sábado, 21 de abril de 2012

Brasília

   Correm conversas sobre que Brasília é o supro antro da corrupção, que é lá onde se concetra a maior população condensada de bandidos por metro quadrado e tal... Eu não me canso de ouvir essas baboseiras.

     Pois eis que o pessoal de Brasília tenta se defender dizendo: "Olha, você pode estar certo, mas quem manda os políticos pra lá são vocês! A culpa de vocês!", mas essa conversa foi desbarateada quando por volta de 2009 revelou-se um esquema de corrupção gigantesco em torno do então governador do Distrito Federal, José Arruda.

      Sim,  nós agora também temos corruptos.

      Devemos nos ater ao fato que Brasília, logo na sua concepção, foi planejada para outros fins, não só para capital. Brasília se tornou a capital no meio do centro do Brasil, não só por uma questão de segurança nacional, para não facilitar o ataque de forças estrangeiras pelo litoral, ou para desenvolver o interiror. Brasília fica no interior porque tem que ficar fora dos grandes movimentos sociais que geralmente surgem no Rio de Janeiro e São Paulo.

        Também tem questão de planejamento, que tanto o Rio de Janeiro e Salvador não tinham. Mas isso é só suplemento. Brasília nasceu monumental.

         Isso visto que desde os escritos de Dom Bosco, frade italiano, apontando por uma "visão" uma nova cidade no meio do nada, em meio ao paralelo 23°, cercada por um lago onde haveria um notável desenvolvimento. Pra mim isso é conto da carochinha, ou então o frade tomou chá de cogumelo achando que era óstia com vinho sacral.

          Em todo caso, a idéia de uma capital no interior remonta o século XVIII, quando os inconfidentes jpa queriam que a capital de sua república fosse em São João Del Rey (em Minas Gerais), essa história já sabemos, Tiradentes, o único cara que se fudeu literalmente naquilo tudo, que foi trasnformado em Cristo na Tela de Pedro Américo, foi esquartejado e tal.

         As pessoas dizem que Juscelino Kubistchek foi inovador ao imaginar uma capital no interior e tal, e que teve coragem de construí-la conforme a Constituição de 1946; Mas na verdade, JK não é essas coisas também... Ele fazia obras, sim ele fazia várias obras, mas não só porque queria desenvolver o Brasil (na verdade eu até tenho minhas dúvidas se ele tinha essa intenção). O presidente JK, que os meus concidadãos briguem comigo, era corrupto. Sim ele era.

          Ele não é aquele carinha bondoso que a Globo pintou como o Zé Wilker encenou, JK foi o cara que trouxe as multinacionais para cá, trouxe a indústria automobilistica em peso para o Brasil, como a Volkswagen, construiu estradas por tudo que é canto e sua obra maior foi uma capital no Centro-Oeste. Isso a um custo astronômico para o governo e para o povo, onerando consideravelemente a economia brasileira, com os suntuosos emprestimos que ele pegava com o capital estrangeiro.

           Brasília custou muito caro e foi construída sobre muito trabalho. Não foi um trabalho forçado, afinal foi o governo que convidou um bocado dos retirantes do Nordeste, dos  sulistas expansionistas, e todo o pessoal do Brasil para erigir uma capital (na verdade, essas populações padeciam de um desemprego patológico, e não viam outra alternativa para migrar e trabalhar na construção de uma nova capital).

           JK usou o serviço dos candangos (os trabalhadores braçais que erigiram a cidade por volta de 1956-60), e a capital  ficou pronta, com um desvio estratosférico de recursos públicos, notavelmente desviados por empreeiteiras e construtoras. JK usou o trabalho dos milhares de trabalhadores que vieram para Brasília, e em troca, não lhes deu as casa como queriam, e deixou o seu mandato, sob graves acusações de corrupção.

           Entrou um novo governo, e esse novo governo continuou a usar o Rio de Janeiro como capital administrativa, deixando Brasília a Deus dará, e sequer se encarregando de usar os edíficios governamentais Brasília tinha virado um elefante branco.

            Isso continuaria assim se os militares não tivessem abraçado a ideia de uma capital no interior, afastada dos grandes vultos sociais, e terem usado in facto Brasília como centro do poder.

            Esse é um resumo sintético do prólogo da história de Brasília.

            Brasília nasceu sim da corrupção e da ambição de um presidente, que achou melhor, como obra maior de seu governo, erigir uma capital no centro do Brasil a partir do nada, mas a população de Brasília não deve ser penalizada por isso, pois ela vem sim dos milhares de retirantes que deram suas forças para erigir uma nova cidade.

           Amo minha cidade, e essa é minha homenagem:

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Uma melodia



    Um pouco de música é o que necessitamos nesses duros e árduos dias, pois em si é a música que levanta o moral das tropas, ergue nações e inflama corações...

      Não é a toa que quando se luta, ao fundo deve-se ouvir um pouco de música... Se és tu, caro leitor, um guerreiro que batalhas a  tanto para sobreviver e agora teve a felicidade ou não de avistar esse pequeno blog, a ti endereço essa música.

       A Canção dos Barqueiros do Volga, regida por ninguém menos que Stravinski









Ideias, uma falta constante

    Matutando sua cabeça à espera de novas ideias, por dias a fio ele pensa... Por dias a fio se tortura, mas nada conseguia ele extrair, nada conseguia substrair.

   Observa a tela branca piscar-lhe aos olhos como a incandescência do lírio do campo ao esfolar-se ao vento... Ri de tais comparações, de metáforas sem sentido e cantar o desconhecido.

    Semanas, meses, nada muda-lhe quanto àquele dilema... Sem ideias, ele pensa quão bons eram aqueles dias em que tinha inspiração...

      Não mais.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Poema sem número (2)

 Sem amigos
Sem presença
Traços antigos
Com aspereza
Viva o vivido
E dê voz à esperteza.

Poema sem número

Há três coisas
que não farei nesse Mundo
Crimes, filhos
e recitar paixões em público
Sei dos caminhos
Que levam o coração
Mas são estes mesmos
Que levam à perdição

A vida de um jovem (conto do blogueiro)

         Era uma manhã, uma daquelas manhãs preguiçosas de verão,  onde até os pássaros tinham preguiça em recitar sua cantoria nos galhos das árvores; O sol, uma pintura ao mesmo sólida e fluida de um laranja amarelado, em tom de cobre.

          O vento fracamente batia nas estrebeiras das janelas, e sem forças os galhos de uma árvore, uma amoreira de dois metros, um tanto enrugada para a sua idade, arranhavam o vidro da janela.

         Com alarde, sem muita cerimônia toca uma sirene estrondosa, daquelas que ouvimos nas situações mais impropícias, quando estamos na guerra, e ouvimos a estridente canção alertando para um ataque áereo pesado. Era impossível manter-se imóvel quanto a isso.

        Levantando-se da cama, desastradamente o ainda sonolento repousante, caiu no chão e com o impacto, sentiu uma dor próximo à costela. Não era nada demais.
        Enrolado numa coberta, um edredon na verdade, branco e cinza, ele tentara andar através do pano, mas tropeçara no próprio tecido, parecia um fantasma. Um fantasma que bateu a testa no criado-mudo.

       — Diabos! — Esbravejou.
  
        Arrastou-se no chão até uma mesinha de cama e tateou a madeira da mobília, até com a mão encontrar o telefone que estava a badalar.

        — Já chega! Eu odeio acordar às segundas de manhã!
        Tocou no teclado do telefone e enfim, retirou do modo despertador o dispositvo:

         — É hora de acordar, meu caro! Acorde!
         
          Seguiu ao banheiro daquela pequena suíte e despiu-se preguiçosamente, até por fim girar a chave do chuveiro... Enquanto a água do chuveiro caía-lhe nos ombros, ele pensava:

         — Que noite terrível! Não consegui nem dormir direito!
         Era manhã, bem cedo, mas tão logo ele sairia que logo depois de se vestir nem se deua o trabalho de fazer sua refeição matutina.

        O primeiro ônibus que ele pegava, um daqueles tipo sucuteados, de motor ruídoso e chassi quadrado, era ônibus das oito horas, que o levava quase todos os dias para a rodoviária central da cidade... Ele era realmente frio para com a cobradora, mas enfim, ele tinha aprenddo uma lição da maneira mais ruim... Não dava para ser íntimo dos cobradores.
        Visto isto porque numa dada situação, ainda naquele ano, quando formulara amizade com um cobrador de ônibus da linha costumeira com a qual voltava para casa, ele estivera enrolado em maus lençóis, afinal de contas, quando ele perdera o seu primeiro celular, eis que esse tipo dignou-se de não avisá-lo, não entregá-lo, não fazer nenhuma menção a isso, e ainda utilizar a linha para alguns fins sem grandes detalhes... 

       Ele, que já não confiava na sua própria sombra, partiu a confiar menos ainda... Nunca mais quis saber daquilo.

        Sentando-se junto à janela, na parte da locomotiva sobre rodas, ele observava o sol bater-lhe ao rosto, mas os seus raios quentes eram repelidos pelo seu vistoso chapéu de palha branca, fato esse que o permitia a ler um pouco naquela ocasião.

       Não que não soubesse, mas ele lia aquilo sem qualquer pretensão, um livro pequeno de bolso, de capa vermelha, em inglês, um daqueles manuais de História que nós historiadores temos orgulho de esconder. Era algo sobre a União Soviética, ou algo assim. Nem sequer se importava em ler um manual ali.

        O sacolejar do veículo junto aos buracos da estrada ajudava a treinar sua ergonomia junto a leitura, e contente ele apreciava um pouco àquela leitura, que caracterizara como burguesa.

          Dado a dois engarrafamentos, o ônibus tão logo se encheu, o que antes estava só, eis que fica mal acompanhado... Um daqueles tipos chatos, de boné e bermuda longa, ouvindo um funk pesado junto ao ouvido pelo autofalante de seu aparelho de celular.

           Obviamente se incomodou o jovem rapaz, que desejava enfiar aquele dispositivo dos infernos junto a uma região não muito nobre do seu incômodo vizinho, mas dignou-se a ficar calado (na verdade, ele notou que o infeliz era maior que ele).

           O ruídoso som daquela música parecia sujar a seus tímpanos com palavras indecentes e palavrões em demasia, e tão logo se fez, a leitura impraticável se tornou. Largou o óculos, fechou o livro, desistiu de ler, foi então ver pela janela o que se havia.

         Manhã clara, ensolarada, salve, salve. Um imenso sonho vivo e o gigante sol por natureza, a imagem do Colosso terra desce, eis que sua terra adorado toma sua voz e sobre o solo que ali reina, exala um cheiro de capim.

         O trânsito estava ruim... Costumeiros congestionamentos se seguiam, mas por sorte, fortuinamente, o infeliz com o funk ao ouvidos havia desaparecido junto à multidão. O rapaz se jactava disso.

         Eis que depois de quarenta minutos no trânsito, num congestionamento de vinte, o rapaz enfim chega a seu destino, onde pega o seu segundo ônibus, mais cheio e lotado...

         Desastradamente, devido á demora do primeiro ônibus, o rapaz não consegue um lugar para repousar junto ao ônibus, mas eis que ele se espreme junto à multidão,à massa e sente naquilo um coletivo o qual o assusta. Ele tinha medo dps muitos, e sentia confortável com oc poucos.

         Em pé, apertado junto aos quarenta que tiveram a infelicidade de também irem em pé, o rapaz percebe que agora mesmo não daria para ler uma só página daquele livro.

        O ônibus parte, sem muita cerimônia, após longa demora parte, e eis que pelo vidro da janela, os olhos castanhos daquele jovem rapaz se vislumbram ao verem as maravilhas do concreto armado... Aquela cidade realmente sabia se pintar com monumentos sinuosos, totalmente modernos.

         Eis que nosso protagonista, oprimido junto à massa, tenta encolher o seu corpo magro e um tanto longo, mas não consegue nem mesmo espaço para isso e quando a viagem se lança na demasia, pensa ele quão bom seria não ter aquilo de novo. Seria bom mesmo.

        O ônibus não demora, e sem dificuldades, o rapaz enfim chega à campus da universidade, e desembarca rapidamente daquele expresso de carga de pessoas. Tal é  a linha 110!

       Caminhando em passos robotizados, eis que tenta apressar seus passos para chegar cedo à sua aula e conversar com seus colegas sobre futebol, política, ou alguma coisa assim, mas ele nunca consegue...

        Tem agora uma aula boa sobre períodos medievalescos da História, a qual o mais impressiona... Mas logo segue o dia, e quanto mais se profunda o dia, mais aulas chatas tem... Não que eles a odeiem, mas também não as ame.

         Aquilo retira-lhe sua inspiração, aquela rotina chata e cansativa, mas ele não se prostra diante a isso e continua a ir todos os dias por um só motivo... A última aula daquele dia.

        Por quê? Porque eu não sei, talvez seja porque ele conclua que o dia enfim tenha acabado, que ele enfim poderá descansar em plena aula ( o que o faz com maestria), ou porque ele encontra a quem está apaixonado.

        Sim, ele não se orgulha sobre esse sentimento, cospe volta em meia nessas soluções amorosas, e atira no próprio Cupido, mas ele mesmo é uma criatura apaixonada.

         Estranham vocês que ele é mudo na maior parte do tempo narrativo, mas em verdade ele o é na maior parte do tempo, faz comentários apenas pontuais, muitas vezes não muito bons, é triste e oprimido, e não tem um amor correspondido.

          Certa vez ele amou, amou tanto que foi r rejeitado com sorrisos maldosos e traições inconsequentes, mas hoje ele ama outra, uma jovem que ele gosta justamente por ser como ele: Ela é grossa, por vezes maldosa, e cáustica; mas ele julga que como ele, é por necessidade. 

          "Ela gostava de três coisas nesse mundo:
           Brincar orgulhosa, sorrir dos contos
           e contar contos já bem gastos.
           Não gostava de me ver falando,
           nem de ficar recitando sua beleza.
            Nem de Marx e dialética,
            ... e eu a amava."

            Eis que ele cresce, deixa sua juventude, e toma voz à sua paixão

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O Fabricante de Ataúdes* (conto de Pushkin)

"Não vemos talvez cada dia ataúdes, cabelos grisalhos do universo que está envelhecendo."
(Derjávin)


         Uma vez carregados sobre o carro fúnebre os últimos trens do fabricante de ataúdes Adrian Prochorov. os dois magros cavalos se arrastaram, pela quarta vez, de Basmannaia para Nikitskaia, onde Adrian se tinha transferido com toda a sua casa.

       Ele próprio, depois de fechada a loja, pregou na porta o anúncio que a casa se alugava ou se vendia e encaminhou-se a pé para a sua nova moradia.

      Aproximando-se da pequena casa amarela, que por tanto tempo havia povoado a sua imaginação e que ele, finalmente, havia comprado por uma regular importânciazinha, o velho fabricante de ataúdes verificou, com espanto, que seu coração não estava alegre.

       Passando a soleira da porta desconhecida e encontrando a nova casa em grande confusão, sentiu saudade do velho tugúrio onde, por dezoito anos seguidos, cada coisa fora feita seguindo-se a mais rigorosa ordem. Começou a encolerizar-se com suas duas filhas e com a empregada pela sua lentidão e se pôs ele mesmo a ajudá-las.

           Logo a ordem foi estabelecida; a vitrina com as imagens, o armário com o vasilhame, a mesa, o sofá e a cama foram ocupar os lugares por êle determinados no quarto de trás; na cozinha e na saleta foram situados os produtos do dono da casa: ataúdes de todas as cores e medidas, assim como armários com chapéus de luto, mantilhas e tochas.

          Na porta foi afixada uma tabuleta apresentando um rechonchudo cupido com uma pequena tocha, na mão, virada para baixo e mais os seguintes dizeres: "vendem-se e guarnecem-se ataúdes simples e de luxo; alugam-se também e consertam-se ataúdes velhos". As moças foram para seu quarto. Adrian deu uma volta pela casa, sentou-se depois perto da janela e deu ordem para que preparassem o samovar.


         O culto leitor sabe que Shakespeare e Walter Scott apresentaram seus coveiros como gente alegre e brincalhona, com o fim de impressionar mais fortemente a imaginação, com tal contraste. Mas, a bem da verdade, nós não podemos seguir o seu exemplo e nos vemos obrigados a confessar que o caráter do nosso fabricante de ataúdes correspondia perfeitamente ao seu melancólico ofício.

        Quase sempre Adrian Proborov estava triste e pensativo. Interrompia, pode-se dizer, seu silêncio somente para repreender as filhas, quando as via sem fazer nada, à janela, olhando os transeuntes; ou para pedir preços hiperbólicos pelos seus produtos a quem tinha a infelicidade (mas também, às vezes, a sorte) de precisar deles.

        Portanto, Adrian, sentado perto da janela e bebendo sua sétima chávena de chá, estava, como de costume, mergulhado em melancólicas cogitações. Pensava na forte chuva que, cerca de uma semana atrás, havia surpreendido justamente quase às portas da cidade, o funeral de um cabo de polícia aposentado. Tal chuva havia feito encolher muitas mantilhas e deformar muitos chapéus.

         Adrian previa despesas inevitáveis, já que o seu antigo equipamento de paramentos fúnebres estava já reduzido a um estado de fazer piedade. Ele esperava, sem dúvida, pôr tudo na conta da velha comerciante Triubina que há quase um, ano estava nas últimas. Mas ela estava morrendo em Rasguliai e Proborov temia que os herdeiros, contrariando a promessa feita, não se dessem ao trabalho de procurá-lo naquela distância e tratassem com a empresa mais próxima.


           Estas reflexões foram interrompidas por três pancadas maçônicas repentinamente dadas na porta.

         — Quem é? — perguntou o fabricante de ataúdes.

         A porta abriu-se e um homem, em quem se podia reconhecer, à primeira vista, um artesão alemão, entrou e com ar festivo se aproximou do fabricante de ataúdes.

         —Desculpe, gentil vizinho — disse naquela espécie de idioma russo que nós até hoje não podemos ouvir sem rir — desculpe se o incomodo. . . queria conhecê-lo logo. Sou sapateiro, meu nome é Gotlieb Schultz, e estou do outro lado da rua, nesta pequena casa que está em frente às suas janelas. Amanhã, festejo as minhas bodas de prata, e rogo ao Senhor e a suas filhas que venham almoçar comigo, como amigos.

       O convite foi aceito de bom grado. O fabricante de ataúdes, por sua vez, pediu ao sapateiro que se sentasse e tomasse uma xícara de chá e, graças ao caráter expansivo de Gotlieb Schultz, a conversa tomou logo um aspecto cordial.

        — E como vão os seus negócios? — indagou Adrian.

         — Oh-oh-oh! — respondeu Schultz — nada mal, não me posso queixar. Embora, se compreenda, a minha mercadoria não é a sua: um vivo pode dispensar os sapatos, mas um morto sem ataúde não pode viver.

       — Santa verdade — observou Adrian : "Só que se um vivo não tem com que comprar seus sapatos, o mal não é grande, anda eventualmente descalço; ao passo que um morto pobre tem o seu ataúde mesmo de graça".

        A conversação continuou neste ritmo ainda por um pouco. No fim o sapateiro levantou-se e se despediu do fabricante de ataúdes renovando o seu convite.


        No dia seguinte, ao meio-dia em ponto, o fabricante de ataúdes e suas filhas saíram da portinhola da nova casa e se encaminharam para a casa do vizinho.

       Não descreverei aqui nem o traje russo de Adrian Proborov, nem os vestuários europeus de Akulina e de Dar’ia, afastando-me, neste caso, do costume introduzido entre os romancistas de hoje. Considero, todavia, não supérfluo relevar que ambas as moças tinham posto chapéus amarelos e sapatos escarlates, o que faziam somente nas grandes ocasiões.


        O estreito quarto do sapateiro estava cheio de convidados, na maioria operários alemães com suas esposas e seus empregados. Entre os funcionários russos havia um guarda, o finlandês Jurko, que soubera, apesar da sua humilde profissão, angariar a benevolência particular do dono da casa.

      Vinte e cinco anos havia ele servido, consciente e fielmente, como vigia em PogorePskij. O incêndio de doze, destruindo a primitiva capital, destruíra também a sua guarita amarela. Mas, logo após a expulsão do inimigo, no lugar daquela, surgiu outra nova, pardazinha, com colunazinhas brancas de estilo dórico, e Jurko recomeçara a passear em torno dela com a sua alabarda e a sua couraça.

        Ele conhecia quase todos os alemães que moravam lá pela Porta Nikita: a algum deles, antes, acontecia passar a noite, entre o domingo e a segunda-feira, junto de Jurko.

         Adrian apressou-se a travar conhecimento com ele, como com um homem de quem, cedo ou tarde, pode acontecer que se tenha necessidade, quando os hóspedes foram à mesa, os dois sentaram-se perto.

         O senhor e a senhora Schultz, com a sua filha Lotchen de dezessete anos, mesmo comendo junto com os convidados, faziam as honras da casa e ajudavam a cozinheira a servir.

      A cerveja jorrava. Jurko comia por quatro. Adrian não ficava atrás, suas filhas ao invés, faziam cerimônia. A conversação em alemão se tornava cada vez mais numerosa.

     De repente, o dono da casa pediu atenção e, destampando uma garrafa fechada com alcatrão, pronunciou, em alta voz e emrusso: "à saúde da minha boa Luísa!" O meio champanha espumou.

        O dono da casa beijou carinhosamente o jovem rosto da sua quarentona companheira e os convivas beberam, ruidosamente, à saúde da boa Luísa.

      — À saúde dos meus gentis convivas!— proclamou o dono da casa, destapando uma segunda garrafa e os convivas lhe agradeceram, esgotando de novo seus copos.

    Neste ponto os brindes começaram a suceder-se uns após outros; bebeu-se à saúde de cada conviva em particular; à saúde de Moscou e de toda uma dúzia de cidades alemãs; à saúde de todas as corporações artesanais em geral e, separadamente, de cada uma; à saúde dos mestres e contramestres.

     Adrian bebia conscienciosamente e ficou tão alegre que êle mesmo propôs não sei que brinde jocoso. Num dado momento, um dos convidados, um gordo vigia, ergueu o copo exclamando: "à saúde dos nossos fregueses, unserer Kundleuttel!" a proposta, como todas as demais, foi aceita com júbilo e unanimidade.

        Os convivas começaram a fazer reverências um ao outro, o alfaiate ao sapateiro, o sapateiro ao alfaiate, o vigia a ambos, ambos ao vigia e assim por diante. Em meio a estes mútuos cumprimentos, Jurko gritou, virando-se para seu vizinho:

       — Então? Beba, "bátiuchka"¹, à saúde dos seus mortos.

         Todos começaram a rir, mas o fabricante de caixões sentiu-se ofendido e tornou-se sombrio. Mas ninguém se apercebeu disso, os convivas continuaram a beber e quando saíram da mesa já estavam tocando as vésperas.

        Os convivas separaram-se tarde e, na maioria, em estado de euforia. O gordo vigia e o encadernador, cujo rosto parecia encadernado em marroquim vermelho, conduziram, de braço dado, Jurko até a sua guarita, justificando neste caso o provérbio: quem faz paga.

      O fabricante de caixões chegou em casa embriagado e irritado:

        — Mas que. na verdade!— ia falando em voz alta —em que ponto o meu trabalho não é honrado quanto os outros? Será irmão carnal do carrasco  o fabricante de caixões? Do que se riem aqueles hereges ? Será um palhaço de Natal, o fabricante de caixões? No entanto eu queria convidá-los para a nova casa, dar uma festa e tanto; pois bem, nada disso! Convidarei, ao invés, os meus clientes, os meus mortos cristãos.

        — O que diz você, "bátiuchka"?— indagou a empregada que o estava descalçando — que bobagens está dizendo? Benza-se! Convidar os mortos para a nova casa: o que se deve ouvir!"

       — Tão certo como Deus, eu os convido— reatou Adrian — e para amanhã. Por favor, oh meus benfeitores, venham à noite fazer penitência comigo.

        E com tais palavras o fabricante de ataúdes deitou-se e logo principiou a roncar.


        Fora estava ainda escuro quando o acordaram. A comerciante Triubina tinha morrido naquela noite e um seu empregado viera de lá a cavalo até a casa de Adrian com a notícia. Este deu-lhe de gorjeta uns cobres pelo incômodo, vestiu-se às pressas, tomou um carro de aluguel e foi a Razguliai.

         Diante da porta da defunta estava já a polícia e rondavam os traficantes que sentem cheiro de morto como os corvos.

       A defunta estava estendida sobre a mesa, amarela como cera, mas ainda não desfigurada pela decomposição.

        Em torno dela se acotovelavam os parentes, os vizinhos e as pessoas da casa. Todas as janelas estavam abertas; ardiam as velas; os padres liam as preces.

         Adrian se aproximou do neto da Triubina, um jovem comerciante trajado com uma redin gote na moda e o informou que o ataúde, os círios, o pano preto e todos os demais acessórios fúnebres lhe seriam logo remetidos com todo o cuidado.

        O herdeiro agradeceu distraidamente, dizendo que não iria discutir o preço e que se fiava em tudo à consciência dele. O fabricante de caixões, como de costume, jurou por todos os santos que não iria cobrar mais do que era justo; trocou, em seguida, um olhar significativo com o empregado e foi tomar suas providências.

      Por todo o dia esteve num vaivém entre Razguliai e Porta Nikita; à noite tinha ajustado todas as coisas e, dispensando o carro, dirigiu-se a pé para casa. Havia luar.

       O fabricante de ataúdes chegou sem empecilhos à Porta Nikita, Na Ascensão deu-lhe o "alto" o já conhecido Jurko que, reconhecendo o fabricante de ataúdes, lhe desejou uma boa noite.

           Era já tarde. O fabricante de ataúdes, estava já chegando em casa quando, de repente, lhe pareceu que alguém se avizinhava ao seu portão e, abrindo a portinhola, por ali desaparecia.

      "Que significa isso?" pensou Adrian. "Quem é que precisa ainda de mim? Não será talvez algum ladrão? Não serão os namorados de minhas filhas? Não faltava mais nada!"

         O fabricante já pensava em chamar o amigo Jurko para lhe prestar ajuda. Naquele instante mais alguém se avizinhou da portinhola e fêz por entrar, mas vendo chegar correndo o dono da casa, parou e tirou o chapéu de três pontas. A Adrian não pareceram desconhecidas as suas feições; todavia, na pressa, não pôde vê-lo bem.

       —Vinhera em minha casa? — disse ele arfando — entre então por favor.

       —Não façamos cerimônia, "bátiuchka", respondeu o outro surdamente.
      — Vá adiante, abra caminho aos convidados!"

        O momento não era, de fato, para cerimônias. Aberta a portinhola, Adrian encaminhou-se escadas acima seguido pelo outro. Pareceu ao fabricante de ataúdes que, na casa, se movia gente.
       — Que diabrura é essa:! — disse consigo mesmo e apressou-se a entrar … e, então, sentiu-se desfalecer. O quarto estava cheio de mortos.

          A lua, através das janelas, iluminava seus rostos amarelos e violáceos, as bocas cavernosas, os olhos foscos e semicerrados, os narizes salientes ...

       Adrian, com terror, reconheceu neles toda a gente por ele sepultada e no convidado com quem entrara, o cabo de polícia sepultado naquele dia de chuva forte. Todos, damas e senhores, cercaram o fabricante de ataúdes com cumprimentos e saudações, menos um pobre diabo que fora inumado recentemente a expensas do governo e que, envergonhando-se dos seus trapos, não se avizinhou e ficou humildemente em um canto.

        Os outros estavam todos vestidos convenientemente: as mortas com toucas e adornos, os mortos machos, se funcionários, de uniforme, mas com a barba por fazer e se comerciante, com o traje da festa.

         —Como vê, Proborov — disse o cabo de polícia, em nome de toda a respeitável assembléia — levantamo-nos todos ao seu convite; ficaram em casa somente aqueles que propriamente já não podiam, que não têm mais composição, aqueles a quem só restam os ossos, sem a pele. Mas também dentre estes um não resistiu, tanta vontade tinha de vir em sua casa!

          Nesta altura, um pequeno esqueleto abriu passagem entre a multidão, aproximando-se de Adrian. A sua caveira sorria carinhosamente para o fabricante de ataúdes. Farrapos de pano verde claro, vermelho e de um velho tecido lhe pendiam aqui e ali e os ossos das pernas se entrechocavam nas grandes botas de escudeiro, como pilões em dois almofarizes.

           —Você não me reconhece Proborov?— disse o esqueleto. — Não se lembra do sargento da guarda, aposentado, Petrovitch Kurilkin, aquele mesmo para quem, em 1799, você vendeu o seu primeiro ataúde, fazendo passar abeto por carvalho?

        Assim falando o morto lhe atirou os braços de osso ao pescoço mas, Adrian, juntando suas forças, deu um grito e o repeliu. Petrovitch cambaleou, caiu e se desfez todo.

        Entre os mortos ergueu-se um rumor de indignação; todos quiseram defender a honra de seu companheiro, avançaram contra Adrian com invectivas e ameaças. O pobre dono da casa, ensurdecido com os seus gritos e quase esmagado, atordoou-se, caiu sobre os ossos do sargento da guarda aposentado e perdeu os sentidos.


        O sol já, desde há muito, iluminava a cama onde estava deitado o fabricante de ataúdes. Afinal, este abriu os olhos e viu que a empregada soprava sob o samovar. Com terror se lembrou de tudo quanto havia acontecido na noite anterior. A Triubina, o cabo e o sargento Kurilkin lhe voltaram confusamente à memória. Pile esperou em silêncio que a empregada começasse a falar e.o informasse sobre o resultado dos acontecimentos noturnos.


         — Quando você dormiu, "bátiuchka" Adrian Probovetch — disse Aksinia dando-lhe o robe, — esteve aqui o vizinho alfaiate e o vigia veio dizer que hoje é a festa de comissário, mas você repousava e não quisemos acordá-lo.

        — E da casa da falecida Triubina veio alguém ?

         — Falecida? Mas que, talvez ela morreu?
        — Que tola! Não foi você ontem que me ajudou a preparar o seu funeral?

       — O que você está dizendo, "bátiuchka! Você não perdeu o juízo ou então a bebedeira de ontem não passou ainda? Que funeral houve ontem? O dia todo você fêz farra em casa do alemão, depois voltou embriagado, caiu na cama e ddhniu até agora que o sino para a missa já tocou

        — Mas não!—  disse o fabricante de ataúdes, regozijando-se.
        — Claro que é assim— replicou a empregada.
        — Bem, já que é assim, dê-me logo o chá e chame as moças.


[1] Bátiuchka = paizinho. Tratamento respeitoso que se dá aos mais velhos e aos padres.
*Ataúde:  Esquife, caixão.

Pushkin: uma biografia resumida



        Eu odeio resumir biografias à poucas linhas, pois nunca acho que as palavras combinem com a grandeza que foram tais pessoas em vida, seja por um fundo ideológico meu, ou mesmo por não me achar tão capaz de escrever sobre uma vida (e por achar uma biografia uma traição), mas eu não resisti e tive que escrever essa biografia.



       Aleksandr Sergueievitch Púshkin, vulgo Pushkin, foi com certeza o maior poeta russo de todos os tempos, sem querer insultar os outros poetas.






       Nascido em Moscou, em 6 de junho de 1799, num período totalmente conturbado da história européia (a ascensão de Napoleão), Puchkin descendia pela parte de seu pai  de uma ilustre família da nobreza russa cuja linhagem conhecida remonta ao século XII e de sua mãe, descendia origens escandinavas e alemãs, além do seu bisavô ter sido um fiel escudeiro de Pedro, o Grande.


      Conta a lenda que Pushkin vivenciou as Guerras Napoleônicas em pormenores durante sua infância, vivenciando até mesmo Napoelão invadindo sua cidade natal, Moscou, contudo, Pushkin nessa época já estava preparando para entrar no liceu em  Tsarskoe Selo, próximo a São Petersburgo.


        Pushkin, tal como muitos poetas, era nobre por natureza, mas liberal por concepção, tanto que fevido às suas ideias progressistas, e sendo  amigo de alguns dezembristas (responsáveis por uma tentativa de golpe contra o czar Alexandre I), foi desterrado, vagando, entre 1820 e 1824, pelo sul do Império Russo.
 
         Sob severa vigilância dos censores estatais e impedido tanto de viajar quanto de publicar, ele escreve sua mais famosa peça, Boris Godunov, uma obra sobre um dos líderes boiardos que tomou o poder na Rússia após a morte de Ivan, o Terrível.


         Pushkin recebe o perdão real em 1831, e no mesmo ano conhece Natalia (Natasha) com quem no mesmo ano iria se casar.


File:Natalia Pushkina.jpg
Ela era realmente bonita



        É sabido que com o Romantismo, a literatura russa alcançou um extraordinário desenvolvimento no século XIX, com escritores que exerceram profunda influência na literatura mundial, mas não é a toa que quem é  considerado o criador da literatura russa moderna é Aleksandr Púchkin. 
        Púchkin aliava à poderosa força da sua imaginação poética uma inigualável perfeição formal. A sua obra é de inspiração romântica, mas a sua prosa de ficção inicia o realismo psicológico na literatura russa, com pinturas magistrais da vida russa da época e uma precisa caracterização dos personagens. . Entre os seus textos destaca se o poema narrativo Ievgueni Onegin (1823 a 1831; Eugênio Onegin) e a tragédia Boris Godunov (1831).


       A Idade de Ouro da literatura russa surge com o poeta e prosista Aleksandr Puchkin, o qual  encantou gerações posteriores:
  1.  Dostoievski,  considerava Tatiana, heroína de Eugene Onegin, a personagem feminina mais realizada da literatura russa. 
  2.  Gogol, já dizia que  A Filha do Capitão, também de Pushkin, era "decididamente a melhor obra russa do gênero narrativo". 
  3. Enquanto  Lenin  tinha nas "obras imortais e insuperáveis" do escritor a leitura noturna preferida.

     Segundo o tradutor Boris Schnaiderman, Púchkin seduz com frases directas e despojadas, difíceis de enquadrar num movimento literário os elementos românticos seriam acompanhados de outros, de ruptura. Ievgueni Onieguin, obra iniciada em 1823 e concluída em 1831, assim, combinaria episódios românticos com sorrisos demoníacos e o sarcasmo cruel se alternaria "com descrições idílicas da paisagem".


      Púchkin teve uma vida conturbada e tão conturbada quanto a sua vida foi a sua morte:
      Aos 38 anos, o poeta desafiou um cavalheiro  francês (pra não dizer outra coisa),  Georges d'Anthès, cunhado de sua esposa, a um duelo
      D'Anthès, um tipo de oficial francês da época, sempre muito fresco e cavalherisco, quase cavalariano, a cortejava há tempos, e quando Pushkin percebeu, rapidamente foi defender sua honra. 

      Pushkin levou um tiro no local do duelo, às margens do Rio Neva, vindo a falecer dois dias depois.
       O francês se deu bem, e acabou não sendo preso, mas nunca mais Natalia Pushkina quis saber dele, e o francês acabou desaparecendo da Rússia.

     Como informa a imprensa russa ,  Pushkin proibiu os seus próprios descendentes de escreverem poemas. Ele considerava que, escrevia tão bem que ninguém poderia vir a escrever como ele. Talvez por isso, entre os 237 familiares dele em todo o mundo não há nenhum poeta.
Pushkin mortis
 

O sefardita

Dom Isaac Abravanel

Na naus no porto
No vento acalorado
Desce ensolarado
O sol torto

Portugal na vela
Judeu no sangue
Lisboa de Sagres
Tece a aquarela
O rubro acastanhado
De pelo emaranhado
Esvoaça ao vento
Daquele sujeito

"Portugal, não mais
Espanha, jamais
Onde mais?"

O velho senhor
Daquele povo
Agora sofredor
Tremia de dor

Seria ele um traidor?
Não, claro que não
Era um trabalhador
Do El-Rei João.

Mas então?

E o rei disse:
"Dom Isaac, seu povo irá
Mas você ficará!"

Isaac contradisse:
"Não, eu vou junto
 com o meu povo"

Era um rei
Um ministro
Dois em um
Um em dois

E pensar
que foram amigos
O rei e ele
Que tempo aquele!

Abravanel de nome
Judeu de papel
Fiel de renome
Isaac saía à Israel

Espanha lhe surge
Eis que esperança
Logo ressurge
Dia de temperança

Isaac paga uma viagem
Uma de Colombo
Mas perde o louro
Surge uma tempestade

Isaac vai a Castela
Mas logo uma querela
Expulsa seu povo
Da cidadela

Dom Isaac ao mar
Está a navegar
Viajar

Com seu povo
Com sua gente
Viajar

Até encontrar
um bom lugar
para se morar




      Dom Isaac Abravanel foi uma das figuras mais importantes do ramo sefardi do povo judeu, viveu em Portugal por volta do século XV prestando serviços à Coroa de Portugal como financista e ministro português, até ser expulso pelo Rei João II por suspeitas diante suas conversas com o Duque de Bragança.

      Abravanel foi à Espanha, onde lá viveu com relativo conforto financeiro, e começou a ser reconhecido pelo rei de Espanha como um personagem importante, afinal de contas, foi Abravanel que em parte financiou a viagem de Colombo à América, angariando o prestígio da Rainha Isabela de Castela, que logo o convidou para admnistrar as receitas do Estado Espanhol nascente, financiando até grandes empreendimentos do Estado Espanhol, como a viagem de Colombo à América.

       Contudo o governo espanhol ordenou a expulsão ou conversão forçada da população judaica da Espanha, o que levou à fuga e dispersão dos sefarditas  pelo Magrebe, Oriente Médio e sudeste da Europa, a única figura que ficou isenta disso tudo era o Dom Isaac Abravanel, mas ele preferiu seguir com o seu povo do que ficar só em Castela.

       Dom Isaac é lembrado pelos sefaritas com carinho por nunca ter abandonado seu povo, mesmo estando em pleno conforto e recebe até hoje numerosas homenagens.

Paixões ardentes






"Mostre-me um homem que não seja escravo das suas paixões." Shakespeare

      Paixões, como são boas as paixões... as paixões adolescentes, as paixões senis, as paixões de fim de semana, ou as paixões intelectuais.

       Sim, paixões.


       Hoje, por estranho que pareça, é um daqueles dias amorosos que acontecem uma vez a cada ano... Visto porque alguns dirão que associei à paixão de Cristo, digo de antemão que não sou católico e sequer associei-me a isso. Eu simplesmente pensei nas minhas paixões.

Paixão: uma palavra bonita

       Eis que várias pessoas me odeiam, algumas me odeiam e poucas me amam, visto que não sou pessoa fácil de se lidar; Mas que verdade seja dita, eu mudo quando me sinto apaixonado.

       Não porque eu me torne uma pessoa melhor, menos tratante ou algo assim, mas meu próprio astral muda... Eu passo a ser essa criatura não mais fria ou depreciva que se diverte criticando os outros, que passa suas tardes matutando em algum texto melhor para escrever ou algo assim... Eu penso em lirismo, poesia e música.

       Sim, eu provavelmente vou me arrepender de um dia ter escrito isso, mas eu acho que estou amando.

       Não são ideias, ideologias ou abstrações de tempos remotos, eu estou realmente desenvolvendo um afeto por outra pessoa que parece ser mais forte que o meu peito.

        Sim, é tolice, por demais tolice, sentir-se apaixonado, enfeitiçar-se por esse maldito sentimento enlouquecedor. Mas é uma das poucas vezes que me sinto contaminado por esse sentimento.

         Aos leitores mais assiduos de meus poemas, nem sempre tão belos e lustrosos, saberão o quanto sofri de verdade por uma garota, uma garota a qual eu amei e não me amou... Sim, ainda me martirizo por isso. Mas hoje é um dia para mudar de página.

       Estou falando de "ego", sed ego non omni est, eu sei que há pessoas nesse mundo que não encontraram o seu verdadeiro amor, não desfrutaram plenamente desse tenro sentimento, e quando desfrutaram foram traídos pelas próprias circunstâncias. Eu sou uma delas.

      Sim, eu sofri muito, sofri tanto que a resposta para o meu sentimento dolorido foi me isolar do Mundo, separar-me da vida e criar meu próprio mundo de logicidade e trabalho, às vezes precisamos disso, mas hoje não, hoje é diferente. É hora de levantar e resplanescer o novo. Sua vida não é mais como antes.

       Se serei correspondido em meu amor, quanto a isso não sei, por vezes não sou; mas convido aos senhores e senhoras, leitores desse blog a pensarem em algo novo, algo diferente que movam suas vidas, não digo que seja uma nova pessoa, uma nova paixão, mas sim novas ideias, novas concepções, novos projetos, novas paixões para enfrentar o mundo.


         O Mundo é nosso eterno vilão, nosso declarado inimigo, devemos vencê-lo correndo com nossas vidas, vivendo o que há para se viver.

         Essa é uma carta para aqueles viveram ou ainda esperam viver paixões ardentes, e cansaram de esperar que essa sorte caia de paráquedas sobre si; Essa carta é para pessoas como eu.

        Perdoem meu profundo esquecimento das regras de estilo, mas quando falo de paixões, rapidamente palavras vêm em minha cabeça.


PS: O legal que a legal "paixão" vem verbo latino, patior, que significa sofrer ou suportar uma situação dificil, então prepare-se para vários intemperes

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Um dia a mais

Acorda!
São sete e meia
Tá na hora de acordar
Acordar? Quero dormir

Acorda!
Hoje é vida cheia
Tem que levantar
Já  acorde, já vou ir


Dorminhoco, meio sonolento
Ia para o banheiro
Andar meio lento
Tomar banho costumeiro


Agora, já mais atento
Sai da casa correndo
Tá atrasado, sujeito
É dia de fazer dinheiro


Chega atrasado
Perde hora
É insultado
Sem demora

Estuda, trabalha,
Luta, estuda.
Chega fim de dia
Sem muita energia

Conversa com amigo
Feliz conversa
Conserva um abrigo
Perde sua pressa

Onibus a sair
Corre depressa
Para com pressa
O carro a partir

Na frente do onibus para
Loucura a doida encara
Entra no onibus alma
Bronca ouve com calma


Telefone ainda some
Esqueçe o longo dia
De tanta harmonia
Pois a rima se consome

Haber e o uso da ciência para o "bem" e para o "mal"

A figura mais controversa pra mim na história da Ciência não é Oppenheimer (pai da bomba nuclear), nem Alfred Nobel (criador da di...