sábado, 7 de maio de 2016

Insônia

       Não quero mais escrever sobre você, mas a minha memória insiste em te pintar sorrindo quando estou de olhos fechados. Acordo suado, abro a janela e penso em acender um cigarro, mas como parei com o fumo, olho para o lado e vejo o poste luz apagado;

      Não existem estrelas no céu, e ainda meio agoniado, puxo uma camiseta amarrotada do cesto de roupa suja, saio de casa para não te ver. Vou ao  Subway e só consigo pensar em você. Senti sua falta às 02h20 da madrugada e foi quando pensei em desistir de tudo. Comia um sanduíche de peito de peru e bebia um refrigerante quente. Estava sem sono.

      Peguei o meu carro e andei pela cidade, estava procurando por você; Você já tinha partido, meus olhos estavam alertas. Estava escuro e enxergava melhor que durante o dia. Pensei que havia desistido de te amar, mas meu coração agoniado, agora batia fraco. Sem querer, desviei o volante e subi no meio-fio, quando dei por mim quase acerto o poste.

      Não havia ninguém, felizmente, ainda assim, eu senti sua falta para julgar o meu erro. Antes ontem do que hoje, quero te esquecer mas não te encontro para me dizer aquelas infelicidades que me disse pelo Whatsapp. Você me deixou sem sonhos e hoje tenho que sepultar aquela pessoa que costumava ser.

     Que ódio de mim mesmo por ainda pensar por você, 03h03 da madrugada, o celular acaba a bateria. Você estava numa balada de sábado enquanto eu de pijamas chorava num estacionamento vazio perto do lago.

     Você provavelmente já saía com outro homem que iria dormir na sua cama, aquela cama que fizemos amor tantas vezes e onde eu disse que te amava. Satisfeita, você me mandou embora. Sangue frio.

      Dormi naquela noite no mesmo lugar que foi o nosso primeiro encontro como namorados. Aquele shopping, dormi no estacionamento olhando para o lado, dormi inquieto, passando frio e olhando para o nada. Desisti de você, você me deixou sozinho para desbravar esse mundo, saindo com outros homens e se machucando sem se conhecer.

       Hoje você está numa praia do Rio de Janeiro, aproveitando o sol e nadando de biquíni, sem se lembrar o quanto que eu gostava de você. Foram as piores semanas que eu já tive, as semanas que reaprendi a gostar de mim mesmo quando você partiu,  dando desculpas prontas e  dizendo que não me desejava. Seja franca, se eu  fosse rico tudo seria diferente. Você não se aventuraria por aí, não massacraria meu coração e não fingiria não gostar de mim, mas eu não sou.

      Quando cheguei em casa, a enxaqueca me toma, me barbeio e vou dormir.  Para que? Por quê? Minha cabeça  gira, acordo chorando ainda pior do que quando dormi. Foi tolice imaginar que seria especial, mais tolice ainda foi ter acreditado que você me amava.

      São 10h10 quando recebo  visitas sem entusiasmo e saio de casa de novo,  vou à padaria comprar pães e saio sem um único trocado. A cabeça fica baixa, um cachorro desvia de mim, o  ônibus passa por mim puxando todo o vento e sol aparece forte. Meu estado é deplorável.

     Tomo café, o pão amanhecido com manteiga  não desce. As visitas são intragáveis e acabo indo tomar banho... Nós tomamos banho  juntos, você se lembra? Olha a  minha vergonha não encontrar você me entregando a toalha. Pedi para te esquecer de novo e me arrumei.


      Saí no domingo e fui correr o kart, esse era o  meu único presente  de aniversário. Uma corrida em L com um kart de 40cvs, o que seria de nós  se tudo fosse diferente?

      Cheguei em sétimo, na última curva bati o carro.  Fui desclassificado.


      Amanhã seria segunda-feira, e por sinal, meu aniversário. Será  que você lembraria ao menos disso? Provavelmente não, deixei o capacete e fui com a bataclava até o meu carro. Você gostava de correr na chuva  igual o Senna e dirigia melhor do  que eu.  Liguei o rádio, era nossa música.


      Fui para casa sem falar uma só  palavra...  E assim fiquei. Hoje esqueça que eu existi, não fomos mais do  que estranhos. Eu te amo, mas não gosto mais de  você.

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