sábado, 28 de abril de 2012

Inscrições abertas

        Nos últimos dias venho tendo uma crise de consciência comigo mesmo quanto ao desenvolvimento desse blog, e devo dizer que com certeza esse foi o mês menos produtivo desse blog inteiro (tirando o de janeiro, no qual essa página estava para ser excluída).

        A isso me perdoem os leitores mais assíduos, eu tenho que me desculpar, mas realmente estou sem muitas idéias nesses tempos e sem muito tempo... Esqueci-me até de fazer uma homenagem às vítimas de Chernobyl, mas isso não foi por insensibilidade, foi falta mesmo de inspiração e tempo.

         Assim como alguns já entendem, uma troika deve ser comandada por três, dessa maneira que a atual postura egocrata desse blog logo logo terá que ser abandonada, de maneira que estou pensando em abrir duas vagas para redatores de textos, comentaristas, desenhistas, o que quer seja. Para fins de nota: Eu não recebo nenhum tostão do Google e não terei tostão para pagá-los.

        Eu proponho isso aos verdadeiros interessados em propagar suas ideias e que podem dedicar pelo menos uma horinha na semana para dedicar um artigo que seja...  Para isso abro as inscrições, os interessados podem utilizar esse tópico para mostrar suas propostas (embora eu duvide que alguém se interesse pela vida de blogueiro).

         Regras:

         1) Você pode discordar com a minha visão marxista do Mundo, mas não poderá propagar textos de teor de discriminação racial, proto-ariano, neonazistas e de ameaças. Que isso fique bem claro para os nazistas de plantão. Meu blog não é para skinheads, e vai continuar não sendo!

          2) Não é blog de fofocas, então esqueça qualquer ideia de falar sobre artistas atuais, a não ser para criticá-los. Lembrar os artistas passados, como Charlie Chaplin, é sempre bem vindo!

            3) Nada de pornografia aqui dentro. Essa foi uma das primeiras diretrizes que redigi ao iniciar esse blog, se eu quisesse por pornografia, no primeiro mês já teria um milhão de acessos, mas não é essa audiência que eu quero.

            4) Ativismo de partidos políticos também é vetado aqui. Ninguém me vê aqui fazendo propaganda partidária do PCB ou do PSOL, e não vejo porquê haver aqui.

              5) Não quero nada de ativismo religioso, como tentar convencer as pessoas que a Universal é a única salvação, que o papa é o servidor de Deus e tal.... Eu sou ateu e quero resspeito aqui também. E vice-versa também, não é pra dizer que o ateísmo é melhor e tal, esse blog é pacifista antes de tudo (menos com nazistas).

              6) Se for fazer denúncias diretas a uma pessoa, faça com provas, melhor, modere até o tom das palavras.... Processo não é uma coisa boa!

               7) Eu ficarei feliz se tiver alguém interessado com noções em filosofia, política, história ou artes, mas se também não tiver, não tem problema, isso também se aprende.

                8) Se você não tem uma redação boa ou acredita que não tenha total domínio da escrita, não se acanhe, também cometo meus erros, e eu não terei problemas em corrigi-los e ajudar a superá-los. Talvez um ganho nessa parceria é que eu possa ajudar outra pessoa na arte da escrita.

                9) Não estou afim de lugares comuns, como: "Todo político é corrupto", "esse é o país que vai sediar a Copa" e afins. Eu quero textos de outras áreas de pensamento que sejam bons de se ler.

                10) Se você depois dessa carta de compromisso ainda quiser fazer parte desse blog, mande-me uma mensagem nesse tópico que poderemos discutir sobre isso.

               Obrigado.

domingo, 22 de abril de 2012

Volodia


           

       Volodia, para bons entendedores de russo é o diminutivo carinhoso de Vladimir.

       Vladmir por sua vez tem por sua vez origem epistemologica em duas palavras de origem eslava há muito conhecidas: Vlad e mir.

        Vlad:  Literalmente é uma palavra que designa líder, condutor, guia.

        Enquanto Mir, do russo, pode tanto designar Paz como o Mundo.


        Vladmir logo pode ser traduzido por dois significados: "Condutor da Paz", "Guia do Mundo".


         Deve ter sido por isso que Ilya Nikolaievich deu esse nome para o seu fillho que estava destinado a mudar de alguma maneira o Mundo: Vladimir Ilyich.


          Talvez ele não soubesse o que estava destinado quanto ao futuro do próprio filho e talvez pudesse até mesmo ficar horrizado com o fato de se tornar um revolucionário capaz e ativo que iria pôr fim ao Império que ele próprio desejava renovar com suas propostas liberais. Em todo caso, esse tópico irá tratar de um individuo em específico, um líder das massas: Lênin

        Já fiz postagens em demasia sobra figura de Lênin, minha proposta agora é mostrar algumas fotos (conhecidas ou não) da vida da "Águia das Montanhas" (como Stálin se referia ao seu antecessor).

Os Ulianov, em foto de família

          Para começar, nada mais conveniente, do que mostrar a família Ulianov...  Como podem ver, a família em si era muito extensa, e Vladimir nasceu numa família de seis irmãos, sendo ele o irmão do meio,  apesar disso, a família vivia em uma condição razoavelmente abastada, e Ilya Ulianov, o homem com um calvanhaque vistoso e careca das quais Lênin iria herdar, era rigoroso com o estudo dos filhos.

         A mãe, Maria Alexandrovna, era uma típica dona de casa luterana religiosa, que com a morte de seu marido fazia de tudo para sobreviver com a renda dos aluguéis de sua família, e num momento posterior, quando Lênin ingressa na clandestinidade, ela apoia o seu filho, enviando lhe dinheiro no exílio.

          Para os curiosos, Lênin é o menino em traje de marinheiro, sentado à direita, perto ao seu pai.



        Essa foto ao lado foi retirada por volta da virada do século XIX,  antes que Lênin tenha ingressado nas rodas marxistas... Nessa época, Vladimir Ilyich era um estudante de advocacia que foi expulso da Universidade de Kazan, por causa das ligações do seu irmão, Aleksandr, com o atentado ao Czar Alexandre III.


      Nesse meio tempo, Lênin servia muitas vezes como advogado em pequenas causas no Baixo Volga, recebendo honorários em muito diferentes aos que um advogado pode estar acostumado, como galinhas e ovos. Mesmo assim ele prestava tais serviços a pequenos proprietários de terra locais.










         Essa foto, retirada em 1898, pelo que me lembro, é a foto de passaporte de Vladimir Ulyanov, agora um reconhecido revolucionário, membro do Partido Social-Democrata dos Operários Russos, nessa época, Lênin vivencia um dos seus mais simbólicos exilíos, junto ao rio Lena, onde ele iria retirar o seu pseudonimo mais famoso: LENIN ("Homem do Lena").



Krupskaia





     É nessa época também que Lenin já havia tomado contato com uma das ativistas mais fervorosas do Partido, com quem futuramente ele iria desenvolver uma relação amorosa meio complicada, mas verdadeiramente honesta ... Nadezhda Krupskaia.












Lênin em tempos posteriores

          Depois de constantes divergências entre o cenário político do Partido Social Democrata, enfim, Lênin assiste tal partido se dividir entre duas facções: Mencheviques e Bolcheviques durante um dos inúmeros congressos partidários que ocorrem no exílio ( O Congresso em Londres 1907 foi sem dúvida o mais marcante). Lênin então conduz o seu ramo político, os bolcheviques do exílio, assistindo de longe (e ainda assim de perto) os acontecimentos na Rússia.

           No exílio ele encontra em uma de suas viagens, Maximo Gorky, o grande escritor russo, de vertente moderada socialista, com que ele tem uma amizade com alguns atritos...

Lênin (de chapéu coco, sentado) jogando xadrex com Gorky, o barbudo pensativo

           Nessa foto por exemplo, Lênin se encontra com Gorky em Capri, Itália, no retiro do escritor no exílio, e se dispõe a jogar xadrex com ele.




         O peregrino Ulianov, assim poderiamos encarar esse período para Vladimir Ulianov, que distribuiu o solado de seu sapato por cada grão de terra da Europa... Paris, Londres, Petersburgo, Viena, Helsinque, Polônia, Suíça.


         Lenin mais e mais no exílio parecia desenvolver suas teorias políticas, como se  o exílio tivesse iluminado sua cabeça para as suas ideias... Nessa foto ao lado, Lênin contempla-se com o ar das montanhas durante sua estada na Galícia (parte austríaca da Polônia).








Em 1917, depois uma atribulada viagem e um arriscado empreendimento, Lênin retorna à Rússia em meio ao caldeirão explosivo que se formava antes da dita Revolução Russa: O Czar havia abdicado e um governo de proposta liberal havia se formado.


        O momento mais emblemático disso talvez tenha sido a recepção calorosa que Lênin obteve ao desembarcar na Estação Finlândia, quando os trabalhadores, munidos de bandeiras vermelhas e rosas cantavam a plenos pulmões a Internacional.

        Algumas semanas depois, Lênin estava expondo suas Teses de Abril numa sessão do Soviete de Petrogrado...

Lênin expondo as Teses de Abril



     Lenin, logo após a isso, depois de uma tentativa frustrada de golpe iniciada pelos marinheiros de  Krondstadl, teve que se esconder, sob o perigo de ser execultado pelo Governo Kerensky.

     Nisso Stálin toma para si a missão de esconder Lênin, levando-o para a Finlândia, onde ele o disfarçou como um simples camponês, tirando-lhe a barba, tão característica e ajeitando uma peruca que ficara maior na cabeça de Lênin.


Ficheiro:Lenin-last-underground, 1917.jpg


     Vai me dizer que Lênin não ficou irreconhecível?




        Enfim, a Revolução de Outubro, que aconteceu em 7 de novembro, demonstrou-se vitoriosa e por fim, Lênin e o Partido Bolchevique começam a dirigir a Rússia, e Lênin começa a pensar no que seria base da União Soviética.



         Essa fotografia  logo ao lado é do Primeiro Aniversário da Revolução Russa, em 7 de novembro de 1918,  na qual Lênin, toma parte de um discurso sobre os feitos dos trabalhadores russos nesse primeiro ano pós-Revolução.




        Alguns dias depois Lênin sofreria um atentado deflagrado por uma terrorista anarquista chamada Dora Kaplan quando visitava a Fabrica de Automóveis de Petrogrado.









         Vladimir Ilyich começa a ter a sua saúde debilitada a partir do momento em que sofreu o atentado (alguns acreditam que o atentado tenha sido relacionado à fragilidade da saúde do líder soviético), e Lênin mais e mais se afasta do Partido para se tratar em Gorky (Nijni Novgorod), na verdade, mais e mais ele se ve afastado do Partido por causa das manipulações políticas de Stálin, que agora se despontava como Secretário-Geral.


Lênin e seu gatinho

       
          Lenin criticara esse centralismo político em torno de Stálin e tivera discussões acaloradas com o seu "discipulo" (se podemos usar esse termo).
  
         Nessa fotografia, ele passeia com o seu gatinho, pelos jardins da clinica em que era tratado em Gorky, mostrando um lado diferente de Lênin, distante do líder enérgico e decidido. Um Lênin que gostava de ouvir Beethoven, ler Pushkin e brincar com o seu gatinho.

Lênin lendo os jornais em Gorky

       Lenin passava a maior parte do tempo no Hospital lendo os jornais, previamente manipulados, por ordens de Stálin,  e tentando se renovar para tomar de novo o seu lugar no jogo político.

        A saúde de Lênin mais e mais vinha se deteriorando, e aos poucos sua fala ia se calando e ele começava a perder o controle dos fonemas e tendo dificuldades para falar.

         Eis que Krupskaia, sua namorada (mais para noiva, sejamos francos), dedicou-se inteiramente a cuidar de Vladimir, sendo tão carinhosa para com ele como uma mãe... Lênin precisava de Krupskaia.


Lênin e Krupkaia
          É claro que Krupskaia deixara de ser aquela beleza que fora tempos atrás, agora, dois anos mais velha que Lênin, ela era uma senhora de idade gorducha com cara de pão de queijo, sem muito de sensual nela.




          Isso talvez tenha motivado Lênin a ter tido outros relacionamentos fora deste, enquanto estava em plena atividade, mas Krupskaia sempre fora muito amavel com ele.










           Lênin, já numa fase bastante debilitada de sua saúde, agora passado horas a fio em uma cadeira de rodas; Depois de ter sofrido inúmeros colapsos e tendo agora dificuldades expressivas para falar, Lênin era uma sombra do homem enérgico, que trabalhava por doze horas a fio no seu escritório no Kremlin.



           Lênin, que sempre levara uma vida simples (embora fosse nobre de nascimento), agora passava os seus últimos dias assim, um pouco excluído de todos, respondendo apenas a alguns companheiros que se dignavam a visitá-lo e a Nadezhda Krupskaia.

          Passou o Natal observando as criancinhas abrirem os presentes, enquanto sofria forçosamente àqueles que o visitavam naquela ocasião... Lênin estava sofrendo.

          Separado do comando da Revolução que a tanto trabalhara, assistira ele a ascensão do poder de Stálin... Lênin se sentia traído.

         Numa noite, Lênin pediu que Krupskaia lesse para ele um conto de um capitão que fizera um contrato com um comerciante, uma daquelas história típicamente petit-bourguoise, como Krupskaia classificou, Lênin ouvia atentamente Krupskaia ler o enredo da história, onde o capitão sofria rios e fundos, e no final se dirigia ao comerciante com que tinha travado negócio:

        " Por que se dignou a tanto?", perguntou o comerciante.

         O capitão tinha dito algo sobe honra, alguma coisa assim... Lênin sorriu, como se a história em si fosse tão patética que parecia risonha, e dispensou Krupskaia.

        No dia seguinte, Lenin estava morto.


Lenin!







Dia de um poeta

     O dia de um poeta consiste em três coisas:
     Acordar, ler, e escrever
     Nada de comer, ou beber
      Apenas escrever

       Transpira ele num cúbiculo
       Caleja as mãos na pena
       Suja as calças de tinta

        A caneta o trai, derrama
        O imenso borrão sobre o papel
        Tenta ele limpar aquela lama
         Que puxa o cinzel

          Xinga, limpa, reclama
          Já era a fina rima
          Estragou o papel

          Alegria, virou arte moderna!

Autoreflexão de uma lira

Nada é mais chato
Do que pensar o pensado
Olhar o passado
Com o olho de gato

Nada é mais largado
Que o conto cantado
Sem rima, sem hiato
Um conto barato

Tenta fazer algo sensato
Algo a ser louvado
Nada consegue
A não ser fugir o olfato
Das belas coisas da vida

Perde a prima rima
Perde a metria desesperada
Tenta fazer poesia
Esqueça, você não é poeta

Ensaio de uma proto-crônica

        Certa vez eu andava pelas suntuosas ruas da cidade, quando parei junto ao semáforo para atravessar.... Era uma daquelas mais belas avenidas que você pode imaginar, caro leitor, uma das poucas com o gramado em cor de esmeralda e árvores retorcidas totalmente secas pelo outono que se anunciava.

        Poderia descrever o lirismo dos beija-flores ao baterem suas asas para trás, mas isso iria quebrar a graça do que vem por vir.

        De certo, observava que o  semáforo se fechava com dificuldade, e quanto menos eu me continha de pressa, mais tempo demorava... O sol parecia fechar-se mais cedo do que aquela sinaleira.

         Eis que me fita um mendigo maltrapilho e diz:

       — Hey! Hey! Cara senhorzinho que boas praças anda aqui — Decerto não disse isso, mas também não escutei o que ele havia dito.
  
        O silêncio é mais revelador que muitas palavras, mantive-me calado.
  
       — Quero que você se deite aí no chão pra eu ver como fica — Disse o maltrapilho.

       O odor transpassado de um bafo sólido tornou-se repulsivas tais palavras... Ao que parece o odor condensado em palavras tortas era apenas comparável ao escuro chorume em decomposição. Pois eis o que prestei atenção:

       — O quê?

       — Isso que você ouviu.

       — Tolice! Tenho mais que fazer.

       — Faz aí! — Disse em tom coercitivo.

       — Não! — Rebati de maneira enfatica.

        Eis que a sinaleira se fecha e o andarilho se afasta de mim, passados alguns metros, vejo um daqueles tipos "fodões" sairem daquelas caminhonetas no meio do trânsito...

         — Hey, meu irmão — Abordou-lhe o mendigo junto à pista.
         — O quê? — Disse o bombadão com voz de fuinha, todo estupefado.

           — Quero que você se deite aí no chão pra eu ver como fica — Repitiu o maltrapilho novamente a lorota.

           Não sei o que deu naquele bombadão, não sei o que diabo deu nele, mas ele fez tudo que o mendigo quis... Talvez estivesse com medo, talvez achasse que ele estava com uma arma,  a resposta é que ele caiu no chão feito um paquiderme.

          — Mas que merda é isso? — Olhei do outro lado da travessia.

          O mendigo simplesmente passou por cima do bombadão e fugiu com sua carteira, em meio a protestos de: "Pega ladrão!" "Pega ladrão".

          Definitivamente não precisa ser mágico para fazer com que as pessoas as maiores asneiras possíveis, basta intimidá-las com o medo, ou ter um bafo do cão. Vai entender...

sábado, 21 de abril de 2012

Brasília

   Correm conversas sobre que Brasília é o supro antro da corrupção, que é lá onde se concetra a maior população condensada de bandidos por metro quadrado e tal... Eu não me canso de ouvir essas baboseiras.

     Pois eis que o pessoal de Brasília tenta se defender dizendo: "Olha, você pode estar certo, mas quem manda os políticos pra lá são vocês! A culpa de vocês!", mas essa conversa foi desbarateada quando por volta de 2009 revelou-se um esquema de corrupção gigantesco em torno do então governador do Distrito Federal, José Arruda.

      Sim,  nós agora também temos corruptos.

      Devemos nos ater ao fato que Brasília, logo na sua concepção, foi planejada para outros fins, não só para capital. Brasília se tornou a capital no meio do centro do Brasil, não só por uma questão de segurança nacional, para não facilitar o ataque de forças estrangeiras pelo litoral, ou para desenvolver o interiror. Brasília fica no interior porque tem que ficar fora dos grandes movimentos sociais que geralmente surgem no Rio de Janeiro e São Paulo.

        Também tem questão de planejamento, que tanto o Rio de Janeiro e Salvador não tinham. Mas isso é só suplemento. Brasília nasceu monumental.

         Isso visto que desde os escritos de Dom Bosco, frade italiano, apontando por uma "visão" uma nova cidade no meio do nada, em meio ao paralelo 23°, cercada por um lago onde haveria um notável desenvolvimento. Pra mim isso é conto da carochinha, ou então o frade tomou chá de cogumelo achando que era óstia com vinho sacral.

          Em todo caso, a idéia de uma capital no interior remonta o século XVIII, quando os inconfidentes jpa queriam que a capital de sua república fosse em São João Del Rey (em Minas Gerais), essa história já sabemos, Tiradentes, o único cara que se fudeu literalmente naquilo tudo, que foi trasnformado em Cristo na Tela de Pedro Américo, foi esquartejado e tal.

         As pessoas dizem que Juscelino Kubistchek foi inovador ao imaginar uma capital no interior e tal, e que teve coragem de construí-la conforme a Constituição de 1946; Mas na verdade, JK não é essas coisas também... Ele fazia obras, sim ele fazia várias obras, mas não só porque queria desenvolver o Brasil (na verdade eu até tenho minhas dúvidas se ele tinha essa intenção). O presidente JK, que os meus concidadãos briguem comigo, era corrupto. Sim ele era.

          Ele não é aquele carinha bondoso que a Globo pintou como o Zé Wilker encenou, JK foi o cara que trouxe as multinacionais para cá, trouxe a indústria automobilistica em peso para o Brasil, como a Volkswagen, construiu estradas por tudo que é canto e sua obra maior foi uma capital no Centro-Oeste. Isso a um custo astronômico para o governo e para o povo, onerando consideravelemente a economia brasileira, com os suntuosos emprestimos que ele pegava com o capital estrangeiro.

           Brasília custou muito caro e foi construída sobre muito trabalho. Não foi um trabalho forçado, afinal foi o governo que convidou um bocado dos retirantes do Nordeste, dos  sulistas expansionistas, e todo o pessoal do Brasil para erigir uma capital (na verdade, essas populações padeciam de um desemprego patológico, e não viam outra alternativa para migrar e trabalhar na construção de uma nova capital).

           JK usou o serviço dos candangos (os trabalhadores braçais que erigiram a cidade por volta de 1956-60), e a capital  ficou pronta, com um desvio estratosférico de recursos públicos, notavelmente desviados por empreeiteiras e construtoras. JK usou o trabalho dos milhares de trabalhadores que vieram para Brasília, e em troca, não lhes deu as casa como queriam, e deixou o seu mandato, sob graves acusações de corrupção.

           Entrou um novo governo, e esse novo governo continuou a usar o Rio de Janeiro como capital administrativa, deixando Brasília a Deus dará, e sequer se encarregando de usar os edíficios governamentais Brasília tinha virado um elefante branco.

            Isso continuaria assim se os militares não tivessem abraçado a ideia de uma capital no interior, afastada dos grandes vultos sociais, e terem usado in facto Brasília como centro do poder.

            Esse é um resumo sintético do prólogo da história de Brasília.

            Brasília nasceu sim da corrupção e da ambição de um presidente, que achou melhor, como obra maior de seu governo, erigir uma capital no centro do Brasil a partir do nada, mas a população de Brasília não deve ser penalizada por isso, pois ela vem sim dos milhares de retirantes que deram suas forças para erigir uma nova cidade.

           Amo minha cidade, e essa é minha homenagem:

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Uma melodia



    Um pouco de música é o que necessitamos nesses duros e árduos dias, pois em si é a música que levanta o moral das tropas, ergue nações e inflama corações...

      Não é a toa que quando se luta, ao fundo deve-se ouvir um pouco de música... Se és tu, caro leitor, um guerreiro que batalhas a  tanto para sobreviver e agora teve a felicidade ou não de avistar esse pequeno blog, a ti endereço essa música.

       A Canção dos Barqueiros do Volga, regida por ninguém menos que Stravinski









Ideias, uma falta constante

    Matutando sua cabeça à espera de novas ideias, por dias a fio ele pensa... Por dias a fio se tortura, mas nada conseguia ele extrair, nada conseguia substrair.

   Observa a tela branca piscar-lhe aos olhos como a incandescência do lírio do campo ao esfolar-se ao vento... Ri de tais comparações, de metáforas sem sentido e cantar o desconhecido.

    Semanas, meses, nada muda-lhe quanto àquele dilema... Sem ideias, ele pensa quão bons eram aqueles dias em que tinha inspiração...

      Não mais.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Poema sem número (2)

 Sem amigos
Sem presença
Traços antigos
Com aspereza
Viva o vivido
E dê voz à esperteza.

Poema sem número

Há três coisas
que não farei nesse Mundo
Crimes, filhos
e recitar paixões em público
Sei dos caminhos
Que levam o coração
Mas são estes mesmos
Que levam à perdição

A vida de um jovem (conto do blogueiro)

         Era uma manhã, uma daquelas manhãs preguiçosas de verão,  onde até os pássaros tinham preguiça em recitar sua cantoria nos galhos das árvores; O sol, uma pintura ao mesmo sólida e fluida de um laranja amarelado, em tom de cobre.

          O vento fracamente batia nas estrebeiras das janelas, e sem forças os galhos de uma árvore, uma amoreira de dois metros, um tanto enrugada para a sua idade, arranhavam o vidro da janela.

         Com alarde, sem muita cerimônia toca uma sirene estrondosa, daquelas que ouvimos nas situações mais impropícias, quando estamos na guerra, e ouvimos a estridente canção alertando para um ataque áereo pesado. Era impossível manter-se imóvel quanto a isso.

        Levantando-se da cama, desastradamente o ainda sonolento repousante, caiu no chão e com o impacto, sentiu uma dor próximo à costela. Não era nada demais.
        Enrolado numa coberta, um edredon na verdade, branco e cinza, ele tentara andar através do pano, mas tropeçara no próprio tecido, parecia um fantasma. Um fantasma que bateu a testa no criado-mudo.

       — Diabos! — Esbravejou.
  
        Arrastou-se no chão até uma mesinha de cama e tateou a madeira da mobília, até com a mão encontrar o telefone que estava a badalar.

        — Já chega! Eu odeio acordar às segundas de manhã!
        Tocou no teclado do telefone e enfim, retirou do modo despertador o dispositvo:

         — É hora de acordar, meu caro! Acorde!
         
          Seguiu ao banheiro daquela pequena suíte e despiu-se preguiçosamente, até por fim girar a chave do chuveiro... Enquanto a água do chuveiro caía-lhe nos ombros, ele pensava:

         — Que noite terrível! Não consegui nem dormir direito!
         Era manhã, bem cedo, mas tão logo ele sairia que logo depois de se vestir nem se deua o trabalho de fazer sua refeição matutina.

        O primeiro ônibus que ele pegava, um daqueles tipo sucuteados, de motor ruídoso e chassi quadrado, era ônibus das oito horas, que o levava quase todos os dias para a rodoviária central da cidade... Ele era realmente frio para com a cobradora, mas enfim, ele tinha aprenddo uma lição da maneira mais ruim... Não dava para ser íntimo dos cobradores.
        Visto isto porque numa dada situação, ainda naquele ano, quando formulara amizade com um cobrador de ônibus da linha costumeira com a qual voltava para casa, ele estivera enrolado em maus lençóis, afinal de contas, quando ele perdera o seu primeiro celular, eis que esse tipo dignou-se de não avisá-lo, não entregá-lo, não fazer nenhuma menção a isso, e ainda utilizar a linha para alguns fins sem grandes detalhes... 

       Ele, que já não confiava na sua própria sombra, partiu a confiar menos ainda... Nunca mais quis saber daquilo.

        Sentando-se junto à janela, na parte da locomotiva sobre rodas, ele observava o sol bater-lhe ao rosto, mas os seus raios quentes eram repelidos pelo seu vistoso chapéu de palha branca, fato esse que o permitia a ler um pouco naquela ocasião.

       Não que não soubesse, mas ele lia aquilo sem qualquer pretensão, um livro pequeno de bolso, de capa vermelha, em inglês, um daqueles manuais de História que nós historiadores temos orgulho de esconder. Era algo sobre a União Soviética, ou algo assim. Nem sequer se importava em ler um manual ali.

        O sacolejar do veículo junto aos buracos da estrada ajudava a treinar sua ergonomia junto a leitura, e contente ele apreciava um pouco àquela leitura, que caracterizara como burguesa.

          Dado a dois engarrafamentos, o ônibus tão logo se encheu, o que antes estava só, eis que fica mal acompanhado... Um daqueles tipos chatos, de boné e bermuda longa, ouvindo um funk pesado junto ao ouvido pelo autofalante de seu aparelho de celular.

           Obviamente se incomodou o jovem rapaz, que desejava enfiar aquele dispositivo dos infernos junto a uma região não muito nobre do seu incômodo vizinho, mas dignou-se a ficar calado (na verdade, ele notou que o infeliz era maior que ele).

           O ruídoso som daquela música parecia sujar a seus tímpanos com palavras indecentes e palavrões em demasia, e tão logo se fez, a leitura impraticável se tornou. Largou o óculos, fechou o livro, desistiu de ler, foi então ver pela janela o que se havia.

         Manhã clara, ensolarada, salve, salve. Um imenso sonho vivo e o gigante sol por natureza, a imagem do Colosso terra desce, eis que sua terra adorado toma sua voz e sobre o solo que ali reina, exala um cheiro de capim.

         O trânsito estava ruim... Costumeiros congestionamentos se seguiam, mas por sorte, fortuinamente, o infeliz com o funk ao ouvidos havia desaparecido junto à multidão. O rapaz se jactava disso.

         Eis que depois de quarenta minutos no trânsito, num congestionamento de vinte, o rapaz enfim chega a seu destino, onde pega o seu segundo ônibus, mais cheio e lotado...

         Desastradamente, devido á demora do primeiro ônibus, o rapaz não consegue um lugar para repousar junto ao ônibus, mas eis que ele se espreme junto à multidão,à massa e sente naquilo um coletivo o qual o assusta. Ele tinha medo dps muitos, e sentia confortável com oc poucos.

         Em pé, apertado junto aos quarenta que tiveram a infelicidade de também irem em pé, o rapaz percebe que agora mesmo não daria para ler uma só página daquele livro.

        O ônibus parte, sem muita cerimônia, após longa demora parte, e eis que pelo vidro da janela, os olhos castanhos daquele jovem rapaz se vislumbram ao verem as maravilhas do concreto armado... Aquela cidade realmente sabia se pintar com monumentos sinuosos, totalmente modernos.

         Eis que nosso protagonista, oprimido junto à massa, tenta encolher o seu corpo magro e um tanto longo, mas não consegue nem mesmo espaço para isso e quando a viagem se lança na demasia, pensa ele quão bom seria não ter aquilo de novo. Seria bom mesmo.

        O ônibus não demora, e sem dificuldades, o rapaz enfim chega à campus da universidade, e desembarca rapidamente daquele expresso de carga de pessoas. Tal é  a linha 110!

       Caminhando em passos robotizados, eis que tenta apressar seus passos para chegar cedo à sua aula e conversar com seus colegas sobre futebol, política, ou alguma coisa assim, mas ele nunca consegue...

        Tem agora uma aula boa sobre períodos medievalescos da História, a qual o mais impressiona... Mas logo segue o dia, e quanto mais se profunda o dia, mais aulas chatas tem... Não que eles a odeiem, mas também não as ame.

         Aquilo retira-lhe sua inspiração, aquela rotina chata e cansativa, mas ele não se prostra diante a isso e continua a ir todos os dias por um só motivo... A última aula daquele dia.

        Por quê? Porque eu não sei, talvez seja porque ele conclua que o dia enfim tenha acabado, que ele enfim poderá descansar em plena aula ( o que o faz com maestria), ou porque ele encontra a quem está apaixonado.

        Sim, ele não se orgulha sobre esse sentimento, cospe volta em meia nessas soluções amorosas, e atira no próprio Cupido, mas ele mesmo é uma criatura apaixonada.

         Estranham vocês que ele é mudo na maior parte do tempo narrativo, mas em verdade ele o é na maior parte do tempo, faz comentários apenas pontuais, muitas vezes não muito bons, é triste e oprimido, e não tem um amor correspondido.

          Certa vez ele amou, amou tanto que foi r rejeitado com sorrisos maldosos e traições inconsequentes, mas hoje ele ama outra, uma jovem que ele gosta justamente por ser como ele: Ela é grossa, por vezes maldosa, e cáustica; mas ele julga que como ele, é por necessidade. 

          "Ela gostava de três coisas nesse mundo:
           Brincar orgulhosa, sorrir dos contos
           e contar contos já bem gastos.
           Não gostava de me ver falando,
           nem de ficar recitando sua beleza.
            Nem de Marx e dialética,
            ... e eu a amava."

            Eis que ele cresce, deixa sua juventude, e toma voz à sua paixão

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...