um exemplar, e enviá-lo para uma editora (Tristonhamente, no Brasil é assim, eles não aceitam por e-mail), ou mandar por e-mail ao seu editor.

     É claro, esteja ciente de que terá que tomar gastos para que veja o seu livro publicado, eu mesmo, julgaria que para por um livro no mercado, o autor deva desenrolar um valor entre R$ 1500,00 a R$ 3,000,00.

      Fique preparado para editora poder não gostar do seu trabalho e te mandar de volta o seu exemplar, mas nesse caso, fique novamente preparado para mandar à outra. Não existe só uma no mundo!

       Se der tudo errado, e  ninguém quiser publicar o seu livro, você tem a opção de publicar você mesmo o seu livro, mas não espere ter a mesma publicidade que teria com um a editora.
  
      A editora é claro vai te dar uma percentagem sobre o livro (ela nunca vai te dar 50%, 70%, isso é fantasia, no máximo 30% e chorando), e tomará o direito por um tempo de publicar o seu livro por um determinado tempo, mas o direito autoral é seu!

     O livro não é só investimento econômico ( se fosse, ele seria um dos menos rentáveis), mas um investimento pessoal que lhe dá auto-estima para o seu ego.


Notas adicionais.

  1. Depois disso tudo, você tem certeza que quer começar o seu livro? Se sim, ponha-se ao trabalho, levante-se, compre um caderno, procure uma caneta e ponha-se a escrever.
  2.  Se você cair num daqueles concurso do tipo Sesi e Senac de Literatura, e eles lhe ofertarem um prêmio em troca de seus direitos autorais, nunca aceite, o texto é seu e tem que continuar sendo seu!
  3. Esteja preparado para ficar horas a fio trabalhando, nunca aceite nada que "bom", e continue trabalhando mais. Tranque-se num cômodo fechado para não ser atrapalhado, se for o caso, mas sempre esteja preparado para sair à rua para ter inspiração.
  4. Escritor geralmente é uma pessoa isolada, tanto que é muito mais comum um escritor se mantiver calado, respondendo somente a perguntas e cumprimentos, do que sendo o carinha ultrassociável do mundo. A escrita é uma atividade solitária.
  5. Nunca desista, mesmo quando tudo conspira contra você, afinal és escritor, e quem sempre tem vocação, não precisa de oração.
  6. O seu texto é como um carvão. Uma pedra que passa por muito tempo isolada, mas sob determinadas condições de temperatura e pressão, vai se moldando até virar num vigoroso diamante. Todo o esforço vale a pena.
  7. Escrever é um reforço cultural, você aprende muito se divertindo. Afinal, foi assim que aprendi tudo que sei de alemão, francês e russo.
  8. Erudito não o faz ser melhor que todo mundo, você é uma pessoa normal, mas sabe mais sobre determinados assuntos do que outras.
  9. Eu não enfatizei sobre livros de filosofia porque esse não foi o meu foco, mas eu serei bem direto, você pode usar abstrações e preciosismos para suas ideias, mas seja conciso em suas ideias e tenha boa narração. Marx é conciso, usa boas abstrações, tem bons exemplos, mas a sua narração, sejamos sinceros no Manifesto Comunista, deixou um pouco a desejar, mesmo sendo uma obra muito importante no pensamento filosófico, político e histórico moderno.
  10. Preciosismo é legal, mas vou ser sincero, faça-se entender também. Não adiante ser um Luís de Camões se ninguém entender nada e nem se interessar pelo tema.
  11. A escrita deve ser uma relação de paridade entre o preciosismo ocasional e a direta narração concisa, nunca se perca de vista.
  12. Se dedica-se a romances, tente ler tipos de romance que identifiquem com o seu pensamento; Se for de capa e espada, leia os Três Mosqueteiros, se for romântico, leia algo mais ao fetio de Romeu e Julieta, se for Literatura Fantástica, Toltkin pra dar e vender, se for Guerra, leia tudo sobre História, e literatura Histórica, se for policial, leia Sherlock Holmes, se for de mistério, Agatha Christie, aventura, Robinson Crusoé, e todos os livros de Julio Verne, se for ficção científica, de novo Julio Verne.
  13. Se dedica-se a contos, leia Tchekhov e ponto.
  14. Se for crônicas, o mercado tem um número interessante de crônicas de autores nacionais, destacando-se Luís Fernando Verissimo.
  15. Leia de vez em quando autores nacionais, para não viajar muito no mundo, mas quando estiver sem saco para ler um Machado de Assis (que eu particularmente não gosto), procure ler estrangeiros, nem que sejam sábios do Alto Himalaia, ou mesmo escritores do alto Tajiquistão.
  16. Nunca se despreze por não gostar de um clássico, ninguém tem obrigação de ler Shakespeare por pressão social, ou mesmo Machado de Assis.
  17. O popular também pode ser tema de sua narração, mas se for usar linguagem popular, use preferencialmente nas conversas dos personagens.
  18. Não destaquei personagens pelo simples fato de quem desenvolve personagens é você! Mas conselho, procure fazer personagens que cativem o leitor à leitura, e se precisar, estude algumas teorias da psicologia ou psicanálise.
  19. Agora é com você, é o que posso dizer, agora se vire! Não achou mesmo que eu ia escrever um livro por você! Ou você esqueceu que isso é uma autoajuda?


A Folha está na sua frente, comece a escrever!

    

Resposta do Google ao ECAD

           Anteriormente, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) sancionou que os blogs e outros endereços da internet que incorporam vídeos de sites de streaming - como o YouTube, por exemplo - devem pagar direitos autorais. O órgão se baseia na lei para efetuar a cobrança.

         Isso quer dizer, que todo o conteúdo incorporado pelo Youtube para esse blog está com o risco de ter uma cobrança sobre o seu material.

            "De acordo com o artigo 31 da Lei 9.610/98, as diversas modalidades de utilização da música são independentes entre si, e a autorização para o uso por uma delas não se estende para as demais", afirmou o Ecad, por meio de nota disponível na internet.

            Pois bem, o Google reagiu e emitiu uma carta na qual condena a ação tomada pelo ECAD acerca da incorporação de materiais do Youtube, segue a risca o que o Google declarou:

"        Os videos online desenvolveram um novo universo de oportunidades para criadores de conteúdo. Eles possibilitam que artistas, músicos, cineastas, ativistas de direitos humanos, líderes mundiais e pessoas comuns levem seu trabalho para uma audiência global. No YouTube, nos esforçamos para apoiar esse ambiente, onde qualquer um pode se engajar, criar e dividir conteúdo. É por isso que vemos com surpresa e apreensão o recente movimento do ECAD na cobrança direta a usuários da ferramenta de inserção (“embed”) do Youtube. Gostaríamos de esclarecer qualquer incerteza sobre algumas questões que aconteceram em alguns sites e blogs que inserem vínculos (embedam) a vídeos do YouTube, promovendo visualizações e ajudando a dividir seus pensamentos e opiniões por meio de vídeos:


  1. Google e ECAD têm um acordo assinado, mas ele não permite nem endossa o ECAD a cobrar de terceiros por vídeos inseridos do YouTube. Em nossas negociações com o ECAD, tomamos um enorme cuidado para assegurar que nossos usuários poderiam inserir vídeos em seus sites sem interferência ou intimidação por parte do ECAD. Embora reconheçamos que o ECAD possui um papel importante na eventual cobrança de direitos de entidades comerciais, nosso acordo não permite que o ECAD busque coletar pagamentos de usuários do YouTube. 
  2. O ECAD não pode cobrar por vídeos do YouTube inseridos em sites de terceiros. Na prática, esses sites não hospedam nem transmitem qualquer conteúdo quando associam um vídeo do YouTube em seu site e, por isso, o ato de inserir vídeos oriundos do YouTube não pode ser tratado como “retransmissão”. Como esses sites não estão executando nenhuma música, o ECAD não pode, dentro da lei, coletar qualquer pagamento sobre eles.
  3.  O ECAD pode legitimamente coletar pagamentos de entidades que promovem execuções musicais públicas na Internet. Porém, o entendimento do ECAD sobre o conceito de “execução pública na Internet” levanta sérias preocupações. Tratar qualquer disponibilidade ou referência a conteúdos online como uma execução pública é uma interpretação equivocada da Lei Brasileira de Direitos Autorais. Mais alarmante é que essa interpretação pode inibir a criatividade e limitar a inovação, além de ameaçar o valioso princípio da liberdade de expressão na internet.
           Nós esperamos que o ECAD pare com essa conduta e retire suas reclamações contra os usuários que inserem vídeos do YouTube em seus sites ou blogs. Desse modo, poderemos continuar a alimentar o ecossistema com essas centenas de produtores de conteúdo online. No YouTube, nós nos comprometemos a levá-los cada vez mais próximos a seu público graças à inovação tecnológica e a características sociais como compartilhamento, discussão e até inserção em outros sites, caso o próprio vídeo permita.
Continuaremos a oferecer a cada autor de conteúdo a opção de decidir se eles querem que seus vídeos tenham a opção de serem inseridos (embedados) ou também disponíveis para dispositivos portáteis ou telas maiores, usando o botão “editar informações” em cada um de seus vídeos. Essas opções também podem ser acessadas pelo http://www.youtube.com/my_videos."

       Em outras palavras, diante ao tratado assinado entre o Google e o ECAD, o ECAD não tem legalidade em cobrar dos blogueiros incorporadores de videos do Youtube direitos autorais, uma vez que essses conteúdos são pagos pelo próprio Youtube (que utiliza sua renda a partir da renda retirada com a propaganda de anúncios publicitários no meio dos vídeos).

          O Google salientou ainda  que os blogueiros responsáveis por utilizar vídeos do Youtube não estão fazendo nada de errado, pois "esses sites não hospedam nem transmitem qualquer conteúdo quando associam um vídeo do YouTube em seu site e, por isso, o ato de inserir vídeos oriundos do YouTube não pode ser tratado como 'retransmissão'", além disso, como o Google salientou, a resolução do ECAD apenas iria dificultar a inovação e inibir a criatividade.

         Assim, eu me junto ao que Google diz, e acreditou eu (não tenho um aparo legal muito forte nessas questões), que a resolução do ECAD não é só ilegal por exigir uma cobrança por um conteúdo que já teve seus direitos autorais paga, mas também é idiota, pois num dado momento, se continuar assim, atrapalhará a vida de um expositor de ideias, como um blogueiro, e como alguns dizem é uma ameaça à liberdade de expressão.

         É tudo que posso dizer disso

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