segunda-feira, 23 de julho de 2012

Uma mensagem para o futuro


       Nesse ano foi encontrada uma mensagem de esperança junto a uma das centenas de estátuas de Lênin ao longo da Rússia.

        Era um pequeno bilhete, escrito por alguns jovens da Juventude Comunista, o Komsomol, provavelmente nos anos 70, aos jovens do futuro, mais especificamente os de 2024 (daqui doze anos), era uma voz da esperança.

        O pequeno bilhete trazia as seguintes palavras




"Desejo que os homens do futuro sejam melhores.
Permitam que suas músicas sejam mais felizes. Permitam que o amor de vocês seja mais cálido. Nós não sentimos pena de nós mesmos porque somos assim: vocês serão melhores que nós.
Melhorem o mundo em nome do comunismo, como Vladimir Lênin nos ensinou e como o Partido Comunista nos ensina. Lênin está sempre conosco!".
"Sem memória não há futuro. Lembrem-se, como nós nos lembramos, dos heróis imortais da Revolução de Outubro e da Guerra Civil, heróis da defesa gloriosa do nosso país nos terríveis anos da invasão nazista. Como eles, nós não podemos imaginar uma vida sem luta e trabalho criativo em nome do comunismo". 



        Obviamente o recado seguiu esquecido por todo esse tempo, mais de quarenta anos, e o mundo nada melhorou em nome do comunismo, e grandes heróis acabaram sim caindo no esquecimento, desde os marinheiros do Potemkin aos soldados que lutaram de modo anônimo uma sangrenta guerra nos anos 40.

         São mensagens simples, palavras igualmente simples, mas que mexem com qualquer que as leia. Tirando as estruturas ideológicas do discurso, um sopro dessa pequena mensagem ainda paira em nós (mais especificamente, em mim mesmo, quando volto a ler o seguinte trecho:


"Desejo que os homens do futuro sejam melhores.

Permitam que suas músicas sejam mais felizes. Permitam que o amor de vocês seja mais cálido. Nós não sentimos pena de nós mesmos porque somos assim: vocês serão melhores que nós"

        Eis a voz do passado junto aos ouvidos do futuro. Infelizmente não tenho grandes esperanças mais que os cidadãos de 2024 serão muito melhores que nós, mas e os de 2045?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Bloquinho largado

        Largado no chão, sozinho, solitário, o pequeno bloquinho de papel amarelado descansava entre um chinelo e um sapato. Estava aberto, num maço a esmo, sem nada, sem amor por si mesmo, apenas aberto numa das antigas anotações feitas a caneta e que borravam com o tempo.


         Ali se tinham planos ideias, anotações, planos importantes, poesias e mesmo coisas inúteis e anotações do dia a dia, mas o mais importante parece estar bem ali, no meio das páginas, escritas em letra cursiva, tremida e nem por isso menos querida.


         "Há tempos observo meu coração palpitar de uma maneira diferente com a qual estou acostumado.
          Tentarei manter-me alheio a um extremo lirismo apaixonado, mas quanto a sentimentos de tal natureza, costumo me exceder em palavras.
           Pois bem, lembro-me do primeiro dia em que a vi, na verdade, era uma noite, uma noite festiva, onde se realizava uma confraternização de nossos estimados amigos... Eu poderia dizer que me apaixonei por você à primeira vista, mas eu pessoalmente não acredito em tais coisas, o que posso dizer é que naquela noite eu comecei a ter uma atração por você.



            O tempo passa, e com o passar dos meses, começo a conhecer um pouco mais sobre você, e percebo que mais e mais passo a gostar de você.

            Decerto, ignoro, obviamente, que tenha desenvolvido nessa época qualquer sentimento relativo ao coração por tão singela criatura como você, mas enfim, no último mês, num dado dia, me vi pensando senão outra coisa que você, se você estava bem, se você viria, se eu a encontraria. Foi naquele dia que percebi que tinha me apaixonado.

            Sei que isso pode parecer estranho vindo de mim, afinal, nunca sinalizei que gostava de alguém em nenhum momento em nosso convívio, mas quero que entenda que essa é uma proteção a qual vedo para não ter mais mágoas no coração.

            Pois enfim, dia após dia, eu queria estar próximo de você, e acada momento que conseguia, eu me sentia feliz e lembro com pesar as várias vezes que sentia vontade de contar-lhe tudo que sentia, de retirar essa questão que me consome, mas o meu total desconhecimento em tais assuntos me impediu isso


           Tomei coragem naquele dia quando disse em plenas palavras: Eu te amo Bia.


            Não é um amor vazio, eu realmente amo você: Eu quero ficar com você, abraçá-la, beijá-la, eu quero ser feliz com você.

             É bem verdade que não tenho muitos luxos nessa vida, afinal, eu não sou rico, e talvez desconheça a totalidade desse verbete.

             Eu não sou um gênio, embora alguns digam justamente o contrário... Sou analfabeto nas coisas que você gosta, e perito nas coisas que aprecio, mas Deus que o diga, eu queria tanto aprender tudo com você!

             Sou muitas vezes egocêntrico, ranzinzo, e até por vezes grosseiro.

            Não sou feliz o homem mais bonito da Terra, nem o mais forte e tão pouco o mais persuasivo, tenho poucos argumentos para lhe dizer que sou um bom par, mas me aterei ao mais franco de todos:

             Farei tudo para que seja amada como você merece!

             Não estou falando de casamento ou coisas assim, tais palavras me dão alergia quando entoadas num determinado som, eu apenas quero que considere essas palavras sinceras que acabei de discernir.

              Eu gostaria que pensasse com carinho em tudo em que eu disse, não há porquê responder agora, afinal, acredito mesmo ter poucas chances mesmo.


            Se você disser "não", por já ter outra pessoa, eu tentarei entender e não a perseguirei como um encosto extenuante sobre a sua vida.

           Se achar que não sirvo para você, diga com toda a franqueza que eu me recuperarei, mas por favor não diga que gosta de mim como amigo, porque isso será mais doloroso para mim do que todas as adversidades da arca de Pandora dispersas no mundo.

           Eu do fundo do meu coração devo dizer que te amo. E que minha face empalidece quando tenho a sombra na minha cabeça de outro homem que possa amá-la e acariciá-la de tal forma como desejei tanto um dia ardentemente beijá-la. Adeus, minha querida, e pense com atenção"





          Sentiu-se um grande pesar ao folhear as pequeninas páginas do bloquinho amarelado, e com uma lágrima escorrendo o canto do olho, chorou sozinho um gemido triste ao mais sombrio sussurro da noite... Ele não a teria, e sabia porquê, ela não o amaria e nem gostaria de com ele conversa ter, sua face empalidecia, e naquela noite solitária, decidiu cair na bebida e desmaiar em sua própria fantasia.



          Sonhava ele em como dormia abraçado com ela, em como os dois se divertiam à sombra da noite, aninhando um ao outro inocentemente... Sonhava ele em como ganhariam a vida, sendo ele escritor e ela uma linda fotógrafa de renome, ela sorria, ele a beijava. Os dois saiam, os dois viviam.

         Sentia o doce liquor da boca da amada e a beijava como um beija-flor beija uma rosa no meio-dia, queria estar com ela abraçado no fim do dia, enquanto o sol desaparecia nas límpidas águas da vida... Pensava até em constituir família! E nas brigas, as mais torpes que fossem, as quais evitaria, queria ele a beijar e se arrepender de tudo que fazia... Mas não era essa sua vida




        Tentam-lhe acordar ao nascer do dia, estirado no chão, sozinho e recolhido como um cão, e tudo que se dedica a dizer é:

        "Deixe-me em paz, não quero mais essa vida. Deixe-me aqui deitado todo o dia"

          E por dois dias ficou deitado, sem comer e nem beber nada, com a sombra de um sonho sendo apagado pela dor do tempo que gira.. No terceiro dia se levanta e prossegue aquela triste vida, nada de fantasia, sonho, ou coisa parecida, sua fria face agora não pensava mais em amor e tampouco em ódio, a tristeza não era mais companhia, e tudo que agora tinha era reconstruir uma alma destruída.




          Seria uma linda novela, uma bela epopeia, sob a égide da lira e dos florins, senão fosse ela uma história de uma vida, de um homem que amou e não pode ser amado, de um pobre fracassado que tombou na sua própria fantasia e que agora se dedica a escrever essa triste poesia sem rima.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Um assunto difícil

        Nos últimos dias foi noticiado que um antigo e conhecido deliqüente e assassino húngaro, que trabalhou por muito tempo com os nazistas, foi encontrado na Hungria.

       Muito se discutiu sobre isso, e alguns argumentaram que a prisão desse velhinho não serviria nada e que ele só serviria como bode expiatório, bem, eu não penso assim:

         Eu acho que o velhinho deve ser mesmo punido sim por seus crimes, mas mesmo assim não devemos esquecer que há muito criminosos que pairam a solta e continuaram a pairar livremente por aí.

         Embora esse não seja o único genocídio na história e tampouco o único relacionado aos judeus e que alguns acharam conveniente acobertá-los. Como o que Luís IX da França, fez aos judeus, no século XIII, se bem me lembro, que por um acaso do destino foram comparados com os mongóis, e morreram em fogueiras e coisas parecidas, essa é uma parte inconveniente para os franceses e para a Igreja, afinal Luís XI virou São Luís depois. Não podemos menosprezar a memória do Holocausto.

            Eu queria poder dizer que a memória do holocausto ajudou para que outros crimes contra a humanidade fossem evitados, mas na verdade, todo mundo sabe que isso não foi verdade, mais e mais massacres acontecem todo dia ao redor do mundo.

           Eu queria poder dizer que o Holocausto visa lembrar todos os que sofreram com a intolerância no passado, mas na verdade ele anda sendo usado para promover outro genocídio na Palestina.


          Muitos genocídios são tão bem acobertados, que pairam até no esquecimento, como genocídio armênio que a Turquia até hoje nega e os Estados Unidos, em meio à Guerra Fria, fizeram que não viram, por causa de não ser conveniente questionar um aliado. Tudo isso é verdade.

          Heróis foram construídos a partir da mácula do sangue em sua armadura, desde César, Carlos Magno, Rei Artur, Aleksandr Nevsky, Cortez, Pizarro, Napoleão, Washington, Lincoln, Lenin e outros. A história humana parece ser uma história de violência e sofrimento.

            A prisão de Csatary vai sim servir para a catarse coletiva, e muitos escaparam e escaparão ilesos, desde Henry Ford a Von Braun. ele será bode expiatório para toda a sorte de genocídios que aconteceram ao redor do Mundo, mas nem por isso pode ser deixado impune, afinal de contas, seria um insulto à memória de suas vitimas.


         Não acredito num mundo em que a violência cesse com um piscar de olhos, ou mesmo num mundo em que de uma hora para outra cessem todos os malefícios da vida.

          Eu queria poder dizer que o nazismo foi a única bandeira que dedicou-se ao morticínio em massa, mas isso nem de perto é a verdade, pois não importa a bandeira, capitalista ou socialista, judia, árabe, cristã, o elemento da violência parece acompanhar a humanidade, mas negação do nazismo, na minha opinião, constitui uma esperança de tentar se transcender o papel violento da humanidade, e isso já é uma coisa positiva


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sem esperança

          Nos últimos dias eu perdi completamente qualquer perspectiva minha de esperança quanto a humanidade.
           Uma fase nebulosa tomou conta de minha alma e consome minha palavra e toda a infelicidade que nada vida escondia transpareceu aos meus olhos.

A sociedade é suja por natureza, a vida é crua com certeza, e nada parece mudar tal avareza.

          Não tecerei discursos xistosos, não me comprazerei com mais lira, sinto minha alma fria e vazia... Rima não é voz, é inimigo atroz, das dores do coração.

           Glorifica-se a morte, mas pouco se sabe que ela é pior que a vida, pois soluções nada dita e apenas dor se incita... Tornei-me um pária de mim mesmo, destruidor de emoções.

Sarcasmo

Sarcasmo é a arma com que o poeta brinda o dia, e o pai brinca na vida.
 Quem sarcasmo percebe, raiva logo aparece
Sarcasmo é tão doce quanto licor que de vez em quando é perturbador

Brinca a sério o comentário austério
Novas palavras forma, e rimas renova
Lira não tinha
E não escreve poesia.
Não me diga,
quem disse que vida é lira?

Mikoian

Mikoian rima com divã
Onde descansa flamboyant
De longa folha
Ajeita a boina


Burocrata parece
Vida logo desaparece
Folha vira documento
Regra vira lei

Democracia de um só homem
Ditadura de uma burocracia
Poeta leva longe
Ninguém sabe pra onde

Mandestam rima
Maiakovsky suicida
Gorky fica
Longe do dia


Tchekhov narra
Glinka canta
Russia chora
Mikoian comemora

Aço faz homem
De lustrosas botas
E grande bigodaço

Cabelo espetado
Pinta desesperado
Morte nas cotas

"Nas tormentas do passado,
O sol brilhou-nos o caminho"
Livre o descansado
Grito de dor encaminho

W

W é letra
muito legal
pois é pedra
Antes de vogal

W é dobro
Velho contorno
De U é V
De V é U

Duplo v
Duplo quê?
W só rima
Quando português vê

Duplo u
Só inglês nota
Pois W é V
Assim como X está pra Z

Z rima com D
Assim com gim pra BB
Piada alfabeto tece
Signo certo desaparece

8

Números são mágicos
100 amigos
Quer dizer muito

7 dá sorte
13 azar
6 é fácil

9 é resposta
Duzia rima com 12
Dia com noite

0 é fim
10 é gim
5 é bico
de 6 amigo

6 e 9 juntam
e formam 96
Mentes sujas pensam
que 8 rima com...

Quebrada noite

      Quebrada a noite, dia de açoite.


       Não adianta ser rico e ser triste, e ter vida sem rir.
       Sente o vento percorrer o corpo. Enche devagar o copo.


         Brinca a sorte com a vida, a morte convida. és triste? és feliz?

         Não sabe ao certo, tudo o que sabe que ode burguesa tece e de tristeza padece.

         Rima decente nem sabe tecer, aconteça o que acontecer, a noite é dormente.

Liga fria

Triste ideia é tecer aquarela
Da noite pro dia
Do dia pra noite

Rima fria
Crua e lida
Voz perdida


J é rima da vida 
Assim como
Ódio chia

Ama a voz
Inimigo atroz
Beija a morte
Xinga a vida

Sem sorte
Alma dividida
Sente-se feroz
Coração da vida

Queres amor,
prepares pra guerra
Queres ódio,
paz teces

Juno dita
A ode cita
Quem ama chora
Quem odeia comemora.


Voz do Destino: o monólogo de quarta à noite

     "Não ame quem te odeia, não chore por quem não te ama, não beba esse doce licor ao qual chama de veneno, não és feliz com o que tens?"

      Não, não sou

       "Choras por quem não sente, que ri enquanto és deprimente, vida,  não açoite sua harmonia. Não acabe com sua lira"

        Pois quem sois? A voz do outro mundo? O soldador do futuro? Nada tem a mim

        "Quem choras e ri tece a grande prece. Eis a ópera da  vida que todo homem padece"

        Nada sois senão filósofo que bebericas o vinho e tentar ser adivinho.

       "Solte sua raiva sobre mim, despeja sua fúria na linha, amor antes tinha"

        Feche sua boca, triste voz do porvir, pois a noite é grande e solta

         "Queres sofrer? A quem queres comover, nem vida, nem morte. Nada de sorte, grita sino a noite o seu pequeno açoite"


          Resigna-te, velha voz, nadas tem a mim senão desprezo.

          "Para que empunhas a faca? Para cortares o vento? Baixa essa lâmina no triste momento"

           Vês o sangue que percorre as veias, carregado de injúria e alento trás voz a praga de vastas gerações.

           "Queres partir, desistir do grande porvir? É tolo em achar que há lugar para você em outro mundo"

            Tens razão, não tenho mesmo onde ir.

            "Viu só, sou grande adivinho. Pega a taça e abra o vinho. Nada é mais triste do que chorar sem nem mesmo bebericar"

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...