sábado, 22 de outubro de 2011

Moscou, feira para magnatas

Quem imaginaria há vinte anos atrás, quando ainda era a União Soviética; Quando o Gorbachov (o da manchinha na testa) ainda mandava nas coisas lá nas muralhas do Kremlin... Quem imaginaria?

Mas hoje aconteceu... Uma feira de produtos para bilionários em Moscou.

Isso parece absurdo, mas é verdade... Durante esses vinte anos, o número de magnatas que surgiram na Rússia sequer pode ser comparado com o número de magnatas de tecnologia nesses vinte anos...

Sabemos nós que muitos estiveram envolvidos em licitações fraulentas durante a Era Yeltsin, quando tudo era vendido baratinho, como uma petrolifera que saía por quinhentos mil doláres... Parece que todos no Kremlin nessa época tinha tomada um porre de vodka homérico na derrocada da URSS e agora estavam fazendo de tudo para fazer merda no início da nova Rússia.

Outros, sabemos também, são ligados à Mafia, que eu nem chego a comentar, por medo deles virem para cá  só para fazerem barbaridades inimagináveis...

É, Lênin deve estar se remoendo no seu esquife no Mausoléu...


Vou querer dois, vocês fazem ele por 1500 prestações e o meu rim? As mulheres estão inclusas?

"São Paulo confirma primeira morte por gripe suína em 2011

(Retirado do UOL)

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou hoje (21) a primeira morte por influenza A (H1N1) - gripe suína -  este ano no Estado. A vítima, uma mulher de 42 anos, da região de Bauru (326 quilômetros da capital), morreu no último dia 9. A secretaria informou também que, só este ano, foram registrados mais três casos da gripe. O estado de saúde desses pacientes, porém, não foi informado.
Já o Ministério da Saúde informou que, até hoje (21), 133 casos graves da doença foram notificados em todo o país. Desses, 15 resultaram na morte dos pacientes, 12 só no Rio Grande do Sul, o Estado com maior número de mortes no país."

Droga! Essa coisa voltou! Daqui a pouco só vai faltar cair um meteoro na Terra no dia 21/12 de 2012 (Cala a boca, blogueiro!)

O exagero do American Way of Life

Nos Estados Unidos, um estabelecimento no Estado do Michigan, demonstrou o cúmulo do absurdo nessa semana.

Depois de quase 22 horas de trabalho a fio, uma lanchonete preparou um cheeseburger gigante de 90 centímetros, que pasmem: Possui 540 000 calorias e ainda vem com batatas fritas e refri...

Mallie's Sports Grill/Mike Matkin/AP

É um pack de infarte, colesterol alto, pressão alta, gota, diabetes, etc, etc.


O pior não é nem isso; Eu fiz as contas e 540 000 calorias dariam para alimentar decentemente 246 crianças na África.

540 000 calorias é o que um adulto comum consome em oitenta e dois dias...


Acho que não é a toa que os EUA possuem uma das maiores taxas de obesidade, infarte, colesterol alto, diabetes do Mundo...

Daqui a pouco a quantia que se gastou para o Afeganistão, os 3 trilhões e meio de doláres terão que ir para a saúde para tratar a população.

Eu fico me perguntando o que eles farão com esse sanduíche?

Vão levar de avião para a Somália para alimentar as criancinhas que estão passando fome há mais de dois anos?

Vão levar essa coisa rolando pelos EUA adentro pra depois levar através do Oceano para promover a paz mundial?

E só sei de uma coisa, quem for o highlander que comer tudo isso sozinho, já deve colocar o 911 (no caso Brasil, 192) em alerta, porque vai precisar de um cirurgião cardiologista na hora!

Mais outra na República das Bananas

"Médicos condenados por tráfico de órgãos poderão continuar a atuar na área, diz Cremesp                

( Retirado do site do UOL) 


O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo Junior, disse hoje que os médicos Pedro Henrique Torrecillas, Rui Noronha Sacramento e Mariano Fiore Júnior, condenados a 17 anos e seis meses de prisão ontem pela Justiça de Taubaté no caso Kalume, poderão continuar exercendo a medicina sem nenhum prejuízo ou punição profissional.

"São critérios e instâncias diferentes: uma é penal e a outra ético-profissional. Em 1993, eles foram inocentados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e, portanto, estão aptos ao exercício da medicina", afirmou Azevedo. Ele negou haver qualquer tipo de corporativismo e citou o fato de, somente em 2010, um total de 23 diplomas terem sido cassados por infrações graves. "Que outra categoria pune seus pares nessa proporção?", indagou.

Em 1988, quando foram denunciados ao Cremesp pelo médico Roosevelt Sá Kalume --daí o nome caso Kalume-- os médicos acusados foram julgados e considerados culpados pelos conselheiros. Eles foram punidos com uma censura pública, mas apelaram para o Conselho Federal, que os absolveu, revogando a decisão do conselho regional. "Já transitou em julgado, resultando na inocência dos acusados", disse Azevedo.

O advogado João Romeu Corrêa Goffi, um dos responsáveis pela defesa dos réus, disse que na próxima segunda-feira (24) deverá dar entrada no fórum criminal de Taubaté da apelação para a anulação do júri. Entre os motivos alegados estão o não atendido ao pedido da defesa para a acareação entre a enfermeira Rita Pereira e o médico Fernando Ferreira. Segundo a enfermeira, o médico teria presenciado a morte do paciente José Faria Carneiro, em 22 de dezembro de 1987, com um golpe de bisturi desferido pelo médico Pedro Henrique Torrecillas."


É cada uma, o médico, no meio da cirurgia rouba o seu pâncreas e  não é preso, sequer têm o registro de Medicina cassado... Daqui a pouco, bandido vai poder aposentar na Previdência e traficante de drogas vai passar a "negociante" e pagar imposto para a Receita Federal. Only in  Brazil.

Agora entendo o porquê do Presidente Charles De Gaulle, da França, proferir a seguinte frase sobre o Brasil:

"O Brasil é um país que não deve ser levado a sério"

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A face do comediante


Charlie Chaplie talvez tenha sido o comediante mais influente do século XX; Seu trabalho no Cinema o tornou um Imortal, tanto que quem não sabe quem foi Chaplin, não sabe o que é Cinema.
O que a maioria das pessoas deviam saber é que Chaplin também era politicamente engajado; Embora digam os macartistas, que hoje voltam na face dos republicanos fundamentalistas cristãos, que Chaplin era comunista, ele nunca foi comunista...

Embora ele tivesse alguma simpatia pelo esforço soviético na Segunda Guerra Mundial, ele não era o único a se solidarizar com os soviéticos naquela época, contudo ele ficou marcado por ter um posicionamento próximo ao socialismo no filme Tempos Modernos (Chaplin, de novo, não era comunista!).






Uma coisa que não podemos negar é que Chaplin tinha um posicionamento pacifista... Ele pode ter incentivado a entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial, mas em si, com o passar do tempo, ele acabou odiando a guerra e se tornando pacifista (Chaplin visitou até Gandhi na Índia!).

Segue a seguir um dos discursos mais conhecidos de Chaplin que contêm teor pacifista:


"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina!
Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos."

Um gênio que fez sucesso sem precisar proferir palavras. Charlie Chaplin.

A vida de Sun Tzu


                "Sun Tzu, súdito do rei de Wu, foi o homem mais versado que jamais existiu na arte militar. A obra que escreveu e os notáveis feitos que praticou são uma prova de sua profunda capacidade e de sua experiência bélica. Antes mesmo de ter conquistado a grande reputação que o distinguiu em todas as províncias que hoje integram o Império, seu mérito era conhecido em todos os lugares adjacentes à sua pátria.
                O rei de Wu tinha algumas contendas com  o rei de Tchu. Eles estavam prestes a se engalfinharem numa guerra aberta e, de ambas as partes, corriam os preparativos. Sun Tzu não quis ficar de braços cruzados. Persuadido de que o personagem de espectador não fora talhado a si, apresentou-se ao rei de Wu, solicitando ingresso em suas hostes. O rei, feliz por um homem de tal mérito tomar seu partido, acolheu-o de bom grado. Quis vê-lo e interrogá-lo pessoalmente.
                — Sun Tzu — disse-lhe o rei —, li a obra que escreveste sobre a arte militar, e fiquei muito contente; mas os preceitos que sugeres me parecem de difícil execução. Alguns deles me parecem absolutamente impraticáveis. Será que tu mesmo poderia executá-los? Há um abismo entre a teoria e a prática. Imaginamos os mais belos estratagemas quando estamos tranquilos em nosso gabinete e só fazemos a guerra na imaginação. Geralmente, o que presumíamos fácil revela-se tarefa impossível.
                — Príncipe — respondeu Sun Tzu — ,nada disse em meus escritos que já não tivesse praticado nos exércitos, mas o que ainda não disse e que estou em condições de fazer qualquer um colocar em prática minhas ideias, bem como posso treinar qualquer indivíduo para os exercícios militares, se for autorizado a tanto.
                — Compreendo — replicou o rei — Queres dizer que instruirás facilmente, com tuas máximas, homens inteligentes, de índole prudente e corajosa; que formarás, sem muita dificuldade, para os exercícios militares homens afeitos ao trabalho, dóceis e cheios de boa vontade. Mas a maioria não é desse naipe.
                — Não importa — Continuou Sun Tzu— Disse “qualquer um”, e não excluo ninguém de minha proposição. Incluo até os mais sediciosos, os mais covardes e os mais fracos.
                — Ouvindo-o falar — retomou o rei —, parece que incutirias até nas mulheres sentimentos que plasmam os guerreiros, que as treinarias para os exercícios das armas.
                —Sim, Príncipe — replicou Sun Tzu, com tom firme — Rogo que Vossa Majestade acredite nisso.
                O rei, entediado pelos divertimentos ordinários da Corte, aproveitou a ocasião para obter um regalo diferente.
                — Tragam-me aqui — disse — minhas cento e oitenta mulheres.
                Ele foi obedecido, e as princesas apareceram. Entre elas, havia duas que o príncipe amava com devoção. Elas foram colocadas à frente das outras.
                — Veremos — disse o rei, sorrindo —, veremos, Sun Tzu, se manténs a tua palavra. Nomeio-te general dessas novas tropas. Só terás que escolher o lugar mais apropriado no palácio para exercitá-las às armas. Quando elas estiverem suficientemente treinadas, me avisarás e eu virei fazer justiça à tua habilidade e a teu talento.
                O general, sentindo todo o ridículo do papel que lhe impingiam, não se desconcertou, mostrando-se, ao contrário, muito satisfeito da honra que o rei lhe fazia, não somente permitindo que visse suas mulheres, mas ainda colocando-as sob seu comando.
                — Executarei a tarefa a contento, Majestade — replicou ele, com segurança — Espero que, em breve, Vossa Majestade tenha ocasião de rejubilar-se com os meus serviços, convencendo-se de que Sun Tzu não é homem de se vangloriar.
                O rei retirou-se para seus aposentos, e o guerreiro não pensou em mais nada senão executar a sua tarefa. Solicitou armas e todo o equipamento militar para seus soldados. Depois de tudo pronto, conduziu suas tropas a uma das alas do palácio  que lhe pareceu mais adequada a seus propósitos.
                — Vocês estão sob meu comando e sob minhas ordens. Devem me escutar atentamente e me obedecer em tudo o que ordenar. Essa é a regra militar fundamental. Evitem infringi-la. A partir de amanhã, farão o exercício diante do rei, e deverão estar prontas.
                Depois dessas palavras, cingiu-as com o boldrié e lhes colocou uma alabarda na mão. Dividiu-as em dois grupos, colocando na frente as favoritas. Depois desse arranjo, começou as instruções nestes termos:
                — Sabem distinguir a frente das costas e a mão direita da mão esquerda? Respondam!
                Só recebeu como resposta algumas gargalhadas. Mas como permanecesse silencioso e sério, as concubinas responderam em uníssono:
                — Sim, sem dúvida.
                — Quando eu der a ordem .Em frente, marche. Virem-se para a direção do coração; quando eu falar .Esquerda, volver., voltem-se na direção da mão esquerda.; quando eu disser .Direita, volver., para a direção da mão direita; e quando eu ordenar . Meia volta, volver, marchem na direção de suas costas. Compreenderam?
— Compreendemos . responderam elas, que, em seguida, receberam as armas.
Para certificar-se de que nenhuma dúvida pairavano ar, Sun Tzu, zeloso, deu a mesma ordem acima por mais três vezes e as explicou, pormenorizadamente, em cinco oportunidades.
Chegou, depois disso, o grande momento. O general bateu no tambor o sinal de Direita, volver.. O pequeno exército, em vez de cumprir a ordem, caiu na gargalhada.
Sem perder sua postura firme e serena, Sun Tzu retomou a palavra:
— Se as regras não são claras e as ordens não são completamente explicadas, a falha é do general. Assumo isso e repetirei as ordens mais três vezes, além de explicá-las mais cinco.
E assim aconteceu. Pacientemente, o estrategista instruiu a tropa, certificando-se, ao final, de que nenhum mal-entendido pairava no ar.
Estando tudo pronto, ele efetuou a batida no tambor e o sinal de volver à esquerda. Mas as mulheres, novamente, desandaram a rir sem medida.
Diante desse quadro hilário, Sun Tzu, com o semblante sério, porém equilibrado, afirmou:
— Se as instruções e os comandos não são claros, a falha é do general. Mas quando são claros e não são executados conforme a disciplina em vigor, temos aí um crime por parte das lideranças.
Surpreendendo a todos, Sun Tzu ordenou que as duas líderes das tropas fossem decapitadas.
O rei de Wu foi imediatamente avisado do ocorrido por um de seus emissários que assistiam à ordem unida, e não se conteve com a notícia de que suas duas concubinas preferidas estavam prestes a serem executadas.
Desesperadamente, enviou de volta o representante, com a seguinte mensagem: “É meu desejo que essas duas mulheres não sejam mortas.”
Sun Tzu não cumpriu a contra-ordem, argumentando que  não considerava sensato, da parte do rei, mudar de idéia quanto ao fato de ter-lhe dado plenos poderes sobre aquela legião feminina.
— Seu servo já recebeu a nomeação real e, quando o general está à frente do exército, não precisa acatar todas as ordens do soberano — asseverou.
Assim, determinou que as duas mulheres fossem penalizadas com a morte, para que o fato servisse de exemplo às demais. Logo após, indicou outras duas concubinas, na ordem de excelência, para liderar as companhias.
Feito isto, repetiu os sinais no tambor e as mulheres volveram à direita, à esquerda, à frente e fizeram meia-volta, deram joelhadas e se agarraram de acordo com o que estava determinado. Nenhuma delas esmoreceu ou ousou emitir o mais leve rumor de deboche.
Sun Tzu mandou, em seguida, um mensageiro ao rei, para informá-lo de que as tropas já se encontravam em boa ordem e que o próprio rei poderia vir revisá-las e inspecioná-las pessoalmente.
— Estes  soldados  podem  ser  empregados  de acordo com qualquer dos desígnios reais. Têm condição de caminhar até mesmo pelo fogo e pela água.
— O General pode ir para sua hospedaria e descansar. Eu não desejo inspecionar a tropa e quero que o senhor Sun Tzu retire-se deste palácio — sentenciou, um tanto decepcionado, o rei de Wu.
 Impressiona-me saber que o rei gosta de palavras vazias. Não é capaz de juntá-las aos atos, pondo-a sem prática — retrucou Sun Tzu.
Depois de refletir por um tempo, Ho-lü percebeu que, de fato, Sun Tzu era um homem capacitado e, no momento oportuno,  fez dele o general do Exército Real.
Poucos meses depois, as tropas do Estado de Wu destruíram as hostes do forte Estado de Tchu, a oeste e, posteriormente, invadiram Ying. Ao norte, intimidaram Chi e Chin. Devido a estas realizações, o nome de Sun Tzu  tornou-se  ilustre. Os  demais Estados vizinhos, que antes incomodavam Wu, passaram a solicitar proteção a Ho-lü e oferecer-se como aliados, graças aos grandes feitos bélicos do seu Estado."

Esse é o texto do comentarista Se-Man Ts'ien dando uma parábola da vida de Sun Tzu; para mais saber o caráter de Sun Tzu, leia a Arte da Guerra.

A verdade de Socrátes

       Socrátes, sem dúvida, foi um dos maiores oradores e filósofos da dita "Antiguidade Clássica", sua obra se perdeu atráves dos tempos, e sua memória é apenas lembrada pelas citações de Platão e Xelofonte em seus trabalhos;  Esses dois tiveram um papel similar ao de um historiador, no qual a História serviria para lembrar os feitos dos homens, assim esses dois são as duas únicas fontes existentes até agora de Sócrates.
       Socrátes teria nascido por volta do ano de 470 a.C, num universo turbulento da história ateniense, contudo, ele vivenciou toda a opulência da era de Ouro do governo de Péricles e a guerra do Peloponeso; Nisso, Socrátes ficou conhecido por lecionar em praça pública, a agóra, tudo que podia-se ensinar: filosófia, história (não bem História como hoje, mas mesmo assim algo para lembrar o passado), matemática, política, oratória, retórica; tudo isso de graça...

        A questão é que enquanto ele ensinava para todo mundo naquela ágora  de graça, existiam os sofistas, que era os instrutores que recebiam para lecionar, e que costumeiramente ensinavam para os filhos dos cidadãos mais ricos; eles se sentiram tão incomodados com a concorrência de Socrátes e com os ataques feitos pelo último, que suplicaram para que Socrátes começasse a ser perseguido, foi isso que aconteceu.


       O desfecho de Socrátes é bem conhecido, o que muitos ignoram é o andamento dos processos em que Socrátes é submetido, em todo caso, segue a seguir um trecho do que Socrátes começa a discursar nos julgamentos. Trecho do Preâmbulo da Apologia de Socrátes, de Platão:


Desconheço, atenienses, que tal influência tiveram meus acusadores em vosso espírito; a mim próprio, quase me fizeram esquecer quem sou, tal o poder de persuasão de sua eloqüência. De verdades, porém não disseram alguma. Uma, sobretudo, me espantou das muitas perfídias que proferiram: a recomendação de precaução para não vos deixardes seduzir pelo orador formidável que sou. Com efeito, não corarem de me haver eu de desmentir prontamente com os fatos, ao mostrar-me um orador nada formidável, eis o que me pareceu a maior de suas insolências, salvo se essa gente chama de formidável a quem diz a verdade; se é o que entendem, eu admitiria que, em contraste com eles, sou um orador. Seja como for, repito-o, de verdades eles não disseram alguma; de mim, porém, vós ouvireis a verdade inteira. Mas não, por Zeus, atenienses, não ouvireis discursos como os deles, aprimorados em substantivos e verbos, em estilo florido; serão expressões espontâneas, nos termos que me ocorrerem, porque deposito confiança na justiça do que digo; nem espere outra coisa qualquer um de vós. Verdadeiramente, senhores, não ficaria bem, a um velho como eu, vir diante de  vós modelar seus discursos como um rapazinho. Faço-vos, contudo, um pedido, atenienses, uma súplica premente; se ouvirdes, na minha defesa, a mesma linguagem que habitualmente emprego na praça, junto das bancas, onde tantos dentre vós me haveis escutado, e em outros lugares, não a estranheis nem vos revolteis por isso. Acontece que venho ao tribunal pela primeira vez aos setenta anos de idade; sinto-me, assim, completamente estrangeiro à linguagem local. Se eu fosse de fato um estrangeiro, sem dúvida me desculparíeis o sotaque e o linguajar de minha criação; peço-vos nessa oportunidade a mesma tolerância, que é de justiça a meu ver, para a minha linguagem, que poderia ser talvez pior, talvez melhor, e que examineis com atenção se o que digo é justo ou não. Nisso reside o mérito de um juiz; o de um orador, em dizer a verdade.

Mas o que seria o conceito de verdade para Socrátes? Eu não sei e dúvido que alguém saiba, em todo caso, um pouco mais a frente farei uma discussão sobre esse enigma que ronda o pensamento humano: "O que é Verdade?"

Numa Sessão de Hipnotismo (Conto de Tchekhov)

                “O grande salão iluminado fervilhava de gente. Lá dentro reinava o hipnotizador. Apesar de seu físico insignificante e de sua aparência pouco séria, ele brilhava, resplandecia, emitia luz. Todos sorriam para ele, aplaudiam, acatavam suas ordens... Muitos empalideciam na sua presença.
                Ele realizava verdadeiros prodígios. Fez  um senhor dormir, pôs outro em estado de rigidez; colocou um terceiro com a nuca uma cadeira e os calcanhares em outra... Fez um jornalista alto e magro enrolar-se em espiral. Em resumo, aprontou o diabo.
                Sua influência era particularmente forte nas damas. A um simples olhar seu, elas caíam como moscas. Ah, os nervos femininos! Se não fossem eles, a vida nesse mundo seria tão aborrecida!
                Depois de experimentar sua arte diabólica com os demais, o hipnotizador se aproximou também de mim.
                — Parece que o senhor tem uma personalidade muito maleável — disse ele — o senhor é tão nervoso, expressivo. Não gostaria de entrar   em sono hipnótico?
                “Por que não? Fique a vontade, meu caro tente”, pensei. Sentei-me uma cadeira no centro do salão. O hipnotizador sentou-se numa cadeira vis-a-vis, segurou as minhas mãos, e seus terríveis olhos de serpente cravaram-se em meus pobres olhos.
                O público nos rodeou.
                — Pss... Senhores! Pss... Silêncio!
                Fez-se silêncio... Ficamos ali sentados, olhando para as pupilas um do outro... Um minuto se passou, dois minutos... Senti arrepios na espinha, meu coração começou a bater forte, mas não tinha vontade de dormir...
                Continuávamos sentados... Passaram-se cinco, sete minutos...
                — Ele não se entrega! — disse alguém — Bravo! Esse homem é formidável!
                Ainda estávamos sentados, nos encarando... Eu não tinha sono e nem ao menos vontade de cochilar... Se fosse a leitura de uma ata na câmara ou no conselho, eu há muito estaria dormindo... O público começa a sussurrar e a começa a dar risadinhas... O hipnotizador está ficando confuso e começa a dar piscadas... Coitado! Quem é que gosta de um fiasco? Espíritos, salvem-no, enviem Morfeu às minhas pálpebras!
                — Ele não se entrega! — Diz a mesma voz — Já chega, desista! Eu já disse que tudo isso eram truques!
                Mas então, no momento em que eu, atendendo à voz do conhecido, fiz menção de me levantar, senti na palma de minha mão um objeto estranho... Pelo tato, percebi que era um papelzinho. Meu pai era médico, e só os médicos pelo tato reconhecem a qualidade do papel. De acordo com a teoria de Darwin, eu herdei essa capacidade do meu pai, além de muitas outras. No papelzinho eu identifiquei uma nota de cinco rublos[1]. Imediatamente adormeci.
                — Bravo hipnotizador!
                Os médicos presentes se aproximaram de mim, me rodearam, me cheiraram e disseram:
                — Hum... É... Está em sono hipnótico...
                Feliz com o sucesso, o hipnotizador agitou as mãos sobre minha cabeça e eu, dormindo, caminhei pelo salão.
                — Faça o braço dele ficar rígido! — Sugeriu alguém.
                — O senhor consegue? Faça o braço dele enrijecer.
                O hipnotizador (o homem não era medroso!) levantou meu braço direito e começou a fazer nele suas manipulações: massageou, soprou, deu uns tapinhas. Meu braço não obedeceu. Estava mole como um trapo e não mostrava intenção de enrijecer.
                — Não enrijece! Faça-o acordar, senão pode lhe causar dano... Ele é fraquinho, nervoso...
                Então minha mão esquerda sentiu na palma uma nota de cinco rublos... Um estímulo se transmitiu da mão esquerda para a direita por meio do reflexo, e meu braço instantaneamente ficou rígido.
                —Bravo! Vejam como está duro e frio! Como o de um cadáver!
                — Anestesia total, diminuição da temperatura e enfraquecimento do pulso — relatou o hipnotizador.
                Os médicos começaram a apalpar meu braço.
                — É, o pulso está mais fraco — observou um deles.
                — Estado tetânico completo. A temperatura está muito baixa...
                — Como o senhor explica isso? — perguntou uma das senhoras.
                O médico deu de ombros, suspirou e disse:
                — Temos apenas os fatos! Explicações infelizmente não...
                Os senhores têm os fatos, e eu, duas notas de cinco rublos. As minhas valem mais... Obrigado, hipnotizador, e de explicações eu não preciso...
                Pobre hipnotizador!  Por que foi se meter com uma cobra como eu?
                PS: Não é mesmo uma maldição? Não é uma baixeza? Acabei de saber que quem colocou as notas de cinco rublos na minha mão não foi o hipnotizador, e sim Pyotr Fiodorich, meu chefe...
                — Eu fiz isso para saber se você é honesto — disse ele.
                Ah, o diabo que o carregue!
                — Que vergonha, irmão... Que feio! Não esperava...
                — Mas eu tenho filhos, Excelência... Tenho esposa... Tenho mãe...Coma atual carestia...
                — É errado... E ainda quer publicar seu próprio jornal... Chora quando discursa nos almoços comemorativos... Que vergonha! Pensei que você fosse um homem honesto, mas acontece que você... haben Sie gewesen...[2]
                Tive de lhe devolver as duas notas de cinco rublos. Que fazer? A reputação é mais importante do que o dinheiro.
                — Não estou zangado com você! — disse o chefe— Vá para o diabo, sua natureza é essa mesma... Mas, ela! Ela! In-crí-vel! Ela! Doçura, inocência, blanmange[3]e tudo o mais! Hein? Veja só, ela também se deixou tentar pelo dinheiro! Também adormeceu!
                Com a palavra ela meu chefe tinha em mente sua esposa, Matriona Nikolaievna.
24 de janeiro de 1883.”


[1] Naquela época o rublo equivalia algo próximo a um dólar da época, hoje cinco rublos não dão nem para alimentar-se decentemente.
[2] Você foi... (em alemão).
[3] Manjar branco (em francês)

Clamor da tristeza



Pensei tristonho senhor
Aprendei com o antigo
Onde da sorte perdido
Ao homem foi compelido

Possuidor sois do penhor
Perdereis a ti no castigo
Pois de tanto foste provido
Mas a tudo há esquecido

Escuta agora o meu clamor
Ouça os meus cântigos
E não esquecerás o vivido
Nesse canto deprimido

Perdestes o seu amor
Ficastes sem amigo
Com o jogo perdido
De dor é consumido

Hoje sou-lhe cantor
Hoje sou-lhe abrigo
Do homem bramido
És agora defendido

Esqueça a sua dor
Estais agora comigo
E de vinho embebido
Sois agora escolhido

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...