terça-feira, 10 de julho de 2012

Rima sem sentido (I)

Norte dia
Vida morte
Sorte tida
Sortida


Fria forte
Porte ria
Portaria

Pia açoite
Noite ia
Noitinha

Rangia forte
Ligote fazia
Ligofazia

Sofrasia
Harmonia
Ê rima
Epifania!


Vinha corte
Norte pinha
Logica tinha,
Lotinha

Morte rima
Prima sorte
Ele tinha
Sofrer não ia



Poema de 10 de julho

Move crescente o dia
Espera que se renove
A canção da cotovia
Gorjeante voando o céu

Rima a sua agonia
Fria é  prima
Obra lustrosa
Cheirosa de sobra

Ontem sorria
Ria ninguém
Ria outrém
Eis a hamonia

Rima se quebra
Amor se chora
Calor se esfria
Eis o amor

Amava uma
Ela não o ama
Dia se fecha
Vento paga chama

Amor se clama
Rima também
Quem ama
Reza amém

Agora triste vida
leva aquela hora
Na mora dura
Da vida ditadura

Quem ama não sente
As dores vis da vida
Convida a morte
Foice consente

Eis significado
Da prosa poeta
Da triste epopeia
Paixão revela.

Uma velha questão do Charco



        Todos hoje assistimos atentamente, ou não, o noticiário relatando a situação no Paraguai, certo? Principalmente os sul-americanos, mais precisamente os brasileiros.

        Isso porque qualquer questão do Paraguai parece ser tão sensível a nós, quanto uma pontada na espinha, talvez porque tenhamos tantos colonos naquelas terras que sentimos certo apego por ali.

       O Paraguai foi com certeza o último lugar em que o Brasil lutou pra valer numa guerra (Tem a Segunda Guerra, mas eu tô falando com deslocamento territorial mesmo, economia de guerra e essas coisas) quando Solano Lopez atacou um forte brasileiro no Mato Grosso, iniciando a tão sangrenta guerra do Paraguai, que eu tive o prazer de conhecer um particular estudador dessa área.

        Foi com certeza a primeira guerra em que o Brasil e Argentina se uniram (devemos lembrar bem qual foi o papel da Argentina na Segunda Guerra, hermanos, vocês tem um passado obscuro), dizem que o Uruguai entrou também na guerra, mas a sua atuação foi tão efetiva quanto a de Portugal na Primeira Guerra Mundial.


          Foi na Guerra do Paraguai que o Brasil usou os seus primeiros couraçados, foi ali que nasceram grandes heróis da pátria (Desde Tamandaré a Caxias), e mais especificamente, foi ali que nasceu o Exército Brasileiro.

Olha o Caxias aí, pose de pegador!


          A Guerra do Paraguai foi usada várias vezes como propaganda pelo Regime Militar Brasileiro para reforçar o papel do exército como supro protetor do Brasil de qualquer ameaça estrangeira, seja paraguaia ou "bolchevique".

          A esquerda brasileira também se apropriou desse evento para reforçar-se com um certo anacronismo histórico, ao reforçar a débil ideia de que o Paraguai era uma potência industrial que crescia a um ritmo galopante (sendo que indústrias mesmo na America Latina só iriam surgir talvez com o Marquês de Mauá, ou mesmo com os argentinos), que desafiava o poderio industrial inglês e que por isso, a Grã-Bretanha teria incentivado o Brasil a entrar em guerra contra os paraguaios, agindo como a força impulsora do capitalismo burguês para sua própria autoproteção. Isso é uma balela.

         O Paraguai era sim governado por um ditador que via o seu estado como gestão pessoal (não havia essa coisa de reforma agrária como alguns teóricos tolos advogam, tudo era de Solano Lopez) e ele queria mesmo invadir o Brasil e a Argentina para ter uma saída pelo mar, através do Rio da Prata. Lopez é tão imperialista quanto Dom Pedro II.

         Segundo, embora alguns digam que não, os paraguaios adquiriram com o passar do tempo, através de contrabando, ou mesmo de compras junto a Europa (notavelmente França e Alemanha), maquinário para fazer guerra: fuzis, canhões e peças de artilharia e eles próprios não eram inocentes.

          Agora também foi estudada a ideia de que o Brasil havia cometido um genocídio sem precedentes no Paraguai, isso é verdade, o Exército Brasileiro, quando ficou aos encargos do conde D'Eu, transformou-se numa máquina de guerra totalmente descontrolada, à medida que o príncipe (um civil sem hábito com a guerra,  a fim de tomar prestígio com a Corte no Rio de Janeiro, decidiu tornar a guerra pessoal), tomou à frente de uma caçada à cabeça de Lopez.

Conde D'Eu, talvez perseguindo Lopez feito um doido no Charco


          Consta nos altos que os homens de Lopez usaram sim escudos humanos, mulheres e crianças e estabeleceram um recrutamento forçado de populações locais do Charco, tanto o Exército Brasileiro como as tropas de Lopez cometeram excessos e abusos: estupros, chacinas e toda a sorte de atrocidades que não eu tremo a mão ao relatar.

            As forças platino-brasileiras venceram após o encargo de vários anos sangrentos de guerra, após longas discussões e desconfianças entre o general Mitre (argentino) e Caxias (pareciam que os dois não confiavam um no outro). O Paraguai foi derrotado, destroçado por uma sangrenta guerra, e demorou muito tempo para se erguer novamente (alguns dizem até que não se recuperou), tendo em vista, que segundo algumas fontes, um terço talvez de sua população tenha sido morta na guerra (eu pessoalmente acho esse número muito forte, afinal de contas, o conflito mais sangrento que já tivemos, a briga entre Caim e Abel, contabilizou o marco de um 1/4 da população mundial)


              Em todo o caso, a Guerra do Paraguai também dera indícios do que iria se tornar prática no Brasil, a corrupção:

               O governo brasileiro adquiriu uma série de novos fuzis franceses junto a uma fabricante de armas, muito embora os rifles sequer fossem comparados com um Mauser ou Enfield, eles foram adquiridos após muitas pressões internas (alguns dizem até que o Conde D'Eu, esposo da princesa Isabel, que era francês, interviu a favor da marca).

               Os rifles foram adquiridos por uma vultuosa soma e depois de alguns meses chegaram ao Rio de Janeiro, do Rio foram mandados para o front... Quando chegaram, nem mesmo a sombra de suas baionetas havia aparecido, eles tinham desaparecido no caminho, muitos até acreditam que foram roubados e vendidos no Mercado Negro (muitas das armas da Guerra do Paraguai até hoje circulam ilegais pelo país).

               Eis o que o governo brasileiro fez? Comprou de novo, e quando chegou, fez garantir que uma escolta armada iria acompanhar os rifles, quando os rifles chegaram ao Chaco, cadê que os homens sabiam operá-los? Ninguém sabia como operar um rifle de ferrolho que não precisava recarregar imediatamente. O resultado, os rifles ficaram encostados.

            O Governo novamente fez um novo esforço e mandou oficiais do exército para a França a fim de receberem treinamento de como manejar os rifles, na França, eles tiveram contato com as ideias positivistas que fervilhavam na época, e o que aconteceu? Eles deram o Golpe no Imperador em 1889, pouco menos de vinte anos após a Guerra do Paraguai.

         
           O Paraguai com o passar do tempo foi governado por sucessivos governos instáveis e ditaduras militares,  o governo paraguaio nunca foi uma estrutura muito sólida (ao contrário do brasileiro, que apesar dos seus problemas, é centralizado), e após passar por muitos problemas ele tornou-se uma democracia nos anos 90.

         
          O governo Lugo, que acaba de cair, foi o segundo que definhou em menos de dez anos no Paraguai. Em 2003, outro presidente paraguaio havia renunciado, suspeito de corrupção.


             A queda de Lugo é nada menos que uma crise do próprio populismo, que não se sustenta muito bem nos países sul-americanos, como um dia já se sustentou (no Brasil ainda se sustenta muito bem), quando alguém promete demais e não cumpre (ou por oposição interna ou mesmo falta de vontade), acaba caindo.

             Fernando Lugo entrou prometendo reformas e mudanças, mudanças tão grandes que a própria elite paraguaia, que controla boa parte do Parlamento, não queria oferecer.

            Sob a alegação de que o presidente fora responsável pela matança de alguns civis (eu não tenho números agora), o Parlamento decidiu pelo impeachment de Fernando Lugo por incompetência e ingerência dos assuntos estatais... Em outras palavras, ele atacou o povo que podia defendê-lo.

             A questão da responsabilidade, isso é discutível, afinal de contas, um governante é responsável por tudo o que a sua nação faz ou deixa de fazer, mas se formos nessa linha, a Dilma podia muito bem ser responsabilizada pelos acontecimentos na favela do Pinheirinho, esse ano mesmo.

            Alguns podem argumentar que Lugo era de esquerda e tal, e daí? Ser socialista não exime alguém de ser idiota (estou parafraseando o que o presidente uruguaio, José Mujica disse certa vez). Chavez mesmo é um tolo que está há poucos passos de se tornar um novo Mussolini (na verdade ele até tem um jeito meio Mussolini em agir). E ataquei mesmo o Chavez, e foda-se qualquer crítica que venham fazer: tá na hora de parar de glorificar esses líderes latino-americanos como pseudodeuses, defensores do marxismo-leninismo, nenhum deles tá fazendo porra nenhuma pra isso!

Eu tõ falando sério, o Chavez tem muito de Mussolini em si



            Alguns irão perguntar: Porque isso não acontece no Brasil?

            A resposta é simples:  O Brasil é diferente, ele não possui qualquer, eu disse QUALQUER, passado revolucionário em sua História. Ao contrário de outros lugares do Mundo, tudo aqui é negociado, até mesmo a independência foi negociada. A última "Revolução" que nós tivemos (A Proclamação da República em 1889), foi também negociada.


              O golpe no Paraguai foi mesmo um golpe, e uso mesmo essa palavra sem medo, foi um golpe do Legislativo sobre o poder Executivo, e embora alguns digam que foi legal do ponto de vista da Constituição paraguaia, ele não teve respaldo sobre o povo paraguaio, muito embora o próprio povo não tenha feito nada para impedi-lo.

         
              A ação do Mercosul em deixar suspensa a participação do Paraguai é altamente explicável:

             Primeiro, os governos o Mercosul, notavelmente, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, assinaram um acordo no fim do ano passado a fim de conter qualquer atentado à democracia de cada um dos membros, com até mesmo uma intervenção sendo cogitada (Talvez já soubessem da fragilidade do seu telhado de vidro).

              Segundo, o Paraguai, assim como o Uruguai, por muito tempo foi contrário à entrada da Venezuela no Mercosul, e a forte resistência do parlamento paraguaio seria suplantada se por ventura o Paraguai fosse eximido de seu poder de voto estando suspenso (muito embora eu acredite que não fosse mudar muita coisa).

              Terceiro, o Paraguai é basicamente uma economia muito fragilizada que se vê profundamente dependente do Mercosul pra muita coisa. Mantendo uma política fiscal bastante liberal, o Paraguai arrecada muitos produtos importados de outros países (sobretudo China) e se tornou uma base de distribuição desses produtos na América do Sul, a baixos preços, já que ele tem redução de tarifas alfandegárias, por ser membro do Mercosul. Esse comércio, muitas vezes também associado ao contrabando, atrapalhava sobretudo a balança comercial brasileira, que tenta resistir ao máximo aos produtos estrangeiros e pro/teger a indústria nacional. O Paraguai atrapalha isso.

             Quarto, embora alguns digam que não, o Paraguai é um membro de segundo escalão do Mercosul, tendo em vista que o grande ponto desse bloco econômico é justamente a aliança Brasil-Argentina (e Uruguai em menor proporção), o Paraguai meio que entrou, mas não foi por uma coisa assim muito espontânea de todo mundo.

             Quinto, os conflitos rurais entre sem-terra paraguaios e colonos brasileiros vem se acirrando com o passar dos tempos, e de certa forma há meio que um desconforto (até na bancada ruralista no Senado Brasileiro) disso por ventura dar força maior ao movimento sem-terra no Brasil.

              Mas mais importante que isso, a ação do bloqueio do Mercosul ao Paraguai seja talvez tentar defender o populismo na América Latina, para que não desmorone com tanta facilidade como desmoronou no fim dos anos 60.

            Eu mesmo não posso explicar em detalhes a postura do governo argentino senão por isso e também por uma profunda antipatia com produtos de vizinhos locais, incluindo o Brasil, que certa forma atrapalha a indústria nacional argentina (dessa vez por competição).

            A postura do Uruguai, embora eu não enxergue um populismo tão forte ali (eu não vejo o Mujica como um populista tanto quanto vejo  o Lula), pode ser expresso em parte por isso, em parte por uma certa pressão até do Brasil e da Argentina.


           Acredito que vá demorar um bom tempo para que o Chaco conheça um líder a sua altura, ou mesmo um sistema democrático que não esteja tão fragilizado quanto hoje se apresenta, mas afinal de contas a fragilidade é uma questão bastante antiga no Paraguai.


sábado, 7 de julho de 2012

A Queda de Berlim: Uma crítica de cinema







         A Queda de Berlim é um filme de duas partes produzido em 1949 produzido pelo cineasta georgiano Mikhail Chiaureli que se mostra entre outras coisas como propaganda escrachada do stalinismo, nascida no seio dos primeiros da Guerra Fria, a obra mostra de forma nada imparcial um enredo cinematográfico.






         Alexei Ivanov era um operário de uma siderurgia que excedeu em muito a sua cota de produção, um adepto do movimento stakhanovita (baseado no caso do operário Stakhanov que sozinho bateu duas vezes estipulada para si na produção de uma fábrica), e por esse motivo é premiado com a Ordem de Lênin e encontra-se com ninguém menos que Stálin.


        Só por si só essa coisa já era difícil de acontecer, um operário simplório encontrar-se o Vojd em sua datcha, mas pra piorar na cena, ele encontra Stalin capinando o mato, uma inserção posterior do hobbie que Stálin adquiriu logo após a guerra, a jardinagem.


Stalin cuidado de seus limoeiros





         Em todo caso, Ivanov não tem muitos problemas para passar pelos seguranças e a unica coisa que tem que enfrentar é o seu nervosismo ao encontrar Stálin, que é foco de uma divinização quase tosca de tudo em que age, e é Stálin que o faz perder o nervosismo e fala naturalmente com o tal Ivanov.






         A atuação Mikheil Gelovani no papel de Stálin, é por demais artificial, nos gestos, na forma de se comportar, de se andar, tudo era bom demais, até pra Stálin, e não à toa que ele era o seu ator favorito.



          Num trecho do filme, Ivanov se encontra com uma professora de escolinha de interior (Natasha) num Congresso do Partido (claro!) e acaba se apaixonando por ela de um jeito muito rápido, só que ela também é cobiçada por um músico, um pianista, e Ivanov fica no dilema de falar que ama ou não Natasha, um drama romântico que parece risível senão trágico, e Ivanov tem um profundo complexo de inferioridade quando está perto do músico.

Natasha no Congresso do Partido


           Eu não sei o quê, mas falta algo na atuação em si que não parece ser muito boa, e o enredo é pior ainda, tem muitas lacunas, parece que o filme foi feito às pressas e o relacionamento de Ivanov e Natasha depois de algumas coisas, Ivanov declara o seu amor, e tanto Natasha quanto Ivanov se beijam num campo de trigo, numa daquelas cenas melosas de filme romântico até que um bombardeio de Stukas rompe tudo e a guerra começa.

Aliocha e Natasha


            Ivanov e Natasha se separam, Ivanov, ferido é levado para retaguarda, onde é tratado, e vem a saber que Natasha foi presa pelos alemães pelo pianista com quem disputava o amor de Natasha, e ao saber que os alemães se aproximam de Moscou, Aliocha (Ivanov) pula da cama onde cambaleava e num sobressalto, como estivesse bem, como se nunca tivesse ficado ferido, seguiu o "chamado do camarada Stálin".

        "Onde está Stálin?", é a primeira pergunta que Aliocha faz.
        "Stalin está em Moscou. Ele é a nossa única esperança", wait, e o Exército Vermelho? Stálin vai sair ao front pisando nos alemães como um titã faria com os humanos? É isso? Dá pra ver uma divinização implícita de Stalin nesse filme, mas também explicita.



          O papel do general Zhukov foi totalmente ocultado, mostrando-o como secundário na Batalha de Moscou, e o de Stálin bastante superestimado, mostrando-o como um líder hábil que levava sempre uma caderneta com os números de soldados nas mãos e decidindo onde e como atacar.


        É bem sabido que Zhukov caiu meio que em desgraça logo após do fim da guerra por ter "ofuscado" a fama de Stálin e por esse fato, nessa altura, foi mandado para comandar o Distrito Militar da Sibéria.


        Enquanto Stálin era a figura controlada (isso era com certeza) e decidida, firme em seu caminhar, que raramente elevava a voz, Hitler era tudo ao contrário, era um louco ensandecido que falava alto, com uma voz de foinha, andava encurvado, dava mostras de loucura (ele era mesmo, mas foi exagerado esse aspecto), com ele andando de forma desforme e sempre nervosa.

Hitler e o seu séquito


       Goering é apresentado como o fanfarrão que se pintava como admirador das artes, mas que não tinha pudores em roubar coleções pela Europa afora (tudo isso é verdade), mas ele próprio também foi apresentado de forma muito caricatural.


        As batalhas mesmo passaram de forma muito rápida, e embora o papel de personagens importantes, como Chuikov em Stalingrado, tenha sido mencionado, a coisa passou de forma muito batida até, mesmo assim não dá pra sentir pena de Ivanov quando ele cai de joelhos diante a sua casa em chamas em Stalingrado.


           A Conferência de Teerã, a última cena da primeira parte do filme mostra um autocontrole imenso de Stálin nas negociações, Roosevelt é mostrado como uma figura simpática e bastante controlada, embora enferma (essa foi justamente a visão que os soviéticos tinham de FDR e não foge muito da realidade) e Churchill, esse sim é a figura mais risível e caricatural de todo o  filme, é mostrado como um obeso que mal se encaixa na sua cadeira, com um maxilar agressivo, voz engraçada e tom fanfarrão em suas palavras, quando ele fala, você sabe que não dá pra levar ele a sério e tem vontade de rir, e mais que isso ele é mostrado como um velho rabujento.

              Devido a Mosfilm ter solicitado os direitos do filme, eu apenas posso fornece o link da parte 1 do filme no Youtube:  http://www.youtube.com/watch?v=t-hZam8dXHU



               A parte 2, é a continuação da guerra mesmo, cortando muitas batalhas importantes da Segunda Guerra e nesse filme já encontramos Aliocha, Ivanov, batendo nos alemães nas montanhas de Seelow, e Hitler definha cada vez mais em sua loucura e embora pareça caricatural a atuação de Hitler, nessa parte ela corresponde ao mais próximo da realidade, com ele tremendo já as mãos, tomado pelo nervosismo e a histeria.


           As tropas soviéticas são recebidas como libertadoras num campo de prisioneiros e tratam em liquidar cada um dos nazistas, e Aliocha que estava no meio disso tudo tem a sensação de estar próximo de Natasha, que coincidentemente por uma sorte muito absurda estava no mesmo campo de concentração e deu a sorte de não ter sido fuzilada pelos alemães, mesmo assim os dois não se encontram.



            Com a vitória das tropas soviéticas mais próxima, Hitler em seu bunker decide se casar com Eva Braun, e a marcha nupcial é executada durante em meio a tiros e à destruição da batalha.

            Segundo o próprio filme, Hitler teria matado a força Eva Braun e depois se suicidado.

              Enquanto essas coisas todas, Aliocha, em meio a batalha é convocado junto com Kataria e outros oficiais, para a missão especial, levar a bandeira soviética para o alto da cúpula do Reichstag, nessa concepção, Ivanov estava na clássica foto tirada do soldado soviético pendurando a bandeira no Reichstag.



           No meio da tomada do Reichstag, o pianista (Kostya), que agora lutava lado a lado com Aliocha é liquidado no meio da batalha e assim abrindo definitivamente para Aliocha de algum jeito.

          Ao fim da tomada do Reichstag quando Aliocha estava para erguer a bandeira junto com Kataria e outros, todos os seus companheiros acabaram morrendo e no final só sobrou Alioucha...


          No fim do filme, quando o Reichstag já está tomado, surge quem?

         Stálin




          Esse é o trecho final do filme, com legendas em inglês a trilha sonora composta por Shostakovich à "glória de Stálin".

         A trilha sonora por si só já é uma mostra da divinização que o filme tenta passar, e Shostakovich, que há muito tempo vivia balançando diante do sistema, a regiu como forma de provar que era leal ao comunismo e a Stalin (muito embora ele próprio não fosse stalinista).

          Logo no início dessa cena, encontramos um erro, um avião vem sendo escoltado por uma esquadrilha de caças, e quando pousa, quem abre a porta, quem? Stálin

         A questão é que Stalin tinha medo de viajar de avião, a única vez em que ele viajara nesse veículo em toda a sua vida foi quando foi para a Conferência de Teerã, e ele, como outros dirigentes da administração soviética se sentiu desconfortável quando o avião sofreu uma turbulência em uma zona de baixa pressão.

          Stalin foi para Berlim de trem e muito bem escoltado.

           Além disso, essa cena desse bando de pessoal saindo correndo feito doidos do Reichstag até o aerodromo é por demais utópica, a própria brigada do NKVD iria conter a multidão até mesmo para a segurança do líder.

           Depois, Stálin cumprimenta Chuikov, Konev, Rokossovsky pela batalha e tal... mas cadê Zhukov? Sumiu, nenhuma menção ao conquistador de Berlim, nada.

           Uma mulher, uma prisioneira (Natasha), fura o bloqueio (que bloqueio?) e fica diante de Stalin e pede para beijá-lo. Onde já se viu uma prisioneira fugir do esquema de segurança do NKVD, correr em direção a Stalin sem grandes problemas, e ele consentir com aquilo e aceitar que ela o abrace e o beije na bochecha, quando na verdade a própria União Soviética duvidava muito da lealdade de seus prisioneiros enquadrando-os como um perigo à segurança nacional até. O NKVD nuca permitiria que uma mulher, principalemente uma prisioneira que "potencialmente pudesse oferecer riscos ao líder" o abraçasse.

          Miraculosamente, no meio daquela confusão toda Aliocha encontra Natasha, os dois abraçam-se e vivem felizes para sempre, e assim acaba o filme.

           Link para  a parte 2 no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=1AHUQ1QRVn4&feature=fvwrel


          A Queda de Berlim, as duas partes, são a parte maior de um filme de propaganda, como eu já disse, e ele totalmente de viés stalinista é usado como exemplo escrachado por alguns de como a propaganda soviética podia produzir tais absurdos e a disparidade com a realidade na União Soviética.

          Stalin nunca foi a uma única fábrica durante o seu governo inteiro, raramente encontrava-se com trabalhadores, até mesmo por uma questão de tentar se proteger (e também um pouco de vergonha de sua aparência, afinal ele tinha marcas de varíola que a propaganda se dignou a não mostrar) e sempre se mostrou de certa forma distante de sua população (assim vemos o caso do abraço até como absurdo).

           A trilha de Shostakovich, apesar de ser totalmente, como filme, stalinista, ela é boa, muito boa mesmo em forma de orquestração e coro, mas o filme, as atuações e mesmo enredo deixam muito a desejar.

          A Queda de Berlim é o supro exemplo do realismo socialista em aplicação no cinema, e como essa arte oficial desejava mais que a arte tivesse uma função coletiva, de educar as massas, do que uma função só de ser arte, de ser bonito, de ter enredos pessoais e coisas e tal... a narração realmente peca em função do coletivo.

           Esse filme é bem atual para sua época, a omissão de Zhukov do filme foi proposital, já que o marechal havia ofuscado Stálin com a sua fama, os aliados são mostrados como traiçoeiros e não confiáveis (tirando FDR, por quem Stalin tinha grande admiração), a divinização de Stalin, que ele próprio no início se recusara e agora acabou acreditando mesmo que fosse essa coisa "divina".

              Embora toda vez que eu vejo esse filme, tenho a vontade de rir de muita coisa, ele mostra bem como era a questão do culto de personalidade na União Soviética. Esse não é um filme de Aliocha ou de Natasha, que até são deixados em segundo plano, esse é um filme de Stalin e de como Stalin é grande, de como Stalin derrotou Hitler, aquele louco insano e assassino, essa é a ideia do filme mesmo.

O grande imperador



       O que remete a vocês se eu falar o nome de Gêngis Khan?

       Um assassino inveterado das estepes mais longíquas, usando um capacete na cabeça e um monte de peles no corpo, um bárbaro sanguinário que não hesitava em agir sem o menor tipo de escrúpulos e que conquistou meio mundo pela frente... Tudo isso é verdade.





        Mas o Khan Temudji entre outras coisas, além de ter unificado uma das terras mais dispersas do mundo, a Mongolia, com um exército anteriormente formado de caçadores e pastores, ter estabelecido guerras com as nacionalidades vizinhas (como os tártaros, pois uma coisa que descobri que tártaros não são mongóis), ele formou um exército de cavaleiros altamente treinados, um sistema de seguridade bastante eficiente (que estabelecia uma parte dos espólios às viúvas e os orfãos de seus soldados) e uma distribuição dos espólios proporcional ao esforço em uma batalha.


         Gengis Khan, como alguns sabem, nasceu numa porção das estepes da Mongólia mais ao nordeste, próximo ao rio Onon, seu pai raptara sua mãe de outro homem, e com ela Yesugei (pai de Gengis que já tinha uma outra esposa), constituiu uma família um pouco grande.

        Gengis cresceu num panorama de horror e assassinatos, e supõe-se que seu pai tenha sido envenenado pelos tártaros, com a morte de seus pais, Temudji com seus irmãos, teve que sustentar sua família com animais de caça (às vezes eles comiam até ratos e outras iguarias indesejáveis) , e numa das brigas que teve com o seu meio-irmão mais velho, ele o matou, quando já tinha onze anos.

          A ascensão de Gengis Khan é descrita em pormenores no livro: Gengis Khan e a Formação do Estado Moderno, que tive o prazer de ler, da Bertrand Brasil.


         O Khan, quando ascendeu ao poder, após entrar em guerra com o seu antigo irmão de sangue (é explicado no livro) e com o seu antigo protetor, estabeleceu uma campanha de unificação dos povos dispersos da Mongólia, integrando os povos conquistados ao seu, inclusive os tártaros, com quem travara duras guerras (os tártaros, tal como os sabinos como os romanos, eram povos vizinhos aos mongóis que quando perderam a guerra foram integrados ao império de Gengis Khan como seus súditos).

         Governando, o Khan estabeleceu um sistema de leis que se punha acima dele próprio (uma coisa inédita até para o Ocidente), baseado no fato de que a lei é superior a todo inclusive ao rei, proibiu a tortura (ao  contrário dos Ocidentais como o Vlad, o Empalador, tempos depois, que se compraziam em torturar alguns), por considerá-la desonrosa e incabível a um mongol, estabeleceu imunidade diplomática entre os emissários (mesmo os inimigos) e além de ter assegurado a Rota da Seda sob os seus domínios, ele também estabeleceu o uso do papel-moeda, muito mais prático, para trocas comerciais.


            Após ter unificado a Mongolia, um emissário do junche chegou à sua ger (uma tenda feita de feltro, típica na Mongolia) e requiriu que ele se submetesse, o que ele considerou um insulto, porque Gengis Khan nunca aceitou ser vassalo de ninguém, o resultado disso foi nada menos que a tomada de boa parte da China.

            Aos 60 anos, quando já estava na flor da idade de se aposentar, Gengis Khan teve quase um ataque de epifania e decidiu atacar com os seus homens o Oeste, as porções do Oriente Médio, e o resultado que se deu foi o maior império já construído na face da terra.

            Os mongóis eram sim assassinos sem muitos escrúpulos, não tinha códigos de guerra, mas se recusavam terminantemente à tortura e quando faziam era a contra gosto, eles não gostavam do derramamento de sangue, por achar que o sangue continha a alma de um homem, e muitas vezes preferiram enrolar seus prisioneiros em tapetes de feltro para em seguida pisoteá-los.


           Ao contrário dos europeus da época, eles tinham aversão à exposição dos mortos em praça pública, e quando isso lhe aparecia, puniam impiedosamente quem se dedicasse a isso (inclusive alguns monges na Hungria, num caso, em que eles balançaram crânios de mortos para intimidar os mongóis)

         
           O fato é que os mongóis tomaram uma porção de mais de 20 milhões de quilômetros de uma área que saia da Coreia, a China, e o Vietnã, passado pela Mongólia, os países islâmicos da Asia Central, o Paquistão, o Norte da Índia, a Pérsia, o Cáucaso, a Sibéria, os principados russos, até chegarem à Polônia e à Hungria. Isso com liberdade religiosa em todo o seu território e com um sistema de coleta de impostos e de transportes assustadoramente eficiente: Um certo monge cristão levou um ano para sair da França em direção aos domínios da Horda Dourada de Batu Khan (no que seria hoje uma porção da Rússia), um ano para sair da Europa!, e levou algumas semanas para chegar à Mongólia. Isso era uma disparidade absurda!

File:Mongol Empire map.gif

           Mesmo com tudo isso, não vamos nos iludir em dizer que os mongóis eram humanistas e tal, que eram homens à frente, e outras baboseiras que alguns tentam fazer, eles não eram nada disso, mas os europeus também não eram:

            Quando os mongóis ameaçavam tomar por fim a Hungria e daí em diante toda a Europa, os religiosos cristão logo colocaram a culpa das desgraças dos cristão em quem? Nos judeus, acusando-os de serem parentes do mongóis e que agora se compraziam com as desgraças que os tártaros traziam.

              Isso são acusações infundadas, mesmo naquela época já eram, só pra falar da distância que existia entre a Palestina e a Mongólia, já dava pra ver isso, mas em todo caso,  Luis IX da França não hesitou em mandar queimar milhares de judeus em praça pública e por esse motivo foi canonizado como São Luís pela Igreja Católica.


              Em todo caso, esse livro mostra um outro retrato dos mongóis diferente com o qual estamos acostumados, afinal de contas quem não pensou em Gengis Khan como a versão piorada de Atila? (Na verdade os mongóis eram de certa forma parentes dos hunos), e tira a máscara romântica do cavaleiro medieval europeu que alguns têm até hoje!

             Eu recomendo essa leitura de forma até enfática, porque até a narração do corpo do livro é bastante boa.

A partícula de Higgs


         Sim, faz muito tempo em que não redijo nenhum texto e parece ser estranho que ao redigir seja justamente sobre física, eu particularmente, nunca fiz isso, embora por um decurso do destino quase caí na Engenharia.

         Eu lembro da primeira vez que ouvi sobre a partícula de Deus, foi em 2010, quando me contaram sobre o megaprojeto do acelerador de partículas na fronteira entre a França e a Suíça.

          Na época havia o alvoroço de que se encontrassem a dita partícula de Deus, ela seria de difícil controle e resultaria na própria destruição da Terra, um alarmismo sem precedentes, estamos em 2012 e o mundo ainda não acabou.

          O estudo dessa partícula idealizada pelo físico nuclear com mesmo nome, Higgs, tem quase sessenta anos, sessenta ininterruptos anos, ela é a procura do homem para aquela clássica pergunta: De onde viemos?

          Todo o ser humano se pergunta de onde viemos, alguns dizem que foi do pó (não é de todo errado, nós também somos algum tipo de poeira cósmica do Big Bang), outros dizem que fomos criados do barro pelo sopro divino, eu respeito essa concepção, mas aí tem a questão, de onde surgiu Deus? E Nietzsche provavelmente diria: O homem criou Deus!

           Em todo caso essa busca pelas origens move homens desde os tempos remotos, mas tem um surto quase revolucionário em meio ao século XIX, quando os movimentos nacionalistas pela Europa afora tentavam se identificar como filhos destes, sobrinhos daqueles, retomando aqueles discursos velhos de: "Nós, helenos", "Irmãos de espadas, teutônicos", "Cidadãos e pais discursantes, romanos".


             A busca por identidade é uma necessidade humana de tentar se identificar com algo, de tentar retirar o seu vazio existencial, de tentar pelo menos entender o porquê do mundo é assim, do homem de ser desse jeito, não é uma busca ideológica, é uma busca existencial.

             Os comunistas lembram com orgulho os velhos revolucionários, os "pais marxistas", Marx, Engels e Lenin, alguns Trotsky, Stálin e Mao, outros, como eu, além da tríade superior marxista (alguns vão ter calafrios ao recorrer-me a essa quase heresia), lembram-se de revolucionários menores que tiveram sua importância na primeira revolução, Bukharin, Reed e afins.

              Essa é uma tentativa de se identificar com os antigos e os pioneiros da escola marxista, e essa tentativa de se identificar como "seguidor de Lênin", "trotskysta" (embora isso seja até um insulto em alguns ramos comunistas), maoista, é também uma tentativa de ser como Lênin, pensar como Lenin, agir como Lenin (ou nos outros casos, como Trotsky ou Mao).


              A identificação faz você pertencer a um grupo social, a uma classe em que você queira ou não se inserir, e como todos os homens se sentem mais ou menos confortáveis com a sensação de um pertencimento a um grupo ( tendo em vista que o homem é indivíduo social), que remonta desde os imemoráveis tempos de caçador, quando ser de um grupo de caçadores significava a vida ou a morte, dependendo da ocasião.

              A busca pela partícula de Higgs é a busca de se identificar com o Universo ou para alguns mais crentes, para se encontrar com Deus e identificar-se com ele, tal como um órfão tenta fazer com a foto de sua mãe ou um abandonado a procurar o pai.


             Esse é o propósito que vejo ao se procurar por essa partícula "divina", provavelmente ela irá reforçar a velha e boa conhecida teoria do Big Bang (ou mesmo refutar, pois em matéria de ciência, mais se refuta do que se prova), irá talvez abrir caminho para novos caminhos na ciência, tal como a Teoria da Relatividade abriu tempos atrás.

              A ideia da obtenção dessa partícula é tão similar a um processo de fissão que acho até que não vale a pena explicar, as partículas de prótons são jogadas umas contra as outras em altíssima velocidade, tal como uma criança faz quando brinca de bolinha de gude, e essas partículas se desintegram em partículas menores, que por sua vez podem colidir entre si ou não e assim forma-se uma ação em cadeia.

             
              Mas como aprendi que perguntas as vezes são mais importantes que respostas (nas Humanidades isso é regra), eu devo inquirir:

             De que vale saber sobre as origens senão se sabe para onde se vai?
             De que adianta tentar encontrar respostas se nem boas pergunta se fazem?


              A questão maior não é de onde viemos, a questão maior é  pra onde vamos, e como nós não temos grande controle sobre o futuro, sequer nos dedicamos a pensar sobre isso (nem se quer na verdade, afinal pode-se cair no perigo da futurologia).

             Temos pleno domínio do presente e mesmo assim o ignoramos, imaginem o futuro, em todo caso, a busca humana deve ser empreendida não só na busca das origens, mas na busca por um futuro melhor, e nisso, não só (mas também) a ciência entra no jogo, mas como também o conhecimento humano sobre si, e mais que isso o pensamento humanístico que o homem deve ter consigo e com outros.

             Se o futuro não for pautado na tecnologia a serviço do homem ou mesmo no papel do homem como gestor responsável de si e de seu futuro, nada teremos um bom futuro, e sim apenas mais uma repetição maligna do passado.


            Pareceu confuso esses dois trechos, mas o que eu digo é que o homem, mais do que se importar com a sua origem, deve se importar com o seu futuro, deve trabalhar para que não haja mais guerras, fome, ou injustiças, deve trabalhar para que a tecnologia que hoje é tão bem empregada na morte de seus semelhantes ou no consumismo desesperado, seja usada em prol de todo o corpo da humanidade.

           É uma utopia? Até pode ser, mas antes utópico que distópico!

             



domingo, 24 de junho de 2012

Diferenças de nomenclaturas



         Eu certa vez li nos comentários alguém me perguntando se o Hermitage, o grande Museu de Preservação da Arte Russa foi destruído em Stalingrado... Devo dizer que quase tive um troço.


         Eu acredito que isso tenha sido fruto de um equívoco com o qual alguns não estejam acostumados, nesse caso eu me proponho em resumir em poucas palavras: O Hermitage foi formado por Catarina II, a Grande, a partir da compra de  225 telas e obras flamencas e alemãs de um mercador berlinense chamado Gotzkowski.


         O Hermitage nasceu do seio cosmopolita de São Petersburgo, e embora tenha sido transferido várias vezes de palácio em palácio ele continuou em São Petersburgo e com a Revolução, aconteceu a infelicidade de algumas obras terem sumido (caído nas mãos do Mercado Negro) e outras obras foram espalhadas por outros museus ao longo da URSS, mesmo assim o Hermitage continuou em São Petersburgo, no atual Palácio de Inverno dos Romanov.


Ficheiro:Zimní palác (3).jpg
O Palácio de Inverno na margem do Neva



            Talvez esse erro tenha ocorrido porque houve uma confusão com a nomenclatura... Nos tempos da União Soviética, a "Veneza do Norte", São Petersburgo foi renomeada com o nome de Leningrado ("A Cidade de Lenin", literalmente).


            A mudança de nomes de São Petersburgo é uma história curiosa, a cidade de São Petersburgo (Cidade de São Pedro), foi fundada por ninguém menos que Pedro, o Grande, a fim de tornar a Rússia mais próxima dos centros ocidentais de cultura e desenvolver a "atrasada" Rússia e assim a capital foi transferida de Moscou, a antiga capital de Ivan, para essa cidade dos canais no Noroeste da Rússia.


             São Petersburgo foi construída sobre um terreno muito instável, pantanoso, e repleto de rios e nascentes numerosas, a cidade ficava em terras recém tomadas dos Suecos por Pedro, o Grande (mas pertenceram anteriormente à República de Novgorod no século XIII), e a pressa de Pedro resumiu-se na construção fenomenal de quase vinte anos de uma nova capital europeia (a construção de Brasília levou menos tempo é claro, mas considerando o aparato tecnológico do século XVI-XVIII é um feito muito gigantesco).


             Mandou-se trazer engenheiros e arquitetos italianos que resolveram o problema do terreno com uma larga linha de canais e diques para conter inundações entre outras coisas, a capital do Norte, como alguns russos chamam, é notavelmente inspirada com o barroco italiano e influências neoclássicas nos seus edifícios, não a toa chamada de "Veneza do Norte".


File:Summer in startgallery.jpg
"A Veneza do Norte"





              Durante a Primeira Guerra Mundial, o czar Nicolau II decidiu renomear a cidade para Petrogrado (CIdade de Pedro), por achar Petersburgo um nome muito alemão, e não muito legal para a capital de um país em guerra com a Alemanha (o engraçado que o czar tinha ele próprio um grau de parentesco com o Kaiser Guilherme II).


               Com a revolução, os bolcheviques tomaram o poder e decidiram retirar qualquer vestígio do czarismo e com a morte de Lênin, a cidade foi renomeada mais uma vez para Leningrado.


              E esse hábito de renomear cidades se tornou prática entre os bolcheviques, Ekaterimburgo ("Cidade de Catarina), passou a se chamar Sverdlorvsk, em homenagem a Iakov Sverdlov  o moribundo líder do Partido Comunista e primeiro presidente da URSS (Lênin nunca foi presidente da URSS, mas era o líder in facto) que entre outras coisas organizou o aparato burocrático do partido e foi um dos mentores da morte dos Romanov, que morreu prematuramente de tuberculose.


               E Stalingrado? O maior palco da mais sangrenta batalha de todos os tempos, a "cidade de Stalin", na margem esquerda do Volga, era a anterior cidade de  Tsaritsyn ( A cidade da Ilha Amarela, segundo alguns, mas eu acredito que seja a "Cidade da Czarina"), data do século XVI a sua existência e ali se deu boa parte dos levantes cossacos no período do Império.

              A cidade de Tsaristyn está profundamente associada aos cossacos que habitavam as planícies entre a bacia do Don (Donbass) e o Volga, onde se encontravam com as populações tártaras, e durante a Guerra Civil, quando os cossacos se aliaram em massa ao movimento Branco, essa parte sul do país passou a atuar contra os bolcheviques.

             Os Brancos, liderados pelo general cossaco Krasnov dominavam a área, e Tsarinstin, que nessa época já era um importante ponto de ligação, pelo Volga, entre a parte norte do país e o Cáucaso, caiu no jugo das tropas do general do Exército Branco Denikin.

             Por volta de 1918 a 1920 os bolcheviques tentaram várias vezes tomar de volta essa importante cidade no Volga, mas a vitória reconhecida só viria em 1920 quando as brigadas do Exército Vermelho enfim conseguiram adentrar na cidade.

              Foi na Batalha de Tsaritsyn que Stalin começou a se destacar na sua atuação na Guerra Civil, foi ali que conheceu muitos de seus aliados que iriam a fazer parte de seu governo nos anos seguintes, desde Voroshilov, Budiony e outros (Os cavalarianos que iriam atrapalhar muito na Segunda Guerra Mundial) e foi em Tsaritsyn que ele iria nutrir seu ódio pelo general Tukhachevsky.

              Conta a lenda que a cidade inteira foi destruída e por ordem do próprio Stalin, ela teria que ser reconstruída e se tornar uma cidade-modelo do socialismo, Stalingrado.

A cidade-modelo de Stalin 



             Os filmes de propaganda mostram até o absurdo de Stalin andando pelas colinas de Stalingrado com uma prancheta, como se fosse um arquiteto, e mostrando com o dedo para os outros o que devia ser construído em cada canto.

              Após a destruição de Stalingrado na sangrenta batalha da Segunda Guerra Mundial, a cidade foi novamente reconstruída, usando a mão de obra de prisioneiros alemães capturados, e nos anos 60, com a desestalinização, a cidade passou a se chamar Volgogrado (Cidade do Volga).

              E continua a série dos "grados", e até hoje a gente encontra na Rússia cidades com esses sufixos, mas o caso talvez mais chocante talvez seja Kaliningrado (Cidade de Kalinin) que continua com esse nome até hoje.



               A antiga cidade de Königsberg, na parte leste da Prússia, foi tomada na Segunda Guerra pelas tropas do Exército Vermelho pelo Segundo Front Bielorrusso, do General Rokossovsky, e passou a integrar a União Soviética, isso é possível apenas porque os países Bálticos, Lituânia, Letônia e Estônia faziam agora parte da URSS, e faziam fronteira com a região de Konigsberg.








               A antiga cidade de Kant passou para a União Soviética como espólio de guerra e foi renomeada para Kaliningrado, em homenagem líder do Presidium da União Soviética e revolucionário bolchevique Mikhail Kalinin, que havia morrido de forma muito moribunda em 1946, e por ser "amigo" de Stalin, acabou tendo essa homenagem póstuma.





 


        Hoje a cidade, apesar da separação formal e in facto dos países bálticos, continua sob  juridição russa,  sendo um entrave geográfico entre os países bálticos e a Polônia, veja o mapa.





sexta-feira, 22 de junho de 2012

Barbaroxa


        22 de junho de 1941... Há 71 anos, a maior ofensiva terrestre da História foi empreendida pelo imaginário belicoso de um país comandado por uma figura enérgica, nanica, de voz forte, bigodinho engraçado e franjinha meio emo... A Alemanha tinha invadido a URSS.

       Era o início de quatro anos sangrentos de guerra que só acabariam com  a queda de Berlim em maio de 45.


        Essa postagem não se dedicará a explicar o porquê de Hitler ter invadido a União Soviética ou mesmo o porquê da União Soviética ter se deixado enganar tanto... Isso foi muito discutido entre renomados historiadores, e agora tais discussões englobam até os manuais de beira de estrada de História Militar.

        O que nos dedicaremos será a um pequeno estudo das fotografias da época da Invasão em si.


File:Bundesarchiv Bild 101I-769-0236-23, Frankreich, Panzer 35t und Panzer IV.jpg
Panzers IV cruzando a fronteira da URSS


           Os alemães cruzaram sem grandes dificuldades por terras vastas durante as primeiras semanas de guerra, e não encontravam grande resistência até o general Zhukov e outros comandantes militares tomarem plenos poderes nos desenrolares das batalhas.

File:Operation Barbarossa - broken tank.jpg
Esse é um pequeno tanque ligeiro soviético T-26 destruído no campo de batalha



       Como sabemos bem o Exército Vermelho deparou-se com um exército muito bem treinado, muito melhor armado e melhor comandado que o seu. Embora os soviéticos tivessem um número maior de tanques e tropas, o total despreparo das tropas somado aos equipamentos antiquados como o tanque loo acima, além de ordens controversas e o desespero no Alto Comando, pesaram em um muito nos primeiros dias da guerra.



          Os T-26 se demonstraram inúteis frente aos Panzers III e IV, tanto por sua blindagem ser fraca como as suas armas sequer penetrarem na cobertura dos oponentes, esses tanques eram fadados a destruição quando partiam ao ataque e logo se revelaram inúteis, assim, inventou-se então o tanque teleguiado: Um tanque guiado por um controle remoto, que era conduzido cheio de explosivos e era levado ao campo do oponente, após os tiros disparados contra essa arma suicida, ela era disparada a distancia contra quem estivesse próximo e tudo ia aos ares.


File:Operation Barbarossa - Russian planes.jpg

          Por falar em ares, vale a pena falar da aviação soviética....

         Antes de ser deflagrada a agressão de 22 de junho, aeronaves alemães realizaram voos de reconhecimento no território soviético a fim de ter a localização dos campos de pouso oponentes, 

           Quando a guerra foi levada às estepes da Rússia, um ataque maciço da Luftwaffe pegou desprevenidos os falcões soviéticos e muitas das aeronaves soviéticas foram abatidas ainda no chão (mais de 1000 nos primeiros dias de guerra). Essa foto mostra bem o estrago causado por esse ataque da Luftwaffe, a aviação soviética nunca iria se recuperar de maneira satisfatória em toda a guerra.


File:Operation Barbarossa - Germans inspect Russian plane.jpg


           Muitos dos postos avançados na fronteira foram deixados desprotegidos entre o pânico dos primeiros dias e o desastre maior foi quando deixaram desprotegidos os aviões ainda restantes (boa parte tinha sido destruída antes mesmo de levantar voo) e elas acabaram a mercê das tropas alemãs, essa fotografia mostra oficiais alemães inspecionando aeronaves soviéticas, um  Yakovlev UT-1 e um Polikarpov I-16, respectivamente.



File:RIAN archive 660791 Red Army soldiers. Leningrad defenders.jpg
"Soldados do Exército Vermelho. Defensores  de Leningrado"







File:RIAN archive 284 The war in winter.jpg







































              "A guerra no Inverno", soldados soviéticos entrincheirados próximo a Moscou, em apenas três meses os alemães tomaram um golpe tão rápido que já ameaçavam agora a capital russa.




File:RIAN archive 67349 Red Army soldiers firing at the enemy.jpg


       "Soldados do Exército Vermelho atirando no inimigo", foto também da Batalha de Moscou.


File:RIAN archive 266 Tankmen going to the front.jpg


"Tanquistas vão ao Front"




File:RIAN archive 2027 Moscow workers-militiamen.jpg
         "Trabalhadores-milicianos em Moscou", para a defesa da capital soviética nada mais sólido do que convocar dentre o exército soldados das brigadas de trabalhadores das indústrias para defender sua pátria.






File:RIAN archive 4406 An attack near Moscow..jpg



     " A Derrota frangorosa dos alemães diante Moscou", título de documentário até, a derrota dos alemães não foi fácil e se revelou muito custosa, mas elevou o espírito patriótico para os quatro anos seguintes de guerra, a vitória soviética ainda não estava consolidada e a virada de ventos só iria ser mais visível em Stalingrado.







quinta-feira, 21 de junho de 2012

Comentários sobre a RIO +20

           O entusiasmo do Brasil ao presidir os trabalhos da ECO +20 só foi particular mesmo do Brasil, porque as lideranças europeias e de outros países anteriormente chamados de ricos, demonstravam na verdade um receio de serem compromissadas de medidas duras como as da ECO 92.

           Eles não querem investir mais no meio ambiente, pelo simples fato de se importarem mais com o fato de suas economias estarem cambaleantes demais para investir em matrizes energéticas caras e não terem interesse em mudarem seu sistema de produção, com as empresas falidas, inflações e desempregos astronômicos, é até inviável fazer isso.

            O Brasil foi sim utópico ao achar que esse encontro iria trazer grandes mudanças, e além do mais, hoje ganham força os comentários de que o aquecimento global é uma balela, ou que não contribuímos em nada com isso. Isso obviamente é alimentado pelos industriais que são mais interessados em não mudar as matrizes energéticas ou porque não querem arcar com os custos, ou porque sobrevivem a partir delas, e dessa maneira não querem ser penalizados por uma nova ordem na produção mundial.

           
             Os países emergentes solicitaram a quebra de patentes para produzir novos meios em conformidade ao respeito ambiental, logicamente, a recusa dos países possuintes dessas patentes foi gritante, afinal ficariam sem muito para negociar e lucrar em cima dos emergentes.

               O Brasil, pela primeira vez que me lembro dessas conferências, colocar em pauta uma questão de igual importância mundial nas discussões, a meta de erradicar a pobreza e a pobreza extrema em todo o mundo.

                 Os debates ecologistas nunca tinham levado em consideração esse lado social, entretanto, nas negociações isso também falhou...

               Os que acusam a China de ser a maior poluidora do mundo, agora se curvam ante ao colosso chinês de uma cidade completamente sustentável, coisa que nem os americanos se aventuraram em fazer...


                O Brasil que falou tanto que o texto geral foi sem grandes ambições e que os líderes mundiais deviam pensar mais no mundo, ele próprio dá mostras de quão grande é a sua cara de pau, pois ao mesmo tempo em que dá puxão de orelha nos outros, por não pensarem no meio ambiente, ele mesmo está prestes a aprovar um código florestal que anistia infratores de leis ambientais e grandes produtores que por anos desmataram florestas, como a Amazônia.


                  A RIO +20 é  a mostra da falência da conciliação entre o capitalismo e a ecologia, e não se deve culpar muito a isso, afinal de contas isso estava mesmo fadado ao fracasso.

Futuro verde?

        Nesses dias de grande conturbação no cenário mundial, somos informados que o evento para a preservação mundial fracassou desgraçadamente...
 
        Fracassou a Rio +20 pelo motivo de tanto os Estados Unidos, quanto a Alemanha, Rússia e afins, terem se recusado a participar de uma conferência em favor do clima, mas pior que isso, desde que a reunião foi marcada, ela estava fadada ao fracasso.

          Fadada ao fracasso, ela, não só por já no começo os governos mundiais não terem mostrado nenhum  interesse em mudar suas concepções, mas fracassou principalmente às amarras que seguram o movimento ecologista.

             O movimento ecologista é refém sim do capitalismo, ele visa não revolucionar toda a sociedade em prol de um bem estar ambiental, mas menos que isso, ele hoje visa apenas reformar a corrente de pensamento da sociedade consumista, e tornar o consumo mais sustentável.... Em outras palavras, ele crítica o capitalismo, mas depende dele para sobreviver.

             A questão do desenvolvimento sustentável é uma espécie de doce para tornar mais tragável a mistura de remédios que são amargos ao capitalismo, gastar mais para não destruir muito, e ainda produzir de forma consciente... A fórmula torna-se mais tragável quando se fala que no futuro, os custos para produzir serão menores, e que não se precisará pagar pela energia por exemplo, porque descobriram que a do Sol é de graça!


             Não vejo grande consciência ambiental no espírito do capitalista em si, o que ele visa fazer não é tentar salvar o planeta, mas ele próprio quer reduzir seus custos, e se alguma medida ambiental tornar impraticáveis os seus lucros, pode ter certeza que não será aplicável... Além disso, tem a questão da imagem, que agora começa a importar na sociedade de consumo, onde pela lei de concorrência, uma "empresa verde" é melhor cogitada do que uma poluidora... Não existe altruísmo no capitalismo.


             Os ecologistas acreditam mesmo que de uma maneira pacífica, de livre-iniciativa, todos irão mudar seus pensamentos e irão abandonar seus automóveis poluidores, a energia suja que entra em suas casas e confortos para desenvolver um meio menos poluente ao mundo... Não é tão espontâneo assim.

              A consciência climática vinha vingando muito bem até o começo da crise, mas quem pensa em natureza quando os seus negócios são fechados, seus empregos somem e o seu país está na bancarrota... Ninguém pensa na natureza.

              "A natureza não negocia", o secretário da ONU mesmo disse, e ela não negocia mesmo, ela não quer saber de crise financeira, de negócios arrasados, desabrigados, ou sei lá das contas, ela faz o que tem que fazer... Tufões, derretimento das calotas polares, aquecimento global.... Isso não é negociado!

               
                Estamos ao mesmo tempo numa crise financeira e ambiental, e o que temos para piorar, a submissão dos ecologistas ao poder do Capital... Se as previsões estiverem certas, e se continuarmos a tomar medidas tímidas, como essa na Rio +20, pode-se dizer que já devemos procurar um novo planeta para morar porque tudo vai por água abaixo.

                Ecologistas, se visam salvar o mundo, não deixeis cair nessa submissão, sois fortes, trabalhem vocês mesmos por sua causa, não esperem pela boa vontade de líderes que precisam de mera epifania para salvar o Mundo... Pensem em um novo, pensem vocês em um novo futuro!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Rimas sem sentido

Corre luz litoral
Venha cá vendaval
Longe não é distante
Vento observante

Saia já do vocal
Venha cá vendaval
Amor não é constante
Nem mesmo ao amante

Roda redemoinho
Queima o pão
Roda moinho
Roda pião

Junte-se ao coral,
Ó grande corporal
"Vida canta semelhante,
Nada chora semblante"

Eis a magia do musical
Três na forca
Dois no vocal
Prosa semanal


Rima conjugal
É coisa do coração
Amor carnal

Fecha o pão
Bate a paixão
Dor constante

Quebra rima
Flor distante
E finda cantoria

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...