Nesses dias de grande conturbação no cenário mundial, somos informados que o evento para a preservação mundial fracassou desgraçadamente...
Fracassou a Rio +20 pelo motivo de tanto os Estados Unidos, quanto a Alemanha, Rússia e afins, terem se recusado a participar de uma conferência em favor do clima, mas pior que isso, desde que a reunião foi marcada, ela estava fadada ao fracasso.
Fadada ao fracasso, ela, não só por já no começo os governos mundiais não terem mostrado nenhum interesse em mudar suas concepções, mas fracassou principalmente às amarras que seguram o movimento ecologista.
O movimento ecologista é refém sim do capitalismo, ele visa não revolucionar toda a sociedade em prol de um bem estar ambiental, mas menos que isso, ele hoje visa apenas reformar a corrente de pensamento da sociedade consumista, e tornar o consumo mais sustentável.... Em outras palavras, ele crítica o capitalismo, mas depende dele para sobreviver.
A questão do desenvolvimento sustentável é uma espécie de doce para tornar mais tragável a mistura de remédios que são amargos ao capitalismo, gastar mais para não destruir muito, e ainda produzir de forma consciente... A fórmula torna-se mais tragável quando se fala que no futuro, os custos para produzir serão menores, e que não se precisará pagar pela energia por exemplo, porque descobriram que a do Sol é de graça!
Não vejo grande consciência ambiental no espírito do capitalista em si, o que ele visa fazer não é tentar salvar o planeta, mas ele próprio quer reduzir seus custos, e se alguma medida ambiental tornar impraticáveis os seus lucros, pode ter certeza que não será aplicável... Além disso, tem a questão da imagem, que agora começa a importar na sociedade de consumo, onde pela lei de concorrência, uma "empresa verde" é melhor cogitada do que uma poluidora... Não existe altruísmo no capitalismo.
Os ecologistas acreditam mesmo que de uma maneira pacífica, de livre-iniciativa, todos irão mudar seus pensamentos e irão abandonar seus automóveis poluidores, a energia suja que entra em suas casas e confortos para desenvolver um meio menos poluente ao mundo... Não é tão espontâneo assim.
A consciência climática vinha vingando muito bem até o começo da crise, mas quem pensa em natureza quando os seus negócios são fechados, seus empregos somem e o seu país está na bancarrota... Ninguém pensa na natureza.
"A natureza não negocia", o secretário da ONU mesmo disse, e ela não negocia mesmo, ela não quer saber de crise financeira, de negócios arrasados, desabrigados, ou sei lá das contas, ela faz o que tem que fazer... Tufões, derretimento das calotas polares, aquecimento global.... Isso não é negociado!
Estamos ao mesmo tempo numa crise financeira e ambiental, e o que temos para piorar, a submissão dos ecologistas ao poder do Capital... Se as previsões estiverem certas, e se continuarmos a tomar medidas tímidas, como essa na Rio +20, pode-se dizer que já devemos procurar um novo planeta para morar porque tudo vai por água abaixo.
Ecologistas, se visam salvar o mundo, não deixeis cair nessa submissão, sois fortes, trabalhem vocês mesmos por sua causa, não esperem pela boa vontade de líderes que precisam de mera epifania para salvar o Mundo... Pensem em um novo, pensem vocês em um novo futuro!
quinta-feira, 21 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
Rimas sem sentido
Corre luz litoral
Venha cá vendaval
Longe não é distante
Vento observante
Saia já do vocal
Venha cá vendaval
Amor não é constante
Nem mesmo ao amante
Roda redemoinho
Queima o pão
Roda moinho
Roda pião
Junte-se ao coral,
Ó grande corporal
"Vida canta semelhante,
Nada chora semblante"
Eis a magia do musical
Três na forca
Dois no vocal
Prosa semanal
Rima conjugal
É coisa do coração
Amor carnal
Fecha o pão
Bate a paixão
Dor constante
Quebra rima
Flor distante
E finda cantoria
Venha cá vendaval
Longe não é distante
Vento observante
Saia já do vocal
Venha cá vendaval
Amor não é constante
Nem mesmo ao amante
Roda redemoinho
Queima o pão
Roda moinho
Roda pião
Junte-se ao coral,
Ó grande corporal
"Vida canta semelhante,
Nada chora semblante"
Eis a magia do musical
Três na forca
Dois no vocal
Prosa semanal
Rima conjugal
É coisa do coração
Amor carnal
Fecha o pão
Bate a paixão
Dor constante
Quebra rima
Flor distante
E finda cantoria
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Um conto triste pequeno-burguês
Essa é uma pequena história, daquelas que você só se dedica a ler quando está com sua família na praia ou mesmo quando está entediado em casa, ela não é uma história triste, mas também não é feliz, essa é a história de um pequeno comerciante e de seus problemas do dia.
Contam-se os anos, e a pequena empresa familiar, uma empresa de três pessoas, das quais todas elas são na proporção pai, mãe e filho, que se dedica apenas ao fornecimento de produtos importados, vinhos, temperos, comida. É um pequeno negócio de certo que não tem muitos lucros, mas muitos problemas.
O pai, um senhor já de meia idade, que os anos deram-se ao trabalho de envelhecê-lo mais, era uma figura meio gorducha e bonachona, de cabeça quadrada e estatura baixa, tinha um semblante tão profundamente marcado que até mesmo a sua face morena não conseguia escondê-la, seu nome, como veremos a seguir era Francisco.
Ele, apelidado com esse nome por sua mãe, uma personagem sem coração que se dera ao trabalho de abandoná-lo aos encargos da avó, tentara homenagear não menos quem que São Francisco de Assis, de fato tinha um pouco de seu martírio em sua vida... Fora por muito tempo pobre, passara fome e desde muito cedo fora levado ao trabalho, e tal custo foi o trabalho que agora o tempo cobrava tais custos com suas constantes dores nas costas (apenas resolvíveis à injeções de morfina de tão profundas).
Eis esse o patriarca de uma família bastante diversa: A mãe, fervorosa religiosa, era por vezes histérica e volta e meia tinha orgulho quase infantil de sua linhagem portuguesa do Douro, e jactava-se disso, embora a todos soubessem que nada era importante. O pai, como já dizemos, era uma pessoa muito simples, sim, quanto ao trato pessoal, e só se orgulhava por ter por si trabalho e ser contido quanto despesas. O filho mais velho, esse sim era como todo o jovem o exemplo de uma espiritualidade meio revoltada, era incrédulo quanto à religião, ateu por convicção, tinha fortes convicções políticas, discordantes quase sempre das noções liberais de seu pai, mas tinha apenas orgulho do distante antepassado judaico da família.
O pai se consumia com certeza a jornadas de trabalho absurdas, das quais podemos ressaltar até que chegava a trabalhar por doze horas seguidas, e como sabemos que tão cansativa é a arte de vender, esse infeliz ao pouco consumia sua saúde, mas ele tinha orgulho de pelo menos manter suas contas em dia e um padrão confortável para sua família. Pagava suas contas em dia e tinha orgulho de estar sempre na linha da lei, embora as vezes fosse difícil.
Ele vinha pouco a pouco definhando às dores das costas, produto de tanto tempo embarcar os seus produtos em caixas pesadas na mala de seu próprio carro, e via seu corpo não aguentar mais os dissabores de tal esforço. Tinha agora que sustentar um filho na universidade e uma filha caçula que sequer à escola entrara, ele tinha particular afeto por essa filha, embora não desejasse que ficasse distante como vinha ficando de seu primogênito.
A verdade é que ele era familiar no sentido de amar a própria família mais a si mesmo, muito embora o trabalho tenha o tornado um pai relapso. O filho não o culpava por isso, até compreendia, e vinha pouco a pouco adquirindo o ritmo de trabalho do próprio pai, mesmo que isso não fosse saudável.
Fosse o que fosse, não era uma harmonia que se via ali, pois todos os três eram distantes entre si e o afeto era coisa muito estranha naquela casa logo ali, casa essa não muito modesta, pode-se dizer: Era um sobrado no meio de um respeitável bairro residencial de classe média, onde se tinha a pleno serviço uma praça de esportes, dois mercados, um açougue, uma padaria, três barbeiros, um curso de idiomas, uma pizzaria, uma funerária, três farmácias, duas academias e três bares, além de um restaurante, tudo isso nada distante de quinhentos metros. O filho brincava dizendo que até para morrer não se precisava sair dali.
A vida não era tão aborrecida ali, e até seguia tranquila, apesar das raras discussões na família, até que certo dia uma carta mudou tudo:
"Audição da Receita Federal
Constatamos que o senhor, Francisco O. R., deixou de fazer o registro de suas atividades de caixa no período compreendido de agosto de 2006 e agosto de 2007, e o intimamos para prestar contas ao governo, até o presente momento devemos informar que cancelamos a seu registro junto ao programa de pequenas empresas do governo"
Isso foi recebido como uma pontada em toda a família, o governo federal agora queria a abertura de todas as contas nesse período e cancelara por fim o registro daquela empresa...
Vale tecer algumas palavras sobre o que ocorreu para isso acontecer:
Eis que os registros de contabilidade dessa casa comercial foram extraviado pela má índole de uma contadora que não nutria grandes afetos pelo patriarca da casa, seja por questões de ordem pessoal ou profissional. Seja por um ou outro, os registros simplesmente desapareceram. Isso resultou num problema tremendo para todos os envolvidos, e o próprio personagem teve que registrar uma ocorrência junto á polícia sobre a perda de tais documentos.
Seja por isso, da mesma maneira, os registros não puderam ser efetuados, seja porque os documentos não foram de nenhuma forma reavidos, pela má fé da contadora ou pela da polícia, o fato é que incorreu-se a audição e descobriu-se isso... Isso quer dizer que quem por anos a fio pagara pontualmente seus impostos, incluindo dos anos seguintes, mantendo o registro impecável, agora vinha a ter seu registro cassado por tal ação de terceiros.
Essa era a problemática da situação, seja como for, uma grande procura foi efetuada quanto à possibilidade de se encontrar tais documentos, deixando a todos, tanto pai, como mãe e filhos engajados nessa procura, sem sequer dormirem noites a fio, até o patriarca constatar:
— É isso é tudo, só achamos de 2007 para cá — Disse com voz de conformismo.
A empresa simplesmente seria fechada e teriam que pagar uma multa astronômica junto ao governo.
— Isso não é justo! Que governo é esse que pune os inocentes e inocenta os culpados! — Reclamou a plena voz o filho.
— Cale-se, menino! — Interveio a mãe — Não vê que isso só atrapalha?
O patriarca assentou-se numa cadeira e afundou-se numa maré de extrema tristeza, a única coisa que sabia fazer era comercializar, vender, ele não sabia fazer outra coisa, mas agora, com essa ação do próprio governo, tudo isso era jogado a perder.
Não tinha mais forças nas mãos, nem nos braços... Tomou-se de uma cólera suprimida, olhou para os lados, viu a sua filha pequena correr pelos cantos da casa, uma bela casa por sinal!, e ele pensou no que aconteceria a partir dali:
Provavelmente teriam que tomar-lhe o carro, a casa, a mobília, os pertences. Tudo isso seria observado atentamente pelos olhares dos vizinhos enquanto os filhos e sua esposa brigavam contra os oficiais de justiça, e como seu filho mais impetuoso iria com certeza desacatar algum deles, provavelmente seria preso. A vizinha do lado, uma velhinha insuportável que a tanto ele odiava, iria tecer uma risada diabólica enquanto todos eles era desalojados de casa, confiscada pelo próprio governo para o pagamento das dívidas.
Ele empalideceu-se como nunca em sua triste vida e quando por fim levantou-se da cadeira, sentiu que suas pernas não mais o acompanhavam e caiu no chão como sobre um susto:
— Papa! — Gritou o filho que correu em auxílio do próprio cai que caíra desfalecido no chão de madeira da sala.
Tudo que o velho homem pensou ocorrera de forma muito pior, ele caíra com um derrame quase letal, que exauriu quase toda a fortuna da família (a pouca, devemos ressaltar), porque o plano de saúde recusara-se a pagar tal tratamento, e inválido, numa cadeira de rodas, ele vira toda a sua casa, aquela casa que ele construíra com muito trabalho, ser tomada pelos auditores fiscais, e tudo pelo quê? Pelo erro burocrático, pela malícia de alguns? Ele vira o filho brigar com um dos fiscais enquanto levavam seus livros sem consultá-lo em caixotes para dentro de um caminhão baú enquanto a sua filha, aos gritos, tentava salvar sua boneca dos fiscais.
Se convenceu que ali não havia justiça alguma e ruborizou-se ao saber que "os honestos são punidos e os culpados eram inocentados", essa era a verdade, o Brasil é esse tipo de país em que os verdadeiros ladrões, políticos corruptos, se safam e os inocentes que tentam se manter na lei, são punidos!
Encheu-se ele de ódio e como num sobressalto de adrenalina, seu coração disparou e se disparou tanto que começou-lhe a faltar o ar... A última visão que ele tivera era do filho o acolhendo enquanto fechavam o caminhão com tudo que ele tinha.
Foi ali, naquele dia, naquela triste tarde que ele caíra com um ataque do coração, enquanto os culpados andam inocentes entre nós, esse foi o mundo para o qual construímos?
Contam-se os anos, e a pequena empresa familiar, uma empresa de três pessoas, das quais todas elas são na proporção pai, mãe e filho, que se dedica apenas ao fornecimento de produtos importados, vinhos, temperos, comida. É um pequeno negócio de certo que não tem muitos lucros, mas muitos problemas.
O pai, um senhor já de meia idade, que os anos deram-se ao trabalho de envelhecê-lo mais, era uma figura meio gorducha e bonachona, de cabeça quadrada e estatura baixa, tinha um semblante tão profundamente marcado que até mesmo a sua face morena não conseguia escondê-la, seu nome, como veremos a seguir era Francisco.
Ele, apelidado com esse nome por sua mãe, uma personagem sem coração que se dera ao trabalho de abandoná-lo aos encargos da avó, tentara homenagear não menos quem que São Francisco de Assis, de fato tinha um pouco de seu martírio em sua vida... Fora por muito tempo pobre, passara fome e desde muito cedo fora levado ao trabalho, e tal custo foi o trabalho que agora o tempo cobrava tais custos com suas constantes dores nas costas (apenas resolvíveis à injeções de morfina de tão profundas).
Eis esse o patriarca de uma família bastante diversa: A mãe, fervorosa religiosa, era por vezes histérica e volta e meia tinha orgulho quase infantil de sua linhagem portuguesa do Douro, e jactava-se disso, embora a todos soubessem que nada era importante. O pai, como já dizemos, era uma pessoa muito simples, sim, quanto ao trato pessoal, e só se orgulhava por ter por si trabalho e ser contido quanto despesas. O filho mais velho, esse sim era como todo o jovem o exemplo de uma espiritualidade meio revoltada, era incrédulo quanto à religião, ateu por convicção, tinha fortes convicções políticas, discordantes quase sempre das noções liberais de seu pai, mas tinha apenas orgulho do distante antepassado judaico da família.
O pai se consumia com certeza a jornadas de trabalho absurdas, das quais podemos ressaltar até que chegava a trabalhar por doze horas seguidas, e como sabemos que tão cansativa é a arte de vender, esse infeliz ao pouco consumia sua saúde, mas ele tinha orgulho de pelo menos manter suas contas em dia e um padrão confortável para sua família. Pagava suas contas em dia e tinha orgulho de estar sempre na linha da lei, embora as vezes fosse difícil.
Ele vinha pouco a pouco definhando às dores das costas, produto de tanto tempo embarcar os seus produtos em caixas pesadas na mala de seu próprio carro, e via seu corpo não aguentar mais os dissabores de tal esforço. Tinha agora que sustentar um filho na universidade e uma filha caçula que sequer à escola entrara, ele tinha particular afeto por essa filha, embora não desejasse que ficasse distante como vinha ficando de seu primogênito.
A verdade é que ele era familiar no sentido de amar a própria família mais a si mesmo, muito embora o trabalho tenha o tornado um pai relapso. O filho não o culpava por isso, até compreendia, e vinha pouco a pouco adquirindo o ritmo de trabalho do próprio pai, mesmo que isso não fosse saudável.
Fosse o que fosse, não era uma harmonia que se via ali, pois todos os três eram distantes entre si e o afeto era coisa muito estranha naquela casa logo ali, casa essa não muito modesta, pode-se dizer: Era um sobrado no meio de um respeitável bairro residencial de classe média, onde se tinha a pleno serviço uma praça de esportes, dois mercados, um açougue, uma padaria, três barbeiros, um curso de idiomas, uma pizzaria, uma funerária, três farmácias, duas academias e três bares, além de um restaurante, tudo isso nada distante de quinhentos metros. O filho brincava dizendo que até para morrer não se precisava sair dali.
A vida não era tão aborrecida ali, e até seguia tranquila, apesar das raras discussões na família, até que certo dia uma carta mudou tudo:
"Audição da Receita Federal
Constatamos que o senhor, Francisco O. R., deixou de fazer o registro de suas atividades de caixa no período compreendido de agosto de 2006 e agosto de 2007, e o intimamos para prestar contas ao governo, até o presente momento devemos informar que cancelamos a seu registro junto ao programa de pequenas empresas do governo"
Isso foi recebido como uma pontada em toda a família, o governo federal agora queria a abertura de todas as contas nesse período e cancelara por fim o registro daquela empresa...
Vale tecer algumas palavras sobre o que ocorreu para isso acontecer:
Eis que os registros de contabilidade dessa casa comercial foram extraviado pela má índole de uma contadora que não nutria grandes afetos pelo patriarca da casa, seja por questões de ordem pessoal ou profissional. Seja por um ou outro, os registros simplesmente desapareceram. Isso resultou num problema tremendo para todos os envolvidos, e o próprio personagem teve que registrar uma ocorrência junto á polícia sobre a perda de tais documentos.
Seja por isso, da mesma maneira, os registros não puderam ser efetuados, seja porque os documentos não foram de nenhuma forma reavidos, pela má fé da contadora ou pela da polícia, o fato é que incorreu-se a audição e descobriu-se isso... Isso quer dizer que quem por anos a fio pagara pontualmente seus impostos, incluindo dos anos seguintes, mantendo o registro impecável, agora vinha a ter seu registro cassado por tal ação de terceiros.
Essa era a problemática da situação, seja como for, uma grande procura foi efetuada quanto à possibilidade de se encontrar tais documentos, deixando a todos, tanto pai, como mãe e filhos engajados nessa procura, sem sequer dormirem noites a fio, até o patriarca constatar:
— É isso é tudo, só achamos de 2007 para cá — Disse com voz de conformismo.
A empresa simplesmente seria fechada e teriam que pagar uma multa astronômica junto ao governo.
— Isso não é justo! Que governo é esse que pune os inocentes e inocenta os culpados! — Reclamou a plena voz o filho.
— Cale-se, menino! — Interveio a mãe — Não vê que isso só atrapalha?
O patriarca assentou-se numa cadeira e afundou-se numa maré de extrema tristeza, a única coisa que sabia fazer era comercializar, vender, ele não sabia fazer outra coisa, mas agora, com essa ação do próprio governo, tudo isso era jogado a perder.
Não tinha mais forças nas mãos, nem nos braços... Tomou-se de uma cólera suprimida, olhou para os lados, viu a sua filha pequena correr pelos cantos da casa, uma bela casa por sinal!, e ele pensou no que aconteceria a partir dali:
Provavelmente teriam que tomar-lhe o carro, a casa, a mobília, os pertences. Tudo isso seria observado atentamente pelos olhares dos vizinhos enquanto os filhos e sua esposa brigavam contra os oficiais de justiça, e como seu filho mais impetuoso iria com certeza desacatar algum deles, provavelmente seria preso. A vizinha do lado, uma velhinha insuportável que a tanto ele odiava, iria tecer uma risada diabólica enquanto todos eles era desalojados de casa, confiscada pelo próprio governo para o pagamento das dívidas.
Ele empalideceu-se como nunca em sua triste vida e quando por fim levantou-se da cadeira, sentiu que suas pernas não mais o acompanhavam e caiu no chão como sobre um susto:
— Papa! — Gritou o filho que correu em auxílio do próprio cai que caíra desfalecido no chão de madeira da sala.
Tudo que o velho homem pensou ocorrera de forma muito pior, ele caíra com um derrame quase letal, que exauriu quase toda a fortuna da família (a pouca, devemos ressaltar), porque o plano de saúde recusara-se a pagar tal tratamento, e inválido, numa cadeira de rodas, ele vira toda a sua casa, aquela casa que ele construíra com muito trabalho, ser tomada pelos auditores fiscais, e tudo pelo quê? Pelo erro burocrático, pela malícia de alguns? Ele vira o filho brigar com um dos fiscais enquanto levavam seus livros sem consultá-lo em caixotes para dentro de um caminhão baú enquanto a sua filha, aos gritos, tentava salvar sua boneca dos fiscais.
Se convenceu que ali não havia justiça alguma e ruborizou-se ao saber que "os honestos são punidos e os culpados eram inocentados", essa era a verdade, o Brasil é esse tipo de país em que os verdadeiros ladrões, políticos corruptos, se safam e os inocentes que tentam se manter na lei, são punidos!
Encheu-se ele de ódio e como num sobressalto de adrenalina, seu coração disparou e se disparou tanto que começou-lhe a faltar o ar... A última visão que ele tivera era do filho o acolhendo enquanto fechavam o caminhão com tudo que ele tinha.
Foi ali, naquele dia, naquela triste tarde que ele caíra com um ataque do coração, enquanto os culpados andam inocentes entre nós, esse foi o mundo para o qual construímos?
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Mal secular
Os poetas sempre são pessoas
que tecem belas palavras,
mas tomam-se de pouco sentimento
Pois nada sentem senão amor
Cantam sobre o amor
Narram o coração
Mas não tem paixão
Por esse doce sabor
Tocam com fervor
A lira da paixão
Eis aí a enganação
Nesse surto clamor
Não sentem eles dor
Não esperam salvação
Pensam com a ação
De bater no tambor
Temem apenas o censor
Que não gosta da narração
Pois não sabe fazer armação
Nem mesmo compor
Mentem eles sobre amor
Pois nunca terão a paixão
De terem no coração
Tamanho grande fervor
Pessimistas são eles
que não cheiram rosas
E não cantam o quão
Elas são cheirosas
Pintam a morte
e a melancolia
Não sabem a sorte
de não terem agonia.
Fazem chorar as musas
E cantar às lusas
Nunca eles amam
Pois nunca os chamam
Pensam só em si
Nada mais no porvir
Pensam no agora
E naquela sua senhora
Termina a rima
Chorando acima
Pois poeta no final ama
Do amor doce chama
que tecem belas palavras,
mas tomam-se de pouco sentimento
Pois nada sentem senão amor
Cantam sobre o amor
Narram o coração
Mas não tem paixão
Por esse doce sabor
Tocam com fervor
A lira da paixão
Eis aí a enganação
Nesse surto clamor
Não sentem eles dor
Não esperam salvação
Pensam com a ação
De bater no tambor
Temem apenas o censor
Que não gosta da narração
Pois não sabe fazer armação
Nem mesmo compor
Mentem eles sobre amor
Pois nunca terão a paixão
De terem no coração
Tamanho grande fervor
Pessimistas são eles
que não cheiram rosas
E não cantam o quão
Elas são cheirosas
Pintam a morte
e a melancolia
Não sabem a sorte
de não terem agonia.
Fazem chorar as musas
E cantar às lusas
Nunca eles amam
Pois nunca os chamam
Pensam só em si
Nada mais no porvir
Pensam no agora
E naquela sua senhora
Termina a rima
Chorando acima
Pois poeta no final ama
Do amor doce chama
Reflexões de uma tarde despreocupada
Qual é a lógica de um camarada ser casado, com filhos, que pega a secretária, que vai no prostíbulo toda a sexta-feira, mas é contra a união homoafetiva porque é a favor da família?
Qual é a lógica de um camarada que se pínta de comunista, faz piquete em meio a rua,briga com a polícia, brinca com anarquista, mas no final das contas é o primeiro a ir ao McDonald's comer um Big Mac?
Qual é a lógica de se entrar em greve, parando assim as aulas, porque você visa melhorar a educação?
Qual é a lógica de um estudante ao entrar em greve? Por acaso ele quer dizer que não quer mais estudar?
Qual é a lógica de um país se pintar como guardião da democracia e da liberdade, ser o primeiro a ser a favor da intervenção em outros países e a entrar em guerra com outros povos?
Qual é a lógica de um grupo de países que se pintavam como irmãos num dado momento de penumbra serem os primeiros a olharem só pra si e deixar os outros na amargura?
Qual é a lógica de um pai enterrar o filho?
Qual é a lógica que reside no amor a uma pessoa que te odeia?
Qual é a lógica de mandarmos homens ao Espaço, se nós mesmos não conseguimos sequer cuidar de nossos problemas aqui na Terra?
Qual é a lógica dessa lógica?
Qual é a lógica dessa postagem?
Qual é a lógica de um camarada que se pínta de comunista, faz piquete em meio a rua,briga com a polícia, brinca com anarquista, mas no final das contas é o primeiro a ir ao McDonald's comer um Big Mac?
Qual é a lógica de se entrar em greve, parando assim as aulas, porque você visa melhorar a educação?
Qual é a lógica de um estudante ao entrar em greve? Por acaso ele quer dizer que não quer mais estudar?
Qual é a lógica de um país se pintar como guardião da democracia e da liberdade, ser o primeiro a ser a favor da intervenção em outros países e a entrar em guerra com outros povos?
Qual é a lógica de um grupo de países que se pintavam como irmãos num dado momento de penumbra serem os primeiros a olharem só pra si e deixar os outros na amargura?
Qual é a lógica de um pai enterrar o filho?
Qual é a lógica que reside no amor a uma pessoa que te odeia?
Qual é a lógica de mandarmos homens ao Espaço, se nós mesmos não conseguimos sequer cuidar de nossos problemas aqui na Terra?
Qual é a lógica dessa lógica?
Qual é a lógica dessa postagem?
14:00 h
Bate o ponteiro após o meio-dia, era tarde e fazia calor escaldante, queria sair, mas preguiça tinha, queria dormir, mas sono não tinha.
Estava consumido de tédio, sem nada para fazer, pensou em ler um livro, mas já lia muito em demasia, pensou em assistir a um filme, mas nada queria...
"De que adianta ler de César a Lukács se vontade me falta até de abir um livro?", perguntou a si o jovem rapaz.
Pensou em ir ao cinema, mas sair de casa não queria. Pensou ir ao parque, mas roupa de corrida não tinha e nessa indolência preguiçosa se comprazia com o ócio de um dia.
Torturava-se como tédio, nada queria, olhava para a tela e num sobressalto escrevia:
"14:00 h
Bate o ponteiro após o meio dia..."
Percebe que nada muda o tédio, pois nada quer fazer, desliga a tela, pois já não quer mais escrever.
Estava consumido de tédio, sem nada para fazer, pensou em ler um livro, mas já lia muito em demasia, pensou em assistir a um filme, mas nada queria...
"De que adianta ler de César a Lukács se vontade me falta até de abir um livro?", perguntou a si o jovem rapaz.
Pensou em ir ao cinema, mas sair de casa não queria. Pensou ir ao parque, mas roupa de corrida não tinha e nessa indolência preguiçosa se comprazia com o ócio de um dia.
Torturava-se como tédio, nada queria, olhava para a tela e num sobressalto escrevia:
"14:00 h
Bate o ponteiro após o meio dia..."
Percebe que nada muda o tédio, pois nada quer fazer, desliga a tela, pois já não quer mais escrever.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Rima
Rima é coisa velha
Pra fazer obra-prima
Convenha coisa acima
Sentido rima não faz
Tal coisa não apraz
Sortido se desfaz
Querido jamais
Rima não tem graça
Não tem calor
Traz desgraça
Acaba o ardor
Dizem que traz amor
Se rima trouxesse isso
Rapper teria tanto clamor
Como orador no dia do Juízo
Rima teima em ser engraçada
Mas faz da prosa piada
E cai ela numa cilada
Rima tem que ser conquistada
Rima acaba com poema
Estraga a aquarela
Torna-se lema
Da doce querela
Rimar ou não rimar
Eis a questão
Não se deve amar ou odiar
Apenas rimar
Pra fazer obra-prima
Convenha coisa acima
Sentido rima não faz
Tal coisa não apraz
Sortido se desfaz
Querido jamais
Rima não tem graça
Não tem calor
Traz desgraça
Acaba o ardor
Dizem que traz amor
Se rima trouxesse isso
Rapper teria tanto clamor
Como orador no dia do Juízo
Rima teima em ser engraçada
Mas faz da prosa piada
E cai ela numa cilada
Rima tem que ser conquistada
Rima acaba com poema
Estraga a aquarela
Torna-se lema
Da doce querela
Rimar ou não rimar
Eis a questão
Não se deve amar ou odiar
Apenas rimar
Infância
Tinha ali um mundo só meu
Feito de sonho e magia,
Era uma bela aquarela
E de um jeito engraçado :
- Quando é dia
A vida sorri e eis alegria.
- Quando é noite
Ele dorme e se esfria.
Boa infância queria
Pressa eu tinha
Quando tanto crescia
Queria ser velho.
Mas quando velho,
Ser novo de novo.
Feito de sonho e magia,
Era uma bela aquarela
E de um jeito engraçado :
- Quando é dia
A vida sorri e eis alegria.
- Quando é noite
Ele dorme e se esfria.
Boa infância queria
Pressa eu tinha
Quando tanto crescia
Queria ser velho.
Mas quando velho,
Ser novo de novo.
Na taverna
Certa vez, numa noite fria, mas nem por isso menos movimentada, uma roda de amigos, uns cinco ou seis, puseram a caminhar lado a lado, conversando e troçando-se um dos outros pela calçada, num caminho dentre as árvores até uma rua no centro e uma quadra.
Eis que eles riam, contavam histórias, discutiam versões, mas mais que isso, eles iam ao bar conversar melhor...
Quando chegam à quadra (eis que nós cosmopolitas da capital chamamos esses agrupamentos de casas dispersos de forma rigorosamente ordenada como por forma de tradição), eles encontram-se com o pequeno barzinho afastado, onde nada tem de atrativo, a não ser a pouco cerveja e a vodka vagabunda.
Era uma pocilga ali, tinha poucos atrativos e com certeza higiene não era um deles, afinal de contas tinha barata no copo e vômito na mesa, briga ali havia com certeza, embora não fosse tão badalado para isso fosse uma regra incondicional.
Era frio ali, não havia aquecimento, a unica coisa que os protegia do vento era um toldo que por vezes se via levado pela corrente de ar... Sentaram-se eles ali, numa duas ou três mesas, onde confortavelmente podia se embriagar.
Correção: Não era confortável ali, as cadeiras eram de plástico barato e o serviço de péssima qualidade:
— O que vão querer? — Questionou o garçom ranzinza com cara de fuinha.
— Cerveja
— Vodka, por favor — Pronunciou-se o rapaz mais silencioso e vazio dos seis.
— Cinco cervejas e uma dose de vodka. Ok
— Vodka? A vodka daqui é horrível e cara —Perguntou-lhe um amigo que havia estranhado aquele pedido, não por ele beber vodka, afinal era sua bebida favorita, mas por pedir vodka ali.
— Sim, vodka, hoje é um dia daqueles.
— Tá bem então.
O rapaz que pedira a vodka era com certeza a figura mais alheia aos outros, ele não se comprazia com as brincadeiras, não ria das anedotas e sequer se interessava com o papo de futebol... Não que fosse tímido, ele com certeza não era, fazia discussões acaloradas sobre História, debatia política com ligeira facilidade, e era fluente em numerosos assuntos, consideravam alguns deles, um "gênio", embora na verdade ele não se visse como tanto.
"Não, mas é que o Fred, isso... Ronaldinho aquilo", a discussão de futebol era acalorada, mas assim pouco interessada, até que um, um dos mais altivos e nem por isso menos acompanhado na discussão disse:
— O Ronaldinho é um mercenário!
O jovem rapaz, vamos tratá-lo com um nome comum, talvez Alan, pois em verdade era o nome dele, entrou pela primeira vez na discussão apenas para ter o prazer de retrucar o amigo e pegá-lo com as calças curtas, era isso que o divertia.
— Mas não fora você mesmo que há tempos atrás o tratava como R10, que R10 faria isso, faria aquilo, iria ganhar o título e tal?
—Isso foi antes.
— Ah, isso foi antes de ele começara a jogar mal. Me diga, conte-me mais como é legal qualificar como mercenário alguém se apenas o interessa quando faz gols?
O amigo ficou encabulado com essa discussão, Alan era perito em levar essas discussões a um nível pessoal e os seus amigos ao mesmo tempo que riam, tinham certa repulsa por seu estilo de discurso. Ele mesmo tinha repulsa de si, mas era feliz assim.
— Aqui estão as cinco cervejas e a sua vodka.
Entregou a cada as suas bebidas, e em seguida recebeu um "obrigado" do jovem Alan, este sabia ser muito cordial com os outros, e essa podemos até cunhar-lhe como qualidade, uma das poucas por sinal.
O atendente anotou os pedidos numa comanda e saiu rapidamente da mesa.
— Enfim, Alan, ficou sabendo do que anda acontecendo com a Grécia? A situação tá preta lá — Puxou a conversa o seu amigo ao perceber que havia perdido a discussão.
— A situação na Grécia é bastante preocupante, bastante difícil, ela é produto da política irresponsável do governo grego que por vários anos pegava empréstimos em somas absurdas e só conseguia pagá-los com dificuldade, afinal de contas a economia grega não tem muitos atrativos por sinal para uma industria nacional e tal... A Grécia é uma economia fraca desde que entrou na União Europeia, e só sobrevive basicamente do turismo, da pesca e da venda de azeite. Não tá fácil pra ela, além disso — Bebeu em um só gole o seu copo de vodka — Os demais países europeus não estão interessados em salvar a Grécia já que têm muito a se preocupara com a sua economia, caso da Alemanha.
— Mas eu pensei, pelo menos fui ensinado que a União Europeia era uma irmandade em que todos se ajudavam e era felizes — Esse era até um discurso demasiado inocente.
— Essa história de irmandade de todos se ajudarem é balela, foi propagado pelo neoliberalismo do início dos 2000 animado com a ideia do Euro, como você vê agora, ninguém quer ajudar a Grécia, ela é um peso morto, um fardo, um câncer para União Europeia, e tanto os alemães como os franceses estão mais preocupados com si do que com eles.
Pensou ele que aquela ideia de multi-diversidade de uma união supranacional era minada rapidamente pela individualidade nacional, ele era bastante a par em discussões teóricas quanto a economia, política, cultura e afins, embora fosse totalmente marxista, não, não totalmente, afinal, ele vinha com um problema teórico com relação à uma atualização de Marx e a questão da ditadura do proletariado, mas não queria ser um novo Bernstein, líder social-democrata da virada do século XIX que achou que tudo devia ser renovado e devia-se partir das eleições, pensador esse bastante criticado por Lenin em 1905, com "O que fazer?".
Percebe-se bem aí, nesse estudo do discurso, a complexidade desse personagem, uma complexidade tão real, quanto a realidade de sua vida, numa segunda discussão a parte ele foi chamado por seu ouvido meio falho para debater:
— Greve de alunos? Que mané greve de alunos, aluno tem mais que estudar! — Declarou um segundo amigo, uma figura meio alheia a assuntos de política, se podemos qualificá-la assim, que tinha um estilo muito próprio de ser, usava ao mesmo tempo um boné virado para trás e um jaquetão de couro escuro de roqueiro.
— Eu concordo, eu acho uma estupidez uma greve de alunos. Nós estamos indo lá para apoiar a dos professores.
— E quanto a greve dos professores?
— Eu acredito que tinham meios melhores de se fazer reivindicações, além do mais eu não enxergo nessa greve, senão outra coisa a não ser em busca de melhores salários. É direito deles entrar em greve, mas quando comparamos o salário de um professor universitário de um professor de ensino fundamental vemos um profundo abismo salarial. Se procura-se uma melhoria na educação, pois não seria melhor trabalhar a partir da base? Da educação primária — Pronunciou-se mais uma vez Alan.
— Tem razão, mas essa greve não vai dar em nada — declarou meio que convencido o seu interlocutor.
— Verdade seja dita, havia meios melhores para se fazer isso, desde passeatas na Esplanada (dos Ministérios), piquetes, panelaços em frente ao Palácio. Esse tipo de pressão é que dá realmente certo, devíamos copiar o Chile nesse aspecto.
—Então você sugere algo igual ao Henrique (um professor) falou na aula: Sair com paus e pedras em direção à Esplanada e dar o golpe na Dilma e instaurar uma Ditadura Comunista na América do Sul? — Entrou na conversa um terceiro amigo, que convenhamos tinha um discurso um tanto direitista.
— Não, não era bem isso, mas confesso que não me sentiria mal se isso viesse a acontecer;
— Alan, você é um visionário! Isso nunca ia dar certo!
— Deu certo uma vez, pode dar certo de novo.
Mas ele próprio não desejava uma ditadura, a palavra Ditadura lhe impregnava como um fardo nefasto nos ossos, ele não queria isso, ele desejava uma Democracia Socialista, que ele realmente ele acreditava ser diferente de social-democracia, onde o indivíduo era valorizado, tinha garantidas as suas liberdades, mas tinha garantida a sua justiça. Ele não queria uma União Soviética, a não ser talvez no período entre o fim da Guerra Civil até o fim do mandato de Lênin, onde havia ali com certeza uma liberdade nunca antes vista. Admirava ele Lênin, mas ele não queria repetir os erros da Revolução, queria algo mais livre que a Iugoslávia, e debatia-se ele os dias, como se fosse um líder um governante, um meio em que se houvesse liberdade, justiça, igualdade social, fim da corrupção, dos grandes monopólios, algo que resolvesse os problemas agrários de sua nação, até as grandes questões de âmbito mundial. Sim, ele era um visionário, mas um visionário que tinha agora crises de consciência.
A discussão prosseguiu-se de maneira cada vez mais irredutível, regada a bebida, mais e mais tornava-se acalorada, até que num dado momento os dois concordaram que aquilo não ia dar em nada.
Eis que discutiram-se cada vez menos sobre política, e sobre questões mais triviais sobre filmes, cinema, música, jogos, até que por fim alguém tocou num assunto bastante evitado: O feriado.
O feriado seria Dia dos Namorados, e tal como esse dia costuma ser para os desafortunados, era com certeza um dos mais tristes do ano, havia apenas um ali que tinha conseguido uma namorada.
— É dia dos namorados! Que belo dia seria — Declarou um com uma voz baixa, quase melancólica.
— É seria um belo dia.
Eis que Alan manteve-se silencioso quanto a esse assunto, aquilo não lhe cabia, tinha ele uma máscara de pessoa insensível e gostava de mantê-la em pé, preferia não pensar naquilo pois triste lembrança batia-lhe no coração.
Ficou os seis parados, olhando cada um para si, quando de repente uma lágrima brotou do rosto do mais infeliz de todos, e como num assombro todos olharam atenciosamente para aquele indivíduo, sem acreditar:
— Alan, você está chorando?
— Não, não é nada.
Julgaram alguns que fosse a bebida, mas forte era ele para saber-se que não era pela bebida, ele bebia quantidades por vezes absurdas e nem por isso aquilo ocorria, ele sabia que aquilo não era bebida, era outra coisa...
— É a Bia, eu, eu a amo! Mas ela me odeia, eu desde o primeiro dia em que a vi me interessei por ela, acreditem em mim ou não, mas eu não acredito em amor a primeira vista.
— A Bia, justo a Bia?
— Eu também achei estranho isso, mas de uns tempos para cá venho pensando cada vez nela, um dia eu me peguei pensando nela, pensando em como seria... Aí eu percebi que estava apaixonado. Maldição! Eu não queria! Eu juro que não queria.
Caíram-se mais lágrimas do rosto do jovem rapaz e logo ele entendia porque era assim, porque era daquele jeito. Ele se sentia vazio e tinha repulsa de si, ele era alheio a todos por desinteresse, mas ele próprio era desinteressante, ele era morto por dentro e nada havia ali, e de um jeito estranho tentava exprimir sua frieza com os outros, esse era o seu significado da sua vida, sofrer. Empalideceu-se, fechou-se por inteiro, enxugou as lágrimas e foi ao caixa pagar.
"A Bia, justo a Bia?", essa era a pergunta geral dos que estavam na mesa. Eles estavam assombrados por dois motivos: 1) Alan tinha dado mostras de suas emoções, coisa que nunca fazia e até condenava se fizesse; 2) Ele tinha se apaixonado por uma pessoa que eles não imaginariam.
Alan também tinha se pego nessa questão, embora os outros dissessem que não, achava a Bia bonita, embora vissem os outros com maus olhos a grosseria da menina, ele achava atraente aquele jeito de ser que, afinal de contas, era muito semelhante ao seu. Ele sentia-se feliz estando ao lado dela, começava a entender aos poucos aquelas músicas melosas que tocam nos bares, e tinha na sua vida mais lirismo que o costume.
Com ela, aulas chatas eram divertidas, não havia algo que o deixasse sem humor, estando perto dela, era feliz do seu jeito de ser, mas ainda assim infeliz, infeliz porque tinha a impressão que ela lhe odiava, que ela sentia repulsa dele, e aos poucos se convencia de que era verdade.
É nisso que a vida do personagem se mistura com a do narrador, e toma nota que essa prosa é apenas um afago para o semblante do jovem eu-lírico, retoma palavras garbosas para esconder enfim a verdade da situação, que ele ama e ainda tem um coração.
Eis que eles riam, contavam histórias, discutiam versões, mas mais que isso, eles iam ao bar conversar melhor...
Quando chegam à quadra (eis que nós cosmopolitas da capital chamamos esses agrupamentos de casas dispersos de forma rigorosamente ordenada como por forma de tradição), eles encontram-se com o pequeno barzinho afastado, onde nada tem de atrativo, a não ser a pouco cerveja e a vodka vagabunda.
Era uma pocilga ali, tinha poucos atrativos e com certeza higiene não era um deles, afinal de contas tinha barata no copo e vômito na mesa, briga ali havia com certeza, embora não fosse tão badalado para isso fosse uma regra incondicional.
Era frio ali, não havia aquecimento, a unica coisa que os protegia do vento era um toldo que por vezes se via levado pela corrente de ar... Sentaram-se eles ali, numa duas ou três mesas, onde confortavelmente podia se embriagar.
Correção: Não era confortável ali, as cadeiras eram de plástico barato e o serviço de péssima qualidade:
— O que vão querer? — Questionou o garçom ranzinza com cara de fuinha.
— Cerveja
— Vodka, por favor — Pronunciou-se o rapaz mais silencioso e vazio dos seis.
— Cinco cervejas e uma dose de vodka. Ok
— Vodka? A vodka daqui é horrível e cara —Perguntou-lhe um amigo que havia estranhado aquele pedido, não por ele beber vodka, afinal era sua bebida favorita, mas por pedir vodka ali.
— Sim, vodka, hoje é um dia daqueles.
— Tá bem então.
O rapaz que pedira a vodka era com certeza a figura mais alheia aos outros, ele não se comprazia com as brincadeiras, não ria das anedotas e sequer se interessava com o papo de futebol... Não que fosse tímido, ele com certeza não era, fazia discussões acaloradas sobre História, debatia política com ligeira facilidade, e era fluente em numerosos assuntos, consideravam alguns deles, um "gênio", embora na verdade ele não se visse como tanto.
"Não, mas é que o Fred, isso... Ronaldinho aquilo", a discussão de futebol era acalorada, mas assim pouco interessada, até que um, um dos mais altivos e nem por isso menos acompanhado na discussão disse:
— O Ronaldinho é um mercenário!
O jovem rapaz, vamos tratá-lo com um nome comum, talvez Alan, pois em verdade era o nome dele, entrou pela primeira vez na discussão apenas para ter o prazer de retrucar o amigo e pegá-lo com as calças curtas, era isso que o divertia.
— Mas não fora você mesmo que há tempos atrás o tratava como R10, que R10 faria isso, faria aquilo, iria ganhar o título e tal?
—Isso foi antes.
— Ah, isso foi antes de ele começara a jogar mal. Me diga, conte-me mais como é legal qualificar como mercenário alguém se apenas o interessa quando faz gols?
O amigo ficou encabulado com essa discussão, Alan era perito em levar essas discussões a um nível pessoal e os seus amigos ao mesmo tempo que riam, tinham certa repulsa por seu estilo de discurso. Ele mesmo tinha repulsa de si, mas era feliz assim.
— Aqui estão as cinco cervejas e a sua vodka.
Entregou a cada as suas bebidas, e em seguida recebeu um "obrigado" do jovem Alan, este sabia ser muito cordial com os outros, e essa podemos até cunhar-lhe como qualidade, uma das poucas por sinal.
O atendente anotou os pedidos numa comanda e saiu rapidamente da mesa.
— Enfim, Alan, ficou sabendo do que anda acontecendo com a Grécia? A situação tá preta lá — Puxou a conversa o seu amigo ao perceber que havia perdido a discussão.
— A situação na Grécia é bastante preocupante, bastante difícil, ela é produto da política irresponsável do governo grego que por vários anos pegava empréstimos em somas absurdas e só conseguia pagá-los com dificuldade, afinal de contas a economia grega não tem muitos atrativos por sinal para uma industria nacional e tal... A Grécia é uma economia fraca desde que entrou na União Europeia, e só sobrevive basicamente do turismo, da pesca e da venda de azeite. Não tá fácil pra ela, além disso — Bebeu em um só gole o seu copo de vodka — Os demais países europeus não estão interessados em salvar a Grécia já que têm muito a se preocupara com a sua economia, caso da Alemanha.
— Mas eu pensei, pelo menos fui ensinado que a União Europeia era uma irmandade em que todos se ajudavam e era felizes — Esse era até um discurso demasiado inocente.
— Essa história de irmandade de todos se ajudarem é balela, foi propagado pelo neoliberalismo do início dos 2000 animado com a ideia do Euro, como você vê agora, ninguém quer ajudar a Grécia, ela é um peso morto, um fardo, um câncer para União Europeia, e tanto os alemães como os franceses estão mais preocupados com si do que com eles.
Pensou ele que aquela ideia de multi-diversidade de uma união supranacional era minada rapidamente pela individualidade nacional, ele era bastante a par em discussões teóricas quanto a economia, política, cultura e afins, embora fosse totalmente marxista, não, não totalmente, afinal, ele vinha com um problema teórico com relação à uma atualização de Marx e a questão da ditadura do proletariado, mas não queria ser um novo Bernstein, líder social-democrata da virada do século XIX que achou que tudo devia ser renovado e devia-se partir das eleições, pensador esse bastante criticado por Lenin em 1905, com "O que fazer?".
Percebe-se bem aí, nesse estudo do discurso, a complexidade desse personagem, uma complexidade tão real, quanto a realidade de sua vida, numa segunda discussão a parte ele foi chamado por seu ouvido meio falho para debater:
— Greve de alunos? Que mané greve de alunos, aluno tem mais que estudar! — Declarou um segundo amigo, uma figura meio alheia a assuntos de política, se podemos qualificá-la assim, que tinha um estilo muito próprio de ser, usava ao mesmo tempo um boné virado para trás e um jaquetão de couro escuro de roqueiro.
— Eu concordo, eu acho uma estupidez uma greve de alunos. Nós estamos indo lá para apoiar a dos professores.
— E quanto a greve dos professores?
— Eu acredito que tinham meios melhores de se fazer reivindicações, além do mais eu não enxergo nessa greve, senão outra coisa a não ser em busca de melhores salários. É direito deles entrar em greve, mas quando comparamos o salário de um professor universitário de um professor de ensino fundamental vemos um profundo abismo salarial. Se procura-se uma melhoria na educação, pois não seria melhor trabalhar a partir da base? Da educação primária — Pronunciou-se mais uma vez Alan.
— Tem razão, mas essa greve não vai dar em nada — declarou meio que convencido o seu interlocutor.
— Verdade seja dita, havia meios melhores para se fazer isso, desde passeatas na Esplanada (dos Ministérios), piquetes, panelaços em frente ao Palácio. Esse tipo de pressão é que dá realmente certo, devíamos copiar o Chile nesse aspecto.
—Então você sugere algo igual ao Henrique (um professor) falou na aula: Sair com paus e pedras em direção à Esplanada e dar o golpe na Dilma e instaurar uma Ditadura Comunista na América do Sul? — Entrou na conversa um terceiro amigo, que convenhamos tinha um discurso um tanto direitista.
— Não, não era bem isso, mas confesso que não me sentiria mal se isso viesse a acontecer;
— Alan, você é um visionário! Isso nunca ia dar certo!
— Deu certo uma vez, pode dar certo de novo.
Mas ele próprio não desejava uma ditadura, a palavra Ditadura lhe impregnava como um fardo nefasto nos ossos, ele não queria isso, ele desejava uma Democracia Socialista, que ele realmente ele acreditava ser diferente de social-democracia, onde o indivíduo era valorizado, tinha garantidas as suas liberdades, mas tinha garantida a sua justiça. Ele não queria uma União Soviética, a não ser talvez no período entre o fim da Guerra Civil até o fim do mandato de Lênin, onde havia ali com certeza uma liberdade nunca antes vista. Admirava ele Lênin, mas ele não queria repetir os erros da Revolução, queria algo mais livre que a Iugoslávia, e debatia-se ele os dias, como se fosse um líder um governante, um meio em que se houvesse liberdade, justiça, igualdade social, fim da corrupção, dos grandes monopólios, algo que resolvesse os problemas agrários de sua nação, até as grandes questões de âmbito mundial. Sim, ele era um visionário, mas um visionário que tinha agora crises de consciência.
A discussão prosseguiu-se de maneira cada vez mais irredutível, regada a bebida, mais e mais tornava-se acalorada, até que num dado momento os dois concordaram que aquilo não ia dar em nada.
Eis que discutiram-se cada vez menos sobre política, e sobre questões mais triviais sobre filmes, cinema, música, jogos, até que por fim alguém tocou num assunto bastante evitado: O feriado.
O feriado seria Dia dos Namorados, e tal como esse dia costuma ser para os desafortunados, era com certeza um dos mais tristes do ano, havia apenas um ali que tinha conseguido uma namorada.
— É dia dos namorados! Que belo dia seria — Declarou um com uma voz baixa, quase melancólica.
— É seria um belo dia.
Eis que Alan manteve-se silencioso quanto a esse assunto, aquilo não lhe cabia, tinha ele uma máscara de pessoa insensível e gostava de mantê-la em pé, preferia não pensar naquilo pois triste lembrança batia-lhe no coração.
Ficou os seis parados, olhando cada um para si, quando de repente uma lágrima brotou do rosto do mais infeliz de todos, e como num assombro todos olharam atenciosamente para aquele indivíduo, sem acreditar:
— Alan, você está chorando?
— Não, não é nada.
Julgaram alguns que fosse a bebida, mas forte era ele para saber-se que não era pela bebida, ele bebia quantidades por vezes absurdas e nem por isso aquilo ocorria, ele sabia que aquilo não era bebida, era outra coisa...
— É a Bia, eu, eu a amo! Mas ela me odeia, eu desde o primeiro dia em que a vi me interessei por ela, acreditem em mim ou não, mas eu não acredito em amor a primeira vista.
— A Bia, justo a Bia?
— Eu também achei estranho isso, mas de uns tempos para cá venho pensando cada vez nela, um dia eu me peguei pensando nela, pensando em como seria... Aí eu percebi que estava apaixonado. Maldição! Eu não queria! Eu juro que não queria.
Caíram-se mais lágrimas do rosto do jovem rapaz e logo ele entendia porque era assim, porque era daquele jeito. Ele se sentia vazio e tinha repulsa de si, ele era alheio a todos por desinteresse, mas ele próprio era desinteressante, ele era morto por dentro e nada havia ali, e de um jeito estranho tentava exprimir sua frieza com os outros, esse era o seu significado da sua vida, sofrer. Empalideceu-se, fechou-se por inteiro, enxugou as lágrimas e foi ao caixa pagar.
"A Bia, justo a Bia?", essa era a pergunta geral dos que estavam na mesa. Eles estavam assombrados por dois motivos: 1) Alan tinha dado mostras de suas emoções, coisa que nunca fazia e até condenava se fizesse; 2) Ele tinha se apaixonado por uma pessoa que eles não imaginariam.
Alan também tinha se pego nessa questão, embora os outros dissessem que não, achava a Bia bonita, embora vissem os outros com maus olhos a grosseria da menina, ele achava atraente aquele jeito de ser que, afinal de contas, era muito semelhante ao seu. Ele sentia-se feliz estando ao lado dela, começava a entender aos poucos aquelas músicas melosas que tocam nos bares, e tinha na sua vida mais lirismo que o costume.
Com ela, aulas chatas eram divertidas, não havia algo que o deixasse sem humor, estando perto dela, era feliz do seu jeito de ser, mas ainda assim infeliz, infeliz porque tinha a impressão que ela lhe odiava, que ela sentia repulsa dele, e aos poucos se convencia de que era verdade.
É nisso que a vida do personagem se mistura com a do narrador, e toma nota que essa prosa é apenas um afago para o semblante do jovem eu-lírico, retoma palavras garbosas para esconder enfim a verdade da situação, que ele ama e ainda tem um coração.
Um dia como outro qualquer
Era tarde, uma daquelas tristes tardes em que as pessoas não tem nada para fazer, mesmo assim apressam o passo para chegar mais cedo em casa...
Não havia ônibus ou sequer carros na rua, o dia parecia ser sombrio, pois até agora o sol não irrompera as grossas nuvens do céu, ventava e ventava muito, parecia que ia chover.
Não há dia mais triste do que aquele em que nós andamos sem ter nada para fazer, e eis era um dia daqueles... Caminhando só pelo viaduto, o rapaz, de casaco e um olhar triste nos olhos, sentia solidão ao passar por ali, embora não se visse só por ali.
Havia um ou dois mendigos brigando por um punhado de pinga, ou algo parecido, vendedores sem força ou disposição na voz, sequer anunciavam seus produtos estendidos naquele sujo e acinzentado chão de concreto.
Foi ele abordado por um ambulante qualquer, que ao ter visto as suas roupas, uma camiseta de botão azul marinho e um sobretudo pardo, achou que tivesse ele posses... Ofereceu-lhe um celular, provavelmente roubado:
— Sabe quanto? — Abordou-lhe o vendedor;
— Não e nem quero saber quanto — Disse ele com uma grosseria não costumeira.
Na verdade, ele se ofendera com a postura daquele homem que lhe abordou daquele jeito, segurando-o pelo braço unicamente para lhe fazer mostrar um celular, de último tipo é claro, com certeza roubado... Todos lhe queriam tirar dinheiro naquele dia.
Ele não era feliz, nem de sombra talvez um dia o fora... Era triste, vazio de coração, sabia tudo sobre muito, mas nada sobre o mais que tudo: o amor.
Ele amava, sim, ele amava, tinha no seu coração paixões obscuras, mas quando tentava expressá-las, sua língua travava... Ele amava a uma moça, não era de certo a mais bela de todas as moças, nem das mais amáveis, mas ele a amava desse jeito.
Queria ele ter um dia a sós com ela para dizer tudo o que pensava, queria ele contar tudo em nela que reparava, queria falar o porquê de seu coração palpitava, mas nunca tinha tempo, nunca tinha tempo a sós com ela, de fato, ele até julgava que ela o odiava.
É complicado esse sentimento em que um se dedica ao bem de uma pessoa e a outra dedica-se a humilhá-lo, ao insultá-lo.
Queria ele declarar o que sentia, beijá-la ele queria, mas enquanto descia as escadarias, pegar um onibus como iria, pensou ele como se entristecia ao pensar no que ela diria, com certeza ela não amava, com certeza não se apaixonava, e percebeu ele o quão triste era situação.
Deixou o ônibus passar, pôs-se lentamente a caminhar... A chuva agora caia, o vento batia nos ossos, mas ele sequer se importava em ficar ensopado dos pés à cabeça, pois a chuva lhe revelava um sentimento que era tanto conhecido: tristeza.
Queria chorar ele com certeza, mas não conseguia lágrima qualquer sem a força da bebida, e enquanto caminhava, ele via quão vazia era sua vida... Pensara ele em se matar, mas quão franqueza seria fazer algo assim. Pensou em ir ao bar, mas era cedo demais para se embriagar... Apenas foi caminhar.
A tarde prosseguia triste e à medida em que prosseguia, menos feliz ela ficava.... Numa certa altura, quando seu chapéu a tanto se encharcara, ele sentou-se num banco, ao relento, olhando para rua, onde um carro solitário passava, queria ele chorar...
Chorou, como chorou, sentiu-se feliz por uma lágrima cair sobre sua face, e como um sussurro da noite disse fracamente:
— Bia, por quê você não me ama?
Sabia ele o motivo, ele era frio, difícil, intratável e bastante destrutível... Olhou para si, e se achou imundo, sujo, deformado, não era mais feliz assim, e quanto mais a tarde prosseguia, mas a chuva caía e assim a tristeza o consumia.
Tomou-se uma hora de uma força estranha naquele momento, pôs-se de pé e voltou a caminhar, alheio a tudo e a todos, ele era desligado do mundo e o mundo a ele, sempre fora assim, sempre será, isolou-se naquele momento na sua cápsula egocêntrica que há tanto o protegia das dores da vida e voltou a caminhar sem mais nenhuma lágrima no rosto.
Enquanto dormia, caía-lhe uma lágrima na noite fria, e tão triste era o sonho que verdade se fazia, amor não é uma bela esperança, amor é uma triste constança.
Não havia ônibus ou sequer carros na rua, o dia parecia ser sombrio, pois até agora o sol não irrompera as grossas nuvens do céu, ventava e ventava muito, parecia que ia chover.
Não há dia mais triste do que aquele em que nós andamos sem ter nada para fazer, e eis era um dia daqueles... Caminhando só pelo viaduto, o rapaz, de casaco e um olhar triste nos olhos, sentia solidão ao passar por ali, embora não se visse só por ali.
Havia um ou dois mendigos brigando por um punhado de pinga, ou algo parecido, vendedores sem força ou disposição na voz, sequer anunciavam seus produtos estendidos naquele sujo e acinzentado chão de concreto.
Foi ele abordado por um ambulante qualquer, que ao ter visto as suas roupas, uma camiseta de botão azul marinho e um sobretudo pardo, achou que tivesse ele posses... Ofereceu-lhe um celular, provavelmente roubado:
— Sabe quanto? — Abordou-lhe o vendedor;
— Não e nem quero saber quanto — Disse ele com uma grosseria não costumeira.
Na verdade, ele se ofendera com a postura daquele homem que lhe abordou daquele jeito, segurando-o pelo braço unicamente para lhe fazer mostrar um celular, de último tipo é claro, com certeza roubado... Todos lhe queriam tirar dinheiro naquele dia.
Ele não era feliz, nem de sombra talvez um dia o fora... Era triste, vazio de coração, sabia tudo sobre muito, mas nada sobre o mais que tudo: o amor.
Ele amava, sim, ele amava, tinha no seu coração paixões obscuras, mas quando tentava expressá-las, sua língua travava... Ele amava a uma moça, não era de certo a mais bela de todas as moças, nem das mais amáveis, mas ele a amava desse jeito.
Queria ele ter um dia a sós com ela para dizer tudo o que pensava, queria ele contar tudo em nela que reparava, queria falar o porquê de seu coração palpitava, mas nunca tinha tempo, nunca tinha tempo a sós com ela, de fato, ele até julgava que ela o odiava.
É complicado esse sentimento em que um se dedica ao bem de uma pessoa e a outra dedica-se a humilhá-lo, ao insultá-lo.
Queria ele declarar o que sentia, beijá-la ele queria, mas enquanto descia as escadarias, pegar um onibus como iria, pensou ele como se entristecia ao pensar no que ela diria, com certeza ela não amava, com certeza não se apaixonava, e percebeu ele o quão triste era situação.
Deixou o ônibus passar, pôs-se lentamente a caminhar... A chuva agora caia, o vento batia nos ossos, mas ele sequer se importava em ficar ensopado dos pés à cabeça, pois a chuva lhe revelava um sentimento que era tanto conhecido: tristeza.
Queria chorar ele com certeza, mas não conseguia lágrima qualquer sem a força da bebida, e enquanto caminhava, ele via quão vazia era sua vida... Pensara ele em se matar, mas quão franqueza seria fazer algo assim. Pensou em ir ao bar, mas era cedo demais para se embriagar... Apenas foi caminhar.
A tarde prosseguia triste e à medida em que prosseguia, menos feliz ela ficava.... Numa certa altura, quando seu chapéu a tanto se encharcara, ele sentou-se num banco, ao relento, olhando para rua, onde um carro solitário passava, queria ele chorar...
Chorou, como chorou, sentiu-se feliz por uma lágrima cair sobre sua face, e como um sussurro da noite disse fracamente:
— Bia, por quê você não me ama?
Sabia ele o motivo, ele era frio, difícil, intratável e bastante destrutível... Olhou para si, e se achou imundo, sujo, deformado, não era mais feliz assim, e quanto mais a tarde prosseguia, mas a chuva caía e assim a tristeza o consumia.
Tomou-se uma hora de uma força estranha naquele momento, pôs-se de pé e voltou a caminhar, alheio a tudo e a todos, ele era desligado do mundo e o mundo a ele, sempre fora assim, sempre será, isolou-se naquele momento na sua cápsula egocêntrica que há tanto o protegia das dores da vida e voltou a caminhar sem mais nenhuma lágrima no rosto.
Enquanto dormia, caía-lhe uma lágrima na noite fria, e tão triste era o sonho que verdade se fazia, amor não é uma bela esperança, amor é uma triste constança.
sábado, 2 de junho de 2012
Sobre as mudanças estilísticas
Por muito tempo o plano de fundo dessa página virtual perdurou, de tal maneira que eu decidi mudar, retirando assim o fundo da Catedral de São Basílio e colocando essa imagem da margem norte do Lago Baikal.
Depois da homenagem póstuma aos soldados soviéticos mortos na Grande Guerra Patriótica, ao deixar por um bom tempo a gravura de um soldado radiante com os louros da vitória, decidi de sobremaneira agora inserir na barra lateral pinturas soviéticas com ou sem cunho ideológico, assim a cada semana haverá uma gravura nova da barra lateral.
Também me dei ao trabalho de alterar a música que fica logo acima ao histórico, mas essa mudança é tão secundária que nem sequer deve ser destacada.
Essa postagem é só para deixá-los a par das mudanças quanto à forma do blog.
Depois da homenagem póstuma aos soldados soviéticos mortos na Grande Guerra Patriótica, ao deixar por um bom tempo a gravura de um soldado radiante com os louros da vitória, decidi de sobremaneira agora inserir na barra lateral pinturas soviéticas com ou sem cunho ideológico, assim a cada semana haverá uma gravura nova da barra lateral.
Também me dei ao trabalho de alterar a música que fica logo acima ao histórico, mas essa mudança é tão secundária que nem sequer deve ser destacada.
Essa postagem é só para deixá-los a par das mudanças quanto à forma do blog.
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Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"
A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...
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