domingo, 20 de maio de 2012

Parada da Vitória


      Ao anoitecer do dia 8 de maio de 1945, em Karlshorstla, na periferia recém destruída cidade de  Berlim, na Escola de Engenharia Militar da Wehrmacht, o Alto Comando Alemão se reuniu para  formalizar a sua rendição formal às tropas aliadas, pondo fim a Segunda Guerra Mundial.

          Nessa cerimônia, houve episódios curiosos. Em primeiro lugar, começou mais tarde do que o previsto, devido ao atraso dos três principais chefes do Exército alemão que deveriam assinar o documento: o marechal Wilhelm Keitel (Exército), o general Hans-Juergen Strumpff (Aeronáutica) e o almirante Hans Georg von Friedeburg (Marinha), ao que pareceu, o atraso foi proposital. Além disso, o texto da ata enviado de Moscou chegou com um erro linguístico.


  
          O general Keitel com certeza pode ser chamado do líder militar provisiório da Alemanha após a morte de Hitler, e sendo Keitel um nazista fanático, daqueles que lutaram a Primeira Guerra e tinha a noção que haviam sido traídos, aquele evento para ele foi uma humilhação.

  
       Na verdade era pra ser mesmo, afinal de contas, após anos a fio de carnificina, os vitoriosos se deixaram ao luxo de haver um pouco a se jactar sobre o inimigo... E assim se seguiu nas três cerimônias para a rendição das tropas alemãs, mas a última é sem dúvida mais importante.

         Ela é interessante de um ponto de vista curioso, afinal de contas, ao entrar na sala e ver o general francês Jean de Lattre de Tassigny, o marechal alemão Keitel teria comentado "não, você não!", ou, segundo outra versão: "os franceses também estão aqui? Só faltava isso".




        A humilhação que os alemães haviam feito aos franceses na Guerra Franco-Prussiana e na Rendição de 1940 agora estava paga.


           Em todo caso , a cerimônia de Berlim, exigida por Stalin deveria ser presidida por ninguém menos que o próprio marechal Georgy Zhukov, conquistador de Berlim (outra cerimônia havia sido feita com um general soviético de segunda importância, mas isso só irritara a Stálin), começou em 8 de maio quase à meia-noite (ou seja, já era dia 9 de maio, em Moscou, devido à diferença de fuso), e terminou, com o atraso de Keitel, e no dia 9 de maio à 00h45 (coincidentemente dia do meu aniversário).

          Nessa cerimônia definitiva de capitulação da Alemanha nazista, marcou o fim de toda a decadência que o hitlerismo trouxe para si logo após a sua ambição durante a sua ascensão... Mas mais que isso, essa cerimônia retirou por fim um encargo de uma das mais sangrentas guerras do Mundo.



             No dia seguinte, as patrulhas dos Departamento Político do Exército Vermelho, levandas em seus caminhos e veículos blindados leves, espalhavam a notícia aos soldados do Exército Vermelho a pleno tintilar dos autofalantes que a Alemanha havia se rendido.


           Nas ruas totalmente destruídas, os soldados começaram a se juntar, meio sonolentos, para poderem pegar os panfletos expelidos pelos veículos do departamento político para por fim terem maior compreensão. Após lerem, exultaram-se de maravilha, e começaram a se abraçar, dançar, e comemorar.


           A guerra havia acabado. A Alemanha caiu.


           Começa a tocar ao mais surdo volume o novo Hino da União Soviética, sob a chuva de risos, abraços e comemorações...





         No mesmo dia, logo na tarde a multidão de vitoriosos enfim se reunião ao longo do Brandemburgo, para comemorar a mais recente vitória enquanto os últimos soldados restantes da Alemanha, se entregavam e depunham suas armas.





           Em meio essa vitória decidiu-se em Moscou uma nova Parada a ser realizada em junho, em Moscou para determinar em si a comemoração da vitória soviética sobre as tropas alemãs.


          Eis que surge a parada da Vitória...






          Sob a banda militar tocando Slavsia, de Glinka, os mais diversos soldados dos mais diferentes fronts envolvidos comemoravam rigorosamente com essa forma de triunfo e afirmação da vitória soviética.







         Sob essa vitória harmoniosa, a Parada da Vitória nada mais é que o grito de alívio e alegre daqueles que se envolveram há tanto tempo com os enormes sacríficios em prol de uma causa justa, a sobrevivência ante ao Terror.






                                                                Слава Победе!









Quando a gente se apaixona...

A gente sabe quando ama
Quando percebe que pensa
Mas não no que está pensando
E vive como bêbado cantando

Bossas tolas fazem sentido
Músicas melosas de paixão
Falam de coração partido
Dão voz ao seu coração

Percebe que coisas torpes
Tornam-se risíveis á mente
Pensa agora nas tristes sortes
Que o cerebro fica dormente

Olha com carinho ela
Dia e noite, noite e dia
Tece sobre ela aquarela
Amor esse que ardia

Percebe que agora é tolo
Finge-se de esperto
Esconde o triste dolo
De não tê-la por perto

Bate rápido coração
Quebra logo a rima
Pois fica sem  ação
Sob tema acima

Ação

O antídoto para a sorte
Não é nada senão o azar
Enquanto da morte
Está pra se encontrar

Não se vive sem agir
Não se morre sem dormir
Vida é movimento
Morte é acalento

O dia lhe é ciumento
A noite, um monumento
A ação é fechamento
Antídoto ao desespero

Inverno

A doce manhã matutina florescera
Estendendo-se preguiçoso o dia
Eu-lírico estava acordando
Para uma nova vida

No alto das nuvens, relva
No alto das estrelas, sorte
Rezava ele cantar o rouxinol
Mas sem sorte ouvia:

"Terra de mil amores, és amada
Por ser o coração de mil anos
Daqueles pobres desafortunados
Que se deram para se apaixonar"

sábado, 19 de maio de 2012

O fim de Lenin

Lenin viveu. Lenin vive. Lenin sempre viverá (Maiakovsky)

Após seguidos dias de sofrimento, Vladimir Ilyich, a voz iluminada da gigante revolução enfim desapareceu com toda a sua grandeza.

 Lenin era grande, mas antes de tudo um gênio, um gênio implacável que não cedia ao mais pequeno obstáculo... Lenin era grande, Lenin era iluminado, Lenin era um líder!

   Com sua morte, o dia 21 de janeiro passou a ser um dia de luto, mas mais que isso, um dia de esperança...

     Esperança que um dia o Mundo se torne um lugar melhor com as ideias daquele que trabalhou tão bem para a causa marxista... Esperança para que os jovens lembrem daquele advogado do Volga que lutava pelos direitos dos pequenos e viria a se tornar gigante... Esperança pois para que mais e mais ouçam quão forte era sua vez e tão radiante era sua energia.

      Lenin morreu, mas sua vida persiste... Persiste nos milhares de corações apaixonados pela irmandade do povo, melhora da vida de seus pares,  e lutam por justiça acima de tudo.

       Essa era magna voz do socialismo que se calou.




Comissão da Verdade

         No último mês foram nomeados os nove membros da Comissão da Verdade que se encarregará de investigar os crimes causados pelo governo brasileiro entre 1946 e 1989.


        Ao contrário do que se pensa por alguns, essa comissão não terá fins condenatórios, afinal de contas, dada a assinatura da Lei da Anistia, em 1979, tanto perseguidos quanto perseguidores ficaram livres de qualquer perseguição.

        Em todo caso, de que servirá essa comissão?

        Ela servirá para lembrar e revelar o paradeiro das vítimas que desapareceram diante o Regime Militar, ela revelará as atitudes ilícitas do governo brasileiro nos anos de chumbo, e possível ligação internacional na implantação da Ditadura no Brasil.

      Ela tentará lembrar o sofrimento do povo brasileiro, tentado virar por meio desse choque uma parte inacabada da nossa história e ressarcir de algum meio o sofrimento dos injustiçados.

       O grande problema é:

       A comissão da verdade nomeada pela presidente Dilma terá a presença de intelectuais e políticos, muitos sequer reconhecidos, e outros, amigos pessoais da presidente, como uma advogada que defendeu Dilma na Ditadura.

        Mas o problema principal que encontro é que essa comissão tem por carência não ter a presença de nenhum historiador ou jornalista.

         Isso é perigoso, pois de um certo jeito retira uma credibilidade dessa comissão, mas mais grave que isso, nós temos ao comparar com a Rússia, que praticamente escancarou os seus confusos arquivos e elegeu o renomado historiador russo, Dmitri Volkogonov para observar a comissão que investigaria os crimes de Stálin, temos que estamos há muito atrasados nesse quesito.

           E quando obsaervamos que na Argentina alguns militares do período ditatorial foram condenados e presos, percebemos que essa comissão parece ser frouxa, muito frouxa nesse quesito;


          Mas também temos um problema teórico: O que é Verdade?

         É sério, esse é um problema totalmente complicado que aflinge a todo corpo de intelectuais e particularmente os historiadores, o que chega a ser verdade.

         Foi com muito custo que percebeu-se que verdade não é verdade, mas sim uma abstração, um tipo-ideal que nunca será alcançado, afinal de contas, não existe uma só única verdade, mas várias verdades sobre vários espectos de pontos de vista.


           Além disso,  a concepção de uma verdade única gera um certo preconceito quanto às outras interpretações sobre uma realidade, qualificando-as como mentiras.

           Mas pior que isso, até nesse sentido complicado a comissão falha por se utilizar desse nome controverso.

            Fica complicado só de nome avaliar a comissão, mas devemos em si avaliar o seu trabalho no decorrer do tempo... Devemos ter consciência que esse trabalho tente primar por uma indolidade e que se desvencilhe de algumas propostas para que seu estudo seja encoberto por alguns não interessados nessa investigação.

Outubro: Gigante Vermelho

      Em 1927, Sergei Eisenstein foi escalado para dirigir e produzir o mais novo filme em memória aos dez anos da Revolução de Outubro, que completava dez anos naquele ano.

      Para isso o cineasta organizou o novo filme a partir de suas lembranças do ocorrido, Eisenstein lutou na Revolução Russa e na Guerra Cívil e baseou-se também nos relato de ninguém menos do que o aclamado John Reed, autor de 10 dias que abalaram o Mundo.

      Tal como todos os filmes de Eisenstein esse é um filme político, talvez tão político quanto o Encouraçado Potemkin, mas é claro que quanto ao filme em si, quanto a forma, não há nada que se possa julgar, pois a cena da desconstrução e reconstrução das estátuas estavam muito a frente de seu tempo.

       Com a trilha sonora de Dimitri Shostakovich, Outubro é um daqueles filmes do seleto grupo dos politicamente importantes, formalmente perfeitos, e inexaurívelmente bons aos que não nos cansamos em assistir demasiadas vezes.

       A descrição dada a Kerensky é perfeita, de um ditador com complexo megalomaníaco que se entupia de tragar ópio, a figura de Lênin ficou filedigna,  e remonta bem o dias da Revolução, a confusão e o movimento social dos dias de Outubro.

        Vale ressaltar que em virtude do contexto complicado da época de exibição do filme, 1927, não há menções quaisquer a Trotsky, Antonov Oeveenko, que tomou o Palacio de Inverno, porque esses dois começavam a definhar no ostracismo político do Partido Comunista logo após a briga sucessória post-mortem de Lenin, mas também não há nenhuma  menção a Stálin, uma vez que ele teve papel secundário na Revolução e também ainda não tinha ascendido o culto a personalidade.


A seguir: Outubro (com legendas em inglês)




Tristes helenos

           Faz tanto tempo que não me dedico a estudar a parte da política atual e o desenvolvimento dos acontecimentos contemporâneos ante ao ambito mundial que não pude esquecer-me desse trabalho.

          Faz tempos que digo que a situação na Europa é preocupante, nós no Brasil não vivenciamos isso ainda de perto, por algum milagre astronômico ou porque alguém esqueceu do Brasil, mas a erupção da bolha econômica de 2008 ainda é forte.

          Os americanos desabaram com tudo isso e o apogeu daquele new american way of life demonstrou que o neoliberalismo não era realmente a solução.

          Parece-me óbvio que a crise é um crime de especulação mesmo, um crime o qual não se dedicam a prender os verdadeiros culpados, em todo caso, vemos hoje que nenhum povo na Europa é tão castigado com a crise que o grego.

          Os gregos, a quem se credita serem nossos patronos quanto a civilização, patronos reconhecidos da democracia, democracia essa que a liberalidade burguesa infla o peito para dizer que descende de Pericles, esses mesmos gregos hoje são os que mais sofrem disso.

          Não são mais os Leste-Europeus, que amargaram por muito tempo um período brutal no quesito sócio-econômico da derrocada pós-comunismo, nem mesmo os tradicionais emergentes grandes, como Brasil, China e Rússia, que estão no foco dessa crise, mas o minusculo país balcânico membro da União Europeia.

           É verdade que a economia grega não era aquela maravilha de muitos tempos para cá, tanto que por volta de 1948, a Grécia estava completamente na bancarrota que os próprios Estados Unidos tiveram que tomar para si o papel de "defendê-la" da ascensão comunista no Leste-Europeu, na famigerada Doutrina Truman.

            A Grécia em si não apresenta grande capacidade industrial, tem um sistema bancário deprimente, e dependia quase em totalidade do turismo de seus monumentos antigos, de suas ilhas no Egeu, da exportação de seus produtos, notavelmente azeite, e do serviço público inchado.

            A Grécia realmente depende da Zona Euro pra tudo.

             A questão que dada a política irresponsável dos governos anteriores gregos, onde observou-se um profundo individamento do governo grego e da economia grega aos bancos interacionais, causado por uma bolha de dívidas e custos que o proprio governo encarregou-se de tomar.

            Os juros altos, a economia se manter dadas as dificuldades patológicas de manutenção da Grécia fizeram com que ela caísse nesse lamaçal que está hoje.

            O desemprego na casa dos 25%, uma recessão prolongada de quase 5 anos initerruptos, cortes nos planos de aposentadoria, nos planos de saúde, na seguridade social, abalam a legitimidade do próprio governo grego.

            O povo amarga com  a irresponsabilidade do governo, e não consegue sequer viver dignamente, e vê-se tal como o governo, atolado em dívidas.

             Eis que tem dois anos que a sociedade grega vem se levantado nos mais intensos protestos que se assiste na Europa a fim de que seus direitos não sejam ignorados, na corida que a burguesia anda fazendo para safar sua própria pele.

              A classe média virtualmente desapareceu com tudo isso, o grosso de desempregados só cresce enquanto a nota da Grécia só diminui.

             A Grécia é literalmente hoje o calcanhar de Aquiles da Europa, se a Itália é a Bota, o calcanhar não fica em Tarento, mas no Egeu.

              Os líderes europeus não estão querendo tomar o espírito de irmandade com que pintaram anteriormente nas escolas a criação da União Europeia, e cada um quer se salvar como pode, ignorando os desdobramentos da própria Grécia.

               Eles parecem ignorar que a Grécia esteja na Europa, e parecem fazer de tudo para se livrar desse problema, ofertando os mais absurdos planos economicos aos gregos, com duros cortes à sua população já sofrida, e emprestimos a juros astronômicos.

            Assim operou durante um tempo, sob muita convulsão popular, e na semana retrasada, ouve-se o som da revolta do povo grego e eis que nas urnas o partido da Direita, e da "Cenro-Esquerda" pelega desmoronam, e os socialistas assumem o governo, rejeitando as medidas amargas aos gregos.

          Vocês estão certos! Verdadeiramente certos!

          Não se pode aceitar que tal coisa chegue em tal situação, mas deve-se olhar com pena o sofrimento do povo grego, que pode está proximo, esqueçam o significado pesado do termo, no altar do sacríficio do capitalismo.


Инновации

Инновации, ou innovatsii, para quem não lê russo, é o termo para designar nada mais nada menos que Inovação.

        Mas que tipo de inovação que se trata nesse termo? Uma inovação de valores, uma inovação de pensamentos, uma simples inovação de uma maneira de pensar, uma inovação técnica? Tudo isso e muito mais.

        Tal como em russo, inovação tem o significado de ter uma ideia, arrojada de preferência, na qual não receamos nós de aplicá-la ostensivamente e ela em si se torna fundamental para os nossos sucessos e fracassos.

         Os russos conhecem bem o significado de inovar, afinal de contas, foram eles os mais revolucionários criadores de algumas coisas que achamos hoje triviais, como o iconoscopio, que se tornaria importantíssimo para a Televisão em si, foram eles que desenvolveram o helicoptero, estudos sobre a velocidade de escape da órbita da terra, desenvolveram eles o primeiro satélite, os primeiros foguetes, a partir dos estudos de Konstantin Tsoikovsky, a primeira plataforma espacial e tal.

         Mas, mais que tudo, os russos inovaram ao lançarem a Revolução de Outubro.

          A Revolução de Outubro é tão mal estimada hoje, mas ela em si significou um dos mais sinceros acontecimentos mais marcantes do século XX, onde uma sociedade recém saida de uma autocracia com moldes servis, de uma só vez, de um só sobressalto, passou rapidamente para uma sociedade com a ideia de construir um homem novo.

          Os soviéticos foram os pioneiros com relação a essa ideia de construir um homem novo, e foram radicais quanto a isso.

         A construção de um homem novo pode ser interpretada em vários textos, desde Marx, Goethe, Hegel até mesmo Nietzsche (embora esse ultimo queira mais desconstruir o homem do passado), mas essa noção em si se tornaria mais gritante talvez com a União Soviética.

          Essa reconstrução total do homem, inteiramente dedicado ao seu trabalho, com total devoção a uma causa comum, tentando se desvencilhar do individualismo, superando a moralidade ultrapassada, pode-se dizer foi copiada, mesmo que porcamente, pelo nazismo.

         O nazismo ficou conhecido por essa função, mas para a construção de um novo homem, teve que se apoiar em estruturas do passado, baseando-se quase que inteiramente numa deturpação histórica que por si só já mostra o carater ambíguo disso, pois ao mesmo tempo que visa criar um novo homem, precisa se afirmar no homem do passado.

         No socialismo isso é diferente,  o socialismo em si não possui essa necessidade esquisofrênica de se remontar ao passado para construir um novo homem, ele constroi a partir do presente, e a partir do homem ele visa reconstruir o mundo.

         As duas concepções de Mundo são inteiramente idealistas, do sentido hegeliano da coisa, pois ambas baseiam suas ações a partir de suas ideias, mas ao invés de darem voz completa ao razão, por vezes se seduzem com as proprias ideias.

          Contudo, enquanto o nazismo tenta se legitimar pelo fator sentimental, conquistando assim as massas, o marxismo tenta construir um novo a partir de um pensamento mais cientifistas.

          Não devo dizer que acho um tanto absurdo implantar uma cientifidade ao pensamento político, tanto que o marxismo se vê como "socialismo científico", mas isso é fruto do tempo em que o marxismo foi lançado, século XIX, quando a cientifidade extrema do positivismo contaminava as mentes da Europa e do Mundo em geral.

          A inovação em si, não parte do nada, mas começa pelo próprio homem, o homem sendo inovador em suas atitudes é capaz de inovar um todo, não digo progresso, pois isso é conversa de positivista, mas pode iniciar um novo começo.

            Hoje vivemos um abismo até filosófico, na sociedade de consumo atual, vivemos erratilmente tentando nos enquadrar em grupos, mas nós mesmos somos idealistas, e nos sentimos mais tranquilos quando consumimos, sem responsabilidade e preocupações coisas até inuteis. Publicizamos nossa vida particular no Facebook, no Blog e afins, mas somos terminantemente contrários a violbilidade de nossa vida particular.

          Indiretamente, mesmo sendo nós individualistas, nós publicizamos nossa vida no coletivo, isso é totalmente anomalo se pararmos para pensar.

           Eis que podemos ver que essa crise erratil nos trás esse problema totalmente estranho, mas como outros tantos, como a restrição de sua propria liberdade em prol de sua segurança, e logo percebemos que invés de cairmos para uma democracia plena, caimos em direção a uma ditadura em formação.

          Então, que tal inovarmos?

          Em tempos de crise nós nos vemos em obrigação a inovar, seja quanto a nossas mentes, quanto a nossas ideias, para isso temos que durante os dificeis dias de 1917, os russos inovaram seus pensamentos e trouxeram à tona a primeira Revolução Socialista bem-sucedida da História.

           Os franceses também se inovara na ocasião do inverno de 1789 e derrubaram um rei impopular e legitimaram um novo governo.

            O perigo da inovação é presente, como no caso da Alemanha no entre-guerras, onde se assistiu a ascensão do ideário como um todo nazi-fascista, e esse erro não deve ser repetido, afinal na construção de sua visão de novo homem, os nazistas não tiveram escrupulos e destruíram por todo o reconhecimento do próximo ao exterminarem as outras nacionalidades existentes, incluindo os judeus, eslavos e ciganos. Não devemos ser assim;

            Não estou oferecendo-lhes que mudemos o mundo como um todo a partir de já, eu estou convidado-os para uma reflexão calma e despreocupada, podemos transceder essa crise filosófica? Sim ou não? Como?

            Temos os exemplos do socialismo, das gerações antigas que se levantaram, e temos os exemplos dos erros que devemos evitar que ocorreram quanto ao fracasso no socialismo real e na deturpação irracional do nazismo em si.

            Podemos ver isso com outros olhares, mas termos consciencia que devemos construir um novo inovador, diferente de tudo, que só pode ser construído com a inovação na nossa própria mente, então, interessados?

Fotos do Império Russo

        Por volta de 1912, um fotografo, Serguei Mikhailovich Prokudin-Gorskii, enviado de São Petersburgo, foi  ao interior da  Rússia com a seguinte missão: Retratar a realidade do Império em seus minimos detalhes afim  de mostrar a grandiosidade do Império.

        Para isso ele se dispôs a uma torturosa viagem para os mais longíquos cantos da Rússia para capturar impressôes, situações e cores que pudessem retratar a velha Russia.

       Isso mesmo, cores.

       Se iniciaram no começo dessa época teste de viabilidade para a fotografia colorida a partir de uma técnica a base de extrato de batatas  a fim de preservar a coloração, eis que desse fotografo viajante temos as mais ricas e coloridas fotografias da Russia, de cem anos atrás. Nenhuma delas foi recolorida ou otimizada, todas elas são originais e foram apenas digitalizadas

       Entre 1909 e 1912, Serguéi Mijáilovich Prokudin-Gorskii, desenvolveu uma tecnologia única.

 3 mancamera Russia: O mistério das fotos coloridas num tempo em que só havia preto e branco

         A câmera usada na época, tinha três lentes, cuidadosamente reguladas para registrar a mesma imagem.  Filtros de cristal colorido eram colocados na câmera, de maneira a formar uma chapa com três tons. Esses tons eram então somados para dar origem a imagem colorida.
Serguéi estudou com renomados cientistas em São Petersburgo, Berlim e Paris, desenvolvendo as técnicas para as primeiras fotografias a cor.

         Dos seus resultados surgiram as primeiras patentes de filmes positivos a cores e de projeção de filmes com movimento. Em 1905, Prokudin-Gorskii concebeu o grande projeto de documentar, com fotografias a cores, a enorme diversidade de história, cultura e avanços do Império russo, para ser utilizado nas escolas do Império. O seu processo utilizava uma câmara que tomava uma série de fotos monocromáticas em sequência muito rápida, cada uma através de um filtro de cor diferente. Ao projetar as três fotos monocromáticas com luz da cor adequada a cada imagem obtida, era possível reconstruir a cena com as cores originais. No entanto, embora fosse químico, ele não conseguiu produzir um mecanismo para realizar impressões das fotos assim obtidas.

             Para o seu projeto, o Czar Nicolau II pôs à disposição de Prokudin-Gorskii, um vagão de trem equipado com uma câmara escura e os insumos necessários. O fotógrafo russo obteve todas as permissões para visitar áreas de acesso restrito e contar com o apoio da burocracia do Império. Assim equipado, Prokudin-Gorskii percorreu o império entre 1909 e 1915, documentando-o com as imagens que ilustram este post.

           Em 1948, após a morte do fotógrafo, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos comprou as imagens e em 2001, organizou a exposição O Império Russo. Para essa ocasião, realizou-se a cópia digital das suas imagens a partir dos três originais monocromáticos de cada foto. E é por isso que podemos vê-las.


Viajante da Ásia Cetral descansando com o seu camelo depois de uma longa viagem


           Essa fotografia foi retirada pelo que lembro na passagem desse viajante pelo Turcomenistão, e ela retrata um mercador, provavelmente de chá, levando nas costas de seu camelo os seus produtos, um meio muito comum de transporte na Ásia Central na época.

Familia de industriais locais em foto

          Essa fotografia retrata uma proeminente família de industriais russos, ligado à Siderurgia, na Sibéria Ocidental, notavelmente, mesmo com a condição abastada da família, as instalações em si não são das mais nobres. Em todo caso, observa-se o pai, mais velho de casaca de transpasse, o filho, de capote preto e sua esposa, de terninho e chapéu.

Cataventos na Sibéria Ocidental
            Essa fotografia foi retirada na mesma cidade que a da fotografia anterior, Ekaterimburgo, e mostra essas isbás (cabanas), suspensas por esses estratos de madeira, sendo suportadas por esses gigantescos cataventos. Os cataventos serviam de moenda para os grãos produzidos a fim de se produzir farinha que era por fim vendida. A coloração acizentada dessas estruturas pode ser explicada pela fuligem espelida pelas chaminés das fábricas que coloriam a madeira branca à primeira chuva ácida.


Empório de chá no Caucaso
           Essa fotografia mostra um Empório de Chá numa cidade na Georgia,  Batumi, onde se observa uma variedade ímpar de extratos vegetais e folhas. O chá é a bebida não alcoolica mas popular na Rússia.

Vendedor de tapetes persas em Samarkand, Turcomenistão

Venda de melões também na mesma cidade

Tecnicos da siderurgia trabalhando em seu gabinete


           Essa fotografia retrata a realidade de uma siderúrgia, em Ekaterimburgo, onde os técnicos trabalhavam para ver a composição química do material extraído. Nessa fábrica chegou a se contabilizar quase 4000 trabalhadores em 1914.

          Logo abaixo se observa a extração dos minerais a serem utilizados na siderurgica, muitas vezes feita por famílias locais, com o uso de cavalos e carroças.


A data desta foto é de mais ou menos 1909 e foi feita próxima a Cherepovec, uma cidade ao Norte de Moscou. Mostra os camponeses na colheita.

               A foto logo abaixo mostra asplantações de chá na Geórgia, ao contrário do que se dava com o resto do Império, a Geórgia possuia um clima naturalmente mais ameno, propício a toda sorte de plantações e possuía uma terra tão guão produtiva quanto da Ucrania, dessa maneira, a Georgia era uma gigante exportadoa de chá, não só para o Império, mas até para a Inglaterra;

            Esses trabalhadores logo abaixo são colonos de origem grega que acabaram indo se fixar no Império Russo dados os problemas étnicos e economicos nos Balcãs.



            Um inspetor de  plantação de chá logo abaixo, de fraque, e quepe.



             Um velhinho resistindo ao frio rigoroso na Sibéria, note que ele trás nas mãos o produto de um dia de caça. Não se sabe  se ele é exilado ou não, mas acredito que seja sim.



Noite da costa

      Noite, abafada é claro
      São todas as noites
      naquelas praias escaldantes
      Ao longo dos trópicos.

      Sim, era uma tarde festiva:
      Ano Novo.
      Ao bater das ondas do Mar na praia
      Centenas de pessoas festejavam

       Vestidas como enfermeiros
       Riam-se ruidosas
       Êmbrias de tanta bebida
       Cantavam a balada

       "Adeus, ano velho.
       Feliz ano novo
       Que tudo se realize
       No ano que vai nascer..."

        Não havia nada de feliz
        A não ser feliz Ano Velho
        Não havia esperença
         Não havia nada

         Nem amor, nem harmonia
          Não era alegria a celebrar
          Era uma velha triste agonia
          Que há muito deixou passar

           Então ele caminha sozinho
           Alheio a tudo, alheio a todo mundo
           Felicidade não existia
           Era triste de corpo, triste de alma

          Feliz nunca fora
          Queria se meter uma bala
           Mas não tinha arma
           Vagava icógnito e sozinho

            A rua escura lhe dava repulsa
             Queria ver agora a morte
              Para lhe meter na fuça
               A sua triste sorte

               Implorou para que lhe fizessem mal
                Jactou-se por não ser um animal
               Sorriu tristemente ao encontrar
               Uma ponte sobre o canal

                Foi para a beirada ,
                 pensou em se jogar.
                 Chorou a vida
                  Matou a alegria

                 Mas ouviu ao fundo
                 A linha do violino
                 Corou com  a triste música
                 E pensou na sua harmonia

                 Triste  podia sua vida,
                 Doce poderia ser sua cantoria
                 Desiste naquela noite,
                  Canta e sai pela avenida:

                  "Lua triste de dezembro
                  Chora a noite de alento
                   Pois espero com tanta sorte
                    O meu doce talento"

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...