Em uma hora produzi mais do que um mês inteiro; tudo por conta desse estranho sentimento que alguns chamam de amor. Amare em latim, quando declinado fica amo, que é o que eu digo todas as vezes quando estou apaixonado.
Essa noção filosófica de amor passa por tantas épocas e tantas sociedades que chega a ser difícil de enumerar onde encontramos o amor: Amor é aquele que Adão teve por Eva, que a despeito de todas as regras, cometeu o pecado quando amava a sua esposa.
Amor é quando Helena fugiu de Troia por jovem rapaz e sem querer causou uma guerra.
Amor é quando Platão discursava em um banquete e enumerou uma forma de amor de alguém que nunca seria correspondida que erroneamente é interpretada por alguns stalkers mal amados pela vida.
Amor é tudo aquilo que te leva a falar besteiras, agir de modo estranho e a sentir seu coração bater de um jeito mais lento e mais doce; É quando você começa a entender músicas melosas e se irrita quando falam de coisas sem a menor graça, e sem o menor vínculo com a pessoa amada... Não, isso é paixão.
Amor é bem mais do que isso, é um conceito que passa por sentimento, mas que no fim é sentimento, onde uma pessoa se compromete a fazer o bem pela outra e que não permita que nenhuma injúria suje tal desejo de bem fazer. Acaricia os seus cabelos e diz que te ama, quando você chora e sente só. É um sentimento tão puro, tão casto que chega a ser sublime.
Não se apega a lindos ternos e vestidos elegantes. Afinal o amor é paciente e bondoso, não maltrata e não guarda grande rancor. Se orgulha e se vangloria por amar sem qualquer interesse, pois o que reside no amor é a esperança. A esperança de ser amado.
sábado, 22 de dezembro de 2012
As coisas que penso quando não estou com você
Hoje eu senti ciúmes; Não que nunca tenha sentido, mas não me lembrava como era amarga a sensação na ponta da língua. É como um veneno que amarga a boca, corrói a garganta e dilacera a alma. Não gostei de sentir ciúmes.
Na verdade ando sentido algo parecido durante um tempo, mas consigo controlar esse sentimento. Acho tão estranho tudo isso, pensar que você pode conversar e sorrir com outros homens tal como comigo. Não estou aqui para monopolizar o sorriso.
Mas é tão bonito o seu sorriso!
Uma dádiva de Deus é vê-la sorrir tão despreocupadamente, mesmo à distância, às escondidas; E eu sinto inveja dos outros que a fazem sorrir, eu queria contar algo engraçado, tropeçar sobre um palanque, ou mesmo falar uma piada infame, tudo isso para ver o seu sorriso.
O seu sorriso é tão doce que me deixa diabético, a sua voz é tão deliciosa que parece um favo de mel e o seu olhar é tão fixo que entra na alma, de maneira positiva é claro; Agora entendo o que deve ser tudo isso, acho que a paixão está se transformando em algo mais, mas eu não sei;
Passamos tão reto esses dias, que até me esqueço de falar com você. Na verdade, eu nem queria falar com você, sua voz é tão doce que me deixa estasiado de tanto lirismo, se eu a deixar falar outra vez, passou dias pensando em você.
Não tem nem uma semana que não nós vemos e estou com saudades; Que estranho! Tem alguma forma de as férias serem tão aborrecidas do que ficar pensando em outra pessoa? Eu acredito que não. Se você, minha querida, estiver lendo isso, saiba que conto os dias e as horas que eu possa falar com você.
Na verdade ando sentido algo parecido durante um tempo, mas consigo controlar esse sentimento. Acho tão estranho tudo isso, pensar que você pode conversar e sorrir com outros homens tal como comigo. Não estou aqui para monopolizar o sorriso.
Mas é tão bonito o seu sorriso!
Uma dádiva de Deus é vê-la sorrir tão despreocupadamente, mesmo à distância, às escondidas; E eu sinto inveja dos outros que a fazem sorrir, eu queria contar algo engraçado, tropeçar sobre um palanque, ou mesmo falar uma piada infame, tudo isso para ver o seu sorriso.
O seu sorriso é tão doce que me deixa diabético, a sua voz é tão deliciosa que parece um favo de mel e o seu olhar é tão fixo que entra na alma, de maneira positiva é claro; Agora entendo o que deve ser tudo isso, acho que a paixão está se transformando em algo mais, mas eu não sei;
Passamos tão reto esses dias, que até me esqueço de falar com você. Na verdade, eu nem queria falar com você, sua voz é tão doce que me deixa estasiado de tanto lirismo, se eu a deixar falar outra vez, passou dias pensando em você.
Não tem nem uma semana que não nós vemos e estou com saudades; Que estranho! Tem alguma forma de as férias serem tão aborrecidas do que ficar pensando em outra pessoa? Eu acredito que não. Se você, minha querida, estiver lendo isso, saiba que conto os dias e as horas que eu possa falar com você.
Versos ligeiros
Abrirei minha mente tal como hoje abro a minha camisa e sigo de peito aberto ao meu futuro. Corro dali para cá, tão rápido, tão ligeiro, sem esquecer que a vida é uma só e é cigana por natureza. Itinerante e traiçoeira, de olhos oblíquos como os de Capitu e tão sedutores quantos os glaucos de Atena.
A sorte que há de me abraçar forte, mudar os meus destinos e me levar para distante de tudo, até do meu próprio tempo, pois estive aqui, e estarei ali. Não se esqueça, ligue pra mim.
Estamos tão longe um do outro que chegamos a ter leituras do mundo tão diferentes quanto os nossos versos e ainda assim sorrimos quando pensamos nas bobagens em que dizemos. Sei que você está pensando em tudo, menos no que pensamos quando estamos juntos.
Pois é, o antidoto para esse meu desespero traduz-se por palavras, palavras tão singelas, tão tolas que você julga como meigas, e eu julgo como infantis. Quando estou perto de ti palavras saem pela minha boca e tomam dimensões cada vez maiores, meu ego infla e me sinto tão arrogante que chego a pensar que você está pensando em mim. 20:20, e o telefone nem tocou;
A sorte que há de me abraçar forte, mudar os meus destinos e me levar para distante de tudo, até do meu próprio tempo, pois estive aqui, e estarei ali. Não se esqueça, ligue pra mim.
Estamos tão longe um do outro que chegamos a ter leituras do mundo tão diferentes quanto os nossos versos e ainda assim sorrimos quando pensamos nas bobagens em que dizemos. Sei que você está pensando em tudo, menos no que pensamos quando estamos juntos.
Pois é, o antidoto para esse meu desespero traduz-se por palavras, palavras tão singelas, tão tolas que você julga como meigas, e eu julgo como infantis. Quando estou perto de ti palavras saem pela minha boca e tomam dimensões cada vez maiores, meu ego infla e me sinto tão arrogante que chego a pensar que você está pensando em mim. 20:20, e o telefone nem tocou;
Na mais escura das noites
Derrubado no chão um homem deprimido, sentado em sua própria esperança numa daquelas noites tão frias e sem vida observa sem vontade o toque suave que caí do céus, um pequeno cometa, pequenino, e tão distante, que sorri tão gentilmente à terra.
Era um cometa ou um meteorito? Isso não sabia, mas era tão bonito, tão bonito o rastro do fogo aos olhos, com que os finos raios a brilharem iluminarem através das nuvens aquela cobertura celeste.
Esperança pura agora irradiava do chão, da terra escura, do chão batido de tantos pés e de tantas pedras. Levantou-se de novo para subir a dura montanha de pedra pura que era o seu coração. Aquela chuva que caiu aquela noite não serviu de acalanto para a chama que brotava de seu coração.
Em meio àquela selvageria, aquela escuridão que pairava sobre aquela colina ardia uma vida, tanto quanto um lampião de vidro que o óleo amarelado conduzia o fogo de uma alma. Não era uma chama de ódio, não era um fogo cego que queimava tudo o que tocava, era uma chama que aquecia os ossos naquela triste noite que era uma vida de alguém;
Sem medo das trevas, dos monstros e dos animais noturnos que rodeiam às pradarias ao longo da floresta da vida, floresce uma nova consciência de força e coragem. "Meu passado é uma bandeira, meu futuro é uma história"; Assim segue a rota da vida.
Era um cometa ou um meteorito? Isso não sabia, mas era tão bonito, tão bonito o rastro do fogo aos olhos, com que os finos raios a brilharem iluminarem através das nuvens aquela cobertura celeste.
Esperança pura agora irradiava do chão, da terra escura, do chão batido de tantos pés e de tantas pedras. Levantou-se de novo para subir a dura montanha de pedra pura que era o seu coração. Aquela chuva que caiu aquela noite não serviu de acalanto para a chama que brotava de seu coração.
Em meio àquela selvageria, aquela escuridão que pairava sobre aquela colina ardia uma vida, tanto quanto um lampião de vidro que o óleo amarelado conduzia o fogo de uma alma. Não era uma chama de ódio, não era um fogo cego que queimava tudo o que tocava, era uma chama que aquecia os ossos naquela triste noite que era uma vida de alguém;
Sem medo das trevas, dos monstros e dos animais noturnos que rodeiam às pradarias ao longo da floresta da vida, floresce uma nova consciência de força e coragem. "Meu passado é uma bandeira, meu futuro é uma história"; Assim segue a rota da vida.
Para entender a brisa
Venta à boro-este no país dos Ivérianos, numa tão distante planície de água tão densa e tão límpida que acaricia as pedras com o lamber de suas ondas, chiando remotamente um adocicado som de voz gorjeante.
Naquela praia isolada, encrostada nas pedras de um lindo rochedo branco de pedra calcária projetava-se um bolsão sobre a baía com os ciprestes mediterrânico pontuando cada parte daquela falésia ao céu aberto, trazendo alegria ao sol que estava acordando.
Caminhava sozinho, alegre e contente, cantando um hino desafinado à terra amada; seguia descalço com um chapéu panamá bem surrado e de camisa tão aberta que parecia um pescador:
"Enche de flores, terra dos jacintos;
Estenda minha mão sobre a violeta
Enquanto lírio do campo acorda
E o botão de rosa floresce"
Não era um pescador de certo, mas era como se fosse, um pescador de palavras, que inclinara a sua cabeça sobre a brisa e ficava contemplando o céu, tão límpido e tão sedutor, no alto das nuvens distantes uma cotovia voava tão preguiçosamente que o alegre jovem rouxinol, de novo pôs a cantar:
"Move incansável seus olhos
Inclina tua cabeça ao sol
Dispersa a névoa das nuvens sombrias
Que pairam sobre o seu coração
Sorri gentil para a terra
Como faria para amada
A geleira de acalanto
A bela musa suave dos céus"
Naquela praia isolada, encrostada nas pedras de um lindo rochedo branco de pedra calcária projetava-se um bolsão sobre a baía com os ciprestes mediterrânico pontuando cada parte daquela falésia ao céu aberto, trazendo alegria ao sol que estava acordando.
Caminhava sozinho, alegre e contente, cantando um hino desafinado à terra amada; seguia descalço com um chapéu panamá bem surrado e de camisa tão aberta que parecia um pescador:
"Enche de flores, terra dos jacintos;
Estenda minha mão sobre a violeta
Enquanto lírio do campo acorda
E o botão de rosa floresce"
Não era um pescador de certo, mas era como se fosse, um pescador de palavras, que inclinara a sua cabeça sobre a brisa e ficava contemplando o céu, tão límpido e tão sedutor, no alto das nuvens distantes uma cotovia voava tão preguiçosamente que o alegre jovem rouxinol, de novo pôs a cantar:
"Move incansável seus olhos
Inclina tua cabeça ao sol
Dispersa a névoa das nuvens sombrias
Que pairam sobre o seu coração
Sorri gentil para a terra
Como faria para amada
A geleira de acalanto
A bela musa suave dos céus"
domingo, 16 de dezembro de 2012
Uma síncope vespertina
Era uma
tarde, daquelas meio traiçoeiras nas quais o sol irrompe sobre as nervosas
nuvens do céu. Algo tinha de sedutor naquele tom meio acinzentado,quase de
asfalto, com o qual o dia havia nascido.
Tudo
era tão estranho, todo mundo estava com roupas de frio, mas tudo o que sentia
era calor. Muito calor por sinal. Tentou abrir a janela do comboio, mas nada
adiantou, naquele ônibus lotado, sequer podia ouvir a sua respiração.
Era um
calor ardente, ofegante, que vinha do peito e queria sair pela boca junto com o
coração. Ninguém notava, ou ninguém queria notar, mas ele transpirava horrores
pelas têmporas, fazendo cair o gélido filete de suor pelas magras maçãs do
rosto.
Para piorar, toda hora ele esfregava a língua nos lábios. Sentia uma sede absurda, uma vontade incontrolável por encontrar uma garrafa de água e bebê-la furiosamente. Chegava a ser inexplicável.
Parecia
saudável, embora a palidez do seu rosto fosse algo anormal. O tom opaco de sua
pele dava-lhe uma aparência meio póstuma para um jovem. Mesmo assim, parecia
ser saudável. Não falava, não sorria, só estava lá, em pé, esperando
ansiosamente chegar na estação.
O
ônibus estava lotado; Pessoas no fundo debatiam sobre a última partida de
futebol de domingo, mulheres meio obesas fofocavam com gosto a vida alheia, e
um casal de namorados se beijava num dos bancos.
O rapaz
viu com palidez tudo isso, parecia sentir algo ruim ao ver os dois se beijando,
um pouco de dor, arrependimento e uma pitada de inveja. Quando os dois
namorados desceram, sentiu seu ombro relaxar nas costas.
Um
vendedor de doces entrou no ônibus com sua cesta repleta de guloseimas, para
deleite das criancinhas e para o desespero das mães: “Olha a paçoca, a paçoquinha
bem docinha. 1 real.”
O
vendedor passou por todos os bancos, fustigando os passageiros com o seu grito
estridente de vendedor, mas mesmo assim só conseguiu vencer dois dropes e um
pacote de chicletes para algumas senhoras. Sendo completamente ignorado pelos
outros.
O
cobrador mesmo estava irritado com o jeito meio fanhoso com que o vendedor
falava, e deu graças a Deus quando o mascate foi para o fundo do comboio, não
antes sem gritar: “Vamos logo, minha gente, que estou descendo”.
O rapaz
fitou meio com agonia a cesta de doces, mas tudo o que conseguiu foi uma olhada
grosseira do vendedor com marcas de varíola; Aquele olhar resignava até o mais
duro dos homens.
Logo
quando desceu o mascate, uma parada depois, também desceram alguns engravatados
com pastas de couro nas mãos próximo ao Banco Central: Era o pessoal do funcionalismo
público, arrogante e presunçoso, embora também não tivesse onde cair
morto.
Faltavam umas duas estações para
a Rodoviária, e o rapaz se sentia cada vez mais fraco. O coração havia
disparado como se tivesse levado uma pancada no meio do peito, o suor escorria
pela sua camisa, tomando feições de uma tromba d’água e as pernas já não se
aguentavam mais em pé.
Numa das curvas, depois da parada
da Galeria dos Estados, no Setor de Autarquias o braço não segurou, e o jovem
se desprendeu na curva, caindo junto ao banco vazio... Felizmente ninguém viu
aquilo.
“Vamos, vamos, preciso chegar,
preciso chegar LOGO”, pensou consigo o rapaz.
Mas a sinaleira não ajudou em
nada e de quebra, o sedutor céu nublado tinha dado seus ares meio perversos naquela
proto-selva de pedra. Começou a chover fino no centro da capital, uma chuva tão
rala que nem merecia ser chamada de chuva, ainda assim isso não apagara a
situação de mal-estar que o rapaz presenciava.
Demorou-se enfadonhos cinco
minutos até a sinaleira abrir e o ônibus passar por cima do afamado Buraco de
Tatu, chegando assim na plataforma inferior da fedida e suja rodoviária da
capital. E isso não era hipérbole alguma, mesmo sendo uma das mais renomadas
obras de um famoso arquiteto, a Rodoviária era uma monstruosidade opulenta de
pobreza e gente. Nos seus boxes ainda se escondem mendigos e trombadinhas, à
espera do último níquel de algum desavisado, e a pedra branca tão suja
combinava tão bem com o concreto negro das calçadas mal cuidadas daquela construção.
“Vamos logo, vamos logo”, pensou
agora de forma categórica, a ansiedade o corroia por dentro, mais até que a
incomoda sensação de queimação que percorria-lhe no peito. De repente ele
começou a sentir que estava suando frio.
A lerdeza com que o ônibus se
movia só ajudava ainda mais o seu nervosismo, e para piorar, ele começou a ver
tudo distorcido, como se tivesse tomado algum psicotrópico que distorcera a sua
mente, mas não era nada disso.
Quando o ônibus parou, ele correu
para junto da porta que tão rapidamente saiu por ela quando se abriu. Tentou
correr, mas tinha muita gente na sua frente, naquelas imundas calçadas, então
foi cortar caminho pelo asfalto mesmo.
“Vamos logo, vamos logo, Anda.
Anda!”
Sentiu suas pernas ficarem bambas
e a garoa fina que caía sobre o seu rosto se afinava cada vez mais até que por
fim os seus olhos ficaram turvos e desabou no chão. Sim, ele caiu ali, aos
olhos de toda aquela gente que só pensou em seguir em frente, sem que ninguém o
ajudasse.
Caiu com o rosto virado para
cima, deixando gotejar sobre o seu olho o fino chuvisco do céu de Brasília, um
céu escuro e devasso, e olhando para longe, com um pequeno sorriso tentando
disfarçar a dor, imaginava ele uma menina, uma linda garota mesmo, até suas
vistas apagarem de vez.
“Cidadão! Cidadão! Você está bem?”
Gritava uma voz a qual não podia se distinguir, o garoto sequer sentiu ser
arrastado pelos policiais até a plataforma da rodoviária.
“Deve ter sido um ataque de
glicemia, talvez ele fosse diabético”... Talvez ele fosse.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Niilismo musical
Pedras rolantes esmagam besouros nas sombras da noite, enquanto a Rainha grita com o arquiduque Francisco Ferdinando nos campos de milho do Kansas colorido meio roseado naquele negro sabá no final do ano.
Um russo discutia com um Vila Lobbos a problemática que o aborto elétrico causava na sociedade contemporânea ocidental onde no tintilar da ode metálica Justin Bieber é rei e Nirvana é cult.
Alice sentada nas correntes da vida come o ardente chili de pimenta vermelha enquanto olhava as pérolas se acumularem ao fundo do rio, tão podre, tão sujo, declinado e extorquido por fazendeiros lunáticos munidos de pistolas sexuais.
Sem entender isso tudo o pequeno cachorrinho Snoop, aos embalos de James Brown, canta ao rei do soul uma música tão estridente que faz até o Clint Eastwood franzir o cenho. E tudo acaba com um Zeppelin luminoso cortando o céu roseado daquele dia enquanto a rainha continua a discutir com Francisco Ferdinando os rumos que toda essa alucinação psicotrópica ser resolvida à base de armas e rosas.
Um russo discutia com um Vila Lobbos a problemática que o aborto elétrico causava na sociedade contemporânea ocidental onde no tintilar da ode metálica Justin Bieber é rei e Nirvana é cult.
Alice sentada nas correntes da vida come o ardente chili de pimenta vermelha enquanto olhava as pérolas se acumularem ao fundo do rio, tão podre, tão sujo, declinado e extorquido por fazendeiros lunáticos munidos de pistolas sexuais.
Sem entender isso tudo o pequeno cachorrinho Snoop, aos embalos de James Brown, canta ao rei do soul uma música tão estridente que faz até o Clint Eastwood franzir o cenho. E tudo acaba com um Zeppelin luminoso cortando o céu roseado daquele dia enquanto a rainha continua a discutir com Francisco Ferdinando os rumos que toda essa alucinação psicotrópica ser resolvida à base de armas e rosas.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Na mais pesada das chuvas
O céu se fechou, o vento me abanou... Meu coração gelou.
Tudo está tão escuro, tão revolto, as nuvens no céu são tão turvas quanto o sedutor traçado do seu cabelo fino. Não, são até mais escuras.
Turvo também é o pensamento que me consome, sombrio e melancólico, aquele que vem com a chuva e não passa. Arrependimento.
Mas não é arrependimento do que eu tinha falado, mas de como devia falado, de como devia ter dito palavras melosas ao pé do ouvido, de não ter me calado quando eu tinha voz, de não ter fugido quando devia ter ficado ao seu lado.
É a chuva que bate na minha janela, gotejando os meus últimos suspiros, os meus últimos choros. É terrível olhar para uma chuva de verão e pensar que não a terei do meu lado, não poderei abraçá-la e sequer poderemos ficar juntos envoltos num cobertor apenas nos aquecendo enquanto eu aninho os seus cabelos e digo que te amo.
Você sorri, diz alguma besteira, me olha estranho e começa a falar... e eu nem me importo, cada minuto que estou com você me sinto cada vez mais apaixonado.
Imagino nós dois, velhos e enrugados, com o passar dos anos nas costas, abraçados na mesma cama um olhando pro outro, brincando, sorrindo, sem nos importarmos com a chuva que cai do céu. E que chuva!
Sim, era na chuva que costumava andar sozinho, no meio da rua, enquanto os carros passam e as pessoas tentam se proteger, é na chuva que posso chorar e ser compreendido sem me mostrar por vencido. É na chuva que deixo meu cabelo molhado tomar formas e abro meu coração apaixonado.
Naquele frio cortante daquele aguaceiro, é naquele frio que sinto que tudo se vai, que o vento leva minhas forças e a chuva leva minhas lágrimas.
Hoje olhei as horas impacientemente, esperando o dia que poderia falar com você de novo, quando bateu 13:13.
Eu sorri da ideia, não podia ser,ela não podia estar pensando em mim. Eu sorri, mas parte de mim ainda tinha essa esperança. As horas se repetem e quanto mais acredito, acredito que estou perdidamente apaixonado por você.
O ponteiro do relógio bate, a chuva continua a cair. Eu sozinho nesse quarto escuro, sem uma música de fundo, fico nessa melancolia ridícula de se você me ama ou não. Parte de mim acredita que sim, que um dia ficaremos juntos e seremos felizes, parte de mim acredita que não que você gosta de outro e que não sou adequado pra você. Na verdade, eu não sei o que dizer.
Nesse dos mais escuros dias, nas mais clara das luas, com a chuva caindo do céu, sinto uma imensa vontade de ficar perto de você.
Tudo está tão escuro, tão revolto, as nuvens no céu são tão turvas quanto o sedutor traçado do seu cabelo fino. Não, são até mais escuras.
Turvo também é o pensamento que me consome, sombrio e melancólico, aquele que vem com a chuva e não passa. Arrependimento.
Mas não é arrependimento do que eu tinha falado, mas de como devia falado, de como devia ter dito palavras melosas ao pé do ouvido, de não ter me calado quando eu tinha voz, de não ter fugido quando devia ter ficado ao seu lado.
É a chuva que bate na minha janela, gotejando os meus últimos suspiros, os meus últimos choros. É terrível olhar para uma chuva de verão e pensar que não a terei do meu lado, não poderei abraçá-la e sequer poderemos ficar juntos envoltos num cobertor apenas nos aquecendo enquanto eu aninho os seus cabelos e digo que te amo.
Você sorri, diz alguma besteira, me olha estranho e começa a falar... e eu nem me importo, cada minuto que estou com você me sinto cada vez mais apaixonado.
Imagino nós dois, velhos e enrugados, com o passar dos anos nas costas, abraçados na mesma cama um olhando pro outro, brincando, sorrindo, sem nos importarmos com a chuva que cai do céu. E que chuva!
Sim, era na chuva que costumava andar sozinho, no meio da rua, enquanto os carros passam e as pessoas tentam se proteger, é na chuva que posso chorar e ser compreendido sem me mostrar por vencido. É na chuva que deixo meu cabelo molhado tomar formas e abro meu coração apaixonado.
Naquele frio cortante daquele aguaceiro, é naquele frio que sinto que tudo se vai, que o vento leva minhas forças e a chuva leva minhas lágrimas.
Hoje olhei as horas impacientemente, esperando o dia que poderia falar com você de novo, quando bateu 13:13.
Eu sorri da ideia, não podia ser,ela não podia estar pensando em mim. Eu sorri, mas parte de mim ainda tinha essa esperança. As horas se repetem e quanto mais acredito, acredito que estou perdidamente apaixonado por você.
O ponteiro do relógio bate, a chuva continua a cair. Eu sozinho nesse quarto escuro, sem uma música de fundo, fico nessa melancolia ridícula de se você me ama ou não. Parte de mim acredita que sim, que um dia ficaremos juntos e seremos felizes, parte de mim acredita que não que você gosta de outro e que não sou adequado pra você. Na verdade, eu não sei o que dizer.
Nesse dos mais escuros dias, nas mais clara das luas, com a chuva caindo do céu, sinto uma imensa vontade de ficar perto de você.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Uma vida de sonhos
Todos nós, pelo menos uma parte da vida, sonhamos com alguma coisa. Sonhamos com uma vida que não poderíamos ter, sonhamos com ideias sedutoras, sonhamos até com o prato de comida do outro dia. Nossa vida é guiada por sonhos.
Hoje sonhei com uma utopia, uma sociedade tecnológica sem pobreza e miséria com prédios suntuosos, modernos, carros voadores e trens extremamente rápidos. Não havia pobreza ou fome, sequer violência ou preconceito. Era um mundo de tolerância, respeito e justiça.
Nesse mundo, homens e mulheres tinham os mesmos deveres e direitos. As máquinas trabalhavam para nós e não contra nós e estávamos nesse futuro conquistando o Espaço, com nossas naves velozes percorrendo distâncias longas e explorando novos mundos, conhecendo novas civilizações.
Tínhamos conseguido resolver a questão da fome e da distribuição de renda. Controlávamos a fusão nuclear e tínhamos segurança e liberdade. As guerras e as falácias tinham ficado para os museus, museus esses tão completos e tão dinâmicos que davam gosto de ver.
Essa realidade só foi possível com uma revolução de pensamento da humanidade, que após um cataclisma quase colossal em nossa época, aprendeu que era melhor viver em cooperação mútua. Houve uma revolução cultural, sem o uso do ferro e do sangue, e uma democracia representativa instituiu uma sociedade totalmente diferente das demais.
Esse sonho era inconclusivo em como se alcançar esse futuro ou que rumos ele próprio levaria, mas foi uma ideia sedutora pensar em algo diferente, algo que pudesse ser perfeito e direcionado para todos nós.
"A gente tem que sonhar; senão as coisas não acontecem". Niemeyer estava bem certo nesse ponto.
Hoje sonhei com uma utopia, uma sociedade tecnológica sem pobreza e miséria com prédios suntuosos, modernos, carros voadores e trens extremamente rápidos. Não havia pobreza ou fome, sequer violência ou preconceito. Era um mundo de tolerância, respeito e justiça.
Nesse mundo, homens e mulheres tinham os mesmos deveres e direitos. As máquinas trabalhavam para nós e não contra nós e estávamos nesse futuro conquistando o Espaço, com nossas naves velozes percorrendo distâncias longas e explorando novos mundos, conhecendo novas civilizações.
Tínhamos conseguido resolver a questão da fome e da distribuição de renda. Controlávamos a fusão nuclear e tínhamos segurança e liberdade. As guerras e as falácias tinham ficado para os museus, museus esses tão completos e tão dinâmicos que davam gosto de ver.
Essa realidade só foi possível com uma revolução de pensamento da humanidade, que após um cataclisma quase colossal em nossa época, aprendeu que era melhor viver em cooperação mútua. Houve uma revolução cultural, sem o uso do ferro e do sangue, e uma democracia representativa instituiu uma sociedade totalmente diferente das demais.
Esse sonho era inconclusivo em como se alcançar esse futuro ou que rumos ele próprio levaria, mas foi uma ideia sedutora pensar em algo diferente, algo que pudesse ser perfeito e direcionado para todos nós.
"A gente tem que sonhar; senão as coisas não acontecem". Niemeyer estava bem certo nesse ponto.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Conclusões sobre a Primavera Árabe
No início desse ano nós tínhamos assistido com tamanho entusiasmo a ressurreição de um povo inteiro contra um estado opressor na Arabia os espíritos mais imbuídos do pensamento de Locke fundamentavam o seu apoio no fato de que Kadaffi, Mubarak e Al-Assad tinham perdido a sua legitimidade a partir do fato que seu domínio se representava pela violência e não pelo bem-estar de sua população, tudo isso está certo.
A questão é se valeu à pena? Valeram à pena as mortes na Líbia causadas pela total guerra civil, da qual nós ocidentais tivemos tão pouca informação? Vale a pena morrer agora na Síria para por fim um poder ditatorial opressivo como o de Al-Assad? Eu acredito que sim, mas a minha desilusão quanto a isso é profunda.
A ditadura na concepção romana se baseava no fato de que se a República estivesse em perigo cabia ao Senado nomear um representante para defender a cidade de Roma nos tempos de crise, sendo plenipotenciário por um período curto. Era um cargo respeitado e de prestígio, até ser usurpado por Mario e Sila, e logo depois por César, e entrar na concepção moderna sinônima de tirania.
A ditadura dita "oriental" é um tipo até mais singular de Ditadura, é uma Ditadura que fundamentalmente não precisa se basear numa ideologia, na prática elas mesmas já desvirtuaram a própria ideologia concreta, vide a aplicação do marxismo no Vietnã por exemplo, ou na Coreia do Norte.
As ditaduras no Oriente Médio se fundamentaram num misto de interpretação bastante torpe de algum tipo de socialismo com o elemento religioso embutido, não vou aqui dizer que o Irã é um regime socialista, e que o talibã era uma base de fronteira de Moscou (na verdade era dos EUA), mas quando vemos regimes como a Líbia, a Síria e afins, observamos um discurso falho ideológico carregado de um teor religioso.
Kadaffi caiu e "que suas bolas sejam cortadas e dadas às cabras para comerem", Mubarak estava definhando no seu cubículo até ser declarado morto clinicamente após uma série de AVCs, o Kim Jong Il morreu de tanto por gel no cabelo, entrando o seu filho viciado em Mc'Donalds. Parecia haver uma esperança mesmo de que no mundo não há espaço mais para ditadores.
Será? A Venezuela reafirmou o desejo de continuar com Chávez que o latino-americanismo mais exacerbado cultua como um supro defensor da causa libertária, o que é uma profunda balela, considerando que Chávez só anda promovendo medidas assistencialistas e vem se mantendo num populismo tão tristonho que se baseia na venda de barris de petróleo aos Estados Unidos, Chávez é a mistura de um revolucionário fracassado, populista desalmado e charlatão desgraçado.
O Paraguai, tão bom conhecedor de regimes ditatoriais, afinal formou a primeira ditadura da América do Sul que se tem notícia, foi expulso do Mercosul por causa de golpe ao seu antigo presidente, o bispo comedor de criancinhas (literalmente) Fernando Lugo, e o Brasil com sua política diplomática agora tristonha promovida pelo ministro Patriota, vem se submetendo aos anseios ensandecidos da grã-rainha do populismo latino-americano, Cristina Kichner.
O Brasil, embora duvide que caía num regime ditatorial, vem amargando de um populismo também arrogante que vem mostrando suas mangas com o escândalo do Mensalão que a direita estúpida usa como argumento, demasiado falho, mesmo sabendo que ela também tem os seus podres. Foi em uma época parecida que ascendeu o bêbado lunático do Janio Quadros que indiretamente causou o Regime Militar.
A esperança ainda perdura na figura de um líder de um pequeno país na América do Sul, entre o Brasil e a Argentina, José Mujica, ex-guerrilheiro que virou presidente do Uruguai, que ao contrário dos outros, mantém uma postura de humildade, estabelecendo para si um diminuto salário correspondente à 10% do piso presidencial normal, e indo para o trabalho no seu pequeno Fusca azul escuro, além de promover reformas sociais e educacionais importantes nesse país platino.
Enquanto temos esse sopro de esperança na América Latina, o mesmo não se assiste no Oriente Médio, afinal de contas o Irã está nas portas de um regime fascista pautado no fundamentalismo islâmico que de certa forma está desenvolvendo o seu programa nuclear não de maneira inocente, tal como Ahmadinejad tenta nos convencer, mas sim por meio de negócios no mercado negro (porque a espionagem deles deve ser uma coisa tristonha de se pensar).
A Síria está em plena Guerra Civil, com tropas do governo massacrando crianças a seu bel-prazer, embora a imprensa tenha perdido um pouco do seu interesse, mas Al-Assad continua governando um dos regimes mais ditatoriais do mundo, que foi passado como se fosse por herança de seu pai. E hoje mesmo tropas do governo tinham anunciado uma ofensiva contra os rebeldes, que espero que resulte em um fracasso para Damasco.
A Palestina é a velha vedete desse quadro hostil no Oriente Médio, primeiramente porque o problema se estende desde 1947, com a criação do Estado de Israel, que para muitos foi pautado a partir de um erro (eu também penso assim), mas que tem origens bem mais antigas. O anterior status de não reconhecimento da Autoridade Palestina decretava um obstáculo legal, mas abria um precedente, permitia que qualquer grupo extremado pudesse atacar Israel sem inculpar diretamente a Autoridade em si, tal como aconteceu no lançamento dos misseis promovido pelo Fatah.
Israel respondeu de sua forma costumeira, hostil, bombardeando casas, passando com os tanques, matando civis inocentes, incluindo mulheres e crianças. Nunca sairá da minha cabeça a cena de um repórter correspondente da BBC na Palestina, em prantos, levando o corpo de seu filho, um garoto de pouco mais de um ano, enrolado num pedaço de pano branco, perguntando-se o porque daquilo. Não tem um porque, realmente não tem, a não ser a sede pelo sangue que os dois lados têm por si.
Israel e a Palestina parecem literalmente dois irmãos que brigam por que não gostam um do outro, esquecendo-se que têm o mesmo pai, Abraão, e que portanto são povos irmãos, pois também são da casa de Sem. Na minha época esse tipo de coisa se resolvia batendo nos dois, mas não é o que acontece.
Israel é quase um estado vassalo dos Estados Unidos, e todas as lideranças mais ou menos de esquerda do Mundo parecem ter um fascínio pela figura do estado palestino, tendo em vista que parece ter uma inversão de papéis, agora Israel não é mais a figura do rei Davi, e sim a de Golias, e os Palestinos foram carregados com esse teor de guerreiros armados de fundas contra o gigante "filisteu".
Devo dizer que me oponho às duas visões, tanto a política internacional estado-unidense está errada quanto essa visão um pouco reducionista também. O problema todo se resolve com o internacionalismo, se suportamos um ou outro nacionalismo, somos injustos. O Fatah não é inocente e o Estado de Israel também não.
E mais uma coisa, o Estado de Israel não é supro representante do povo judeu, ele é um estado como outro qualquer e tem seus próprios interesses, e os leva muitas vezes à frente dos de seu povo. A guerra atual ajudou a crescer a popularidade do partido de Nethanyahu que havia sido abalada com os efeitos nefastos da crise mundial em Israel (ou você acha que Israel é só apogeu econômico), mas continua ainda incógnito o fato deles terem conseguido dinheiro para uma guerra assim do nada.
Se a situação da guerra não parecia dar mostras de esperança, a ONU finalmente agiu de uma forma decente, ao reconhecer na Autoridade Palestina o status de nação, embora não membro efetivo da Assembleia, isso sim é um grande passo, embora Israel ainda aja de maneira hostil a tudo isso, como um valentão do Oriente Médio.
Não adianta, só com o mútuo reconhecimento que podemos estancar essa hemorragia que faz jorrar todo o nosso vestígio de humanidade para o ralo.
A primavera em si foi um movimento em prol da democracia, foi um suspiro de um povo que foi à rua para destronar ditadores e impor uma nova maneira de pensar, tudo isso fundamentada entre outros fatores de ordem econômica, afinal, todas as revoluções ocorreram pela falta de pão.
Entretanto, o que vemos no Egito e na Líbia é instabilidade, na Síria nem se fala. Na Líbia, ocorreu há não muito tempo atrás o assassinato de um embaixador norte-americano o que pelas regras diplomáticas sacramentadas pela Convenção de Genebra é uma mostra de falta de controle político, e no Egito, o presidente mesmo tendo limite de mandatos, pela constituição não reconhece por exemplo o direito das mulheres, levando novamente à população à Praça Tahit, onde tudo começou.
Usurpadores do poder do povo não faltam, principalmente no Egito, mas ainda há um sopro de esperança quando vemos o reconhecimento da Autoridade Palestina como uma nação, e esse sopro de liberdade de um povo é que nos faz pensar, que mesmo com os intemperes a luta do povo está dando largos passos em prol de um novo mundo, melhor que esse antigo, da dita "Nova Ordem".
A questão é se valeu à pena? Valeram à pena as mortes na Líbia causadas pela total guerra civil, da qual nós ocidentais tivemos tão pouca informação? Vale a pena morrer agora na Síria para por fim um poder ditatorial opressivo como o de Al-Assad? Eu acredito que sim, mas a minha desilusão quanto a isso é profunda.
A ditadura na concepção romana se baseava no fato de que se a República estivesse em perigo cabia ao Senado nomear um representante para defender a cidade de Roma nos tempos de crise, sendo plenipotenciário por um período curto. Era um cargo respeitado e de prestígio, até ser usurpado por Mario e Sila, e logo depois por César, e entrar na concepção moderna sinônima de tirania.
A ditadura dita "oriental" é um tipo até mais singular de Ditadura, é uma Ditadura que fundamentalmente não precisa se basear numa ideologia, na prática elas mesmas já desvirtuaram a própria ideologia concreta, vide a aplicação do marxismo no Vietnã por exemplo, ou na Coreia do Norte.
As ditaduras no Oriente Médio se fundamentaram num misto de interpretação bastante torpe de algum tipo de socialismo com o elemento religioso embutido, não vou aqui dizer que o Irã é um regime socialista, e que o talibã era uma base de fronteira de Moscou (na verdade era dos EUA), mas quando vemos regimes como a Líbia, a Síria e afins, observamos um discurso falho ideológico carregado de um teor religioso.
Kadaffi caiu e "que suas bolas sejam cortadas e dadas às cabras para comerem", Mubarak estava definhando no seu cubículo até ser declarado morto clinicamente após uma série de AVCs, o Kim Jong Il morreu de tanto por gel no cabelo, entrando o seu filho viciado em Mc'Donalds. Parecia haver uma esperança mesmo de que no mundo não há espaço mais para ditadores.
Será? A Venezuela reafirmou o desejo de continuar com Chávez que o latino-americanismo mais exacerbado cultua como um supro defensor da causa libertária, o que é uma profunda balela, considerando que Chávez só anda promovendo medidas assistencialistas e vem se mantendo num populismo tão tristonho que se baseia na venda de barris de petróleo aos Estados Unidos, Chávez é a mistura de um revolucionário fracassado, populista desalmado e charlatão desgraçado.
O Paraguai, tão bom conhecedor de regimes ditatoriais, afinal formou a primeira ditadura da América do Sul que se tem notícia, foi expulso do Mercosul por causa de golpe ao seu antigo presidente, o bispo comedor de criancinhas (literalmente) Fernando Lugo, e o Brasil com sua política diplomática agora tristonha promovida pelo ministro Patriota, vem se submetendo aos anseios ensandecidos da grã-rainha do populismo latino-americano, Cristina Kichner.
O Brasil, embora duvide que caía num regime ditatorial, vem amargando de um populismo também arrogante que vem mostrando suas mangas com o escândalo do Mensalão que a direita estúpida usa como argumento, demasiado falho, mesmo sabendo que ela também tem os seus podres. Foi em uma época parecida que ascendeu o bêbado lunático do Janio Quadros que indiretamente causou o Regime Militar.
A esperança ainda perdura na figura de um líder de um pequeno país na América do Sul, entre o Brasil e a Argentina, José Mujica, ex-guerrilheiro que virou presidente do Uruguai, que ao contrário dos outros, mantém uma postura de humildade, estabelecendo para si um diminuto salário correspondente à 10% do piso presidencial normal, e indo para o trabalho no seu pequeno Fusca azul escuro, além de promover reformas sociais e educacionais importantes nesse país platino.
Enquanto temos esse sopro de esperança na América Latina, o mesmo não se assiste no Oriente Médio, afinal de contas o Irã está nas portas de um regime fascista pautado no fundamentalismo islâmico que de certa forma está desenvolvendo o seu programa nuclear não de maneira inocente, tal como Ahmadinejad tenta nos convencer, mas sim por meio de negócios no mercado negro (porque a espionagem deles deve ser uma coisa tristonha de se pensar).
A Síria está em plena Guerra Civil, com tropas do governo massacrando crianças a seu bel-prazer, embora a imprensa tenha perdido um pouco do seu interesse, mas Al-Assad continua governando um dos regimes mais ditatoriais do mundo, que foi passado como se fosse por herança de seu pai. E hoje mesmo tropas do governo tinham anunciado uma ofensiva contra os rebeldes, que espero que resulte em um fracasso para Damasco.
A Palestina é a velha vedete desse quadro hostil no Oriente Médio, primeiramente porque o problema se estende desde 1947, com a criação do Estado de Israel, que para muitos foi pautado a partir de um erro (eu também penso assim), mas que tem origens bem mais antigas. O anterior status de não reconhecimento da Autoridade Palestina decretava um obstáculo legal, mas abria um precedente, permitia que qualquer grupo extremado pudesse atacar Israel sem inculpar diretamente a Autoridade em si, tal como aconteceu no lançamento dos misseis promovido pelo Fatah.
Israel respondeu de sua forma costumeira, hostil, bombardeando casas, passando com os tanques, matando civis inocentes, incluindo mulheres e crianças. Nunca sairá da minha cabeça a cena de um repórter correspondente da BBC na Palestina, em prantos, levando o corpo de seu filho, um garoto de pouco mais de um ano, enrolado num pedaço de pano branco, perguntando-se o porque daquilo. Não tem um porque, realmente não tem, a não ser a sede pelo sangue que os dois lados têm por si.
Israel e a Palestina parecem literalmente dois irmãos que brigam por que não gostam um do outro, esquecendo-se que têm o mesmo pai, Abraão, e que portanto são povos irmãos, pois também são da casa de Sem. Na minha época esse tipo de coisa se resolvia batendo nos dois, mas não é o que acontece.
Israel é quase um estado vassalo dos Estados Unidos, e todas as lideranças mais ou menos de esquerda do Mundo parecem ter um fascínio pela figura do estado palestino, tendo em vista que parece ter uma inversão de papéis, agora Israel não é mais a figura do rei Davi, e sim a de Golias, e os Palestinos foram carregados com esse teor de guerreiros armados de fundas contra o gigante "filisteu".
Devo dizer que me oponho às duas visões, tanto a política internacional estado-unidense está errada quanto essa visão um pouco reducionista também. O problema todo se resolve com o internacionalismo, se suportamos um ou outro nacionalismo, somos injustos. O Fatah não é inocente e o Estado de Israel também não.
E mais uma coisa, o Estado de Israel não é supro representante do povo judeu, ele é um estado como outro qualquer e tem seus próprios interesses, e os leva muitas vezes à frente dos de seu povo. A guerra atual ajudou a crescer a popularidade do partido de Nethanyahu que havia sido abalada com os efeitos nefastos da crise mundial em Israel (ou você acha que Israel é só apogeu econômico), mas continua ainda incógnito o fato deles terem conseguido dinheiro para uma guerra assim do nada.
Se a situação da guerra não parecia dar mostras de esperança, a ONU finalmente agiu de uma forma decente, ao reconhecer na Autoridade Palestina o status de nação, embora não membro efetivo da Assembleia, isso sim é um grande passo, embora Israel ainda aja de maneira hostil a tudo isso, como um valentão do Oriente Médio.
Não adianta, só com o mútuo reconhecimento que podemos estancar essa hemorragia que faz jorrar todo o nosso vestígio de humanidade para o ralo.
A primavera em si foi um movimento em prol da democracia, foi um suspiro de um povo que foi à rua para destronar ditadores e impor uma nova maneira de pensar, tudo isso fundamentada entre outros fatores de ordem econômica, afinal, todas as revoluções ocorreram pela falta de pão.
Entretanto, o que vemos no Egito e na Líbia é instabilidade, na Síria nem se fala. Na Líbia, ocorreu há não muito tempo atrás o assassinato de um embaixador norte-americano o que pelas regras diplomáticas sacramentadas pela Convenção de Genebra é uma mostra de falta de controle político, e no Egito, o presidente mesmo tendo limite de mandatos, pela constituição não reconhece por exemplo o direito das mulheres, levando novamente à população à Praça Tahit, onde tudo começou.
Usurpadores do poder do povo não faltam, principalmente no Egito, mas ainda há um sopro de esperança quando vemos o reconhecimento da Autoridade Palestina como uma nação, e esse sopro de liberdade de um povo é que nos faz pensar, que mesmo com os intemperes a luta do povo está dando largos passos em prol de um novo mundo, melhor que esse antigo, da dita "Nova Ordem".
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Monologo de uma madrugada
Eram 5: 34 da manhã e eu me peguei pensando em você. Senti saudades da sua voz, de suas risadas, de suas loucuras.
Senti uma vontade maluca de conversar com você e imediatamente fui pro Facebook, mas novidade: Você estava dormindo.
Você estava certa, que tipo de pessoa acorda às 5: 34 da manhã pra pensar em alguém e ainda quer conversar no Facebook? Essa pessoa sou eu.
Na verdade eu não queria conversar no Facebook, eu queria conversar pessoalmente, nós dois, no meio daqueles bancos naquele prédio principal onde costumamos nos reunir, só nós dois, mas nada igual como um encontro, só uma conversa. Trocar conversa fiada, falar coisas impensáveis, falar com certa liberdade.
Foi aí que eu percebi que eu sou um bobo de querer me afastar de você, porque acordar às cinco da manhã pra escrever essas coisas é ferro. Enquanto outros dormem você se levanta pra escrever besteiras.
Besteiras, quantas besteiras eu disse, algumas não eram besteiras é claro, mas a maioria era, de certa forma eu sinto vergonha das barbaridades que já disse perto de você e com você. Idealmente eu não queria fazer essas coisas, mas no fim, eu fiz.
São 5: 42 da manhã e ainda quero falar com você, mas eu não me emendo mesmo. Vontade chata de querer acordar os outros no meio da madrugada pra no fim ficar contido e não falar nada, é vergonhoso, bastante vergonhoso.
Quando estou com você, conversando, ouvindo, eu sinto que fico mais calmo, mais tranquilo, qualquer coisa que tenha estragado o meu dia é apagada no momento, mas quando ficamos calados é um silêncio constrangedor que me consome e todo um peso caí diante os meus ombros.
São 5: 46 da manhã e ainda tenho vontade de escrever mais baboseiras, acordá-la no meio da madrugada. Vou caçar alguma coisa pra fazer, sei lá assistir um filme brega na TV ou ver a inutilidade dos canais religiosos, eu tenho que tentar esquecer essa vontade absurda de querer conversar com você.
Senti uma vontade maluca de conversar com você e imediatamente fui pro Facebook, mas novidade: Você estava dormindo.
Você estava certa, que tipo de pessoa acorda às 5: 34 da manhã pra pensar em alguém e ainda quer conversar no Facebook? Essa pessoa sou eu.
Na verdade eu não queria conversar no Facebook, eu queria conversar pessoalmente, nós dois, no meio daqueles bancos naquele prédio principal onde costumamos nos reunir, só nós dois, mas nada igual como um encontro, só uma conversa. Trocar conversa fiada, falar coisas impensáveis, falar com certa liberdade.
Foi aí que eu percebi que eu sou um bobo de querer me afastar de você, porque acordar às cinco da manhã pra escrever essas coisas é ferro. Enquanto outros dormem você se levanta pra escrever besteiras.
Besteiras, quantas besteiras eu disse, algumas não eram besteiras é claro, mas a maioria era, de certa forma eu sinto vergonha das barbaridades que já disse perto de você e com você. Idealmente eu não queria fazer essas coisas, mas no fim, eu fiz.
São 5: 42 da manhã e ainda quero falar com você, mas eu não me emendo mesmo. Vontade chata de querer acordar os outros no meio da madrugada pra no fim ficar contido e não falar nada, é vergonhoso, bastante vergonhoso.
Quando estou com você, conversando, ouvindo, eu sinto que fico mais calmo, mais tranquilo, qualquer coisa que tenha estragado o meu dia é apagada no momento, mas quando ficamos calados é um silêncio constrangedor que me consome e todo um peso caí diante os meus ombros.
São 5: 46 da manhã e ainda tenho vontade de escrever mais baboseiras, acordá-la no meio da madrugada. Vou caçar alguma coisa pra fazer, sei lá assistir um filme brega na TV ou ver a inutilidade dos canais religiosos, eu tenho que tentar esquecer essa vontade absurda de querer conversar com você.
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