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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Hannuká e os partisans

     
        Aos que não lembram, o partisans eram guerrilheiros altamente capacitados e ideologicamente treinados que se levantaram no decurso da Segunda Guerra Mundial contra a opressão fascista que se alastrou pela Europa... Inicialmente, os partisans eram ligados aos Partidos Comunistas locais, mas acabaram se organizando em torno deles membros de etnias nacionais, antifascistas e outros grupos que lutavam contra a perfídia nazistas.

      O movimento Partisan se tornou famoso, principalmente pela fama que adquiriram os iugoslavos nos Balcãs, que liderados pelo Marechal Tito, levantaram-se contra os nazistas, e libertaram quase sem nenhuma ajuda a Iugoslávia.

      Na União Soviética, os Partisans também tiveram papel importante na Operação Barbarrossa, considerando a tática da Blitzkrieg de Heinz Guderian (Achtung Panzer!) em que os regimentos blindados deviam avançar independentemente da infantaria, e aproveitar-se do elemento surpresa para deslanchar um ataque maciço, para logo depois corpos de infantaria realizarem o seu avanço... A retaguarda do Front de guerra ficava meio desprotegida, aí entrava o papel dos Partisans, em levantar Levantes, rebeliões, usar sabotagem, atrapalhar as operações do inimigo e fazer serviço de espionagem... Os Partisans Bielorrusso ficaram famosos por isso, tanto que até hoje existe o time de futebol chamado Partisans na Rússia, e filmes foram feitos sobre o papel dos partisans na Segunda Guerra Mundial, desde a série soviética Osvobodzhdenie, até Um ato de liberdade, com Daniel Craig.

      É claro, não podemos nos esquecer dos Partisans do Front Ocidental, os Maquis franceses que auxiliaram em muito o trabalho dos Aliados na libertação da França no Dia D e na Operação Cobra.

      E é sobre o papel dos partisans e do Hannuká que a história a seguir vai tratar...

      "Durante a Segunda Guerra Mundial havia um grupo de partisans poloneses que escapara dos campos de guerra nazistas. Estes partisans consistiam de uns poucos judeus e alguns ex-oficiais poloneses. Organizaram uma força de resistência que costumava atormentar os alemães.

       Em uma dessas missões, encontraram um rabino idoso e faminto, que havia sido dado por morto pelos assassinos nazistas. Um dos partisans católicos apiedou-se do homem e alimentou-o até que ficasse saudável novamente. O rabino não tinha nenhuma verdadeira utilidade para os partisans e recebeu a incumbência de cozinhar e rezar pela segurança dos combatentes. Estranhamente, este grupo de partisans não sofreu baixas pelo restante da guerra.

      Quando o conflito terminou, o grupo separou-se. Alguns voltaram à Polônia; outros viajaram para Latvia (Lituânia). Outros ainda tornaram-se andarilhos sem moradia fixa. Quando o governo russo começou a ficar mais severo com as pessoas, privando-as de sua liberdade, o grupo decidiu fugir.

        Foi feito um plano para deixar o território russo durante a noite. Um informante que ajudava estes partisans fugitivos disse-lhes:

"Devem cruzar o rio durante o inverno, quando está congelado. Ao chegarem à outra margem do rio, estarão entrando numa terra sem dono. Lá encontrarão uma cabana, usada por um soldado russo encarregado de impedir a travessia da fronteira por pessoas não autorizadas. Seu trabalho é atirar em tudo que se mova. Entretanto, à uma da madrugada ele sai da choupana e caminha algumas milhas até a próxima cabana, onde encontra outro soldado. Neste local os militares trocam relatórios e suprimentos. Então ele volta para seu posto. A jornada completa leva aproximadamente duas horas. Durante este tempo, vocês podem se aquecer em sua choupana, mas devem estar fora dela quando o soldado retornar".
          Este grupo de bravos consistia apenas de jovens. Muitas das pessoas mais velhas haviam desistido, decidindo permanecer em solo russo. O único homem idoso que desejou viajar com eles foi o rabino. Uma acalorada discussão irrompeu:

"Vamos deixá-lo," disse um deles. "Afinal, ele pode encontrar comida em uma das cidades. Realmente não precisamos ser atrapalhados por um homem frágil e idoso. Já fizemos nossa parte".
          Um partisan, cristão religioso, exclamou:
"Se o deixarmos, seremos todos condenados. Não irei sem ele".
         Relutantemente, incluíram o rabino.

         Era uma noite fria e triste. Começou uma nevasca. O líder certamente estava correto: o ancião não conseguia acompanhar a escalada vigorosa e rápida. A tempestade se intensificou e por mais de uma vez precisaram parar para carregar o idoso rabino. Leve como era, transformava-se agora em um grande fardo, retardando todo o grupo. Mais de uma vez discutiram sobre se deveriam abandoná-lo.
 
         Era uma da manhã quando chegaram à cabana, que àquelas alturas, estava parcialmente enterrada na neve. Podiam aspirar o cheiro e sentir o calor do fogo que vinha da choupana. Esperaram o soldado sair. Parecia que nunca iria acontecer. Um momento depois, o soldado saiu. Congelados quase até a morte, o grupo fugitivo jogou-se dentro da cabana, cada qual tentando aproximar as mãos e pés gelados do fogo.

        O idoso rabino afastou-se do grupo. Abriu uma pequena bolsa e tirou uma chanukiyá pequena e enferrujada. Então tomou de um pedaço de cordão, enrolou-o como pavio e começou a acender a chanukiyá com um pouco de azeite de uma garrafinha que miraculosamente tinha com ele. Aquilo que estava acontecendo colocou todos numa espécie de transe. Não se podia ouvir uma única palavra ou um único som. Fascinados, todos observavam o rabino.

      Numa voz quase inaudível, o rabino recitou as bênçãos para o acendimento da chanukiyá, pegou-a e a colocou próxima à janela da choupana. Então acendeu a chanukiyá e começou a entoar uma antiga canção judia, "Maoz Tsur - Rocha dos Tempos," que fala dos milagres de D'us para Seu povo.

      Como um vulcão em erupção, o líder foi sacudido de seu estupor e gritou:

      "Apague esta luz! Você atrairá o soldado russo de volta para cá. Seremos todos apanhados e mortos".

       O rabino tentou explicar que era a primeira noite de Chanucá e que havia acendido a luz para cumprir o mandamento de rememorar o milagre de Chanucá.

"Não," disse o rabino. Ele não apagaria a chama. "Ela deve arder por meia hora, conforme manda a antiga Lei Judaica."
       De repente a porta da cabana abriu-se. Um soldado alto portando uma metralhadora gritou para o grupo sobressaltado que pusesse as mãos para cima.

       O soldado russo aproximou-se do velho rabino, contemplou a chanukiyá e disse-lhe em russo:

"Também sou judeu. Já faz seis anos que não vejo uma chanukiyá". Beijou a barba do rabino e irrompeu em lágrimas.
        O soldado começou a dizer ao grupo:

"Depois que saí da cabana lembrei-me de repente que havia deixado alguns relatórios numa gaveta. Ao voltar, vi uma luz que saía daqui. Não podia acreditar em meus olhos. E lá estava, uma chanukiyá na terra de ninguém, em meio a uma nevasca, bem na minha choupana".

           O soldado disse ao grupo que eles estavam seguros e tirou uma garrafa grande de vodka, dando um pouco a cada um. Disse:

"Foi bom que eu estivesse de plantão. Um outro guarda teria matado todos vocês! Venham, mostrarei como podem cruzar a fronteira. Lembre-se de mim, Rabi. Reze para que eu tenha um milagre de Chanucá e possa deixar o exército em segurança e voltar para minha família."
         O grupo, abalado, porém repleto de alívio, seguiu o soldado na travessia da fronteira. De alguma forma conseguiram achar o caminho para a liberdade e então cada um seguiu seu caminho em separado. O idoso rabino foi para Israel. Contou este caso a alguns sobreviventes que, por sua vez, contaram-no a mim quando era um garotinho."

Hanuká e George Washington

              Essa é uma história de Hanuká que normalmente se conta às crianças na Festa das Luzes....

             "Israel Solomon estava com frio, mas sua mente não estava nem no inverno congelante do Vale Forge, nem na batalha do dia seguinte. Ele estava tentando acender as velas de Chanucá, sem acordar nem atrair a atenção de ninguém.
 
             "Talvez esta possa ser a minha última festa de Chanucá," pensou para si enquanto aquecia suas mãos de modo que elas pudessem segurar o fósforo. Mas quando o fogo pegou no pavio da vela, de repente ele mudou; estranhamente, sentiu-se muito quente e alegre.

              "Obrigado por tudo, D'us!" Ele pensou para si mesmo "Obrigado por tudo!" e alguns segundos depois ele estava fazendo uma benção sob o céu silencioso, claro e frio da Pennsylvania, sobre as quatro velas flamejantes na sua chanukiá em miniatura.

             De repente ele foi arrancado do seu sonho; alguém estava em pé na sua frente!

            "O que é isso!!? O que você está fazendo, você está maluco!!! Você é um espião?!" Ele olhou para cima e perdeu a respiração; era o comandante das forças revolucionárias, o próprio General Washington, sussurrando nervosamente para ele!

             O General não estava conseguindo dormir pois estava preocupado com a batalha que se aproximava, e estava andando entre as fileiras de seus soldados adormecidos, quando percebeu a luz. Ele ficou ereto, mas sem levantar-se, com medo do barulho acordar alguém. "Não, não general! D'us me livre!!", sussurrou. "Sou um judeu religioso. Acredito em D'us e esse é um dos seus mandamentos. Acredite-me, não sou um espião, General Washington."

            "Que tipo de mandamento é esse?" Ele tinha se acalmado um pouco e até parecia interessado.

            "Há mais de dois mil anos atrás, nós, o povo judeu, estávamos lutando em uma batalha muito parecida com a sua, senhor." Solomon se sentia inspirado; o General olhava profundamente nos seus olhos como se ansiasse pela resposta. Solomon se ergueu e olhou poderosamente nos olhos do general Washington,

          "General, os judeus venceram essa guerra porque nós lutamos pela verdade. Nós lutamos pela liberdade. Nós também éramos muito poucos comparados com os adversários, muito mais do que vocês são agora. Talvez na proporção de cem para um, mas nós vencemos porque acreditamos em D'us, e Ele nos ajudou."

           Solomon sentiu como se estivesse conectado a algo infinitamente certo. "E o senhor vencerá amanhã, senhor! D'us irá ajudá-lo assim como nos ajudou e o senhor vencerá!"

           O general ficou um tempo em silêncio, olhando, e examinando incrédulo o rosto do judeu. Finalmente quebrou o silêncio e disse. "Você é um judeu. Você é da nação dos profetas. Considero o que você falou como sendo uma profecia vinda de D'us!"

           O general cumprimentou Solomon, se virou e continuou a sua ronda.

             O que aconteceu no dia seguinte é história: as forças de Washington conseguiram uma vitória inesquecível sobre os ingleses; o que provou ser o começo de uma vitória total e, que resultou na independência dos Estados Unidos da América que se libertava da Inglaterra. Mas a história que não se conhece, é que o Sr. Solomon sobreviveu à guerra e voltou para sua casa em Boston. Um dia, mais ou menos dois anos depois do episódio de vale Forge, ele estava sentado com sua família na mesa de jantar quando ouviu uma batida na porta. Levantou-se e abriu a porta, ficando impressionado em ver um contingente de três oficiais liderados por nada menos que...... o primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington em pessoa!

           Eles entraram, e o Presidente foi o primeiro a falar. "Estamos aqui para te presentear com isso". Um deles deu um passo a frente e pegou uma pequena e luxuosa caixinha de veludo de dentro do seu paletó. Sr. Solomon olhou de um rosto para outro para ver se descobria algum sinal do que se passava. Ele calmamente pegou a caixa, a abriu e lá estava um medalhão de ouro; ele o pegou e viu que estava gravado nela um desenho de uma chanukiá com as seguintes palavras inscritas: 

"Com admiração, General George Washington".


         "Sr. Solomon, o senhor não sabe o que o senhor fez naquela noite no Vale Forge. Eu não podia dormir naquela noite porque tinha certeza que não tínhamos a menor chance de vencer. Estávamos sem munição, possuíamos muito menos soldados - dez para um - e estávamos desprovidos de comida e abrigos suficientes. Quando vi os rapazes dormindo naquele frio congelante, fiz a minha sentença: nos entregar. Mas suas luzes e sua profecia mudaram tudo isso. Sr. Solomon, se não fosse você e a sua chanukiá, eu não sei se poderíamos estar sentados aqui hoje, como homens livres."

          De acordo com a história, aquele medalhão ainda existe hoje; um testemunho do poder de Chanucá"

Agradecimentos ao site Beit Chabad por fornecer em tantissimos detalhes essa história.

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