Acima do bem e do mal repousa todas as coisas que concernem a natureza humana.

domingo, 22 de abril de 2012

Volodia


           

       Volodia, para bons entendedores de russo é o diminutivo carinhoso de Vladimir.

       Vladmir por sua vez tem por sua vez origem epistemologica em duas palavras de origem eslava há muito conhecidas: Vlad e mir.

        Vlad:  Literalmente é uma palavra que designa líder, condutor, guia.

        Enquanto Mir, do russo, pode tanto designar Paz como o Mundo.


        Vladmir logo pode ser traduzido por dois significados: "Condutor da Paz", "Guia do Mundo".


         Deve ter sido por isso que Ilya Nikolaievich deu esse nome para o seu fillho que estava destinado a mudar de alguma maneira o Mundo: Vladimir Ilyich.


          Talvez ele não soubesse o que estava destinado quanto ao futuro do próprio filho e talvez pudesse até mesmo ficar horrizado com o fato de se tornar um revolucionário capaz e ativo que iria pôr fim ao Império que ele próprio desejava renovar com suas propostas liberais. Em todo caso, esse tópico irá tratar de um individuo em específico, um líder das massas: Lênin

        Já fiz postagens em demasia sobra figura de Lênin, minha proposta agora é mostrar algumas fotos (conhecidas ou não) da vida da "Águia das Montanhas" (como Stálin se referia ao seu antecessor).

Os Ulianov, em foto de família

          Para começar, nada mais conveniente, do que mostrar a família Ulianov...  Como podem ver, a família em si era muito extensa, e Vladimir nasceu numa família de seis irmãos, sendo ele o irmão do meio,  apesar disso, a família vivia em uma condição razoavelmente abastada, e Ilya Ulianov, o homem com um calvanhaque vistoso e careca das quais Lênin iria herdar, era rigoroso com o estudo dos filhos.

         A mãe, Maria Alexandrovna, era uma típica dona de casa luterana religiosa, que com a morte de seu marido fazia de tudo para sobreviver com a renda dos aluguéis de sua família, e num momento posterior, quando Lênin ingressa na clandestinidade, ela apoia o seu filho, enviando lhe dinheiro no exílio.

          Para os curiosos, Lênin é o menino em traje de marinheiro, sentado à direita, perto ao seu pai.



        Essa foto ao lado foi retirada por volta da virada do século XIX,  antes que Lênin tenha ingressado nas rodas marxistas... Nessa época, Vladimir Ilyich era um estudante de advocacia que foi expulso da Universidade de Kazan, por causa das ligações do seu irmão, Aleksandr, com o atentado ao Czar Alexandre III.


      Nesse meio tempo, Lênin servia muitas vezes como advogado em pequenas causas no Baixo Volga, recebendo honorários em muito diferentes aos que um advogado pode estar acostumado, como galinhas e ovos. Mesmo assim ele prestava tais serviços a pequenos proprietários de terra locais.










         Essa foto, retirada em 1898, pelo que me lembro, é a foto de passaporte de Vladimir Ulyanov, agora um reconhecido revolucionário, membro do Partido Social-Democrata dos Operários Russos, nessa época, Lênin vivencia um dos seus mais simbólicos exilíos, junto ao rio Lena, onde ele iria retirar o seu pseudonimo mais famoso: LENIN ("Homem do Lena").



Krupskaia





     É nessa época também que Lenin já havia tomado contato com uma das ativistas mais fervorosas do Partido, com quem futuramente ele iria desenvolver uma relação amorosa meio complicada, mas verdadeiramente honesta ... Nadezhda Krupskaia.












Lênin em tempos posteriores

          Depois de constantes divergências entre o cenário político do Partido Social Democrata, enfim, Lênin assiste tal partido se dividir entre duas facções: Mencheviques e Bolcheviques durante um dos inúmeros congressos partidários que ocorrem no exílio ( O Congresso em Londres 1907 foi sem dúvida o mais marcante). Lênin então conduz o seu ramo político, os bolcheviques do exílio, assistindo de longe (e ainda assim de perto) os acontecimentos na Rússia.

           No exílio ele encontra em uma de suas viagens, Maximo Gorky, o grande escritor russo, de vertente moderada socialista, com que ele tem uma amizade com alguns atritos...

Lênin (de chapéu coco, sentado) jogando xadrex com Gorky, o barbudo pensativo

           Nessa foto por exemplo, Lênin se encontra com Gorky em Capri, Itália, no retiro do escritor no exílio, e se dispõe a jogar xadrex com ele.




         O peregrino Ulianov, assim poderiamos encarar esse período para Vladimir Ulianov, que distribuiu o solado de seu sapato por cada grão de terra da Europa... Paris, Londres, Petersburgo, Viena, Helsinque, Polônia, Suíça.


         Lenin mais e mais no exílio parecia desenvolver suas teorias políticas, como se  o exílio tivesse iluminado sua cabeça para as suas ideias... Nessa foto ao lado, Lênin contempla-se com o ar das montanhas durante sua estada na Galícia (parte austríaca da Polônia).








Em 1917, depois uma atribulada viagem e um arriscado empreendimento, Lênin retorna à Rússia em meio ao caldeirão explosivo que se formava antes da dita Revolução Russa: O Czar havia abdicado e um governo de proposta liberal havia se formado.


        O momento mais emblemático disso talvez tenha sido a recepção calorosa que Lênin obteve ao desembarcar na Estação Finlândia, quando os trabalhadores, munidos de bandeiras vermelhas e rosas cantavam a plenos pulmões a Internacional.

        Algumas semanas depois, Lênin estava expondo suas Teses de Abril numa sessão do Soviete de Petrogrado...

Lênin expondo as Teses de Abril



     Lenin, logo após a isso, depois de uma tentativa frustrada de golpe iniciada pelos marinheiros de  Krondstadl, teve que se esconder, sob o perigo de ser execultado pelo Governo Kerensky.

     Nisso Stálin toma para si a missão de esconder Lênin, levando-o para a Finlândia, onde ele o disfarçou como um simples camponês, tirando-lhe a barba, tão característica e ajeitando uma peruca que ficara maior na cabeça de Lênin.


Ficheiro:Lenin-last-underground, 1917.jpg


     Vai me dizer que Lênin não ficou irreconhecível?




        Enfim, a Revolução de Outubro, que aconteceu em 7 de novembro, demonstrou-se vitoriosa e por fim, Lênin e o Partido Bolchevique começam a dirigir a Rússia, e Lênin começa a pensar no que seria base da União Soviética.



         Essa fotografia  logo ao lado é do Primeiro Aniversário da Revolução Russa, em 7 de novembro de 1918,  na qual Lênin, toma parte de um discurso sobre os feitos dos trabalhadores russos nesse primeiro ano pós-Revolução.




        Alguns dias depois Lênin sofreria um atentado deflagrado por uma terrorista anarquista chamada Dora Kaplan quando visitava a Fabrica de Automóveis de Petrogrado.









         Vladimir Ilyich começa a ter a sua saúde debilitada a partir do momento em que sofreu o atentado (alguns acreditam que o atentado tenha sido relacionado à fragilidade da saúde do líder soviético), e Lênin mais e mais se afasta do Partido para se tratar em Gorky (Nijni Novgorod), na verdade, mais e mais ele se ve afastado do Partido por causa das manipulações políticas de Stálin, que agora se despontava como Secretário-Geral.


Lênin e seu gatinho

       
          Lenin criticara esse centralismo político em torno de Stálin e tivera discussões acaloradas com o seu "discipulo" (se podemos usar esse termo).
  
         Nessa fotografia, ele passeia com o seu gatinho, pelos jardins da clinica em que era tratado em Gorky, mostrando um lado diferente de Lênin, distante do líder enérgico e decidido. Um Lênin que gostava de ouvir Beethoven, ler Pushkin e brincar com o seu gatinho.

Lênin lendo os jornais em Gorky

       Lenin passava a maior parte do tempo no Hospital lendo os jornais, previamente manipulados, por ordens de Stálin,  e tentando se renovar para tomar de novo o seu lugar no jogo político.

        A saúde de Lênin mais e mais vinha se deteriorando, e aos poucos sua fala ia se calando e ele começava a perder o controle dos fonemas e tendo dificuldades para falar.

         Eis que Krupskaia, sua namorada (mais para noiva, sejamos francos), dedicou-se inteiramente a cuidar de Vladimir, sendo tão carinhosa para com ele como uma mãe... Lênin precisava de Krupskaia.


Lênin e Krupkaia
          É claro que Krupskaia deixara de ser aquela beleza que fora tempos atrás, agora, dois anos mais velha que Lênin, ela era uma senhora de idade gorducha com cara de pão de queijo, sem muito de sensual nela.




          Isso talvez tenha motivado Lênin a ter tido outros relacionamentos fora deste, enquanto estava em plena atividade, mas Krupskaia sempre fora muito amavel com ele.










           Lênin, já numa fase bastante debilitada de sua saúde, agora passado horas a fio em uma cadeira de rodas; Depois de ter sofrido inúmeros colapsos e tendo agora dificuldades expressivas para falar, Lênin era uma sombra do homem enérgico, que trabalhava por doze horas a fio no seu escritório no Kremlin.



           Lênin, que sempre levara uma vida simples (embora fosse nobre de nascimento), agora passava os seus últimos dias assim, um pouco excluído de todos, respondendo apenas a alguns companheiros que se dignavam a visitá-lo e a Nadezhda Krupskaia.

          Passou o Natal observando as criancinhas abrirem os presentes, enquanto sofria forçosamente àqueles que o visitavam naquela ocasião... Lênin estava sofrendo.

          Separado do comando da Revolução que a tanto trabalhara, assistira ele a ascensão do poder de Stálin... Lênin se sentia traído.

         Numa noite, Lênin pediu que Krupskaia lesse para ele um conto de um capitão que fizera um contrato com um comerciante, uma daquelas história típicamente petit-bourguoise, como Krupskaia classificou, Lênin ouvia atentamente Krupskaia ler o enredo da história, onde o capitão sofria rios e fundos, e no final se dirigia ao comerciante com que tinha travado negócio:

        " Por que se dignou a tanto?", perguntou o comerciante.

         O capitão tinha dito algo sobe honra, alguma coisa assim... Lênin sorriu, como se a história em si fosse tão patética que parecia risonha, e dispensou Krupskaia.

        No dia seguinte, Lenin estava morto.


Lenin!







Um comentário:

  1. Uma magnífica homenagem ao grande Vladimir Ilyich em seu aniversário de 142 anos! Muito bem, Sepov. Bravo! Bravo!

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