sábado, 25 de agosto de 2012

Confissões amorosas

            É difícil para alguém como eu expressar abertamente sentimentos, mas às vezes isso torna-se necessário, mesmo tomado de lira e de rimas cadenciadas, vejo quão vazia é a minha vida sem a minha querida.

         Ela pode não ser a mais bela das mulheres, mas com certeza é das mais inteligentes, e foi por isso que me apaixonei por ela, ela sempre teve a personalidade forte, e nunca teve medo em expressar isso, talvez seja esse um dos motivos para ter visto nela algo excepcional. Sim, meus caros eu amo aquela menina.

      Por mais que digam que sou de todo insensível, eu amo por toda a vida, talvez porque ela me odeie, talvez porque eu seja louco, mas eu a amo de todo o coração. Eu sinto que seria feliz com ela. Ninguém entende isso, às vezes eu também não entendo, mas a verdade é que coisas advindas do coração não são lógicas e eis a graça de serem assim.


       Eu não sei quais motivos posso dar para que percebam que eu a amo, eu simplesmente a amo, mesmo ela tendo destroçado meu coração. Gostaria de tê-la ao meu lado, gostaria de tê-la junto de mim, mas isso creio que não seja possível. Ela me odeia, e eu sei disso. Eu sei desde o primeiro dia que a vi.

       E ela tem razão, até hoje não entendo um único motivo para alguém gostar de mim, nem mesmo Isabela, se bem que ela nem devia gostar de mim, ela devia querer outro, tal como a menina que agora é foco dessa pauta. Foi tão triste saber que possivelmente ela tenha outro, que arde no meu peito uma dor intensa.

        Certa vez ela disse que eu era alguém frustado, quem diria que ela estava certa e eu errado. Frustrado por nunca ser amado, frustrado por nunca ter chorado. esse sou eu, um pobre infeliz que chora sem ter pelo que chorar. Tento ser forte, mas sou fraco. Vivo de máscaras para esconder meu passado.

       Não há glórias em minha vida, não há vida em minha própria vida, passei por ela sem ter nem mesmo notado, por isso sou infeliz. Insensível, arrogante, essa é a melhor definição do que eu sou.

       Sinto-me tão frágil a esse ponto, que preciso beber para conseguir chorar e mesmo assim não choro, que fraco eu sou. Mesmo sendo ateu, deus sabe o quanto eu a amo e sabe mais ainda o quanto ela deve me odiar.

        Sinceramente, eu sinto culpa por ter nascido, mas culpa maior sinto quando não poderei dizer o que deveria ser dito. É tão triste que não desejo vida nenhuma sentir.

       E estou aqui, triste lamuriando dores passadas, enquanto tem gente que sofre muito mais que eu mesmo, sem ter o que comer ou beber. Eu me sinto hipócrita, nesse momento, mas devia ser forte e  enfrentar minha sorte como um bom comunista.

         Comunista, eu? Deixei o marxismo-leninismo tomar tantas formas na minha mente que até Vladimir Ilyich brigaria comigo com certeza. Quem me diria que me tornaria isso, um pária de minha própria imagem, devia ter vergonha de mim mesmo.

         Me sinto só, sem rumo, sem caminho, sem amor, sem fascínio. Quem diria que a dor seria tão forte que acabaria comigo?

           Nada dessas frases exprime a totalidade com que o meio peito tenta gritar ao mundo. Tolo rapaz, deveria saber que a vida é mais do que simples lira, esse é o motivo para você ter argumentos tão  torpes quando se trata de amor. Você não ama, se esconde numa máscara na qual não deveria esconder.

            "Levanta-te rapaz, erga-te sua voz. Não deixe que seus egrégios avós chorem a luta pela qual tem passado, enfrenta a tristeza de frente, seja feliz uma vez na vida!", eis uma voz que sobe diante do magistral silêncio, " não é sendo depressivo que ganharás o mundo, és de sangue de povo guerreiro que não foge à luta!"

             Quem sente no coração um amor pairar no peito, está fadado a ser infeliz. Esqueça que um dia amou, pobre rapaz. Esqueça toda a sua tristeza, pois homem sem memória é  homem afortunado em seu destino.

            Adeus, minha querida, adeus minha antiga vida.

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