sábado, 19 de maio de 2012

Socialismo às aversas: Coréia do Norte

         O socialismo como forma de governo parece estar se desvencilhando cada vez mais da assonância das massas desde os trágicos eventos do final da década de 1980, contudo, ultimamente a palavra "socialismo" retoma seu fôlego a partir da última crise financeira de 2008, que perdura até os últimos dias.

          Enfim, eu acho desnecessário explicar que o socialismo em si tem várias correntes filosóficas e ideológicas, algumas sequer ouso enquadrar como socialismo, apesar do nome: Como Social-Democracia ou Nacional-Socialismo. Essas duas concepções estão em muito distantes do que seria socialismo, e são apenas abstrações nominais para enganar as massas. Enquanto a Social-Democracia embora tente promover uma integração entre a massa e a burguesia, de modo tímido é claro, tendo em vista que ele apresenta compromissos com a Burguesia, o nacional-socialismo tem por fim excluir definitivamente os povos, em prol do privilegiamento da burguesia.

           Nisso, o mundo que podemos enquadrar como socialista, ainda se divide talvez em vinte e seis concepções diferentes, desde o titoísmo, eurocomunismo, marxismo-leninismo, trotskysmo, stalinismo, maoísmo, comunismo árabe, Teologia da Libertação, socialismo sionista, afro-socialismo (que é uma coisa muito doida, porque admite proletariado e campesinato, mas se legitima por dispultas étnicas), ecossocialismo, castrismo, Democracia-Socialista (Que é diferente de Social-Democrata), e assim em diante.

            Essa postagem não dedicar-se-á a enumerar os tipos de socialismo e dar suas especificações, até mesmo porque existem vertentes que nem chegam ser vertentes, como o marxismo teórico. Essa postagem tem por fim estudar um tipo de socialismo específico: O socialismo da Coreia do Norte.

           Visto hoje, a Coreia do Norte é sem dúvida um dos aparatos mais repressivos e sólidos da história das  ditaduras... Sim, eu uso ditadura como termo, pois em verdade ela é mesmo.

         Pois enfim, como surgiu isso?

         Eu não sou especialista em História Antiga do Oriente, e eu duvide que alguém o encontre no Brasil inteiro, mas só para dar uma introdução, a ocupação da Coreia por um povo se dá desde 2333 a.C., quando tribos nômades decidem formar ao sul da Manchúria um reino.

          Ao longo dos anos esse Império se dividiu ao longo da península coreana, formando até três reinos da Coreia (Isso é muito mais estranho que as duas Coreias), tais eram: Goguryeo, enumerado de bravos e sanguinários guerreiros ao norte da península; Baekje, localizado ao sul do rio Hanggang, parte de Seul atual, que era consideravelmente mais pacíficos que os Goguryeos, mas em fato se alojaram nessa região fugindo das guerras, assim estabeleceram então uma civilização mais voltada para o comércio ultramar (tendo algum contato com os japoneses);  Shilla (57 a.C. - 668 d.C.), o mais distante da China, a princípio o reino mais fraco e menos desenvolvido dos três, sendo um dos últimos a aceitar o budismo e o taoismo em suas terras,  sendo sua  sociedade estava marcadamente dividida em classes sociais.

           Só na análise dos dois primeiros reinos, já se pode ter um esboço das respectivas partes da Coreia: Norte, dotado de guerreiros agressivos, enquanto o Sul voltado para o comércio.

          Enfim, tal estrutura acabou se unindo em um só reino com o passar do tempo, até a Coreia ser invadida por Gêngis Khan, e se tornar um estado dependente e submisso aos mongóis.

         O interessante é que foi da Coreia que surgiu a fracassada investida dos mongóis pelo mar em atacar o Japão, que foi severamente rechaçada pelos samurais.

          Em todo caso, a Coreia vê-se livre  do jugo mongol para depois ver-se prisioneira do jugo japonês por volta do século XVI, até ser assessorada pelos exércitos manchus e acabar caindo sob jugo chinês.

        E assim continua, até que em um dado momento no século XX, no ínicio, o Japão inicia um ataque à Manchúria, na afamada Guerra Russo-Japonesa, na qual a Rússia perde, e os japoneses se apossam da Coréia até o final da Segunda Guerra Mundial.

       Nisso temos a Segunda Guerra Mundial, onde o Japão tinha em suas mãos quase a metade oriental inteira da China, as ilhas do Pacífico e estava em guerra com os EUA. A União Soviética e o Japão tinham assinado um Pacto de Não-Agressão em 1941, pouco antes da Operação Barbarrossa, onde o Japão se comprometia em não invadir a União Soviética (e ainda bem que não invandiu, porque a URSS não iria suportar um ataque voraz alemão pelo Ocidente e outro ataque pelo Oriente através da Sibéria).

           Em todo caso, Stálin, ao entrar na Aliança dos Três Grandes, prometeu a Roosevelt que iria entrar em guerra com o Japão três meses após a Alemanha ser derrotada, e ele cumpriu.

           Um dos eventos que mais foram ocultados pela historiografia ocidental da Segunda Guerra Mundial, foi o deslocamento de 1,5 milhões de soldados através da Transiberiana e Transbaikal até o Extremo Oriente, e que as tropas soviéticas desembarcaram par tomar parte de um esforço para libertar a China e a Coreia. Talvez tudo isso tenha sido apagado, pois na ocasião que os soviéticos chegavam a Coréia, as duas bombas atômicas eram lançadas.

          É por isso que a Coreia foi dividida em duas, uma Coreia ocupada in facto pelo Exército Vermelho, e uma Coreia, a do Sul, sob jugo dos EUA.

          Nisso temos que a China, em 1949 se liberta das garras de Chiang Kai-shek, acabando com o Kuomintang, e estabelecendo uma revolução socialista (encabeçada pela primeira vez na História, pelo campesinato liderado por Mao Tse-Tung), e a ideia de uma revolução na Coreia inteira pareceu seduzir os norte-coreanos.

            Foi em virtude disso que em 1950 foi travada a Guerra da Coreia, onde os norte-coreianos desejavam na verdade unificar a Coreia sob a bandeira socialista, enquanto a Coreia do Sul tentava não ser invadida com o apoio dos EUA (com as tropas do General MacArthur).

          Em todo caso, embora os EUA tenham se envolvido de fato na guerra, deslocando seus homens para lutar lá, incluindo os seu maior general em atividade, Douglas MacArthur (Eisenhower estava tentando se eleger e o Patton tinha sido atropelado pra valer por um tanque Sherman no final da Segunda Guerra), a União Soviética não deslocou nenhum de seus soldados para lutar lá.

         Esse é um clássico conflito da Guerra Fria, onde é efetuado num terreno de guerra secundário, onde a URSS não se envolve militarmente e os EUA se dedicam em defender o seu domínio na região a todo custo.

         Os norte-coreanos viam-se apoiados é claro pela China e a URSS, mas apenas quanto armas, e ainda assim, os equipamentos soviéticos tinham dificuldades para chegar até a Coreia devido às distancias, mesmo assim, foram usados Ts-34 da Segunda Guerra, ainda novinhos, e armamentos soviéticos, como o Ak-47, e alemães pegos como espólios de guerra, como a MP-40 e a Karabiner 98k.

         Mesmo assim, os norte-coreanos tendo conseguido quase tomar inteiramente o território num instante, foram rechaçados pelo apoio americano vindo do mar, e acabaram retornando, até tomarem novamente a dianteira.

          Contudo, as coisas de ambos os lados não estavam boas, nos Estados Unidos, iniciara-se a corrida presidencial e Truman queria eleger seu sucessor, enquanto na URSS já se lutava pela sucessão de Stálin, que com sua morte em 1953 apenas se acirrou.

         Nisso temos uma pressão das duas maiores potências para acabar logo com a Guerra, o que aconteceu em 1953, com o cessar-fogo, ambos os lados agora estavam proibidos de qualquer ataque.

          É isso que temos, uma guerra que não mudou nada.

          Enfim, a Coreia do Sul recebeu extensos investimentos americanos do Plano Colombo para reestruturar sua economia, a qual ela empregou no melhoramento de sua educação, e ela, em si, abraçou o capital estrangeiro das multinacionais que utilizavam a sua gente para produzir produtos  a um baixo custo, e assim a Coreia do Sul se tornou uma potência regional capitalista (com o apoio maciço dos EUA, vale frisar).

         Enquanto isso, a Coreia do Norte recebeu apoio armamentício da URSS e da China e tecnológico, contudo sua administração burocrática e repressiva não pode contornar as sucessivas crises agrícolas ocasionadas por períodos de estiagem em seu territótrio e até hoje os norte-coreanos vivem com estigma da fome.

          Tirando agora esse discurso de lado, temos na Coreia do Norte um problema ideológico:

           A Coreia do Norte é um regime de um Partido Único, que se alto intitula Democrático Popular, que nem de perto é democrático e popular (nem mesmo para os padrões socialistas), de inspiração stalinista, com Planos Quinquenais, Coletivização da Terras Agrícolas e tal...

           O problema principal é: O Comitê Central do Partido Comunista parece ser um fantoche à vontade do líder principal, e não parece ser legitimo, afinal de contas as eleições para líder dessa nação são absurdas.

            Na União Soviética, para o indíviduo ser eleito, ele primeiramente tem que ser membro do Partido, e ser eleito pela população local de uma região para ser um Deputado do Povo, depois Comissário do Povo, e como Comissário do Povo ele elege os membros que irão presidir o Comitê Central dos Comissários do Povo, e do Comitê Central se elegem os nove líderes para liderarem o Politburo, e esses nove possuem a mesma equipotência, muito embora eleja entre si um porta-voz do Politburo que costuma ter maior poder, como é o caso de Stálin.

            Assim, mesmo que pareça estranho, há uma rotatividade de poder na União Soviética, na Coréia não.

            Na Coréia o poder é hereditário, e vem sendo assim desde a guerra da Coreia, quando o primeiro líder Kim Il-sung, formulou a sua ideoogia Junche, na qual se chega à fase mais absurda de um culto à personalidade, o que deixaria até mesmo Stálin de cabelos em pé.

           O Junche tem como principais fundamentos:

  • Defesa da independência econômica e política com relação a países estrangeiros.
  • Coletivização da agricultura e da indústria.
  • Culto da personalidade exarcebado, onde a figura hereditária do líder é profundamente amada.
  • Songun: o aspecto militar é o mais importante da política, é uma sociedade por tanto demasiadamente militarista, ao valorizar mais o militar que ao político.
  • Forte voluntarismo: as massas são consideradas donas do mundo, mas são forçadas a jornadas extenuantes de trabalho para engrandecer não a si, mas ao líder.
  • Nacionalismo e defesa da homogeneidade étnica (Isso é sério).

           O pior disso tudo é que não há eleições para líder, mas o poder passa de pai para filho! Como se fosse uma empresa familiar. Esse conceito de herança de Estado, se podemos enumerar assim, é obviamente antimarxista, até porque o próprio Marx condena a pessoalização do Estado Socialista e mais ainda a herança, por julgar essa última como produto de uma sociedade capitalista, onde o bem foi conseguido através da exploração de outro.

            O Junche é originalmente anti-marxista, mas também é uma deturpação até mesmo da ótica stalinista, tendo em vista que o próprio Stálin condenava esse tipo de coisa ao ter repreendido o seu próprio filho, Vassili, general da Força Áerea, de usar o nome de Stálin em seu bel favor:

            "Você não é Stálin, eu não sou Stálin! Stálin é o poder soviético!"

             Kim Il-sung morreu em 1994, sendo então sucedido por seu filho, Kim Jong-il, que manteve essa mesma postura, além de ameçar ocasionalmente o vizinho do Sul em troca de ajuda humanitária a sua população local, que o seu próprio governo extraviava para o seu bel-prazer.

             Kim Jong-Il, dotou  o seu estado de um aparato repressivo tão grandioso, que só poderia ser comparado com os campos de concentração nazistas, e os gulags da NKVD, onde sim, se utiliza trabalho forçado dos prisioneiros políticos, e se especula que possam ser feitos experimentos com seres humanos.

            Kim Jong-Il conseguiu ele mesmo desenvolver a primeira bomba suja da Coreia do Norte, carregada de dejetos radioativos  a qual explodiu no subssolo em 2008, deixando alertas os EUA, o Japão e a Coreia do Norte.

           Além disso ele fazia experimentos para deixar o seu cabelo todo espetadinho.

Eis, Kim Jong-Il e os seu cabelo espetadinho

      

            Jong-Il morreu em 17 de dezembro do ano passado, segundo a TV Estatal Norte-Coreana,   devido à "fadiga" do Líder Supremo e à "dedicação de sua vida ao povo". A agência de notícias sul-coreana Yonhap, com base em informações obtidas na Coreia do Norte, divulgou que Kim Jong-Il morreu durante uma viagem de trem por causa de ataque cardíaco.

             Nisso, Jong-Il, passou como costumeiro o poder hereditariamente para o seu filho Kim Jong-un, que pouco se sabe no momento a não ser que deve ter comido um bocado de Big Macs, Galinhas Fritas, Mashmellows, Fondues, quando estudava num colégio interno na Suíça (Não foi um colégio norte-coreano, notem, foi na Suíça, isso nem de perto foi uma igualdade com o seu povo, outro conceito antimarxista!)

             Sabe-se que ele é filho da dançarina profissional japonesa Ko Yong-hui, que faleceu em 2004 co líder coreano e que  teria nascido em 1983 ou em princípios de 1984 até ser mandado para a Suíça.

             Pois nem o moleque acabou de assumir o governo, e culto já o pegou, chamando ele de  "Grande Sucessor", mas como primeira ação sucessória esse rapaz um pouco rechonchudo deslanchou um lançamento de um foguete que levaria um satélite norte-coreano para o Espaço...
O foguete, na hora do lançamento

O grande sucessor depois


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