Toca a valsa
Toca a orquestra
Dois pra cá
Dois pra lá
Orquestra toca
O povo dança
Dois pra cá
Dois pra lá
Cada um
com o seu par
Melhor que isso
Não há
Será?
Porque não dança?
Porque não canta?
Eu não tenho par
Eu não tenho quem
Eu possa amar
Quero dançar
Quero amar
Quero chorar
Triste a chorar
Ouve ela cantar
Não há para amar
Sofrer, sorrir
Sorrir e sofrer
Hoje eu sofri
Amanha morrer
Quero ser enterrado
Na cor de valsa
Sem ninguém chorar
Sem o tom da salsa
Dor, sofrer,
Amar, chorar
Cantar, Dançar
Viver, tocar
Quantos verbos
Cada um com par
Quanto a mim
Nada a amar
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Poesia Concreta 5
Então, Alguém,
alguém tem alguma
Alguma Questão?
Dúvida
Você
do
que
tem
dú-
vi-
da?
du-
vi-
da?
Eu?
Eu não
Não há
Dúvida
Duvida?
Duvido
Estou só
com uma
Dívida
com meu
Professor
Só isso
Só aquilo
Nada mais
Professor
alguém tem alguma
Alguma Questão?
Dúvida
Você
do
que
tem
dú-
vi-
da?
du-
vi-
da?
Eu?
Eu não
Não há
Dúvida
Duvida?
Duvido
Estou só
com uma
Dívida
com meu
Professor
Só isso
Só aquilo
Nada mais
Professor
Poesia Concreta 4
Foi
será
Foi-se
Que Martelo? Foice?
Meu Ahã?
Seu? Essa
Meu O que?
Nosso Isso
Vosso Aquilo
Nosso Isto
Martelo Foice
Foice e Martelo
Longe, só
Separado?
Camponês e
O Proletário, o
Um, um só, junto
Amor proletário unido
Sem proprietário só 1
Sindicato com
Martelo e a
Foice A
Foice e o
Martelo
será
Foi-se
Que Martelo? Foice?
Meu Ahã?
Seu? Essa
Meu O que?
Nosso Isso
Vosso Aquilo
Nosso Isto
Martelo Foice
Foice e Martelo
Longe, só
Separado?
Camponês e
O Proletário, o
Um, um só, junto
Amor proletário unido
Sem proprietário só 1
Sindicato com
Martelo e a
Foice A
Foice e o
Martelo
Poesia Concreta 3
Havia
uma cobra
bem ali
a cobra não anda
Porque não tem pés
A cobra chocalha
Bate sua calda
Sem perceber
Sobe a barra da saia
Assustando a aia
Havia uma cobra
Na barra da saia
Que assustou
A aia
"Saia daqui. Saia dali"
Saia, saia
Serpente, saia
De repente
A cobra saia da saia
Desce, desce
E corre atrás da tia
" Saia daqui. Saia dali"
Saia, saia
Serpente, saia
Havia uma serpente
Correndo atrás
Da minha tia
Saia, saia daqui
A serpente caiu
Titio foi com a
Espingarda
atrás da cobra
Caia
caia
caia
ali
uma cobra
bem ali
a cobra não anda
Porque não tem pés
A cobra chocalha
Bate sua calda
Sem perceber
Sobe a barra da saia
Assustando a aia
Havia uma cobra
Na barra da saia
Que assustou
A aia
"Saia daqui. Saia dali"
Saia, saia
Serpente, saia
De repente
A cobra saia da saia
Desce, desce
E corre atrás da tia
" Saia daqui. Saia dali"
Saia, saia
Serpente, saia
Havia uma serpente
Correndo atrás
Da minha tia
Saia, saia daqui
A serpente caiu
Titio foi com a
Espingarda
atrás da cobra
Caia
caia
caia
ali
Dia
Hoje é um dia
De sofrasia
Um daqueles
Sem companhia
Hoje é um dia
Tarde sozinha
Quente e fria
Sem fazer nadinha
Hoje é um dia
Dia de apatia
Nada fazer
Nada conhecer
Hoje é dia
Sem mesmo saber
Se hoje sabado é
Ou domigo já foi
Hoje é um dia
O sol irradia
A tarde que ardia
Hoje é um dia
Amanhã uma noite
E a preguiça fica
Amanhã é um dia
Depois de amanhã outro
Depois fim da preguiça
Acaba a féria
Hoje é um dia
Que não voltaria
A acontecer
Foi-se minha preguiça
Assim que soube
Que acabou o dia
De sofrasia
Um daqueles
Sem companhia
Hoje é um dia
Tarde sozinha
Quente e fria
Sem fazer nadinha
Hoje é um dia
Dia de apatia
Nada fazer
Nada conhecer
Hoje é dia
Sem mesmo saber
Se hoje sabado é
Ou domigo já foi
Hoje é um dia
O sol irradia
A tarde que ardia
Hoje é um dia
Amanhã uma noite
E a preguiça fica
Amanhã é um dia
Depois de amanhã outro
Depois fim da preguiça
Acaba a féria
Hoje é um dia
Que não voltaria
A acontecer
Foi-se minha preguiça
Assim que soube
Que acabou o dia
Um dia de fevereiro
O dia 26 de fevereiro, embora quase ninguém se recorde, foi sem dúvida um dos dias mais importantes da História do Mundo.
Isso visto que, no minímo três ações de relevância histórica importante aconteceram no mesmo dia...
Reconquista de Poder
Impulsionado por um golpe deslanchado por forças leais, o grão comandante francês, Napoleão Bonaparte consegue fugir numa fuga alucinante da Ilha de Elba no arquipelago toscano (Itália) para a França, para reassentar o seu governo.
Separado da esposa e do filho e sabendo de rumores de que ele iria ser banido para uma ilha remota no meio do Oceano Atlântico, Napoleão escapa de Elba e acaba aportando em Golfe-Juan, na França, dois dias depois.
Napoleão, o então líder francês com maior honrarias até então, foi interceptado pelo 5º Regimento.
E sozinho, sem grande número de homens, ao estilo dele mesmo, Napoleão encarou toda a tropa sozinho, desmontou de seu cavalo e, quando encontrou-se sob a linha de fogo, gritou:
Em vez de ser fuzilado, como se esperava, os soldados se mantiveram leais a Napoleão, e sob gritos de: "Vive L'Empereur! (Viva o Imperador!), marcharam com Napoleão até Paris, fazendo com que Luís XVIII se borrasse de novo de medo e fugisse para o exílio.
Logo após a isso, Napoleão reconquista o poder na França iniciando assim o Governo dos Cem Dias.
A Europa coligada retoma sua luta contra o Exército francês. Napoleão entra na Bélgica em junho de 1815, mas é derrotado por uma coligação anglo-prussiana na Batalha de Waterloo e abdica pela segunda vez, pondo fim ao Império Napoleônico. Mas a expansão dos ideais iluministas continuou.
Logo após a isso, os rumores de Napoleão se confirmaram quando enfim foi mandado para a ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, entre o Brasil e a África, onde morreu no exílio.
O buldogue raivoso
Descendo de seu Rolls-Royce preto, trajando a sua fina casaca e fumando seu famoso charutão, o primeiro-ministro inglês, uma figura enigmática e carismática, com feições já enrugadas, e um maxilar tão agressivo que se parecia com um buldogue, caminhou até as escadarias da Câmara dos Comuns, em Londres para fazer um pronunciamento.
Costumeiramente, Churchill começou com um de seus discursos melosos de oitenta mil horas, que sempre proferia antes de fazer um anúncio realmente importante, isso deixava entediados todos os jovens políticos londrinos.
Churchill já era um político da velha guarda, e nessa altura, já estava perdendo um pouco a sua capacidade política, fora um político importante ao seu país na Segunda Guerra Mundial, tão importante, que acabou perdendo para Clemente Atlee, dos trabalhistas, no final da guerra, quando se preparava para ir a Postdam encontrar-se com Stálin e Truman.
Churchill sempre foi deixado de fora dos pontos máximos das discussões entre Stálin e Roosevelt, mas com Truman, com Truman foi diferente; ele era ouvido de perto por aquele líder que todos consideravam tosco politicamente, e diz a lenda que foi Churchill que muito influenciou, junto com reacionários americanos com Edgar Hoover, para que Truman deflagrasse com Stálin a Guerra Fria.
Churchill sempre foi deixado de fora porque a Inglaterra não era mais uma potência econômica ou militar, não tinha mais um grande papel na Segunda Guerra Mundial, embora continuasse lutando (com apoio maciço americano), a Inglaterra estava mais preocupada com a perda de suas colônias.
O ponto máximo disso foi a independência da Índia, que foi diversas vezes suprimida (Churchill teve um grande papel para suprimir o poder de Mahatma Gandhi), e Churchill certa vez declarara que a Segunda Guerra Mundial era uma "guerra desnecessária" (não que ele estivesse do lado dos alemães).
Mas naquele dia, 26 de fevereiro de 1952, aquele pronunciamento de Churchill iria mudar tudo, afinal de contas, a Guerra Fria havia começado, e o Reino Unido não queria ficar de fora.
O primeiro-ministro do Reino Unido ao témino de seu pronunciamento anuncia que seu país possui a bomba atómica, a Inglaterra estava agora no Campo da Guerra Nuclear, tal como a União Soviética e os Estados Unidos.
O Congresso do Partido
Realiza-se em sessão especial o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o novo secretário do Partido Nikita Khrushchov, depois de uma luta sucessória com Béria e Malenkov pelo poder da União Soviética, logo após a morte de Stálin, organizou os delegados para fazer um pronunciamento em 1956.
Khrushchov, assustando a todos os velhos estalinistas de renome com seu célebre discurso secreto, denunciou as violências, os expurgos e as limitações à liberdade impostas pelo regime de Stalin, seu predecessor.
Durante a sessão a portas fechadas, no último dia do congresso, Kruschev criticou asperamente a política stalinista, denunciando o culto de personalidade e uma série de crimes cometidos por ele e seus colaboradores. O discurso chocou os delegados presentes, que depois de anos de propaganda estavam convencidos da grandeza de Stalin.
Era o início da desestalinização que marcaria a Era Kruschov na União Soviética, em todo caso, apesar disso tudo, as propostas de Nikita Kruschov foram jogadas meio de lado, quando ele foi deposto por um golpe militar comandado por um de seus asseclas, Leonid Brejnev e morreu em prisão domiliciar em Moscou.
Isso visto que, no minímo três ações de relevância histórica importante aconteceram no mesmo dia...
Reconquista de Poder
Impulsionado por um golpe deslanchado por forças leais, o grão comandante francês, Napoleão Bonaparte consegue fugir numa fuga alucinante da Ilha de Elba no arquipelago toscano (Itália) para a França, para reassentar o seu governo.
Separado da esposa e do filho e sabendo de rumores de que ele iria ser banido para uma ilha remota no meio do Oceano Atlântico, Napoleão escapa de Elba e acaba aportando em Golfe-Juan, na França, dois dias depois.
| Napoleão |
Napoleão, o então líder francês com maior honrarias até então, foi interceptado pelo 5º Regimento.
E sozinho, sem grande número de homens, ao estilo dele mesmo, Napoleão encarou toda a tropa sozinho, desmontou de seu cavalo e, quando encontrou-se sob a linha de fogo, gritou:
"Aqui estou eu! Matem seu imperador, se assim o quiserem!"
Em vez de ser fuzilado, como se esperava, os soldados se mantiveram leais a Napoleão, e sob gritos de: "Vive L'Empereur! (Viva o Imperador!), marcharam com Napoleão até Paris, fazendo com que Luís XVIII se borrasse de novo de medo e fugisse para o exílio.
Logo após a isso, Napoleão reconquista o poder na França iniciando assim o Governo dos Cem Dias.
A Europa coligada retoma sua luta contra o Exército francês. Napoleão entra na Bélgica em junho de 1815, mas é derrotado por uma coligação anglo-prussiana na Batalha de Waterloo e abdica pela segunda vez, pondo fim ao Império Napoleônico. Mas a expansão dos ideais iluministas continuou.
Logo após a isso, os rumores de Napoleão se confirmaram quando enfim foi mandado para a ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, entre o Brasil e a África, onde morreu no exílio.
O buldogue raivoso
Descendo de seu Rolls-Royce preto, trajando a sua fina casaca e fumando seu famoso charutão, o primeiro-ministro inglês, uma figura enigmática e carismática, com feições já enrugadas, e um maxilar tão agressivo que se parecia com um buldogue, caminhou até as escadarias da Câmara dos Comuns, em Londres para fazer um pronunciamento.
Costumeiramente, Churchill começou com um de seus discursos melosos de oitenta mil horas, que sempre proferia antes de fazer um anúncio realmente importante, isso deixava entediados todos os jovens políticos londrinos.
Churchill já era um político da velha guarda, e nessa altura, já estava perdendo um pouco a sua capacidade política, fora um político importante ao seu país na Segunda Guerra Mundial, tão importante, que acabou perdendo para Clemente Atlee, dos trabalhistas, no final da guerra, quando se preparava para ir a Postdam encontrar-se com Stálin e Truman.
| Churchill |
Churchill sempre foi deixado de fora dos pontos máximos das discussões entre Stálin e Roosevelt, mas com Truman, com Truman foi diferente; ele era ouvido de perto por aquele líder que todos consideravam tosco politicamente, e diz a lenda que foi Churchill que muito influenciou, junto com reacionários americanos com Edgar Hoover, para que Truman deflagrasse com Stálin a Guerra Fria.
Churchill sempre foi deixado de fora porque a Inglaterra não era mais uma potência econômica ou militar, não tinha mais um grande papel na Segunda Guerra Mundial, embora continuasse lutando (com apoio maciço americano), a Inglaterra estava mais preocupada com a perda de suas colônias.
O ponto máximo disso foi a independência da Índia, que foi diversas vezes suprimida (Churchill teve um grande papel para suprimir o poder de Mahatma Gandhi), e Churchill certa vez declarara que a Segunda Guerra Mundial era uma "guerra desnecessária" (não que ele estivesse do lado dos alemães).
Mas naquele dia, 26 de fevereiro de 1952, aquele pronunciamento de Churchill iria mudar tudo, afinal de contas, a Guerra Fria havia começado, e o Reino Unido não queria ficar de fora.
O primeiro-ministro do Reino Unido ao témino de seu pronunciamento anuncia que seu país possui a bomba atómica, a Inglaterra estava agora no Campo da Guerra Nuclear, tal como a União Soviética e os Estados Unidos.
O Congresso do Partido
Realiza-se em sessão especial o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o novo secretário do Partido Nikita Khrushchov, depois de uma luta sucessória com Béria e Malenkov pelo poder da União Soviética, logo após a morte de Stálin, organizou os delegados para fazer um pronunciamento em 1956.
Khrushchov, assustando a todos os velhos estalinistas de renome com seu célebre discurso secreto, denunciou as violências, os expurgos e as limitações à liberdade impostas pelo regime de Stalin, seu predecessor.
| Kruschov, o cara macho para tirar a fama de Stálin |
Durante a sessão a portas fechadas, no último dia do congresso, Kruschev criticou asperamente a política stalinista, denunciando o culto de personalidade e uma série de crimes cometidos por ele e seus colaboradores. O discurso chocou os delegados presentes, que depois de anos de propaganda estavam convencidos da grandeza de Stalin.
Era o início da desestalinização que marcaria a Era Kruschov na União Soviética, em todo caso, apesar disso tudo, as propostas de Nikita Kruschov foram jogadas meio de lado, quando ele foi deposto por um golpe militar comandado por um de seus asseclas, Leonid Brejnev e morreu em prisão domiliciar em Moscou.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
O Homem de Aço (fotos especiais)
Os meus profundos amigos sabem que eu tenho uma fixação quase inconsciente no ex-líder soviético, Iossif Stálin, não que eu seja estalinista, estou muito longe disso, mas Stálin era realmente uma pessoa cativante pessoalmente.
Stalin entrava no Palácio Talmarida do Kremlin às 10h00 pontualmente, com sua túnica do Partido totalmente surrada e o seu inseparável quepe e subia com o auge da sua forma física as escadarias em direção à sua sala no Segundo Andar (que é atualmente usada pelo presidente russo Vladimir Putin), o seu escritório sempre austério, por vezes foi comparado à uma estação de trem de segunda linha, por não ter grandes luxos e sim uma mobília simples.
Nisso ele ficava das 10h00 às 04h00 da manhã do outro dia... Isso era comum no Kremlin.
O que não são comuns, são as fotos a seguir do líder soviético. São fotos dos momentos de descontração, ou mesmo são de fato desconhecidas por alguns.
Essa foto, logo acima, foi tirada por volta de 1905, talvez antes, nessa, Stálin, parecendo um galã de novela mexicana, com a barba decentemente aparada e o cabelo desagrelhado, usava um cachecou quadriculado azul/branco e um terno totalmente puído.
Stálin, nesse período, era um agitador de greves, um líder terrorista que roubava bancos para financiar o Partido Bolchevique e ainda encontrava tempo para recitar poesia e flertar com algumas camaradas revolucionárias.
Essa fotografia datada já por volta dos anos de 1910, mostra o então revolucionário Djugashvili em trajes pitorescos até para si, usando camisa de colarinho duro, sobretudo e chapéu fedora, Stálin foi preso por atividades revolucionárias e mandado para o exílio na Sibéria em 1912.

Uma das poucas fotos de Stálin e Lênin juntos (visivelmente photoshopada), Stálin vem visitar o então líder soviético (Vladimir Lênin) em Gorky para ver o seu estado de saúde, nesse encontro Lênin discutiu com Stálin sobre a crescente postura do Secretário-Geral em afastá-lo da política.
Essa é uma fotografia do já líder soviético, em suas férias, em Sochi (Rússia), nesse momento de descontração o líder soviético sorridentemente brinca com a câmera, como normalmente fazia quando estava em férias com sua família. Stálin adorava passar as férias na sua dacha em Sochi e sair para pescar, ou mesmo para caçar e se tratar nas imensas águas termais de suas doenças (tal como a artrite).
Outro hobby do Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética, Iossif Stálin, a leitura; Conta a lenda que Stálin era tão viciado por livros que chegava a mesmo a felicitar pessoalmente os escritores soviéticos quando terminava de ler suas obras. A lenda continua, diz-se que Stálin lia em uma semana 12 livros! Isso é quatro vezes a média do que o brasileiro lê em um ano!
Não a toa que a biblioteca de Stálin (adquirida com anos de experiência, heranças de camaradas mortos ou mesmo expropriações) era uma das maiores que se tem notícia, só comparável com a de Hitler (que em parte acabou indo para o líder soviético como espólio de guerra).
Fotos coloridas
Essas duas fotos, das conferências de Yalta e de Postdam são das poucas imagens coloridas do líder soviético.
Nessa foto, Roosevelt, visivelmente doente, senta-se ao lado de Churchul que fumava um charuto cubano, e parece estar desconfortável, e Stálin totalmente firme em sua cadeira com as suas tradicionais botas e o seu quepe. Logo atrás, vê-se de quepe azul-claro com tiras vermelhas, agentes do NKVD designados para a proteção dos três.
Postdam
Essa foto na verdade não corresponde muito a realidade, Stálin ignorava Truman completamente, a quem via um político totalmente tosco e sem qualquer carisma e prestígio político, talvez porque, quando senador, Truman defendeu que se deixasse os alemães e soviéticos se matassem em luta escarniçada, ajudando sempre o lado que estivesse em desvantagem.
Truman, apesar que digam que não, iniciou a Guerra Fria ao repudiar o jeito Roosevelt de fazer política (sempre muito democrático) e ter praticamente insultado o Comissário das Relações Exteriores, Viatcheslav Molotov, na Conferência de São Francisco, que abriria os trabalhos das Nações Unidas.
Se acham que Stálin é assassino deviam também ver o que Truman fez com o Japão ao autorizar a Bomba Atômica (que Stálin, a pessoa talvez mais insensível do mundo, achou desnecessário). Truman não fica muito atrás de Stálin.
É claro, não podia faltar também a cena final desse show de horrores, o Funeral de Iossif Stalin, em Moscou.
Todos os músicos e floristas de Moscou foram convocados para participarem do funeral em homenagem ao líder soviético... A multidão que reuniu-se em fila pelo Kremlin, cortando toda a Praça Vermelha, impediu que o músico, Serguei Prokofiev (que deu o azar de morrer no mesmo dia de Stálin), fosse levado pelo serviço funerário por três dias... Apodrecendo assim o seu corpo em seu apartamento próximo à Praça Vermelha.
Stalin entrava no Palácio Talmarida do Kremlin às 10h00 pontualmente, com sua túnica do Partido totalmente surrada e o seu inseparável quepe e subia com o auge da sua forma física as escadarias em direção à sua sala no Segundo Andar (que é atualmente usada pelo presidente russo Vladimir Putin), o seu escritório sempre austério, por vezes foi comparado à uma estação de trem de segunda linha, por não ter grandes luxos e sim uma mobília simples.
Nisso ele ficava das 10h00 às 04h00 da manhã do outro dia... Isso era comum no Kremlin.
O que não são comuns, são as fotos a seguir do líder soviético. São fotos dos momentos de descontração, ou mesmo são de fato desconhecidas por alguns.
| Clássica foto, Stálin nos seus tempos revolucionários |
Essa foto, logo acima, foi tirada por volta de 1905, talvez antes, nessa, Stálin, parecendo um galã de novela mexicana, com a barba decentemente aparada e o cabelo desagrelhado, usava um cachecou quadriculado azul/branco e um terno totalmente puído.
Stálin, nesse período, era um agitador de greves, um líder terrorista que roubava bancos para financiar o Partido Bolchevique e ainda encontrava tempo para recitar poesia e flertar com algumas camaradas revolucionárias.
| Foto da prisão de Stálin |
Uma das poucas fotos de Stálin e Lênin juntos (visivelmente photoshopada), Stálin vem visitar o então líder soviético (Vladimir Lênin) em Gorky para ver o seu estado de saúde, nesse encontro Lênin discutiu com Stálin sobre a crescente postura do Secretário-Geral em afastá-lo da política.
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| Stálin num momento de descontração |
Essa é uma fotografia do já líder soviético, em suas férias, em Sochi (Rússia), nesse momento de descontração o líder soviético sorridentemente brinca com a câmera, como normalmente fazia quando estava em férias com sua família. Stálin adorava passar as férias na sua dacha em Sochi e sair para pescar, ou mesmo para caçar e se tratar nas imensas águas termais de suas doenças (tal como a artrite).
Outro hobby do Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética, Iossif Stálin, a leitura; Conta a lenda que Stálin era tão viciado por livros que chegava a mesmo a felicitar pessoalmente os escritores soviéticos quando terminava de ler suas obras. A lenda continua, diz-se que Stálin lia em uma semana 12 livros! Isso é quatro vezes a média do que o brasileiro lê em um ano!
Não a toa que a biblioteca de Stálin (adquirida com anos de experiência, heranças de camaradas mortos ou mesmo expropriações) era uma das maiores que se tem notícia, só comparável com a de Hitler (que em parte acabou indo para o líder soviético como espólio de guerra).
Fotos coloridas
Essas duas fotos, das conferências de Yalta e de Postdam são das poucas imagens coloridas do líder soviético.
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| Os Três Grandes |
Nessa foto, Roosevelt, visivelmente doente, senta-se ao lado de Churchul que fumava um charuto cubano, e parece estar desconfortável, e Stálin totalmente firme em sua cadeira com as suas tradicionais botas e o seu quepe. Logo atrás, vê-se de quepe azul-claro com tiras vermelhas, agentes do NKVD designados para a proteção dos três.
Postdam
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| Harry Truman e Iossif Stálin |
Essa foto na verdade não corresponde muito a realidade, Stálin ignorava Truman completamente, a quem via um político totalmente tosco e sem qualquer carisma e prestígio político, talvez porque, quando senador, Truman defendeu que se deixasse os alemães e soviéticos se matassem em luta escarniçada, ajudando sempre o lado que estivesse em desvantagem.
Truman, apesar que digam que não, iniciou a Guerra Fria ao repudiar o jeito Roosevelt de fazer política (sempre muito democrático) e ter praticamente insultado o Comissário das Relações Exteriores, Viatcheslav Molotov, na Conferência de São Francisco, que abriria os trabalhos das Nações Unidas.
Se acham que Stálin é assassino deviam também ver o que Truman fez com o Japão ao autorizar a Bomba Atômica (que Stálin, a pessoa talvez mais insensível do mundo, achou desnecessário). Truman não fica muito atrás de Stálin.
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É claro, não podia faltar também a cena final desse show de horrores, o Funeral de Iossif Stalin, em Moscou.
Todos os músicos e floristas de Moscou foram convocados para participarem do funeral em homenagem ao líder soviético... A multidão que reuniu-se em fila pelo Kremlin, cortando toda a Praça Vermelha, impediu que o músico, Serguei Prokofiev (que deu o azar de morrer no mesmo dia de Stálin), fosse levado pelo serviço funerário por três dias... Apodrecendo assim o seu corpo em seu apartamento próximo à Praça Vermelha.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Definição de Poesia
| Mandelstam |
Um risco maduro de assobio.
O trincar do gelo comprimido.
A noite, afolha sob o granizo.
Rouxinóis num dueto-desafio.
Um doce ervilhal abandonado
A dor do universo numa fava.
Fígaro: das estantes e flautas -
Geada no canteiro, tombado.
Tudo o que para a noite releva
Nas funduras da casa de banho,
Trazer para o jardim um estrela
Nas palmas úmidas, tiritando.
Mormaço: como pranchas na água,
Mais raso. Céu de bétulas, turvo.
Se dirá que as estrelas gargalham,
E no entanto o universo está surdo.
(1917)
(Ossip Mandelstam)
Tradução de Haroldo de Campos
Do ciclo o aluno
Pelos montes - túmidos e úmidos,
Sob o sol - potente e poento,
Com a bota - tímida e humilde -
Atrás do manto - roxo e roto.
Pelas areias - ávidas e ácidas,
Sob o sol - candente e sedento,
Com a bota - tímida e humilde -
Atrás do manto - rasto e rasto.
Sob o sol - candente e sedento,
Com a bota - tímida e humilde -
Atrás do manto - rasto e rasto.
Pelas ondas - rábidas e rápidas,
Sob o sol - idoso e iroso,
Com a bota - tímida e humilde -
Atrás do manto - que mente e mente...
Sob o sol - idoso e iroso,
Com a bota - tímida e humilde -
Atrás do manto - que mente e mente...
(Trad. Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)
(Marina Tsvetaeva)
Tomaram...
"Os tchecos se acercavam dos alemães e cuspiam."
(Cf. jornais de março de 1939)
Tomaram logo e com espaço:(Cf. jornais de março de 1939)
Tomaram fontes e montanhas,
Tomaram o carvão e o aço,
Nosso cristal, nossas entranhas.
Tomaram trevos e campinas,
Tomaram o Norte e o Oeste,
Tomaram mel, tomaram minas,
Tomaram o Sul e o Leste.
Tomaram a Vary e a Tatry,
Tomaram o perto e o distante,
Tomaram mais que o horizonte:
A luta pela terra pátria.
Tomaram balas e espingardas,
Tomaram cal e gente viva.
Porém enquanto houver saliva
Todo o país está em armas.
(Marina Tsvetaeva)
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Ivan, o Terrível (crítica de Filme)
Ivan, o Terrível, outro filme de Sergey Eisenstein, fala do passado do Grão-Príncipe de Moscou que unificou todos os principados russos no século XVI e decretou guerra contra os tártaros (que infernizavam sua vida no Volga), os livonianos e os poloneses.
Ivan, Grozny (como também é chamado) é dividido em duas partes, na verdade, acredito eu, seriam três, mas Eisenstein morreu antes mesmo de ter a oportunidade de fazê-lo.
Eisenstein iniciou esse trabalho para agradar Stálin, que era afixionado pela figura de Ivan, o Terrível, tanto que por vezes vagava no Kremlin (o mesmo Kremlin de Ivan, o Terrível), andando pelos cantos como um renegado (tal como Ivan, o Terrível de novo) e dizendo que Ivan era seu "professor", tanto que isso está anotado de lápis em um de seus livros na sua famosa biblioteca.
A cena inicial começa quando Ivan é coroado Grão-Princípe de Moscou, levando a descontentamentos entre os boiardos, inclusive de sua tia, Eufrosinia, e mais ainda quando se proclama Czar de Todas as Rússias, o que os embaixadores aqui representados, da Polônia e Livônia prontamente recusam-se a aceitar isso.
| A coroação de Ivan |
Percebe-se logo de início na trama, um clima de conspiração plantado pelos boiardos, que nada mais querem que desestabilizar seu governo e destroçar completamentamente a Rússia em Principados menores, tal como foi na época de Nevsky, e são ajudados pelos embaixadores estrangeiros.
Tal qual clima de conspiração, o embaixador de Livônia incita o braço direito de Ivan, o Princípe de Vladimir, Kurbsky, que o trono russo não é senão direito dele e não de Ivan.
| Os boiardos e embaixadores estrangeiros conspirando |
De início, Kurbsky não dá-lhe ouvidos, afinal ele e Ivan são amigos desde a infância, mas depois quando Ivan casa-se com a princesa Anastacia, por intermédio de Eufrosinia, sua tia, ele sente-se ultrajado com aquilo, pois ele amava Anastacia, e começa a conspirar contra o Czar.
Nisso, na cena alegoricamente rica, cheia de ornamentos, uma pintura do filme, o casamento de Ivan com a princesa Anastacia, os ricos ornamentos, bem como a riqueza dos detalhes dos talheres, das taças de metal, até mesmo da comida, com seus sultuosos gansos assados sendo levados em bandejas nos ombros dos empregados, tudo isso é lindo de se ver.
Esse sem dúvida é um dos trabalhos mais ricos em detalhes e ornamentos de Eisenstein, mas não acho que seja o melhor.
Eis que o povo invade a cena do casamento, e um líder de um movimento campesino, de revoltosos, clama para que o czar não confie nos boiardos que nada mais fazem do que oprimir o povo... Ivan inicialmente despreza o velho líder camponês, dizendo que ele não tem cérebro, fazendo rir assim os boiardos que se cercam a seu lado, e em seguida diz abertamente: "Todo o inimigo do czar deve ser punido e os inimigos do czar são os boiardos!".
Ivan decretou guerra aos boiardos, um jogo perigoso por sinal, e acabou nomeando o líder do movimento camponês o chefe de sua guarda pessoal.
Eis que chega um emissário de Kazan (dos tártaros) puto da vida, dizendo que Kazan e o Principado de Moscóvia agora estavam em estado de guerra, e oferece a Ivan, a pena de se suicidar-se para salvar seu reino da destruição da guerra.
O emissário de Kazan entrega-lhe uma espada retorcida ensanguentada, mas eis que Ivan a pega e começa a fazer um discurso imensamente apaixonado, dizendo que ele não queria a guerra, mas que a guerra lhe era imposta.
O emissário de Kazan, em certa ocasião solta:
"Moscou pequena. Kazan Grande"
Ivan Vassilevich, Grão-Princípe de Moscóvia, então declara guerra a Kazan e termina o seu discurso dizendo: На Казан! (Para Kazan!) e eis que por meia hora os boiardos e os camponeses começam a gritar feito doidos: Na Kazan! Na Kazan! Na Kazan! (На Казан! На Казан! На Казан!)
O líder do levante camponês segue para o embaixador de Kazan e com um empurrão diz:
"Kazan Pequena. Moscou Grande".
O filme é um pouco omisso quanto ao papel da guerra em Kazan, mostrando que Ivan, o Terrível, era contrário que se cometessem atrocidades aos prisioneiros de guerra (o que não é verdade), mas mostra também com maestria o início da traição do braço direito de Ivan, Kurbsky, o gênio militar do próprio czar, que mandou colocar polvóra em uma larga e extensa cadeia de túneis construídos por sua ordem debaixo de Kazan, e a aliança que ele teria com membros da baixa nobreza que serviriam lealmente à sua morte.
| Ivan totalmente doente, sendo tratado por sua esposa, Anastacia |
Quando retorna, vitorioso a Moscou, Ivan é acometido por uma doença, e prestes a morte, pede que os boiardos façam com que seu filho seja considerado herdeiro do trono... Ivan é traído.... Graças a sua tia Eufrosinia que quer colocar o seu filho paquiderme e estúpido no comando de Moscou.
Ivan, no seu leito de morte, quase pra bater as botas, os amaldiçou e pede a unção dos enfermos... Quando tava prestes a cair, e os boiardos prestes a tomar o poder, Kubsky reconhece Dimitri, filho do czar, como herdeiro do trono. Mas isso não foi motivado pela nobreza dele, mas sim, porque ele já estava cortejando a princesa Anastacia e ficou sabendo que o Czar havia se recuperado.
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| Kubsky tentando ter certeza se o veio havia batido as botas |
Maliouta, o ex-líder camponês que virou chefe da guarda, ficou sabendo por meio de seus ouvidos longos os planos dos boiardos e não hesitou em comunicar o czar... Ivan, decretou agora guerra aos que conspiraram contra ele, entrou agora em guerra contra os boiardos, contra os poloneses e livonianos.
| Maliouta e Ivan maquinando outro plano contra os boiardos |
Os boiardos se mostraram muito sem caso para com os anseios do Czar em unificar a Rússia, e fizeram sempre de tudo para atrapalhar o Czar, alguns fugiram, outros mudaram de lado, tal como o príncipe de Vladimir, outros pararam de financiar as guerras do czar (até essa época a guerra era financiada pelos recursos de todos os boiardos), levando Ivan a ter um ataque de fúria, e começar a expropriar para si as propriedades dos líderes boiardos que recusassem a ajudá-lo.
O pior ato então foi deslanchado por Eufrosinia, a sua tia (que convenhamos, na altura do filme, a gente sente um ódio por ela, porque fica sempre fudendo com a vida de Ivan, e sentimos vontade de pular na tela e bater na cara da vadia que parece um homem), quando traiçoeiramente, ela envenenou a esposa do Czar, Anastacia, com um pouco de vinho.
Ivan fica totalmente abalado com a morte de sua esposa, e percebendo que estava cercado de inimigos, o czar decide abdicar e se isolar em sua casa de campo na vila de Alexandrov.
Sozinho, e totalmente solitário, o czar cercou-se de elementos de sua guarda, agora chamados de Oprichiniki, e ficou esperando... esperando, enquanto seus emissários discursavam em Moscou.
Eis que um dos emissários discursa na Praça Vermelha, com a Catedral de São Basílio ao fundo:
"O czar Ivan Vassilevich abdicou o trono em razão dos inúmeros empencilhos que os boiardos causam em seu governos, e convoca a todos, todos os verdadeiros cristãos de bem, que sigam o seu chamado e apareçam a Alexandrov"
Era uma tática arriscada, o Czar abdicou para enfim voltar nos braços do seu povo e ter assim plenos poderes, o estúpido e insandecido Jânio Quadros tentou usar essa tática no Brasil, e bem, digamos que não deu muito certo, talvez porque isso diretamente contribuiu para ascensão do Regime Militar. Talvez, Janio se deu mal por não ser um Czar e não ser assim tão popular.
Em todo caso, Ivan, esparançoso, por uma ajuda dos ingleses, que forneceriam armas, e equipamentos modernos, e com quem ansiava fazer negócios, principalmente com a Rainha Elisabeth I, espera, espera... espera até o seu voto, num coro de Deus Salve o Czar! aparecer na vila de Alexandrov e gritar:
"Volte para nós! Volte para nós!"
Eis que se faz a minha cena favorita do filme inteiro, quando Ivan se levanta, vai para a janela, e ouve tristonhamente, meio encurvado em seu cajado, o povo chamar-lhe de volta... E a orquestra de Prokofiev começa a tocar uma melodia tão linda, tão mórbida e ao mesmo tempo viva, que Ivan pega a sua ushanka e vai em direção de volta à sua liderança.
| Cena final do filme |
Era a cena final do filme.
O trabalho de Eisenstein nesse filme, embora tenha sido excepcional, com rigores técnicos, riqueza de detalhes e ornamentos, foi extremamente censurado por sua representação dos líderes e do próprio Czar, que é mostrado volta e meia hesitante, meio esquisofrênico, mas decerto não foi tão censurada quanto a parte 2.
Em todo caso, Eisenstein faz o roteiro do filme sobre o tsar Ivan IV na primavera de 1941. A Mosfilm aceita o projeto um pouco antes da URSS entrar em guerra contra a Alemanha. A empresa vê aí um novo pretexto, depois do Alexander Nrvsky, para exaltar o sentimento nacional. A filmagem começa em 1 de fevereiro de 1943 no estúdio de Alma- Ata, com a guerra impedindo que se filmasse em Moscou.
Assim que o filme foi lançado, em 1944, foi um sucesso de bilheteria, e Eisenstein caiu nas graças do povo.
Parte 2
A parte 2 de Ivan, o Terrível, intitulada de "A Conspiração Boiarda", só saiu na Rússia e no mundo em 1958, devido aos corte que o filme levou, Stálin mesmo criticou o filme por achá-lo com "beijos demais" e mostra o Czar como vacilante e também, os dirigentes soviéticos viram neste Ivan, em seu amigo Maliouta e nos Opritchnicks uma metáfora mal velada de Stalin, de Beria e dos homens do NKVD.
O filme em si, possui muita ausência do povo na condução da narrativa, dá importância primordial dada às intrigas da corte, e tem um pouco formalismo (o que era ruim, considerando que a conduta oficial dizia que formalismo era contrarrevolucionário).
De fato:
"É impossível negar que estas críticas concernem ao corpo essencial do filme, e se evidentemente temos de condenar a condenação, devemos assinalar que esta não é baseada – uma vez que isto não costuma acontecer- num mal –entendido.
Nas duas partes da obra, Eisenstein deliberadamente sacrificou o histórico ao poético e ao trágico. Seu Ivan é um personagem shakespeariano, invadido pela dúvida e incerteza, às vezes mesmo roído pelo remorso, muito mais em luta consigo mesmo e contra seus próximos do que contra o inimigo estrangeiro.
Seus adversários privilegiados são a nobreza, os boiardos, sua própria família e seus amigos; seu combate permanecerá individual, solitário, até mesmo confinado, mesmo se os temas em jogo são nacionais e imensos.
Tirando a sequência do cerco de Kazan, o povo, as massas, e portanto a epopéia estão ausentes das duas partes do filme. O povo só intervém concretamente na procissão que encerra a primeira parte: sua única iniciativa consistirá em uma súplica com o objetivo de fazer com que Ivan volte para Moscou, exatamente como este havia previsto, ao se retirar provisoriamente em Alexandrov.
Vistos por Eisenstein, a tragédia e o destino de Ivan são aqueles de um homem que não pôde se tornar o herói épico que desejava ser, constantemente impedido por seus próximos de se comunicar com o povo e de associá-lo às suas lutas.
Em um outro nível, o destino de Eisenstein foi também o de não ter podido ser, por não ter nascido em uma boa época e meio, um poeta elizabetano, ou um grande cineasta hollywoodiano dos belos tempos ( uma espécie de poeta épico, à maneira de King Vidor por exemplo).
As duas partes de Ivan, e mais especialmente a segunda, testemunham da ambição de Eisenstein de utilizar o cinema como arte total; mas a realização desta ambição se encontra limitada pelo caráter essencialmente teatral da intriga e do personagem central.
Nenhuma dúvida de que a segunda parte é superior à primeira: podemos até mesmo dizer que ela não prolonga realmente a primeira, mas a refaz, a repete enriquecendo-a e lhe conferindo maior densidade. O caráter trágico e quase claustrofóbico do destino de Ivan torna-se mais e mais evidente, e a contribuição da cor dá uma dimensão extraordinária à concepção cara a Eisenstein do cinema como arte total.
Ivan, o Terrível representa também o termo da evolução de Eisenstein em direção ao formalismo, ao mesmo tempo que seu máximo distanciamento das massas como o tema ideal de uma obra de ficção.
Todavia, seria completamente errôneo dizer que Ivan constitui o triunfo do indivíduo no cinema de Eisenstein. Isto equivaleria e esquecer a total inaptidão do cineasta em representar o indivíduo em sua intimidade e verdade concreta. Os personagens dos dois filmes são, mais do que seres de carne e osso, marionetes alucinadas, ou máscaras, que tiram o essencial de sua força- que se pode julgar ultrajosamente artificial- de sua posição no interior de uma geometria plástica dos planos e do découpage.
No plano visual, a metáfora do xadrez nos vem imediatamente ao espírito, os personagens e sobretudo os atores do filme não sendo nada além de peças manipuladas de cima pelo cineasta-demiurgo[...]"
Esse é um trecho da crítica que crítico de cinema, Jacques Lourcelles, fez a Ivan, o Terrível, o que compartilho com esse crítico é que sim, o segundo filme é muito superior ao primeiro, mesmo tendo uma intercalação estética, que acho rídicula, de cenas em preto e branco e outras coloridas.
O segundo filme é muito mais sentimental, mais bem desenvolvido em torno da ótica de conspiração, da volta e meia de martírio que o Czar possui por suas ações, pelas traições, o modo como o Czar manipula as pessoas.
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| Ivan manipulando o seu primo Vladimir |
O Segundo filme começa quando, numa sessão da Corte Polonesa, em Cracóvia, presidida pelo rei Sigismundo, Kurbsky se apresenta para ser subordinado ao rei polonês e é impossível não rir da cena.
Sigismundo, todo enfeminado, na apresentação de Eisenstein, pega de leve o florete de Kurbsky e manuseia de leve com a mão a espada e a entrega de volta, Kurbsky, mais homossexual ainda, pega a espada e passa cheirando a lâmina enquanto olha para Sigismundo com outros olhos.
Você para e pensa:
"Que bando de viados! Até o Justin Bieber é mais macho que esses dois!"
| Cena da Corte do rei Sigismundo |
É também no Segundo Filme que se mostra o Czar ainda criança, quando começa a ver as constantes brigas entre os boiardos e acaba formentando o seu ódio contra eles, mostrando na clássica cena de quando Ivan vê sua mãe ser envenenada.
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| Ivan quando criança |
A Conspiração Boiarda também mostra o plano de Eufrosinia de colocar o seu filho, um abobalhado com cara de mulherzinha, no comando do trono de Ivan, com a prerrogativa máxima, matar o Czar... O czar desarticula o plano, e bem, vocês tem que ver o que acontece.
| Maliuta está de olho |
Mesmo a parte 2 sendo superior a parte 1, o primeiro filme também está num patamar superior, num patamar relevante aos filmes de Eisenstein, e muito, mas muito superior a certos filmes a mim contempôraneos, o filme querendo ou não, pode ser omisso em relação a algumas características de Ivan, mas as cenas em que o povo aparece também não são de se descartar, tudo foi muito bem feito, incluindo a trilha sonora de Prokofiev, que volta e meia é sombria, tristonha, outras envolve o amor por Anastacia, outras se torna intesa, pulsante, com a ótica da conspiração e ainda tem momentos que faz você pulsar, querer se emergir no filme totalmente, é uma música tão esquizofrênica, tão bipolar, quanto o próprio Czar, mas ainda assim é bela.
Eisenstein termina a montagem da segunda parte em fevereiro de 1946. A doença e as críticas oficiais suscitadas por esta segunda parte o impedirão de rodar a terceira parte, apesar de esta ter sido minuciosamente escrita e preparada.
Na terceira parte ( intitulada: Os combates de Ivan), o Czar, agora aliado à Inglaterra, deveria enfrentar vitoriosamente as tropas livonianas.
Kurbsky morreria em um castelo, cuja explosão teria sido voluntariamente provocada por um dos seus homens, a fim de evitar que este caísse nas mãos do inimigo. Maliouta morreria também nesta explosão.
O filme deveria ter terminado com uma proclamação de Ivan, afirmando que de agora em diante a Rússia permaneceria no Báltico. Absolutamente falsa historicamente, pois essa filmagem beneficiava Ivan com as vitórias conquistadas mais tarde por Pedro, o Grande.
Em setembro de 1946, o Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética condenou Eisenstein nestes termos:
" O metteur em scéne Sergei Eisenstein, na segunda parte do filme Ivan o terrível, revelou sua ignorância dos fatos históricos ao mostrar a progressista guarda de Ivan o Terrível como um bando de degenerados, do gênero Ku Klux Klan, e o próprio Ivan o Terrível, que possuía vontade e caráter, como frágil e indeciso, um pouco à maneira de Hamlet".
No entanto, o Conselho Artístico do Ministério da Cinematografia apreciou o filme, mas a última e definitiva condenação veio do Kremlin e a segunda parte só saiu na Rússia e no mundo em 1958.
| Kurbsky sem vergonha, cortejando Anastacia |
| Ivan tá podendo, tomando banho de moedas, assim as mina pira! |
Segue a seguir as duas partes de Ivan, o Terrível. ( Com legendas em Inglês)
Parte 1
Parte 2
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