quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Hiato

     Faz anos que eu não vejo
     O silêncio como companheiro
     Mas como hostil passageiro
     Que me acompanha nas horas de dor

      Como um gato que foge da chuva
      Eu tento me proteger da tempestade
      E vejo com tristeza o passar da vida
      As pessoas partirem e só ter saudade

      Em tempos tão difíceis, respiro devagar
      Ergo meus olhos mais um dia e ando
      Nesse grande deserto que se tornou a vida
      Um grande marasmo que agride os olhos


      Sozinho e trancado no quarto
       Preso voluntariamente
       Afastado do mundo, olho o horizonte
       Sem expectativas, cheio de experiência

       A dor de perder uma criança me corrói
       Tão forte quanto soda caústica
       Meus lábios ficam inertes, meus olhos se fecham
       Tudo que quero é ficar mais um dia na cama.


        Só mais um dia, mas a ansiedade não deixa
        O vazio me incomoda, o desespero me toma
        Só assim eu saio, mas nada faço, só vegeto
        Em 24 anos, eu nunca esperei dizer isso
        Mas eu sou apenas outro parasita inútil.

        A solidão me carrega um peso assombroso
        O fracasso me acompanha todos os dias
        E sem entusiasmo eu sigo a vida
        À busca de um oásis no meio do deserto.
       
        Esse é o início do grande hiato

       
     

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